quinta-feira, 31 de março de 2011

A DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA
EM PORTUGAL

Por João Brito Sousa

Para o Victor Venâncio

Dados por mim obtidos de investigações que considero sérias e credíveis, a riqueza criada em 2008 era superior em cerca de 97.2 vezes superior à riqueza criada em 1973. O valor das remunerações, sem incluir as contribuições para a Segurança Social e CGA, de 2008 é apenas 69,8 vezes superior às remunerações, também sem contribuições, de 1973. Conclui-se daqui que as remunerações com contribuições aumentaram apenas 89 vezes.

Em primeiro lugar, que as condições de vida dos trabalhadores portugueses em 2008 são superiores às que tinham em 1973. Em segundo lugar, e apesar disso, estes dados oficiais também revelam uma situação preocupante que é a seguinte: a repartição da riqueza criada em Portugal tem-se agravado de uma forma continuada e significativa depois do período 1974-1976, sendo actualmente pior da que se verificava mesmo em 1973.

Mas não são apenas as entidades oficiais portuguesas que revelam a diminuição que se tem verificado em Portugal da parte das remunerações na riqueza criada no nosso País. Também o Eurostat, que é o organismo oficial de estatística da União Europeia, confirma a quebra acentuada da percentagem que as remunerações representam do PIB, e de uma mais pronunciada que a revelada pelos dados divulgados pelas entidades oficiais portuguesas. Se retirarmos as contribuições patronais para a Segurança Social e para a CGA, em 1998, segundo o Banco de Portugal e o INE as remunerações, sem contribuições patronais , representaram 35,3% do PIB, enquanto segundo o Eurostat corresponderam apenas a 31,8% do PIB. A partir de 1998 deixamos de se dispor, para Portugal, de dados sobre a percentagem que as remunerações, sem contribuições, representam em relação ao PIB, certamente por não serem favoráveis ao governo.

No entanto, o Eurostat tem divulgado as percentagens que as remunerações, com contribuições patronais , representam do PIB, as quais revelam, para Portugal, uma quebra de valor ainda maior do que a revelada por organismos oficiais portugueses. Assim, em 2006, segundo o INE e o Banco de Portugal, a percentagem correspondeu a 50,7% do PIB, enquanto segundo o Eurostat, foi 50% do PIB; em 2007, segundo o INE e o Banco de Portugal, representou 50% do PIB e, de acordo com o Eurostat, apenas 49,1% do PIB; e em 2008, a percentagem, segundo o INE, correspondeu a 50,3% do PIB e, de acordo com o Eurostat, foi de 50,1% do PIB.

Para 2009, o Eurostat prevê que, em Portugal, as remunerações, com as contribuições patronais, representem 49,9% do PIB, uma percentagem bastante inferior à registada em 1973 (54,9% do PIB) e muito inferior à do período 1974/1976 (entre 61% e 68,4% do PIB); e, para 2010, prevê o valor de 49,7% do PIB.

Portugal a descer. Soluções ?

(retirado do estudo do Dr. Eugénio Rosa)
jbritosousa@sapo.pt

quarta-feira, 30 de março de 2011

CRÓNICA COM DOR

“HÁ UM TEMPO E UM LUGAR PRÓPRIO PARA CADA COISA”

Por João Brito Sousa

A frase é do Montinho. Achei-a interessante e profunda. Peguei nela, porque esta é uma das suas tais frases poderosas, que eu referi algures.

O Chico Mário adorava escrever. Escrevia no seu diário quando estava com disposição para isso, escrevia para o jornal da terra onde tinha uma coluna e escrevia outras coisas mais. E lia muito. Livros e jornais tudo servia para estar ocupado. No fundo, ler e escrever era uma forma melhorada de passar o tempo. O vazio não era com ele. Ocupado sim. Gostava de estar só e meditar acerca do mundo, nas coisas que se passsavam no dia a dia, que nem todas percebia. E quando não percebia não perdia muito tempo com isso. Passava à frente.

Era daquelas pessoas que tinha que ter o jornal ao pequeno almoço para se informar enquanto se servia dos alimentos. Fazia tudo com uma certa grande velocidade, enfim, queria chegar longe na vida por este processo.

Na Faculdade que freqentou à noite, não admitia pensar não ser o melhor e esforçava-se para isso. Trabalhava de dia no seu posto de trabalho, ia às aulas à noite, era já casado e aos fins de semana, situava-se enre o dilema, estudar ou passear com a mulher e os filhos.

É uma questão cultural, como diz Nietzsche, que acerca disso, aconselhava os seus leitores a ler com calma e aprenderem a ler devagar, considerando isso uma exigência dirigida à cultura e não a este ou aquele leitor em particular.

Com esta pretensão, Nietzsche mostra que há um tempo próprio para a cultura, tempo esse que não deve ser confundido com nenhum outro. Lembremos apenas que é justamente pela distinção entre o tempo da lentidão e o tempo da pressa que os conceitos de cultura autêntica e de pseudo-cultura podem ser estabelecidos.

Nietzsche entende que cultura autêntica ou verdadeira, é aquela que permite ao homem aceder ao seu próprio ser e ao ser da natureza e construir assim uma vida em que a felicidade seja possível.

Que é, ao fim e ao cabo, o que nós todos andamos à procura. E nem todos encontramos. Dolorosamente.

Eis a razão da Crónica com Dor.

Ou da frase do Montinho.

Se Nietzsche tiver razão.


Ab.
jbritosousa@sapo.pt

terça-feira, 29 de março de 2011

ABRIL       ANIVERSÁRIOS
de Associados Costeletas

1 - Jorge de Sena Cristina Aleixo; Manuel Francisco Uva Jacinto; José Epifânio Auurélio Ramos; Maria Solange Madeira Isidoro. 2 - Lília Rosalina Santos Matos. 3 - Maria Isabel Leiria Eusébio Correia; Dra. Ilda Belo Carmona Samorrinha. 4 -Álvaro Manuel Correia Ponte; João Vitorino Mendes Bica. 5 - Rui Patrício da Rocha Guerreiro; Ana Paula Gonçalves Moreno. 7 – Maria da Piedade Coelho Santa Rita C. Correia. 9 – Maria da Conceição Carmo Sério; Maria Mabel R. Paiva Pires Gomes. 10 - Silvino dos Santos Cabecinha; Daniel da Silva Farias. 11 - Estanislau Miguel Conceição Silva; José Domingos Barão; Horácio Pereira Rodrigues. 12 - Daniel Pinheiro Bernardo; João Vítor Jesus Martins; José João Horta; Marília Vicente Viegas Pedrinho Martins; Joaquim João Sabino Correia 13 - José Paixão Neves Pudim; José Hermenegildo Mendonça Soares; José Alfredo de Sousa. 14 - António Belo Carvalho; Edéria Maria Apolo de Mendonça Gama.15 - José Manuel Clérigo do Passo; José Travassos Machado; Leonilde Soares Paulo. 16 – Maria de Fátima Silva. 17 - José Quirino Espírito Santo Cabrita; Augusto Maria Coelho. 19 - Amaranto José Cavaco Romão . 20 - Hernâni Manuel Adro Simão. 21 - Alberto Santos Pereira Rocha; Maria de Lourdes Oliva Dentinho; Sérgio Pires do Nascimento; António Guilherme; Anselmo de Jesus Nunes Correia. 22 – Maria de Lurdes Simão Vale; Maria Graciete Passos Valente Santos Transmontano de Carvalho. 23 - António Jorge Pereira da Silva Gago. 25 – Umbelina Conceição Máximo Cavaco. 26 - António José Oliveira e Sousa; José António Oliveira e Sousa; Fernando Manuel Gomes Palma; José Francisco Coelho Cabanita.  27 - António Machado Gomes Paulo. 28 - Rui Nobre Rodrigues; Maria Paula Eusébio de Sousa Ferreira. 30 – Maria Graciete da Piedade Santos Ribeiro.

PARABÉNS A TODOS
OPINIÃO


COMENTÁRIO CRÍTICO À ESCRITA DO MONTINHO

Por João Brito Sousa


A escrita do Montinho traduz-se num trabalho interessantíssimo, principalmente pela forma como desenvolve o enredo das suas crónicas. Por mim, seduz-me aquele envolvimento, porque não me deixa sair do texto, mesmo quando vou a meio já estou ansioso para chegar ao fim.

Porque aí está o melhor da prosa, pela imprevisibilidade.

Nos textos do Montinho, cada palavra tem ternura e força, simultaneamente, o que me leva a saborear as imagens que ele cria e recria no conjunto da crónica. Às tantas, mete-lhe uma frase poderosa, que nos esmaga e amarra-nos mais. Chegados ao fim, olhamos para cima, onde está o começo do texto e a nossa alma fica cheia nesses segundos. E voltamos a ler.

Estas últimas crónicas ILUSÃO 1 e 2, são trabalhos de muita qualidade em pouco espaço. Parece que há ali qualquer coisa de misterioso. E como eu deixei escrito no comentário, penso haver muito espaço por preencher.

As imagens que o Monitnho nos deixa andam uns dias connosco. No dia seguinte, ao pequeno almoço, elas lá estão, ao almoço idem e voltam ao jantar.

Os amigos ficarão a conhecer-te melhor … PURA ILUSÃO.

É um bom tema este. Os melhores amigos que eu tenho nunca os vi. Sério. Mas tenho amigos à distância de um brado. Os meus grandes amigos são os livros.

E as crónicas do Montinho.

A importância de que a literatura ainda se reveste nos nossos dias, decorre do facto de que ela, através da sua capacidade intrínseca de representação, continua a conter em si as possibilidades de um conhecimento insubstituível do homem e do mundo. Nada existe no mundo que a literatura não possa exprimir. Por outro lado, é ainda através da literatura que melhor podemos ter acesso à experiência de vida de uma época ou à interioridade do seu tempo social e cultural.


Pensa nisto.

Ab.
JOÃO BRITO SOUSA
INDIGNAÇÃO...!

Tenho o direito de estar indignado...e estou!
Como é possível tanta irresponsabilidade? Como é possível deixar que estas situações aconteçam? Como é possível??.......Enfim, como é possível tudo o que está a acontecer?
Medianamente informado nas questões económicas, até por dever de ofício, fiquei estupefacto ( não muito surpreendido ) com as notícias vindas na comunicação social sobre os bancos portugueses. Instituições de referência no meio financeiro de Portugal e no estrangeiro baixaram o seu nível de solvência: Caixa Geral de Depósitos, Banco Espírito Santo, BPI e Santander Totta desceram a situações preocupantes. O MillenniumBCP, que foi um banco de referência nas últimas duas décadas, foi classificado de "lixo", e baixou a um nível muitíssimo preocupante!
Será que a grande maioria dos portugueses tem a noção do que isto pode representar para o futuro da economia portuguesa, e consequentemente para os portugueses?
A denominada "Dívida Soberana" é de facto, um grande problema. Mas o clima criado à banca portuguesa, vai ser, seguramente, um enormíssimo problema.
Hoje contactei alguns amigos com quem me relaciono nos bancos, particularmente aqueles que ocupam lugares de alguma responsabilidade, abordando este tema. Foi com tristeza que senti a mágoa que lhes vai na alma e que veio de encontro ao meu pensamento. Nas instituições financeiras em Portugal prestam serviço muitas dezenas de milhar de trabalhadores. Massa cinzenta, valor humano inquestionável, a quem alguns "iluminados de gabinete " se permitem colocar em igualdade com os trabalhadores que se ocupam do tratamento de lixo ( sem qualquer menosprezo para a actividade).
Estou muito indignado! Já me questionei e questiono: Aonde estão os causadores deste "tsunami financeiro"? Porque não se justificam? Porque não assumem perante todos nós o porquê de tudo isto?
Meus caros costeletas, com esta indignação recuei cinquenta anos da minha vida, e lembrei-me dos meus filhos e das suas asneiras de crianças: Quando as praticavam e até ao momento de confessarem, "encolhiam-se" , bastando esse pequeno gesto para que de imediato identificássemos o "culpado"....
Agora, é só verificar quem está "encolhido"...

Jorge Tavares
costeleta 1950/56
ILUSÕES (II)

Na sala da casa de José, que visitava pela primeira vez, Fernando sentado no sofá e olhando para a marquise perguntou
- Onde é que aprendeu isso tudo, José? Você sabe tanto… Ou talvez seja eu que estou convencido disso. Não. Realmente você sabe imenso.
José pendura o lenço de seda acabado de lavar na corda da marquise, volta-se e responde:
- Num livro!
- Num livro?
- Sim, o Manual da Salvação. É uma espécie de Bíblia dos Mestres. Devo ter um exemplar na estante, que lhe posso emprestar se estiver interessado.
- Estou, sim! É um livro que ensina…?
José procurou afanosamente na estante e voltou com um pequeno volume, tipo livro de bolso, encadernado num material que parecia ser camurça. Impresso a letras pretas, podia ler-se:
Manual das Ilusões
Meditação para o Espírito Evoluído
- Manual da Salvação, disse você? Mas neste está escrito Manual das Ilusões.
- É mais ou menos isso, respondeu ele, começando a recolher os vários objectos espalhados sobre o maple, como a preparar-se para se sentar.
Fernando folheia o livro, verificando que se tratava de uma série de máximas e parágrafos curtos. Num deles leu em voz alta “Perspectiva. Se abriste o livro nesta página estás a esquecer-te de que o que se passa à tua volta não é uma realidade. É uma ilusão. Pensa bem nisto”
- José, você leu isto acerca da perspectiva?
- Não!
Tomei a resposta como uma brincadeira. Continuei a folhear o livro; reparei que estava ali tudo o que um Mestre precisava de saber.
“Aprender é descobrir aquilo que já sabemos”, “Todos são alunos e professores” “Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto como tu”.
- Está muito calado Fernando, disse José, como se quisesse falar comigo.
- Estou, respondi continuando a ler. Se aquele livro era só para Mestres, não o queria deixar escapar.
- Há uma coisa estranha neste livro, as páginas não estão numeradas!
- Pois não, respondeu. Basta abrir para encontrar aquilo que precisamos.
- É mágico o livro?
- Não. Isso pode acontecer com qualquer livro e até com um jornal, o que interessa é dar atenção ao que se lê. Já experimentou abrir um livro quando está com algum problema e ler o que está escrito?
- Não.
- Então há-de experimentar
Fechei os olhos e tentei fazer o que ele disse, perguntando para comigo o que iria acontecer se eu continuasse na companhia daquela estranha criatura que conhecera há poucos dias. Sempre a pensar nisso, abri o livro e li:



“Os teus amigos ficarão a conhecer-te melhor
nos primeiros encontros?
PURA ILUSÃO”

Montinho

nota - E fico-me com este último encontro.
Espero que outros se encontrem por aqui


segunda-feira, 28 de março de 2011


ILUSÕES

Acordo de repente com aquele barulho explosivo, ensurdecedor e violento.
Olho para o relógio, são 8 da manhã.
Levanto-me meio sonolento e vou à porta. Era um coro de centenas de vozes de estudantes universitários. O chão parecia que tremia e os meus tímpanos estalavam com o ruído.
Com o nascer do Sol o céu enchia-se de tom de fogo, as nuvens ganhavam vida numa orgia de cor, mas tudo se esbateu com os últimos “actores ruidosos” a passarem na avenida. O som parou repentinamente; os ecos diminuíram de intensidade vendo-se ainda alguns deles a conduzirem cartazes em que num deles consegui ler: “acabem com as propinas”.
Um papel arrastado pelo vento parou a meus pés. Apanhei-o.
O tempo agora era calmo como a brisa.
“Há um tempo e um lugar próprio para cada coisa” pensei, e o meu cérebro respondeu: “sim, um tempo e um lugar”.
Que estava eu a fazer?
A dormir profundamente!
Encolhi os ombros, voltei ao quarto, e com um suspiro enfiei-me de novo dentro dos lençóis. Peguei no papel e li:

“Reivindica
As tuas limitações
Pois elas
Pertencem-te”

Pensei que a ilusão continuava e, fechei os olhos…

Montinho

(Nota:- Não acreditem que eu tenha escrito isto. É pura ilusão…

Germano Silva

 
ESCRITORES E
JORNALISTAS DO PORTO

Por João Brito Sousa

GERMANO SILVA, jornalista e historiador

É a pessoa que melhor conhece os pormenores da cidade. Acompanha grupos de pessoas aos domingos aos lugares mais interesssantes. Germano Silva iniciou a sua carreira como jornalista a "13 de Outubro de 1959", como o próprio recorda. A faceta de historiador veio "na sequência do jornalismo", como resultado da curiosidade acerca da cidade onde trabalhava. "Só seria um bom repórter", explica, "se conhecesse o Porto, a origem das ruas, as personalidades, os factos políticos".
Da curiosidade jornalística à partilha da História com o grande público foi um passo. A divulgação aconteceu, confessa, porque lhe pareceu que "a cidade andava alheada da sua própria história".
Desde 1959, muita coisa mudou no Porto, garante Germano Silva. "A cidade evoluiu para pior", lamenta, especialmente porque, no passado, o Porto era "uma cidade com coluna vertical" e que "batia o pé a Lisboa".
Só nos anos 60, diz o jornalista, a Invicta "recuperou a autonomia com o General Humberto Delgado", quando voltou "a ter uma vida muito intensa, com tertúlias nos cafés, focos irradiadores de cultura".
Desde aí, a cidade, que Germano Silva considera muito ligada à cultura e com "uma marca cultural muito grande", perderia essa componente, recuperando-a em parte apenas durante "o período com Fernando Gomes na presidência", em que se tornou "Património da Cultura e teve o Porto 2001".
Hoje em dia, o Porto "voltou a estagnar". "A cidade está apagada, sem carisma, sem chama", declara. Uma cidade "à venda, decadente, a cair", que poderia ter renascido culturalmente "se houvesse alteração na administração da Câmara", pois "o município alheou-se da cultura e do urbanismo".
Durante os cinquenta anos de profissão, Germano Silva assistiu às mudanças, não só no Porto, mas também no próprio jornalismo. O jornalismo em Portugal "transformou-se completamente", devido "às novas tecnologias, que alteraram a sua faceta". Hoje em dia, o jornalismo é diferente porque "a informação é mais rápida e a comunicação processa-se de forma diferente". "Ainda apanhei a cauda do jornalismo romântico", declara. "Sou do tempo do tinteiro e da pena."
Em jeito de balanço, Germano Silva olha para os cinquenta anos de carreira com "tranquilidade". "Fiz tudo o que gostava de fazer e queria fazer", confessa. Viajar e contactar com pessoas eram as suas principais motivações como jornalista. Sente-se "feliz", pois sente que abraçou "a profissão ideal", pois "é todos os dias uma novidade".
Entusiasmado com as "facilidades" que as novas tecnologias trouxeram ao jornalismo, Germano Silva mostra-se, no entanto, preocupado com a "fraca preparação dos jornalistas quando saem das escolas" e da falta de incentivo dos profissionais.
Faz falta, diz, ir "para o terreno", porque "isso é o sal do banquete que é o jornalismo". "Perdeu-se a reportagem", lamenta. Mesmo assim, considera que há "excelentes profissionais hoje em dia", lamentando apenas o desaparecimento da figura do chefe de redacção, um "camarada com grande experiência", que puxava "pelo espírito criativo" do jornalista.
Germano Silva encontra-se aposentado da profissão desde 1996, colaborando com frequência com a revista Visão e o Jornal de Notícias, tendo neste último a coluna dominical "À descoberta do Porto".

Retirado do JPN, por
JBS

domingo, 27 de março de 2011


TELEGRAMA do JUVENAL

Desempregado há meses.
Com a resistência que só os brasileiros têm o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista.
Ao chegar ao escritório, o entrevistador observou que o candidato tinha exatamente o perfil desejado, as virtudes ideais e lhe perguntou:
Qual foi seu último salário?
'Salário mínimo', respondeu Juvenal.
Pois se o Senhor for contratado, ganhará 10 mil dólares por mês!
Jura?
Que carro o Senhor tem?
Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de mão!
Pois se o senhor trabalhar conosco ganhará um Audi para você e uma BMW para sua esposa! Tudo zero!
Jura?
O senhor viaja muito para o exterior?
O mais longe que fui foi pra Belo Horizonte, visitar uns parentes...
Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano, para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.
Jura?
E lhe digo mais.... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo agora porque tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente garantido.
Se até amanhã (6ª feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira com todas essas regalias que eu citei. Então já sabe: se NÃO receber telegrama cancelando até à meia-noite de amanhã, o emprego é seu!
Juvenal saiu do escritório radiante.
Agora era só esperar até a meia-noite da 6ª feira e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama.
Sexta-feira mais feliz não poderia haver.
E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas. Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa à base de muita música.
Sexta de tarde já tinha um barril de chope (cerveja) aberto. Às 9 horas da noite a festa fervia.
A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta.
Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero...
A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pro lado do Juvenal.
E a banda tocava!
E o chope gelado rolava!
O povo dançava!
Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro. Gastando horrores para o bairro encher a pança.
Tudo por conta do primeiro salário.
E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada.
Às onze horas e cinqüenta e cinco minutos... Vira na esquina buzinando feito louco, um cara numa motoca amarela...
Era do Correio!
A festa parou!
A banda calou!
A tuba engasgou!
Um bêbado arrotou!
Uma velha peidou!
Um cachorro uivou!
Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?
Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.
Joguem água na churrasqueira!
O chope esquentou!
A mulher do Juvenal desmaiou!
A motoca parou!
O cara desceu e se dirigiu ao Juvenal:
Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?
Si, si, sim, so, so, sou eu... A multidão não resistiu... OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!
E o cara da motoca: Telegrama para o senhor... Juvenal não acreditava...
Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos.
Silêncio total.
Não se ouvia sequer uma mosca!
Juvenal respirou fundo e abriu o envelope do telegrama tremendo, enquanto uma lágrima rolava, molhando o telegrama.
Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.
Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler.
O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava:
E agora? Quem vai pagar essa festa toda?
Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava...
Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico.
Sou o homem mais feliz do mundo !
Que alegria e felicidade me deu este telegrama !
Mamãe morreeeeuuu! -Mamãe morreeeeuuu!!!!!!
Pode continuar com a festa... para brasileiro festa é festa...


Será só para os Brasileiros ?

Saudações Costeletas

António Encarnação

CRÓNICA DE DOMINGO

Por João Brito Sousa

OU CRÓNICA À MODA DO PORTO

Não deve haver cidade no mundo onde a relação residente / cidade, seja tão acentuada como aqui neste velho burgo. O portuense ama a sua cidade e é livre na sua forma de pensar. Há os que são portuenses e portistas e os que não são. Mas os que são são mesmo. Impressionantemente.
Aconteceu comigo, quando uma vez necessitei de uma consulta hospitalar. O senhor Doutor disse-me: já vi que você é dos outros. Segunda divisão com eles. Mas, depois da consulta terminada escreveu o nome e o nº de contacto telefónico e disse-me: para si, liga a qualquer hora, dia ou noite.
Fiquei estupefacto.
Outra; certo Natal, comprei, para oferecer, um livro sobre o Porto do professor, escritor e jornalista Hélder Pacheco. O prefácio era do Dr. Miguel Veiga, que me deixou encantado ao lê-lo. Liguei-lhe a dizer-lhe isso mesmo, Dr. o prefácio que o senhor escreveu encheu-me a alma. E foi mesmo.
Uns dias depois recebia em casa um livro de sua autoria, com dedicatória, “ao meu amigo JBS …” com o título, “A Minha Única Curiosidade é o Infinito”. Fiquei impressionado. Dei uma olhada por dentro e este advogado de barra de há mais de quarenta anos, fundador do PSD, figura grada da élite portuense que reside na Foz, maravilhou-me pela forma como fala da sua cidade.
E às tantas leio esta frase: “trago sempre um poema no bolso”.
Outra: certa vez estava a almoçar no Arnaldo, eram 13 horas e o telejornal abriu com esta notícia: Não há dinheiro para o Metro do Porto. E um dos presentes, aí duns oitenta anos, levantou-se, furioso e disse: “se fosse para Lisboa, já havia.”
É o grande problema destes tipos, que, com Lisboa nada. Fui à Biblioteca e constactei que isso já vem de longe, desde o tempo da construção do Palácio de Cristal. Lá terão as suas razões.
Esta crónica, segue para publicação, com um abraço para todos os costeletas, mas, entre eles, vai um abraço um pouco mais apertado para o Montinho, pessoa que comecei a admirar. Aquela maneira de escrever …
Faço questão.
O meu próximo livro é sobre a cidade do Porto. Já está na editora. Depois dou notícias. Deve sair em breve.
Gosto disto.
E de vocês também.
Deixo-vos com um abraço do

Jbritosousa@sapo.pt

sábado, 26 de março de 2011

CRÓNICA DE SÁBADO

Por João Brito Sousa

Já fui tomar café lá fora e já estou em casa. Todos os dias cumpro esse ritual a horas diferenciadas, claro. Hoje cheguei lá às dez; de semana chego mais cedo, mas vou sempre na expectativa de ler o jornal à borla. Hoje não houve jornal. Mas houve leitura Budistas, um livro que levei.

A estadia no café tem a sua graça, gosto de observar as pessoas, como elas se sentam à mesa, como olham á volta, como pedem o serviço, como comem, como dizem bom dia. Neste café onde fui hoje vai também um tipo de cabelo grande, mal enjorcado, um pouco pior do que eu, que já é conhecido da casa e vai na mama de ler o jornal à borla. Pede meia de leite e uma torrada. Apareceu também um tipo vestido a cow boy e pediu um galão e um bolo. Estive a observar.

Liguei ao Moreno a saber dele. Estava no mercado em Faro com o Jorge Custoidinho, o Zé Graça e o Romão do banco. Disse-me que vai escrever para o blogue e que está a gostar do ritmo. Apreciou o trabalho do Diogo.

Vai ser lançado hoje um novo livro da escritora algarvia Lídia Jorge, “A Noite das Mulheres Cantoras”

“Sobre um horizonte de realismo social e no interior de uma exploração psicológica, A Noite das Mulheres Cantoras é um romance exemplar tanto na representação das relações sociais entre as personagens quanto na vertente histórica. De facto, o romance retrata bem o frufru em torno da produção de um disco nos longes de 80 e a formação da banda das "mulheres cantoras", minimizando a participação da narradora, então com 19 anos de idade, entrada no grupo de um modo improvisado, e a ascensão da "maestrina" Gisela sobre as restantes elementos do grupo. A personalidade de Gisela é maravilhosamente retratada, uma mulher de vontade, tão arrebatada quanto previdente, tão disciplinada quanto ousada, submetendo tudo (até a morte de Madalena Micaia) e todos (até o "pai", Afonso) em função do objectivo maior da criação do grupo cantante”

Fui ao blogue e verifiquei que tem poucos comentários. O texto do Montinho é convidativo a uma observação. Aguardemos.

Terça feira ás 18 horas vou ao médico das termas de S. Jorge, segunda consulta, para iniciar por lá umas sessões fisioterápicas.

Vou almoçar a Matosinhos.

Deixo-vos um abraço

jbritosousa@sapo.pt

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nota de introdução
Tinha acabado a minha colaboração no blog. Como alguns já o fizeram. Aceito o pedido pessoal no meu e-mail do João Brito de Sousa para escrever esta pequena crónica

A LÍNGUA

A língua do homem (ou de qualquer Costela |não falando em peça de carne|) é um órgão relativamente curto que não consegue as prócidências a grandes distâncias (?) como a dos mamí­feros formigueiros. Não existe uma verdadeira língua nos vertebrados primitivos, mas certos peixes possuem barras denti­feras no pavimento bucal que mordem contra os dentes palatinos.
A Vida na terra significa que a água não pode ajudar a manipular a alimentação e facilitar a sua passagem através da boca. As glândulas salivares são muito importantes para os animais que têm de comer muitas vezes alimentos secos e a língua torna-se um manipulador essencial para a comida agora humedecida pela saliva.
A língua também guia os alimentos entre os dentes e toma parte nos movimentos de deglutição após a mastigação. Em todos os mamíferos a língua actua como um orgão essencial descobrindo nos alimentos objectos perigosos à deglutição (espinhas) ou que possam prejudicar os dentes; também pode apreciar a temperatura dos alimentos. Possui “corpúsculos” gustativos especiais que reagem à presença nos alimentos de substâncias doces, salgadas, ácidas e amargas, relacionando a sua presença com o sistema nervoso. Muitos venenos naturais são amargos ou ácidos ao paladar, e foi uma admirável mutação aquela que permitiu aos vertebrados terrestres sobreviver por selecção e retenção do seu atributo gustativo..
Os homens, neste caso os Costeletas, também usam a língua para a articulação da palavra, neste caso escrita (também eu); os seus músculos tornam-na móvel e moldável e pode ajudar a produzir muitas e diferentes espécies de sons ou de escrita. Desempenha também a linguagem do gesto deitando-a fora em sinal de grosseria. Ela é longa e pontiaguda nos indivíduos altos e delgados.
Escrevi um pequeno resumo do órgão que todos nós possuímos com um pequeno propósito.

Vejamos o reverso em relação a este último capítulo desta minha crónica.
Uma pequena história, que de muitos já é conhecida, mas aqui vai a minha forma de a apresentar:

Existia um latifundiário que tinha ao seu serviço um cozinheiro muito competente na sua função.
Um dia chamou o cozinheiro e disse-lhe:
- Quero para o almoço de amanhã a melhor comida do mundo.
No dia seguinte o cozinheiro serviu-lhe, muito bem preparada, língua estufada.
- Língua, esta é a refeição melhor do mundo?
- Sim patrão, quando a língua não é má é do melhor que há!
- Então, para amanhã quero a pior refeição do mundo.
No dia seguinte o cozinheiro serviu-lhe, mal preparada, língua estufada.
- Língua novamente, então não é a melhor do mundo?
- Não patrão, quando a língua é má é do pior que há!

Porque não utilizamos, e só, neste nosso Blog, a “melhor comida do mundo”, caros  Costeletas”cozinheiros”?

Nota:
Os meus cumprimentos ao Diogo pelo seu belo texto de História de Portugal, insere-se na "melhor comida do mundo" neste Blog. Bom cozinheiro!


Montinho

O QUE FOMOS

Caro João

Vou ter que recuar uns dias no tempo, aquando escreveste e bem o primeiro textosobre o titulo “ não esquecer Portugal” que em boa hora o fizeste para,
recordar que as onças de ouro ainda hoje estão em divida à Santa Sé mas que Portugal compensou bem vários pápas no futuro tomando ou resgatando território aos mouros ,descobrindo outros e depositando-os no seio da Santa Madre Igreja com o que de bom e de mau daí adveio.Para mim,penso eu, foram mais os proventos que as perdas.Mas vamos aos nossos avós,os que partiram em busca de fortuna e pão que a pátria lhes negava ou não podia proporcionar. Eram guiados pormareantes de conhecimento empírico do que eram os ventos aliseos e correntes marinhas....e quantos pereceram antes que esses conhecimentos fossem passados degeração em geração? Na História ficaram os nomes dos maiores, os que reconhecemos hoje. Para mim, o maior acabou em desgraça perante El-Rei, por muitos anos não se falou nele, foi o nosso conterraneo de Lagos, Bartolomeu Dias, depois de dobrar o Cabo que chamou Das Tormentas ao fazer aguáda no que é hoje Mossel Baye deixou que a tripulação se amotinasse e....voltou sem atingir a mirifica India deixando com esse gesto D.João Segundo furioso....digamos que deixou imperar a bordo a democracia...a maíoria decidiu voltar. O rei escolheu para o substituir na tarefa um escudeiro seu que de mar nada sabia mas....era duro, Vasco da Gama, ao atingir Melinde contratou três pilotos árabes que o guiassem a Bombain,algures no meio do Indico os nossos capitães aperceberam-se pelas medições que faziam via astrolabio que andavam aos circulos e que pouco ou nada progrediam,reuniram as naus,Vasco da Gama mandou enforcar um dos capitães no mastro mais alto e apontando os outros intimou- os :-a seguir sois vós!....O resto todos conhecemos. Foi uma epopeia sem igual. A politica imperava nesses tempos como hoje. Nem sempre limpa mas necessária. O campião dela em todas as dinastias foi D.joão Segundo, um matreiro como são todos os estadistas, não o repugnou sacrificar o seu meio irmão que ficou conhecido como Cristóvão Colombo impingindo-lhe origem genovesa para com isso desviar a atenção de Castela das suas empresas....muito menos atribuir a Alvares Cabral a descoberta do Brasil porque isso o favorecia em Tordesilhas quando o verdadeiro “descobridor” tinha sido Diogo Pacheco Pereira uns anos antes.

O fim de D. João conhecemos,não conhecemos foi quem encomendou mas há duas ou três causas que nos podem ilucidar. Não vamos falar nisso por agora. Vamos antes lembrar que foi D. Manuel que começou a tirar proveito dessa epopeia que começava em grande,nos fez grandes no comercio do oriente....das sêdas, das especiarias e...das armas. Criaram-se tratados de estadia ou permanencia na India, na China, na Malasia e no Japão....ora isto só poderia trazer poderio para a Corôa e bem estar acrescentado para o povo que arriscava e....que poucas vezes voltava. Estabelecia-se com pequenos ou médios negócios, miscejenava-se, criou países que englobavam dentro nações como foi o caso do Brasil, de Angola e Moçambique.
Uma Pátria que tal filhos pariu merecia melhores governantes era a questão?
Claro que sim. Hoje, vêm-se enormes porta contentores com milhões de toneladas de bens de consumo atravessar os oceanos que nós à custa de muitas vidas desvendámos, dúvido que algum tenha pavilhão Português. A nossa marinha mercante foi desmantelada, os nossos estaleiros navais destruídos ainda não percebi ou finjo não perceber a bem de quem....Em tempos foquei aqui o caso do paquete Funchal que foi vendido nos anos oitenta por vinte mil contos e....dizia eu:- mais do que isso valia o veio da helice!
Termino. Se calhar merecemos mesmo o que nos cai na rifa em que não tirámos
bilhete.
Se fôr publicado deixo um abraço para todos
DIOGO




HOMENAGEM

AO ALFREDO MINGAU

Por João Brito Sousa

PELO SEU TEXTO “Pombas Enamoradas”
COMENTÁRIO CRÍTICO

O texto do Alfredo Mingau cujo título está acima e que está no blogue também, é, talvez dos textos mais bem escritos que alguma vez passou por aqui. É um texto difícil como são os de William Faukner ou no mercado interno, como são os textos da Lídia Jorge.
A cena da taberna está muito bem construída, com imagens únicas, exigindo saber e talento para as criar. E sensibilidade artística como consta neste excerto “Lá dentro um fumo frio rodopia…”
É um texto que nos exige reflexão alongada e que resulta de um excepcional momento de inspiração. Talvez iniciado às seis da manhã, como fazia Hemingway. Que ia até ao meio dia.

A mulher vestida de luto quem será? Alguém conhecido do autor. Uma criação ? Porque a Gervásia de Zola não entrava na taberna; esperava pelo marido até altas horas. E Lantier andava na borga e quando chegava dizia ter andado à procura de trabalho.

O silêncio é o rei desta crónica. O parente mais próximo da morte é o silêncio, diz-se. Parece-me haver aqui alguém que morreu, porque a mulher que se chega ao balcão está de luto, um véu que lhe chega aos joelhos, chapéu preto, luvas pretas …acenam sem dizer coisa alguma. A mulher baixa o véu.

Será Kakfa ? será Hitchcock ? será Vergílio Ferreira ? será Lobo Antunes, será William Faukner ?

Uma mulher de luto no centro da simpatia. Estranho, mas é por isso que as pombas enamoradas arrulham. Por simpatia recíproca. A simpatia, diz-se no texto, sobrepôs-se ao silêncio e ao negro do véu. Isto quer dizer que a vida continua. Com amor. Que é o primado da vida.

Dá que pensar este texto.
Pela abordagem ao silêncio.
Porque; “há ocasiões em que o silêncio de uma pessoa torna-se mais sábio do que qualquer palavra que poderia ser pronunciada. Quando há pessoas com quem podemos aprender (de todos, sempre podemos aprender) o instante é de calar e ouvir, absorvendo cada palavra para que penetre em nossa mente e não nos faça esquecer. "Mesmo um tolo, quando segura a língua, é considerado sábio."
Em meu entender, este texto aconselha a não falar de mais, mas a ouvir mais. E assenta-me como um a luva.

Por minha parte agradeço.

Deixo um abraço ao autor.

João Brito Sousa

NEM TUDO É TRISTE...



CARTA DE UMA ALUNA DA
3ª IDADE UNIVERSITÁRIA DE FARO

Faro, 21 de Março de 2011

Minha crida Mãezinha do mê curação :

Muito istimo cáo arreceber esta minha carta amecê se incontre numa prefêta e feliz saúde na companha da nossa vezinha Amela , que nã desfazendo é uma boa criatura. É cá mais o mê Manel a gente anda um pôco à rasca , mas também não ademira porque a gente tá quase todos no mesmo…Dês quêra camecê já teja melhor daquele marafado quibranto que le deu o vezinho Zé dos Porcos
Pôs Mãezinha , è cá hoje arresolvi iscrever-le qué pra le dar metissas do que por cá se vai passando na minha oniversidade e não só…
Como amessê sabe o mê Manel marticulou-me numa oniverssidade à donde só anda a fina flor da ssidade , quer dizer as mais enteligentes e os mais enteligentes também (não é pra me gabar) mas paresse-me que não istou inganada.
E nós a gente gustamos muito desta oniverssidade e quer dizer … dos senhores pressores também…Eles insinam muito bem e não dão porrada nagente nim nada… E sabe Mãezinha a gente hoje viemos à nossa oniverssidade da prepósito para omagear um senhor quer dizer um senhor que já foi nosso senhor Pressor e qué cá e mais as outras meninas gustavamos muito e aprindi uma purssão de coisas quer dizer aprindi porcu senhor nos insinou muito bem e é cá alembro-me muito bem das lissões dos confelitos dos impregados com os patrões e cu senhor pressor insinava muito bem à gente . Às vezes o mè Manel precurava-me colquer coisa só pra ver sé cá sabia , porquele tá-me sempre a dizer : se não istudas , não pões lá mais os pége e é cá não quero nim pinsar nisso porqué quer dezer é cã inté murria de desgosto se ele me fizesse uma coisa dessas… Atão é o qué gosto mais de fazer é vir às aulas… Gosto das culegas e dos culegos todinhos e dos senhores pressores … nim se fala !
É pur isso cagente tá oje aqui porque se não fosse o nosso senhor dotor Canal não avia nada disto e os pobres das senhoras da média edade levavam o dia no meio dos tachos e das panelas quer dezer, cada vez mais velhas e mais tristes cu dia intrior… E foi o nosso senhor dotor Canal que teve muita pena dagente e ós despois pediu com lessenssa à sua desposa dele e prontos lá cumessou a inssinar-nos a insinar-nos e nunca mais parou! E não se arrepindeu…nim um pedacinho… (também não ademira ele ganhava uma purradaria de dinhêro…) Intrementes o senhor pediu a reforma quer dezer pediu, porque as alunas e os alunos cumessaram a purtar-se mal (é cá não , e o mê Manel que sóbesse…) e arresolveu intão ficar a guzar da boa reforma com que ficou pelos bons servissos prestados a esta oniverssidade para a qual dita cuja, ele tanto trabalhou…E como o senhor não podia istar im casa sempre a ver só a sua desposa dele, quer dizer, a gente não pode istar a ver sempre a mesma pessoa…Atão ele, o senhor dótor Canal arresolveu a vir também prá sua oniverssidade . Intão o senhor dotor vem às aulas, assanta-se e vá lá, porta-se muito bem ,não vai brincar prá rua , nim bate nos senhores pressores... Tá ali muito sugadinho e às vezes inté passa plas brasas quer dezer, drome um becadinho, mas prontos a gente nã semporta e o senhor não encumoda a gente quando acorda ,porque não fica empertinente nim nada…
E nós a gente istamos todas e todos muito contentes e por isso arresolvemos dar –le o títalo de senhor Riator porque o senhor bem meresse , pois apesar de ganhar muito bem, ele também deu o seu melhor pra que a oniverssidade tivesse bons pressores e umas enstalações endessentes , onde estamos bastante bué de bem,quer dezer grassas ao desforsso do nosso muito istimado senhor Riator ( do nome é qué cá não gosto nada , faz-me alimbrar aquele riator lá do Japão que traz as pissoas todas acagaçadas com medo caquilo vá tudo prós ares)
…Ó Mãezinha e não acha bem qué cá vá dar os parabenge ó senhor Riator ? É cá não sei é sa senhora dele gustará , mas olha ela não me á-de dar purrada purisso, não acha Mãezinha ?
E prontos , ós despois é cá logo le conto o resto tá bem Mãezinha ?
Agora não se desquessa de dar muitas arrecumendassões ó compadre Imbroiso do olho torto e à vezinha Marizinha da quinta das vacas e já agora precure lá ó ti Zé da boca ó lado, se a porca da vezinha Juana, já tá melhor dos presuntos .
E amecê arresseba uma carrada de bêjinhos de mel, desta sua filha que le quer muito

Felicianita
Meu caro DIOGO

Começo com um abraço para ti e felicitar-te pelo teu comentário às minhas afirmações, das quais sou responsável, obviamente,
E recordar aqui a nossa escola primária onde foste parceiro de carteira do nosso comum amigo Bernardo Estanco dos Santos.
Onde começou a nossa amizade… de amigos perdidos e reencontrados de hoje.
Factos.
Se bem li, citaste a Peregrinação de FMP para me dizeres que “pavonear-se em Lisboa” nada consta.
Eu li esse livro há muito tempo e já não me lembro. Mas OK. Acontece que eu li isso do “pavonear-se” algures, não me lembro onde, mas assumo.
Fui procurar.
E reparei que a “Peregrinação” tenha começado a ser escrita entre 1569 e 1578, sendo esta última data referida na própria obra. O texto original foi deixado à Casa Pia dos Penitentes que iria publicá-lo 31 anos após a morte de seu escritor. Tamanha demora em sua publicação é creditada ao temor de Mendes Pinto frente à Inquisição.
E, li em
Navegações portuguesas e os descobrimentos, o seguinte:
“No ano de 1498, Portugal realiza uma das mais importantes navegações: é a chegada das caravelas, comandadas por Vasco da Gama às Índias. Navegando ao redor do continente africano, Vasco da Gama chegou à Calicute e pôde desfrutar de todos os benefícios do comércio direto com o oriente.
Ao retornar para Portugal, as caravelas portuguesas, carregadas de especiarias, renderam lucros fabulosos aos lusitanos.

Outro importante feito foi a chegada das caravelas de Cabral ao litoral brasileiro, em abril de 1500. Após fazer um reconhecimento da terra "descoberta", Cabral continuou o percurso em direcção às Índias.
Em função destes acontecimentos, Portugal tornou-se a principal potência económica da época.

A Peregrinação é quase de 1600 e eu falei em 1500, onde, “Ao retornar para Portugal, as caravelas portuguesas, carregadas de especiarias, renderam lucros fabulosos aos lusitano, como se diz acima.
Logo, não podias ver os lucros na Peregrinação que conta outras histórias.
Falta o pavonear-se… que se deduz.
Os bidons villes para os franceses, não me agride, mas não sabia. É nesta troca de “saberes” que este espaço vale e deve ser cada vez mais participado.
Fica a explicação para a malta de 1500 às voltas em Lisboa, carregados de sedas.
Saudações costeletas.
Alguma coisa, estou por aqui.

João Brito Sousa
PS- Gostava de ler outros comentários.

quinta-feira, 24 de março de 2011


NÃO ESQUECER PORTUGAL (III)

Por João Brito Sousa

Viva Portugal
Nunca vi nem ouvi falar tão mal da governação como agora. De aldrabões para cima chama-se tudo aos políticos. Que deveriam ser eles a auferir as baixas reformas que muitos portugueses auferem, diz-se claramente na TV. E que, ainda por cima, algumas delas sujeitas a reduções.
Que fazer ?
Não sei. Por mim, sou português desligado dos partidos, ou seja, não filiado. Que gostava de fazer coisas ou de participar. Porque não devemos ficar indiferentes..
Vamos ver.
Recordemos que desde a batalha de S. Mamede em Abril de 1128, quando o moço Afonso Henriques venceu o exército de sua mãe em campo aberto, numa tarde luminosa, “a primeira tarde portuguesa”, como lhe chamou o grande artista plástico Acácio Lino, em imagem reproduzida no painel de sua autoria que se encontra no Palácio de S. Bento em Lisboa, não me lembro ter constatado, tanta falta de consideração como se está agora, a revelar uns pelos outros, a começar pelas altas esferas.
O futuro preocupa-me e o futuro é já amanhã.
Portugal foi, no passado, um País respeitado e deverá continuar a ser. Um País que teve Camões, Pessoa, Antero, Junqueiro, Torga, Saramago e outros grandes vultos da cultura não pode ficar indiferente perante o que se está a passar.
Que é muito mau.
Não é este País que nos prometeram, diria Baptista Bastos.
Temos de estar unidos e recordar Aljubarrota, D. Nuno Álvares Pereira, D. João IV e os homens da Republica, que ingenuamente pensaram que podiam ser felizes. Não, sonharam apenas. Mas o País sobreviveu, não deixou que alguém aqui se intrometesse. Que é o que não está a acontecer agora.
A senhora alemã já disse de nós o que não devia. Nas notícias que passam a todo o momento refere-se mais austeridade, mais impostos, menos qualidade de vida.
Portugal, quo vadis.
Eis a questão.

Jbritosousa@sapo.pt

quarta-feira, 23 de março de 2011


AS PESSOAS

Andam por aí. E fazem coisas que não entendo. Qual é o objectivo de viver ? Será que as pessoas em geral já pensou nisso? Valerá a pena ser incorrecto, indesejável, ambicioso, desonesto, incoerente, incumpridor, desumano e por aí fora… Acho que deveríamos pensar nisto, a sério. Porque entendo que estas situações que as pessoas criam não são compatíveis com o dia a dia.
Onde as pessoas se cruzam e se ignoram.
Apesar de não ser um modelo de comportamento, deu-me para aqui. De fazer um apelo ao bom senso. Mas quem sou eu ? Terá cabimento esta crónica ?
Não sei.
Quando ia para a Escola de bicicleta pedaleira, anos cinquenta, cruzava-me com um velhote ali para os lados das Pontes de Marchil, para aí de quarenta e tal anos, que cumprimentava toda a gente que ia em sentido contrário e sorria.
Era uma atitude simpática. Que trazia qualquer coisa de esperança naquele sorriso amigo, afável, seguro, sereno
Já deu para ver que, se formos humildes e praticantes da verdade temos mais possibilidades de trazermos um sorriso na face.
Como o do velhote.
Já agora,
Que é feito do Alfredo, sim, o Mingau ? E do Montinho ? Às vezes é importante dizer não e estes colegas diziam. Com charme e com autenticidade. Se falo deles é porque tenho saudades de comentar as suas crónicas.
Punha-me a ler os textos e os meus comentários teriam que ser sentidos e verdadeiros. Aquele era um trabalho que eu gostava de fazer porque me educava o carácter. Hum, estarei a ir bem. Optava pelo sentir. E lá ia.
Aquelas histórias que o Montinho contava. É a última, dizia ele. E depois lá vinha mais uma. Porque é que já não vêem.
E o Norberto ? E o Moreno ? E o Diogo from USA.
Mas temos o Jorge Tavares. Que assina costeleta 1950 / 56.
É o único que o faz. Porque será ? Acho um gesto coerente. Não será para dizer que não chumbou nenhum ano. Ou é, Jorge ?
Eu repeti dois. Mas vou pôr.
Deixo-vos um abraço.

João Brito Sousa
Costeleta 1952 / 61


A PRIMEIRA MULHER CANGACEIRA


Maria Gomes de Oliveira , companheira do Lampião “ Maria Bonita “ formaram o lendário par de Cangaceiros do Nordeste Brasileiro, Morreram em 28 de julho de 1938, & nbsp; Ocorrendo o centenário do seu nascimento no dia 08 de Março de 1911, dia internacional da mulher (e sua memória foi evocada em alguns meios de comunicação do País) .
O termo cangaceiro era dado aos fora da lei que viveram de forma organizada nos finais do Século XIX e início do Século XX , sendo o Lampião considerado o maior de todos os tempos ! Causou grandes transtornos à economia do interior e sua história é um misto de verdades e mentiras.

No início da década de 30, mais de 4 000 soldados estavam em seu encalço, em vários estados.
Seu grupo contava então com 50 elementos entre homens e mulheres. Tornou-se amigo de coronéis e grandes fazendeiros que lhe forneciam abrigo e apoio material.
Lampião é odiado e idolatrado com igual intensidade, estando sua imagem viva no imaginário popular mesmo após 73 anos de sua morte.

No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.
(Volante = Grupos de soldados ou contratados que percorriam as caatingas em busca de grupos cangaceiros. Também denominados por Jagunços . Alguns ficaram famosos por sua perversidade contra civis.)
Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.
O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida..
A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou as cabeças de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada, e dos outros integrantes .
Feito isso, salgaram as cabeças e as colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal. Os corpos mutilados e ensangüentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.
Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da igreja, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois, foram levadas a Maceió e ao sul do Brasil.
As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.


Saudações Costeletas
António Encarnação

terça-feira, 22 de março de 2011

ETICAMENTE …

Não vejo possibilidade de aprofundar as coisas. O blogue ganhou alguma dinâmica, mas precisamos de manter o bom senso, i.é., não trazer para aqui a discussão do problema da nossa sociedade actual, a não ser que para isso sejamos autorizados.

Fiquemos por pequenas abordagens.

As interrogações do Jorge Tavares provocaram reacções interessantes das quais destaco as do Moreno, pelo bom senso que sempre evidenciou e continua a evidenciar e que não entende os bons desempenhos dos portugueses lá fora (muito bom e em muitas profissões) e os desempenhos internos que ficam muito aquém do que era possível fazer.

É uma boa questão.

Eu penso tratar-se duma questão cultural. Entre nós, prevalece o dar nas vistas sem suporte financeiro para tal e o “inteligente” é, digamos assim, o incumpridor. Cito, a propósito, aquela frase de Shakespeare “Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são.”

A questão colocada pelo Elias é também uma questão de oportunidades que o País está com cada vez maior dificuldades oferecer. Em minha opinião, os portugueses lá fora têm bons desempenhos, entre outras coisas, porque encarnam ainda o espírito dos portugueses de 1500 que iam para a Índia onde faziam negócios e vinham pavonear-se para Lisboa. Há em cada português um pouco disso. Muitos deles estiveram anos e anos nos “bidons ville” e hoje têm a sua casa na aldeia.

Para isso teremos de ser bons profissionais, melhor, ser reconhecidos como tal.

Regressar à terra é um sentimento bem português. Mas de mãos a abanar, não. O orgulho português passa por aí.

O comentário do Maurício é bem português; nada a apontar.

O Victor Venâncio, faz um comentário com sangue português a correr nas veias. Interroga e explica. Não concorda que se fale do passado. Mas o passado, duma pessoa ou duma Nação, é o seu C.V. e define o carácter dessa pessoa ou dessa Nação.

O passado de Portugal é a sua História, que deve ser conhecida para que não se repitam os erros e se copiem as boas resoluções.

Os comentários sugeriram-me este texto.

Que vai seguir para publicação.

Ficando à espera de outros comentários.

Ab. Costeleta do
JBS

segunda-feira, 21 de março de 2011

NÃO ESQUECER PORTUGAL (II)


Por João Brito Sousa

Portugal é um País com grandiosidade suficiente para exigir, a quem o governa, que seja igualmente grandioso.

É preciso ser digno, ter consciência da realidade do mundo actual, ser tolerante e ser competente.

Não gostei das declarações contraditórias do Governador do Banco de Portugal e da Vice Governadora, por exemplo.

Portugal nasceu em 1143, tendo sido a sua independência reconhecida pelo rei de Castela, no Tratado de Zamora.

D. Afonso Henriques dirigiu-se ao papa Alexandre VI, a quem declarou Portugal tributário da Santa Sé com o censo anual de 4 onças de ouro e reclamou para a nova monarquia, em troca, a protecção pontifícia.

D. Afonso Henriques consagra Portugal à Santa Maria (Nossa Senhora).

À data da independência, Portugal possuía cinco cidades: Braga, Coimbra, Lamego, Porte Viseu; as cidades de Évora, Lisboa e Silves estavam ainda em poderio árabe.

É preciso recordar que a Batalha de São Mamede, foi uma batalha travada a 24 de Junho de 1128, entre Dom Afonso Henriques e as tropas de sua mãe, D. Teresa e do conde galego Fernão Peres de Trava, que se tentava apoderar do governo do Condado Portucalense.

As duas facções confrontaram-se no campo de São Mamede, perto de Guimarães.

O País que é hoje Portugal, tem este passado.

De luta.

E é o nosso País.

Respeitemo-lo, portanto.



JBS

sexta-feira, 18 de março de 2011


NÃO ESQUECER PORTUGAL

Por João Brito Sousa

É importante não esquecer Portugal. Quando esta geração que está no Governo chegou a esse desempenho, já Portugal tinha oitocentos e tal anos de existência. Este território de 92 1oo Km2 de superfície é um País com enorme tradição cívica, carregado de provas de amor pátrio, de honradez, de grandes figuras de humanistas, da ciência, do Renascimento e do Iluminismo.
Portugal é um País hoje com as suas fronteiras bem definidas, soberano, um País que começou de um Condado e aumentou o seu espaço conquistando terras, guerreando, atravessando os mares e descobrindo novos mundos.
Portugal é um País que suportou crises e venceu-as, impondo-se pela justeza das suas medidas. Portugal esteve nos cinco continentes, tem períodos notáveis na sua longa História e deu exemplos de honradez ao mundo. E de respeito pela dignidade humana.
Foi o primeiro País a abolir a pena de morte.
Um seu embaixador passou vistos a judeus expulsos de seus Países, por uma questão de humanismo e justiça, contrariando directrizes superiores.
Tem dois Prémios Nobel atribuídos como reconhecimento da qualidade dos seus cientistas e intelectuais.
No desporto foi no passado e é no presente campeão do mundo.
Por tudo isto que deixo escrito e por muito mais que não deixo mas que devia, este País mais respeito de quem o dirige.
E de todos os outros que aqui nasceram. E aqui vivem. E os que vivem lá fora e que têm saudades.
É o que eu penso.

jbritosousa@sapo.pt

quarta-feira, 16 de março de 2011

Por Portugal

Que podemos pela Pátria fazer?
Agora, neste triste momento?
As pátrias podem morrer ou não?
Que fazer nesta ocasião?
A resposta é já um tormento;
Um caminho claro não se vislumbra;
À frente só vemos grande penumbra;
Mas tem de haver uma solução!
Não podemos os braços cruzar,
Não, não nos podemos resignar,
A ver os jovens e outros a emigrar,
Os nossos melhores o país a deixar,
A descrença a alastrar,
A dívida gigante sempre a aumentar,
Do desemprego nem é bom falar,
Não podemos deixar isto a apodrecer.
Então que fazer?
1º.-mostrar já um vermelho cartão,
Aos que aqui nos conduziram,
Para que se vão.
2º.-rápido – exijamos outros então.
Que não usem de demagogia,
Que comandem,e ajam com isenção;
Que dêem exemplo de cidadania;
Em quem possamos confiar;
Tenhamos isso sempre em mente,
Procuremos os melhores achar:
Se o fizermos iremos sempre em frente!
3º. A esses nós devemos ajudar,
Sem regatear,
E não todo o dia a pedinchar,
Para o nosso amor à Pátria mostrar!
Somos gente com fibra –ajamos;
Não procedamos como enfermos,
Pois as pátrias só morrem,
Se nós próprios morrermos!

Manuel Inocêncio da Costa

segunda-feira, 14 de março de 2011



Homenagem a Marcelino Viegas - 12.03.2011
UM TEMPO DE AFECTOS


Este foi o tema do jantar de homenagem ao costeleta Marcelino Viegas.
Estive presente, e comigo os costeletas Jorge Miguel Tavares ( meu filho ) e João Brito de Sousa ( embora ausente fisicamente ).
Fiquei impressionado à chegada, quando abracei o Marcelino e me apercebi do grau da sua deficiência visual. É uma situação muito difícil e que vai necessitar de muita coragem e determinação para conseguir ultrapassar as grandes dificuldades, sobretudo nas horas de desânimo. Felizmente a mulher, companheira de longos anos, é também os seus olhos, inclusivamente dedilhando no computador a sua escrita - razão principal do seu viver.
O Marcelino Viegas viveu, nesta homenagem, um dos momentos inesquecíveis da sua vida. Rodearam-no mais de uma centenas de amigos, vindos dos mais variados quadrantes da sociedade algarvia e não só. Durante cerca de duas horas, inúmeras entidades expressaram ao Marcelino Viegas e a todos os presentes o seu pensamento sobre o homem e o jornalista. Caracterizado como um homem bom, justo, amigo do seu amigo, excelente companheiro de trabalho, bom pedagogo, e sobretudo jornalista de elevada craveira e merecedor dos mais rasgados elogios dos muitos órgãos de informação (rádio e jornais) presentes.
Das inúmeras pessoas presentes, não posso deixar de salientar a senhora Governadora Civil do Distrito de Faro, Presidentes das Câmaras Municipais de São Brás de Alportel, Faro e Loulé, vereadores, Presidentes de diversas Associações desportivas, nomeadamente futebol , atletismo, ciclismo, proprietários e directores de jornais de Vila Real de Santo António a Portimão, directores da Federação Portuguesa de Futebol e do jornal a Bola, e muitos outros.
Além das intervenções da mesa de honra, dos organizadores e dos muitos presentes que quiseram deixar o seu testemunho, também foram lidas mensagens de amigos e ex-companheiros, que impossibilitados de estar presentes, delegaram a outrém a expressão pública do seu sentir e da sua vontade.
Ausentei-me deste convívio, convicto do dever cumprido e questionando-me se a nossa Associação, que "primou" pela ausência ( directa ou por delegação ), estará de bem com a sua consciência.
Lembro a todos os costeletas que o Marcelino Viegas, iniciou a sua frequência na nossa escola em 1952, e frequentou o Curso Geral de Comércio e as Secções Preparatórias na Escola Tomás Cabreira.
As acções ficam com quem as pratica...e todos os que participaram na HOMENAGEM AO MARCELINO VIEGAS fizeram uma boa e justa acção.

jorge tavares
costeleta 1950/56

nota: junto um descritivo dos jornais aonde participou e os prémios e certificados com que foi destinguido


Nos jornais, entre outros:
o Arauto (Guiné), Jornal do AJgarve, Diário de Notícias,
A Capital, Diário Popular. Diário de Lisboa, Sul Desportivo (chefiou a Redacção), O Comércio do Porto, Record, A Bola (durante 2S anos). Norte Desportivo, O Alfaghar, O Algarve (chefiou a RedaC""ção), Povo do Algarve, Diário do Sul (coorde¬nou a delegação do Algarve). Notícias do Algarve, O Sambra~ sense, A Avezinha e Jornal de Notícias (actual correspondente).
Prêmios, certificados e homenagens, entre outros:
Gandula/ 1987 (rádio); "Jornalismo" da APTA-Albufeira; As-
sociação de Vela do Sul (Dezembro/S8); "Mais de 2S anos de jornalismo em prol do Desporto e da Região': (Governo Civil de Faro, Fialho Anastácio, Fevel~eiro 2002); Troféu Algarve 2002 da Associação de Atletismo do Algarve (Imprensa/Rádio); Diploma
da Região de Turismo do AJgarve - Prêmios Comunicação Social! J 988; Aperfeiçoamento em Imprensa, do Cenjor (Julho a Novembro 1993); participação nas Jornadas de Prevenção e Segurança na Floresta, da Associação Nacional de Bombeiros
Profissionais (Faro, Setembro 1999); Diploma de Louvor de Mérito Jornalístico, por "serviços relevant~s à causa do jornal¬ismo em prol da sua região e do País" (Secretário de Estado Adjunto do Ministro Adjunto do PrimeiroMMinistro, Feliciano Barreiras Duarte, Lisboa, Janeiro/2005); 10 Prémio de Comuni= cação, Honra ao Mérito Desportivo (Governo Civil do Distrito de Faro, 2010).

NOTÍCIAS CARTEIRA



Fagar vai levar água e saneamento
à Bordeira, Chaveca e Bela Curral



Água
A obra que permitirá levar água e saneamento às zonas da Bordeira, Bela Curral e Chaveca vai ser contratualizada no dia 17 de março, numa cerimónia a decorrer na Conceição de Faro.

A empresa municipal de Faro Fagar é a dona desta obra, que se estima que possa levar à adesão de 1500 novos clientes no abastecimento de água e 800 no saneamento.

Segundo a Fagar, as localidades a ser servidas são: «Quinta das Raposeiras, Agostos, Bordeira, Telheiro, Lagos e Relvas, Barros, Chaveca, Pé do Outeiro, Caliços, Bela-Curral, Brejo, Pereiro, Vale de El-Rei e Gional».

A empreitada tem um custo estimado de cerca de 6,5 milhões de euros e deverá estar concluída no prazo de dois anos.

14 de Março de 2011 | 15:00

RC


CRÓNICA DA LOUCURA

O melhor da terapia é ficar observando os meus amigos loucos.
Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco, o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode
dispor-se a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos.
Se não era louco ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes alguns minutos e ficar observando os meu colegas loucos na sala de espera.
Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas, portanto a sala de espera tem sempre três ou quatro, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura e eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. Acho que todo o escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo.
A sala de espera de um “consultório médico” como diz a atendente absolutamente normal (só uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela) é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:
- Eu
- Um criolinho muito bem vestido.
- Um senhor de uns cinquenta anos
- Uma velha gorda
Comecei, é claro, a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca e os pais dela não aprovam ou conseguiu entrar como sócio do “Harmonia do Samba”, notei que os ténis estavam um pouco velhos. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado.
Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala, podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro, podia ser perigoso. Afastei--me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadelas furtivas para dentro da mala assassina.
E o senhor de terno (fato) preto, gravata, meias e sapatos também pretos!
Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo, corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques, já notaram?
Observo as mãos, roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável.
Como era infeliz esse meu personagem. Em certo momento tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra.
Faltava um botão na camisa, claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dividas astronómicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbava? Seria esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. Onde estarão os filhos dela? Acho que os filhos dela não comem a macarronada da “mama” há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha viagem na sala de espera. Ele ri, ri muito e diz-me:
- O Ditinho é o nosso Office-boy.
- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios e passa aqui uma vez por semana com as novidades.
-A gordinha é Dona Dirce, a minha mãe.

E você não vai ter alta tão cedo.

Luís Fernando Veríssimo (Escritor, cronista e jornalista, brasileiro, filho do grande escritor que foi Érico Veríssimo)

Esclarecimento:

Sou grande admirador da obra do autor da crónica que acima transcrevo e conheço o seu estilo bem como o refinado senso de humor.
Vem esta nota a propósito de há três semanas atrás eu ter assistido a um programa de televisão transmitido pela Rede Globo, denominado “Altas Horas” e no qual participava como convidado Luís F. Veríssimo. O apresentador do programa perguntou-lhe em determinado momento:
- É verdade que circulam pela Internet crónicas e outros escritos cuja autoria lhe é atribuída, mas que na realidade não são seus?
Ao que ele respondeu:
- Sim é verdade, não sei qual a intenção mas na verdade isso acontece!
Por isso meus amigos não leiam “gato por lebre” quem conhece a obra do autor percebe nitidamente o que é dele ou não.
A crónica acima transcrita parece-me ser dele mas não tenho certificado de autenticidade.

Ferreira Borges