quarta-feira, 30 de abril de 2008

APELO À UNIDADE COSTELETA


RETIRADO COM A DEVIDA VÉNIA DO BLOGUE http://adefesadefaro.blogspot.com

com o título

AMPLIAÇÃO DO JARDIM ALAMEDA. COMO? de 30.04.2008

Na passada Quinta-feira, dia 24 de Abril, recebi um folheto informativo da Câmara Municipal de Faro (CMF), de nome 'Correio de Faro'. Entre notícias várias, relativas a requalificações e deliberações, chamou-me à atenção um plano verde para a cidade de Faro referenciado na última página do dito impresso. Ao que parece, são (finalmente) propostos novos espaços verdes qualificados de utilização pública para a cidade de Faro, dentre os quais se destaca a expansão do Jardim da Alameda.

Para quem é conhecedor da zona em causa, saberá que o Jardim da Alameda está delimitado pela rua da Polícia de Segurança Pública, pelo Instituto da Juventude/Biblioteca António Ramos Rosa, parcialmente por infra-estruturas desportivas

e pela quase centenária Escola Secundária Tomás Cabreira,

possuindo ainda no seu interior uma área acimentada da dimensão de um campo de futebol de cinco. É um facto que a informação apresentada não refere qual a dimensão da ampliação do Jardim da Alameda mas excluindo que a rua da Polícia de Segurança Pública e o Instituto da Juventude/Biblioteca António Ramos Rosa
seriam demolidos para que se realizasse o citado alargamento, restam como hipóteses possíveis:

a infra-estrutura desportiva/área acimentada e... a Escola Secundária Tomás Cabreira. Quanto à hipótese respeitante à área da infra-estrutura desportiva/área acimentada, esta é, na realidade, bastante diminuta e portanto não sei se poderemos falar numa verdadeira ampliação.

Subsiste então a última hipótese, que a concretizar-se será uma medida, simultaneamente, assustadora e devastadora, precisamente porque a Escola Secundária Tomás Cabreira constitui um marco histórico na formação intelectual e nas vivências da adolescência de muitos farenses (onde eu me incluo) sendo nos dias de hoje, pela sua imponência e arquitectura, um verdadeiro ex-líbris da cidade de Faro.

Como em política, o que parece é, deixo no ar a seguinte questão: será que está nos planos do executivo da CMF destruir a esplêndida Escola Secundária Tomás Cabreira? É que se assim for será bom lembrar que o actual presidente da edilidade foi deputado europeu, entre outros cargos políticos de elevado estatuto, mas o tempo passado em Bruxelas terá sido em vão, pois não aprendeu com os seus congéneres belgas que tão bem preservam o seu património.

O Farense.

Convém recordar dito pelos mais antigos que a construção da escola destruiu a alameda pois a entrada principal desta era direcção da avenida principal da mesma e tinha uma entrada imponente com palmeiras onde está a escola, se fosse hoje não se fazia este atentado ambiental e paisagístico.

Como é evidente penso que actualmente não passaria pela cabeça de ninguém destruir uma escola para repor o que foi destruído, até porque esta escola tem história e foi na realidade importante nas valências que dispunha na área das engenharias.O edifício em si representa o estilo das escolas do estado novo e por este pais fora conheço algumas muito idênticas, mas penso que no tempo do Sr. Luís Coelho havia um projecto de ampliação da alameda aproveitando a zona das instalações camarárias junto ao campo desportivo e criar mais uma zona de lazer e dar uma entrada mais digna pala zona do Bom João, não sei se retomaram este eventual projecto se o fizerem penso que estamos todos de acordo.

VIVA A FARO O PROVEDOR

Seria bom que se estudasse a Hipotese, da zona da horta da areia e cais neves pires, um espaço lúdico com salinas e novo parque ajardinado, aqui sim uma grande obra para Faro. Aproveitando a grande oprtunidade que é o pólis, Penso que a edilidade Farense estudará esta hipotese.Faro precisa de mais espaços verdes. E estão nos ultimos 3 anos a ter tratamento especial. Alguem já reparou nisso?(Anónimo)

MEU COMENTÁRIO

Vamos deixar ficar isto assim?

Publicação de
João BRITO SOUSA

CONHECEM-NO?

ANTÓNIO NEVES

_ Nasceu a 1 de Dezembro de 1940, em Estoi, concelho de Faro.
_ Nos primeiros anos de estudo frequentou a Escola Industrial e Comercial de Faro
e, mais tarde, devido ao gosto pelo desenho e pela pintura, transitou para Lisboa, frequentando a Escola de Artes Decorativas António Arroio, onde tirou o curso de Desenhador Gravador Litógrafo.
_ Com inicio em 1965, e durante vários anos, leccionou desenho nas escolas atrás
referidas.
_ Nos tempos livres, e como "hobby" desenha e pinta.
EXPOSIÇÕES
_ Em 1962, fez a sua primeira exposição individual em Elvas, na sala de Exposições do "Café Alentejano", na altura em que cumpria o Serviço Militar.
_ Em 1997 em conjunto com outros pintores e escultores, participou na criação de uma Associação
de Artistas Plásticos, sendo um dos associados produtor. A Associação é hoje designada por
ARCOARTIS - Associação de Artistas Plásticos da Damaia.
_ Exposição colectiva ARCOARTIS.
_ participação na Exposição do XIV EncDntro Anual de Artistas Plásticos, na Galeria Municipal
de Fitares, em 2007.
_ Participação na exposição colectiva da ~ARCOARTIS, a convite da Junta de Turismo da Ericeira
em Maio de 2007.
_ participação na exposição promovida pela Câmara Municipal da Amadora, em homenagem ao
Mestre Cruzeiro Seixas.
_ Participação na exposição colectiva "Tecníca Mista" da AFID e ARCOARTIS, em Dezembro de
2007.
No seu curriculum constam até ao momento cerca de 26 exposições colectivas .
UM BOM COSTELETA E ARTISTA
Colocado por Rogério Coelho

ALMOÇO COSTELETA


EM VILAMOURA, JUNHO 08

Estou sem assunto mas não deixo de vir aqui dar uma olhada. Ninguém comenta e a malta não tem paixão pela blogosfera e estão ocupados com outras coisas.

Tudo bem; o importante é ser feliz e quando não se for totalmente, tentar consegir sê-lo.

A causa próxima de vir aqui é solicitar `a malta do 1º 1ª turma do Ciclo Preparatório de

52/53, que diga alguma coisa, porque queremos juntar o maior número possível de alunos no almoço anual próximo. Refiro-me à turma do Herlander Estrela, Joaquim Cruz e outros.

TM 96 373 64 04

ABRAÇÃO DO
João Brito Sousa

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


(Francisco, Carlos Granja e Diogo)
CARLOS GRANJA

Fez o Curso de Indústria na ESCOLA e creio que foi aluno do Mestre OLÍVIO.

Natural de Pechão ou dos arredores, reside há muitos anos em WASHINGTON onde está instalado como industrial da construção civil.

Bom jogador de futebol, fazia a linha média do Clube Oriental de Pechão, com o malogrado Zé Neto. Era médio interior direito, fazia mais ou menos o lugar de Pedroto no FCPorto e na Selecção.

CARLOS GRANJA era lançador do jogo para o ataque. Boa capacidade atlética, bom no jogo de cabeça, tinha bom poder de antecipação e possuía boa visão de jogo.

O Clube Oriental de Pechão já nesse tempo jogava em losango. Atrás jogava o Diniz, `a esquerda jogava o Zé Neto (Netinho), à frente Zé Águas (Viegas) e à direita jogava o CARLOS GRANJA.

Num jogo contra a Luz de Tavira, contra a equipa do MAGANÃO, o árbitro marcou um penalty contra eles. Vem de lá o Maganão e disse:- não marcam aqui penalty nenhum... e nisto chutou a bola para a ribeira.

Jogou ainda no Alverca onde trabalhou nas oficinas.

O CARLOS GRANJA foi um bom aluno e é um bom amigo

Saúde e sorte para ti meu bom amigo

Abração do

João Brito SOUSA

terça-feira, 29 de abril de 2008

COMENTÁRIO DE UM COSTELETA




















A CRISE INTERNACIONAL ALIMENTAR E A CIDADE DE FARO, Artigo de Pedro Graça, publicado em 27.04.2008 no http://adefesadefaro.blogspot.com/ e a CARTA ABERTA A PROPÓSITO DE UM ROUBO, publicado no mesmo blogue a 25.04.2008, mereceram este comentário de um costeleta.

“Sei que estas ocupado, mas de qualquer maneira não resisti a recomendar-te o passar os olhos "pela defesa de Faro" de hoje ,num post/artigo do Pedro Graça.....com isto eu fico banzado....como e' que se formam elites, muito conhecedores da Grécia antiga, capazes de recitar Camões de olhos fechados, de manterem postos de responsabilidades e bem pagos e, ao mesmo tempo serem de uma ignorância total ao mundo a dois passos deles e, explico as minhas palavras.....no mundo actual, na conjectura económica e de mercado é impossível voltar atrás na nossa zona{FARO} .

A ideia de que é possível na nossa zona cultivar para uso local e' utopia, já' se falou nisso no "bracos....".Como poria ele a produzir sem lucro para quem semeasse?...O Pedro Graça em economia e" um ignorante a' falta de melhor termo...ja' ontem escrevia sobre a TAP e, os preços segundo ele exagerados e proibitivos de uma viagem de avião de Faro para o Porto....onde a TAP tem o monopólio....mas não se pergunta a ele próprio a razão porque a dita tem esse monopólio !!!!!! e'- lhe imposta por lei...porque e' uma carreira "morta" que nenhuma outra companhia esta interessada e, como tal o utilizador tem que pagar esse privilégio !!!!!!!

Mas esses intelectuais vivem em que mundo? Ainda não entenderam que só a produção em massa baixa os preços? que só os transportes só são baratos quando utilizados pelas massas, em grandes números?....Creio que ele deveria fazer um estagio no mundo real, por o seu dinheiro se o tem numa empresa dele, geri-la e ver o resultado ao fim de um ano aplicando as suas teorias pessoais, onde ate aqui só o vejo contar com os dinheiros públicos quer dizer "nosso".

Vai la' lê e pensa como nós, montanheiros, que sabemos o que e' a vida e diz-me se estou errado.

DIOGO....JA MARAFADO PELA MANHA

MEU COMENTÁRIO

Concordo contigo meu velho

Abração
João

EU COSTELETA


Normalmente levanto-me às oito horas da manhâ. Tomos os comprimidos para manter a tensão arterial nos 13/ 7 e tomo também os farmacos para me livrar do Parkinson e vou fazer a barba.
Antes do pequeno almoço que está já em preparação, venho ao blogue, este vício que me faz companhia o dia inteiro, à procura de comentários aos posts que todos os dias tenho colocado a meia noite e tal..

E venho sempre cheio de esperança. Hoje e´ que é... é hoje é que a malta pôs lá uns comentários valentes, é hoje que levas umas porradas por causa dos postes que lá puseste ...

Mas nunca acontece nada....

A malta não escreve um texto, não comenta... parece que está tudo bem.

E é essa altura que me lembro do Ranito, alentejano e personagem do Manuel da Fonseca no conto “OLARGO”, que já velho e sem préstimo, olha em volta com o olhar espantado, range os dentes e diz ah vida, vida!... já ninguém me liga um corno.

Deixa lá Ranito, que a mim também não.

Texto de
João Brito Sousa

UMA FRASE... QUE PODIA SER DUM COSTELETA...


Em EMIGRANTES de Ferreira de Castro
Página 92

«Sabe-se lá quando se volta!...»

Quem diz isto é o Manel Bouça, o homem do Minho, que vai embarcar para o Brasil, na expectativa de voltar um dia mais tarde, com dinheiro suficiente para comprar a quinta dos seus sonhos, no seu Minho adorado....

SABE-SE LÁ QUANDO SE VOLTA.. é uma frase carregada de saudade, essa palavra tão portuguesa, já sentida antes de partir

A literatura é, como diz Baptista Bastos, a sobremesa da vida.
SABE-SE LÁ QUANDO SE VOLTA é uma frase par meditar.

Por isso recordamos aqui, o

ESCULTOR E PINTOR “COSTELETA”

MANUEL BELCHIOR

Na Revista Inglesa Good-Life, Secção Algarve, pode ler-se um artigo sobre o português Manuel Belchior, engenheiro na Alemanha, natural de S. Braz de Alportel, como escultor com senso de humor, que frequentou uma Escola de Arte em Faro.

Que o Manuel, além de trabalhar em madeira, tem criado esculturas em pedra e metal, além de pinturas a óleo.

BRAVO MANUEL BELCHIOR.

Publicação de
João Brito Sousa

À CONVERSA COM O COSTELETA

ZÉ EMILIANO

Entro no café Aliança .

Sento-me na mesa dos corticeiros (os industriais de cortiça de antigamente) que fica junto ao Relógio de parede e aos degraus de passagem para o salão de bilhares e reconheo o ZE EMILIANO

Conversamos a tarde toda e falamos de tudo. Da sua passagem pela Adm. Regional de Saúde onde foi um elemento de destaque, da sua grande qualidade de homem que está sempre pronto a ajudar, do seu gosto enorme pela agricultura e a pequena exploração agrícola e do sua grande paixão: o Farense.

Foi assim.
Qual o melhor, FARO ou RIO SECO.

É praticamente a mesma coisa, ou melhor, cada terra com seu uso cada roca com seu fuso, como se costuma dizer. Rio Seco é regadio, são hortas, são os armazéns do Vergílio Rosa, é Ildefonso Rodrigues, é Francisquinho, é Reinaldo das Finanças casado com a Antónia, professora em Almada, e outro das Finanças de nome Bolas e costeleta, primo do falecido Xico da Galvana, é o irmão Hélder Gonçalves, costeleta e .economista, cuja vida é Farense e estudo, enfim ...é essa coisa aí....

Faro é civilização, é Bernardo Estanco dos Santos e Gardy, é Víctor Venâncio e Manuela, é Isabel Lopes do Chelotte é passear na rua das lojas, é trabalho e simultaneamente cultura. Faro é a minha cidade, é a minha vida. Nunca poderei largar Faro.

Mas nem trocavas Faro por Tavira.?

Nada disso. Faro é Faro e Tavira é Tavira . Mas ainda bem que falas nisso, porque estive lá na tropa e fiz lá uma grande amizade com um grande costeleta, o Alberto Rocha de Santa Catarina da Fonte do Bispo. Eu e o Alberto em Tavira éramos os maiores. Andávamos sempre juntos. Estava lá o sargento Orlando Forja do Patacão.

Ainda visitas o Alberto?

Sim, encontramo-nos quando é preciso, falamos o que temos a falar, porque o Alberto é um homem de negócios, objectivo, não gosta de falar muito, é mais observador, é um homem que não vai em conversas de chacha, homem responsável, amigo do seu amigo mas exigente com eles, não gosta de banalidades, é um homem de quem dá gosto de ser amigo.

Ainda trabalhas?

Sim, mais do que antigamente. Tenho uma intensa actividade em seguros, ligações ao Tribunal de Trabalho e outras pequenas coisas.

O Farense.?

É o meu clube. Por lá passaram grandes jogadores como aquela linha avançada do Brito, Balela, Vinueza, Rialito e Queimado.

O melhor guarda redes de sempre do Farense?

O Gago, que foi da minha turma, costeleta, portanto. Era uma elegância na baliza. Um grande atleta e um grande amigo.

E despedimo-nos.

Texto de
João brito Sousa

DA IMPRENSA/ PÚBLICO PARA REFLEXÃO COSTELETA


ORGANIZAÇÃO EXPLORAVA PORTUGESES NA ZONA DE LA RIOJA
Autoridades portuguesas e espanholas desmantelam rede de trabalho escravo
28.04.2008 - 13h28 PÚBLICO

As autoridades portuguesas e espanholas confirmaram hoje que conseguiram desmantelar em conjunto uma rede de exploração de mão-de-obra portuguesa que funcionava em Espanha. Até ao momento, as autoridades detiveram 28 pessoas, nove das quais em Portugal.

A rede de trabalho escravo, desmantelada a 28 de Março, funcionava na região espanhola de La Rioja. O coronel da Guardia Civil local, Juan Calparsoro, explicou, em conferência de imprensa, que a rede estava organizada em clãs de etnia cigana e que envolvia mais de cem pessoas.
Desde 2005, a rede já explorou três mil portugueses, a maioria dos quais com problemas de toxicodependência e baixa escolaridade. Os trabalhadores eram aliciados com boas condições salariais mas eram depois alojados em péssimas condições e obrigados a viajar por todo o país em campanhas agrícolas.

A Guardia Civil, citada por um jornal espanhol local, explicou que a organização dividia os trabalhadores em grupos de dez e de 20 pessoas que eram transportadas por todo o país. Os explorados recebiam comida e, por vezes, em lugar do salário, droga e serviços de prostituição. Quando os ordenados eram pagos pelos empresários, os responsáveis pela organização, alegando enganos, apoderavam-se das cadernetas e códigos secretos das contas para, posteriormente, retirarem parte do dinheiro.

O responsável pela organização já foi detido e os outros elementos acusados de sequestro, escravidão, tráfico de pessoas e branqueamento de capitais. Os elementos detidos em Portugal viviam em casas de luxo em Moncorvo, Alfândega da Fé e Felgar, noticia a TSF

Na operação as autoridades apreenderam várias cadernetas bancárias, agendas, computadores, três pistolas, um plasma, e dinheiro depositado em diversos bancos, numa quantia total de 530 mil euros.

RECOLHA
João brito Sousa

À CONVERSA COM O COSTELETA



NORBERTO CUNHA

Ainda ando por aqui pela cidade. Faro e eu temos muita coisa a dizer um ao outro. Somos bons amantes. Passeio agora pela rua das lojas e procuro um café para tomar uma água. Eis senão quando vislumbro o Norberto Cunha num café logo a seguir à pastelaria Gardy.
Olá meu chapa, há quanto tempo...
Senta-te disse-me ele.
Recordámos tanta coisa... e a conversa deu nisto:

A cidade de Faro e a Escola continuam próximas de ti?

Diria que a relação inversa, simétrica e recíproca, é a que melhor retrata essa permanente e afectiva proximidade. Quer dizer: Sou eu que me sinto, que me faço próximo, que não consigo, não quero nem posso, afastar-me de uma ou outra. Da Escola, da nossa Escola, porque foi palco de decisivas vivências da nossa juventude e me habita a memória como reserva inesgotável do meu imaginário; De Faro, a minha cidade, pelas mesmas mas mais dilatadas razões e algumas outras, como a sua história milenar, a sua beleza, a sua luz, os seus ritmos, a sua vida cultural e associativa e tantos outros motivos que, a referi-los, esgotaria nesta resposta o espaço reservado ao questionário.

Das figuras de Faro que tu cantaste, o que houve nelas que te entusiasmou?
Bem, em rigor, e penso que estás a referir-te ao meu poema satírico “Panorama da Cidade”, apenas evoquei em brevíssimos traços algumas figuras populares que eram acarinhadas por quase toda a gente e cujas alcunhas entretanto esqueci, já que os seus nomes nunca os soube e só muito poucos conheceriam.

Um professor inesquecível?

Só um? Impossível. São quase tantos os inesquecíveis como os demais e seria tremendamente injusto escolher um, qualquer que fosse o critério, silenciando os restantes. A diferentes títulos, aqui vão pois os inesquecíveis, numa sequência perfeitamente aleatória: Palaré, Furtado, Zeca Afonso, Carolino, Amílcar Quaresma, Lurdes Ruivo, Pinheiro da Cruz, Passos.

Um amigo inesquecível …
Os amigos são todos inesquecíveis. Os vivos e os mortos. E infelizmente muitos já partiram. Desculpa, mas também a esta pergunta não vou responder como pretendes pois, sorte minha, eles são muitos, muitos mesmo, desde os que fiz na infância e na juventude, aos que encontrei pela vida fora, até quantos ainda hoje vou fazendo.
Foi bom para ti ser jovem?

Foi. Muito. A juventude é sempre um bem, um percurso vertiginoso que nos embriaga por mais difíceis que sejam as circunstâncias, e que nos carrega as baterias para o resto da vida. É nela que fazemos as primeiras descobertas do mundo e de nós mesmos, que vencemos os primeiros obstáculos, que inventamos sonhos, enfim, como seres em auto-construção na identificação das suas potencialidades, possibilidades e limites. É na juventude que fruímos plenamente, como nunca antes e muito raramente depois, o simples mas empolgante prazer de estarmos vivos.
Um reformado é um homem que já não presta?

De modo nenhum. O valor e os préstimos de um ser humano transcendem a sua função de agente produtivo, necessidade cooperativa sem a qual a sociedade seria basicamente inviável. Mas a vida social perderia todo o sentido se se confinasse na produção/consumo de bens. Aliás, mesmo que se coloque a questão dentro de tais limites, duas observações devem ser feitas. A primeira é que quem se reforma (sem ser por velhice ou doença) não o faz por se ter tornado inapto, mas no exercício de um direito tão legítimo como o daqueles e que, como eles, conquistou pelo seu trabalho. E quem é empurrado para a reforma nunca o é porque “não preste”. Mas porque adquiriu direitos e os defende, com grande incómodo dos empregadores rapaces, beneficiários do beneplácito e da tutela de um socialismo ou social-democracia sem substância. É que, no desespero por um primeiro emprego, a maioria dos jovens a quase a tudo se submete… Nestes tempos de globalização, a vida humana, os direitos humanos, só “ da boca para fora” continuam a ser sagrados. Sagrado de facto, e em todos os domínios, só o lucro. A segunda observação é que, ainda no estrito domínio do económico, grande parte dos reformados continua a ser prestável, socialmente útil, exercendo as suas competências, ou novas competências, a tempo parcial ou inteiro, com remuneração ou sem ela. Mas ainda que assim não fosse, o que seria da nossas actividades culturais, dos movimentos cívicos, das associações de solidariedade social, da vida de tantas jovens famílias, etc., sem a participação, o apoio desses milhares de cidadãos?

Poesia ou prosa; a escrever onde te sentes melhor?

Como sabes, nos nossos dias a oposição poesia/prosa (na segunda cabe toda a outra escrita) deixou de ser usada para distinguir géneros literários. A poesia, conquanto se apresente ainda com uma mancha gráfica que é pouco comum noutros textos, extravasou dos espartilhos da métrica e da rima, rompeu com o modelo canónico do soneto e de outras condicionantes formais que só por si nunca lhe bastaram para que o fosse. O que não quer dizer que quando obedeça a tais parâmetros o deixe de ser… A distinção literária faz-se hoje de modo mais específico entre poesia e ficção (romance, novela, conto) ou drama, independentemente da escrita “prosaica” da primeira e de uma eventual componente “versificada” nos outros géneros. Mas, não fugindo à questão, devo dizer que me sinto tão bem, ou tão mal, com a prática de qualquer modalidade da escrita, apesar de há muito tempo não publicar poesia. Escrever, como já terás notado, é um prazer por vezes doloroso. Não como um acto masoquista, não. Antes como um acto de abnegação, de entrega, que nos exige mais do que aquilo que à partida estamos disponíveis para dar-lhe, mas ao qual também não nos eximimos. E para mim a escrita é uma paixão. Uma amante sedutora e exigente, sempre insatisfeita, que por vezes nos trai, mas que não conseguimos abandonar.

O teu conceito de escritor?

Não obstante nunca ter feito uma reflexão aprofundada sobre o tópico, não confundo o conceito de escritor com o de literato (poeta, ficcionista, dramaturgo) nem subscrevo a declaração de Saramago de que “escritores todos somos….” E isto, não porque pense que em tudo, como diz Aristóteles, a virtude é o termo médio entre dois extremos. Mas sim porque a escrita pode ser e por vezes é arte mesmo quando dá corpo a obras, a textos, cujo escopo não é o de uma realização estética, pedra de toque consensualmente exigida para a obra literária. Uma crónica, peça jornalística, pode ser uma obra de arte, tal como o são as crónicas de Fernão Lopes (o primeiro historiador pós-clássico, para não dizer moderno); como o são os Diálogos de Platão; os Autos de Gil Vicente; As Confissões de Santo Agostinho; os Sermões do Padre António Vieira; os Ensaios de Montaigne ou a historiografia de Borges Coelho, para ficar por aqui. Para mim, no essencial, escritor é todo aquele cuja escrita contém as condições necessárias ao bom sucesso de um acto de comunicação que se dirige a um universo diversificado de leitores. Dito de outro modo, da perspectiva do leitor, escritor é todo o autor que nos faz experimentar emoções, nos estimula o pensar, nos sugere ideias e nos fornece matéria para as conceber, nos dá pistas para a compreensão do mundo e das nossas experiências, e faz tudo isso, ou muito mais, sem nos cansar, proporcionando-nos o prazer da leitura.

Publicação de
Norberto Cunha


O meu obrigado a NORBERTO CUNHA.

Caro AMIGO NORBERTO.

A arte, na realidade, é um elemento que faz ou não, parte de nós. Não há meio termo. Ou faz ou não faz. Aquele que a sente é o artista ou o homem de talento, que não dispõe de património pessoal. Tudo o que tem é dos outros; tudo o que faz é para os outros. Assim, o artista trabalha para os outros.

É o que tenho para te dizer..

Acrescentarei apenas que me sinto feliz por ter tido a ideia de te ter solicitado esta entrevista.

É que assim, os costeletas que não te conhecem ainda, poderão usufruir do privilégio de ler duas páginas de excelente literatura.

Meu caro amigo, a tua prosa é brilhante..

Aceita um abraço de parabéns do

João Brito Sousa

OS FORNECEDORES DOS COSTELETAS


AINDA OS VENDEDORES

Nos anos 40/50, o lugar estratégico para a venda, era no Jardim, em frente à Igreja da Misericórdia, porque por ali passavam os alunos da Escola Tomaz Cabreira, fortemente atingidos pela guloseima.

Nesse local o vendedor era um ESPANHOL.

Um dia, o ESPANHOL desapareceu e para o seu lugar veio o Manel dos Bigodes ou o Ruço, um homem de feitio um bocado complicado, que depois começou a vender castanhas assadas na Rua de Santo António, à Pontinha, que entretanto tinha sido o campeão da venda de pinhões, produto que baptizara de “vitamina da moda” e com esta designação se popularizou.

Cada cartuchinho de pinhões dava direito a um prego com o bico espalmado para ajudar a abrir os ditos, que pelo simples facto de terem passado pelo forno, vinham já meios abertos.

Neste tipo de vendas ambulantes, há a destacar outras duas figuras marcantes das ruas da cidade, o Vila Real e o Coelhinho

Publicação de
João Brito Sousa

segunda-feira, 28 de abril de 2008

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


BARTOLOMEU DAS NEVES CAETANO

Homem ligado à justiça onde foi funcionário no Tribunal de Olhão
Agricultor e grande produtor de bananas no ALGARVE

Natural de PECHÃO onde é muito considerado

Contemporâneo do ANTÓNIO VIEGAS, do CARLOS GRANJA, do Zé NETO, DO VINBALDO CHARNECA e do IRMÃO, do DANILO e foi da turma do ZÉ MAGANÃO.

O Bartolomeu é um bom costeleta e um bom amigo..

Texto de
João Brito Sousa

CORREIO COSTELETA



O ZÉ MANUEL PIRES, costeleta residente nos STATES, CALIFÓRNIA, está a passar uns meses na sua terra natal, a vila de Estoi.

O Zé Pires é do Curso de Montador Electricista do tempo do VENTURA, que trabalhou nos TLP e residiu muitos anos em ALMADA.

Foram grandes companheiros.

Não sabemos nada do Ventura e queremos vê-lo no almoço anual no dia 8 de Junho próximo em VILAMOURA, onde vão estar o Zé Pires e a esposa.
Tm do Zé Pires 91 753 6002
Email jmpires@aol.com

O blogue http://oscosteletas.blogspot.com, deseja ao casal Pires uma boa estadia por aqui.

Texto de
João Brito Sousa

À CONVERSA COM O COSTELETA



INÁCIO FERNANDES

Desta vez saí do Hotel Eva por volta das onze horas. É domingo, O dia está solarengo e já estou no Aliança a tomar café. O Reinaldo Tarreta ainda não chegou, talvez depois do almoço.

Todavia, antes de entrar, mas já na esplanada, cruzei-me com o vendedor de óculos, que vindo do Norte, aparecia muito regularmente pela baixa da cidade, com o seu “xonante” pregão «Óculos para bista cansada ou miopia!».

Já sentado, então, solicitei do senhor Américo os serviços de engraxadoria para limpeza dos sapatos, na esperança que entretanto alguém chegasse. Sentia-me frustado. E a malta?... Onde é que raio para a malta?

Entra nesta altura o chinês vendedor de gravatas, o Lê On, simulou um esboço de cumprimento a que eu correspondi e, estava quase a perguntar ao chinês pelos costeletas, quando vislumbro uma cara que me pareceu conhecida doutros tempos, fiz alto com a mão direita e perguntei-lhe, tu não és costeleta?....o homem atrapalhado disse, costeleta?.... sim homem, disse eu, pareces-me que frequentaste a Escola Comercial não foi... sim foi, disse o amigo acabado de chegar. E eu disse... estás com tempo?... então senta-te aqui nesta cadeira. E o amigo sentou-se

O teu nome? perguntei-lhe eu..

INÁCIO GUERREIRO FERNANDES, disse o amigo acabado de chegar.

Casado com a costeleta Maria Estrela?
Sim.
Então é com muito prazer que vais tomar um café na minha companhia e, como eu gosto de ouvir malta antiga, vamos trocar aqui umas impressões para publicar no blogue «oscosteletas»

Bem, sabes quem é que me falou de ti? Foi o Zé Dias Lucas do BNU dali de Boliqueime, que mora em ALMADA. Lembras-te dele?.

Sim, esse Lucas foi meu colega de turma.

E conversámos sobre muita coisa.

As tantas fiz-lhe esta pergunta.

INÁCIO, como sei que ainda gostas de futebol, diz-me uma coisa, o FARENSE , como vai?

O Farense tem tido alguns problemas de gestão, passaram por aí uns tipos que deram cabo disso tudo, mas a coisa está a compor-se. Tenho esperança que brevemente ainda vamos colocar o clube na primeira Divisão. Tenho essa fé. A cidade precisa do clube e o clube precisa d a cidade. Tem havido um certo divórcio mas acreditamos que vai haver de novo casamento. Não esquecer que a cidade viveu bons tempos quando o clube estava na primeira divisão. Falo assim porque sou o sócio do clube há muitos anos.

Qual o melhor jogador do Farense de todos os tempos., na tua opinião.

O Farense teve grandes jogadores, desde os de antigamente como o Aurélio e o João Coelho, o Isaurindo e o Gago, o Rialito e o Queimado, o Garcia, o Tarro e o Catoira, o Campos e muitos outros. Mas o melhor, a tratar a bola, foi o costeleta Zé Gonçalves. Nunca vi nada igual. O futebol do Zé, era arte pura, suavidade, génio, talento, elegância. O Zé, era daquele tipo de jogadores que levam as pessoas aos estádios para ver bom futebol.

Do Sporting ou do Benfica?

Sportinguista sempre, desde o tempo dos violinos. Aquela linha avançada hoje ganhava a toda a gente.. Hoje fala-se em Cristiano Ronaldo que ainda há dias falhou um penalty. O Albano não falhou nenhum. Era uma equipa homogénea. Aliás o Travassos em 55 foi á selecção da Europa e deu cartas. Continuo sportinguista. No futebol não se muda.

Literatura. Qual a obra que mais te impressionou?

Li umas coisas, sobretudo o Eça de Queiroz. Gostei muito do “Crime do Padre Amaro”. Mas li os clássicos todos. Tenho um modelo de leitura que é, leio os livros e faço resumos das leituras e depois faço compilações. Não queria deixar de referenciar aqui quatro grandes escritores costeletas: Maria José Fraqueza, Mário Zambujal, Casimiro de Brito e o Norberto Cunha e ainda dois grandes jornalistas: o João Leal e o Zé Marcelino Afonso Viegas.

O melhor filme que viste?

ZORBA, el Grego com o grande Anthony Quin- E está tudo dito.

Um grande amigo?

Franklin Marques. Um grande amigo sem dúvida nenhuma.

A tua carreira profissional?

Estive no Banco do Algarve e no BPA onde cheguei a Gerente aqui na dependência de Faro. È uma profissão de alto risco. Fui colega dos costeletas Aníbal Pereira, Zé Marcelino e Mário Leonardo.

O blogue dos costeletas, conheces?

Sim, considero oscosteletas o ponto de encontro dos alunos da Escola. É ali que nos podemos encontrar, trocar ideias, confraternizar. Vou enviar uns artigos..

E despedimo-nos

Texto de
João brito Sousa

TEXTO PARA DEBATE ENVIADO PELO COSTELETA





DIOGO COSTA SOUSA

QUESTÃO PARA DEBATE COSTELETA.

RETALHOS DE PENSAMENTO

ONDE E COMO ESTARÍAMOS NÓS SEM O 25 DE ABRIL

Onde estaríamos nós sem o 25 de Abril do qual eu sou pró 100%?.Raramente isto se pergunta ....este assunto esta' no mesmo nível do da Republica ou Monarquia, não vos parece.....admitamos que Caetano, era bem intencionado e tinha levado avante uma progressiva caminhada lenta mas segura para a democracia sem o "choque" cultural que foi a revolução, que podemos comparar ao de um vulcão que explodiu em vez de ventilar a excessiva pressão que levou a' dita erupção.

Comparando, e não podemos deixar de comparar quando de hipóteses se fala com Espanha, que fizeram uma transição moderada para a vida democrática", eles " espanhóis não esbugalharam o erário publico e empresarial como nós fizemos, não necessitaram de uma reforma agraria que nos pôs a comprar trigo ao Canada e a vender a terra aos estrangeiros.

A emigração não parou, os campos foram mais abandonados, a indústria principalmente a naval sucumbiu.....claro que podemos argumentar que florescia dado aos baixos salários que se praticavam mas isso não e' tudo porque se ganha hoje de certeza mais na Noruega e, hoje são a uma potência da construção naval...tal como nós éramos. E a questão do ultramar perguntar-se-à?.....Também como se viu no ultimo documentário serio da RTP, eu chamar-lhe-ia muito serio, havia conversações por detrás da cortina que nos levariam mais tarde a negociações e, quica a uma independência mais razoável do que aquilo que se passou e que já foi falado e discutido.

Estaríamos melhor ou pior? Eis a questão!....não sou reaccionário, sou e fui pela revolução mas interrogo-me, depois dos anos passados. Será que foi bem usada a passagem para a liberdade de expressão? Será que não foi abusado o direito de liberdade para infringir o direito de liberdade dos outros?....Pus-te contra a parede....sei que es um homem livre de pensar e expressar. Responde-me.

E vamos festejar os cravos, coitados que tão mal tratados têm sido.

ATE JA MEU VELHO AMIGO PERDIDO E REENCONTRADO

DIOGO ...ainda no activo, e, escrevendo retalhos de pensamento sobre o joelho e....sem rede

publicação de
João Brito Sousa

domingo, 27 de abril de 2008

À CONVERSA COM UM AMIGO DOS COSTELETAS









O Prof.. DANIEL SÁ.

Daniel de Sá é um escritor açoriano,
de muito talento e de grande mérito literário. Reconhecido como um homem da cultura em toda a sua Ilha de S. Miguel, é muito solicitado para escrever sobre os mais variados assuntos da sua terra. Reformado da sua principal actividade de professor é agora um operário da escrita.

Tem vários livros publicados, quer na ficção (romance, conto e novela), quer no ensaio ("A Criação do Tempo, do Bem e do Mal") e no teatro ("Bartolomeu"). Na ficção, destaque para "Ilha Grande Fechada" (a emigração vista por quem ainda não partiu, o que pode resumir-se numa frase de João, a personagem principal: "Sair da ilha é a pior maneira de ficar nela."); "E Deus Teve Medo de Ser Homem" (uma história que faz um paralelo entre a vida de Cristo e o extermínio dos Judeus em Auschwitz); "As Duas Cruzes do Império" (romance sobre a Inquisição, em que uma das personagens é o Padre António Vieira); "A Terra Permitida" (uma aldeia rural micaelense nas primeiras décadas do século XX). Como crónicas históricas, e acerca dos primeiros tempos da vida nos Açores, escreveu "Crónica do Despovoamento das Ilhas".
Os livros referidos, excepto "Bartolomeu", foram editados pela Salamandra.
Na minha última estadia nos Açores, tomei com o escritor um café numa das esplanadas da Maia.
E abordamos vários temas. Foi assim.

Prof. Daniel Sá, ser professor é mais rico do que ser escritor ?

Não, eu entendo que o escritor chega mais longe, tem mais terreno para cavalgar, ou seja, tem um mundo inteiro à sua espera para o ouvir. Isto se o escritor tiver matéria para dizer, porque, há escritores que já não dizem nada e continuam a insistir a ser chamados de escritores. O escritor tem, derivado desse seu desempenho, uma obrigação social de grande responsabilidade, que é levar até aos leitores, os valores maiores com que a sociedade se deve reger. O escritor é também um educador. Só que tem mais espaço. O professor está limitado à sala de aula. E um trabalho cujo fruto é diferido.

Nasce-se escritor ou fazemo-nos escritor.?

Nascemos escritores. Não é escritor quem quer. O escritor, entre outras coisas, é aquele que sente necessidade de escrever. Eu, por exemplo, escrevo todos os dias e, no máximo, uma página. Não sei se as pessoas comuns, entenderão isto, de escrever uma página. É que pode parecer pouco mas às vezes é muito e não se consegue. Escrever e um acto de sofrimento, sabe-se o que se quer escrever mas temos dificuldades em encontrar a palavra exacta. Há palavras que têm o valor de cem. E essa palavra certa o escritor deve possui-la no seu vocabulário Por outro lado o escritor tem a obrigação de se tornar melhor ser humano a si próprio e aos seus leitores também.

O que espera da vida?

Tranquilidade apenas. A vida, tem as suas exigências, às quais procurei satisfazer sempre, através de atitudes coerentes e de trabalho sério. No meu desempenho de professor trabalhei para os meus alunos; como escritor trabalho para os meus leitores. Nunca uma frase mal escrita sai num livro meu. Aí sou exigente e escrupuloso como Garrett ou Lobo Antunes. Portanto, como pautei toda a minha vida com atitudes de honra, não tenho nada a temer. Estou tranquilo e da vida espero continuação da tranquilidade .

Tem medo da morte?

A morte é um acidente que um dia virá. Morrer é o contrario de viver. Com vida, escrevo, vou ao café tomo as refeições e faço isto e mais aquilo. Sem vida não faço nada disto. É só.... . Tudo acaba.

Fale-me de expressões de arte que goste muito.

Gosto da boa literatura entre os quais os clássicos portugueses, gosto de cinema, porque aprecio muito a arte de representar e gosto de futebol.

E despedimo-nos.

Texto de
João Brito Sousa

sábado, 26 de abril de 2008

17º ANIVERSÁRIO DA ASSOCIAÇÃO






Hoje, dia 26 de Abril, festejámos o aniversário da nossa Associação. Como sempre foi festejado na nossa Escola. O evento constou de almoço convívio na cantina pelas 13 horas, café e bolo de aniversário no bar (Sala de Convívio) e cantámos os parabéns. Às 15 horas deu-se início à sessão solene no Auditório da Escola para entrega do “Prémio Melhor Aluno 2006-2007” cujo patrono é o Professor Américo.
Depois dos discursos dos Presidentes, o Jornalista João Manjua Leal falou sobre o perfil do Professor Américo, não descurando os nomes de alguns bons Costeletas.
O José Felix, representando o Patrono do prémio, entregou à aluna VERÓNICA MORENO o envelope com o prémio no valor de 400 Euros, a medalha da Associação com a placa gravada do evento, com o nome da aluna, e o respectivo Diploma de Valor.
Para finalizar a sessão a Rosinda Vargues cantou canções de Zeca Afonso, e fados, acompanhada à viola pelo seu marido o Costeleta Luciano Vargues.
Rosinda cantou e encantou!
Foi mais uma bela jornada,

Rogério Coelho

À CONVERSA COM A COSTELETA


ISABEL COELHO

Saí do Hotel às 11 horas e, como de costume, fui direito ao café Aliança onde costumo encontrar o meu grande amigo Reinaldo Tarreta, a quem devo um euro, que me emprestou para pagar o estacionamento do carro..
Os cafés estavam fechados.

Peguei em mim e fui ver o café Batata, passando ao lado da Mercearia Aliança, que era no meu tempo de rapaz, o mais categorizado estabelecimento do ramo alimentar da cidade, a começar pelo proprietário, o Senhor José Pedro da Silva, que foi o que se pode dizer, um enorme senhor.

Não menos dignos eram os seus principais empregados, o Sr. Gabadinho, o Sr. Guerreiro, o Sr. Glória e o Sr. Sérgio.

Outro estabelecimento deste género e de estatuto não inferior era a Casa das Manteigas do Gago da Mercearia, na Rua de Santo António. E a propósito dos “gagos”, há que recordar o Gago da Rua Filipe Alistão, junto ao Largo de S. Pedro, em ramo de negócio semelhante, que era Pai do Dr. Lourenço Gago, que em Lisboa onde se radicou, conseguiu o título de campeão nacional de bilhar.

O café Batata estava fechado e voltei para trás. Encontrava-me agora em frente do Hotel Faro, ex Hotel Aliança, e olhando em redor, vi o local do antigo café Coelho, onde a minha mãe, quando vínhamos à cidade e ali desembarcávamos da camioneta, me dizia, João vamos comer um bolo de arroz ao coelhinho, a minha mãe gostava da paródia, e lá íamos, eu e ela, ao café, e a minha mãe pedia dois bolos e, recebendo a mercadoria dizia-me toma lá João.

A Minha mãe... que saudades.

Estava eu nesta, com uma lágrima, ou duas , ou três, ou cem pela face abaixo, quando me passa pela frente o João Coelho, taxista e ex jogador de futebol do Farense, que uma vez me tinha dito que estava àrrasca do menisco, mas que tinha um sonho, ser na vida o que foi o Marlon Brando no filme “Há Lodo no Cais” .
João, festa do 25 de Abril, onde é? E ele, em Querença. Tens aí o taxi? Ya meu. Vai buscá-lo. E fomos ao chouriço assado em Querença.

E lá estavam o mano Roger e a esposa, a minha colega de turma, a Isabel Coelho. Foi conversa até às tantas.

Assim:

Isabel, lembras-te do nosso quinto ano a português com a Drª Almira?

A Drª Almira foi uma extraordinária professora e poetisa, um pouco nervosa pela responsabilidade do desempenho da função de professora, mas foi uma grande mulher. Ensinou-nos muito e eu, particularmente, estou-lhe muito grata.

A malta do nosso tempo?

As Maias estão em Lisboa, a Pisa e a Maria do Céu Matos Cartuxo não as tenho visto, a Susana Moreno dos Braciais estou às vezes com ela e disse-me que lhe faleceu a Mãe. De resto andamos por aí...

Qual a tua relação com a cidade?

É boa. Nos tempos livres, encontro-me com as amigas, a Associação e as suas comemorações dão-me o seu trabalho, só que o meu marido agora caiu uma queda na nossa quinta em Belmonte e ia-se matando, mas já passou... eu gosto da cidade, nasci aqui, tenho aqui os meus familiares, conheço toda a gente e as pessoas conhecem-me a mim. Às vezes encontro o Jacinto da cortiça, o Herlander Estrela da Pensão Montlander, o Joreca e outros moços do nosso tempo. A cidade é simpática, dispõe de Biblioteca Municipal, com possibilidade de utilização de livros, informática. e outros.

A vida, em geral?

Vai bem, obrigado. Eu e o Rogério estamos aposentados. Somos um casal amigo. A vida, num certo sentido, exige de nós e teremos de nos entender com ela.. Poderá haver atropelos entre o casal, ou até mesmo com terceiros, mas até agora temos sabido resolver os assuntos que a nós dizem respeito. A vida é para ser vivida com amor. Entendamos amor aqui como sucedâneo da palavra respeito. Esta, é uma palavra, que tem cabimento em todo o lado. Na nossa vida profissional, na política, nas relações de trabalho, na estrada quando vamos a conduzir, é fundamental que haja respeito, o que , aliás, é uma coisa simples. Respeita é estar de acordo com a lei, e submetermo-nos às norma s emanadas pelas autoridades. Num certo sentido e visto por um certo prisma a vida é fácil de levar a bom porto.

Os domingos e feriados como hoje?

São como vês, passados em família, nós mais o Smart. Nesses dias saímos de casa, vamos dar uma volta, arejar, como se diz por aqui, se encontramos amigos conversamos um pouco, desenferrujamos, porque, com o sabes, nós precisamos de conviver, trocar ideias sobre as coisas da vida, do mundo em geral, precisamos inclusivamente de ouvir os outros, precisamos de participar, de partilhar, de ser solidários, precisamos de lutar por uma sociedade melhor, precisamos de acompanhar os nossos netos na escolha do caminho profissional, de lhes incutir hábitos saudáveis de comportamento no âmbito social, precisamos de estar atentos ao que se passa na nossa freguesia e Município e, inclusivamente participar em reuniões decisórias de carácter geral e outras .....

Muito bem. Queres deixar alguma mensagem especial para o nosso blogue?

Gostava que os colegas participassem mais, que contassem uma história para publicação, que dessem ideias, em suma que nos ajudassem porque o blogue é um espaço importante para união do nosso espírito costeleta. E gostava que lá aparecessem todos os cursos desde os anos quarenta até agora. E que investissem no espírito costeleta, conhecendo os feitos de muitos bons alunos que a Escola teve, porque felizmente a Escola não é só Aníbal, mas também Brito Afonso, Herlander Estrela, João Vitorino Bica e muitos outros...

Gostei .E despedimo-nos.

Texto de
João Brito Sousa

TEMA PARA DEBATE


VALEM MAIS AS VIDAS DO QUE OS LIVROS
Agostinho da Silva.

Defende Cleantes a opinião de que em nada nos interessam as ideias dos homens e que acima de tudo devemos pôr o seu carácter, a honestidade e a firmeza, a independência e a lisura do seu procedimento. Se de política tratamos, Cleantes, que, por definição, é honesto, sentir-se-á muito bem representado ou muito bem governado não por aquele que, incluindo nos seus programas de eleição ou nas suas declarações ideias que perfeitamente se harmonizam com as dele, depois aparece apenas como um membro de toda a raça infinita dos que sobem por fora, mas por aquele que, tendo-o porventura irritado com a sua maneira de pensar, em seguida vem habitar a ilha minúscula dos que sobem por dentro.

Se de dois candidatos que se apresentam, um está no partido contrário ao nosso mas é um honesto, seguro cidadão, e o outro se proclama correligionário, mas nos deixa dúvidas sobre a integridade moral, diz Cleantes que ninguém deve hesitar: o nosso voto deve ir para o que dá garantias de uma fiscalização séria dos negócios e não deixará que se maltrate a Justiça.

Sobretudo se formos moralistas, isto é, se acreditarmos que o mundo se salvará pela moral; e, como cumpre a moralistas, se quisermos que o mundo se salve pela moral.

MEU COMENTÁRIO

Em termos de campesinato dizia-se que “mais vale o corrido que o lido”. Em termos de conhecer as diversas soluções da vida, concordo que será mais válido o corrido, ou a vida vivida, do que as experiências passadas a escrito a favor de terceiros.

Mas é preciso deixar aos vindouros as nossas experiências vividas e nesse sentido teremos de as deixar escritas E isto também vale..

Quanto ao candidato honesto e ao outro que deixa dúvidas, concordo que não haverá dúvidas. Escolheremos o homem honesto. Mas é uma matéria difícil.. e ainda não acertamos o passo.

E isso é bem visível.

Texto de
João Brito Sousa

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


JOSÉ MANUEL SERÔDIO

COSTELETA de fato azul escuro e camisola de gola alta, branca, no Inverno
Licenciado em Contabilidade pelo ISCAL, onde colaborou na feitura das INSTITUTAS, versos que ridicularizavam os professores. Ao professor de Cálculo Financeiro, que tinha a alcunha de menos dois, parece-me que foi ele fez ele estes versos.

Assim,

Meu caro Prof Gonçalves Pereira
Como tu não tive mais nenhum
Não sei qual vai ser a maneira
Hás-de passar de menos dois a menos um...

Professor de Contabilidade na Escola Comercial e Industrial de SILVES
Empresário na área da prestação de serviços em ALBUFEIRA

Um grande homem e um grande amigo.

Para o "Zé Manel Charrinho" aí vão as saudações costeletas.
Texto de
JOÃO BRITO SOUSA

CONTADO POR UM COSTELETA


O nosso bom amigo ALFREDO PEDRO, tem uma fotografia tirada em GUERREIRO DE RIOS fazendo o pino sobre o dorsal de um burro.

Do outro lado vê-se a Espanha, diz o ALFREDO

Aí lhe mando uma foto de um burro

Falta o pino.

ALFREDO, diz a verdade...
Anda fazias no burro o pino
Com essa tua idade
Como o fizeste em menino?...

Com todo o respeito do mundo, aí vai um abraço para um grande amigo.

Levanto o copo e brindo à saúde do casal.

Saudações Costeletas
Teu amigo
João Brito Sousa

sexta-feira, 25 de abril de 2008

À CONVERSA COM



ALFREDO PEDRO


Saí do Hotel Eva, na perspectiva de encontrar o Marreco engraxador, que me engraxava os sapatos naqueles tempos dos anos 50 por 3 escudos, o que na conversão actual daria aí 1,5 € . Mas qual quê, mal saí do Hotel encontrei o Chupa, então, o que é fazes por aqui, ainda jogas Hóquei em Campo aqui no Largo, que é feito do João Bico, do Quicas, do guarda redes Eduardo, do Zac... dessa malta?... O Chupa não estava aí, não sabia de nada.

Já passava do meio dia, o Marreco já teria dado à sola. Resta-me, pensei, procurar o Acarreta Pauzinhos, o Manuel Ali Bá Bá, o Almirante Fateixa, o Chico Arpanço, O Charlot, o Bacoco carvoeiro, o Bananeiro ambulante e ... o Teca.

Comecei a andar em direcção ao Aliança, enganei-me e, quando dei por mim, estava em frente ao café Batata, a seguir à Tabacaria Dinarte. Os montanheiros que costumavam estar no Batata ainda não tinham chegado e disse cá para mim, vou mas é almoçar à dos DOIS IRMÃOS, é barato, um bife 5 paus.

Estava a passar em frente da barbearia Teodoro quando me aparece saindo do TABU, onde tinha lá ido comprar uma gravata, o costeleta ALFREDO PEDRO. E disse cá para mim, vou mas é ficar com este, este é bom para a palheta.

O ALFREDO PEDRO é amigo de curta data, mas é um homem extraordinário, um amigo, daqueles que ponho as mãos no fogo por ele. Só precisamos de um OLD PARR.

ALFREDO, anda daí. Vamos almoçar. E a entrevista começou logo ali.

Sabes quem encontrei ontem aqui?

Não, disse o Alfredo

O Mário Zambujal.

É pá, há tanto tempo que eu não vejo esse “gajo” e tanto que gostava de o ver. O Mário era o maior. O tipo fazia umas redacções maravilhosas, fazia versos, sempre teve grande jeito para a escrita. O Mário é um bom amigo. Não o vejo à tanto tempo, nem o Franklin, nem o Xico Zambujal, nem o Zé António da Luz, nem os Molarinhos, nem o Zé Clérigo, nem o Zé Félix, não vejo ninguém dessa malta, o Alfredo Cantas Lopes,o António Júdice, o Eduardo Neves, o Jaime Matoso, o José Afonso, o José Dias Lucas, o José Eusébio, o Manoel Inocêncio, o Orlando Seita, o Rogério Neves, o Sérgio Godinho, o Valério Quintas.. eu sei lá...

Querias vê-os todos Alfredo, não era?

Sim... era porreiro.

Quando morreres logo vais estar com eles. Olha, vamos almoçar aqui nos Dois Irmãos. naquela mesa, ok. Então, em Faro a fazer o quê?...

Vim a Faro, nasci aqui, vim ver a cidade. Olha, encontrei no Aliança o Rosa Nunes, lembras-te dele? Ele era o mais ecléctico praticante de desporto de FARO desse tempo. Em futebol, foi dos melhores jogadores do Farense, tendo igualmente representado o Portimonense em época de maré alta desse clube. Foi na época de1948/49 em que, na fase final de apuramento para subida à primeira Divisão Nacional, o Portimonense, parece-me, foi espoliado duma subida automática.

E do Grilo, lembras-te?

Esse, era um excepcional jogador de futebol que jogava descalço e quando foi treinar ao Farense, não conseguia calçar as botas e não ficou. Organizava jogos o dia inteiro com a miudagem da zona onde tinha o quartel-general, que era o Largo Silva Porto, mais conhecido por Alto da CAGANITA. Era vê-lo a toda a hora sair dali a caminho do Espaldão, que era “estádio" mais amplo, com o inseparável boné enfiado até às orelhas e uma bola debaixo do braço, seguido por uma chusma de putos com quem se dava de igual para igual, mesmo quando já contava as suas boas dezenas de anos bem contadas.

Alfredo, o que é para ti a saudade?

Saudade, são as recordações boas da vida, o primeiro beijo a sós, a primeira tampa no baile do Grémio, a primeira vez que senti o que era ter um amigo, os cuidados e preocupações da minha mãe, as primeiras correadas que levei do meu Pai, a primeira cerveja, o primeiro cigarro, o primeiro emprego, o primeiro ordenado, a primeira ida aos Açores... o primeiro OLD PARR, o primeiro relógio, o meu primeiro filho... a primeira vez que te vi, as primeiras coisas da minha vida constituem saudade.

O que é um amigo?

É aquele que não falha. É o que está sempre disponível e que me conhece melhor a mim do que eu me conheço a mim próprio. É o que lê as minhas necessidades no meu olhar. É o que sabe que eu preciso dele. É o que vai tomar um café comigo mesmo quando não lhe apetece. É o que sabe quais as conversas que eu gosto, sabe os filmes que eu gosto, as peças de teatro que eu gosto. Em suma, ser amigo, é aquele que sempre confiou em mim e eu confiei nele.

Pai, Professor e Amigo são iguais.?

Têm uma coisa em comum; todos nos querem bem por igual. Pai e Professor cabem no mesmo palco. O amigo está noutro e só. Porque é outro departamento. O amigo é para todas as ocasiões enquanto o PAI entra em quase todas as ocasiões. A primeira noite que fui a uma boite não fui com o meu Pai; fui com o amigo. O pai e o amigo são ambos diferentes. Ao Pai diz-se algumas coisas.. Ao amigo diz-se tudo. Do professor, apenas recebemos ensinamentos no sentido de nos tornar melhores seres humanos e de nos preparar para a vida.

Vale a pena viver?

Sim, a vida é para se viver. Não tem alternativa nem saída. É olhar em frente.

Recorda uma pessoa que tenhas admirado?

O Dr. Urbano, professor de Contabilidade que me ajudou a entrar para o BNU

Que tal aí?

Foi o meu local de trabalho durante mais de trinta e tal anos...

Vai um OLD PARR?

Contigo, sempre.

E despedimo-nos.

Texto de
João brito Sousa

TEMA PARA DEBATE ENTRE COSTELETAS


QUANTO MAIS SE AMA MAIS FRACO SE É!...

Nas relações amorosas o único sentimento que não funciona é o da piedade. Quando é o caso de que se devesse manifestar, o que surge não é a piedade mas o asco ou a irritação. Eis porque em relação alguma se é tão cruel. Todos os sentimentos têm o seu contraponto. Excluída a piedade, a crueldade não o tem. Por experiência se pode saber quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso de nada vale quando se não ama quem nos ama: é- se de pedra e implacável. Decerto, tudo se pode pedir e obter.

Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas só no amor se é intolerante e cruel. Porque mostra amor a quem nos não ama rebaixa-nos a um nível de degradação. E a degradação só nos dá lástima e repulsa. A única possibilidade de se ser amado por quem nos não ama é parecer que se não ama. Então não se desce e assim o outro não sobe. E então, porque não sobe, ele tem menos apreço por si, ou seja, mais apreço pelo amante. O jogo do amor é um jogo de forças.

Quanto mais se ama mais fraco se é. E em todas as situações a compaixão tem um limite. Abaixo de um certo grau a compaixão acaba e a repugnância começa. Assim, quanto mais se ama mais se baixa na escala para quem ao amor não corresponde.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 3'

MEU COMENTÁRIO.

Penso que Vergílio Ferreira complica as coisas, torce-as, enrola-as. Conheço alguma coisa da sua obra e da sua escrita e concluo que VF é um autor que, não sendo filósofo, pretende escrever como filósofo.

Cada um de nós tem uma noção do que é ser amado e do que é amar. O problema do amor é a intensidade dele, porque é difícil haver entre dois a mesma intensidade de amor.. .

Dizer que “Quanto mais se ama mais fraco se é..” é proferir uma banalidade e, ao mesmo tempo, estamos a ter uma atitude contrária à que o escritor deve assumir, porquanto se está a ter uma atitude de desvalorização do homem.

O escritor deverá contribuir para formar o carácter do homem e não colocá-lo numa situação de dúvidas....

A questão que estamos a abordar aqui não pertence à literatura mas sim à sexologia .

Dizer que quanto mais se ama mais fraco se é, é um bocado absurdo, pois amar-se cada vez mais sem a respectiva correspondência é um pouco ilógico.

Publicação de
João Brito SOUSA

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


MÁRIO COELHO PROENÇA LEONARDO

Natural de Olhão, frequentou a Escola Comercial e Industrial de Faro e fez aí os seus estudos
Bancário no BPA onde chegou à Gerência e trabalhou com os costeletas Zé Marcelino, Aníbal Pereira e outros..
Foi aluno do Dr. ZECA AFONSO de quem era amigo..
Colega de turma do Bartolo, do Zé Maganão e de outros.
Jornalista no jornal O OLHANENSE de Olhão.
O Mário é um bom amigo.

TEXTO DE
João Brito Sousa

DO CANADÁ PARA OS COSTELETAS


Do RUI COIMBRA, a residir no Canadá, recebi este mail que não resisto a publicar aqui. Ei-lo:

“Um abraco do Canada para o Sr Brito
em primeiro quero pedir desculpa pelos erros que vou ter..Sr brito depois de agosto 2007 tenho visto nos [blogues] dos costeletas ou abracos aos braciais que eu conheco muitas pessoas que voce por vezes fala ...com por exeplo o Sr Silvino Marmota da Mocidade portuguesa em faro ,,.pois eu tambem frequentava a Mocidade portuguesa

nesse tempo ......pois o Sr marmota e meu padrinho do baptismo e a esposa minha madrinha e que sao bem vivos hoje ,,pois moram em faro...pois nao sou [bife nem costeleta] mas estive empregado nos anos 57 a 63 primeiro na mercearia que estava no largo do mercado em faro ,,lado nascente ,,.nessa mercearia estive 4 anos depois fui

para a mercearia do barao no largo da palmeira......pois ao fazer a escola primaria tive a sorte de ter uma GRADE professora na 4 classe que se chamava Natercia Pires Correia ,,,mais ainda,, foi a Dona natercia que pedio ao dono da mercearia trabalho

para mim....conheci bem a Dona natercia como a mae e os avos que moravam no patacao ,,,estive muitas vezes na casa da Dona natercia ...morava na rua actor nascimento fernandes No ,,10 isto foi em 1957 tinha eu 12 anos,,,,,,,claro que conheci o professor Zambujal tambem o mario que trabalhava em frente da mercearia onde eu estava......nessa altura conheci o horacio santos seu irmao como os pais

tambem,,pois moravam a 50 metros do mercado de faro ,entre o mercado e a estrada de olhao a partir da farmacia,,,,,,,meu nome e rui coimbra [tio do victor] sou de mata-lobos andei na escola em Sao-joao-da venda e foi la que a Dona natercia foi minha professora,,,.com certeza que nos anos entre 57 e 63 estariamos juntos varias vezes,,,,porque eu tambem conhecia a Graciete passos;;;;e todas as tabernas do

patacao, incluindo a do Ze manelinho,,........fui para a franca em 63 onde estive dez anos ,estou no canada desde 73 ,hoje reformado estou aprendendo qualquer coisa no computador...vai devagar,,mas vai,,,,,,,sem mais um abraco,,,,,,,,,,rui

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

quinta-feira, 24 de abril de 2008

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


HERLANDER DOS SANTOS ESTRELA
Licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras ao Quelhas.
Foi um bom aluno e fez o curso com boas notas
Após a licenciatura ingressou no Gabinete de Estudos do Banco Totta & Açores tendo feito toda a carreira profissional na Banca Comercial e chegou a Administrador do BANCO DE PORTUGAL.
Foi Secretário de Estado das Finanças num Governo PS.
Foi um atleta multidisciplinar e correu o Primeiro Passo em Lisboa, prova organizada pelo Mundo Desportivo de há cinquenta anos.
É irmão do costeleta Montarcílio Estrela. e é um grande amigo e um homem de uma grande dimensão humana.
É um grande amigo.

Texto de
J. Brito SOUSA

A ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE FARO



È a minha grande referência.

A minha estadia na Escola (1953/61), sita paredes meias com a Alameda João de Deus, foi precisamente à João de Deus, que em Coimbra., levou dez anos a tirar um curso, cujo duração efectiva era apenas de cinco.

Falar da Escola Comercial e Industrial é falar de grande parte da minha vida, ou de quase toda.

A Esco la Comercial e Industrial é uma saudade.

Começar por onde?

Por relembrar aquela jogada genial do João Cuco, que num jogo treino de andebol, no átrio da Escola, quando o professor de ginástica apitou para iniciar o treino, o João fez este trabalho maravilhoso: agachou-se, apanhou a bola com a mão esquerda, prendeu-a à mão, levantou o tronco, ensaiou o movimento para trás do braço esquerdo com a bola segura e atirou a bola para Alameda João de Deus.

Mais harmonioso movimento de braço e tronco nunca foi visto em lugar nenhum do Universo..

De tal forma que o jogo treino acabou logo ali. Mais beleza para quê?


Ou começar por referenciar, aquela defesa que eu fiz no campeonato inter turmas de andebol, estava eu no 2º quarta do Curso Geral de Comércio, era o keeper e defrontámos a equipa do Vicente, da Industria, parece-me, um que diziam namorava a Lita e era jogador da equipa representativa da Escola nos campeonatos da Mocidade Portuguesa.

Às tantas o Vicente entra na área com a bola controlada e, em salto no ar, mandou a bola de raiva (estávamos zero a zero) para o meu lado direito, próximo do poste, a bater um palmo antes do risco de baliza (os entendidos sabem que é jogada fatal) e eu, keeper anónimo, desconhecido no mundo inteiro, em voo decidido, qual falcão a cortar os ares, evitei que a bola entrasse na baliza.

Simplesmente genial.

Ou começar por referir as cenas de porrada que havia no recreio entre o Nogueira e o Zé Filipe de Olhão, entre o Reinaldo Neto de Estoi e o Zé Pedro Soares da Fuzeta, entre mim e o Rodrigues de Olhão, entre o Alfredo Teixeira e o Guy... ambos de Albufeira, o Ferro e o Salsinha...e outros...

Que lutas entre moços!.....

A Escola no meu tempo também era isto.

Aliás quem tiver dúvidas acerca do que acabo de dizer, é ler o Dr. Daniel Sampaio em “Voltei à Escola”, onde o professor fala de muitas coisas comuns e do Dr. Raimundo, o professor de Geografia a quem a malta chamava o Ratimundo.

Alcunhas aos professores, sim, também fizemos isso, obrigado.

Ao Dr. Rebelo da Silva, de Inglês alcunhamo-lo de ”O Fonética”, pois dizia ele que Inglês só a partir da fonética. Hoje. à distância, direi que era um homem sem qualquer aptência para lidar com jovens rebeldes.

Aliás foi na aula dele, que o Macedo e o Edménio levaram a pistola de plástico, numa brincadeira de ameaça de morte, que deu brado na Escola..

Mais coisas:

Na aula do Dr. Cruz, aula mista de inglês, a lição era Correios e selos de correio, que se colocavam no canto superior direito do envelope... a malta lia ... I put the stamp in the corner…. e o Cruz corrigia…I put the stamp in the cóna,.. não dava mesmo.. risada de morte...

Quando eu dei um track na aula de Física, e ... fazendo-me de espantado... olhei para trás e o Zé Lúcio Beatriz Dias foi para a rua

Quando na aula do Zè Uva, um aluno deixou cair a caneta, e o prof.. disse: você aí, abaixe-se, apanhe a caneta, em frente marche, esquerda volver, alto, abra a janela, estique o braço, abra a mão...
.
Ou quando o Zé Vitorino se dirigia ao Dr. Passos e perguntava-lhe: senhor Doutor, esta palavra lê-se tomorrow ou tomórrow?...

Ou quando o Daniel de Almancil chamou de atletista afanado ao Firmino Cabrita por ter feito o quarto lugar numa prova de atletismo, no Liceu contra o campeão daquele tempo, o Negrão Belo..

Tanta coisa....

João Brito Sousa

OS VENDEDORES E OS COSTELETAS


Os vendedores ambulantes que se instalavam perto da Escola para procederem ao seu negócio, era o Ruço ou Manel dos Bigodes que vendia gelados no Verão e alcagoitas no Inverno O Manel era do FARENSE e doido pela equipa que em termos de Farense /Olhanense ou vice versa, na segunda feira seguinte ao jogo, lá íamos ouvir as histórias contadas pelo Manel sobre as pedradas havidas no campo.
Havia a velhota dos bolos que vendia os pastéis de nata e os bau-baus. De OLHÃO vinha um tipo vender ratos em caramelos e havia ainda o Coelhinho que vendia todo o tipo de guloseimas incluindo os sorvetes.

Texto de
João Brito Sousa

A CASA DOS COSTELETAS


Ou A CASA DA MOCIDADE PORTUGUESA.

A Casa da Mocidade Portuguesa ficava situada mais ou menos ali próximo da Pontinha. Era aí que se distraía a juventude escolar, jogando a laranjinha, o bilhar, o ping -pong e os bonecos. E também aí se desperdiçava muito tempo, inutilmente, e se chumbavam muitos anos.

O Encarregado de manter a ordem na loja era o Sr. Galhoz, que já fazia parte da mobília.. Quem se encostasse à mesa do bilhar já sabia que iria ouvir o grito de ordem do Galhoz, «Desarrima do bilhar» .

Mais tarde como coadjutor veio o senhor Marmota e então outro grito surgiu. Quando íamos jogar os matraquilhos e não estávamos autorizados a introduzir as moedas, para evitar eventuais avarias ou pequenas batotas financeiras éramos nós que gritávamos «Sr.Marmeta, mota!» em vez de «Sr. Marmota, meta »

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

quarta-feira, 23 de abril de 2008

25 DE ABRIL SEMPRE










Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola vila morena
Terra da fraternidade

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


Grândola, vila morena foi composta como homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde no dia 17 de Maio de 1964, José Afonso fez uma actuação. É nessa actuação que o cantor conhece o guitarrista Carlos Paredes, ficando impressionado com "o que esse bicho faz da guitarra!" (expressão do próprio José Afonso numa carta aos pais).

José Afonso fica também impressionado com a colectividade: um "local obscuro, quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca com claros objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma grande consciência e maturidade políticas".

Esta canção tornar-se-á famosa ao ser escolhida como senha para a revolução do 25 de Abril Houve duas senhas. A primeira, às 23h, foi a música "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho. Grândola, que foi a segunda, passou no programa "Limite" da Rádio Renascença às 0.20h do dia 25. Foi o sinal para o arranque das tropas mais afastadas de Lisboa e a confirmação de que a revolução ganhava terreno.

Recolha de
João Brito SOUSA

À CONVERSA COM O COSTELETA


MÁRIO ZAMBUJAL

Ainda estou por FARO e gostava de continuar a estar. Faro atrai-me pelo passado doutros tempos. Recordo então aquela cena no Café Aliança, quando fui lá tomar café com o Zé dos Santos, um homem da minha terra de quem sou muito amigo desde as futeboladas no campo dos matos e tojos, onde o Zé jogava descalço.
Entrámos, sentámo-nos e esperámos...
E o empregado nada...
Até que o Zé se chateou, olhou e gritou..... Éih, ó manzurro .,. então como é..

Lembrei-me dos engraxadores, fardados a cotim azul, um comportamento exemplar baseado em pouca conversa e trabalho à altura.

E fui até lá.
Sentei-me e não precisei de chamar manzurro ao empregado. Fui atendido normalmente. Tomei o café e estava aparentemente livre. Olhei em redor na vaga perspectiva de ver por ali o Vieira Calado do Liceu, a Ana Bela Buissel, o Helder Amaro, o Aleixo, o Jaime Reis ou o Guta da Escola. Nada....

Eis senão quando passa o MÁRIO ZAMBUJAL.. Foram duas horas de conversa que deu nisto.

Mário, em Faro a fazer o quê?

A matar saudades, claro. Como diz o Sérgio Godinho, de matar não gosto muito saudades é diferente. Sabes, fiz aqui os estudo secundários, os meus pais e irmãos viveram aqui, foi aqui o meu primeiro posto de trabalho, a minha infância foi aqui, a minha juventude idem e tenho cá grandes amigos. Venho muitas vezes a Faro, vagueio pela cidade e recordo. É um bom exercício, sabes.

E o que é que te lembras dos teus tempos passados aqui?

Recordo de jogar à deserta com os outros no começo da noite. Era um jogo praticado entre dois grupos de rapazes em que os de um grupo tentavam apanhar todos os do outro. Íamos à Rua de Loulé ver o Pai do Sidónio trabalhar na arte de abegão, pois a sua actividade era construir carros de mula e arados. Eu adorava ver o manejo da plaina pelos operários. Às vezes íamos chatear a cabeça ao Acarreta Pauzinhos, que era uma espécie de adjunto para toda a obra de uma das adegas do Largo da Palmeira.. e tanta coisa....

Quem era a malta do teu tempo.

Eu era do célebre 2º ano 4ª turma, portanto era companheiro do Franklin, do Zé António da Luz, do Clérigo do Passo, dos irmãos Molarinho, do meu irmão Xico, do João Manjua Leal, do Casimiro de Brito e de outros mais. ...

Como é que foi a tua oral a inglês com Mr. Passos?

Foi uma cena cómica. Eu embirrava com o Inglês e tinha sido admitido à oral a Inglês com o Dr. Passos. Eu andava por ali a dar as últimas numa lição que eu sabia mais ou menos, quando me aparece o Professor, que ao ver –me naquela aflição, disse-me, então Mário, qual é o problema? E eu, não sei como, ainda arranjei força suficiente para dizer ao Prof...ó Stor, veja bem a minha sorte, gosto tanto desta lição que gostava imenso que ela me saísse. Mas será lá possível?... E o prof sorrindo seguiu para a sala de exames. Depois começaram as orais e às tantas fui chamado e diz o Dr. Passos, ora senhor Mário, abra lá o seu livro na página 85. E Assim me safei..

E despedimo-nos.

Texto de
João Brito Sousa

UMA GRANDE COSTELETA


RECONHECIMENTO A UMA COSTELETA

O Chefe de Redacção do jornal “O OLHANENSE”, senhor Plácido do Carmo, na página 6 do referido jornal, dedica uma coluna com o título LIVROS & AUTORES, Os Bons Livros, Nossos Amigos à costeleta MARIA JOSÉ FRAQUEZA, aliás colaboradora do JORNAL, pelo facto de ter sido presenteado pela colaboradora e costeleta, com três generosas obras, “Antológica Primazia”, Maria José Fraqueza – Moura Algarvia”E “Lendas Algarvias”
Sobre a autora diz Plácido do Carmo,

Maria José Viegas Conceição Fraqueza, escreve seus poemas desde criança. Cresceu no meio de poetas e cantadores (seus avós), nos quais cultivou a arte de fazer versos e de cantar também. Nunca pensou em editar um livro, todavia começou a participar numa rádio local e daí o aparecimento do seu primeiro livro. Histórias da Minha Terra.

Agora, através da net, é uma grande emoção partilhar com poetas de todo o mundo e, através destes, colher o incentivo para prosseguir mediante os seus comentários

Saiba mais sobre a autora visitando a sua página (http://www.mariajosefraqueza.autoreseleitores.com/)

Pela sua dedicação à literatura, o blogue oscosteletas.blogspot.com, deseja à costeleta e colega MARIA JOSÉ FRAQUEZA as maiores felicidades..

Recolha e texto de
João brito Sousa

POR SUGESTÃO DE UM COSTELETA











LITERATURA

MST, EU e RAUL BRANDÃO

NÃO TE DEIXAREI MORRER, DAVID CROCKETT
De Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares, é um extraordinário contador de histórias e um escritor dum enorme gabarito e profundidade. E é maravilhoso na pequena crónica, como vem na página 122 do David Crockett, que passo a transcrever por ser lindo...

“De casa até à escola eram quatro quilómetros, feitos a pé, ocasionalmente de carro de bois. No Inverno, os caminhos da Serra estavam gelados e até eu, que era talvez o único dos alunos que não ia para a escola descalço, quase não sentia os pés.
Eu era o aluno «rico», entre cinquenta alunos verdadeiramente pobres naquela escola modelo- standard Estado Novo, perdida na Serra do Marão a poucos quilómetros de uma aldeia que jamais saiu em mapa algum...

(Favor ler o resto...)

Os montanheiros como eu também sofreram na carne as agruras do inverno e estamos aí.... Como se pode ver neste meu pequeno escrito.

AS “VENDAS” DOS BRACIAIS
Crónica de João Brito Sousa

- A Taberna? Trata de quê?, de vinho, de bêbados?
- Não. Trata da vida, da vida de pessoas infelizes.
- Faz chorar?
- Faz pensar.
- Pensar?
- Sim, a Taberna é um livro que ensina.

Baptista-Bastos em o Cavalo a Tinta da China.

No meu tempo de menino, nos Braciais havia a venda do Ti Zé Manelinho, apenas. Nasci com aquele nome em casa e sem saber por que é que aquele local de comércio era denominado de “A VENDA”. Hoje até perguntei à minha mulher como eram chamados, na sua terra de origem, os locais de venda de bens alimentares, líquidos e sólidos, necessários para satisfação de necessidades correntes. “É a Venda.” disse ela. Concluí que talvez a palavra “Venda” viesse substituir a expressão local de venda, o local onde se vendiam os bens. Para simplificar, ficou venda... tudo bem! Consultado o dicionário, diz que Venda é o estabelecimento humilde, aberto por negros libertos da escravidão; ou pequena mercearia e bar; ou só mercearia. Está explicado.

Estávamos nos anos cinquenta, no tempo do Presidente CARMONA, aquele que dizia: “Vemo-nos quando nos virmos”, e as pessoas viviam com muitas dificuldades. No Inverno, quando chovia, praticamente não havia trabalho nos campos. No Verão, desciam ainda os alentejanos para perto da cidade de Faro e os recursos financeiros disponíveis das populações do campo eram praticamente os mesmos ou quase nulos. Fosse no Inverno ou no Verão, a minha mãe mandava-me à Venda buscar pão ou outra coisa qualquer, mas não levava dinheiro... porque, simplesmente, a minha mãe não o tinha e dizia-me: “João, diz à vizinha que aponte!” E lá ia eu às compras, trazia a mercadoria e, quanto a pagamento... ia para o livro.

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A Venda... apesar de tudo, uma saudade! Patrão, vai um copo?!...

João Brito Sousa

E agora este extraordinário naco de prosa de Raul Brandão retirado do texto ' Se Tivesse de Recomeçar a Vida '

“UM SENTIDO PARA A VIDA...”

“Valeu-me a pena viver? Fui feliz, fui feliz no meu canto, longe da papelada ignóbil. Muitas vezes desejei, confesso-o, a agitação dos traficantes e os seus automóveis, dos políticos e a sua balbúrdia - mas logo me refugiava no meu buraco a sonhar. Agora vou morrer - e eles vão morrer.

A diferença é que eles levam um caixão mais rico, mas eu talvez me aproxime mais de Deus. O que invejei - o que invejo profundamente são os que podem ainda trabalhar por muitos anos; são os que começam agora uma longa obra e têm diante de si muito tempo para a concluir. Invejo os que se deitam cismando nos seus livros e se levantam pensando com obstinação nos seus livros. Não é o gozo que eu invejo (não dou um passo para o gozo) - é o pedreiro que passa por aqui logo de manhã com o pico às costas, assobiando baixinho, e já absorto no trabalho da pedra.

Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo, busco-a com ânsia.

A literatura é o doce da vida, diz Baptista-Bastos, será?:..

Recolha de
João Brito Sousa

OS INDUSTRIAS DA CIDADE E OS COSTELETAS


É INTERESSANTE,


abordar aqui grandes homens da cidade que de uma maneira ou de outra tiveram que ver com os costeletas.

O industrial José Viegas Jacinto era pai do Engº. José Jacinto (bife), ex-administrador dos SMAde Faro.

O industrial João Manuel Viegas (irmão do José Viegas Jacinto) era pai do João Viegas Jacinto, costeleta e que vive em Lagos.

O industrial José Barbara, era pai do José Barbara, e sogro da Drª. Florinda, professora de contabilidade.

Os industriais e irmãos Louro, eram respectivamente pai e tio, do Engº. Bento Louro que foi Presidente da Camara Municipal do Barreiro.
etc etc.

Repara na quantidade de industriais...até os comerciantes de frutos secos, eram na grande maioria industriais, uns no fabrico de rações para gado, com suporte na alfarroba e não só, outros com lagares de produção de azeite, outros na fabricação de produtos a partir da palma, importada do norte de África, e descarregada na hoje denominada "marina de Faro", ex-doca.

Enfim, uma panóplia de actividades que desapareceram, mas que beneficiaram os costeletas desse tempo, oferecendo-lhe um posto de trabalho.


MEU COMENTÁRIO

Penso que o mundo mudou e para pior. Já não há destes industriais que fizeram escola. Por isso, considero que este texto do Jorge Tavares tem toda a validade para estar aqui, uma vez que retrata a FARO de outros tempos, que todos nós conhecemos e amamos.

PUBLICAÇÃO de
João Brito Sousa.