segunda-feira, 5 de maio de 2025

CRÓNICA DE FARO. João Leal

GRATIDÃO E MEMÓRIA
     De entre as cerimónias realizadas em Faro, assinalando o 51º aniversário da «Revolução do 25 de Abril de 1974», que terminou com o regime ditatorial que pôs termo a uma situação política imposta ao País durante 48 anos queremos, pelo seu significado e sentido destacar a homenagem prestada ao Dr. José Afonso dos Santos («Zeca Afonso») e ao Capitão Salgueiro Maia, por iniciativa da União de Freguesias (Sé e São Pedro).
     Do primeiro, que durante anos, foi um verdadeiro «mestre da arte de ensinar na Escola Tomás Cabreira» e o compositor e cantor, universalmente reconhecido, autor do «Grândola Vila Morena», verdadeira senha da «Revolução dos Cravos», foi descerrado na Praça que ostenta o seu nome, um busto da autoria do artista farense John Frank.
   Consagra-se assim a memória do «Zeca», o homem de bem que está intimamente ligado à reconquista da liberdade m Portugal. A cerimónia contou ainda com a deposição de uma coroa de flores no vizinho busto do Capitão Salgueiro Maia, anteriormente erigido pela referida União de Freguesias e o militar que comandou a coluna saída de Santarém para lançar um Portugal Novo.
     Faro lembrou o Dr. José Afonso e o Capitão de Abril Salgueiro Maia, dois homens para sempre ligados à «Revolução dos Cravos». Gratidão e memória!
  O «MAIO», UMA TRADIÇÃO PERDIDA
       Era às primeiras horas, quado a manhã o começava a despontar. Minha saudosa avó materna, a «Rosinha do Quebrado» chegava junto à nossa cama com uma bandeja transportando bolinhos caseiros (suspiros, bolos de coco e outros de fabrico caseiro), bem como a garrafa com medronho ou vinho licoroso para se «atacar o Maio». Era um costume ancestral que vinha dos seus tempos de menina, nada e criada nos Machados, mais exactamente na hoje Adega do Nunes. Quando saíamos para a rua era a vez de ver os «Maios», bonecos de grandes dimensões com trajes típicos e laborais. Era uma secular tradição que se repetia em muitas varandas, portas e telhados, assinalando o dia primeiro do mês consagrado a Maio.
       Hoje os «Maios» acontecem com grande intensidade no troço da EN 125, entre Marim e Alfandanga, no concelho de Olhão. Aqui, por Faro urbano, dos «Maios» só a lembrança de tempos idos. Mais uma tradição, de cunho genuinamente popular, que os anos apagaram.

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