segunda-feira, 30 de maio de 2011



Conceição Jardim

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Técnicas de Saúde

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Junta de Freguesia da Sé - Faro

Delegação da Penha

Rua Jornal "O Algarve" nº 39 8005-243 Faro

Tel: 289 803 416

Fax: 289 803 417

www.jf-se.pt


Á CONVERSA COM O ZÉ ELIAS MORENO

Por João Brito Sousa

Conversar com o Zé Elias, o nosso Nestlé como disse o nosso Fernando Oliveira, é sempre motivo de satisfação porque o Zé sabe lidar com as coisas importantes e menos importantes da vida.

É um costeleta fixe. Gosto da sua maneira de ser.

Da escola lembra-se de tudo. Desde a primária, onde nos conhecemos. É um homem preocupado com o nosso destino enquanto povo.

Perguntei.lhe porque não se dedicava à escrita, por achar que tem jeito e podia falar desse povo, escrevendo.

Respondeu-me: - Sabes, não tenho muito tempo para isso. O Diogo é que tem talento e já lhe disse isso a ele. A mim, por enquanto, reservo-me o papel de observador atento. Gosto de dar uma olhada nos acontecimentos do mundo e sou daqueles que considera a família o pilar fundamental da existência de cada um de nós. Não havendo unidade familiar perde-se de certo modo o estímulo para a luta. Porque a vida é isso mesmo, é procurar chegar a um destino e a um lugar que vem connosco à entrada desse inicio de caminhada. Mas gosto da escrita, prosa e poesia, sobretudo neste último aspecto da literatura onde já tenho feito umas coisas. O meu colega da Marinha Mercante, Pedro Valdoy é que é bom nisso. A literatura é uma ferramenta que nos põe em contacto com os problemas concretos da vida e, disse um autor que não me lembra agora o nome, se não nos tornar felixes pelo menos evita que sejamos infelizes. Saramago não é de opinião da utilização da palavra felicidade; ele defende a utilização da palavra harmonia. Foi um grande pensador, como aliás são todos os bons escritores.

A tua vida, daquilo que sei, foi feita subindo a corda a pulso. Concordas com esta afirmação.

A vida de cada um de nós é trabalho, dedicação, estudo permanente e muitas coisas mais. Subir a corda a pulso é conseguir um estatuto à custa das nossas capacidades de trabalho, capacidades intelectuais, capacidades de cumprimento das normas instituídas pelas sociedades e por ai fora. Eu, pessoalmente, sempre tive uma apetência para o trabalho de mãos, o que pode ser considerado uma mais valia perante os que não a possuem, porque somos mais criativos. E a vida, hoje é inovação e tecnologia. E aí eu funcionei plenamente. Gostei do que fiz.

Recordações da Escola, tens ?

Obviamente que sim. E óptimas. Recordo alunos e professores. Tudo boa gente.

O que vais fazer agora ?

Vou gradar a terra com o tractor. Queres vir comigo ?

Outro dia, disse eu. E despedimo-nos.
Nota – Este texto é inventado por mim.


Afinal não existe nenhum problema estrutural,
 o problema está nos cromossomas, e já vem de longe...


"O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce... O comércio definha, A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo."

Eça de Queirós

Saudações Costeletas
António Encarnação

sexta-feira, 27 de maio de 2011

TEMA INTERNET/COMPUTADORES


VIRUS? PRECAUÇÃO

Se o seu programa anti-virus detetar  a presença de um virus, a primeira coisa a fazer é desligar a ligação à internet e proceder a uma análise completa do seu computador para detetar e remover aquele e outros riscos de segurança.
Desligar a ligação à internet, deve-se ao facto de muitos dos virus da atualidade utilizarem esta ligação para se propagarem ou ainda pior, para abrirem portas que permitam o acesso ou infeção do computador a partir da internet.

PROTEJA A SUA CANETA USB (pen)

Podemos imunizar a nossa "caneta USB" dos virus contraídos quando a ligamos a computadores "alheios", utilizando este programa da "Bitdefender":

uso grátis - 3,5 MB
http://labs.bitdefender.com/

-Execute o programa, na janela que se abre selecione a letra da unidade correspondente à sua caneta USB e faça um clik sobre IMMUNIZE;
-Tem outra opção em baixo, que permite proteger o seu computador contra os virús propagados  automaticamente quando se liga um dispositivo externo. Para o aplicar, faça um clik sobre "OFF", à frente de "immunize computer"
Roger

ANIVERSÁRIO DE ASSOCIADOS COSTELETAS


FAZEM ANOS EM JUNHO
02 – Analídio Marcelino da Encarnação Soares; José Manuel da Encarnação Pires. 03 - Manuel Pedro Paulo; Maria de Lourdes Costa Drago Rodrigues. 04 - Joselina Cabrita Dias. 05 - Maria Marciana Rodrigues Gonçalves Rosa Miranda. 06 - Joaquim Jesus Matias; António Norberto Sousa Cunha; Isabel Maria Quintas Lapa Veríssimo. 07 – António Óscar Figueira Guerreiro. 08 - Maria Amélia Malaia Santos Gonçalves; Luciano Lopes de Mendonça Vargues. 10 - Amabélio Artur Pereira; Daniel Gregório Pacheco. 11 – Vítor Manuel da Cunha; Jacinto Luís Conceição Rodrigues. 12 - José António Gonçalves Palmeiro. 13 - Inácio Guerreiro Fernandes. 14 - António Viegas Rodrigues Palmeiro. 15 - Zélia Maria Dores Neves Gomes Costa. 18 – Manuel Henrique Passos; António de Jesus Brito. 19 - Alfredo Silva Teixeira; Armando Jesus Adanjo Sebarrinha. 20 - Afonso Lopes Santos; Joaquim Ponte Coelho. 21 - António Inácio Gago Viegas; Carla Maria Pires Neves Rio Coles. 23 - José Luís Iria Zacarias; Zinália Maria da Conceição Rosa. 24 - João Horácio Tomé Belchior; Maria João Mendonça Portela. 25 - Maria Irene Mendonça Lita Sousa. 26 - Vítor Manuel Rodrigues Caronho. 27 - João Jacinto Piteira. 28 - José António Rodrigues. 30 - Nívio Jorge Santos Celorico; Vítor José Jesus Silva.

PARABÉNS A TODOS

Pesquisa de Rogério Coelho

quinta-feira, 26 de maio de 2011

INFORMAÇÃO

NOTÍCIAS DO JORNAL CARTEIA


Querença recebe nos próximos dias 20 a 23 de Junho o Regis Llerena, Mestre em Tradições Andinas, num seminário temático, segundo as Tradições Andinas, onde serão focadas as ligações do Homem aos quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo.
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Campeonato Nacional reúne aficionados da Vela em Tavira
22-05-2011
De 25 a 29 de Maio, Tavira volta a receber velejadores nacionais para disputar o Campeonato Nacional de 420, promovido pelo projecto pioneiro - Tavira Sailing.
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Loulé assinala dia do município com Festa da Espiga
20-05-2011
É no dia 2 de Junho, que se comemora mais um Dia do Município de Loulé, com as atenções centradas no interior do Concelho. A Festa da Espiga volta a animar o coração de Salir, uma das mais típicas localidades da serra algarvia, e que por estes dias é ponto de encontro para milhares de visitantes. Mas os festejos prolongam-se até sábado, dia 4, com muita música, teatro, gastronomia, desporto e actividades para crianças e seniores, num programa dividido em três noites temáticas: Noite da Espiga (quinta-feira), Noite Tradicional (sexta-feira) e Noite Jovem (sábado).
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Quarteira! sensibi liza para problemas da pele em época balnear
20-05-2011
No âmbito da comemoração do Ano Europeu do Voluntariado, a Divisão de Gestão Social e Saúde da Câmara Municipal de Loulé vai realizar a iniciativa "Voluntariado pela Saúde", no Calçadão de Quarteira, já esta sexta-feira, 3 de Junho, entre as 09h00 e as 11h00.

Informação do Jornal Carteia (Quarteira)
Colocação de Rogério Coelho



A EXPERIÊNCIA DA VIDA


Experiência de vida, é o estatuto, que apresentamos depois de termos percorrido uma boa parte dessa mesma vida. Diziam os velhos da minha terra, quando falavam desses assuntos nas tabernas, nas noites de inverno, que na experiência de vida, o corrido valia mais do que o lido.
Na deles, quereriam dizer que experiência de vida vinda do corrido, seria o conhecimento adquirido, do facto de se ter estado/ visitado muitas terras e conhecer variados usos e costumes. Esta experiência de vida, será uma aprendizagem obtida através da resolução dos problemas quotidianos. A outra aprendizagem obtêm-se pela leitura ganhando-se com ela novos horizontes.
No fundo, a experiência de vida, insere-se na relação do homem com o mundo, consigo próprio e com os outros. Digamos que, contactando com os outros, o homem aprende e melhora a sua conduta social e o seu relacionamento. É um comportamento racional
É nas manifestações simbólicas da cultura que ganhamos experiência de vida, que, por sua vez, nos trazem as verdades que assimilamos facilmente.
Contou-me uma vez o Dr. Roldão, um clínico de oitenta anos que se sentava à mesa com os estudantes no Café Central em Almada, anos 60, que, quando a estátua de D. José foi colocada no pedestal no Terreiro do Paço, em Lisboa, com o auxílio de cordas, a estátua não conseguia ser colocada, porque as cordas não davam mais margem para levantar a estátua em mais 2 cms. Foi então que um velho marinheiro lançou um grito e disse: molhem as cordas. E logo as cordas esticaram o suficiente para colocar a estátua no seu lugar.
Venceu a experiência? Sim, experiência e experimentação. Às vezes ganha-se experiência, experimentando.
Não devamos confundir no entanto, experiência com experimentação.
O experiente sabe prever os factos e antecipar-se a eles. O saber do experiente é um saber inteligente. A experimentação se não for transformada em experiência perde-se no termo da sua execução.
Mas a experiência de vida é interminável. É uma tarefa que nunca acaba e nunca somos detentores de toda essa experiência

João Brito Sousa

quarta-feira, 25 de maio de 2011

CURIOSIDADES DA NOSSA BUROCRACIA


Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente. Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha janela.

Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a obra. O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto, acrescentou, ele resolveria o problema.

Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário fechar a dita cuja janela.

Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja janela.

E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir dizer-lhe que tem de fechar a janela! [....]

Será Verídico ?

Saudações Costeletas

Antonio Encarnação

terça-feira, 24 de maio de 2011



De: Elos Clube de Faro - Associação Cultural
"Em defesa da Língua e Cultura Portuguesas"

LANÇAMENTO DO LIVRO
"TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA"
DE MARIA JOSÉ FRAQUEZA
EDIÇÃO ELOS CLUBE DE FARO
                                     
O Elos Clube de Faro tem o prazer de convidar V. Exas. para a
apresentação do livro "TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA" de
Maria José Fraqueza, edição do Elos Clube de Faro, no próximo
dia 3 de junho, pelas 16,00 horas, na
Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa.

"TEATRO POPULAR DA MINHA TERRA” é uma obra única na cultura tradicional algarvia que traz à memória os costumes e as tradições desta terra sulina magistralmente recontadas pela autora, fazendo-nos viajar atravésdas memórias, nunca esquecidas, e aqui cuidadosamente preservadas, recortadas na poesia e no humor que tão bem definem o sentir e o viverdo povo algarvio.
Este é um legado da maior importância para a cultura tradicional algarvia que acrescenta ao vasto património linguístico e etnográfico, copiosamente retratado ao longo dos teatros e autos, a verdadeira identidade do seu povo com a mestria de quem conhece e entende a génese e o encanto de um saber longínquo mas sempre presente”.

Na ocasião, será apresentada a peça “AS LAVADEIRAS “ - autoria e encenação de Maria José Fraqueza.


Esperando poder contar com a Vossa presença e o Vosso apoio, apresentamos as cordiais Saudações Elistas


Dina Lapa de Campos
Presidente da Direcção do Elos Clube de Faro

segunda-feira, 23 de maio de 2011


CENAS DA MINHA TERRA


O JOAQUIM MENINO

Por João Brito Sousa

Joaquim Mateus Braz, desceu o barrocal e apresentou-se no Sítio, um local já perto do mar, com a categoria de trabalhador rural. Andou pelas vendas e conseguiu um posto de trabalho numa horta onde já trabalhavam doze ou treze pessoas. Joaquim deu nas vistas com a sua boa disposição e, ao fim de pouco tempo, estava integrado. Era verão e na horta, cultivava-se o milho, batatas, hortaliças e de uma maneira geral tudo o que era necessário à alimentação do homem. Como fazia calor, a rega era uma componente essencial para o desenvolvimento das culturas e Joaquim encarregava-se desse trabalho, apesar de não estar muito preparado para ele, porque no barrocal predomina o sequeiro e os trabalhos aí, passam pelo varejo dos frutos secos, como as amêndoas, alfarrobas e azeitonas, onde o trabalho agrícola se faz com a utilização de uma vara de marmeleiro ??? procedendo-se também à cava da terra, nas proximidades do tronco. Quer dizer, Joaquim era bom de enxada, pegava nela pelo cabo, dobrava o corpo até meio metro de altura da terra e cavava-a nos baixos das figueiras, amendoeiras e alfarrobeiras. Era um artista. O trabalho do campo, não parecendo, exige arte e saber. Cavar a terra exige habilidade na utilização da enxada, que, ao manejá-la, trás consigo, pouco ou muita terra, sendo necessário deixar o terreno cavado, alinhado e direito. Joaquim isso sabia fazer e bem.
Apesar de bom trabalhador, Joaquim começou a frequentar a taberna e passou a ter aí melhores desempenhos que no campo, onde o trabalho era de grande exigência física. Na taberna estava sentado e lá ia bebendo do seu copo. Às vezes apareciam outros e as tardes passavam-se galhofando. Joaquim tinha talento para contar histórias e o contar dessas histórias, levou-o a fixar-se na venda. A sua vida era a taberna e na taberna. Eu conhecia-o bem, às vezes encontrava-o na estrada e cumprimentava-o com um “éh Mestre Joaquim, como vai isso ? “
Que eu saiba Joaquim nunca teve mulher e continuava na taberna. Por fim era objecto de risada da malta, mas Joaquim lá ia andando. A bebida, por seu lado, fez dele um farrafo, mais ou menos à semelhança dos “clochard” em Paris, visíveis nas margens do Sena. Recordo o seu sorriso expresso logo abaixo de um pouco espesso bigode. E sorria também com o olhar. No fundo era um homem igual aos outros. Mas a taberna, foi, para Joaquim, num certo sentido, a mesma coisa que foi para o Lantier de Zola. Com uma diferença, Lantier chegava tarde a casa, tinha Gervásia à sua espera e desculpava-se dizendo que tinha andado á procura de trabalho. Joaquim não tinha mulher nem trabalho. Mas tinha sentido de humor, tinha estofo físico para aguentar as inúmeras bebedeiras que aquele corpinho contabilizou.
E tinha sobretudo um olhar sombrio mas generoso, nostálgico talvez, cativante até, que, com aqueles olhos negros, perspectivavam um conjunto semelhante a um dos jogadores de cartas, o quadro pintado por Paul Cezane. Parecia um menino. E chamavam-lhe isso, o Joaquim Menino. E assim ficou conhecido lá no Sítio.
O Joaquim Menino.

jbritosousa@sapo.pt

domingo, 22 de maio de 2011



O TCHANA

Lina Vedes

O Tchana
Quando e onde nasceu?

Algures em S. Brás de Alportel por volta de 1900/1910.
Começou a aparecer junto da rapaziada, humilde, discreto, sabendo conviver, embora pouco falante. Era aceite por todos e convivia, sem complexos, ficando ou afastando-se conforme lhe diziam, sem amuos ou zangas.
A rapaziada levava-o para brincadeiras na Fonte Férrea e na ribeira dos Machados. Esses passeios acabavam sempre com um banho forçado traumatizando-o de tal maneira que ganhou verdadeiro terror à água (contava a minha avó).

Como se chamava?

Não sei e julgo que ninguém nunca o soube.
Era o Tchana.
Ele adorava o nome e não se cansava de dizer:
- Menino… Menina leva o Tchana?
E levavam o Tchana para felicidade dele!

S. Brás de Alportel era uma vila pequena, todos se conheciam e havia na altura muita juventude.
Vivia-se da cortiça e dos frutos secos: alfarroba, figo, amêndoa, bolota.
Faziam-se as saborosas amêndoas da Páscoa utilizando o pinhão ou miolo de amêndoa (julgo que actualmente o seu fabrico acabou).
Conheci muito bem o vizinho Zé Pepé, como a mãe lhe chamava, que morava na rua que nos conduzia aos Vilarinhos. Nasci nessa rua, numa casa pegada com o velho cinema de S. Brás, na frente dos melhores fazedores de amêndoas doces e moles.
Durante longos anos tivemos em nossa casa um cartucho delas, enviado pela família Pepé.
O seu fabrico era complicado.
Duas cordas que desciam até quase ao chão atadas em argolas de ferro presas nos barrotes que sustinham o telhado de canas, seguravam dois tachos de cobre enormes, contendo um miolo de amêndoa e o outro pinhões.
O vizinho Zé Pepé sentava-se numa cadeira baixa tendo ao lado um tacho com uma mistura de água com açúcar em cima de um fogareiro de carvão, com brasas sempre vivas. Movimentava energicamente o tacho da frente para trás como baloiço, dando fortes impulsos em cada volta. Os miolos contidos no tacho iam-se misturando à calda de açúcar que lá era despejada, lentamente, com uma concha de sopa.
Levava imenso tempo a fazer porque a calda tinha de ser introduzida em quantidade suficiente e no ponto, e as voltas ao caldeirão, bem ritmadas, eram muitas. O calor era horrível e exigia grande esforço braçal.
Muitas vezes assisti a esse trabalho sendo impossível a experiência devido ao calor, ao peso e ao jeito…
Páscoa sem amêndoas não é Páscoa!
A festividade faz lembrar o tempo dos contratos entre a “malta” miúda, adolescentes e namorados. Eram feitos a partir da quarta-feira a seguir ao Carnaval, por duas pessoas que enganchavam os dedos indicadores direitos, balançando-os para cima e para baixo e dizendo:
- Contrato, contrato,
Contrato faremos.
Sábado de Aleluia


O desmancharemos!

O objectivo do contrato era ganhar as amêndoas da Páscoa.
Ao longo dos dias da Quaresma íamos jogando e treinando com o nosso compadre, mandando:
- Ajoelha e reza!
Introduzíamos o “trava”, tínhamos de obedecer e só nos libertávamos das ordens que nos davam se mantivéssemos dois dedos na cara.
No Sábado de Aleluia que começava logo a partir da meia-noite de sexta-feira, era uma verdadeira perseguição porque ninguém queria pagar as amêndoas. Era um verdadeiro jogo do rato e do gato. Nem na procissão do Senhor Morto (depois da meia-noite) conseguíamos escapar!
Ouvia-se por todos os cantos:
- Ajoelha e oferece!
No Domingo de Páscoa, realizava-se (e realiza-se) a festa singular da Aleluia, a das tochas, que levava multidões à vila.
São-brasense que se preze não falta à sua festa.

O Tchana não faltava.
Diziam que ninguém conseguia ver-lhe bem o rosto sempre muito tapado com o velho chapéu. Num Domingo de Aleluia, em 1972, o Dinarte conseguiu entabular um animado diálogo com ele e fotografá-lo no momento em que olhava para o céu à procura de um avião.

Como sobrevivia e onde dormia?

Ignoro
Não devia passar fome, parecia bem alimentado.
A distracção dele quando lhe faltava programa era vir a Faro a pé ou de boleia em alguma carroça puxada a bestas, porque ele sabia que muitos dos seus amigos estudavam na cidade.
Aos domingos as raparigas iam todas engalanadas nos seus vestidos domingueiros à Igreja Matriz. Então os rapazes diziam ao Tchana:
- Ganhas cinco tostões se deres um beijo na boca da… (e lá indicavam quem).
O Tchana espreitava, esgueirava-se e quando a moça menos esperava, era agarrada com as manápulas sujas e beijada. Elas estavam de sobreaviso, mas ele, bastante matreiro e pelos 50 centavos que ganhava, esmerava-se para atingir o objectivo.
(contava a minha mãe)

O Tchana tinha a fama de nunca ter dado banho senão quando o mergulhavam nas ribeiras, em pequeno.
Era desdentado, encardido, um tanto para o ranhoso. Trazia sempre um chapéu de feltro esburacado enfiado na cabeça até às orelhas, que sobressaiam escuras de sujidade. Os cabelos não eram visíveis e, às vezes, apresentava farta barba e bigode.
A roupa que usava era de medida superior à sua, com as calças amarradas à cinta com uma corda. O casaco, quando abria, mostrava uma camisa encardida, sem cor definida, com poucos botões, que quando aberta revelava um peito com pelos ralos.
Os sapatos largueirões, desatados, e as meias com grandes buracos mostrando partes dos pés.
As mãos eram grandes com enormes unhas negras que acamavam porcaria.
Na vila divertiam-se com o Tchana que permanecia no largo das camionetas, local onde toda a juventude se encontrava, muito procurado porque nele circulavam as camionetas com destino a Lisboa, com o acesso pelo Barranco de Velho, numa estrada bem sinuosa (diziam ter 365 curvas). A Serra do Caldeirão era um terrível e verdadeiro obstáculo para uma deslocação a Lisboa.
Havia uma bela jovem de nome Celeste que brincava imenso com o Tchana. Mostrava-lhe amendoins descascados e perguntava:
- Queres Tchana?
Quando ele jogava a mão ela escondia-os e metia-os na boca.
O Tchana ria-se pois aceitava todas as brincadeiras de bom grado. Um dia, talvez não estivesse bem-disposto, quando o episódio se repetiu e quando os amendoins já baloiçavam na boca da Celeste, o Tchana com a mão esquerda aperta-lhe o pescoço, obrigando-a a abrir a boca. Enfia a gadanha imunda na boca da Celeste e arranca-lhe os amendoins, comendo-os ele de seguida. Risada geral, repugnância da protagonista e brincadeira acabada para sempre.
(contava a minha mãe)
O Tchana sabia todas as capitais da Europa. Quando acompanhava os estudantes nos seus passeios, por brincadeira, ensinaram-lhe o nome de capitais. A troco de dinheiro o Tchana papagueava a lição, feliz e contente pela recompensa e por se considerar importante.
As minhas filhas ainda o conheceram, já mais velhote, continuando com os seus longos passeios até Faro, a pé, sem a possibilidade de boleia em carroças. Tudo tinha evoluído e os rapazes/homens do seu tempo seguiram outro rumo e o Tchana foi perdendo protagonismo.
Já ninguém lhe dava cinco tostões para beijar uma moça e já se tinham esquecido de lhe perguntar:
- Tchana qual é a capital da França… e da Itália…?
Todos herdamos à nascença defeitos, virtudes, taras, desvios…
O Tchana era um homem simples, pequeno, mostrava aquilo que era. Vivia na penumbra, numa perspectiva de luz/sombra.
Há homens grandes parecendo gigantes nos seus saberes vistos de longe, mas vistos de perto, padecem de defeitos idênticos à maioria!!!


PROCURA-SE A RAZÃO (I)

Por João Brito Sousa
No meu último texto sobre as Universidades, procurei identifcar uma possível fonte dos males do mundo, não onde eles começam e surgem mas onde não são corrigidos, onde não se ensina a forma de os evitar, onde se ensina muito pouco acerca da forma de estar, de se situar e o que fazer perante um problema errado. Aqui está já uma questão difícil de analisar e concluir, ou seja, saber o que é um problema errado.

Entendo que o mundo não pode ser isto que temos a nossa frente. E o que temos é dramático. Exemplificando direi que é dramático, um economista que aprendeu ou devia ter aprendido tudo ou o posssível sobre conrole de gestão financeira, não aplicar a matéria que aprendeu ou deveria ter aprendido, resultando daí que não controla nada, criando um clima de injustiça social deveras preocupante.

A mesma coisa se verifica com o Direito, onde os advogados ensinam ou exigem aos clientes que desdigam hoje o que disseram ontem, como forma de estratégia a utilizar (caso Renato Seabra) nos Tribunais. Há ainda a justiça que não funciona porque é difícil decidir e, para esse desempenho existem Juízes sem experiência e idades não compatíveis com a exigência da decisão.

Aliás, as coisas começam logo mal na escola primária, onde os professores, a começar pelos mais antigos (ver o papel do proefessor no conto pra escola de Trindade Coelho) não tiveram pulso para ganhar o silêncio na aula, para a dar, tendo a régua um papel determinante. Mas a régua resolveu um prblema pontual mas não conseguiu resolver o problema de fundo, que veio ao de cima no ensino secundário. Onde o que se vê é verdadeiramente mau.

O caso acontecido com o Presidente do FMI, candidato bem colocado nas eleições presidenciais em França é paradigmático.

Hoje a palavra amigo falha nalguns casos o que não deveria acontecer.

Uma história engraçada. Alguém me contou que certa vez duas pessoas viram no chão uns 40 euros. A mais rápida apanhou as notas e… olhando para a outra, viu-se coagido ,moralmente, talvez,a entregar-lhe uma nota de dez euros. Toma lá que também viste, mas eu vi primeiro. Mas quem perdeu os euros, saber isso, tentar saber ou preocupar-se com isso, nada

O mundo gira à volta disto. O que não está correcto, penso eu.

Quem é que ensina ? Onde se aprende ?

Este homem não presta.

Será assim ?

Comentários, precisam-se.

Para tornar o mundo melhor.

Ab.

jbritosousa@sapo.pt
APRESENTAÇÃO DE LIVRO

Maria José Fraqueza

sábado, 21 de maio de 2011

ESPETÁCULO DE SOLIDARIEDADE


Envio o cartaz de um espectáculo de solidariedade, dia 28 de Maio, no Auditório Pedro Ruivo para angariação de fundos para ajudar uma Escola de Moçambique que adoptámos no âmbito do Projecto "SOS Adopção à Distância - Escolas", promovido pela AMURT Portugal.
A organização é da Tomás Cabreira e temos bilhetes para vender. Também se encntram à venda na Fundação Pedro Ruivo e nas escolas participantes.
Divulguem junto dos amigos.

Rosa Trindade

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AS UNIVERSIDADES

Por João Brito Sousa

Nas Universidades, imperou durante muitos anos, desde 1600, pelo menos, o método de ensino “magister dixit”, constando o método na apresentação de um argumento tido como inquestionável ou servindo também, para impor o silêncio aos alunos que questionavam os mestres, Quando um aluno da Universidade questionava alguma teoria de Aristóteles, os professores logo o interrompiam dizendo "Magister Dixit", que significa "O Mestre Disse", e dava fim à questão..
No meu tempo, um método mais ou menos equivalente, consubstanciava-se, num certo sentido, naquela expressão “como é evidente ,,,” utilizada pleos professores que por ali se ficavam nada mais adiantando. O objectivo era idêntico, penso eu que nunca o percebi, seja, calar os alunos, prejudicando-os, porque não se explicava convenientemente as matérias.
Isto, para dizer que, aparentemente, os assuntos não foram, ao tempo, completamente discutidos e apreendidos., o que nos parece ser bem visível nos tempos que correm, ao observar-se a atitude dos nossos políticos, doutores e mestres, que não mostraram saber dar a volta ao texto, em tempo útil, no sentido de se evitar a situação precária em que o País se encontra actualmente.

Verifica-se que todos os dias se discute a mesma coisa na TV sem resultados práticos visíveis.

A pergunta que fica é: porque não foi feita a previsão técnica para que a situação em que o País se encontra fosse evitada. Incompetência ou outro ? … Culpa de quem… das Universidades ? Talvez sim, talvez não.

Ocorre-me citar agora a frase, “sob a nudez forte da verdade o manto diáfano da fantasia” que era o lema, dos escritores portugueses que estiveram no realismo, o movimento literário do fim do século XIX que se opunha ao romantismo e que era composto, entre outros, por Eça, Oliveira Martins, Guerra Junqueiro Ramalho e outros, que, curiosamente se autointitulavam de “Os Vencidos da Vida”.

Na realidade parece que o movimento vigente ainda é o romantismo. Ainda há cinco minutos, o Engº Sócrates disse, no debate com Passos Coelho, que o País não precisava de ajuda externa.

E agora 78 mil milhões não chegam.?

Como é ? Vencidos da Vida, outra vez, será ?

Ou culpa das Universiades ?

Será assnto interessante para debater ?

Aceitam-se comentários.

jbritosousa@sapo.pt

NOTÍCIAS DO ALGARVE

Notícias do "Jornal Carteia"

Portimão recebe 2ª etapa do Campeonato do Mundo em Motonáutica
20-05-2011
Pelo 13º ano consecutivo, Portimão recebe este fim-de-semana, 21 e 22 de Maio, a mais prestigiada e emocionante competição mundial do calendário da UIM - União Internacional de Motonáutica, para mais uma edição do Grande Prémio de Portugal / Algarve F1, num espectáculo de alta velocidade que promete agitar as águas do rio Arade.

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Loulé assinala dia do município com Fes! ta da Espiga
20-05-2011
É no dia 2 de Junho, que se comemora mais um Dia do Município de Loulé, com as atenções centradas no interior do Concelho. A Festa da Espiga volta a animar o coração de Salir, uma das mais típicas localidades da serra algarvia, e que por estes dias é ponto de encontro para milhares de visitantes. Mas os festejos prolongam-se até sábado, dia 4, com muita música, teatro, gastronomia, desporto e actividades para crianças e seniores, num programa dividido em três noites temáticas: Noite da Espiga (quinta-feira), Noite Tradicional (sexta-feira) e Noite Jovem (sábado).

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Quarteira sensibiliza para problemas da pele em época balnear
20-05-2011
No âmbito da comemoração do Ano Europeu do Voluntariado, a Divisão de Gestão Social e Saúde da Câmara Municipal de Loulé vai realizar a iniciativa "Voluntariado pela Saúde", no Calçadão de Quarteira, já esta sexta-feira, 3 de Junho, entre as 09h00 e as 11h00.

Os nossos agradecimentos ao "Jornal Carteia" de Quarteira
Colocado por Rogério Coelho

quinta-feira, 19 de maio de 2011

AS NOTÍCIAS

NOTÍCIAS DO JORNAL CARTEIA


Vale do Lobo lança novo website
17-05-2011
O resort de Vale do Lobo no Algarve lançou um novo website, que se apresenta com um design moderno e atractivo que permite dar a conhecer todas as vertentes e principais atractivos do empreendimento.

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Drogas, álcool e outras dependências debatem-se em Quarteira
17-05-2011
Irá decorrer a terceira ediçã! o do ciclo de acções informativas designado por "Educação para a Saúde III". "Drogas, álcool e outras dependências: Da prevenção ao tratamento", é o tema da sessão que terá lugar no dia 27 de Maio, pelas 9h30, no Auditório do Centro Autárquico de Quarteira.

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Prémio bienal de Arquitectura e Urbanismo premeia obras novas
17-05-2011
Realiza-se no próximo dia 27 de Maio, sexta-feira, pelas 18h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Loulé, a cerimónia de entrega do Prémio Bienal de Arquitectura e Urba! nismo do Município de Loulé. Depois do seu lançamento, em 2009! , a Auta rquia reedita agora esta iniciativa que pretende distinguir o que de melhor se faz nestas áreas no Concelho de Loulé.

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Olhão acolhe Taça da Europa de Marcha Atlética
16-05-2011
Faltam menos de duas semanas para o Algarve acolher uma das mais importantes provas desportivas de sempre. Olhão será o palco, no próximo dia 21 de Maio, da 9ª edição da Taça da Europa de Marcha Atlética. Com cerca de 350 participantes oriundos de cerca de 40 países, estarão na cidade cubista alguns dos melhores atletas mundiais da modalidade.

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Pradarias marinhas são tema da próxima Conversa sobre a Ria Formosa
16-05-2011
A Sociedade Polis Litoral Ria Formosa promove no próximo dia 20 de Maio (sexta-feira), no Hotel Faro, a 3ª sessão do ciclo "Conversas Sobre a Ria Formosa", desta vez dedicada à temática das pradarias marinhas.

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Campeonato de Leitura em Olhão valoriza língua portuguesa
16-05-2011
A final do Campeonato de Leitura, uma iniciativa conjunta do Auditório Municipal, Biblioteca Municipal e Casa da Juventude de Olhão, acontece no próximo dia 20 de Maio, a partir das 14h00, no Auditório. A iniciativa tem como objectivos a promoção dos hábitos de leitura e a valorização da nossa língua e da sua correcta utilização.

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Academia Sénior de Tavira promove Ciclo de Palestras
16-05-2011
A! Academia Sénior de Aprendizagem e Solidariedade de Tavira, co! m o apoi o de técnicos da Câmara Municipal de Tavira, realiza um ciclo de palestras que começaram no passado dia 11 de Maio e terminam a 01 de Junho, na sua sede, sita na Praceta dos Carmelitas, nº 1, em Tavira.

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Globetrotters: o espectáculo está quase a começar
15-05-2011
Um dos maiores espectáculos de basquetebol do mundo vai estar em Albufeira no dia 22 de Maio. Durante 120 minutos os "Harlem Globetrotters", conhecidos pela sua habilidade e pelas suas brincadeiras em campo, prometem arrancar gargalhadas a crianças e adultos. O evento, a decorrer no Pavilhão Desportivo, faz parte do "tour" mundial desta formação de Chicago, que há 84 anos emociona e diverte audiências pelo mundo. Os bilhetes já se encontram à venda.


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Grupo Coral de Albufeira procura novas vozes
15-05-2011
Se gosta de cantar e sempre desejou participar num coro, não perca a oportunidade de integrar o Grupo Coral da Câmara Municipal de Albufeira, formado desde 1997 e dirigido actualmente pelo maestro Valentim Filipe.

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Lagoa tem 6 bandeiras azuis
15-05-2011
O Galardão BANDEIRA AZUL distingue as praias que alcançam elevados padrões de qualid! ade e de serviços aos utentes. Lagoa vai hastear 6 Bandeiras Azuis, ma is duas que o ano passado

Os nossos agradecimentos ao Jornal Carteia de Quarteira
Colocado por Rogério Coelho

quarta-feira, 18 de maio de 2011

LANÇAMENTO DE LIVRO

O Costeleta Manuel Inocêncio da Costa

Fez ontem, dia 17, o lançamento e apresentação do seu novo Livro

O evento foi efectuado na Biblioteca Municipal de Faro. O Costeleta João Leal teceu algumas considerações sobre o Livro e o seu Autor.
A Associação dos Antigos Alunos esteve representada pela Costeleta Isabel Coelho, que captou as fotos anexas.
Um bom livro, principalmente para os amantes da caça.
As nossas felicitações.


 
Colocação de Rogério Coelho
 

terça-feira, 17 de maio de 2011

PORTUGAL, meu velho, meu amigo

Por João Brito Sousa

Já tens idade avançada, um pouco de cabelos brancos, tens sofrido algumas desilusões, andaste na guerra, ganhaste e perdeste, fizeste coisas bonitas, há os que gostam do que fizeste, há os que não gostam mas agora tramaram-te, melhor, invadiram-te e, pelo que vejo não vão resolver os teus problemas...

Foste um “trenguinho”, como se diz por aqui no Porto.

Mas, o sangue português fala mais alto. A honra que Mouzinho de Albuquerque manifestou, quando foi incomodado pelas acusações de ser amante da Rainha D.. Amélia, tomou um conhaque na baixa, meteu-se dentro da tipóia e ali pelos lados da Av.de Berna ouviu-se um tiro. Antero um dos grandes vultos da nossa poesia comprou a pistola e deixou-a esquecida em cima do balcão do estabelecimento onde a tinha acabado de comprar. Só uma vez em casa do primo, se lembrou da aquisição que tinha feito e voltou atrás. No campo de S. Francisco em Ponta Delgada ainda lá está o banco onde se finou.. José Trindade Coelho, escritor e jurista, deu o tiro final no seu escritório.

Foram grandes homens, não por estes motivos que cito. Mas por outros. E creio que tu, meu Portugal de hoje, nem para isso serves.

Deixaste-te endividar excessivamente, não há Salazar, vieram outros. O Zé Mário Branco diz lá na sua canção, quero ser feliz agora… porra, e tu não és feliz Portugal, meu País, meu velho, meu amigo.

Já não tens o respeito pela palavra dada como teve Egas Moniz, não tens as barbas brancas de um Albuquerque ou de um Gama, não tens o sentido de Estado dos homens de 1640, não tens o querer de Luís de Camões que nadou com um braço e na mão do outro segurou a sua obra poética, nem o génio de Pessoa que disse:” um português nunca foi só verdadeiramente português; foi tudo”.

Já não és o Portugal que foi a salto para a França, o Portugal que corajosamente esteve em La Liz e foi abandonado por Sidónio, o Portugal da Rotunda de 1910 e tantos outros feitos. Hoje és o Portugal dos desempregados, o Portugal adiado.

Na TV passou há pouco em roda pé: roubaram 7, 6 mil euros em ..

Estás neste lodaçal.

Por ai não, meu querido Portugal, meu velho, meu amigo. Com diz o poeta.




A HISTÓRIA REPETE-SE...



PARA MEDITAR E COMPARAR


Quando José Dias Ferreira, bisavô de Manuela (Dias) Ferreira Leite, chegou a chefe do Governo em 1892, encontrou um país de "tanga", por força de elevados investimentos ferroviários e em estradas e portos. A dívida pública representava 81% do PIB e o défice orçamental era de 2%.
Juntamente com o Ministro da Fazenda - Oliveira Martins, tio-bisavô do actual presidente do Tribunal de Contas - tomou medidas drásticas: subida de impostos, corte até 20% dos vencimentos dos funcionários públicos, suspensão de admissões no Estado, paragem das grandes obras, saída do padrão-ouro e desvalorização cambial.

Durante dez anos, não foi possível recorrer a empréstimos no estrangeiro, dada a situação de bancarrota verificada.

O desenvolvimento das infra-estruturas no "fontismo" baseou-se num modelo que se pode considerar como a génese das parcerias público-privadas. Eram concessões dadas a particulares que, muitas vezes, garantiam um determinado rendimento ao investimento e, se este ficasse abaixo desta garantia, havia compensação do Estado

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Em 1892 o rei D. Carlos doou 20% (!) da sua dotação anual para ajudar o Estado e o País a sair da crise criada pelo rotativismo dos partidos (nada de novo, portanto).
Se calhar foi por isso que, mais tarde, o mataram.
Não se pode consentir que alguém dê, num país onde é costume tirar...
o melhor, se calhar, é ter cuidado...

Enviado por Maurício Domingues

Colocado por Rogério Coelho


domingo, 15 de maio de 2011

GRANDE ALMOÇO ANUAL

ADENDA
INSCREVE-TE

Pelos telemóveis:
919029068 - Isabel Coelho
919367688 - Mimi


SE EU PUDER
OBVIAMENTE QUE LÁ ESTAREI
.

Esta crónica é para todos os costeletas, mas, se me for permitido, gostava de a dedicar aos rapazes do 1º ano 1ª Turma do ciclo preparatório de 53 / 54, citando aqui alguns nomes, sobretudo dos que têm ido. Ei-los: Francisco Gabriel Carvalho Cabrita (nos EUA) João Vitorino Mendes Bica, João Viegas dos Santos, José Mateus Ferrinho Pedro, José Bartílio da Palma, António Inácio Gago Viegas, Reinaldo Rodrigues Neto e os outros todos. Eu incluído.

Portanto, ao almoço, todos, mesmo aqueles que não puderem ir. Que não percam a esperança, porque há sempre uma luzinha ao fundo do túnel. É preciso não perder essa luz, essa esperança, que no fundo é o que nos alumia o caminho. E nos guia. Reviver aqueles tempos faz parte do património cultural de cada um de nós.

Alô António Barão,, José Elias Moreno, Bernardo Estanco dos Santos, Victor Caronho, Zé Pudim Paixão, Alberto Rocha, José Emiliano, José Félix, Júlio Piloto, Teófilo Carapeto Dias, Alfredo Teixeira, João Malaia, Maria José Fraqueza, Honorato Viegas, Bastinhos, José Sousa Pinto, Hernâni, Bernardino Martins, Armando Gonçalves, Edeménio Madeira e mais duzentos ou trezentos. Incluindo o Daniel Faria de Querença

Em tempos não muito recuados eu embrenhava-me no almoço com unhas e dentes e falava cm a malta do meu tempo e de todos os tempos. E eles vinham. E espero que venham no próximo dia 11 também.

E o Professor Américo que nos educou a todos, a uns mais e a outros menos. Mas que foi um grande educador.

E o João Cuco, que num treino de andebol jogou a bola para a Alameda. E o Fantasia que largou os pintassilgos. E o Norberto Cunha que escreveu os versos do Caça Braba. E outros.

O Jesuíno, o Barracosa e Figueiredo da equpa de andebol. Mais o Palminha. O Zacarias do alpino. E o Bartlomeu Caetano, amigo do Geraldes. E o Macedo agora presidente Rotayr. E outros.

Um pequeno apontamento aos que já partiram, como o Brito da bomba da Falfosa que foi emigrante na Venezuela e que pôs a bomba de carnaval na aula do Xêncora Ramatchondra, o Zé Clérigo do Passo, o primeiro a ter carro na Escola (ou foi o Hernâni) o Zé Gonçalves e o Manuel Dias dum célebre 2º 4ª, ambos jogadores do Farense, o Zé camisa dez, pensador de jogo e o Manel defesa esquerdo. O Campina para cantar o fado.

E o Victor Silva para cantar a lagarticha. E todos os outros.

Ab do

João Brito Sousa

sábado, 14 de maio de 2011

19MAI ' 11
A DANÇA DA DUNA LUNA
Performance e Lançamento do Livro

TEATRO DAS FIGURAS
15H30


Programa

15.30h – performance "A Dança da Duna Luna"

pelos alunos do Grupo de Teatro Improviso e alunos do Curso Profissional de Intérprete em Dança Contemporânea da Escola Secundária Tomás Cabreira.

16.10h - intervalo

16.30h – lançamento do livro "A Dança da Duna Luna da Praia de Faro"
pelos alunos das Áreas de Artes e Científico – Natural da Escola Secundária de Tomás Cabreira.

CONVITE

O Diretor Regional de Educação do Algarve e o Diretor da Escola Secundária de Tomás Cabreira têm a honra de convidar Vossa Excelência para  a performance e lançamento do livro "A Dança da Duna Luna da Praia de Faro" no dia 19 de Maio, às 15h30, no Teatro Municipal de Faro.

Projecto no âmbito do ciclo temático
 "PREAA-Contos do Mago".



Assistem professores e alunos (com idade superior a cinco anos) das escolas básicas do concelho de Faro e público em geral.

Esta iniciativa insere-se no âmbito do ciclo temático PREAA "Contos do Mago – narrativas e percursos geológicos" da Direcção Regional de Educação do Algarve.
O projecto "livros – filhos" prevê a edição de um livro com um dos "Contos do Mago" por concelho, realizado por turmas de ciências e de artes de uma escola secundária, com a ilustração do conto e propostas de actividades para projectos de ciência e de educação ambiental pela arte do 1º, 2º e 3º ciclos.

"A Dança da Duna Luna da Praia de Faro" destina-se às escolas básicas do concelho de Faro e é oferecido como recurso pedagógico aos respectivos professores da rede PREAA. Constitui um instrumento a ser explorado em contexto de formação de professores, para o próximo ano lectivo, numa parceria com a Agência Ciência Viva, o Centro Ciência Viva do Algarve e a Universidade do Algarve.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

ALMOÇO ANUAL COSTELETA
É já no próximo dia 11 de Junho que se realiza o nosso Grande Almoço Anual, no Fórum do Hotel D. Pedro Golf - Vilamoura
Costeleta, não faltes! 
 As faltas não serão justificadas
25 € - (pronto pagamento)
(Não aceitamos cheques carecas, ou fóra do prazo) 



Jornal "o Costeleta"

O nº 108 do nosso Jornal está a ser impresso. Contamos enviá-lo a todos os Associados Coeteletas, na próxima semana.

C O N V O CA T Ó R I A

Ao abrigo dos Artºs 14º e 15º dos Estatutos, convoco a Assembleia Geral da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira, para uma reunião ordinária no dia 11 de Junho de 2011, pelas 15 horas, a funcionar durante o almoço anual no Hotel D. Pedro Golf em Vilamoura, com a seguinte ordem de trabalhos:
-PONTO UM – Informações;
-PONTO DOIS – Aprovação do Relatório e Contas de 2010;
-PONTO TRÊS – Entrega do Prémio Melhor Aluno 2009-2010.
-PONTO QUATRO: Lançamento do Livro "Colectânea Costeleta"

Faro 9 de Maio de 2011
O Presidente da Mesa da Assembleia
a) Manuel Silo da Graça Caetano


quinta-feira, 12 de maio de 2011

TEMA: internet= computador



NUMERO DE ELEITOR
E FREGUESIA DE VOTO

Esqueceu-se, não se lembra?
Muito fácil, vá à seguinte página:

http://www.recenceamento.mai.gov.pt/

E digite: Nº do Bilhete de Identidade ou de cartão de cidadão, confirme a sua data de nascimento (ano, mês, dia) e clique sobre "pesquisar". Ficará a conhecer o seu número de eleitor e a freguesia onde deve poder cumprir o seu dever cívico no próximo dia 5 de Junho e sempre que tiver de votar.
É muito fácil e não precisa de perder tempo a deslocar-se à Junta de Freguesia.

Rogério Coelho

quarta-feira, 11 de maio de 2011

MINIDRAMA NO BECO DAS LARANJEIRAS

Norberto Cunha

Ao entrar na tasca, pelo fim da tarde, Alfredo apercebeu-se do brusco saltar de assunto entre o Zé barbeiro e o Chico da Gertrudes. Depois, do olhar sibilino, inquiridor mas fugidio, com que ambos e o proprietário o miraram. Sinal de que andava no ar coisa menos boa a seu respeito e susceptível de induzir paleio prolongado ou acesa discussão. Mas estava quase na hora da consulta e fez-se desentendido. Engoliu o resto da bejeca e abalou.
É agora que vai pôr tudo em pratos limpos. A consciência não a tem muito em sossego, nunca a tem, mas desta vez cheira-lhe a mais uma das tramóias que as alcoviteiras do beco se entretêm a montar e a dar-lhes corda. “A Flor do Roxo" está deserta. Nem o Zé, nem o Chico, ou quaisquer outros dos frequentadores. Melhor assim. O Maurício está na jogada, porventura até mais que aqueles dois, e o papo a sós com ele não terá muito por onde descarrilar. Senta-se ao balcão e pede um bagacinho.
- Então que disse o doutor? Não tens nada de ruim pois não?
- pergunta aquele.
- Não. Por aí não há azar. E já comecei a tomar os comprimidos.
- Mas ó Maurício: não disfarces ... Não penses que há bocado, lá por estar à pressa, não reparei no jeito como tu, o Chico e o Zé olhavam para mim. E também percebi que eles embrulharam a conversa quando eu entrei. Tem paciência, mas vais ter de abrir o jogo. Há aí qualquer marosca que me 'tão a esconder.
Maurício inclina-se e responde-lhe fitando-o:
- Olha: se tu ainda não sabes, não sou eu que te vou contar. Não gosto de me meter nesses enredos. Pergunta a eles, se quiseres.
- Bem me pareceu que anda bicho no mato ... E vocês correm o fecho, não é? Porra! Que grandes compinchas me saíram.
- Não fiques assim, Alfredo. Não leves a mal. Sabes bem que badalar certas coisas para um amigo, ainda mais se está doente, é sempre um enrolo do caraças. Só te digo isto: que anda bicho, anda. Mas não é no mato.
- Ó pá: não me venhas com charadas... - adverte Alfredo. Engole o resto do bagaço, pousa o cálice e com um ar sério, a rondar a ameaça, insiste:
- Eu já te disse que não tenho nada de mau. E se és mesmo meu_ amigo, não te fechas em copas. Também não há-de ser uma coisa do outro mundo. 'Tá-se mesmo a ver que é mais uma das boca do costume. Já 'tou habituado. Vá lá: abre o saco.
- Sabes uma coisa? Se calhar já piei de mais. Mas se queres apanhar
 bicho, não precisas nem de ir longe nem de procurar muito.
- Maurício: duma vez por todas, deixa-te de bitates, pá, ou temos o caldo entornado.
- Calma aí… Desde quando é que tu és homem para te aguentares com uma má notícia?
- Ó pá, isso agora não interessa. E se é mesmo um sarilho do catano, eu vou sempre acabar por saber, ou não vou?
- Pois. Com certeza. O que muito me admira é como ainda não soubestes...
- Mas ó Maurício, eh pá: ainda me fazes saltar a tampa. Custa-te assim tanto abrires a matraca? Ao menos dá-me aí um lamiré!
- É o que tenho 'tado a fazer. Não percebestes? – esclarece aquele
num tom quase de escárnio.
- Não. Mas então vá. Continua.
- Tudo bem. Mas prepara-te, segura-te.
- Já 'tou preparado. Anda lá...
- Olha: se te puseres à coca, é mesmo na tua casa que vais ver
entrar o bicho.
- O quê? Espera aí... - responde-lhe Alfredo sobressaltado. Estica a cabeça para o amigo, sonda-o bem no fundo dos olhos pergunta-lhe:
- Queres dizer que a minha Júlia?...
- Querias saber... Pois é isso mesmo. Nem se fala doutra coisa.
- Não me digas... Mas não, não acredito. Só pode ser mentira. Mais uma boca porca daquelas veIhas cuscas! Não acredito.
- Fazes mal… Não falta muito começam a chamar-te corno manso.
- A mim? Naaão! Se isso fosse verdade, também havia de saber- -se quem era o gajo. Ou não?
- Mas sabe-se. É aquele papo-seco do banco.
- Não 'tou a ver. ..
- Ó pá: o gajo que está hospedado na Ofélia ...
- O Rodrigues? Não pode ser! Não conheces bem a minha Júlia, pá. Se ela quisesse pôr-me os cornos nunca era com um lingrinhas daqueles, um escanzelado que até mete nojo. Ninguém me convence dessa.
- Então não te convenças. Mas olha: também não precisas de espreme-la nem de te pores à coca. Eu é que não me lembrei logo, mas ou tu tens andado muito distraído ou 'tás a ficar surdo.
- Que é que queres dizer com isso?
- Então a tua vizinha, a Etelvina, não tem um papagaio?
- Tem. Mas que é que o pássaro tem a ver com o assunto?
- O que é que tem? Parece que só tu é que ainda não o ouvistes.
\Mas volta e meia lá 'tá ele: Ó Rodrigues, veste-te! O Alfrede tá chegar!
-Eh pá!... Nunca ouvi, não. - assevera Alfredo de olhos esbugalhados. E num ligeiro balancear da cabeça para diante, como que a sublinhar cada palavra, conclui:
- Mas assim o caso já muda de figura...
- Agora tens é de ter calma, pá. Vê lá o que vais fazer - aconselha
Maurício.
- Tu vais ver. Dá-me aí outro bagaço.
- Vou ver o quê?
- Vou dar cabo do sacana!
- Porra! Não devia ter-te dito nada - recrimina-se o taberneiro, acabando de encher-lhe o cálice. -Tem calma pá! Não te metas em trabalhos. Corre com ela!
- Quero lá saber de trabalhos! Já disse: Eu mato o gajo! Não passa desta noite.
Emborca o bagaço e sai desaustinado.
§
Júlia adormeceu e despertou sozinha, mas sem sobressalto ou estranheza. Quando o Alfredo não vem jantar, já se sabe. Meteu¬-se com os bêbedos do Chico e do Zé e só vai aparecer à hora do almoço. Emboneca-se e desce para as compras.
Pela certa, ferve mexerico na mercearia da Gertrudes. Quando ali se juntam a Ofélia fadista, a velha Etelvina, a mulher do Maurício e mais alguma, nunca falha. Só que desta vez parece ser diferente. Em ¬nenhuma se vê o sorrisinho cúmplice, o olhar pulando o ombro, o ciciar das palavras. Mal acabou de entrar, todas se calaram muito sérias.]úlia tem um mau pressentimento e pergunta para o grupo:
- O que foi?.. Aconteceu alguma coisa?
- Não se esteja a fazer de novas, que a culpa é toda sua, sabe bem - reponde-lhe a Ofélia.
- A culpa é minha? Culpa de quê?
- Ah não sabe? Coitadinha... Não se arme em parva - escarnece
a  mulher do tasqueiro olhando-a de viés. - É tão esperta para certas coisas...
- Vocês é que devem 'tar parvas. Não sei do que é que 'tão a falar!
- Não sabe? Então não foi o seu Alfredo que esganou o pobrezinho? - retalia a fadista com desdém, as mãos nos quadris
- A si é que ele devia ter esganado, sua puta!
- Puta é você! Sua varina de merda. Eu não sei, não vi nada, nem me digam mais nada! Sou muito mulher e sei respeitar o meu homem!
Tolhida de espanto, afogueada de raiva, olhos chispando, adivinha-se que Ofélia vai atirar-se a ]úlia.
Mas rompendo em soluços, a velha Etelvina vem suster o iminente engalfinhar das duas:
- Ai sabes? Então porque é que foi, que ele, que ele matou, me
matou o papagaio?...

"IN O TRIÂNGULO DE DEZEMBRO E OUTRAS FICÇÕES"

Colocação de Rogério Coelho


terça-feira, 10 de maio de 2011

GERAÇÃO À RASCA FOI A MINHA.

Li este texto na net. com este título E porque vivi naquele tempo e muitos dos que aqui nos visitam, achei que poderia ser publicado no Blogue, se acharem que sim, para comparação com a "geração à rasca" actual.

Montinho

GERAÇÃO À RASCA FOI A MINHA.

Foi uma geração que viveu num país vazio de gente por causa da emigração e da guerra colonial, onde era proibido ser diferente ou pensar que todos deveriam ter acesso à saúde, ao ensino e à segurança social.
Uma Geração de opiniões censuradas a lápis azul. De mulheres com poucos direitos, mas de homens cheios deles. De grávidas sem assistência e de crianças analfabetas. A mortalidade infantil era de 44,9%. Hoje é de 3,6%.
Que viveu numa terra em que o casamento era para toda a vida, o divórcio proibido, as uniões de facto eram pecado e filhos sem casar uma desonra.
Hoje, o conceito de família mudou. Há casados, recasados, em união de facto, casais homossexuais, monoparentais, sem filhos por opção, mães solteiras porque sim, pais biológicos, etc.
A mulher era, perante a lei, inferior. A sociedade subjugava-a ao marido, o chefe de família, que tinha o direito de não autorizar a sua saída do país e que podia, sem permissão, ler-lhe a correspondência.
Os televisores daquele tempo eram a preto e branco, uns autênticos caixotes, em que se colocava um filtro colorido, no sentido de obter melhores imagens, mas apenas se conseguia transformar os locutores em "Zombies" desfocados.
Hoje, existem plasmas, LCD ou Tv com LEDs, que custam uma pipa de massa.
Na rádio ouviam-se apenas 3 estações, a oficial Emissora Nacional, a católica Rádio Renascença e o inovador Rádio Clube Português. Não tínhamos os Gato Fedorento, só ouvíamos Os Parodiantes de Lisboa, os humoristas da época.
Havia serões para trabalhadores todos os sábados, na Emissora Nacional, agora há o Toni Carreira e o filho que enchem pavilhões quase todos os meses. A Lady Gaga vem cantar a Portugal e o Pavilhão Atlântico fica a abarrotar. Os U2, deram um concerto em Coimbra em 2010, e UM ANO antes os bilhetes esgotaram.
As Docas eram para estivadores, e o Cais do Sodré para marujos. Hoje são para o JET 7, que consome diariamente grandes quantidades de bebidas, e não só...
O Bairro Alto, era para a malta ir às meninas, e para os boémios. Éramos a geração das tascas, do vinho tinto, das casas do fado e das boites de fama duvidosa. Discotecas eram lojas que vendiam discos, como a Valentim de Carvalho, a Vadeca ou a Sasseti.
As Redes Sociais chamavam-se Aerogramas, cartas que na nossa juventude enviávamos lá da guerra aos pais, noivas, namoradas, madrinhas de guerra, ou amigos que estavam por cá.
Agora vivem na Internet, da socialização do Facebook, de SMS e E-Mails cheios de "k" e vazios de conteúdo.
As viagens Low-Cost na nossa Geração eram feitas em Fiat 600, ou então nas viagens para as antigas colónias para combater o "inimigo".
Quem não se lembra dos celebres Niassa, do Timor, do Quanza, do Índia entre outros, tenebrosos navios em que, quando embarcávamos, só tínhamos uma certeza... ...a viagem de ida.
Quer a viagem fosse para Angola, Moçambique ou Guiné, esses eram os nossos cruzeiros.
Ginásios? Só nas coletividades. Os SPAS chamavam-se Termas e só serviam doentes.
Coca-Cola e Pepsi, eram proibidas, o "Botas", como era conhecido o Salazar, não nos deixava beber esses líquidos. Bebíamos, laranjada, gasosa e pirolito.
Recordo que na minha geração o País, tal como as fotografias, era a preto e branco.
A minha geração sim, viveu à rasca. Quantas vezes o meu almoço era uma peça de fruta (quando havia), e a sopa que davam na escola. E, ao jantar, uma lata de conserva com umas batatas cozidas, dava para 5 pessoas.
Na escola, quando terminei o 7ºano do Liceu, recebi um beijo dos meus pais, o que me agradou imenso, pois não tinham mais nada para me dar. Hoje vão comemorar os fins dos cursos, para fora do país, em grupos organizados, para comemorar, tudo pago pelos paizinhos...
Têm brutos carros, Ipad's, Iphones,PC's, .... E tudo em quantidade. Pago pela geração que hoje tem a culpa de tudo!!!
Tiram cursos só para ter diploma. Só querem trabalhar começando por cima.
Afinal qual é a geração à rasca?

(autor desconhecido = comentários?)

Colocação de RC.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


SEJA BEM VINDA

Por João Brito Sousa

Para a LINA VEDES,

Agradeço-lhe a presença no blogue e aproveito para lhe dar as boas vindas ao espaço costeleta, onde espero se sinta bem e goste de estar. Tomei esta iniciativa de escrever estas linhas, porquanto eu fui um convidado para o vosso almoço anual, em Lisboa onde fui muito bem recebido sendo costeleta. O facto, não é uma questão de “amor com amor se paga”, mas uma questão que o Mano Roger já citou aqui e tem a ver com o intercãmbio que é desejável aconteça, entre bifes e nós. Por mim, a ideia do Mano é de louvar. E aplaudo.

Já agora, um comentário sobre os seus trabalhos, questão que ninguém me pediu. É de minha iniciativa.

Cada escritor e eu considero-a uma escritora, porque tem obras publicadas e sobretudo, tal como dizia Vergílio Ferreira, escritor é aquele que faz dos seus leitores melhores pessoas e você, no meu entender consegue isso, dizia eu, cada escritor tem o seu estilo próprio, que está dentro de si e sai para o exterior.

Nos seus escritos eu vejo enredos muito interessantes, muito bem trabalhados em termos de mensagem, de ritmo e suavidade. Gosto. O trabalho do escritor, é, penso eu, estabelecer um diálogo com o leitor, dentro dos cinco princípios que o provérbio oriental refere: imparcialidade, verdade, humanismo, ser bom e ser idealista.

Um livro pode levar anos a escrever, pode ter muitas ou poucas páginas e ser um best seller. O autor é que lhe dá a dimensão, quer em número de páginas quer em espaço temporal de trabalho.

Tudo é relativo.

O que está a escrever agora ?

Faço votos para que goste de estar por cá com a gente.

E já agora, gostava que fizesse também os seus comentários. Seria interessante.

Aceite os cumprimentos do

João Brito Sousa