segunda-feira, 31 de março de 2008

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


JOÃO MANJUA LEAL

Frequentou a Escola no tempo de grandes alunos como o Franklin e o Xico Zambujal que foram, igualmente, seus colegas na Escola do Magistério Primário.

Creio que não exerceu durante muito tempo a profissão de professor do ensino primário.

Começou a escrever cedo nos principais jornais e revistas do ALGARVE.

É um contador de histórias notável, sobretudo histórias da cidade de Faro..

Publicação de
João Brito Sousa

COSTOLETAS DOS ANOS QUARENTA


A PROFESSORA D. MARIA E O PROFESSOR GUERREIRO
De Conceição Dias

Nesses anos quarenta, as turmas eram distintas, isto é, somente femininas ou masculinas, mas era no pátio da escola, ao cantinho do Largo da Sé que a “malta” , moços e moças se reuniam antes de irem para as respectivas aulas.

No primeiro andar funcionavam as aulas práticas de Desenho e Lavores Femininos. No rés do chão, eram as aulas práticas de Carpintaria, Serralharia e outras.

A professora de Lavores Femininos era a saudosa professora D. Maria do Céo Rio que na altura namorava o professor Guerreiro Ela de baixa estatura e ele bastante alto

Quando chegava a hora do lanche a professora D. Maria corria à janela e atirava para baixo o lanche para o seu apaixonado, com quem mais tarde viria a casar..

Claro que isto se repetia todos os dias e a malta quando se aproximava a hora da merenda gritava: “O lanche! O lanche! Está na hora!”

Então, era ver a professora consultar o relógio, empoleirar-se na janela esticando as suas curtas pernas para ver o seu “amado” e atirar-lhe o saquinho com a ”paparoca”.

Viva a D. Maria e viva o Mestre Guerreiro.

Publicação de
João Brito Sousa

Retirado de

NAQUELE TEMPO da AAAETC

domingo, 30 de março de 2008

QUEM SE NÃO LEMBRA DELE ?


ORLANDO BICA
Reside em ESTÓI e já não sai dali.

Um bom amigo e grande poeta.



Exímio jogador de futebol no clube de ESTÓI, com o Luís Isidoro, o Vergílio Quintas e o João Canal e ainda no Serpa F.C.


Um grande homem e um grande poeta a quem dedico esta quadra.


Para o grande ORLANDO BICA
Esse poeta de enorme valor
Que mesmo se um dia se for
Pelo menos a sua poesia fica


Com um abraço do
João brito Sosa

O COSTELETA MANUEL LIMA


Eu ainda não tinha chegado à Escola, pois a cena que vos vou contar, ouvi-a eu e passou-se no ano lectivo de 1951/ 52.

O Dr. Leonel Abrantes solicitou à rapaziada da turma, que estudasse um poema para o ir recitar ao estrado na aula seguinte.

Houve um que recitou a Balada de Neve do Augusto Gil,


Batem leve levemente ..
como quem chama por mim ...
......................

E os outros lá se desenrascaram conforme puderam

A ideia era levar informação ao Dr. Campos Coroa acerca dos talentos encontrados.

Às tantas, o Dr. Leonel chama o MANUEL LIMA, que nunca tinha tempo para nada muito menos para estudar ( o tempo para isso escasseava sempre). E diz o Manuel....

Diga Senhor Dr...

E para recitares a poesia que escolheste.

E o Manuel Lima, que não tinha preparado nada, subiu ao estrado e disse: .


JOAQUIM DE OLIVEIRA MATOS, foi comer e partiu os pratos;

JOAQUIM MATOS de OLIVEIRA, foi comer e partiu a cadeira..



E o Dr.Leonel gostou e ... a malta também.


João Brito Sousa
Retirado de “Naquele Tempo da AAAAETC
.

sábado, 29 de março de 2008

BOM FIM DE SEMANA COSTELETA


A TODOS UM BOM FIM DE SEMANA.



João Brito Sousa

UM COSTELETA EM FARO

(café ALIANÇA)


MEUS AMIGOS COSTELETAS

Bom Dia, conforme a hora a que me lerem, claro.

Dormi no Hotel Eva.

De manhã, às dez, estava no Jardim Manuel Bívar à procura do fotógrafo Seita, onde eu uma vez tinha tirado uma foto à la minute, quando fui lá com a minha tia Silvina. Ia todo entusiasmado porque este Seita é irmão do Gregório Seita, um tipo alto e magro que tinha jogado a central na equipa do SCPatacão, e era um grande craque, parecia o Germano do Benfica.

Mas já não há o Seita fotógrafo, nem o quiosque do Vieguinhas , nem o costeleta Carlos Alberto Magalhães, nem o Verdelhão, nem o Alex, nem os dois Sabinos, nem o Luís Cunha, nem o Vergílio Coelho... e pensei, pode ser que haja os engraxadores.

Fui pelo jardim a dentro e não vi engraxador algum...

Entrei no Aliança pelo lado do Hotel Eva .. que, logo à entrada tem duas mesas, uma à esquerda oura à direita, e numa delas está sempre uma grande figura do desporto de Faro, o ex-árbitro Rosa Nunes, talvez o mais ecléctico praticante de desporto no tempo em que eu frequentei a Escola. Em futebol, foi dos melhores do Farense, tendo representado também o Portimonense. No basquetebol foi igualmente um dos melhores jogadores do Farense, praticou com brilho os jogos de bilhar, ping pong e xadrez, tendo sido nestas duas últimas modalidades campeão do Algarve. Foi ainda árbitro de futebol da primeira divisão tendo apitado uma final da Taça de Portugal entre o Benfica e o Porto.

O senhor esboçou um olá por aqui, cumprimentou-me e ofereceu-me a cadeira para me sentar ao que eu acedi.

Estávamos nesta, iniciando uma cavaqueira amena, eis senão quando chegam os costeletas Jorge Cachaço e o Fausto Xavier, e lá ficámos a manhã toda a falar de Faro, da Escola e do Liceu.

Um bom fim de semana para todos.

João Brito Sousa

UMA CARTA DE UM COSTOLETA AMIGO


Recebi este mail do costeleta RUI NOBRE RODRIGUES, meu conterrrâneo e amigo há muitos anos, que não tendo nada de especial, revela a nossa boa amizade ...



E se não interessar a mais ninguém, constitui por si só um pouco do património do blogue e talvez tenha interesse para o ANTÓNIO GABADINHO que procurava familiares seus para estas bandas do CHELOTE.



João Brito Sousa



Aí vai o mail do RUI.



Meu Caro João Manuel


É com muita alegria e prazer que recebo notícias tuas, por várias razões, mas as principais são, recordar um velho colega e amigo e lembrar as coisasde Braciais ou Barciais, que vão estando cada vez mais distantes ou talvez já muito esquecidas.

Li há dias "O Costoleta" e fiquei contente com o espaço que as tuas crónicas ocupam. Parabéns.


Das moças bonitas não me recordo de nenhuma, se alguma foi minha colega de turma. Vou estando muito esquecido daqueles bonitos tempos de juventude e de afirmação enquanto íamos caminhando para homens.

Se me lembro bem li no teu blog escreveres sobre um tal algarvio da Estrada da Senhora da Saúde de nome Nobre, que era decertoda família do meu avô materno, os chamados "Rabões". Tentei reler o artigo mas já não o encontrei.

Mas agora ao ler o que escrevi para verificar eventuais erros, começo a estar equivocado com outro bisavô de nome Gabadinho que era das Campinas antes do Chelote. Como podes ver os meus 64 anos não ajudam nada para estas questões muito antigas. O meu DNA (data de nascimento antiga) faz-se notar a todo o momento.

Meu caro, amanhã vou ao nosso Algarve só dois dias, mas é sempre um prazer sentir o cheiro daquelas terras.

Um grande abraço

do Rui

sexta-feira, 28 de março de 2008

COSTELETAS EM FARO


AQUI MORAM COSTELETAS

Estou em FARO, na Avenida da Republica, virado de frente para a fachada do nº 17, onde moraram os costeletas ZAMBUJAL.

A casa já foi demolida, não sei bem onde é, mas deve ser para ali, mais casa menos casa.

E de cabeça levantada e peito firme, deixo um ALABI ...ALABÁ .... BUM.. BÁ .. ESCOLA.. ESCOLA... ESCOLA.. para o costeleta Xico Zambujal que foi meu professor de desenho no Magistério e que faleceu com 57 anos.

E para o costeleta Mário deixo-lhe um abraço de parabéns pela sua “Crónica dos Bons Malandros. e outros”....

E para as costeletas Lurdes e Fátima Zambujal um bom dia.

Entretanto, virei-me para o lado do agora Hotel EVA, na esperança de ver aí os carros de mula de outros tempos, que faziam fretes carregando coisas a recibo verde.

Esperava lá ver o Albino Cotovio da Senhora da Saúde, o pai do Albino e do Adelino, este meu colega na primária em Mar e Guerra.

E lembrei-me de quando andei lá, na Senhora da Saúde, na escola paga nas filhas do Mestre Vicente, a Alda, a Lídia e a Teresinha, lembrei-me de um sino que lá havia e das abarcas entre estes dois irmãos, o Albino e o Adelino.

Era todos os dias.

Dois verdugas.

O Albino ainda praticou ciclismo, casou com a Lizete Janeira e parece-me que está na Alemanha. Do Adelino não sei nada..

E lembrei-me deste e daquele e do outro e mais isto e mais aquilo.. Lembrei-me de tanta coisa...

Da Senhora da Saúde em si, lembro-me do Zé Luís, o filho do Ti Leonel que reside em Elisabeth nos Estados Unidos e parece que esteve por cá a passar uns dias de férias.

























O Pai, vejo-o com muita frequência perto da venda do Zé Raimundo, ali para os lados dos Braciais, perto do ti Aníbal, ele e o Miguel Barulho e andam sempre na brincadeira, parecem dois putos, o Miguel canta o fado e o Leonel dá-lhe umas cacetadas pelo lombo abaixo.

Depois do Leonel lá na Senhora da Saúde vinha o Joaquim Tarreta, grande agricultor falecido com 42 anos e já a explorar três hortas. Os filhos são os meus amigos Diogo /Meninha, Reinaldo e Soledade, gente boa de quem já tenho falado aqui muitas vezes.

Morava ali em frente aos Tarretas a Otília Marques, que andou comigo na Primária em Mar e Guerra mas nunca mais a vi. E era por ali que morava o Joaquim Urbano, que também andou lá na Primária com a gente e que era parceiro de carteira do meu primo e costeleta CARLINHOS LOURO, já falecido, e ficavam sentados na fila junto à parede, segunda carteira. O Joaquim era muito amigo do meu primo mas perdi-o de vista.

E que será feito do costeleta Zé Pinto, que morava lá para dentro, á esquerda quando se vai para Faro, em frente á horta do Zé Diogo do laranjal ? ..

Volto a mim e procuro naquele espaço, onde é hoje o Hotel Eva, os moços do meu tempo que ali jogavam Hóquei em Campo, o melhor era o filho do contínuo Sr. João, o hoje Oficial da Marinha João Bico e jogava também o Chupa e outros, mas acabou-se, em lugar do campo está hoje um hotel e anda por lá um tipo a pedir dinheiro à malta..

Estava eu por ali na Av. da Republica, quando passam por mim o Rafina, o Papa Arroz e o Má Língua, moços de fretes, o primeiro já de idade avançada, um homem que sendo velho era moço ao mesmo tempo.

Gente antiga com vontade de viver..

Já não tive tempo para chegar até ao jardim Manuel Bívar para confirmar se o fotógrafo Seita ainda lá estará ao pé do Coreto, se o Marreco engraxador ainda estava por lá no Jardim e ... aproveitava para ir procurar ao Carlos Alberto Magalhães Viegas, que devia lá estar a vender jornas no quiosque do Pai, se o Justino, Costeleta que foi gerente no Borges & Irmão, andava por ali.

E ver a malta que pudesse. O Zé Emiliano e o Alberto Rocha, talvez...

Amanhã vou. Hoje me fico.E me dispeço com um abraço costeleta.

Para todos.

Texto de
João Brito SOUSA

POESIA



TALVEZ....

Talvez tu nunca tenhas visto o azul do mar
Talvez tenhas sonhado que essa cor existe
Talvez tenhas pensado saber o que é amar
Mas o coração com dúvidas sempre resiste!..

Talvez queiras uma certeza no que é incerto
Talvez queiras uma oportunidade e ser feliz
Mas não aceites bem se o amor parecer certo
Apesar do coração só aceitar o que o amor te diz.

E se o amor te disser que quer a tua companhia
E quer viver contigo em sossego, paz e harmonia
Aproveita que isso na vida acontece uma vez

Talvez depois, seja amor tudo o que vier até ti
E serás aquele ou aquela que ora chora ora ri
Porque o amor é assim mesmo não é talvez.....

João Brito SOUSA

ONDE OS COSTELETAS JOGAVAM À BOLA


QUANDO O PROF FALTAVA...

A malta ia jogar à bola.

Jogar a bola foi um fascínio para a malta do meu tempo. Faltava um professor e lá íamos nós para o campo dos marinheiros, campo dos blocos ou campo das amendoeiras perto do Liceu .

A bola era uma tentação e uma bola de borracha havia sempre um que a tinha..

A gente chegava, marcava as balizas com os livros a servir de poste, o guarda redes fazia um risco com o sapato de livro a livro e, se a bola passasse para além do risco, com o jogo em andamento, era golo e voltava tudo ao princípio
Quem escolhia os jogadores eram os guarda redes. Colocavam-se em frente um do outro, davam um salto de pés juntos para a frente, e depois, colocavam um pé à frente do outro e aquele que colocasse o pé sobre o pé do outro era o primeiro a escolher.
Primeiro escolhem-se os mais habilidosos, tipo Fontainhas e Priolé, jogadores de um talento enorme e também o Ludovico de S. Sebastião . Os montanheiros ficavam para o fim e jogavam à defesa e não passava nada..
O melhor montanheiro que vi jogar à bola foi o ADOLFO dos Gorjões que jogava no Liceu. Tinha tudo; poder físico, domínio de bola, raciocínio rápido, remate colocado, visão de jogo, colocação no terreno, espírito de equipa, era solidário, tinha a capacidade de liderança....
Um dos estádios era no Largo D. Afonso III que naquele tempo era um terreiro. E sem estátua. Embora com alguma inclinação, servia para os alunos da Escola Tomaz Cabreira jogarem entre si.

Foi aqui que o Zaralho de Tavira despedaçou a cesta do polícia. Zaralho, o almoço é no dia 8 de Junho em Vilamoura. Quero-te lá.

Nas Barreiras, local onde hoje está o Mercado, era tudo estádio até à Igreja de S. Luís.

O campo dos Marinheiros, um pequeníssimo terreno meio encovado e que tinha aquele nome, por ficar junto daquilo a que chamávamos a “rádio naval” umas instalações da marinha. Tinha um contra: O senhor reitor proibia que lá se jogasse à bola, como proibia quase tudo.

Havia mais uns três ou quatro campos.

Queria deixar duas linhas avançadas de juniores com valor para se bater com qualquer linha avançada júnior, de hoje em Portugal

ESCOLA: Fontainhas, Priolé, Ludovico, Zé Gonçalves e Ribeirinho

LICEU: Tabeta, Aleluia, Monteiro, Adolfo e Uva.

Texto de
João Brito Sousa

QUEM SE LEMBRA DELE?


LUDGERO GEMA


Foi meu contemporâneo na Escola andando um ano atras de mim.

Um dos aspectos mais importantes da sua vida, foi o facto de ter ingressado no Banco Português do Atlântico aos 18 anos juntamente com o Carlos Alberto Martins dos Santos, recentemente falecido.

Trabalhou no Banco com o Zé Marcelino, com o Mário Leonardo, com o Lopinhos, com Aníbal Pereira e certamente com outros que eu não me recordo.

Prestou o serviço militar com o Diogo Costa Sousa em Angola e está ai na foto acima com o Costa Sousa a conduzir.

Aqui deixo um abraço para ele.

Texto de
João Brito Sousa

quinta-feira, 27 de março de 2008

WHERE THE COSTELETAS ARE


Where the boys are é o nome de um filme.

Where the costeletas are é título da minha crónica de hoje..

Where the ZACARIAS are é o que vamos saber.


O ZACARIAS, era um funcionário da tasca da esquina, ao pé da estação, onde o patrão tinha mesmo cara de mau e devia de lixá-lo ou dar-lhe cabo da cabeça...

Quando eu estava hospedado na Rua Ventura Coelho, para ir para a Escola vinha à Av. da República e passava pela tasca do Zacarias.

O Zac era um homem meigo e triste também, resignado à sua condição de fachineiro e homem das limpezas, em cuja face se via apenas o branco dos olhos no conjunto da sua fisionomia.

Tinha um ar distante nessa primeira vez que o vi. Talvez estivesse a falar com Deus e a pedir-lhe que o levasse de novo para a roça.

Encostado ao balcão e á vassoura, o preto Zac inspirava simpatia. Fiquei amigo do Zac e, sem ele saber que era seu amigo, todos os dias passava pela tasca e olhava para ele.

E parecia-me que continuava a falar com Deus

E estava eu ainda nesta de digerir a ausência do Zacarias, lá ao pé da oficina da estação, portanto, quando me cruzo com um preto (o termo não é aqui usado pejorativamente), tal e qual o Zacarias.

Fiquei feliz e disse .eih... Zac... o cavalheiro virou-se para trás e ... olhou .. nada disse e bateu a asa.

Fui andando.

Daí a pouco, estava a passar junto da antiga residência do Xico Zambujal, do Mário Zambujal, da Lurdinhas Zambujal e da Fatinha Zambujal, que foi minha colega de curso no Magistério e que casou com o bancário no BNU em Coimbra, costeleta, advogado e poeta, natural de Santa Clara de Sabóia, creio, o Dr. Manuel Inácio da Costa, que era visita da casa da Natércia quando eu estava lá hospedado.

Estava eu rememorando a imagem do Sr. Gordillo, o Pai dos Zambujal, virado para o casario, quando sinto uma palmada nas costas, virei-me.. era o Zacarias, não o preto que eu procurava, mas o do Alpino, costeleta do Sítio da Areia, do tempo do Januário da Conceição de Faro, do Vinebaldo Charneca de Pechão, do Víctor Venâncio, do Zé Emiliano e do Alberto Rocha, do Bernardo Estanco, do Zé Elias do Chelote, do Leonel de Boliqueime, do Víctor Carromba, do Bartolomeu Caetano e de tantos outros.

Disse-lhe o que estava a fazer ali.

E ele, logo: - Olha lá, tu conheces aquela redacção que o Mário Zambujal fez, a «MANHÃ de AULAS»? ...

Não, disse eu

Então, toma lá e publica.

Agradeci..

E por achar o texto muito giro... aí vai.


“Oito horas! Estremunhado, amaldiçoei ”in mente” o renegado que inventou os relógios monologando um raivoso colérico –“Bandido!”.

Esfreguei os olhos com força e comecei a cantar esganiçadamente as primeiras notas de uma canção em voga, para fazer fugir o sono.

Deitei um olhar ao relógio ! Malvado! Lá estava ele naquele eterno tic-tac, monótono e irritante, que me estragava os nervos e me estragava as manhãs! Malvado!

.- Atchim! Olá, decididamente estava a constipar-me! Brr... que frio! Maldito tempo!
Vagarosamente enfiei uma meia; tornei a descalçá-la com um berro de desespero. Estava do avesso. Com uma paciência evangélica calcei-me e vesti-me. Atchim! Lindo tempo não havia dúvida...

Olhei aterrorizado a água gelada que brotava da torneira, caindo caudalosamente sobre a alvura láctea da bacia.

Depois, num rompante de coragem, meti a cabeça debaixo da torneira! Atchim! Atchim! Brrr...

Acabei à pressa a ”toilette”, engoli dum trago o pequeno almoço, enrolei um “cache-col” en volta do pescoço; escondi o físico dentro da gabardina, atirei um punhado de livros para dentro da pasta – tudo isto feito num instante - e saí pela aporta fora como um furacão.

Oito e quarenta! Dentro de momentos o toque irritante da campainha, far-me-ia subir a quatro e quatro a nua escadaria de lajes escorregadias.

Mau! Grossas pingas começavam a cair do céu pardacento. Maldito tempo!

Desatei a fugir pela avenida abaixo, encharcado, ofegante espavorido...

A água batia-me nos olhos, inundava-me a cabeça., fazendo-me correr pela cara abaixo toda a abundante brilhantina que pusera no cabelo..

Maldito tempo! Quem seria o “camelo” que disse que era romântico a chuva bater na cara?- Animal!

Atravessei a galope o Arco da Vila, escorreguei, caí, levantei-me e cheguei finalmente à Escola., terrivelmente encharcado e furioso...

E exausto como estava, só tive forças para monologar mais um “Maldito tempo” carregado de ira sanguinária!

Mas ainda não tinham acabado as terríveis e odiosas surpresas desta manhã infernal! Não, havia ainda outra, mais horrível, mais cruel e espantosa, que tornaria inglórios e inúteis todos os meus sacrifícios desta manhã tão fértil deles!:

Uma voz, a voz inexpressiva e grave de um funcionário dizia-me:- “O menino (menino!) não pode entrar. Tocou já há cinco minutos”...

Desmaiei...

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

QUEM SE LEMBRA DELE?

(alunas da ESCOLA 64/65)


JORGE VALENTE DOS SANTOS


Não sei porquê, mas para nós ele era o Jorge Barata.

Homem virado para o desporto, sobretudo andebol e baskett.

E também era valente de nome e de serviço para namorar as moças na sua juventude.

Fomos colegas de turma no quinto ano, naquele ano em que por lá apareceu o Dr. Roldão, de Mercadorias e também quando fomos à final do campeonato interno de andebol, com a equipa do Tony Casaca e do Tolentino.

Antes do jogo, a um sábado à tarde, parece-me, fomos eu, que era o guarda redes, o Jorge e a bola para a Alameda, para relaxar e ouvir a prelecção.

Sentámo-nos no banco ao pé do Lago e o Jorge falou: bolas de canto fazes assim, bolas assim fazes assado e por aí por diante.

No fim diz o Jorge: parente João estás em forma?…. Oui, disse eu.

E depois beijámos a bola, à Meirim.

E depois jogámos e perdemos.

Foi aluno da Drª Florinda em Contabilidade e fez uma brilhante carreira na banca comercial, BNU e Banco Borges & I rmão onde atingiu a gerência.

Amigo do seu amigo não o vejo há dezenas de anos.

Era muito próximo do Carlos Manuel Eloy do Totta e do Romualdo Cavaco do BNU e da Cortelha..

Ah.. já me esquecia da LAMBRETTA. O Jorge tinha uma e foi fazer a corrida da volta saloia e caíu uma queda na Calçada de Carriche.

E foi desclassificado… pelo júri

Por mim .. não..

Quem souber onde para o Jorge, é imperioso que o traga ao almoço deste ano.

Aí vai um abração

Texto de
João Brito Sousa

A PROCISSÃO DO SENHOR por Jaime Reis

(café aliança)

Publiquei este artigo do bife Jaime Reis, como comentário ao meu texto “A PROCISSÃO DO SENHOR MORTO”.

A malta gostou tanto, que entendi ser de toda a justiça colocá-lo como post.

Porque é muito engraçado e vale a pena ler e rir também..

Aí vai:

AZEITÃO, 2008.03.22


A Precissão do Senhor MorteTava a ficar empachade por nã poder ir a Fare desta altura das endoenças

Aprevete sempre pra recordar tudo o cavia conde era môsse.Mas nam pude ir e fequei meme desagorçoade.

Mas cande lese o que tu escreves, sente-se cá um arrepie da espinha, e um gaje arrecua uma data danes, e começa a lembrase daquilo que já nam salembrava .Assim já na fequei tam xaringade

Moss Brite, há gajes, que cande escrevem só letras, letras e figuras denhumas, a gente é só bocejes, e nam acha graça denhuma daquile.

Mas tu meme sem figuras lê-se tude sem parar, Mó, comé que nam tesqueceste do nome da malta toda.

E do nome dos padres e tude.Lembras-te do cmandante da plicia., e dos otres gages fines quiam da precissão?

Cande era moce, desta noite do senhor morte, moss aquile era calquer coisa cagente sentia que só dava pra fecar segado.

Tude parade, parade do passei, a olhar com respete.Bichas e bichas de gente, tude de tocha com luzinhas da mão.

Velas das grandes muitas de metre, tude aceze, era das premessas, cande tavam daflição. Metia respete.

Cum camandro tamem ainda nã te desqueceste cagente engraxava os sapates em casa. Era meme assim.

E vestiase a ropa do demingue, e punha-se brilhantina come cande a gente ia ó balhe.Tamem marrepiava do balhe cande era a musica do bole, e um gaje sem denhere, fugia fugia ca moça candava a dançar, pra nam ser apanhade po gaje dos boles. Arrecordaste?Na Precisão as moças quiam das bichas com as luzinhas, só olhavem em frente.

Os sminaristas todos de prete.

E os anjinhes de asas todes de branqueE os cavales da guarda cás vezes esgorregavam do chão ?

Poça, da Rua de Sante Antoine.o chão até zulia., era false, esgorgava.Parcia conde tava da vasante e a malta ia ao cangrje e tamem escorgava do lode.Bem. Cá tô sempre arrgaçade pra ler o que amandas no coise do. do … daquile que escrevem da malta dos costletas.Abraces pra malta do nosse tempe.

Bifes e Costletas.

Jaime Reis

PUBLICADO POR
João Brito Sousa

UMA HISTÓRIA DE AMOR DE UM COSTELETA


A HISTÓRIA DE AMOR DUM COSTELETA

Isto são passagens do tempo de tropa...tanto eu como o RA tínhamos sido colocados nos Açores antes de partirmos para o Ultramar, ele como oficial miliciano e eu com sargento miliciano...ele acabou indo para a GUINÉ em rendição individual e eu agregado a uma companhia de infantaria de açoreanos...

O amor aconteceu meses antes da partida.... eu e o RA seguimos esse tempo de tropa paralelamente...desde Tavira a Lisboa, embora em especialidades e classes diferentes.

Ainda hoje grandes amigos...

......Aquilo em Ponta Delgada eram umas professorinhas primárias que eram nossas amigas....e, como qualquer açoriano nos anos 60, só tinham um sonho....chegar ao continente.....e nós, sacanas no bom sentido tirávamos partido disso...ao de leve como naquele tempo era....ao ponto que passados 14 anos eu fui mostrar os ACORES à minha mulher e, onde passávamos o tempo.....havia um café muito "in" chamado "O GIL", na baixa da cidade...e, lá fomos...estávamos sentados, eu e minha mulher, quando veio uma menina ai' dos seus 8,9 aninhos, dirigiu-se a mim e diz-me:- O senhor e' o senhor DI é que a minha mãe que está ali com o meu pai e conhece-o.

Olhei e reconheci a senhora... tinha sido a apaixonada do RA....Levantei-me cumprimentei o casal, acabamos sentados com eles na mesma mesa...e, claro depois tive que dar explicações a' borla...que só o malandro do Ra é que teve sorte de se apaixonar....eu nicles! O que assim tinha sido em realidade

Eu ainda creio que ela não me acredita mas foi verdade!..
Um abraço... velho...até amanha


PUBLICAÇÃO DE

João Brito Sousa

quarta-feira, 26 de março de 2008

QUEM SE LEMBRA DELA?


MARÍLIA PEDRINHO.

Frequentou o Curso Geral de Comércio no meu tempo, nós no 1º ano 1ª turma e ela 1º ano 2ª turma, no tempo da Marciana Nobre, da Gabriela Vieira, da Nilda Zurrapa e de muitas outras. .

Sempre foi uma boa colega, quer na Escola quer na TAP, onde penso que estivemos na mesma altura, ainda.

Reside em Lisboa e tem casa de férias em Albufeira onde passa alguns períodos
Mulher muito viajada e sempre muito simpática para com todos os colegas, é com muito prazer que a recordamos aqui.
E com direito a um poema.

UMA FLOR PARA TI

MARÍLIA, minha boa amiga e colega
Que só te vejo na nossa festa anual
Tu... aquela mulher que nunca se nega
Porque não apareces aqui no jornal?

Conta aí uma história dessas de encantar
Que tivesses presenciado ou vivido
Manda uma coisa gira para se publicar
Que encaixe na música de um fado corrido.

E porque foste uma boa aluna e amiga
Aqui te deixo a laia de uma cantiga
Um voto de felicidade e harmonia...

Que tudo floresça em teu redor
E que a vida te corra pelo melhor
Hoje , amanhã e em qualquer dia.

(manda o texto)


Publicação de
João Brito Sousa

ONDE ESTÃO OS COSTELETAS ?


FUI À PROCURA DOS COSTELETAS.

O comboio estava tabelado para as às 6 e 47 na estação de Campanhã, PORTO e chegava a FARO perto da uma da tarde.

Era mesmo à tabela...

O preço do bilhete é bom para reformados. Só o facto de ter a possibilidade de ir ter com o TECA à praça e perguntar pelo Sampas, valia o preço de três ou quatro bilhetes.

Era a saudade a funcionar.

Conviver um pouco com o velho Teca, que alinhava com a estudantada e vendia marisco na praça, era recordar velhos tempos..

Óptimo. Comecei logo a pensar como seria a minha viagem até à cidade dos meus encantos.

Sim, porque FARO é e foi importante na minha vida. É a cidade da minha juventude. Foi ali que andei à porrada com os putos da minha idade, foi nos bailes da cidade que apanhei as tampas das moças, foi aqui que vi um preto pela primeira vez.... .

Vou telefonar ao Jaime Cabrita e lá vamos nós. Era bom se ele pudesse ir. Mas o Jaime não pôde ir. Fica para a próxima...

Mas eu fui

Eram treze horas quando saí da estação. E logo ali começaram as recordações. Fiquei parado a olhar a rua em frente, a Ventura Coelho, onde eu estive hospedado no nº4, na casa da mãe da Natércia, costeleta, que ao tempo namorava com o Xico ZAMBUJAL, igualmente costeleta mas já aluno do Magistério Primário.

E aí, à porta, recordaria com o olhar distante, no horizonte e no tempo, aquela cena da carta que eu fui incumbido de levar ao correio, ali perto, na estação, e deu-me aquela pancada, abro-te não te abro e abri, tinha uma nota de cinquenta escudos lá dentro, e agora, vais .. ficas.... vens... que tal... e tudo voltou à normalidade, fechei a carta de novo e a nota lá seguiu o seu destino....

Decisão complicada, essa.. mas certa.

Um homem, quando dispõe de algum tempo disponível para utilizar e já muito pouco para viver, pensa nestas coisas e dá-lhe a nostalgia..... e recorda toda a macacada que fez..

E felizes daqueles que dispuseram dessa oportunidade e de tempo para recordar...

Ainda no Largo da estação, olho enviesado para a esquerda e lá está o café, que penso ser do pai do André, um puto giro e amigalhaço do Liceu que vim a saber não me lembro como, foi comissário de bordo na TAP.

Éramos eu, o André e o Zézinho de Almancil mais o Pacheco de Lagos. E um deles dizia que queria ser médico.. para medir a tensão arterial às mulheres. Lembrei-me disso e fui ao café e perguntei pelo André, mas ninguém me soube dizer nada...

Saí do café e dirigia-me para a zona do jardim da doca quando na rua a a seguir à Ventura Coelho, lembrei-me que era ali que se situava o café do Alberto, irmão do André que jogou à bola na Académica e no Belenenses e foi meu colega no Magistério.

Ainda perguntei no café lá existente pelo Alberto.. nada ... não há cá Alberto nenhum. Ao sair, à minha direita, lá em baixo, fica a loja do Prof. Renato, aquele que tinha a mota do Vinhas, ainda lhe dou um assobio, mas nada de Renato.

Vou mas é ver se o Zacarias está na tasca. O Zacarias era um preto que estava empregado numa tasca de esquina, que fica à esquerda, quando se sai da estação para o Hotel Eva.

E nem tasca nem Zacarias. Ainda fui à oficina que fica ao lado, disse boa tarde e perguntei pelo velho Zac.. Que não sabiam nada disso ... que eram alentejanos recém chegados à cidade e nunca viram por ali nenhum preto nem nenhum Zacarias. .

Está tudo mudado... pensei.

E se fosse à praça ?..

Era tarde. Iria no outro dia de manhã até à praça que é o lugar ideal para ver a malta, os montanheiros estão lá todos, vão vender as laranjas e as couves, tudo... é lá que se sabe quem morreu, quem casou , quem nasceu, quem está no hospital a bater as botas... tudo... e o resto sabe-se quando entrevistarmos o TECA, que é boa fonte, porque está lia o dia inteiro.

Damos uma volta por ali e havemos de encontrar alguém, talvez o Rabeca, ilustre empresário da área de prestação de serviços em contabilidade, talvez o Brazinho, contabilista e advogado, estes dois tipos têm uma característica própria, única talvez, nunca gostaram de Lisboa, frequentaram ambos o ICL na rua das Chagas ao Largo de Camões e mal as aulas acabavam, apanhavam logo o rápido às cinco da tarde e davam às de Vila Diogo, Faro com eles, Lisboa jamais..

O Jorge Cachaço devia andar por ali também e se sim tínhamos a manhã ganha. Queremos vê-los todos, o Xico Machado, o Bernardo Estanco, o Zé Elias, o Zé Emiliano, o Ferro e o Salsinha, o Matos Cartuxo, o Figueiredo, o conde de Salir, o Zé Vitorino Neves do Arco, o Zeca Bastos o Jorge Tavares, o Carlos Alberto Vieguinhas, o Alex e o Verdelhão, o Vergílio Coelho, o Júlio Piloto e o Queixinho, o Reinaldo Tarreta a quem perguntaria pelo mano Diogo e pela Meninha, o Zacarias de Pechão, o Ze Maganão e o João Vitorino Bica e muitos.. muitos outros..

Foi só matar.. matar ... saudades e, por fim, lá para as tantas diria como diz o escritor Gabriel Garcia Marquez lá na sua obra... até amanhã, camaradas...

Texto de
João Brito Sousa

terça-feira, 25 de março de 2008

ANIVERSÁRIOS - Costeletas associados


Aqui vão os aniversários a partir de 28 de Março até 4 de Abril:

Fazem anos em Março:

Dia 28 - António Pires Guerreiro Nicolau; Maria Celina Ponte Gonçalves;
Dia 30 - José Maria Ferreira Delgado; Ludgero Paquete Rocha; Vinebaldo Evangelista Ferradeira Charneca.

Fazem anos em Abril:

Dia 1 - Jorge de Sena Cristina Aleixo; Manuel Francisco Uva Jacinto; José Epifânio Aurélio Ramos; Maria Solange Madeira Isidoro.
Dia 2 - Lídia Rosalina Santos Matos.
Dia 3 - Maria Isabel Leiria Eusébio Correia; Drª Ilda Belo Carmona Samorrinha.
Dia 4 - Álvaro Manuel Correia Ponte; João Vitorino Mendes Bica

Texto de
Rogério Coelho.

QUEM SE LEMBRA DELE?


RICARDO LOPES FLORINDO

Nos anos sessenta, já eu estava em ALMADA, no meu desempenho de professor da primária, quando o RICARDO LOPES FLORINDO apareceu por lá, a preencher uma vaga no pessoal do BNU.

Já nos conhecíamos da Escola, onde ele andava um ano à minha frente. Fomos contemporâneos e tínhamos amigos comuns como o João Jacinto e outros mais..

O seu grande amigo lá na Escola foi o MONTARCÍLIO ESTRELA.

Quando o RICARDO foi para Almada e para o Banco, foi hospedar-se num quarto na rua Fernão Lopes, nº 3 e eu habitava o nº 5, que era a porta a seguir.

Quando ambos estávamos livres, subíamos ao quarto ora de um ora do outro e recitávamos a poesia do Zé Régio, na qual o RICARDO era exímio.

CÂNTICO NEGRO e sei que não vou por aí.... .

Fez uma carreira brilhante na banca, segundo diziam os seus colegas, e a meio do percurso foi para Beja, onde casou e é proprietário de um monte. Como ele diz.. amanhã vou para o Monte.

RICARDO, aqui te deixo um abraço costeleta.

Texto de
João Brito Sousa

O ENSINO COSTELETA


O ENSINO TÉCNICO DO MEU TEMPO
Ocorreu-me esta crónica, a propósito do modelo de ensino vigente hoje no País, onde se ataca
por todos os meios o elemento fundamental no processo, que devia ser defendido e apoiado, que é o professor.
Contrariamente ao que diz MST eu estou do lado dos professores.
O resultado do ensino na Escola do meu tempo, está aí à vista de toda a gente, onde todos os alunos conseguiram colocação.
Alguns chegaram longe, um deles chegou mesmo ao mais alto lugar da hierarquia. Outros chegaram igualmente longe e, melhor dizendo, todos chegaram a lugar, mais ou menos, de destaque.
Os alunos da Escola, nos seus quatro ramos, Comércio, Serralheiros, Electricistas e Construção Civil, cederam ao mercado de trabalho muito bons técnicos.. Muitos deles ainda estão aí..

Muitos desses quadros constituíram empresas, como a J. Carmo Tavares Lda, que desde 1976 se vem afirmando como uma grande empresa de Contabilidade e aspectos afins, Gestão de Pessoal, Fiscalidade e Seguros, nomeadamente....

A razão que me trás aqui a falar destas coisas, é que o mundo empresarial e a Contabilidade das empresas de hoje, é totalmente diferente do que era a Contabilidade da altura em que esta empresa foi constituída, e, sobretudo da altura em que o sócio gerente da empresa, o costeleta Jorge Tavares obteve o diploma do Curso Comercial.

O Curso Comercial da Escola do meu tempo, anos 50, era bom, deu bons quadros sobretudo para a Banca, mas ainda era do tempo do cursivo inglês em caligafia que nos ensinava a Professora Maria da Glória..

Nesse tempo, em Contabilidade não se falava em POC, nem em POCAL, IVA, Impostos e custos diferidos, NIC´S, obrigatoriedade do inventário permanente, informática e outros... muitos outros assuntos, que exigiu da empresa J. Carmo Tavares e de muitas outras existentes na cidade, um esforço enorme de actualização, que, diga-se de passagem, a profissão torna permanente..

Por este facto, entende a administração do blogue, que é da mais elementar justiça, realçar o trabalho dos alunos desse tempo, hoje técnicos consagrados e oriundos desse ensino, que todos os dias estão sujeitos a alterações de códigos e normas a aplicar, para fazer face às exigências da Administração Fiscal.

A Contabilidade é uma ciência/técnica que se socorre de uma série de ciências laterais para conseguir o seu bom desempenho, exigindo esse conhecimento aos técnicos que terão de saber interpretar tais matérias e executá-las.

Os técnicos que estamos a falar, remontam, alguns deles aos costeletas dos anos 50 e 60.

E, com este texto, pretendemos aqui reconhecer toda a validade do modelo de ensino dessa altura e da capacidade de trabalho que os nossos mestres incutiram nos seus alunos.

Porque é justo esse reconhecimento.

Por isso, aqui deixo um VIVA aos modelo e método de ensino desse tempo, e um VIVA aos nossos mestres e alunos desse tempo. .

Porque eles foram uns vencedores.

Texto de
João Brito Sousa.

segunda-feira, 24 de março de 2008

CHEGÁMOS AOS MIL


FOI HOJE.!...


Foi hoje que chegámos aos MIL visitantes...
Que me dá enorme satisfação pelo acontecido
A meta onde já deveríamos ter chegado antes
Porque o trabalho merecia ser mais sentido!....

Venham ver pá.... mas então todos trabalham?...
Não há tempo para aquela boa recordação?...
Ó velha rapaziada do meu tempo, todos, venham
E mandem aí umas historietas para publicação.

Até hoje são mil os visitantes mas são poucos ...
Venham ver malta, ninguém os tratará de loucos
Quero aumentar o número de visitas neste espaço

Não têm aí dez minutos para uma história....
Ó João Cuco, conta aí a tua maior vitória
Digam coisas, escrevam, façam como eu faço...

João Brito Sousa

QUEM SE LEMBRA DELE?


ROGÉRIO SEROMENHO

Era natural da Conceição de Faro onde repousa, pois já nos deixou mas nunca o esqueceremos.

Um jovem vocacionado para o desporto a guarda redes na selecção da Escola, nos juniores e na primeira equipa do Farense, em andebol de sete e de onze no Benfica e no automobilismo, onde foi co piloto do também costeleta Carlos Fontainhas..

No triplo salto no Benfica foi campeão nacional.

Aluno médio fez o Curso Comercial e enveredou pela carreira de vendedor de automóveis.

Texto de
João Brito Sousa

O LAGAR DO ALBERTO ROCHA



Quando eu fui à inspecção para a tropa em 1961 e me apresentei ao Coronel para a respectiva, diz ele:

- Então, tens algum problema, pá?...
- Sim nosso Coronel; tenho falta de vista...
- Já me lixaste, disse ele, que continuou, perguntando-me enquanto pegava em quatro lápis que tinha retirado dentro de um copo.
- Olha lá, quantos lápis tenho nesta mão?
- Três, disse eu.
- Ok , trata das coisas para ires ao quartel da Estrela em Lisboa, para eles te verem.


Fui eu e outro, o Manel Carlos, natural do Barranco do Velho e que morava na altura em Santa Catarina da Fonte do Bispo.

E dizia-me o Manel:


Ao entrarmos na serra do Caldeirão, entramos também no “outro” Algarve, o das gentes genuínas, das artes tradicionais, da excelente gastronomia. A paisagem muda a sua cor à medida que prosseguimos o passeio, o verde das florestas de eucalipto, sobreiro e pinheiro dá lugar aos campos cultivados de trigo e cevada.

Por entre os montes ouvem-se ribeiras correndo.

Aqui e ali contactamos com as gentes nos labores diários: um tirador de cortiça, um pastor, um moleiro, uma mulher a trabalhar no tear, nas hortas.

Percorremos as ruas estreitas em pedra, admiramos as chaminés, os fornos, os telhados inclinados, os muros caiados, os pátios e os poiais.

Encontramos nos museus e vivemos as histórias de antigamente.

Redescobrimos as artes e técnicas que ainda perduram no artesanato local. Um passeio a pé conduz-nos à tranquilidade e o ar puro transporta o aroma da esteva, do rosmaninho e do mato.
Para satisfazermos todos os nossos sentidos, só falta provar o queijo, o vinho, a aguardente, os enchidos, o pão, as filhós e o azeite do Lagar do “COSTELETA” Alberto Rocha, de Santa Catarina da FONTE DO BISPO.

Esta unidade existe há 100 anos, foi modernizado em 1990 com sistema contínuo e que já recebeu este ano um milhão e meio de quilos de azeitona.

As principais actividades económicas desta freguesia são a produção de azeite, a indústria de cerâmica (fabrico de telha, ladrilho e tijolo), turismo rural e destilarias (principalmente aguardente de medronho).

Santa Catarina da Fonte do Bispo é uma freguesia portuguesa do concelho de Tavira, com 118,98 km² de área e 2 085 habitantes (2001). Densidade: 17,5 hab/km².

A freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo data do século XVI e o seu nome tem origem em Catarina de Alexandria, morta no ano 307 d.C.; e na Fonte do Bispo local onde a sua imagem terá aparecido e situa-se numa zona mista de barrocal e serra A temperatura média anual é de 19°C, e a precipitação média varia entre 400 e 600 mm.

Texto de
João Brito Sousa

domingo, 23 de março de 2008

A FESTA DA MÃE SOBERANA


SE EU ESTIVESSE AÍ…. IA MESMO

À MÃE SOBERANA, EM LOULÉ.

Um mês antes da Páscoa já eu sonhava com o dia da festa de Nossa Senhora da Piedade em Loulé ou a festa da Mãe Soberana.

Grande festa aquela. Vinha gente de todo o lado e depois no fim, havia o discurso do Padre, a puxar ao sentimento e o povo acenava com lenços brancos.

Eu nunca tinha visto coisa igual e gostava daquilo.

Lembrava-me sempre duma vez que lá fui e fiquei no meio da ladeira a admirar o espectáculo da subida.

Era no tempo do Abílio das camionetas, um garrano que andava por ali pelo Patacão a carregar fruta para levar para Lisboa, era ele sim, ele e mais uns cinco, que levavam o andor às costas, MÃE SOBERANA... MÃE SOBERANA .. gritava o povo ... enquanto lenços brancos se agitavam no ar.

Uma vez chegado ao topo, o Prior de Quelfes segurou na batuta, subiu ao palco e começou o seu desempenho, dizendo.. IRMÃOS.. MEUS IRMÃOS e os lenços brancos ao alto rodavam no ar....

Impressionante...

Mas amanhã, Domingo de Páscoa marca o início da procissão com aquela que é a Festa Pequena, onde a padroeira desce da Ermida do Alto do Cerro até a Igreja de São Francisco, no seu andor ornamentado.

O ano passado estive lá e fiquei no meio do percurso. Quando o cortejo se aproximava, eu e outros iniciámos a marcha para o centro da cidade. A passada é estonteante...

Um bocadinho antes, tinha estado à conversa com o Zeca cunhado do Mariano, com o Fernando Estanco e esposa, uns tios meus e outras pessoas...

A Festa Grande ocorre 15 dias depois, quando o andor é carregado em braços pela íngreme ladeira, de volta à Ermida

Aí é que ia o Abílio. Já foi.... e não vai mais..

Neste dia são esperados muitos peregrinos e turistas em Loulé, apesar do momento alto das celebrações terem lugar quinze dias após a Páscoa. Isto porque a festa decorre em dois momentos distintos: no Domingo de Páscoa (Festa Pequena) e passados quinze dias (Festa Grande).

Durante os quinze dias da sua estadia na Igreja de S. Francisco, neste local, novenas e sermões conduzidos por afamados oradores sacros perfazem uma vigília religiosa de grande poder espiritual.

Nesta manifestação de grande culto pela fé existem duas vertentes distintas: a religiosa, no seu mais sentido significado, e a profana, na mais ampla e liberal exteriorização popular. Este cenário imenso da religiosidade louletana, de características tão locais como únicas, só pode ser sentido na alma de cada crente, quando vivido. Uma vivência feita de fervor religioso e de testemunho cristão, cuja explicação reside unicamente na essência dogmática da própria fé.

Este quadro indescritível, soberbo e ímpar só pode encontrar comparação no fausto portentoso das procissões do Norte de Portugal, nomeadamente do Minho. A par do aspecto religioso, e tendo em conta os muitos visitantes que se encontram na cidade nestes dias, para os responsáveis da Câmara Municipal de Loulé a Festa da Mãe Soberana é, cada vez mais, um cartaz da cidade e, como tal, deverá ser feita uma forte aposta em termos de turismo religioso como complementaridade às actividades turísticas do Concelho.

Jaime Cabrita Reis, vamos lá?

Texto de
João brito Sousa

sábado, 22 de março de 2008

A PROCISSÃO DO SENHOR MORTO

(procissão)
ATÉ PARECE QUE ESTOU LÁ!.....

O dia do regresso às origens, acabará por acontecer. mais tarde ou mais cedo!..
Armando Baptista-Bastos

À hora que eu vou publicar esta crónica, lá para as zero e tal de amanhã, sábado, estava eu, noutros tempos, a regressar a casa da minha ida à procissão do Senhor Morto em Faro.
Eu adorava aquela coisa.

De tarde engraxava os sapatos e dizia à minha ex- mulher qual o fato que queria vestir. Era uma coisa fantástica e, durante a tarde, imaginava que ia ver este aquele e mais o outro. Umas vezes, eu colocava alta de mais a expectativa da festa e, no regresso, aquilo não tinha sido como eu imaginava.

Outras vezes era ainda era melhor do que aquilo que eu tinha pensado...

Eu chegava aí pelas nove horas da noite e dirigia-me para a Igreja da Misericórdia à procura do discurso do Cónego Falé. Nessa altura já o jardim estava cheio e aparecia por lá muita malta conhecida.
Como sempre tive grande loucura pelos amigos e por pessoas, se encontrava um conhecido era logo um ó Zé ou um ó António, um ó Joaquim e lá vinha a palheta dos nossos dezoito anos.. eh pá lembras-te desta e daquela e da outra e do outro.. eu sei lá...

Uma vez saído daí, ia até à rua de Santo António e marcava ali um lugar, encostado à parede, ou ao pé da Casa Verde, ou da Relojoaria Seruca, ou ao pé da Singer ou noutro lugar qualquer

Gostava de ver a malta passar, rua abaixo, vindos da Pontinha para o Jardim, às tantas lá aprecia o Mota Pereira e a sua gesticulação à moda de Lisboa, a conversar com o João Botelheiro, velho amigo dos tempos do Liceu, que estudava para Direito no café Atlântico e lembrava-me dele quando ia ao Magistério, buscar a namorada, hoje esposa, que frequentava o curso um ano a seguir a mim. .
Ao fim de um bocado de espera vinha o Larguito, fardado a rigor, botas bem engraxadas e polainas brancas, farda azul escuro, a condizer, e, e cada mão uma moca ou coisa parecida, com que dava umas cacetadas no bombo, cadenciadas, pum, a passada ritmada, pum, mais uma passada e pum, pum pum.

De vez em quando o Larguito jogava a moca da mão direita ao ar, ela dava três voltas, voltava a apanhá-la na queda e lá vai disto, pum.... Ouvia-se apenas o ruído da batida das solas das botas no chão... até que vinha o Gaiana com as matracas e estragava tudo. ..
Gaiana, matracas e ruído... aquilo metia medo.

Depois vinham os fiéis em fila, andando junto às afixas laterais, rezando o terço.
E agora vinha o andor com o Senhor Morto, às costas de seis homens que vestiam as opas roxas, um bordão de ferro nas mãos, passada cadenciada, depois vinha o pálio, seguro por quatro homens e o Cónego Henriques lá de baixo, os crentes persignavam-se e baixavam a cabeça em sinal de respeito.
Ninguém falta `a procissão nesta sexta feira Santa. O cortejo segue e lá vão o Menino Chico, o Caça Brava, o Torquato, o sargento Vitorino, o Realito, o Joãozinho Nobre, o fotógrafo Cartaxo.o lutador Zé Luís, o Catoira e o Tarro, o Vergílio Coelho e o Alex, o Zé Félix, o Júlio Piloto e o Bernardino Martins (Queixinho), o Tatina do Montenegro, o Reitor Ascenso..o Xico Machado e o Ló a falar do Farense e do Sporting e muitos mais...

Muitos dos citados aqui, já faleceram, mas para nós estão sempre connosco. Parece que estou a vê-los. lá...
E agora vêm os cavalos a impor respeito e de seguida vem a Banda de Música de Paderne com o Arménio Aleluia....

E depois a procissão recolhe e a malta pôe-se a andar. Anda há tempo para, no rescaldo, dar um bocado de palheta com um colega da primária que não via à vinte anos.
E ainda vejo passar o bife Jaime Cabrita Reis e dou-lhe um grito.. aló Jaime.
E a esta hora já estou de saída.
Para casa...
Texto de
João brito Sousa

sexta-feira, 21 de março de 2008

ANIVERSARIOS - Costeletas Associados




Fazem anos em Março
Dia 21
- José Alberto Figueira Guerreiro;
- Horácio António Rosa da Cunha;
Dia 22
- Otilio Fernandes Correia Dourado;
. Maria Madalena Guerreiro Chumbinho;
- José Maria Coelho Adrião
Dia 23
- Teodósio Vairinhos da Silva
Dia 25
- Maria da Encarnação Marreiros Alves;
- Isabel Encarnação P. Santos Valente
Dia 26
- Osvaldo Santos Agostinho

PARABÉNS E PÁSCOA FELIZ
(Recolha de Rogério Coelho)

QUEM SE LEMBRA DELE?

FERNANDO BENTO DE SOUSA

Fomos da mesma turma no 1º ano 3ª turma do Curso Geral do COMÉRCIO. E travámos uma briga acerca de qual de nós ocuparia o lugar de guarda redes na equipa da turma.

O Fernando ganhou.

Depois de fazer o Curso Comercial enveredou pela carreira bancária onde chegou ao topo.

Era o melhor vestido da Escola. Quando chegou a moda das samarras com a gola em pele de raposa o Fernando estava lá.

Nunca o vi nos almoços.

Reside em ALMADA onde se encontra muitas vezes com o Zé Aleixo SALVADOR no fórum ROMEU CORREIA.

Pertenceu aos quadros da Mocidade Portuguesa na Escola.

Texto de
João Brito Sousa

COSTELETAS CITADINOS, MONTANHEIROS E SERRENHOS

(as hortas são dos montanheiros)

CITADINOS, MONTANHEIROS E SERRENHOS.

O Jorge Tavares é que teve a iniciativa.

1 - Diz o Tavares,

“Confesso que estava convencido que o epíteto de montanheiros, era uma auto-denominação.
Os meus familiares, por via de minha mãe, eram todos do campo e como já anteriormente relatei, viviam na Horta das Figuras. De muito novo começei a ouvir, auto-intitularem-se de montanheiros, nomeadamente um tio que tinha uma horta no alto do calhau (aonde hoje está a Universidade do Algarve) e outro na estrada que liga o Patacão a Santa Barbara de Nexe.

Aproveito para uma pequena correcção, de um texto passado há dias no blog.

As hortas na entrada de Faro pela estrada de Loulé, e no sentido desta cidade, eram: do lado direito, a vinha da Casa Fialho (hoje escola Afonso III) a das Figuras (arrendada pelo João Carminho, hoje estabelecimento prisional e zona de vivendas), e do lado esquerdo a horta do Ferreira, hoje Teatro das Figuras e que pegava com a horta dos três engenhos (hoje estabelecimento TOYOTA).

São pormenores sem grande importância, mas justificam-se para corrigir a nossa memória, que já vai dando alguns "rateres" .

APROVEITO PARA DESEJAR A TODOS OS COSTELETAS E BIFES UMA FELIZ PASCOA, E SIMULTANEAMENTE APELAR AO NOSSO CONTRIBUTO E EMPENHAMENTO, COM O OBJECTIVO DE AJUDARMOS A DESENVOLVER UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA E HUMANA.

O BLOG PODE SER UM EXCELENTE VEICULO.....”

2 – Diz o ROMUALDO CAVACO

Comentando o Blog...

... Ainda os Serrenhos e Montanheiros!...

A prosa do nosso blog sobre este tema pela sua ternura e apreço pelos serrenhos vem na sequência do que escreveram Cândido Guerreiro, Emiliano, Bernardo Passos, Isidoro Cavaco e tantos outros. Preferindo ler-vos, não resisto a perguntar, se, sendo os Lisboetas “Alfacinhas”, como serão por nós conhecidos os farenses? – Porque citadinos agora, até os olhanenses o são... são tudo cidades...

Para nós, cá na Serra, não entendemos bem como fazendo o Besouro, Conceição, Rio Seco, Patacão, Areeiro, etc. parte da Campina de Faro, os nossos Costeletas sejam “Montanheiros”. Para nós é Algarve. Quando das Serras do Caldeirão e Monchique se deslocavam para Sul, iam ao “ALGARVE”!...

Serra para nós é a zona da esteva, medronheiro e sobreiro e do xisto – sendo os seus habitantes os serrenhos.
O resto (barrocal, campina e areal, com a figueira, alfarrobeira e oliveira) é Algarve.
... S’tou certo ou s’tou errado??!!!

Com a devida vénia do poeta Isidoro Cavaco de Salir, transcrevo alguns versos:

Serra e Barrocal


Do alto da sua altura
Vai olhando com ternura
A Serra e o Barrocal.
Naves de barro vermelho
E o Barranco do Velho
Mesmo ao pé dos Montes Novos;
Salir e os outros povos
Fazem com que Loulé seja
A terra que o mundo inveja...

ooOOOoo

Salir tem no Barrocal,
A cor vermelha da terra
E um verde sem igual
Que lhe cobre toda a Serra.

3- Diz o João Brito Sousa

3.1 – Montanheiros,

Sou dos autênticos e lá em minha casa nunca ouvi tal palavra até aos dez anos.

Só a ouvi em Faro na Escola, quando vim estudar.

Penso por isso que não há autodenominação como diz o Jorge.

Montanheiro é o nome que se dá ao camponês algarvio ou alentejano que vive no monte ou casal da herdade.

Citadino, à a pessoa que vive na cidade dentro dos padrões normais.

Serrenho ou Serrano – aquele que habita as serras, montanhês, camponês...

Eu penso que o ROMUALDO CAVACO não tem razão. Porque a coisa resume-se, praticamente, à existência de citadinos, os da cidade mesmo e os outros, não havendo uma diferença nenhuma entre montanheiro e serrenho.

3.2 CORRECÇÕES

As correcções são sempre benvindas e bem recebidas aqui no blogue.

Portanto estejam à vontade, em particular o Jorge Tavares.

3.3 Belo poema aí do Isidoro Cavaco

3.4 Agora o meu poema.

SERRENHO E MONTANHEIRO

Homens da serra e do campesinato
Irmanados na luta pela sobrevivência
Trabalham a terra de proveito ingrato
Com arte, vontade, saber e inteligência

Homens com saber que aprenderam
Com os antepassados conhecedores
Que ligados à terra desde que nasceram
São agora eles os grandes cultivadores

Dessa folha de terra que lhes pertence
Onde sabem que só trabalhando se vence
E o trabalho é à noite e todo o dia inteiro

Por isso meu caro ... da luta não desistas
De tentar ser feliz e dar nas vistas
Não te preocupando se és montanheiro.

João brito Sousa

PERGUNTA DE UM COSTOLETA DE WASHINGTON

(Assembleia da REPUBLICA)

MONARQUIA OU REPÚBLICA?

GOSTAVA QUE DISCUTISSEMOS ISTO AQUI....
Texto de DIOGO COSTA e SOUSA

Pelo centenário do Regicídio discutiu-se o tema REPUBLICA OU MONARQUIA.....e, uma vez mais veio à tona uma verdade escamoteável....A televisão é a universidade do povo....verdades emergiram de ambos os lados. No debate do programa PRÓS e CONTRAS, que considerei muito educativo e esclarecedor, republicanos e monárquicos esgrimiram razoes em defesa de ambos os sistemas de governação.

Sou suspeito ao defender a monarquia uma vez que meus pais eram simpatizantes da causa ...e, passaram para mim e para meus irmãos essa preferencia se bem que convivo bem com a "RESPUBLICA". Durante o período da ditadura, a causa monárquica era uma dor de cabeça menor para os senhores da época se bem que mantivessem, digamos um olho nos simpatizantes; claro que não ao mesmo nível do que apelidaram de "REVIRALHO".

Meu pai ,quando menos esperava foi alvo da malfadada PIDE por duas razoes. E, aqui entra a causa monárquica .A primeira foi que a dada altura decidiu sair da COOPERATIVA AGRICOLA DOS PRODUTORES DE LEITE DE FARO,e não saiu só, antes haviam saído quatro ou cinco outros produtores, escapa-me o numero exacto mas recordo pelo menos dois bem conhecidos.

O senhor Ventura Matinhos, avô do nosso amigo costeleta engenheiro Matinhos e o senhor ROMANITO salvo erro do Chalé' das Canas. A razão era só uma....ECONÓMICA. A pide, informada pelos bufos e parasitas da própria COOPERATIVA, decidiu investigar,...visitou os "desertores"....a ideia era de que haveria uma célula comunista por detrás dos "rebeldes", um cérebro de esquerda !Pura fantasia.

Aconteceu na mesma época que um grande amigo de família da altura também ele agricultor e monárquico dos quatro costados, o ainda bem lembrado DOUTOR LUIZ SABO que também foi notário em FARO nos mandava lá para casa o jornal monárquico "O DEBATE"...Todo ele imprimido a azul .Circulava à falta de melhor termo clandestinamente.
Quando os pides se apresentaram a' nossa porta num VW carocha preto meu pai não estava mas minha mãe franqueou-lhes as portas não suspeitando de que tal visita se tratava......

Para surpresa deles que entretanto interrogavam minha mãe, em vez de qualquer panfleto subversivo, ficaram banzados ao depararem com edições do DEBATE.

Claro o meu pai foi levado pelos sujeitos e, só a acção do doutor SABO o livrou de maus lençóis.

Não sei se foi ou não este episódio que fez nascer em mim a simpatia pela causa monárquica, mas que concordo com muitas das vantagens das monarquias isso sim e' um facto.

Se fosse possível pontuar o debate nos PRO'S E CONTRAS eu diria que houve um empate mas, a minha preferencia é a monarquia constitucional. Eu sei que a republica oferece mais opções de escolha mas, por mais que se tente esconder, as monarquias europeias estão todas mais avançadas economicamente e intelectualmente que nós. Porque? Eis a questão!.


M ONARQUIA


Monarquia constitucional

Uma monarquia constitucional ou monarquia parlamentarista é um tipo de regime político que reconhece um monarca eleito ou hereditário como chefe do Estado, mas em que uma constituição (série de leis fundamentais) limita os poderes do monarca.

As monarquias constitucionais modernas obedecem frequentemente a um sistema de separação de poderes, e o monarca é o chefe (simbólico) do poder executivo Uma monarquia parlamentarista é um regime institucional em que a chefia de Estado é exercida por um monarca e a chefia de Governo por um primeiro-ministro ou o presidente do Conselho de Ministros, a ele cabendo o verdadeiro encargo do Poder Executivo e a direcção das políticas interna e externa do país, além da administração civil e militar, de acordo com as leis e a Constituição nacionais; e na qual existe, também, um Poder moderador chefiado pelo Monarca.
Monarquia Constitucional (1820-1910) Portugal


A aprovação da Constituição de 1822, resultado da revolução liberal de 1820, marca o começo da história do parlamentarismo constitucional em Portugal.

No início do século XIX, em resultado das invasões francesas, chega a Portugal a ideia de assembleia parlamentar enquanto órgão de representação nacional contrapondo com o modelo tradicional das cortes, representados pelas três Ordens do Reino: Clero, Nobreza e Povo.

Em 1808, nascem as cortes constitucionais apresentado pelo tanoeiro José de Abreu Campos, num documento conhecido como a súplica de Constituição. (in Lopes, Praça, Colecção de leis e subsídios para o estudo do direito constitucional portuguez, vol. II, páginas IX e X, Imprensa da Universidade, Coimbra, 1897)

REPUBLICA


Uma República (do latim Res publica, "coisa pública") é uma forma de governo na qual um representante, normalmente chamado presidente, é escolhido pelo povo para ser o chefe de estado, podendo ou não acumular com o poder executivo. A forma de eleição é normalmente realizada por voto livre secreto, em intervalos regulares, variando conforme o país. A origem da república está na Roma clássica, quando primeiro surgiram instituições como o Senado
Definição jurídica


Existem hoje duas formas principais de república:

1. República presidencialista ou presidencialismo

Nesta forma de governo o presidente escolhido pelo voto para um mandato regular, acumula as funções de Chefe de Estado e chefe de governo. Nesse sistema, para levar a cabo seu plano de governo, o presidente deve brigar com o Legislativo caso não possua maioria;

2. República parlamentarista ou parlamentarismo:

Neste caso o presidente apenas responde à chefia de Estado, estando a chefia de governo atribuída a um representante escolhido de forma indirecta pelo Legislativo, normalmente chamado "premiê "primeiro-ministro" ou ainda "chanceler" (na Alemanha).
Conceito de república
O conceito de república é ambíguo, confundindo-se às vezes com democracia às vezes com liberalismo, às vezes tomado simplesmente em seu sentido etimológico de "bem comum"; mais recentemente, tem sido interpretado pelo senso comum como "respeito às instituições".

Do ponto de vista histórico, as repúblicas e o republicanismo surgiram em contraposição às monarquias, consideradas, devido ao seu carácter absolutista, como opressoras e liberticidas. A primeira república de que se tem notícia é a romana, fundada no século V a. c., exactamente em contraposição à monarquia (etrusca).

Na Idade Média houve diversas repúblicas, das quais as mais famosas foram as italianas (por exemplo: Florença) e, depois, a holandesa. Cada uma delas teve características próprias e seu elemento unificador é, de fato, uma negação: não eram monarquias.

Ainda na Idade Média alguns teóricos do absolutismo, como Jean Bodin, defendiam um conceito amplo e literal de república, baseado em sua etimologia: assim, se as monarquias se preocupassem mais com o desenvolvimento das nações que com as disputas dinásticas e as guerras feudais, seriam "republicanas"; esse sentido foi recuperado no século XVIII pelo barão de Montesquieu, ao referir-se ao caso inglês, em que o "rei reina mas não governa".

No século XVII houve o caso exemplar de governo republicano na Inglaterra, na época de Oliver Cromwell, e a república dos Estados Unidos sem dúvida impressionou o mundo pela sua ousadia e lucidez, mas o republicanismo moderno teve grande impulso no final do século XVIII, quando, em 1792, proclamou-se a república na França durante a Revolução Francesa.

Os líderes republicanos eram os jacobinos, em particular Danton e os teóricos, Diderot, Condorcet e Rousseau. Nesse período declarar-se republicano era sinal de progressista, mas com os excessos do Terror e, depois, com o Império de Napoleão Bonaparte e a Restauração monárquica na França, o republicanismo era sinónimo de subversão e/ou de radicalismo.

Entre 1848 e 1851, a França viveu a II República, com carácter fortemente social, mas não teve sustentação na sociedade; seus líderes e teóricos foram Lamartine, Blanqui, August Blanc.

Uma nova experiência republicana ocorreu apenas após a derrota da França na Guerra Franco-prussiana, em 1871, e confirmou-se o regime em cerca de 1880, quando as opções monarquistas foram descartadas. A III República francesa foi sinónimo de progresso social, com a universalização do ensino, a instituição do ensino laico obrigatório e outras reformas, embora também tenha ocorrido um impulso no colonialismo e no nacionalismo xenófobo (especialmente contra a Alemanha), além do lamentável caso Dreyfus, de carácter anti-semita (mas cujo resultado foi o de reforçar a República).

O conteúdo teórico do republicanismo, nesse período, consistia em progresso social, participação política, laicidade e, ao menos retoricamente, fraternidade universal; seus líderes foram Léon Gambetta e Jules Ferry e seus teóricos, Littré e Lffitte, na esteira de Augusto Comte.


MEU COMENTÁRIO

Em minha opinião, a Monarquia Constitucional e a República Presidencialista ou semi, são dois sistemas políticos, que, por si só, têm capacidade suficiente para evitar as ditaduras.

Portanto eu aceito qualquer modelo porque os custos de Regime não devem diferir muito.

Mas o que se quer saber é, porque razão as monarquias europeias estão todas mais avançadas do que nós, portugueses e republicanos

Em minha opinião a razão explica-se nos 50 anos de obscurantismo porque nós passámos.

Enquanto nós passámos pelas guerras e ditaduras os outros apetrecharam-se e puseram a forma de governação em marcha e nós a perder tempo com o Ultramar

Por outro lado, acho a nossa mentalidade mais invejosas do que a dos outros. Enquanto estes querem que estejam todos bem, entre nós, quem está bem, quer que os outros estejam todos mal.

Penso que esta é uma das razões.. ou pode ser.

João Brito Sousa.

quinta-feira, 20 de março de 2008

QUEM SE LEMBRA DELE?

( era aqui que o Joaquim Padeiro rematava)

JOAQUIM LOPES.(PADEIRO)

Lá na Escola, agente chamavamos-lhe o JOAQUIM PADEIRO, sem desprimor, porque era e é um excelente rapaz.

O Jorge Tavares é que veio dizer agora que o rapaz é de nome JOAQUIM LOPES

Se há pessoas boas no Mundo JOAQUIM LOPES é uma delas.

Nunca mais o vi, bem como à esposa, a colega EUFRÁSIA, que , creio, foi secretária no

Governo Civil.

O JOAQUIM LOPES era e é um grande amigo e foi um grade jogador de andebol

com o seu poderoso remate.

Aí vai um abraço .

Texto de
João Brito Sousa

AOS COSTELETAS DO LARGO DE S. SEBASTIÃO

(Largo de S. Sebastião em FARO)

ESTE TEXTO É DEDICADO A TODOS OS COSTELETAS DO LARGO DE S. SEBASTIÃO.

O Largo desempenhou grande função social nas aldeias, vilas e cidades, pois era ali que, noutros tempos, se juntava gente aos magotes para comemorar qualquer coisa. O Largo era o centro das localidades e era através do Largo que o povo comunicava com o mundo, como diz Manuel da Fonseca em “o Fogo e as Cinzas”.

Era ali que os viajantes se apeavam das diligências e contavam as novidades. Também à falta de notícias, era aí que se inventava alguma coisa que se parecesse com a verdade. Nada a destruía; tinha vindo do Largo.

Estas crónicas que escrevo e publico no blogue, para mim, constituem um elo de ligação à cidade que continuo a adorar, porque Faro é a minha cidade, a cidade que muito contribuiu para o estatuto de homem que hoje possuo.

Falar de Faro, constitui uma aproximação às origens, e na minha escrita por impulsos, como me disse uma vez, que era, o escritor Baptista-Bastos, apraz-me recordar locais e nomes de pessoas e contar algumas peripécias de outros tempos, que tenham acontecido comigo ou que tenha sido testemunha aí para essas bandas de S. Sebastião.

Quem entra em Faro e vem do Posto da Polícia de Viação e Trânsito em direcção ao Refúgio Aboim Ascensão, à esquina da primeira rua à esquerda, que antigamente ia dar à estrada da Senhora da Saúde, ficava aí um estabelecimento comercial de comes e bebes e mercearia, salvo erro, cuja exploração pertencia a um polícia, cujo filho, o Zézinho “Polícia”, que parece estar a residir em Coimbra e costumava andar aí com a gente. Continuando em direcção ao Refúgio, primeira à direita é o Largo de S. Sebastião, zona de residência da minha colega de Magistério, a Professora Marciana.

Gente “célebre” daí do meu tempo eram os irmãos Primitivo, o Jorge e o Teófilo, o Joaquim Lopes (Padeiro que era um rapaz adorável) o Jorge Tavares e o Ludovico, todos lá da Escola Comercial. O Teófilo e o Ludovico eram excelentes jogadores de futebol, sendo o Ludovico até um sobre dotado na matéria.

O Joaquim Lopes evidenciou-se no andebol escolar, pois era detentor de um remate alto lá com o charuto.

Saindo de S. Sebastião em direcção a S. Pedro, fica à direita o Posto da GNR, onde nós, os da Escola Comercial íamos aos sábados aprender a manejar armas não sei para quê; era o serviço de Milícias.

Era aí que o Quinta Nova, um rapaz lá da Escola Comercial que tinha queda para militar, dava as suas instruções técnicas. Mas não matámos ninguém. Segue-se depois à direita ainda, a cadeia antiga, onde esteve preso o Rui Rebola lá do Patacão, por ter sido apanhado pela polícia a conduzir um tractor agrícola sem carta de condução.

Ainda me lembro de ir ver o Rui, aos sábados, mas não consegui entrar na cadeia, vi-o cá de fora.

Ao lado da cadeia há ali uma capela onde ficam uns cadáveres à espera do enterro. Foi de lá que saíram os funerais do Xico Zambujal, grande figura de professor e de artista de Faro e de pessoal ali do Patacão, entre os quais o meu padrasto.

Como me competia, estive lá no funeral dele e o senhor padre, que acompanhou a cerimónia final, teve um discurso deste tipo: Tens muito dinheiro...olha (e com o indicador apontava para o caixão...), como que a dizer que isso não vale de nada, tens ar condicionado?... e apontava, tem isto tens aquilo e apontava sempre. Saí de lá convicto que somos mesmo pó e que não valemos nada.

Continuando, agora à esquerda, ficava aí a sapataria Limpinho, cujo “boss” era casado com a Teresinha, que tinha sido minha mestra de escola paga, na Senhora da Saúde. E seguindo, estava agora à esquerda uma casa que recebia raparigas estudantes e depois entrava-se no Largo de S. Pedro, onde está a Igreja onde eu fui baptizado pois sou natural de S. Pedro e afilhado do Padre Zé Gomes.

Faro é a minha cidade. Vamos continuar a falar dela. Farense, sempre.


João Brito de Sousa

quarta-feira, 19 de março de 2008

QUEM SE LEMBRA DELE?


VERGÍLIO COELHO.


FOI UM COSTELETA e trabalhou no BANCO PINTO & SOTTO MAYOR com o ALEX, O ZÉ EUSÉBIO, O JORGE CACHAÇO, O ZÉ MANUEL CAVACO, O LUÍS CUNHA O CONDE DE SALIR e outros.

RECORDANDO O VERGÍLIO NUM MINUTO


VERGÍLIO,

Quando eu era puto e vinha
Com a minha mãe à cidade
Na camioneta da EVA

Dizia logo à minha mãe que tinha
Fome. Tinha pouca idade...
Mas já alguma esperteza e a pobre da minha mãe ia na leva.

Sabes onde é que íamos
Ao café do te pai, o velho
E era lá que comíamos
Eu e ela
Um bolo de arroz
No café Coelho.


AO COSTLETA VERGÍLIO COELHO, ESTEJA ONDE ESTIVER
AÍ VAI
UM ABRAÇO AMIGO
DE TODOS NÓS .. E TU , ESTÁS BEM?

Olha, aí vai uma abraço do
JAIME REIS , também.

Texto de João Brito Sousa

RUA DE SANTO ANTÓNIO EM FARO

(rua de santo antónio)

RUA DE SANTO ANTÓNIO/ FARO

Falar desta rua da cidade é falar daquilo que a cidade terá de mais nobre para oferecer a quem a visita. No Natal. então, é uma enchente de malta que vem de todo o lado ver a família e os amigos e depois não falha uma visita à Rua de Santo António. É lá que está a malta do nosso tempo. E no Verão é a mesma coisa. É lá que encontramos sempre o Engº Bernardo Estanco dos Santos, a residir na cidade agora, que é o homem que eu conheço que conhece mais pessoas no mundo. E depois há a esplanada da pastelaria GARDY, estrategicamente situada e totalmente lotada por nacionais e estrangeiros.

A rua é a montra da cidade. Era por ali que o homem das perdizes apregoava às quatro da tarde ... éh caça brava, era ali a meio da rua, em frente ao ex BNU de hoje que o fotógrafo Cartaxo tinha a sua vitrine com fotografias dos jogos do Farense. , era ali que fica a loja do Dimas, o portador dessa risada sonora e pura que a cidade tem saudade, era por ali que o Vieguinhas e o Pardal passavam a vender os jornais, o Diário Popular e o Diário de Lisboa, era por ali que passavam às cinco da tarde os Profs. Xico Zambujal, Daniel Faria do Magistério Primário e Prof. Fortes, da ginástica do Liceu. E muitos milhares de pessoas. E era por ali que passavam as miúdas mais bonitas da cidade, que, segundo o meu critério eram a Avelina, a Odete e a Graciete da Escola Comercial e a Rute e a Aidé mais a Ilda Capela, que na minha, era o expoente máximo de beleza feminina da cidade.

É aí na rua de Santo António que fica a farmácia do Dr. Baptista, que no final do exame oral de cálculo financeiro do 4º ano lá na Escola Comercial me disse:- você sabe mais do que aquilo que pensa.

Nunca mais me esqueci disso e quando passo por lá dou sempre uma olhadela a ver se me deparo com o Mestre amigo. E aí que fica a loja do senhor Rodrigues, a fina flor das lojas das cidade, que tinha coisas lindas, onde a minha mãe teve a ousadia de entrar para fazer uma compra, mas, com aquele seu aspecto de mulher do campo não teve sorte nenhuma, esperou uma hora e nunca foi atendida, porque não tinham nada do que a minha mãe queria (leia-se, não quiseram vender nada à velhota do campo), era ali o consultório do Dr. Campos Coroa, meu professor de Higiene lá na Escola Comercial que um dia na aula falou de relações sexuais e cuidados a ter e a malta baixava a cabeça e ria-se, ficavam ainda a Tipografia Serafim, a loja Tabú, a loja dos Carminhos, eu sei lá.. tanta coisa.

A cultura estava entregue `a Académica, à Papelaria Silva e ao senhor Capela.. Nesses anos cinquenta, havia trânsito que vinha do jardim para a Pontinha e era sempre muito concorrido. O coração da cidade estava ali. E penso que ainda está. Surgiram novos estabelecimentos e a zona comercial manteve o seu estatuto imponente. Não poderei esquece que mais ou menos onde fica a TAP hoje, havia a loja ATLAS, uma sapataria de preço fixo, aspecto que julgo importante do ponto de vista comercial. Faro era a cidade inovadora e capital de distrito.

A rua de Santo António é importante para Faro como a Rua Augusta o é para Lisboa, como Les Champs Elisées o são para Paris, com Trafalgar Square é para Londres ou como Manhattan o é para Nova Yorque.

E era aqui que ficava também o café Brasília onde eu e o Firmino Cabrita Longo das Fontainhas nos preparámos para o exame de admissão para o Magistério Primário.
Era aqui...

Texto de
João Brito Sousa

CORREIO COSTELETA

(hortas)

A PROPÓSITO DE MONTANHEIROS.

texto de JORGE TAVARES

Tuesday, March 18, 2008 4:25 PM

A propósito da evocação, com alguma regularidade, dos chamados "costeletas montanheiros", proponho-me duma forma sintética, falar da origem de tal qualificação.

À época e em termos geográficos, a cidade de Faro começava nas seguintes entradas:

- Vindo de Loulé, no ex-posto da polícia de viação e trânsito;
- Vindo de São Brás de Alportel (antiga estrada de Lisboa),no final da Rua do Alportel, e quando se virava para o chamado bairro da Barulha;
- Vindo de Olhão, junto ao posto da Marinha, no conhecido Radio Naval.

Esta delimitação servia para a qualificação dos seus habitantes como citadinos ou farenses.

À saída da cidade e até ao início da serra, as hortas de regadio espalhavam-se por vários quilómetros. Os habitantes desta região, na sua maioria produtores agrícolas, autodenominavam-se de montanheiros.

Na zona da serra, também conhecida por barrocal, os habitantes eram conhecidos por serrenhos.

Será curioso olhar um pouco sobre o tecido social dessas três zonas, na época de que falamos e verificar como elas correspondem sem grandes diferenças a três classes distintas:

- Os citadinos, na sua grande maioria, distribuíam –se pelas seguintes actividades profissionais: marítimos, funcionários públicos, corticeiros, empregados na CP, comerciantes, artesãos, entre outras, que em regra viviam com algumas dificuldades, justificadas como se dizia na altura, por terem de comprar da “água ao sal”.
-
- Logo, os costeletas, oriundos dessa classe social, ficavam-se pelo curso comercial ou industrial, excepcionalmente secções preparatórias e mercado de trabalho (escritórios, bancos, função publica, oficinas de serralharia ou mecânicas).

Os licenciados desse grupo, atingiram esse grau académico porque foram para Lisboa trabalhar prosseguindo em simultâneo os seus estudos ( trabalhadores estudantes ).

- Os montanheiros, gente sem horário de trabalho e em que a dureza do mesmo, era marcante na sua figura (regar um milharal, em Julho pela força do calor, só quem o fez é capaz de avaliar ), tinham uma situação económica muito melhor que os citadinos, justamente porque trabalhavam muito, produziam para comer e, em consequência, também gastavam muito pouco.
-
- Os costeletas seus filhos, por essa razão, tiveram possibilidades de continuar os estudos via Institutos e posteriormente, tiveram o acesso mais facilitado aos estudos superiores. Outros ainda, porque estavam preparados para trabalho duro, emigraram com bastante sucesso.

- Os serrenhos, pessoas duma só palavra, temperamento fechado e de hábitos muito peculiares, viviam distantes dos gastos e de algum consumo, já existente à data.

A pequena horta, permitia o chamado gasto da casa e a venda dos frutos secos (amêndoa, alfarroba, figo) e alguma cortiça, proporcionava uma economia bastante boa.

Como consequência desta situação, os seus filhos costeletas ( muito poucos ), obtiveram em regra grandes probabilidades de sucesso estudantil, mesmo ao nível do acesso à universidade.

Este pequeno texto, pretende de algum modo tipificar em termos sociais e económicos, a denominação frequente no blog, dos costeletas montanheiros, ampliando-a aos citadinos e serrenhos.

jorge tavares

O MEU COMENTÁRIO È:

Não estou muito de acordo com o que diz o JORGE TAVARES. Porque não fomos nós que nos autodenominamos de montanheiros como o Jorge diz.

Nós chegámos à cidade, alguns de nós com a nossa farda de campesino, botas cardadas e boina na cabeça, com o célebre quico.

Os citadinos, roubavam-nos as boinas e cortavam – nos os quicos. Foi por isso que nunca falei com o Eusébio gerente do Sotto Mayor e de Salir, que me cortava os quicos todos.

Os da cidade é que nos chamaram de montanheiros que nós não sabíamos nada disso. O Cabrita de S. Brás trazia uma boina que abotoava por debaixo do queixo e samarras `a bruta. V muitos irem para a aula de ginástica de boina na cabeça e o Américo é que lá travava aquilo..

O termo “costeleta montanheiro” foi eu que o introduzi, para classificar de melhor aluno da Escola de todos os tempos o montanheiro de Bordeira o ANTÓNIO MARIA PINTO DE BRITO AFONSO, hoje do Almirantado da Marinha Portuguesa..
Os serrenhos eram iguais aos montanheiros.

A situação económica dos montanheiros não era melhor que os da cidade. Acho que os da cidade viviam do ordenado fixo e isso no campo não havia.

Talvez os montanheiros tivesse mais tenacidade e conhecessem melhor a dureza da vida.

O Cavaco, chumbou uma vez só. Foi no terceiro ano e o pai meteu-o a regar milho e o Cavaquinho nunca mais chumbou e chegou a Presidente..


João Brito Sousa