segunda-feira, 1 de setembro de 2025

CRÓNICA DE FARO. . JOÃO LEAL O «SENHOR OLIVEIRA».... Foi há algumas décadas. Moço de calções e botas cardadas com brochas para se gastarem menos fascinava-me aquela figura que era um conceituado relojoeiro (nos tempos dos anos 40 e 50 em que os relógios não iam fora porque «peças sempre caras») e de conceituado metereologista amador. Tinha a sua oficina / ourivesaria no mesmo rés-do-chão em que residia num conjunto de imóveis de há muito derrubados para dar lugar à hoje Praça da Liberdade», mas que para nós o será sempre de Pontinha. Tinha duas esbeltas filhas, alunas que o foram da Escola do Magistério Primário e que seguiram a carreira docente, da qual estarão por certo e de há muito aposentadas. Diariamente colocava na montra da ourivesaria / relojoaria o seu boletim metereológico, nos tempos em que não havia o IPAM (Instituto Português do Mar e da Atmosfera) ou estas facilidades de, a qualquer instante, dispormos de informações científicas e, quase sempre, exactas sobre o tempo. Recorria-se também á experiência acumulada durante anos pelos marítimos. É que os «homens do mar» olhavam para o céu, para a Lua e para as estrelas e ditavam o seu palpite: «a chuva é para amanhã». A «coroa de glória» do saudoso sr. Oliveira foi a quando das históricas e memoráveis inundações nos Países Baixos, quando as águas galgaram os diques e tornaram em mar os ferteis «polders» holandeses. Dias antes o meterologista «por amor à arte» sr. Oliveira previu a tragédia e muitas vidas e haveres foram salvos. Recorda-nos bem da carta provinda da Real Casa da Holanda a agradecer a previsão da figura que hoje, com notória saudade, lembramos.

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