segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

QUADROS ALGARVIOS

FARO (ria) Capital do Algarve
A Escola Tomás Cabreira está, como sabemos, inserida na cidade de Faro e, Libertário Viegas achou, e muito bem, que seria interessante escrever um pouco de história desta cidade, do seu concelho e do Algarve. O Libertário Viegas publicou o livro “Quadros Algarvios” e será através dos seus capítulos que iremos dar a conhecer esta temática que é essencialmente relacionada com a história Farense.

De Libertário Viegas

1. OS PRIMEIROS POVOADORES

Ainda que abundantemente documentado por Estácio da Veiga, em “Antiguidades Monumentais do Algarve”, o quadro do povoamento pré-histórico da Região só ficou completo quando, em 1942, a equipa de Henri Breuil demonstrou, a partir de materiais recolhidos na zona costeira dos concelhos de Faro e de Loulé, que a presença humana remonta ao Paleolítico inferior
O mais antigo dos testemunhos escritos é um portulano grego do séc VI AC, geralmente atribuido a a Eutienes, que descreve as navegações de Marselha para Tartessos, um reino importante (de origem divina) cuja influência se estendia de Almeria ao Algarve.
Aquele periplo foi utilizado por Avieno (Rufus Festus Avienos, erudito romano do séc. IV) para escrever a sua Ora Marítima, poema em que se refere às costas ocidentais do Mediterrâneo e fala dos nossos antepassados – os cinetas ou cónios – que viviam entre o rio Anas e o Cyneticum Lugun (Cabo de S. Vicente), para além de citar ainda a ilha de Herma, que muitos identificam com a Armona, fronteira a Olhão.
O principal centro urbano da época seria Conistorgis, que é referido a partir de finais do séc. III AC e, embora se não defina a sua localização, muitos crêem que se situaria na linha que saindo de Mértola para Alcácer passa por Castro Verde e Aljustrel, enquanto o cónego José Cabrita considerava que “a hipótese mais sedutora é a que localiza Conistorgium em Alcoutim”. E Garcia Domingues garantia que a actual designação – Alcoutim – teria sido atribuída pelos árabes que com isso queriam dizer “a dos cónios ou dos cunetes” – “Alkunatin”.
Estamos a referir-nos a uma época de indecisões quanto à localização de alguns dos mais importantes centros urbanos, como é o caso da própria capital de Tartessos, uma pesquisa em que se têm empenhado muitos investigadores, nomeadamente o Prof. Adolfo Schulten, o tradutor de Avieno, que nessa tarefa infrutífera consumiu mais de trinta anos. Do que não restam dúvidas é que tartéssicos e fenícios, sobretudo depois que estes últimos se libertaram da dominação egípcia, mantiveram um largo intercâmbio mercantil.
Interessados em dominar a rota do estanho, que os tartéssicos detinham, os fenícios estabeleceram ao longo da costa uma série de feitorias, a mais importante das quais, Gadir (Cádis), terá sido fundada por volta 1100 AC. E tudo leva a crer que em época pouco posterior já os fenícios estavam presentes numa série de localidades algarvias – Beasuris, Balsa, Baltum, Ossónoba...
Ao mesmo tempo que trocavam os seus produtos por minérios (prata, estanho e zinco) os fenícios desenvolviam as pescarias, salga de peixe, metalurgia e ourivesaria, mantendo uma situação de predomínio até ao séc. VII AC, altura em que os assirios destruíram Tiro.

Continua no próximo capítulo: - “Localização de Ossónoba”


RC

POETISA E COSTELETA

(a dar autógrafos)

MARIA JOSÉ FRAQUEZA.

Sobre o livro "Pragas Algarvias".


DINA LAPA de CAMPOS afirmou ser um "testemunho à riqueza linguística, típica de uma região em que a mulher algarvia "marafada" extravasa de forma espontânea e bem humorada as vicissitudes do seu dia-a-dia: as disputas de vizinhança, situações caricatas personificadas elas próprias por figuras-tipo que denunciam um estilo muito próprio, muito característico de quem lida com a vida de uma forma aberta e autêntica. Perspicaz e inteligente, a crítica social deixa transparecer uma sociedade, à época, carregada de preconceitos mas capaz de pôr em causa as diferenças e desigualdades".

JOAQUIM TEIXEIRA fez questão de falar da autora, detentora de um "talento e uma determinação enormes". Premiada a nível nacional e internacional, conta no seu vasto curriculum com mais de 700 prêmios literários. Foi professora do Ensino Secundário, é na escrita - poesia, contos, peças de teatro, artigos e crônicas que escreve para os jornais e programa de rádio, que desenvolve a sua atividade literária. Mentora de concursos literários,júri de concursos, membro da Sociedade Portuguesa de Autores, dinamizadora das tradições locais.

A Arqª CLARINDA MOUTNHO da Delegação Regional da Cultura do Algarve considerou o livro "Pragas Algarvias" como um contributo de grande valor para a identidade algarvia e a capacidade de o transmitir aos mais novos através do livro, que inclui ainda ilustrações feitas por alunos seus. E uma combinação perfeita entre as tradições mais antigas e a presença de uma geração mais jovem. Agradeceu e felicitou o Elos Clube de Faro por mais uma edição e manifestou a disponibilidade da Delegação Regional da Cultura do Algarve em apoiar iniciativas como esta.

JOSÉ LUIS CAMPO, vice-presidente Continental para a Europa do Elos Internacional saudou o Elos Clube de Faro e a autora por mais esta iniciativa considerando-a um verdadeiro elo da língua e da cultura portuguesa. Num poema de sua autoria, brindou a Maria José Fraqueza enaltecendo as suas múltiplas facetas, a amizade e admiração.

E foi com o Grupo de Cantares da Man'Anica da Fuzeta, composto por Vera Lúcia, Maria Benta e Teresa Pacheco que os presentes foram brindados com a recriação das "Pragas" num ambiente genuíno, embalado por uma linguagem popular e hilariante. A estas três grandes senhoras de enorme talento o Elos Clube de Faro agradece reconhecidamente e formula o desejo de poder voltar a ouvir nesta ou noutra encenação num futuro que se deseja muito próximo.

Texto retirado da net por

João Brito Sousa

domingo, 20 de janeiro de 2008

UMA POETISA COSTELETA


A MINHA MÃE


Minha mãezinha adorada,
Impossível descrevê-la!
Um estrela de alvorada…
Não me cansava de vê-la!


No meu berço embalador
O despertar matinal!...
Cantava com tanto amor
Com carinho maternal!


São momentos de emoções…
Que jamais posso esquecê-la!
Saudosas recordações…
Era a mais bonita estrela!


Lembrava a Virgem Maria
Com seu amor sem igual
Era a minha Estrela-Guia
Do Presépio de Natal!


Maria José Fraqueza

sábado, 19 de janeiro de 2008

RECORDAR LUÍS CUNHA


RECORDAR LUÍS CUNHA.

Soube da notícia da morte do Luís Cunha através do mail do Victor Venâncio e do blogue “OS COSTELETAS. Fiquei chocado, apesar dele me ter dito num passado recente, que não se sentia lá muito bem de saúde. Mas não o julgava tão perto do desenlace final.

Conheci o Luís desde sempre lá na Escola Comercial mas ele nunca soube quem eu era porque frequentávamos anos diferentes. O Luís começou por apreciar os textos que eu escrevia para a “DEFESA de FARO” e deixou-me uma ideia para escrever para o jornal “O COSTELETA”. Pouco tempo depois o Rogério pediu-me uma história para lá também e fiquei escrevinhador. Mas foi o Luís Cunha quem me deu a dica. Isto claro sem desprimor para o Rogério, pessoa de quem sou muito amigo...

Ganhei grande consideração, simpatia e amizade pelo Luís Cunha, quando ele me disse que fotocopiava textos meus e que os apresentava na tertúlia que juntamente com outros havia constituído.

Fiquei banzado com esta atitude de uma pessoa que nem sequer me conhecia e passei a considera-lo como um grande amigo...Que desapareceu agora..

Aqui lhe quero prestar uma pequena homenagem..

LUÍS... DEIXASTE-ME MUITO TRISTE

Porque raio te foste embora.. ó meu caro LUÍS!...
Para mim tu eras daqueles que ficarias eternamente...
E tens apenas uma atenuante se foi Deus que quis..
Levar-te, ó amigo tão cedo do convívio da gente!..

Mas devias pedir um adiamento ó Luís Cunha
Porque todas as coisas têm um momento para se fazer...
Recebeste a ordem de Deus e será que Ele dispunha
Para te levar para a outra margem da vida sem nos dizer.

Luís Cunha .foste agora é porque voltarás um dia.
Não tenhas medo de nada caro amigo a morte é ironia
E tu Luís que foste um amigo.. continua... persiste...

Mas não devias ter deixado iludir-te ó camarada...
Às vezes procuramos por nós e não encontramos nada
Mas essa de te ires embora LÚIS, deixou-me triste.

João Brito Sousa

E aí vai um texto que lhe dediquei e coloquei no meu blogue. ...

Ao LUÍS CUNHA,

A propósito do teu texto colocado no blog ”A DEFESA DE FARO” com o título “CARRETILHAS” , termo que não conhecia, direi que efectivamente só conheci dessas brincadeiras, talvez estúpidas, as bechininas e as bombas, que eram bastante perigosas, pois houve muita rapaziada que ficou com os dedos das mãos em muito mau estado, por falta de habilidade no manejo das ditas.

Aconteceu-me isso a mim, dei mecha na bomba larguei-a antes de tempo, joguei-a para fogueira, a bomba não rebentou.... fui buscá-la de novo e ela... pum... mas ainda consegui largá-la a tempo.

Bombas e bechininas de S. João nunca mais... jurei a mim mesmo.


CARRETILHAS, BOMBAS E BECHININAS


Essa coisa da “carretilha” ou pistolas de fogo
Que expeliam jactos faiscantes que desenhavam
Caprichosas figuras luminosas nesse jogo
Jogado entre os carretilheiros que as largavam

Confesso não saber o que são nem as conhecer,
Só conheci as becheninas e as bombas de S. João.
Que largávamos à fogueira e desatavam a correr
E as bombas largavamo-las antes de rebentar na mão.

És tu Luís que dizes que as ditas eram empunhadas
Por manipuladores que as jogavam naquelas noitadas
Onde desenhavam caprichosas figuras luminosas...

E dizes ainda que no barrocal algarvio havia
Combates de carretilhas até quase ao romper do dia
O que tornava aquelas noites mais saborosas.

João Brito Sousa

E agora o texto que eu escrevi e que o Luís mais gostou.

O ESTABELECIMENTO COMERCIAL

FELIZARDO & GLORINHA

Quando eu cheguei a Faro em 52 o estabelecimento comercial FELIZARDO & GLORINHA, já lá estava instalado de armas e bagagens na rua da PSP, como veio esclarecer agora o Luís Cunha.

O estabelecimento era dividido, se bem me lembro, em duas áreas comerciais, uma de mercearias e outra, digamos assim, de comes e bebes.

Além de toda a clientela do bairro, havíamos nós, os alunos da Escola Comercial e Industrial, que consumíamos da zona dos comes e bebes, as célebres sandes de atum, de cavala e de outros.

Para nós, a designação do estabelecimento era indiferentemente chamado de estabelecimento do Ti Felizardo ou o estabelecimento da Ti Glorinha. Dizer vamos à do Ti Felizardo ou dizer vamos a da Ti Glorinha era a mesma coisa.

Todavia, em termos de carinho recebido da parte do patronato, a D. Glorinha era como se fosse a nossa mãe, sempre atenta à nossa estadia ali, sempre preocupada com o que nos pudesse acontecer na cidade, sendo que, esta atenção, era mais direccionada para os montanheiros, como eu e éramos muitos, que não percebíamos nada do que era a Escola nem o que era a vida na cidade

È claro que faziam lá o seu negócio, como faziam também o senhor Manuel dos bigodes e o Coelhinho, que lá iam vender sorvetes e pinhões e um tipo de Olhão, que ia lá vender ratos, um rebuçado grande feito à base de mel, que a gente gostava muito.

Mas na loja da Ti Glorinha é que era bom e a gente ia lá tratar da nossa saúde. Comíamos umas sandes, bebíamos qualquer coisa e toca a andar.

Ainda hoje, falando com os alunos da Escola do meu tempo, quando nos encontramos, lá vem sempre uma referência de saudade das sandes da TI GLORINHA e do TI FELIZARDO.

Por isso tudo, o que quero realçar nesta crónica é o acolhimento que nós recebíamos dessas pessoas, digo FELIZARDO e GLORINHA, que antes de serem comerciantes eram seres humanos e que igualmente nos tratavam como tal A nossa vida estava mais facilitada com a sua presença no terreno. Em caso de necessidade nós sabíamos que eles estavam lá.

Não é porque nos emprestassem dinheiro a juros, não é porque nos vendessem as sandes fiado, não é porque os fizessem descontos nas encomendas ... nem por quaisquer outras milhares de razões... Nada disso.... nada

Nós íamos à do Ti FELIZARDO porque dos proprietários deste estabelecimento recebíamos... tão só... um pouco de carinho e amor ou seja, um pouco mais de calor humano... que foi muito importante para todos nós, que nos estávamos a iniciar na complicada caminhada da vida.

Agora que já terminei esse percurso e estou reformado, quero dizer-lhes muito obrigado Ti FELIZARDO e TI GLORINHA.

É a minha opinião e recordo-os com saudade.

Estejam lá onde estiverem, aí vai para eles, um ALABI... ALABÁ... BUM.. BÁ....que era o grito dos costeletas lá da Escola Comercial, onde aprendemos os rudimentos do Comércio ou os rudimento da Indústria.

Mas o outro aspecto da vida, começámos a aprender no TI FELIZARDO.

O que é que queres?

Cinco tostões de cigarros, Ti FELIZARDO.

E lá vinham três Hight Life, ou três Três Vintes, ou três Paris, que eram as marcas de tabaco mais populares desse tempo.

Eram outros tempo.

Agora já não fumo mas o estabelecimento ainda lá está, gerido agora por um neto, a quem peço o favor de honrar a memória dos avós.

Respeitosamente

È ESTA PEQUENA HOMENAGEM QUE QUIS PRESTAR AO AMIGO LUÍS CUNHA..

João Brito Sousa

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

QUANDO ALGUÉM PARTE



O associado nº 55 - Luís Alberto Rosa Cunha partiu

Ia fazer 70 anos. Foi colaborador do nosso jornal "o Costeleta" É com muita mágoa que damos esta notícia. A Direcção da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira apresenta à família enlutada as mais sentidas condolências.

QUE DESCANSE EM PAZ
O LUÍS CUNHA FALECEU...


Ainda ontem pensava em telefonar-lhe...
Queria saber dele .. no todo e em particular...
Como ia a sua saúde queria perguntar-lhe...
Queria saber se estava em casa ou a passear...

Não o fiz.. errei... mas devia tê-lo feito!...
Porque o Luís gostava daquilo que eu escrevia...
E eu queria ir vê-lo.. mas agora só no leito...
Deitado sempre .. como vou eu esquecer este dia!..

Perdoa-me ó Luís Cunha ... foste tu que me disseste
Que não me conhecias mas que os meus poemas leste
E gostavas .. mesmo desconhecendo quem era eu.....

E só porque ontem eu não fui perguntar por ti.....
Resolveste caro amigo Luís desaparecer daqui
Não... não acredito que o Luís Cunha morreu...


João Brito Sousa

Os COSTELETAS Dr.

(Café ALIANÇA, ONDE A MALTA ESTUDAVA)

COSTELETAS Dr.

Conforme o Libertário já disse aí numa crónica, costeleta era sinónimo de filho de pais de pouca “guita”... Não era a regra; mas quase. Costeleta era ainda, o estudante operário a curto prazo, que teria alguma dificuldade em chegar ao ensino superior.

Chegados ao 5º ano, a rapaziada ou entrava no mercado do trabalho ou seguia os estudos. Se sim, fazia-se lá na Escola, a Secção Preparatória para os Institutos, Comercial e Industrial e continuavam-se a estudar.

Que eu saiba, o primeiro aluno da nossa Escola a entrar no Instituto Comercial de LISBOA, foi uma aluna, a Maria Alcina Palmeira, que depois se licenciou em Finanças ao Quelhas e leccionou na Escola de Silves juntamente com o José Manuel Serôdio, que se licenciou em Contabilidade lá no I C Lisboa..

Dos primeiros foi também o Hélder Pinto que se licenciou em Contabilidade pelo IC Lisboa e foi funcionário da SACCOR, o Vitélio que se licenciou em Economia e foi funcionário do Banco de Portugal, o Aníbal Cavaco Silva de Boliqueime e actual Presidente da REPÚBLICA que se licenciou em Finanças e doutorou-se em Inglaterra, o Brás ou o Brasinho advogado em Faro, o Zé e o João Pinto Faria, engenheiros, o primeiro pelo ISEL e o segundo pelo IS Técnico, o João Vitorino Mendes Bica de Moncarapacho, licenciado pelo IS Técnico, o Rabeca, o Zé Gago, o Zé Barão e o Gil Vieira licenciados em Contabilidade pelo ICL , o Ludgero Roque, contabilista pelo ICL economista pelo Quelhas, o Herlander dos Santos Estrela economista e muitos .. muitos outros.

E já agora, eu também fiz esse percurso, mais o Vieguinhas de Pechão, o Carlinhos Louro Rodrigues, o Firmino e o Alfredo das Fontainhas...o Galvão Martins, a Aldina, a Celina, o Arnado Silva felizmente reformado, o José Martins Bom, o Lúcio de Albufeira .. eu sei lá...

Da Indústria seguiram os estudos o Bernardo Estanco dos Santos, o Figueiredo, o Anselmo, os meus primos Louro Rodrigues, o Louro de S. Brás, o Jorge da Somague, o Joaquim Madeira......

Se trouxe aqui estes nomes, onde faltarão muitos... é porque é de toda a justiça, evidenciar a preparação recebida dos professores da nossa Escola, sobretudo das Secções Preparatórias.


Foram eles, com o seu trabalho e competência, que nos ajudaram a concluir cursos superiores, o que fez com que quase todos nós nos tornássemos em quadros superiores de empresas.

A Escola de uma maneira geral tinha bons professores, e preparou-nos bem. Em Lisboa juntavam-se alunos de todo o País os algarvios derma cartas.

E a Escola de Faro deu o primeiro Magistrado da Nação e um secretário de Estado das Finanças.

É obra.

PARABÉNS À ESCOLA.

E obrigado professores.

João Brito Sousa

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

OS COSTELETAS NO BNU


ANOS SESSENTA

Os trabalhadores bancários que operavam em Lisboa na rua Augusta no BNU, anos sessenta, muitos deles eram provenientes da Escola Comercial e Industrial de Faro e da Escola de Silves, onde havia grandes professores de contabilidade

Constava lá por Faro, nos meios académicos que a malta da Escola de Silves tinha muito bom aproveitamento em Contabilidade , pois havia lá bons professores da área, como o Dr. José Correia, o Dr. Serôdio e a Drª Alcina Palmeira

Da Escola de Faro é que havia muita malta a trabalhar no BNU em Lisboa.

O mais antigo que eu conheci foi o Zé Clérigo do Passo da Fuzeta, que foi aluno do célebre 2º ano quarta turma foi contemporâneo do Franklim Marques, do João Manjua, do Francisco Zambujal e de outros... e já possuía um carro.. O Zé começou como professor primário tendo ido para o banco mais tarde. Trabalhava nos serviços de Contencioso do Banco quando se reformou. O Matinhos também era dos mais antigos.

Depois o Zeca Bastos, El Pepe, que era como lhe chamavam por jogar muito bem à bola, sempre muito penteadinho e sempre com as botas muito engraxadas. O Pepe era um talento. Profissionalmente o Zeca era super asseado. Como trabalhava na Contabilidade tinha a secretária sempre com muitos papéis, mas tudo super arrumado. Uma vez comprou um casaco de lã de carneiro australiano que durou alguns vinte anos e o Zeca já estava danado com o casaco. Nunca mais a traça entrava no casaco.. Na equipa de futebol da Escola jogava a médio com o Julião de Carvalho

O Hélder, que estava nos serviços pessoal e é irmão do Donaldo e dizem que ia passear aos domingo para Cascais. O Zé Félix, talvez o maior, o Jorge Valente dos Santos e o Romualdo Cavaco, o Zé Aleixo Salvador dos cheques, a Edmunda e a Nely Cunha, o Remendinho e o Peixinho eram outros trabalhadores da sede do BNU

O Daniel Mendonça, que se licenciou em Direito, à noite e foi Director de Recursos Humanos no Banco e foi ele que organizou em Lisboa o primeiro almoço dos antigos alunos da Escola a que eu tive o grato prazer de estar presente, ao lado do Dr. Honorato Viegas, também bancário no BNU e em frente do Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva.

Na delegação de Faro, o gerente era o César Nobre, o caixa era o Zeca Nobre e nos serviços internos havia ainda o Zé Bartílio da Palma e o Xavier, todos costeletas..

Na Escola havia bons professores de Contabilidade Geral e, apesar de a contabilidade do Banco ser uma contabilidade especializada, os alunos da Escola Comercial e Industrial de Faro, fizeram um bom trabalho.

João Brito Sousa

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

ULTIMA HORA


CARNAVAL COSTELETA

no

AlgarCatering-Senhora Menina-Faro

Dia 2 Fevereiro-Sábado

25 € por pak

MENÚ

Amoço Servido em bufett especial

Música ao vivo para dançar

Prémio para o melhor destrajado
Não é obrigatório vir mascarado

ELEIÇÃO DOS REIS DO CARNAVAL COSTELETA

Contacto

Isabel:-telm. 919029068

Mimi:-telm. 919367688

UM PROFESSOR DEDICADO

(J S Almeida Lima)

JOAQUIM DE SOUSA ALMEIDA LIMA


O Almeida Lima, foi colaborador de ”O COSTELETA” , constituindo uma grande ajuda na execução e no engrandecimento do nosso jornal. Fez parte dos órgãos da Associação, sendo ainda hoje Presidente do Conselho Fiscal..

Foi professor na Escola e orientador de estágio dos professores do 12º grupo, tendo depois exercido funções no Ministério da Educação. Visitou várias Escolas, frequentou cursos de formação na Alemanha e na Suécia, no âmbito dos então cursos técnicos que mais tarde viriam a acabar,

Foi professor de Caligrafia, de Dactilografia e Secretariado, onde foi um inovador em Práticas de Secretariado, trazendo para a aula o que se fazia na vida real.

Isto é o que todos sabem do JOAQUIM DE SOUSA ALMEIDA LIMA, porque é o que foi visto no terreno da vida. Mas será tudo? Penso que não..

Antes de mais dizer que, o professor ALMEIDA LIMA, antes de professor - que tanto se preocupou com a formação dos seus alunos – foi o Homem que tentou compreender o mundo e as suas tendências, para que, no seu “metier” de professor, as pudesse transmitir aos seus educandos.

O Professor ALMEIDA LIMA, foi dos primeiros a perceber que a Escola não se pode confinar à sala de aula ou aos conteúdos das sebentas, tantas vezes mal elaboradas. A Escola tem de ser dinamismo, eficiência, aplicação e modernidade.

Foi um estudioso das coisas do ensino e percebeu que o mundo mudou, no sentido em que o amanhã começa já hoje. A vida é mais rápida, morre-se mais tarde e os alunos terão de querer aprender mais em menos tempo.

Não foi para que os alunos não soubessem a tabuada, que a máquina de calcular entrou nas salas de aula. Entrou, sim, mas para ajudar não a calcular percentagens mas para ajudar a calcular integrais e outros, que são morosos de fazer em cálculo mental. . Nem os alunos nem a escola perceberam isso. Mas o professor ALMEIDA LIMA percebeu.

Os alunos terão de perceber, que, no desempenho profissional a rotina já não tem lugar. e que o emprego hoje é precário em todo o lado. Hoje inova-se e investiga-se em todo o mundo. É a competição que assim o exige. Foi isso que ALMEIDA LIMA ensinou.

A globalização, a abolição de fronteiras, o aquecimento do planeta, a corrupção e fuga aos impostos, a pedofilia, o desemprego galopante, a falência e ciclo de vida das empresas são alguns dos milhentos problemas que a Escola tem de saber que existem .

Mas para que isso aconteça, essa consciencialização tem de ser, primeiro, dos professores.

Mas, Professores.. como o Joaquim Almeida Lima, que se interessou por estas coisas. Com outros professores....não..

Estas palavras são para o ALMEIDA LIMA que as merece, face a tudo aquilo que deu à Associação.

À Associação que lhe deve bastante..
João Brito Sousa

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

PASSAGEM DO ANO


Do nosso associado nº 312-Dr. Manuel Inocêncio da Costa recebemos este poema, com desejo de publicação
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É noite do fim do ano - o tempo corre,

O ser humano ilude-se - divertir-se finge.

É assim dede que nasce até que morre,

Faz-se parecer folgazão - mesmo com cara de esfinge.

Escolhe certas épocas do ano para explodir,

Fim do ano, Carnaval, férias são férias,

Mesmo de coração apertado põe-se a rir.

A vida é difícil e curta - o resto são lérias!

Nessa noite desaperta a máscara - coração ao vento;

Vai com os amigos, vai com a mulher,

Grita, salta - para trás qualquer desalento,

O resto do ano é longo - basta de tanto sofrer!

Não interessa quanto custa - é preciso aparecer,

No outro dia aos amigos tudo relatar,

Quem viu, quem não viu, onde e com quem foi ter,

Se não comeu ou se se enxarcou quase até rebentar!

As horas passam - foge-lhe o pezinho para a dança,

A cara está vermelha - bebeu até fartar;

Vai à casa de banho aliviar a pança,

E, depois, senta-se um bocado para descansar,

Para a meia noite faltam apenas segundos,

A sala agita-se - o champanhe explode,

Agora está no apogeu, no melhor dos mundos,

Bebe uma, outra taça, e, grita, grita, quanto pode!

Está bêbado como um cacho - fora está neblina,

São seis da mabhã - ouvem a última melodia,

A mulher chama um taxi - a habitual rotina,

Dormem como uma pedra - amanhã é um novo dia!
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Manuel Inocêncio da Costa

COSTELETAS DE 66/67


Junto foto tirada pelo Sr. Mestre Mendonça, numa aula do Curso de Formação do ano 1966_67.Informo que o autor desta mensagem, é o primeiro a contar da esquerda da 2ª. fila, perto do quadro e encostado ao torno "Cardiff".

Cumprimentos


AGabadinho

ANIVERSÁRIO DA VICE-PRESIDENTE

(apagando as velas sob o olhar atento da sua neta)
Celebrou ontem dia 14 de Janeiro com a família. Como não se deve perguntar ou dizer a idade de uma senhora, apenas queremos desejar que os festeje por muitos anos. O BLOGUE da nossa Associação apresenta-lhe as maiores felicidades. PARABÉNS D. Isabel Coelho.

A AULA DO ALUNO FERRO

(limador)


A DEMONSTRAÇÃO


No meu tempo, eu tive nas oficinas o mestre OLíVIIO, o mestre dos mestres, o mestre MENDONCA e o mestre PALMINHA…..que, no ano anterior havia sido nosso colega.

Claro todos nos lembramos dele como mestre e também como grande guarda redes que foi

Falar no mestre OLIVIO eu deixo isso para quem o consiga descrever melhor do que eu o faria.

Mas mesmo assim digo que foi um dos homens que mais me impressionou em toda a minha vida

Mas quero falar aqui de uma ocorrência que presenciei nas nossas OFICINAS

Para quem se lembre, olhando as fotografias que o BRITO SOUSA nos obsequiou, eu diria que as máquinas estão alinhadas um pouco diferentemente do que estavam ha 50 anos mas não muito.

A fresa ARNO ainda esta no mesmo sitio e, ao fundo a direita de quem entra, ainda esta no mesmo sitio o torno CARDIFE a jóia da coroa e a menina dos olhos do mestre OLIVIO…UMA MAQUINA FABULOSA

Só trabalhava nela quem merecia a confiança do grande mestre

Vou lembrar o que se passou. E provável que outros se lembrem também.

Naqueles tempos, imediatamente a seguir ao fim do ano lectivo, o mestre OLIVIO organizava uma exposição dos melhores trabalhos executados nesse ano e, acompanhava a dita exposição com demonstrações nas referidas maquinas para alunos, pais de alunos, outros professores e claro convidados. Para essas demonstrações ele escolhia os nossos melhores e ele sempre estava por perto.

Dizia-se que naquele tempo só quem tinha melhores oficinas era a escola MARQUES DE POMBAL em Lisboa….eu fui lá no meu quarto ano incluído na nossa equipa ao concurso de trabalhos e não me pareceu ser assim…maior era... mas só isso

Nesse dia já longínquo calhou ao FERRO (um que andava sempre com o Salsinha e trabalhou nos Telefones) do qual não me recordo o nome completo, mas sei que morava no ALTO RODES e era primo do nosso grande ANSELMO, fazer a demonstração desse limador, que se vê na fotografia.

A demonstração do funcionamento da maquina era dedicada a uma senhora convidada da nossa professora de português, a Drª CANDIDA a quem nos chamávamos candidamente de “A pescocinho”.

Mas vamos adiante; o Ferro, falava, falava, explicava o melhor que sabia e podia e chegou a altura da demonstração, que começava por descrever um pouco a máquina.

Se olharem a fotografia, ha uma roda que tem pegada uma maçaneta…..ora isso é precisamente o controlo das velocidades do cabeçote que deve ser tanto maior quanto menor o curso do dito cabeçote e vice versa,

Ora, o controlo das velocidades girava sem fim, quer dizer quando atingia o máximo passava ao mínimo creio que me fiz entender. E, é aqui que aconteceu o problema; dando a máximo curso ao cabeçote, a velocidade teria que ser a mínima. Não se sabe como, a velocidade fixou-se no máximo. Quando o FERRO activou a embraiagem, ouviu-se um silvo de fera ferida que entoou por toda a oficina

A Drª CÂNDIDA estava observando mesmo em frente da maquina, o cabeçote disparou e passou-lhe a centímetros da cara….o mestre OLIVIO estava por perto saltou e parou o limador

Fez-se um silencio sepulcral, a palidez invadiu os que estavam por perto e nosso mestre OLIVIO olhou o FERRO e, como grande educador que era, sabia que nada que pudesse dizer ao aluno serviria para o que quer que fosse.

E não disse nada ao aluno... dando-lhe, indirectamente todo o apoio...

São assim os grandes educadores que, felizmente a nossa Escola teve.

Na vida todos aprendemos mais com os erros cometidos do que com os sucessos e, nesse dia o nosso amigo FERRO aprendeu que havia que prestar mais atenção às máquinas que tanto nos ajudam como nos matam se mal manuseadas

Quem se lembra do FERRO? Onde está?

E assim se foi construindo o tal estado de espírito do costeleta, de que fala o Professor AMÉRICO. não é assim professor?.. ..

Por
Diogo
Felizmente no activo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

POR OUTRAS PALAVRAS

(nesta praça era o edifício da Escola)
POR OUTRAS PALAVRAS

SER COSTELETA é um estado de espírito, disse o Prof. Américo.

Por outras palavras, a forma de sentir-se costeleta, ou aluno da Escola, resulta do carinho, respeito e consideração que temos, por termos aprendido nessa mesma Escola. Fomos nós que fizemos a Escola ao mesmo tempo que a Escola nos preparou a nós. Nós somos um produto da Escola e a Escola é um resultado de nós. Há uma relação muito forte que nos aproxima mais e mais porque cada um de nós acredita no outro. Encarnamos a verdade do outro na nossa alma e a recíproca também é verdadeira. Daí o Professor Américo ter razão, porque a nossa alma ou estado de espírito veste a roupagem da alma da Escola. Ou, por outras palavras, estamos identificados com a Escola. Nós somos a Escola. E estamos gratos à Escola..
Estamos gratos à Escola, não querendo isso dizer que a Escola nos facilitasse a vida. A Escola cumpriu com a sua missão, educando-nos. Uma vez, há 54 anos, estava eu nas oficinas de Trabalhos Manuais com o Mestre Damião, aproximei-me dele e disse: “Senhor Mestre pode emprestar-me isto?” E o Mestre: “Não percebi.” E eu insistia e o Mestre que não percebia, quatro ou cinco vezes mais eu pedi e outras tantas o Mestre não percebia. Às tantas, disse-lhe: “O senhor Mestre faz o favor de me emprestar esta ferramenta.” “Faz favor.”, disse o Mestre Damião.

Recordo, aqui, este simples episódio, para evidenciar de que forma os professores contribuíam para a nossa educação e, de certa forma, para a aquisição do tal estado de espírito do costeleta. .
Ser costeleta... é amar a Escola que nos fez homens. Não será assim, senhor professor Américo?

JOÃO BRITO SOUSA

domingo, 13 de janeiro de 2008

A NOSSA ESCOLA

Este trabalho é nosso, é para nós todos, Alunos Professores e Mestres da nossa Escola, mas se me permitirem, leva um reconhecimento especial para o grande pedagogo que foi o MESTRE OLÍVIO.
A nossa Escola É uma Saudade!...

O hoje Engº aero espacial JOÃO PAULO SOUSA é um "COSTELETA"
Gostei de todas as ESCOLAS, porque foi lá que fiz as minhas melhores e duradoiras amizades. A escola primária terá sempre um lugar à parte por ter sido a primeira a receber-me. Mas hoje vamos falar do ensino Técnico Profissional ...

O ENG.º JOÃO PAULO SOUSA é um produto da nossa Escola
"QUANTAS GERAÇÕES DE COSTELETAS APRENDERAM NELA"
Na época moderna, a primeira grande reforma educativa remonta à administração pombalina (1750-1777), encontrando-se aí, entre outras, as origens do ensino técnico/profissional com a criação da Aula do Comércio (1755).Pouco depois foi criada a Aula Náutica (1764) e, sucessivamente, a Aula de Desenho e a Fábrica de Estuques, a Aula Oficial de Gravura Artística (1768) e, já no Governo de D. Maria I, a Aula de Debuxo e Desenho (1779), no Porto, e a Aula Régia de Desenho e Figura, em Lisboa, também designada por Aula Pública.


Já em pleno século XIX, Passos Manuel reconhece que “... não pode haver ilustração geral e proveitosa sem que as grandes massas de cidadãos [...] possuam os elementos científicos e técnicos indispensáveis aos usos da vida do estado actual das sociedades” (Preâmbulo do Decreto de criação dos Liceus Nacionais, de 17 de Novembro de 1836).Na sua actividade reformadora reconhece-se a sua percepção das novas realidades social e económica, decorrentes da Revolução Francesa e da Revolução Industrial inglesa.


Procurando ultrapassar o âmbito restrito da escola e captar as atenções e o interesse de um público mais vasto, institui, com esse fim e inspirado no Conservatoire National des Arts et Métiers de Paris, os Conservatórios de Artes e Ofícios de Lisboa (1836) e do Porto (1837), cujo fim principal “... é a instrução prática em todos os processos industriais...” (Decreto de 18 de Novembro de 1836) e “... promover o estudo das Belas-Artes, difundir e aplicar a sua prática às Artes Fabris” (Decreto de 22 Novembro de 1836).


As mais importantes medidas legislativas relativas à criação e regulamentação do Ensino Industrial têm lugar na década de 80, devidas, essencialmente, a António Augusto de Aguiar, Emídio Navarro e Eduardo José Coelho, sucessivos ministros das Obras Públicas, Comércio e Indústria, Ministério que então tutelava o ensino industrial, comercial e agrícola. São criadas, um pouco por todo o País, escolas industriais e de desenho industrial, tornando-se algumas famosas pelos conteúdos programáticos e pedagógicos dos seus currículos, pela componente prática do seu ensino e pela excelência e relevo de grande número dos seus professores, muitos deles contratados na sequência de concursos internacionais.

A António Augusto de Aguiar se deve a criação das Escolas Industriais e de Desenho Industrial, por Decreto de 3 Janeiro de 1884, e o respectivo Regulamento, de 6 de Maio do mesmo ano.

Reconhecida a falta de professores qualificados em Portugal para exercerem este tipo de ensino, o Decreto prevê, no seu Art.º 4.º, a possibilidade de contratar, no estrangeiro, professores com reconhecidas competência e qualidade para o exercício deste magistério. Posteriormente, Emídio Navarro, ao promulgar o Plano de Organização do Ensino Industrial e Comercial (Decreto de 30 de Dezembro de 1886), continua a prever esta prática no Art.º 42, tendo sido considerável o número de professores estrangeiros então contratados, através de concursos abertos nas legações de Portugal em Berlim, Berna, Bruxelas, Paris, Roma e Viena de Áustria, em 1888, registando-se uma grande afluência de candidatos.

Dos muitos professores contratados nestes concursos, alcançaram reconhecido mérito e fama nomes como Silvestro Silvestri, Cesare Janz, Charles Lepierre e Leopoldo Battistini, que prestigiaram, pela inovação e qualidade, o ensino industrial.

João Brito de Sousa

PORQUE HOJE É DOMINGO

( o snehor padre augusto)

UM PADRE QUE É COSTELETA


“As duas paróquias agora visitadas pelo Bispo do Algarve, São Bartolomeu de Messines e São Marcos da Serra, estão entregues há 13 anos aos cuidados do padre Augusto de Brito.”

(retirado da net)

O SENHOR PADRE AUGUSTO Ó DE BRITO é costeleta do meu tempo. Apesar disso, não tenho com ele uma relação muito apertada. Cruzávamo-nos nos corredores da Escola. Ele Indústria e eu Comércio..

Quem me falou dele, foi o nossos colega Zé Luís, de Albufeira, bancário e já falecido, que me disse que o Ó de Brito era agora Padre em Messines. Já o tinha visto, num programa da SIC e nessa qualidade, a explicar essa vocação tardia. Que a coisa tinha surgido pela via sindical., disse, porque sentiu aí mais de perto as injustiças sociais.

Quando uma vez passei por Messines, entrei na Igreja e perguntei por ele. Está ali, disseram-me. Perguntei se podia entrar. Que sim.. e lá fui estar com ele à Sacristia onde se estava a paramentar.

Bom dia Senhor Padre Augusto, como está o senhor? Fomos colegas na Escola em Faro, lembra-se ?... mas não se lembrava. E disse-lhe ainda.. já sei que os seus paroquianos gostam muito de si. Nem todos ... nem todos, observou-me..

Este aspecto, aparentemente negativo não o será tão assim, todavia, porque, revela uma constatação da preocupação sacerdotal do senhor Padre Augusto. O que está aqui evidenciado, na resposta do senhor Padre, é tão somente a postura vertical do agente da igreja, que na homília só deve ter na verdade palavra de combate .

O mundo não anda bem; as guerras sucedem-se e a teoria do bem estar não vinga.
Parece que precisamos de muitos senhores Padres Augusto... para se conseguir a tal melhoria que tanto desejamos.

Saudações costeletas
João Brito Sousa

sábado, 12 de janeiro de 2008

UM COSTELETA DE MESSINES

(eu vi crescer aquelas árvores...)
O MELHOR FOI O MACHADO.

Houve bons alunos no meu tempo de Faro até às Secções Preparatórias para os Institutos. De todos, aquele que mais me impressionou pela sua rápida compreensão das matérias foi o Luciano Machado de Messines.
Disse-me o Cabrita Longo que o Machado, em Económicas onde se licenciou, numa aula de Matemáticas Gerais, teria interrompido a explicação do Prof acerca de determinada passagem, coisa que, em tempos de magister dixit, ninguém se atrevia a fazê-lo. E Machado fez. E o Prof. parou e explicou.

O Machado juntou-se a nós em Faro em 60//61 e vieram com ele da escola de Silves, o Domingos Morgadinho, o Zé Andrés, o Manuel Jacinto, a Antonieta e a Teresa e mais umas duas ou três moças. Tudo gente seleccionada, bons alunos em Matemática e Contabilidade. Nós, os de cá da cidade de Faro, tínhamos os irmãos Gabadinho, o Zé e o Xico que eram bons a matemática... Mas o Machado dava cartas principalmente a matemática e Física.

Os professores eram bons, o Dr. Jorge Monteiro a Matemática e Física e o Dr. Queiroz a literatura.

Mas aluno como o MACHDO.... difícil.

João Brito Sousa

JOSÉ FELIX DE JESUS

UM COSTELETA FAMOSO

JOSÉ FELIX DE JESUS

foi o ponta esquerda da equipa de futebol da Escola, numa altura em que era difícil lá chegar, porque a equipa da Escola tinha bons valores a jogar na frente nesse tempo.

O seu interior era o Xavier, que jogava mais para dentro do campo. O Zé Félix jogava colado à linha, era rápido, e fazia com o Xavier uma boa asa esquerda. Tinham uma jogada estudada.

Quando o Xavier tinha a bola, fazia um lançamento para a cabeceira a rasgar a defesa contrária, fazendo passar a bola entre o defesa direito deles e o defesa central. Era nessa altura que aparecia o Zé Félix, que centrava bem, a colocar abola na cabeça do Eugénio que entretanto surgia . Fizeram muitos golos assim.

Como amigo é uma pessoa excepcional e toda a gente gosta do Zé Félix. Deu tudo à vida e recebeu dela a devida contrapartida. É um trabalhador nato e versátil. À excepção do Banco de Portugal, trabalhou em quase toda a banca comercial. e fez complementarmente “um pézinho” de cerca quatro anos, em simultaneo, nos CTT, trabalhando catorze horas diárias, por opção, o que originou a renúncia à frequência do Instituto Comercial de Lisboa,
Actualmente vive em OEIRAS e é empresário com grande capacidade de desempenho e algum sucesso.
Aí vai uma história passada com ele na Escola.
Numa aula de ginástica, o professor Américo entendeu destiná-la a provas de corrida no átrio da Escola. Eram corridas de 50 metros. Foram feitas várias eliminatórias. Havia um contra: o cabelo crescido do Zé, que ainda coloca um lenço na cabeça, à semelhança do Ventura, defesa central do Farense. O professor Américo chama-o e diz-lhe: Zé, toma lá cinco tostões para comprares ganchos e acertares o cabelo, se não for assim não ganhas.

Com ganchos ou sem ganchos, o Zé viria a ganhar a prova, tendo como adversário o Sebarrinha da Indústria.
Para a próxima vão sair os pormenores daquela do Sintra, que veio de Silves, com o Dr. Uva, ó seu estúpido, o que o senhor fez no teste leva duas horas a fazer . O tempo do teste foi de uma hora. Como é que o senhor mete duas horas numa ?...

Por
João Brito Sousa

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

COMENTÁRIO DE ARNALDO SILVA

(paisagem dos açores. Também é bonito)


COSTELETAS" de Outrora

O tema que o "costeleta" Brito traz hoje aqui provocou, trazidas do recôndito da minha memória, muitas emoções, pelos mais variados motivos, mexendo com evocações e constatações que, não obstante a sua variedade, vou concretizar em dois tipos.Obviamente, afloraram de imediato todos os rostos , simpáticos, afáveis, camaradas e sorridentes das "costeletas" que comigo conviveram naqueles tempos de Escola.

Com os mesmos rostos vieram também, em torbilhão, todas as recordações que o saudável convívio proporcionou. A questão é que, nos últimos três anos em que estudei na Tomás Cabreira, tive o privilégio de fazer parte de turmas mistas.Naturalmente que o convívio em turmas mistas, na força do despontar da adolescência, despertava não apenas o prazer da convivência com os elementos do sexo oposto mas também as primeiras batidas de corações em paixonetas incontroladas.

Evocar esses sentimentos , cinquenta anos volvidos, sabe bem.Soube bem!Mas, a visão das "costeletas" de outrora, despoletou ainda um outro tipo de emoção. A emoção provocada ao verificar a alteração - devia dizer, evolução? - dos costumes e dos comportamentos sociais a que assisti nestes meus sessenta e quatro anos de existência .Vocês, "costeletas" de aqueles tempos, lembram-se de uma proibição emanada da Digníssima Direcção da nossa Escola que impossibilitava a entrada de alunos e professores pelo mesmo portão?! Então devem lembrar-se, igualmente, daquela determinação, da mesmíssima Direcção, que forçava a entrada das "costeletas" por uma porta da Escola e a dos seus colegas por uma outra, que se quedava "a milhas" de distância da porta delas.

E foi aqui, ao lembrar-me destas determinações, que a comparação dos comportamentos sociais provocou um outro tipo de emoções.Para avaliá-las, atente-se na postura e nas manifestações de dois quaisquer adolescentes de hoje, num qualquer átrio de uma qualquer Escola actual deste país, durante um "furo" ou aguardando o "toque de entrada".Novos tempos! Outros tempos!Será motivo para ter pena de se haver nascido há tanto tempo?!

Arnaldo silvaFelizmente reformado

CRÓNICA DO COSTELETA ARNALDO SILVA


COISAS DE VELHOS "COSTELETAS"

Em tempos que já lá vão, tempos que ficaram pra trás há quase um longo meio século, a educação da juventude era ministrada de forma bem diferente daquela a que hoje assistimos. Melhor ou pior é coisa que não discuto. Não porque não gostasse de o fazer ou porque o assunto não me interesse. Nada disso! Apenas porque não é esse o meu propósito ao redigir estas linhas.

Educação bem espartana levada a cabo pelos progenitores de então, incutia nos educandos um sentido de dever, gerava nestes um peso de obrigatoriedade de cumprir as ordens recebidas e, talvez o pior do sistema, criava um medo/pavor das consequências aquando de um qualquer incumprimento.

No final do último ano lectivo em que passei pelos bancos daquela Escola, um "costeleta" amigo 'viu-se forçado' a ter que deixar uma disciplina para fazer exame em "segunda época".

Pai severo, de imprevistas reacções face a tal acontecimento, foi do mesmo omitido aquele facto. É evidente que o amigo "costeleta" pensava aplicar-se no estudo da disciplina em falta, durante o período das férias. Porém, pelo sim pelo não, "não fosse o diabo tece-las", receando encontrar-se face a um ciclópico trabalho, chegou à brilhante conclusão de que, com a ajuda de um outro "costeleta" que já "tinha a disciplina e o curso no papo", seria mais fácil levar a missão ao sucesso.

Mas como obter o concurso de um amigo se o pai severo não lhe permitia o devaneio de poder convidar alguém para sua casa e, muito menos, não lhe permitia deixar o seio da família para fazer férias fora de casa?!

Mais uma nova e brilhante idéia iluminou então o universo da capacidade criativa daquele nosso amigo!
Como o pai severo era proprietário de uma vasta herdade que, entre outras coisas, produzia muita amêndoa, aquele amigo conseguiu convence-lo de que um par de mãos a mais, para ajudar na apanha e descasque, seria sempre bem-vindo, até porque não custaria mais do que o prato da comida e é sabido que "de onde comem seis, também podem comer sete". Argumento de peso! Irrefutável, mesmo!
Anuência dada, foi-me dado o privilégio de passar umas três semanas de férias diferentes que, felizmente, culminaram no êxito do exame em "segunda época" daquele bom amigo "costeleta".

Outros tempos...

Arnaldo silva
Felizmente reformado

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

OS MONTANHEIROS VENCERAM

AO COSTELETA FRANCISCO RODRIGES NETO grande empresário de sucesso ( owner de uma das maiores Empresas de construção civil dos Estados Unidos da América)
(Francisco Neto e o filho)

COSTELETA DE MÉRITO

Por muita coisa que se diga dele não se diz tudo!...
É um costeleta que venceu na vida e mais nada.
O XICO é um bom homem, sorridente nada sisudo
A quem peço que se prepare e se meta à estrada ..

Para no dia oito de Junto se juntar a nós no almoço.
E ouvir um aplauso sincero e de reconhecimento
Da malta costeleta que quer entregar a esse moço
Uma medalha de prata por um total merecimento

E dizer ao Homem, ao Empresário, ao COSTELETA.
Que nele temos orgulho porque nunca pôs na gaveta
O nome da nossa Escola nem a sua enorme História...

XICO NETO, desculpa lá este tratamento tão familiar
Somos assim... e é o prof. Américo que te vai levar
O nosso abraço e que ele te fique para sempre na memória.


João Brito Sousa

OS MONTANHEIROSVENCERAM

AO FRANCISCO RODRIGUES NETO , COSTELETA e grande empresário da área da construção civil (um dos maiores) diversas vezes agraciadopor altas patentes da administração americana e portuguesa..

Secretário de Esado da s Comundades)

SUPERIORMENTE AGRACIADO

Pelos colegas de trabalho ... seus empregados.
Melhor .. talvez amigos.. porque o Francisco sabe
Como liderar pessoas e tem nisso muitos cuidados
E sobretudo tem nisso também muita vaidade....

O pessoal da empresa respeita-o e considera
E os meus votos de felicitações aqui prolongo
Ao que nas relações laborais iniciou nova era
É grande costeleta e montanheiro do Poço Longo

XICO.. terás que vir ter com a gente, ouviste!
Quem faz o discurso sou eu... não me pediste
Mas sou eu que te peço que venhas até aqui.

És amigo do amigo Diogo e és meu convidado
E neste almoço que fazemos vais ser referenciado
Como um dos maiores costeletas que já vi ...

João Brito Sousa

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

AS MOÇAS DO MEU TEMPO

AS MOÇAS DA ESCOLA ERAM AS MAIS BONITAS.!...

Se o Liceu se apresentava com a Rute, a Aidé e a Ilda Capela (a primeira e a última minhas colegas do Magistério) a Escola surgia com a Isabel Coelho, a Fernanda Maia, a Madalena Maia, a Pisa, a Susana Moreno e a Marília Pedrinho.

Se perdêssemos na graciosidade, ganharíamos o combate através da simpatia das nossas moças.

Eram moças amigas, cheias de juventude e talento, que nos ajudavam a cabular nos exercícios.

Todos nós gostávamos de as ver passar, na sua elegância e porte bem femininos, um sorriso às vezes, era a beleza que passava. Não vale a pena esconder este aspecto da vida, porque foi também com os piropos do António José Guerreiro Leonardo e de outros, que elas se fizeram mulheres e nós nos fizemos homens. . .

Mas estamos a falar de amor... e de mais nada. Estamos a falar desse sentimento nobre que cada um de nós possui para dar, em quantidade maior ou menor e que nos pode proporcionar bem estar. Se sim, se encontrámos o caminho... continuemos nele.

Foi ela quem me ensinou o amor, diz RAUL BRANDÃO no Húmus e nas Memórias, referindo-se à mulher.. Estou convencido, sem ser especialista, que muitos homens não desfrutaram ainda desse estado de espírito maravilhoso, porque o amor é feminino.

E eles pensam que é outra coisa.

No amor, nada é grosseiro se houver afecto. O afecto é tudo na vida. Sem afectos a vida não tem sentido e torna-se chata... não é assim professor Doutor Júlio Machado Vaz?...

Por
JoãoBrito Sousa

O COSTELETA JOÃO V.M.BICA


OBRIGADO ENGº JOÃO BICA

A todos os colegas do primeiro primeira de 52/53.

QUERO QUE SAIBAM QUE FIQUEI ORGULHOSO COM AS PALAVRAS DO NOSSO JOÃO VITORINO MENDES BICA. POR ISSO AS PUBLICO PORQUE ELAS ME EMOCIONARAM.. E FIZERAM SENTIR-ME JOVEM DE NOVO. E DE BEM COMIGO PRÓPRIO. Obrigado João.

E o JOÃO disse,

Caro Brito de Sousa

Tenho estado deliciado a navegar nos blogs que mandaste e até já comentei umdos artigos. Mas agora chega por hoje. Vou procurar os contactos que falámos. Quanto aos artigos ...vamos ver o que se arranja. Sabes que, quando a cabeça é formatada para as engenharias,normalmente as artes não têm espaço.

Um abraço

Bica
o meu bloge pessoal é
http://bracosaoalto.blogspot.com (colocar na barra do Google)

Caro Brito de Sousa

É com enorme emoção que tenho navegado nas leituras no teu blog do qual, como sabes, só agora tomei conhecimento. Em boa hora. Já passa das 3 h da madrugada e não sei quando irei parar; de repente, neste "Um bom fim de semana", voltei mais de 50 anos atrás.... para recordar pessoas que alguns nomes lembram, para lembrar situações que alguns nomes viveram, para reviver factos que a voragem dos tempos já tinha feito esquecer. Para recordar, recordar e....acordar. Vivemos por vezes uma vida que, por muito intensa e profissionalmente absorvente que seja, nos vai adormecendo para um passado que não é periodicamente revisitado. É aqui que se revela a importância dos convívios. Mesmo que sejam apenas informáticos, numa primeira fase.

O teu blog tem a força e a vida que não deixam esquecer o passado.

Obrigado jovem companheiro de outras épocas, por me teres acordado; e acordado continuarei!

J. Mendes Bica


MAS ESTAS PALAVRAS, NÃO SÃO APENAS MINHAS MAS SIM DE TODA A TURMA DO PRIMEIRO ANO DE 52/53 , QUE SÃO:

Chefe de turma: CÉLIO MARTINS SEQUEIRA

ALUNOS

José Bartílio da Palma
Luís Rebelo Guimarães
Herlander dos Santos Estrela
Reinaldo Neto Rodrigues
António Inácio Gago Viegas
Humberto José Viegas Gomes
Manuel Cavaco Guerreiro.
Joaquim André Ferreira da Cruz
João Baptista
José Mateus Ferrinho Pedro
José Vitorino Pedro Rodrigues
Ivo
Francisco Gabriel Carvalho Cabritas
João António Sares
Fernando Manuel Moreira
António Manuel Ramos José
Francisco Paulo Afonso Viegas
Manuel Geraldes
João Manuel de Brito de Sousa
Jorge Manuel Amado
João Vitorino Mendes Bica
Carlos Alberto Arrais Custódio
José Júlio Neto Viegas
Manuel
João dos Santos
José Pedro Soares
José Marcelino Afonso Viegas

Faltam aí uns doze nomes. Quem se lembra?...
João Brito Sousa

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

BIFES E COSTELETAS

(alunos de uma Escola)

O fenómeno subjacente às designações que os moços que estudavam no Liceu e na Escola se atribuíam de “bifes” e “costeletas” é mais complexo do que à primeira vista parece.
Tudo parece circunscrever-se a uma questão de natureza simplesmente económica, que, em parte, também é.
Não devemos esquecer que nos primórdios da industrialização, quando deixou de ser apenas necessário um ensino rudimentar e formal, a aristocracia começou a assegurar aos seus descendentes escolas de superior qualidade, que lhes garantiam lugares de direcção técnica, enquanto os filhos das classes menos abastadas tinham de contentar-se com lugares de subalternidade.
A origem das desigualdades posteriormente evidenciadas nos “bifes” e “costeletas”parece ter estado aí.
Entretanto e isto no passado os filhos das classes menos abastadas ajudava os pais nos seus trabalhos ou andavam a aprender um ofício.
Este espírito foi-se arrastando de tal forma que nos nossos tempos de “Ensino Primário”todos estávamos sujeitos a dois exames – nas 3ª. e 4ª. Classes, correspondentes aos actuais 3º. e 4º. Anos do Ensino Básico – e a exame de admissão ao Ensino Secundário, que alguns de nós acabávamos por fazer ao Liceu e à Escola.
Os mais abonados (os bifes) pretendiam prosseguir estudos universitários e acabavam por ingressar no Liceu, enquanto os outros (os costeletas) pretendiam adquirir habilitações profissionais para o mais depressa possível enfrentarem o mundo do trabalho. Para tanto ingressavam na Escola, estabelecimento que proporcionaram uma notável plêiade de excelentes trabalhadores que em nada desmereceram os conhecimentos muito mais humanísticos dos “bifes”.


Libertário Viegas

UM POETA COSTOLETA


Faro, 2008.01.08


Para todos os costeletas.


Fui pupilo da Tomás Cabreira
Escola prática e evoluída
Aprendi, atento e alegre, a maneira
De trabalhar com honra na vida

Saudosos tempos de mocidade
Recordo sempre com exactidão
Teoria, prática e verdade
Plantadas fundo no meu coração

Hoje quando passo defronte
Permanece o calor do passado
Actual, segue os passos da fonte
Afago-a muito emocionado


Roberto Afonso

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

OS MONTANHEIROS VENCERAM

(dia de festa na aldeia do POÇO LONGO)


CRÓNICA DE WASHINGTON

COSTELETAS DE SUCESSO

O LARINDAS

(por DIOGO TARRETA, felizmente no activo)

A história do LARINDAS vai para todos os costeletas, mas especialmente para o Professor Américo, porque foi ele que disse que “ser costeleta é um estado de espírito” e porque a cena que vamos contar, aconteceu numa aula de ginástica.

Para os costeletas de 54/55, do primeiro primeira, o nome FRANCISCO RODRIGUES NETO talvez não diga muito mas, se lembrarmos o nome por que era conhecido, todos se vão recordar.....

Era o LARINDAS.

LARINDAS...ora LARINDAS porquê?

Porque o Francisco, nasceu na ARGENTINA mas veio para PORTUGAL, muito pequeno, mais propriamente para o POÇO LONGO, ali bem perto de PECHÃO e trouxe com ele o idioma castelhano....que algumas vezes lhe escapavam umas palavras.
Aconteceu logo nas primeiras aulas com o professor AMERICO, numa aula de ginástica, numa das corridinhas no ginásio, o nosso Francisco perdeu uma sapatilha e....creio que gritou....EIH YO HAY PERDIDO MIS LARINDAS...

A malta agarrou a palavra larindas que colamos ao Francisco e... até hoje.

Porque era um tipo bacano já nesse tempo, amigo do seu amigo, temos todo o prazer em colocar no blogue dos costeletas a história do nosso LARINDAS, porque ele é um montanheiro que venceu.

Frequentou o ciclo preparatório até à altura em que seu irmão mais velho emigrou para os Estados Unidos. Aí a sua vida mudou de rumo ou digamos que seus pais decidiram que seria melhor para o Francisco ele também emigrar para as os USA, isto sem antes ficar uns 3 ou 4 anos na horta regando e quiça talvez mais do que isso.

Chegado aos 17 anos, emigrou para junto do irmão JOSE e, em boa hora o fez.

TRABALHADOR,TALENTOSO E EMPREENDEDOR, hoje possui uma das maiores companhias de construção de WASHINGTON e talvez dos ESTADOS UNIDOS, empregando varias centenas de homens e mulheres.

Apesar do seu enorme sucesso sente-se um costeleta como qualquer um de nós e, tenho a certeza de que se tivesse quedado por Portugal seria igualmente um costeleta de sucesso

PS- Na qualidade de colaborador autorizado da aaaetcabreira, estou, pessoalmente, a convidar o nosso costeleta FRNCISCO RODRIGUES NETO, para estar presente no almoço anual dos costeletas em 8 de Junho próximo e solicitar à Presidência da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira, que considere este costeleta digno de distinção por parte da Associação pelo relevantes serviços prestados.

João Brito Sousa

domingo, 6 de janeiro de 2008

PORQUE HOJE É DOMINGO

(medronho algarvio)

ESTE TEXTO VAI PARA TODOS COSTELETAS E EM ESPECIAL PARA O ANTÓNIO
MANUEL RAMOS JOSÉ. (o SABINO), que nos deixou sem me dizer nada.

PORTO, 2008.01.06

ALÓ FARO


Se eu estivesse em Faro ia até ao Café Aliança procurar a malta do meu tempo. Sempre a saudade a acompanhar-me. Digo-lhe ... saudade vai-te embora, mas ela não me larga por nada deste mundo.

Sou um saudosista dos diabos...

Passaria pela Rua de Santo António e tentaria encontrar-me com o Franklin Marques, esse Homem que cultiva a vaidade de ser humilde . E tenho a certeza que ele me contaria uma história do célebre segundo quarta com o António Molarinho e o Zé Clérigo da Fuzeta, que fazia os relatos de futebol e de outros...

E passearia pela cidade, passaria em frente da farmácia do Dr. Baptista, aló Dr... lembra-se da minha oral de Cálculo.. belos tempos, antes teria feito um cumprimento ao amigo João Fava, que trabalhou na Loja do Sr. Rodrigues e depois iria até à Alameda e sentar-me-ia naquele banco onde o Jorge Barata me dava a táctica para os grandes jogos de andebol lá na Escola. .
Uma vez fomos `a final, no nosso quinto ano e perdemos esse jogo com os electricistas do Tony Casaca e do Tolentino por 1/0.

O PRETO, melhor, o Dr. Roldão, que foi assistir ao jogo, deu-me uma ripada por ter consentido o golo... mas deu-me 15 na ooral a Mercadorias.

O keeper era eu e alinhámos com BRITO DE SOUSA; RAMOS JOSÉ (SABINO), JOAQUIM TEIXEIRA, JORGE BARATA e....
O ANTÓNIO MANUEL RAMOS JOSÉ, era amigo e colega desde o primeiro ano do ciclo, ia comprar cinco tostões de cigarros no Ti Felizardo, era admirador do actor JERRY LOUIS, tornou-se mais tarde num inimigo terrível dos fumadores, estava sempre disponível para me aturar e... faleceu sem me dizer nada .. .

Aceita, meu caro amigo, um grande abraço do

Brito de Sousa

sábado, 5 de janeiro de 2008

UM COSTELETA EM WASHINGTON

( é da Senhora d Saúde)

QUEM SE LEMBRA DELE?...


É um “COSTELETA” amigo... um bom moço!..
Está bem na vida e fez o curso industrial.
Vai estar connosco em Vilamoura no almoço.
Apesar de não viver por agora em Portugal

E com ele vem a esposa e o filho costeletas também
E vamos estar juntos todos com este amigo!..
A quem agora aproveito para lhe dizer que tem
Aqui um espaço para onde escrever o seu artigo

E peço a todos os costeletas que escrevam para aqui
Em prosa ou verso, não tenham medo que ninguém se ri
O espaço é nosso.. por isso escrevam para ele...

E ó malta serralheiros da Indústria, principalmente....
Reparem lá no rapaz da foto que tem aí na vossa frente
Quero saber quem é de vocês que se lembra dele...

João Brito Sousa

COSTELETAS DE ONTEM

(café aliança)


por ARNALDO SILVA

É bem sabido que o Homem, na sua inata qualidade de animal gregário, tem que viver em sociedade.
É igualmente bem conhecido que a organização das comunidades de seres humanos é feita à base de diferentes classes sociais. Umas dessas classes têm a fortuna de poder dispor de bens materiais sem restrições, outras nem por isso e outras, ainda, mal conseguem obter os bens indispensáveis à sua sobrevivência. Foi assim, é assim e, infelizmente, continuará a ser assim.

Os governos de hoje têm assumido o propósito, hipócrita ou não, de promover uma menor disparidade entre as actuais classes sociais. Movidos por esse desejo decretou-se, entre outros, o direito à educação. Construíram-se Escolas por quase todas as cidades e vilas.

Em tempos idos, meio século atrás, as coisas eram bem mais diferentes. O Algarve punha à disposição dos seus concidadãos apenas duas Escolas Secundárias, uma em Silves e outra em Faro. Eram dois pólos de congregação e afluência de jovens que, impelidos pela vontade dos seus pais, aqui vinham à procura de se preparar para uma vida diferente - para melhor, presumia-se! - daquela que aqueles herdaram dos seus antecessores.

A Escola Tomás Cabreira assumiu assim um papel de elevada importância na formação dos jovens de então que, de Vila Real a Tunes, se viram forçados a confluir diariamente para aqui. De comboio, de autocarro, de motorizada ou de bicicleta para ali eram dirigidos quotidianamente os passos de centenas de jovens, ano após ano, para engrossarem turmas de quase quarenta alunos cada uma.

Foi o meu caso. Inicialmente de Tavira. Nos dois últimos anos, de Messines. De comboio. Com horários que condicionavam os nossos movimentos na cidade e nos roubavam precioso tempo de descanso ou de estudo. Mais, que forçavam a inventar actividades para matar o tempo entre o fim das aulas e as horas de partida dos comboios. Com a permanente e incomoda companhia de dois volumes: a pasta dos livros e a lancheira que, para quem se levantava às cinco da manhã de cada dia, se tornavam detestáveis. Horários que obrigavam a transferir para as horas da iluminação pelo candeeiro a petróleo o pouco tempo disponível para estudar ou fazer os trabalhos de casa!

Mas tinha que ser assim a vida da maioria dos "costeletas" daqueles tempos.
Afortunadamente compensadora, pois a formação recebida na Escola catapultou-nos para a tal vida diferente que os pais desses tempos visionaram para os seus filhos.

Valeu a pena aqueles tempos de "costeleta"!

Arnaldo silva
Felizmente reformado