domingo, 31 de outubro de 2010

Hoje 31 de Outubro

HALLOWEN - DIA DAS  BRUXAS


Tenham cuidado com os bruxedos
Principalmente à noite...!
RC.

PARABÉNS A VOCÊ
NOVEMBRO ANIVERSÁRIOS de associados Costeletas
02 - Maria dos Anjos Leocádia Campina Pacheco.. 03 - José Manuel Cruz Libório. 04 – Maria Jovina Reis Carromba. 06 - Alfredo Pedro; Maria Pires Dias Sustelo. 07 - Carlos Alberto Trindade Madeira Gomes. 08 – Francisco Gago da Assunção. 09 - Teófilo José Carapeto Dias; Maria Isabel Martins Neves Gonçalves; Olívio Cabrita Adrião; Aníbal Salvador Costa Rosado. 10 - Arminda Maria Simões da Costa Pequeno Lola; Maria da Natividade Malaia Barranqueiro Santos. 11 - Marta Maria Martins Oliveira. 12 - Vítor Avelino Gonçalves Palmeiro; Rogério Luís Nunes Correia; João Martinho Marcelino Santos. 13 - Rogério Rodrigues Gomes. 15 - Adalberto Jorge Martins Neto; Elidérico José Gomes Viegas. 16 – Maria Vitalina Carmo Martins; Fernando António Amaro dos San-tos. 18 - José Glória Marrocos; Olandino Zacarias Caliço. 20 - José Félix Santos Jesus. 21 - José Eduardo Sousa Maurício; Maria de Jesus Guerreiro Bispo; José João dos Santos Bico. 22 - Aníbal Jesus Ruivo; Horácio Cavaco Guerreiro. 23 – Luís Manuel Pereira Martins. 24 - Dr. António Francisco Cruz; Vitélio Casimiro Cabrita; Maria de Lourdes Marvão Zambujal Chícharo. 25 - Joaquim Sousa Almeida Lima; Francisco Catarino da Luz. 27 - Ludgero Francisco Farinha; Maria Manuela Grade Oliveira Coruche. 28 - Joaquim Custódio. 29 - António Inácio Sousa Martins; Adelaide Luzia Oliveira Rocha. 30 - Francisco Lucio Jesus Gabadinho.
RC

Senhor Director do Jornal do Algarve.
Já basta de escreverem que o Costeleta Aníbal  andou no Liceu.

RC
O VELHO E A GAIVOTA (cont)
Por João Britto Sousa


E saiu apressadamente.

Vim para casa a querer arrumar as ideias mas estava a tornar-se difícil. Começava a baralhar-me com a informação recolhida, apesar de pouca, mas percebi que tinha que começar a organizar-me. Afinal tudo serve para se constituir como um grande problema, nascer por exemplo é um problema, já que encerra em si um grande risco, crescer idem, subir na vida já é outra coisa, é mais complicado e talvez encerre aqui esse grande problema desse velho meu amigo. Subir na vida, eis a questão. Como se sobe, chega-se aonde, porque se quer lá chegar, o que nos leva a pensar assim, os altos e baixos da vida, tanta coisa que pode gerar um grande problema.
Já estávamos à mesa a almoçar quando a minha neta observou.
- Avô, o dia de hoje, como foi? Aprendeste alguma coisa, discutiste com alguém, falaste com alguém, percebeste tudo o que ouviste ?
- Porque dizes isso? perguntei eu.
- Por uma questão muito simples. É que nesta altura da minha vida e da tua também, temos à nossa disposição a oportunidade única de sermos felizes. Essa oportunidade pode não existir amanhã. É hoje avô, melhor, é agora avô.
- Mas estás a falar de quê Sofia? perguntei.
- Estou a falar de coisas que tu deverias saber, melhor, que te competem saber.
- Não sei, disse eu. Ensina-me minha querida.
- Não avô, terás de pensar. È tão evidente.
-Não percebes, perguntou Carol.
- Não, repeti.
- Olha, esse pode ser o grande problema do velho, adiantou Carol.
- Sim ?... talvez seja, disse eu.
E Carol abanou afirmativamente com a cabeça.
Depois do almoço descansei e tentei colocar as ideias em ordem. Concluí que estava metido numa grande alhada, isto se quisesse andar para a frente com o assunto. Mas eu sabia que queria. Recapitulei, inclusivamente a minha chegada face ao velho lá no jardim e pensei que melhor seria olhar o velho, olhos nos olhos, teria talvez uma pista. Mas o velho tinha uma característica especial; dizia apenas o que queria e quando queria, portanto era difícil arrancar-lhe alguma coisa de útil.
Tinha em mente, três áreas que deveria investir para chegar a alguma conclusão; mulheres, dinheiro e amor. Ainda tentei começar a discorrer mas sentia-me cansado. Além do mais eu não tinha experiência nenhuma neste tipo de trabalhos, mas estava a gostar de abordar o tema. Deixei de pensar nisso. Peguei no jornal que tinha à mão e vi o que se passava no País e no Mundo. Tudo péssimo. Restava-me o problema do velho. Pelo menos punha-me a pensar.

jbritosousa@sapo.pt

sábado, 30 de outubro de 2010

O VELHO E A GAIVOTA (cont)

CAPÍTULO II


II


Levei toda a semana nisto. Estava reformado, ia para onde queria, geria o tempo á minha maneira e comecei a frequentar a Biblioteca da cidade. Havia lá muitas pessoas na minha condição e jovens estudantes que tiravam apontamentos de livros completando assim os seus estudos.
Dirigi-me à zona dos jornais onde as pessoas estavam sentadas em volta de uma mesa ou em sofás e descobri que havia um lugar vago num de dois lugares só ocupado por um indivíduo que lia o jornal "Negócios" . Olhei para o senhor, que vestia bem e pensei que talvez tivesse sido Chefe de Repartição de Finanças e se fosse, teria aqui muitos problemas a explorar.
Peguei num jornal ao acaso e pedi licença ao cavalheiro para me sentar a seu lado.
- Faz favor, disse o tipo
A maneira como ele disse a expressão, pareceu-me que tinha um problema, talvez grande e aí estava eu nas minhas sete quintas, quando maior fosse o problema mais hipóteses eu tinha de acertar porque o naipe dos problemas que eu conhecia começava a alargar - se e eu ia-os ligando á conversa do velho. Ainda pensei em perguntar-lhe se estava zangado, mas vacilei, porque o homem poderia ter sido Oficial do Exército em vez de Chefe de Repartição de Finanças e poderia ser o diabo. Comecei a ler o jornal, mas aquilo não dava nada, e eu queria era saber se o meu camarada do lado tinha tido grandes desgostos ou grandes problemas, para que eu pudesse fazer a ponte com velho. Queria pegar-lhe por um lado qualquer, não sabia como, talvez perguntando-lhe as horas.
- O meu amigo tem horas que me diga, perguntei-lhe.
- Faltam dez minutos para o meio dia, disse ele. E sorriu.
- Pareço que o conheço, disse-lhe.
- Pode ser da Repartição de Finanças disse ele. Entra lá tanta gente. Qual é o bairro fiscal a que pertence? Perguntou agora.
- Eu pertenço ao nono.
- Pronto, é daí. Trabalhei na Repartição muitos anos e agora aposentei-me. Como se chama?
- Ismael Silva, às suas ordens.
- Ismael, Ismael, você tem um processo lá na repartição. Coisa pequena mas tem. Uma coisa que você não pagou.
- Mas eu paguei tudo, sempre a tempo e horas, como é possível?
- O seu nome completo é como?
- Ismael Silva Matos.
- Espere aí que eu vou ligar à Repartição.
O homem pegou no telemóvel, falou com o funcionário respectivo e depois disse:
-Tem razão, o outro, o que deve, chama-se Ismael Silva Martins. Sabe, eu tenho a mania que tenho os nomes todos na cabeça e depois falho. Peço-lhe desculpa.
-Não tem importância, disse eu. Já agora, o senhor como se chama?
- Francisco Guedes, ao seu dispor.
- Dr. Francisco Guedes, talvez, disse eu.
- Sim, sou licenciado em Direito, mas deixe lá o Dr. Não gosto muito, sabe. Sofri um bocado na vida, tive grandes problemas, a minha vida não foi fácil. Estudei sempre no curso nocturno e às vezes o dinheiro não me chegava para as despesas. E pedi emprestado. Ainda hoje sofro com isso.
- Não pagou o dinheiro que pediu emprestado' perguntei.
- È uma longa história, Falaremos disso outro dia, disse ele. Desculpe-me mas tenho de ir andando.
- Amanhã aqui às dez, sim, disse eu.
- Talvez.
E saiu apressadamente.


jbritosousa@sapo.pt
Trajes típicos de prenda e peão, em desfile na Semana Farroupilha, Porto Alegre

GAUCHOS

Denominação que nos ultimos anos tem-se expandido por diversos locais do Planeta , nomeadamente servindo o famoso Churrasco Gaucho .
O gentílico "gaúcho" foi aplicado aos habitantes da Província do Rio Grande do Sul na época do Império Brasileiro por motivos políticos, para identificá-los como beligerantes até o final da Guerra Farroupilha, sendo adotado posteriormente pelos próprios habitantes por ocasião da pacificação de Caxias, quando incorporou muitos soldados gaúchos ao Exército ao final do Confronto, sendo Osório um gaúcho que participou da Guerra do Paraguai e é patrono da arma de Cavalaria do Exército Brasileiro, quando valores culturais tomaram outro significado patriótico, os cavaleiros mouros se notabilizaram na Guerra ou Confronto com o Paraguai.
Também importante para adoção dessa imagem mítica para representação do Estado do Rio Grande do Sul é a influência do nativismo argentino, que no final do século XIX expressa a construção de um mito fundador da cultura da região.
O termo originou-se no Uruguai em 1780 em um documento de Montevideu
"que el expresado Díaz no consentirá en dicha estancia que se abriguen ningunos contrabandistas, bagamundos u ociosos que aqui se conocen por Gauchos."
(8 de agosto de 1780). Guanches ou Guanchos gentílico dos habitantes das Ilhas Canarias na fundacao de Montevideu. Gaúcho foi o Guancho fugido de Montevideu.
Quando o Rei da Espanha mandou casais de agricultores das ilhas Canárias povoarem a recém-fundada Montevidéu, eles transplantaram a palavra pela qual identificavam os habitantes autóctones das ilhas: guanches, ou guanchos. Foi esta a origem da palavra gaúcho, com pequena distorção de pronúncia: guanches ou guanchos.
Próximo ao Río Cebollatí no Uruguai, foi formada uma espécie de republiquinha fortificada gaúcha de contrabandistas canarios como uma forma de defesa das tropas de Portugal e Espanha. . m Rocha e toda a área da Lagoa Mirim e Bagé (agora no Brasil), onde os gaúchos são nascidos.
Os Gaúchos (fugidos) da fronteira Portugal - Espanha nao eram guanchos, eles eram Gaúchos descrição de pessoas de hábitos nômades, ciganos, moradores em barracas ou tendas, brancos pobres, de miscigenação moura, vinda da Espanha - fugidos que viraram índios ou índios aculturados pelas missões que não possuíam terras e vendiam sua força de trabalho a criadores de gado nas regiões de ocorrência de campos naturais do vale da Lagoa Mirim, entre os quais o pampa, planície do vale do Rio da Prata e com pequena ocorrência no oeste do estado do Rio Grande do Sul, limitada, a oeste, pela cordilheira dos Andes .
Os gaúchos apreciam mostrar-se como grandes cavaleiros e o cavalo do gaúcho, especialmente o cavalo criolo , "era tudo o que ele possuía neste mundo". Durante as guerras do Século XIX , que ocorreram na região, atualmente conhecida como cone sul , as cavalarias de todos os países eram compostas quase que inteiramente por gaúchos.
Vestimenta ou IndumentáriaA pilcha é a indumentária do "gaúcho" riograndense. O traje típico desse gaúcho inclui o seu pala (ou poncho) que é um sobretudo que pode servir de cobertor para dormir(com um corte central para enfiar a cabeça, o chamado "poncho"), um facão ou adaga (ou facón, em castelhano), um relho (ou rebenque) e as calças largas chamadas bombachas (um termo que, para os povos da América espanhola, pode ser traduzido como "calça") para facilitar a montaria, presas às suas cinturas por um tipo de cinto com diversos bolsos de couro, denominado guaiaca (ou tirador, em castelhano). O Chiripá (ou Xiripá) também é considerado um traje típico.
São complementos as botas, o chapéu de barbicacho e o lenço no pescoço.
Pode carregar boleadeiras (bolas ou boleadoras, em castelhano), uma soga (corda) de couro torcido ou trançado com duas pedras redondas amarradas em cada uma de suas extremidades e outra soga (corda) de couro atada no meio dela com uma pedra menor na extremidade (chamada de "piedra chica"), formando uma ferramenta para caça ou captura de animais com três pedras, muito utilizada nos pampas da América do Sul, e comparada ao lariat ou riata do cowboy , norte-americano
Palavras e expressões regionalistas : - o falar gaúchoO modo de falar do Rio Grande do Sul, a exemplo do de outras partes do Brasil, possui expressões próprias diferenciadas da linguagem padrão, algumas próprias de outros países do Prata ou da cultura urbana do Estado, não necessariamente fazendo parte da cultura original dos camponeses originalmente denominados "gaúchos". Porém, vale lembrar a forte influência do sotaque espanhol


Saudações Costeletas
António Encarnação

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Premiar o Mérito,
valorizar a Escola

As pessoas são a principal riqueza de uma qualquer nação; os seus talentos e competências são os principais factores críticos do crescimento económico dos países. Aumentar o capital humano nas organizações, desenvolver o talento e as competências dos indivíduos, devem ser objectivos primordiais duma sociedade moderna, que se quer mais equilibrada e justa. Segundo Gary Becker (1975), "a educação e a formação profissional são os mais importantes investimentos no capital humano". Para este autor, os novos avanços tecnológicos revestem-se de reduzido valor para os países que possuem muito poucos trabalhadores especializados que saibam como utilizá-los.

Vem isto a propósito do honroso convite da nossa Associação - que aceitei - para ser patrono do prémio atribuído ao melhor aluno da Escola Secundária Tomás Cabreira, no ano lectivo 2009/2010, que distinguiu a aluna Maria João Santos Grego Esteves. É com alegria e esperança que me associo a esta iniciativa digna de registo: alegria, desde logo pela valorização do esforço e prémio ao mérito da jovem Maria João Esteves, esperança pelo sinal dado a outros jovens, que através do estudo diligente, do trabalho esforçado, dos princípios transmitidos por uma Escola de valores poderão construir um futuro mais humanista e solidário, para as gerações vindouras.
Através do meu testemunho de vida, de uma experiência acumulada ao longo de mais

de 50 anos de actividade profissional e empresarial, do espírito de missão e de bem-fazer que sempre norteou o meu pensar e agir, estou motivado para legar à aluna Maria João Santos Grego Esteves o meu apoio pessoal no seu percurso académico e de integração na vida activa.

Actualmente, para o desenvolvimento de recursos humanos são necessárias competências técnicas, que deverão ser sólidas e permanentemente actualizadas, competências sociais, baseadas na cultura do respeito pelo outro e na ética e responsabilidade social, e competências individuais, assentes no comportamento da pessoa humana, enquanto promotora de soluções, dotada de auto-conceito positivo e criatividade, capaz de se adaptar às mudanças e imprevistos, de pensar pela sua cabeça, ter sentido crítico e capacidade de liderança e comunicação.

Para o nosso sucesso colectivo, torna-se necessário um novo paradigma na educação, uma Escola de princípios e valores, humanista, competente e exigente, capaz de suscitar vários tipos de saberes, valorizando a par do conhecimento, o aprender fazendo, o saber estar, o saber fazer, o saber agir, o saber empreender, sendo a aprendizagem ao longo da vida, mais do que retórica, um desígnio posto em prática.

A Escola moderna de oportunidades e desafios não pode ser nivelada por baixo. Antes, tem que se constituir como meio de valorização do indivíduo, com uma cultura de exigência, responsabilidade e meritocracia. Nesse contexto, é de sublinhar o trabalho desenvolvido pela Escola Secundária Tomás Cabreira, seus responsáveis, docentes e alunos que aqui se saúdam, de um modo particular a jovem distinguida Maria João Santos Grego Esteves, que constitui um estímulo para toda a comunidade da nossa Escola.

Manuel Caetano
"Prémio Melhor Aluno
da Escola Secundária
Tomás Cabreira"

Que a nossa Associação atribui todos os anos foi, do ano lectivo de 2009-2010, distinguido à aluna

MARIA JOÃO SANTOS GREGO ESTEVES

Este prémio, monetário, será entregue, como vem sendo hábito, durante o aniversário da nossa Associação, que tem sido sempre comemorado na nossa Escola no mês de Abril.
Esperamos a todo o momento receber a foto da premiada para darmos a conhecer a todos aqueles que nos visitam.
Em reunião de Direcção, fora escolhido e convidado para "PATRONO DO PRÉMIO" o associado Costeleta e Presidente da Assembleia Geral da Associação Manuel Silo da Graça Caetano, que aceitou o convite.
Noutro local damos a conhecer o texto enviado pelo Manuel Caetano com o título "Premiar o Mérito, valorizar a Escola".

A Direcção
«DAMA DE ESPADAS»
- NOVO LIVRO
DE MÁRIO ZAMBUJAL

O «costeleta» Mário Zambujal, um dos nomes mais mediáticos da literatura portuguesa contemporânea, lançou, em sessão efectuada no Cabaret Maxime, em Lisboa, um novo romance intitulado «Dama de Espadas», cuja acção se desenrola entre o Bairro da Graça, na capital, Sintra e o Brasil.
No dizer deste nosso colega, para todos nós será sempre o «Márinho» (“enfant terrible”, que o era): «Damas de Espadas conta uma história sobre pessoas, ou mais especificamente, sobre os seus sentimentos e sobre a forma como estes se repetem ao longo do tempo».
Esta obra assinala também o 300 aniversário da publicação do 1º livro de Mário Zambujal “Crónica dos Bons Malandros” (1980), que foi adaptado ao cinema pelo realizador Fernando Lopes.

João Leal
JOAQUIM TEIXEIRA,
PRESIDENTE DO
ROTARY CLUBE DE FARO

Assumiu, em luzida cerimónia realizada, no decurso de um jantar festivo, no Hotel Eva, na capital algarvia, a presidência do Comité Director do Rotary Clube de Faro, o “costeleta” e dedicado Presidente da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomaz Cabreira e Director do nosso Boletim, Joaquim Teixeira, a quem desejamos as maiores felicidades nesta sua nova missão na plena vivência do, que tem constituído a sua vivência e é lema dos rotários «Dar de si antes de pensar em si».

João Leal
O VELHO E A GAIVOTA (cont)
Por João Brito Sousa


-Talvez, disse eu.
- Não deves forçar muito a nota, vive a vida, porque nesses intervalos o sub- consciente está sempre a trabalhar. Ele não para de pensar por ti e um dia vais acordar com o assunto clarificado na tua cabeça. È quase a mesma coisa quando nos queremos lembrar do nome de uma pessoa e nada. Um dia faz-se luz, disse a minha mulher, que continuou.
Tens que ler o Dr. Joseph Murphy e talvez outros, Conon Doile e Agatha Christie, por exemplo, porque essa investigação que pretendes fazer exige treino e persistência.
Acerca de Murphy, diria que escreveu um dos primeiros e mais famosos livros acerca do trabalho da mente, o "O Poder do Subconsciente", onde afirma que existe um poder dentro de cada um de nós accionado pelo pensamento. Essa obra, ajudou milhões de pessoas a alcançarem grandes objectivos apenas mudando a maneira de pensar. Aí tens a primeira coisa a fazer; colocar o problema a resolver no ponto de mira do pensamento. Mudar a maneira de pensar, sobretudo afinar a lógica do raciocínio.
Creio que podes adicionar a isso as técnicas de Murphy, por se basearem num princípio simples e prático, que passa por transportar no que se acredita para um retrato mental, colocando-o na mente, com o canal aberto que o seu objectivo se concretize. Assim, qualquer um pode transformar em realidade aquilo em que acredita. O "O Poder do Subconsciente" é um guia para libertar o poder da mente que revela segredos para melhorar um casamento, eliminar hábitos nocivos, ganhar dinheiro e ser feliz.
Murphy defende a tese de que a mente subconsciente, ao aceitar uma ideia, começa imediatamente a pô-la em prática por meios sobrenaturais. Desta forma, para se alcançar o sucesso e o êxito é necessário unicamente conseguir -se que a mente subconsciente aceite a ideia de sucesso, êxito, saúde, tranquilidade ou a posição social que se deseja.
- Mas isso é muito difícil para mim, sou pouco rigoroso e Murphy e os outros que citaste são investigadores, têm interesse, formação e intuição para explicar esses assuntos. Vê bem, eu fui ao jardim e estava um velho sentado solitariamente e pensei: aquele está disponível para conversar. Mas verifiquei que não estava tão disponível assim. Por aqui podes ver que a minha lógica é frágil, tem pouca consistência, dá poucas garantias de fidelidade se por acaso um dia chegasse a ter uma ideia.
- Mas, se queres abordar o tema tens de treinar, estudar partindo de hipóteses, excluindo umas e aceitando outras, disse-me a minha mulher.
- Mas no teu entendimento, em que âmbito se deverá encaixar o problema? O grande problema, disse eu.
-Um grande problema, em geral, é dinheiro ou... mulheres. Se o velho tem pinta pode ser esta última coisa, disse Carol
- Bem vou pensar, disse eu


jbritosousa@sapo.pt

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

do correio electrónico

A sobrevivencia politica ou...não de Obama


O que tenho para dizer pouco ou nada valerá para muitos de nós mas, como me chamou um dia Brito de Sousa de “correspondente em Washington” vou fazer jus do titulo mas sem pretensões a tal.
Ontem a costa este dos USA adormeceram tarde. Todos queriam ver como se saíria Obama frente ao provocador. A campanha para as eleições intercalares cá da terra estão em “full swing” e não há cão nem gato que não bote discurso e nos lugares menos esperados. A meio da tarde surgiu a noticia de que Obama ( o tal do prémio Nobel da paz sem ter feito nada além de ser eleito para presidente e ter sido senador por Chicago seis meses, apoiado por uma máquina democrática bem oliada. Devo ser considerado insuspeito na minha critica porque votei nele), iria ser entrevistado em directo no “Commedy Channel” e sem rede nem pressopostos pelo Herman José de cá, o comediante e entrevistador politico John Stward. É conhecido dos portugueses porque a” SIC noticias” retransmite alguns exertos dos seu programas.
Obama foi o retrato dele mesmo por momentos. Um comonicador sem igual...qual Regan ou Kennedy . Só que , a meu ver, não esperava que Stward lhe perguntasse de chofre o que tinha ele a dizer aos que o comparavam aos politicos europeus, esbanjadores da riquesa que não têm e hipotecando com isso gerações futuras.
Ficou atabalhoado por segundos, o sorriso de orelha a orelha desapareceu,um pouco de raiva leu-se-lhe nos olhos e começou a dissertar sobre o” modelo social europeu” que segundo ele jamais seria implementado sob o seu mandato e, a certo ponto esclareceu o que diz ser seu ponto de vista e, mais ou menos disse :-“ Os politicos europeus andaram a espalhar benesses por vinte anos que levará pelo menos outros vinte a retirar para conseguir votos o que é a meu ver uma fraude politica”. Cito isto de cor.
As televisões Portuguesas a que tenho acesso,RTP e SIC, hoje pelos noticiários da manhã transmitiram pequenos espaços da entrevista mas ignoraram esta parte por completo.
Porque será? Eis a questão.
Um abraço
Diogo
MARCELINO! - ESTAMOS CONTIGO!


«Talvez esta seja a minha última crónica», escrevia há semanas, na sua habitual rubrica desportiva no prestigiado quinzenário padernense <<Á Avezinha», o nosso estimado colega e companheiro de há seis décadas, o jornalista e «costeleta» Marcelino Viegas.
Conhecido e respeitado nome do jornalismo algarvio, o sambrazense Marcelino Viegas, encontra-se à beira da cegueira total, por via de um problema diabético e, à data em que escrevemos este apontamento, di¬tado pela afectividade, pelo companheirismo e pela vivência do espírito de «ser costeleta» era já muitíssimo reduzida a sua visão.
Daqui e a par do voto sincero que sabemos ser de todos os companhei¬ros pela recuperaçãp desejada do nosso colega sambrazense Marcelino Viegas, que distribuiu os seus dotes jornalísticos por uma pleíade de tí¬tulos (A Bola, Jornal de Notícias, Jornal do Algarve, o Algarve, A A ve¬zinha, etc), distinguido com vários prémios e por várias Instituições, se lance o apelo da lavra primeira de um outro jornalista vilarrealense, o Neto Gomes, de que é preciso e com urgência apoiarmos este «costele¬ta»!
João Leal
NOS 25 ANOS DA MORTE DO DR. EMÍLIO COROA

Assinalou-se a 25 de Outubro o 25° aniversário da morte do dr. Emílio Campos Coroa, que foi, tal como seu irmão o saudoso eng. José de Campos Coros, professor da Escola Industrial e Comer¬cial de Faro (Escola Tomás Cabreira), bem como Médico Escolar da mesma.
Natural de Beja, licenciou-se em Medicina (com várias especializações - Oftalmologia, Saúde Pública, Medicina Escolar, etc) na Universidade de Coimbra, então fazendo parte, com seu irmão e esposa, a dra. Amélia Coroa, do TEUC (Teatro dos Estudantes da U¬niversidade de Coimbra), fixando-se nos finais da década de 50 do sé¬culo XX em Faro, onde faleceu em 1985.
Durante mais de duas décadas exerceu uma notável e me¬ritória acção, de que são referência, a par com uma intensa actividade profissional, o Grupo de Teatro Lethes, por onde passaram mais de 500 amadores, dos quais uma elevada percentagem «costeletas», casos do nosso Presidente e Director deste Blog, Joaquim Teixeira ou do Aurélio Madeira (1° Prémio Nacional e Arte Dramática).
Assinalando o 25° aniversário da morte do «costeleta» dr. Emilio Coroa decorreu um sarao no Teatro Leths e uma roma¬gem à sua campa no Cemitério da Esperança, em Faro ..

João Leal




O VELHO E A GAIVOTA (cont)
Por João Brito Sousa


Saí do jardim mais ou menos satisfeito comigo próprio. Tinha encontrado o velho que eu andava à procura há tanto tempo, um velho empinado e difícil de entender, autoritário, mandante, um velho que falava só quando queria, ora pausada ora aceleradamente e que não precisava de dizer muitas palavras porque a maior delas dizia com o olhar, como o fez no último sábado quando disse, cá estaremos, o resto foi fixando-me no rosto.
Que raio de velho aquele que me provocou a alma, de tal modo que agora tinha comigo um monte de questões a responder a mim próprio. Qual teria sido a vida do velho? Com aquele espírito e poder de observação, autoritário e teimoso, um velho que quando jovem deveria ter sido fresco, passava o tempo agora a olhar uma gaivota pousada num telhado para desviar o pensamento. Diz que tem um grave problema. Qual será? Trouxe o problema do velho comigo e comecei a especular. Seria uma mulher? Às vezes aí há problemas. Todavia, pensava ao mesmo tempo que estava a exigir muito de mim, porque adivinhar o que ia dentro da alma do velho era complicado. Só Sherlock Holmes, com a sua capacidade de dedução e o seu cachimbo que adorava fumar. Como estava a chegar a casa desisti da ideia. Logo pensaria.
Meti a chave à porta e logo a minha neta de doze anos veio ao meu encontro, e, depois de saltar para os meus braços, me perguntou o que é que tinha.
- O que é que tens avô ? Pareces-me intrigado, ou seja, nem satisfeito nem triste.
- Nada disso netinha querida, o teu avô está sempre forte, isso é impressão tua.
- Sabes avô, cheira-me a esturro.
- Nada disso, podes crer.
A verdade é que a minha neta tinha acertado, havia qualquer mal estar dento de mim, uma ansiedade pequenina mas que me queria transportar para o sábado seguinte para me encontrar com o velho. Mas acabei por me controlar, jantei com a família e dormi bem.
Na manhã seguinte fomos tomar café no estabelecimento próximo de casa, como sempre fazemos, principalmente aos domingos e contei a minha mulher o que havia sucedido comigo na véspera, que tinha encontrado um velho com estas características assim, assim.
- Mas isso tem uma resolução fácil. Colocas o caso em ti e vê se algum dos teus desgostos pode encaixar no grande desgosto do velho. Ora pensa lá bem, disse a minha mulher.
- Sei lá, não tenho jeito para isso, nada me ocorre. E tu, tiveste algum desgosto grande?
- Todos nós temos desgostos meu querido, uns mais outros menos, uns maiores e outros menores, mas a verdade é que a dor mora connosco Não é que nós queiramos fazer asneiras, mas fazemo-las, todos. Vou contar-te uma história que poucos sabem. O meu pai era fornecedor de materiais de construção aos empreiteiros e, na hora do pagamento, um houve que não queria pagar, quer dizer, adiava o pagamento e o meu pai precisava o dinheiro.
-E o que fez o teu Pai?
-O que fez? Deixo para tu descobrires e assim vais treinando como chegar ao grande problema do velho.
-Mas assim aumentas a minha confusão, disse eu.
-Um dia o nó desata-se e vais ver que percebes qual o grande problema do velho.
-Talvez, disse eu.



  jbritosousa@sapo.pt

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DO CORREIO ELECTRÓNICO



ARROZ DE LONGUEIRÃO

Prato tipicamente Algarvio

O longueirão, também designado por lingueirão e vulgarmente conhecido por “cabos de navalha”.
Numa crónica anterior “Maré viva”, o Costeleta Alfredo Mingau referia-se a este bivalve e, em comentário, fazia a sua explicação a ele.
O Costeleta Brito de Sousa, na sua crónica “Uma Crónica Por Semana”, “convidava” todos os Costeletas a participarem neste Blog. Gostei de ler! E aqui coloco o meu contributo.

O LONGUEIRÃO – Lingueirão – Cabos de Navalha

A habilidade de escavação deste bivalve

Embora pareça não ter força suficiente para cavar na areia, ele consegue escavar na areia compacta, com incrível velocidade. Qual é o segredo?
O longueirão movimenta o pé ao enfia-lo na areia, criando uma pequena câmara que se enche rapidamente de água e areia. Daí ele mexe o corpo para cima e para baixo enquanto abre e fecha a sua concha. Este trabalho produz uma mistura diluída pela qual ele pode escavar com facilidade. Consegue escavar cerca de 70 cm. A uma velocidade de 1 centímetro por segundo. Uma vez enterrado, é difícil paxa-lo para fora. A força necessária para o remover comparada com a força que ele usa para se enterrar é dex vezes mais eficaz do que a da melhor âncora feita pelo homem.
Engenheiros estudaram o longueirão para desenvolver o que eles chamam de a primeira àncora inteligente”. A âncora abre e fecha e se move para cima e para baixo, como um longueirão de verdade. Este protótipo de àncora “inteligente” imita a técnica de escavação do longueirão.
Será que a habilidade de escavação do longueirão surgiu por acaso, ou teve um projecto?
As formas de o apanhar foram explicadas pelo Alfredo Mingau.
Mas, o que é de facto uma realidade, é que o arroz de longueirão, da cozinha Algarvia, é uma delícia. E os turistas gostam.

Por: Montinho
Costeleta de 1941/1945

terça-feira, 26 de outubro de 2010



O VELHO E A GAIVOTA
Por João Brito Sousa


Estava um bonito da de sol de Novembro.
Lembrei-me que os velhos gostam de, nestes dias, ir sentar-se nos bancos do jardim e conversar ou jogar às cartas. Não tendo eu nada que fazer nessa tarde de sábado, meti-me ao caminho, com a preocupação de ver coisas, mesmo que fosse obrigado a olhar para o ar, assim num estilo de nariz empinado. E é curioso o que a gente descobre, caminhando devagar pelas ruas e deitando o olho aqui e acolá. Há sempre uma escultura, pequena que seja, que nós nunca vimos e já lá passamos trezentas vezes, há um batente de porta com um desenho que agora nós encontramos piada e ficamos a olhar, há uma argola onde se prendiam os animais que já lá está há cem anos e que eu nunca tinha visto. E parei para ver. E que recordações me vieram à cabeça.
Cheguei ao jardim entretanto e lá estavam eles. Vários bancos do jardim enxameados de velhos enxutos, que conversavam ruidosamente. Mas reparei que num dos bancos estava sentado apenas um cavalheiro, razoavelmente bem vestido, talvez tenha sido contínuo num Banco, sabia lá eu.
Dirigi-me a ele e dei-lhe as tradicionais boas tardes. Olá, como está o meu amigo. Boa tarde, disse eu.
O meu hipotético companheiro de tarde não respondeu logo, mas acabou por dizer.
- Estou a olhar a gaivota. Você já observou para a paciência daquela ave. Está ali imóvel naquele telhado e eu a pensar no que estará ela a pensar. E será que elas pensam? Mas, se pensam, pensam em quê ? Terão filhos desempregados, terão ido para o estrangeiro, o que é que vai naquela cabeça, afinal? Terão cabeça naquele significado clássico que nós lhe atribuímos?
Este velho está noutra, pensei. Mas tem interesse falar com ele, saber a sua experiência, o que é que fez de interessante, gostará ele ou não da vida. Mas pergunto-lhe ou não.
O velho antecipou-se e disparou: qual foi o seu maior desgosto? Teve desgostos na vida? Pois eu tive, sabe. E isso não me sai da cabeça e por isso venho para aqui e deixo de pensar nesse meu problema.
- Mas é grande?
- O quê, perguntou o velho.
- É o maior de todos, não há problema maior do que esse que eu tenho. Mas tenho fé em que vou resolvê-lo duma maneira ou doutra. Um dia saberá.
E a gaivota acabou de sair do seu posto e o velho disse: Aquela gaivota vem aqui todos os dias e eu venho ver se ela está. No dia que ela não vier é porque morreu. E é nesse dia que eu vou resolver o assunto. Um dia saberá...
Mas o senhor já pensou que um dia a gaivota vem e o senhor não.
Já pensei sim senhor, mas se for assim está o assunto resolvido.
Como assim? perguntei
Fui eu que morri.
E fica resolvido o problema. Qual é o problema?
Venha cá no próximo sábado. Pode ser que a gaivota venha também. Gostava que o senhor viesse todos os sábados até que eu ou a gaivota não venhamos.
Ou eu, disse.
No próximo sábado cá estaremos, disse o velho.
E diz-me qual é o problema que o aflige?
.
jbritosousa@sapo.pt

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DO CORREIO ELECTRÓNICO

UMA CRÓNICA POR SEMANA.
Por João Brito Sousa


Meus senhores,

É esse o meu apelo, "UMA CRÓNICA POR SEMANA" apesar de ser talvez o menos indicado para falar do assunto, mas vou fazê-lo.

A ausência dos bons colaboradores que a Escola formou é um facto, não se percebendo porquê. Este espaço que o Rogério criou, deveria merecer de todos nós um elevado grau de estima e consideração, porque aqui aprende-se a conviver. E isso é fundamental na vida de hoje. Eu tenho sentido isso e o blogue tem-me dado lições de bom comportamento. Digam o que disserem, mas mantenho a frase que coloquei em tempos, dita pelo Jorge Tavares: "este é um espaço de aprendizagem"

Se me é permitido, faria um apelo a pessoas que não conheço mas que são valores firmes do universo costeleta, como a Maria Romana a quem pedia uns considerandos sobre poesia ou um poema, uma vez por semana, ao Orlando idem, à Maria José Fraqueza idem, ao Norberto idem, ao João Leal de quinze em quinze dias umas das suas lembranças de Faro que tem tantas, mais as crónicas do Jorge Tavares, indispensáveis e outras.

Estes trabalhos mais os do nosso poeta Inocêncio Costa, dos cronistas, AM, Encarnação, Romualdo Cavaco, Ricardo Florindo em Beja, Maurício, Diogo, nosso correspondente em Washington, o Palmeiro e a grande revelação que apareceu muito tarde, o nosso Elias Moreno e já agora com uma crónica minha, tínhamos a semana preenchida.

Discutamos e aprendamos, eis o nosso lema.

Se falo assim, é porque levei mais uma lição de boa convivência protagonizada pelo AM, conforme consta no quarto comentário ao meu texto aqui publicado, retirado do jornal avezinha por AM. Ele disse, qual bronca? Não dei por isso, diz ainda AM. Bom, é este carácter de pessoas de bem que o blogue precisa de ter e passá-lo de costeleta a costeleta.

Não há que ter vergonha nem medo, sou o que sou e não me considero nem mais nem menos do que os outros. Tenho a minha lógica de vida que às vezes pode não encaixar na dos outros. Mas estou vivo.

Ao novo poeta e ao homem de nome Rogério Coelho, peço-lhe que agarre o leme. E que aceite este desabafo.

Ab.
jbritosousa@sapo.pt

SONHANDO

O homem passa as páginas do livro com ligeireza, como se a leitura não fosse senão uma lembrança de algo já conhecido, versículos dos seus próprios familiares, anunciações e epifanias previstas.
Mais concentrado na comodidade do cadeirão, no calor do rescaldo e na forma exacta em que as coxas se moldam ao assento.
Também a luz é perfeita: projectando-se a partir do candeeiro de pé, envolve-o num círculo. O resto do quarto está na penumbra, o que faz ainda mais intimo o reconhecimento, a solidão ainda mais acolhedora.
Questiona-se sobre a possível duração da placidez como pelo inevitável fim da melodia que ouve com deleite. Quando acabar poderá faze-la tocar de novo?
O “cheiro” começa-se a aglomerar no lado da penumbra, como se competisse com o círculo de luz. O “cheiro” intensifica-se pouco a pouco, numa escala em que os graus aumentam com a passagem da música que já não ouve.
E o “cheiro” ganha forma.
Da penumbra do compartimento, com um sorriso aberto que mostra muito bem a brancura dos dentes, senta-se na poltrona em frente e olha, concentrada não nos olhos mas sim no homem inteiro, com o olhar que se sabe observada.
Ela está despida e ele olha para a sua carne, cinzenta na penumbra, e sabe que os seus mamilos não são rosados mas sim avermelhados.
O homem olha e cheira-a. Ela larga o seu “cheiro” e ele inspira-o recebendo a oferta dela.
O ritmo deste intercâmbio cresce como a febre, e tem um clímax e um final.
Quando ela fica satisfeita, volta a sorrir e a mostrar os belos dentes brancos.
A imagem desvanece-se, e o homem, tenso como um arame, sente como o livro cai no chão. Arqueja no cadeirão, sua e geme. E o suor que, a pouco e pouco, lhe devolve a memória. E acorda.
Procura, mas a imagem volatilizara-se e, no entanto o “cheiro” permanece no quarto. Põe-se de pé alucinado pelo sonho. Sai de casa e senta-se sobre a frescura da relva do jardim e cheira-se a si mesmo. E no cheiro do sonho reconhece agora o seu íntimo cheiro.

Alfredo Mingau

Meus caros amigos
Com a publicação deste texto, entendo que devo fazer um interregno na minha colaboração.
Não pretendo “açambarcar” o blog com as minhas criações.
É necessário que apareçam outros.
Inté
AM

sábado, 23 de outubro de 2010

Génio, talento e celebridade

Shakespeare caberá dentro deste título porque conseguiu tudo isso. Aconteceu a mais alguns, mas poucos. Génio e talento podem colocar pessoas que possuam tais atributos no caminho da celebridade. Para se chegar aqui, é preciso muito trabalho e, como dizia Leonardo da Vinci, tal mérito deverá ser reconhecido por individualidades que disponham de capacidades intelectuais suficientes e credíveis para tal.
A existência num ser humano, de vários elementos intelectuais (mais do que um) seria um bom ponto de partida para chegar à celebridade. Em minha opinião, génio e talento, quase se confundem, ou seja, não há génio sem talento e o talento poderá contribuir para o aparecimento do génio.
Em minha opinião, génio será, digamos assim, uma especialidade da inteligência aplicada num determinado campo específico, onde as qualidades excepcionais de um indivíduo se colocam à disposição de resolução, com êxito, de determinada matéria.Todavia, a maior parte das conquistas científicas que têm contribuído para a evolução da humanidade, têm por base a inteligência humana e situam-se no campo da investigação, podendo os resultados obtidos conduzir à celebridade. È o caso de Christian Barnard, que foi o primeiro cirurgião a realizar um transplante de coração. Barnard foi um estudante extremamente dedicado na Escola de Medicina da Universidade do Cabo na África do Sul, no início da década de 1940. Esteve nos Estados Unidos, onde assistiu a um dos melhores cardiologistas da América, Walton Lilliehei tendo realizado na década de 1960 várias experiências com cães, até que outro cirurgião americano, Walter Shumway anunciou sua intenção de fazer um transplante do coração humano. Barnard adiantou-se e, em 3 de Dezembro de 1967, realizou a primeira operação do género. O paciente morreu em poucos dias, mas o do segundo transplante viveu 594 dias após a operação.
Com estes trabalhos, ganhou celebridade, não só pela novidade dos mesmos, mas também pelo grau de dificuldade que teve de enfrentar. E pela ousadia, pelo treino, pelo empenho, pelo rigor e disciplina colocados ao serviço duma causa nobre.
Um homem que pudesse ter em si próprio, em certo grau, génio, talento e inteligência, estaria preparado para produzir impacto no seu tempo pela sua inteligência, na sua época pelo seu talento e na generalidade dos futuros tempos e épocas pelo seu génio, diz Fernando Pessoa, ele próprio um génio.
Genial foi também a acordeonista Eugénia Lima, que tocava duas músicas diferentes ao mesmo tempo. Genial é o completo domínio das coisas. Mas é preciso ter talento. E grande. A celebridade vem depois.

jbritosousa@sapo.pt
Por: João Brito SousaIN JORNAL A AVEZINHA
Enviado por Alfredo Mingau - (interessante para o nosso blogue)

DO CORREIO ELECTRÓNICO

A HISTÓRIA DÁ-NOS GRANDES LIÇÕES

(Uma Laracha para riso amarelo)

Mauricio S. Domingues


Jornal republicano A Vanguarda
23 de Agosto de 1895

sexta-feira, 22 de outubro de 2010


A MORTE LENTA
História de ficção

Alfredo Mingau

A velha comia com as mãos para sujá-las e depois poder lavá-las.
Já não sabe a sua idade, não se recorda, passaram-se muitos depois dos 90.
Sobre a mesa alinham-se os alimentos, cuidadosamente escolhidos, os sabores. Cada sabor tem uma história e uma recordação que, no paladar da mulher idosa, provocam uma cascata de sentimentos confrontados.
A língua e a boca desdentada da velha lutam entre o desejo e a necessidade, o asco e a recusa.
Porque nem todos os alimentos servem para o mesmo, porque cada alimento vem de um lado diferente da terra e porque uns matam e outros engordam.
O casebre da velha, bastante deteriorado e com o telhado a cair, a porta e janela com grandes rachas por onde entra o vento, o frio e a chuva, fica isolado perto de Mar e Guerra e os alimentos são provenientes das hortas das redondezas de Mar e Guerra e dos Braciais.
A velha analisa-os a todos, antes de os levar à boca, no meio de atrozes vómitos e de fome a desvanecer-se. A fruta inofensiva e a fruta que ofende excitam o seu corpo.
A fruta inofensiva não excita a sua fome, mas tem que a comer. Pega-lhe entre as mãos e morde-a, com os poucos dentes, e com asco. Enquanto a mastiga, no entanto, não se sente mal; sente um bem-estar tranquilizador.
Continuaria mastigando em paz, até ao fim, se não fosse a outra fruta; aquela que os demónios dos meninos, o “Escritor”, dos Braciais, e o “Tarreta”como lhes chama, todos os dias lhe trazem e que vão buscar aquelas hortas e colocam na sua cesta, porque essa fruta está a olhar para ela. E, enquanto mastiga, a velha pensa na “outra”, na que poderia estar a comer em seu lugar. A “Morte”
Ela cospe os caroços e prepara-se para o seguinte assalto.
A bela fruta olha-a e ela fica com a boca ensalivada. Pega-lhe com as mãos e não pode deixar de a acariciar, de acariciar também com ela a cara e os lábios. E deixa que o perfume da fruta entre vagarosamente pelo seu nariz, que move as suas asas de prazer.
A mulher, que é afeiçoada a esta fruta desde há muitos anos, solta os cabelos, que levava preso e, com o vestido descomposto, abre a boca desdentada para morder.
Os poucos dentes comunicam-lhe imediatamente que está a vir, que está a subir o antigo sabor: o leite da fruta afoga as gengivas, a língua e o paladar.
As rugas acentuam-se pelo esforço cerebral que faz para recordar o nome da horta onde o demónio do menino “Tarreta” vai buscar a fruta… E, de repente, com alegria demoníaca recorda que é na horta do “Caetano”. Sorri. O filho dele abalou, muito novol para um país estrangeiro, e por lá ficou.
E a boca, assim rejuvenescida, começa a mastigar numa carreira com os poucos dentes desbocados, e a velha goza com o sabor que, imediatamente também, sabe que a está a matar
A velha mastiga o prazer e o asco da morte, e enquanto o leite da fruta lhe pinga pelas comissuras dos lábios e pelas mãos, olha com os olhos avermelhados para o espelho em frente, sabendo que não tem antídoto para a morte que se aproxima inexoravelmente.
Recompõe o penteado e o vestido e, calmamente, espera a viagem, a única que vai fazer em toda a sua vida: A viagem anunciada…

(Nota do autor: - A alusão a pessoas e locais é mera coincidência)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

DO CORREIO ELECTRÓNICO

Outubro de 2010
Aquela mina lá no Chile

Por dá cá aquela palha,
Capaz de esfolar, matar;
Não há piedade que lhe valha,
Bárbaro mais que milenar!

Sanguinário, por vezes cruel,
Como sofrendo duma maldição;
Podia bem ser doce como o mel,
Fugindo à fúria da destruição!

Por vezes, porém, para salvar,
Vai muito além do dever,
Demonstrando o outro amar
Por ele capaz de morrer!

Então o Sol sua alma ilumina,
Tornando-se ser de perfeições mil,
Atingindo altura quase divina.
Olhai –aquela mina lá no Chile!

Inocencio da Costa

Qué es poesia?-dices mientras clavas en mi
pupila tu pupila azul?
Qué es poesia? Y tu me le preguntas?
Poesia,,,eres tú!
Bécquer
A PESCA NA RIA

Por se tornar um pouco extenso para ser aceite como comentário, preferi escrever este texto enquadrando-o na síntese dos comentários ao meu texto “Marés Vivas”.Ao Diogo já respondi. Passo, portanto, a abordar o enunciado do meu amigo Zé Moreno (José Elias Moreno) com residência em Faro na rua que fica em frente da nossa Escola, rua onde já nos temos encontrado para “dois dedos de conversa”. Faço aqui um interregno para exclamar: A intriga está feita!...
E vamos ao “miolo” do teu comentário Zé.
Sobre o “moinho de maré” da saudosa moleira Francisquinha Grelha (Moinho do Grelha), situa-se à direita de quem está virado para a ria, da então chamada Praia da Torrinha, daí o moinho ser conhecido por “Moinho da Torrinha”. Era constituído pela casa do moinho, com as duas mós de pedra sendo a de baixo fixa e a de cima rotativa para moer o grão que ia caindo no buraco central da rotativa. A mó de cima era impulsionada pela força da água que corria por baixo pela “levada”, canal que estava ligado à lagoa artificial por uma comporta. A lagoa estava ligada à ria por outra comporta que era aberta manualmente quando da baixa-mar, e fechada na preia-mar. O moinho só poderia trabalhar durante a baixa-mar, abrindo a comporta da “levada” e pôr a mó a rodar com o impulso da água. E o ciclo repetia-se.
Quanto às pescarias de que falas na ria, o amigo Encarnação já adiantou umas dicas, mas gostaria de acrescentar como elas eram feitas pela minha experiência pessoal.
A pesca dos chocos, tão saborosos fritos com tinta, fazia-se de duas maneiras; de dia com uma rede presa a três canas formando um triângulo, e a que se dá o nome de “xalrão”, pegando nas duas canas e arrastando para a frente durante um certo tempo até levantar a rede e extrair os chocos que lá se encontravam. De noite com uma lanterna (petromax) e uma fisga. Tudo isto feito na maré baixa. Com o xalrão com água pela cintura e à fisga com àgua até ao meio da perna.
Com o mesmo candeeiro, de noite durante a baixa-mar, íamos para os cabeços ou ilhotes apanhar as bocas dos caranguejos “cava terra”. Ao centro o do candeeiro e um de cada lado apanhavam os caranguejos arrancavam as bocas e largavam os caranguejos. E é interessante saber que no lugar da boca arrancada uma nova torna a nascer e a crescer. O candeeiro servia para encandear os caranguejos para não fugirem.
Recordo de apanhar peixe com a “redinha”. Uma rede de arrasto com chumbos em baixo e pequenas bóias de cortiça em cima. Não é muito comprida, entre 5 a 10 metros. Durante a baixa-mar e é arrastada nas pontas para um cabeço ou para a praia e aí retira-se o pescado, geralmente constituído por chocos, robalos, sargos, mucharras, peixe rei e camarão. Geralmente a maior quantidade é de peixe rei. Recordo que a última vez que fui a esta pesca apanhámos um choco e cerca de 5 quilos de peixe rei. E fomos apanhados pela polícia marítima. Ficámos sem a rede.
Os alcabozes, geralmente a malta chama “cabozes”. Um petisco delicioso fritinho é geralmente apanhado preferencialmente junto dos esgotos. O lingueirão, apelidado de “cabos de faca”, dá uma grande publicidade à comida Algarvia no seu “arroz de lingueirão, é normalmente apanhado de duas maneiras. Por arrasto ou com uma vareta de bico de fisga, chamada “adriça”, que se espeta no buraquinho, onde eles vivem, em forma de buraco de fechadura. Recordo que o saudoso Franklim se entretinha bastante na apanha do lingueirão com a adriça. Esta pesca é feita nos ilhotes com a baixa-mar e em seco. Também há quem o apanhe com sal grosso deitando para dentro do buraco. O sabor a sal faz com que eles saiam e…
Quanto ao “tapa esteiro” é uma pesca considerada criminosa. Trata-se de duas redes que são colocadas num canal, durante a baixa-mar, tapando os dois lados. Quando se dá a baixa-mar os peixes não têm saída acabando por ficarem em seco e morrem. Os pescadores vão retirá-los tirando apenas os maiores.
Temos, também, a conquilha apanhada na costa e a amêijoa e o berbigão na ria com a baixa-mar.
Muitas outras espécies tais como berbigão, búzios, ostras, mexilhões, burrieis (caracol do mar) camarão pequeno, caranguejos sem esquecer as enguias e irós que eram apanhadas à fisga na doca, quando a doca era um atoleiro de lodo negro, criado pelos esgotos da cidade que para ali estavam canalizados.
Era assim a pesca “desportiva” proibida. Hoje, existe muita fiscalização.
Era giro! A malta divertia-se e comia bons petiscos.

Alfredo Mingau

DO CORREIO ELECTRÓNICO

SOBRE TEXTO DE MARÉ VIVA,
COMENTÁRIOS E RESPOSTA.

O que tenho a comentar é que são mesmo muito BONS ! ! !


Acrescentando que ler factos ocorridos há mais de 55 anos e sobre os quais não se encontram registos na Net , nos traz cá uma saudade!
A Praia dos Estudantes onde morei entre os 11 e 14 anos marcou minha adolescência.
De famílias ligadas ao mar avó, Pai, Tios conhecidos pela alcunha de Gilbertos, Primos etc .
Pelo moinho do Manuel Lazara (irmão do meu avô) passava diariamente centenas de pessoas desde Pescadores, mariscadores em que a ameijoa era o destaque, o Berbigão na maioria utilizado como isco nas Merjonas, os Covos para Chocos, alcatruzes para Polvos.
Redes para a pesca nas diversas formas entre elas a sacada (pesca praticada fora da Barra).
Tapa esteiros em que colocavam as redes na maré vazia, sendo levantadas na maré cheia cercando os Peixes que geralmente entravam numa manga em local estratégico.
De Lembrar os Chenchilhas em que o velhote Manuel ao vender os Burriés, camarões, bocas etc. interpretava sempre para as meninas que pediam sua poesia em versos repentistas.

Também acompanhei a redinha (alguns metros de redes que era arrastado pelas regueiras que desciam com a corrente) com membros da família dos Palhocas .
Ainda as pessoas que vinham apanhar e comprar Murraça para alimentar os animais), cada ilhote era identificado por um nome, e na época os conhecia todos localizados desde onde fundeavam as vedetas Azevia e Bicuda até há ilha do Farol.

A D. Francisquinha Grelha mãe do José Grelha que foi Fiscal dos Serviços da Câmara de Faro era considerada uma pessoa muito culta fruto da sua inteligência.

Conheci todos os terrenos e seus proprietários em volta do local onde se fabricaram os Blocos para as obras da Barra que eram levados por Batelões e Rebocadores que os levavam.
A Jacinta era o nome da Barca que fazia as comunicações entre eles , as obras e o cais Novo.
As Hortas das Famílias Pires, dos Fredericos, do Bolas todas ao sul da Opca , posteriormente apareceu por lá a Cavan (fábrica de Postes e Manilhas) enfim tudo tem sua época.

Termino com meus Parabéns ao grande senhor da escrita que se denomina A. Mingau e todos os intervenientes que motivaram esta minha crônica.

Saudações Costeletas
António Encarnação

DO CORREIO ELECTRÓNICO

A ALEMANHA DE HOJE E DE ONTEM
Por João Brito Sousa

PEQUENAS NOTAS

A situação actual na Europa, boa ou má, não a venho discutir, depende, penso eu, dos alemães, nomeadamente do Banco Central Europeu, sediado na Alemanha.

No passado, por volta de 1820, a Alemanha já era o País dos pensadores e dos poetas , mas também um País de jovens entusiasmados pela liberdade e pela unidade nacional.

Dentre dos poetas, o grande Goethe estava sempre ocupado, majestoso na sua alta serenidade, reconhecido por todos como o maior homem no reino do espírito.

Ao lado do universalismo de Goethe aparecera o romantismo que se opunha ao racionalismo das luzes e mergulhava as suas raízes profundas num passado longínquo.

A paixão que os historiadores sentiam pela história da Alemanha e pela "alma alemã", tornava-os claramente nacionalistas.

Entre os pensadores, Hegel havia tomado a chefia do movimento: expunha perante auditórios numerosos e entusiastas o seu grande sistema filosófico que terminava por uma exaltação do poder do Estado, mais especificamente, do Estado Prussiano.

Segundo Hegel, "filósofo da corte Prussiana" o movimento das ideias obedece a uma lógica dinâmica que é a dialéctica; o movimento cria o real e leva o ser a ultrapassar o seu modo de existência.

O indivíduo não existe, portanto, em si mesmo; é transcendido pela ideia que tende a realizar-se, graças ao conceito superior do Estado monárquico, que associa a liberdade á autoridade e aparece como a encarnação terrestre de Deus.

Tudo muito bonito, mas e a crise?...


Jbritosousa@sapo.pt

Retirado da História Universal de Jorge de Macedo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DO CORREIO ELECTRÓNICO

ACERCA DO TEXTO DO MINGAU, MARÉ VIVA.
Por João Brito Sousa (autorizado)

CORRESPONDÊNCIA TROCADA ENTRE OS COSTELETAS DIOGO e JOSÉ ELIAS MORENO.

Disse o Diogo para o Zé Elias.

"Que te pareceu o post do Mingau? O ultimo.
Para mim, que raras vezes comento, nao resisti e comentei!
Abraco
Diogo"

Resposta do Zé Elias,


"Li e reli o texto do Mingau.

Gostei, e para mim que quando estou em Faro , vivo num 6º andar ,frente à nossa Tomás Cabreira tendo o previlégio de admirar toda a Ria desde o Farol até ao Ancão,para lá do Pontal, é emocionante.Também vivi a Ria quando era puto,porque parte dos terrenos entre a praia dos Estudantes e o apeadeiro do Bom João, até à rua José de Matos, frente ao antigo Portão do Fialho adjacente à Casa dos Rapazes, eram do meu Avô materno.Foram expropriados para: com os inertes proceder à construção da actual estrada e Cais Comercial de Faro, bem como Estaleiro de Produção de Blocos de Betão, para a Barra do Porto Faro Olhão.Terminadas as obras, o espaço então vazio transformou-se naquilo a que os Costeletas chamaram o Estádio dos Blocos,onde se realizaram grandiosos encontros de futebol, entre os de Faro e os filhos de Olhão(Parra,Poeira,Zè Palminha ,Nuno, and so on) que ainda completamente alagados em suor abandonavam o jogo e corriam para o apeadeiro ,mal ouviam o apito da automotora a anunciar a partida de S.Francisco.

Tomei banho em cuecas e pesquei alcabrozes, charrocos e muxarras junto ao moínho da D.Francisquinha Grelha ,que me ensinou os segredos do moínho de maré e os primeiros rudimentos da Democracia.Está sábia moleira, tal como o meu pai, eram há muito tempo assinantes de um semanário muito apreciado entre tudo o que na altura se publicava.Chamava-se Gazeta do Sul, era publicado no Montijo e era o que eu costumava chamar de jornalismo agridoce, vinte anos antes de aparecer o Expresso.

Andei a navegar pelos canais da ria ao candeio, à redinha ao berbigão ao polvo e lingueirão.

Já podes ver quanto eu apreciei o texto do Mingau, e calcular o que eu não poderia também escrever se tivesse igual talento.

O teu comentário está absolutamente correcto.

Também tenho curiosidade em saber quem é este Mingau.


Acho que devemos dizer o que sentimos.

Gde Abraço
JEM "


Ps - Um grande abraço de parabens ao costeleta AM do JBS

DO CORREIO ELECTRÓNICO

FALANDO DE


José Vilhena      -    HUMORISTA - CARTOONISTA

Homenagem ao grande humorista José Vilhena, que tem na parede da salade jantar um quadro a óleo com a sua fotografia, onde está desenhado um par de cornos: diz, com uma cara muito séria, que é uma recordação do seu primeiro casamento.

Duas citações dele:

- A fruta roubada tem mais vitaminas.

- O último a rir é o que ri melhor, mas ri durante menos tempo...

IN Wikipédia, a enciclopédia livre.

José Alfredo Vilhena Rodrigues (Freixedas, Pinhel, 7 de Julho de 1927- ), escritor, pintor, cartoonista e humorista português. Frequentou a Escola de Belas-Artes do Porto, mas não chegou a concluir o curso de arquitectura.

Filho de professora primária e de proprietário agrícola, passa a sua infância na pequena terra das Freixedas, perto da cidade de Pinhel.
Aos dez anos de idade foi estudar para Lisboa, indo no meio da sua adolescência para o Porto, onde realizou um ano de tropa. Cursa arquitectura na Escola de Belas-Artes do Porto, mas fica pelo quarto ano, já que começa a desenhar para jornais.

Fixa-se em Lisboa, na zona do Bairro Alto, onde desenha cartoons para os jornais "Diário de Lisboa", "Cara Alegre" e "O Mundo Ri" durante os anos 50. Publica em 1956 Este Mundo e o Outro, a sua primeira colectânea de cartoons, e em 1959 Manual de Etiqueta, livro de textos humorísticos.

Durante os anos 60 a sua actividade de escritor desenvolve-se. Com o fim da revista "O Mundo Ri", publica uma grande quantidade de livros com textos humorísticos. Esses seus mesmos livros e desenhos, muitos deles usando a Censura como tema de paródia, provocaram-lhe problemas com a polícia, mais concretamente com a PIDE, que lhe apreendeu constantemente escritos e lhe causou três estadias na prisão, em 1962, 1964 e 1966. Isso tornou-o muito popular na época. Até ao 25 de Abril de 1974 Vilhena redigiu cerca de 70 livros.

Após a Revolução de Abril Vilhena publica os fascículos periódicos Grande Enciclopédia Vilhena e lança a 15 de Maio do mesmo ano o primeiro número de Gaiola Aberta. Esta revista de textos e cartoons humorísticos foi mantida por ele durante vários anos, satirizando a sociedade da época o que o levou a ser perseguido e a responder várias vezes em tribunal tendo ficado quase na banca rota.

Um interregno de quatro anos ocorreu depois devido a uma fotomontagem que envolvia a princesa Carolina Grimaldi, da qual foi alvo deprocesso de que se defendeu com sucesso.

Vilhena volta assim com O Fala Barato, numa primeira edição em forma de jornal e mais tarde em revista. Depois de deixar de ser publicada seguiu-se O Cavaco e mais recentemente O Moralista.


Enviado por: Diogo Sousa

(NR – Fez no dia 7 de Julho 83 anos. Nasceu em Figueira de Castelo Rodrigo mas, como viveu toda a sua infância em Freixedas, dizia que era natural desta terra.)
                           Um dos muitos cartoons de José Vilhena - (escolhido ao acaso)

DO CORREIO ELECTRÓNICO

GUSTAVE FLAUBERT
Por João Brito Sousa

PEQUENOS TÓPICOS SOBRE A OBRA "EDUCAÇÃO SENTIMENTAL"

GF escreveu "A Educação Sentimental", que é hoje considerado como um dos principais romances franceses do século XIX, a par de algumas obras de Balzac e do "Vermelho e o Negro" de Stendhal.

Aquando da sua publicação em 1869 a crítica acolheu o livro com alguma frieza e falou-se de obra falhada sobre a vida de falhados.

A Educação Sentimental tem como herói um jovem estudante, Frederico Moreau, que , mercê de uma herança, vai tentar a sorte em Paris. Após algumas tentativas inábeis, consegue introduzir-se na aristocracia financeira da capital, nos círculos políticos radicais e no mundo da boémia.

Frederico viu sempre o mundo apenas através dos seus apetites.

Um jantar na cidade. o encontro de um homem em determinado local, o sorriso de uma bela mulher, podiam ter, por uma série de acções que se encadeavam umas nas outras, resultados gigantescos.

Apaixona-se tímida e platònicamente, sendo a eleita a Madame Arnoux esposa do mercador de quadros Jacques Arnoux, um indivíduo sem princípios nem escrúpulos.

Ao mesmo tempo mantém Rosanette, uma cortesã em voga e tem uma ligação com a elegante mas pouco sincera Madame Dambreux.

Por fim, Moreau, nitidamente mais pobre de ilusões e de dinheiro, regressa à sua cidadezinha provinciana para aí viver na ociosidade. A última cena do romance mostra Frederico conversando com o seu velho amigo Deslamiers, outro protagonista da obra.

Frederico Moreau, tal como o Zé Matias da minha terra. Carpinteiro de profissão, veio para Lisboa mas regressou à aldeia.

Uma bonita história de Flaubert.

É o que eu penso.


jbritosousa@sapo.pt

terça-feira, 19 de outubro de 2010


MARÉ VIVA

O barco desliza pela água com extrema suavidade.
Mais do que golpear a água, os remos pensam-na, saboreiam-na. E a água, mais do que tolerar, recebe o suave peso. De tanto pensar a água, de puro norte, o barco está desorientado.
Madeira e água desejam-se.
Há dois lábios de água para cada pedaço da pá de madeira e uma boca de água para cada remo. O céu do paladar dessa boca de água é feito de espuma tranquila e essa tranquilidade é o ensino que reparte o prazer, na forma de erecção deslizante.
O remador assiste a este espectáculo de suavidade com a boca seca e chama em seu auxílio a saliva. Apercebe-se que não governa os remos, que os imita; apercebe-se de que acaricia os punhos, em círculos que se encerram na palma das suas mãos.
Da mesma maneira a água pule a madeira, a madeira é o polimento da água e os olhos aquosos do remador que rema sem remar parecem pérolas nesta cena nacarada.
Durante um longo tempo, o remador não de atreve a abandonar este estado nem a persistir nele.
Agora a madeira está a ponto de incendiar a água e está a ponto de arder. O remador levanta o olhar e, do centro da Ria Formosa, o homem contempla os dois navios de guerra ancorados em frente, nas quatro águas.
Dos navios ouvem-se apitos e ordens e marinheiros a correrem dentro dos navios a Bicuda e a Azevia. Olha os dois vasos de guerra majestosos na sua frente.
O remador dispõe-se a seguir por entre os dois navios. As mãos agarran-se aos remos, que começam de novo a golpearem á água. Madeira e água repelem-se, chamando-se. Madeira e água deixam de se acariciar e tocam-se. Remando e conduzindo o barco até mais à frente. Pára de remar; arruma os remos dentro do barco e lança a ancora pela borda para dentro da água. O barco estaca. Começa a levantar-se a ondulação e nota-se a Água a subir nas margens. Prepara os anzois e coloca-lhes o engodo lançando-os dentro da água. É necessário pescar algum peixe para sustento da família. Levanta os olhos para o céu e repara na lua que se vai erguendo. Lua cheia
Maré viva.

Alfredo Mingau
(Crónica de ficção e realismo)
O CABO FERRADOR
Por João Brito Sousa

É uma personagem de António Lobo Antunes, naquelas crónicas curtas que escreve para a revista Visão. Aqui, sim, gosto muito. De ler um livro seu é mais difícil, porque não consigo. ALA deverá ser um bom escritor mas ainda não me ensinou como devo começar a ler as suas obras . E compete esse trabalho ao autor.

Todavia, não quero retirar-lhe o mérito que possui, porque é um escritor que vende e é credível internacionalmente, portanto.... tudo dito. Gosto das crónicas curtas que escreve na Visão, como disse e, na última, creio, fala do cabo ferrador, que possivelmente teria estado com ele na tropa.

Pego neste assunto, porque num romance que comecei a escrever e está à espera de vez para lhe voltar a pegar, precisava de saber como era isso de ferrar os animais e fui investigar. Achei piada á forma como aquilo se faz, pois o animal às tantas fica de pé, com assentamento nas mãos da frente e numa pata traseira e lá terá de se aguentar.

Por sua vez, o ferrador com o seu avental de couro, vai buscar a ferradura, adapta-a á pata do animal e leva-a à forja para amaciar o ferro e poder trabalhá-lo.

Ali para os lados da juventude do Jorge Tavares havia uma estrebaria, que recolhia animais e fazia esse trabalho.

Profissões que muitas vezes não damos importância mas que é indispensável saber. Será que a malta nova lhes pega? Como outras, a de tosquiador, a de capar animais e por aí fora.

O cabo ferrador de Lobo Antunes é especialista. Nisto e noutras coisas.

Deixo-vos este pequeno texto e um abraço.

JBS

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CRÓNICA DA SEMANA

A Feira de Santa Iria – e a crise…

Um passeio à feira.

Faz agora um ano que escrevi uma crónica com uma pequena história sobre a velhinha Feira de Santa Iria (desde 1596).
E aí está, mais uma vez, no Largo de S.Francisco, até ao próximo Domingo.
Neste Domingo, dia 17, fomos dar um passeio à feira e, em substituição do jantar resolvemos, para variar, comer naqueles restaurantes que lá estão montados no interior de grandes tendas, saborear as sandes de presunto e/ou o saboroso queijo de ovelha, naquele pão caseiro e apetitoso que aqueles restaurantes cozem nos fornos à vista da clientela.
Procurámos lugar para nos sentarmos e comer descansadamente. Pura loucura; lotação esgotada… Comer de pé? Nem pensar. Valeu-nos um casal simpático acomodado naquelas mesas compridas que, juntamente com outros dois casais amigos se juntaram um pouco mais proporcionando-nos dois lugares. O cheirinho apetitoso da carne grelhada despertou-nos a curiosidade. “Secretos” de carne de porco preto no prato ou no pão. Encomendamos duas sandes de "secretos", duas imperiais e um pratinho de azeitonas britadas. Que grandes sandes e que bela carne tenrinha e saborosa. Saímos daquela grande tenda e, aos encontrões com aquela massa humana, procuramos uma barraca de fabrico de farturas. Dois “charingos” (filhós) e de pé ao balcão dum dos bares móveis tomámos as “bicas” bem quentinhas. Foi a sobremesa. Depois passeamos pela feira apreciando os carrosséis, os automóveis de “embate” e as rodas de cortar a respiração. Tudo repleto de gente. Ao sairmos da feira adquirimos o que antigamente apregoavam por “torrão mó” e, numa pequena barraca, com muitos clientes, duma feirante que nos disse ser ribatejana, compramos as castanhas e as nozes.
Com tanta gente a gastar dinheiro, é caso para se dizer: “é a crise?”.
E saímos, satisfeitos com o passeio e com a refeição.
Voltaremos.

Alfredo Mingau

PONTO DE ENCONTRO

O PARTO, A PRÓSTATA E A VINGANÇA


Ela com 19 anos e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, prestações da casa própria e o primeiro bebé, tudo uma beleza.
Anos oitenta a moda na época era ter uma máquina de filmar do Paraguai. Sempre tinha ou tem um vizinho, ou mesmo um amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambinha por um precinho muito bom!
Hora do parto ela tinha muita vergonha, mas eu teimoso, desejava muito eternizar aquele momento. Invadi a sala de parto com a câmera ao ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo o mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme.
Perdi a conta de quantas cópias eu fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram os meus, orgulho e tesouro
Três anos se passaram aí nova gravidez, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro, tudo como antes. Como ela “categoricamente” me disse que não queria que eu a filmasse dessa vez, sem ela esperar invadi a sala de parto e mais uma vez com a camêra ao ombro repeti o mesmo ritual.
As pessoa que me conhecem sabem que em mim havia naquele momento apenas o amor de pai e marido apaixonado nesse ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração do meu orgulho.
Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana num instinto de vingança, invadisse a sala do meu urologista, com a câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a minha mulher gritando:
- Ah! Doutoooor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!
Meus olhos saindo das órbitas fuzilaram aquela cachorra, mas a dor era tanta que não conseguia nem falar. O miserável do médico, pra se exibir, girou o dedão! Ah, eu na hora vi o teto a dois centímetros do meu nariz.
E a minha mulher continuou a gritar, como se fosse um diretor de cinema:
- Isso, doutor! Agora gire de novo, mais devagar dessa vez. Vou dar um close agora…
Na hora alcancei um sapato no chão e joguei na maldita.
Agora estou escrevendo este e-mail pedindo aos amigos, parentes e outros mais que receberam uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.

(Luiz Fernando Veríssimo)
Sempre o humor deste grande autor brasileiro (filho do também grande escritor, Erico Veríssimo)

Enviado por: Ferreira Borges

QUANDO ALGUÉM PARTE

PARA O HERNÂNI DO ADRO



Um abraço de pêsames pelo falecimento do filho.



QUANDO UM FILHO PARTE



Os Pais choram, não chega nem é suficiente
Porque fica o desgosto, a dor e tudo o mais.
Para onde é que ele vai? haverá lá gente?
E com esta dúvida ficam a sofrer os Pais.

Todos nós sabemos como tudo isto acontece
É em qualquer dia, qualquer mês, ano, hora
Tudo pode acabar quando menos nos parece
Esse minuto estava marcado e chegou agora

Nada a fazer, apenas tentar entender melhor
Que a vida um dia acaba e de nada vale a dor
Vale sim, viver com honradez e sinceridade

Hoje aconteceu a um filho dum bom colega
Amanhã é outro ou é a tua hora que chega
A vida é isto amigo, não há outra realidade.



João Brito Sousa

domingo, 17 de outubro de 2010

QUANDO ALGUÉM PARTE

Faleceu hoje, vitima do tabaco, LUIS SIMÃO, Filho mais velho dos nossos queridos amigos  Costoletas e associados Nºs: 191 - Maria Mahuela Dias de Jesus Simão e
192 -  Hernani Manuel do Adro Simão.
À familia enlutada o nosso profundo desgosto.
QUE DESCANSE EM PAZ
MARIA DE OLHÃO,
a minha homenagem.

O livro Maria de Olhão, agora trazido à estampa em edição da Câmara Municipal de Olhão, poderá ser considerado, respeitosamente, como um Manual de Instruções sobre a vida, onde cada um, à sua maneira, poderá retirar os ensinamentos que precisa ou julga necessários, para conseguir um comportamento equilibrado e sobretudo justo, na sociedade onde se insere.
Maria de Olhão, em minha opinião, foi uma mulher de excepção, que merece a minha homenagem e todo o respeito e penso que deve igualmente merecer a mesma coisa de todos os olhanenses.
Por aquilo que fez em favor de todos.
O mais curioso, é que baseou a sua conduta, no meu entendimento, claro, em quatro ou cinco pormenores de simples aplicação no dia a dia: trabalho, sentido de justiça apurado, poder de observação e sobretudo coragem.
Maria de Olhão tinha grande facilidade na aprendizagem das letras e de tudo o resto. Por isso, utilizando o seu arguto poder de observação e também o seu sentido de justiça, comentava na comunicação social ou em que lugar fosse, as anormalidades que se lhe deparavam e exigia a reparação dessas situações, que julgava incorrectas.
Corajosamente.
Foi sempre assim desde criança, pronta para ajudar os outros naquilo que pudesse e julgasse razoável, começando até por ajudar a mãe nas lides domésticas e dizendo não, noutras circunstâncias, quando era caso para isso.
Não nos podemos esquecer que Maria de Olhão viveu nos tempos difíceis da ditadura, o que não obstou a que, educadamente, expusesse os seus pontos de vista. E conseguiu resultados.
A vida é participação.
Foi Ernest Hemingway que disse: "É muito difícil ser homem". Creio que sim, estou de acordo. Mas, para Maria de Olhão, que teve os seus problemas e as suas dificuldades, como todos, aliás, creio que para ela foi fácil ser mulher. Porque teve lucidez e coragem para perceber qual era o caminho certo. A vida, num certo sentido até é amiga, porque, aqui neste cenário onde todos andamos, diz-nos quando chegarmos à idade certa, que isto acaba, isto é, chegará a altura em que amanhã já não almoçamos com a família. Portanto é preciso escolher o caminho.
Maria de Olhão foi exemplar nessa caminhada, assumindo simultaneamente e na íntegra o seu estatuto de cidadã responsável. O que não é fácil. Mas ela conseguiu. Chama-se a isto integridade e carácter.
É a esta mulher de Olhão, licenciada na Faculdade de Letras de Lisboa, que foi professora, jornalista e cidadã exemplar, que quero deixar uma pequena homenagem. Porque grande ela não gostaria.
Mas merecia-a.

João Brito Sousa
jbritosousa@sapo.pt