Desafiando o óbvio no jogo, na liderança e na vida,
"ensinou a todos a sermos melhores" ...
... Com a apresentação da sua biografia no recente livro "Manuel o (des) treinador Cajuda", ficámos a saber mais sobre a sua experiência, a sua vida que, em jeito de introdução, Abel Ferreira, treinador do Palmeiras, do Brasil, referia : "No futebol, como na vida, há pessoas que nos tocam antes mesmo de nos cruzarmos com elas, Pessoas que, pelo exemplo. pela autenticidade pela simplicidade e pela forma como vivem o jogo, inspiram sem precisar de muitos rodeios ou palavras caras. O Mister Manuel Cajuda é uma dessas pessoas. O Mister Manuel Cajuda pela força da sua autenticidade. tornou-se uma figura incontornável do futebol português. Um homem transparente, verdadeiro, genuíno e autêntico". Para, em jeito de rodapé, ainda (mais) o 'mimosear' : "Que privilégio termos tido um homem assim no nosso futebol. Que privilégio podermos aprender com ele. Que privilégio podermos agora lê-lo, na primeira pessoa. Desfrutem Vale a pena".
Esta a sugestão/desafio deixada por Abel Ferreira, treinador de sucesso no Brasil, um testemunho de inegável valor. A que se seguiu, no prefácio, o 'retrato' de um dos melhores treinadores do Mundo, José Mourinho : "Conheço o Manuel Cajuda há muitos anos. Não é daqueles homens que passam despercebidos. Nem no banco, nem fora dele. Tem presença, tem ideias, tem coragem. E tem algo que, no futebol de hoje começa a escassear ; autenticidade". Para, no desfiar da 'meada' : "O Manuel Cajuda era daqueles treinadores que chegavam ao balneário antes de todos e saíam depois. Que sabiam o nome do roupeiro, do cozinheiro e do miúdo que apanhava bolas. Que conquistavam respeito não por gritar, mas por ouvir. Por estar. Por sentir. Um treinador que nunca deixou de aprender e de partilhar". Indo ao âmago da questão, o 'special one', mais nos dá a saber : "O Manuel Cajuda foi sempre isso : um treinador que pensa nas pessoas que jogam futebol. Com dúvidas, com certezas, com paixão. Quis estar onde podia ajudar. Onde podia fazer a diferença. Por isso gosto tanto do título (des) treinador". Razão pela qual : Desafiando o óbvio no jogo, na liderança e na vida (ainda) suscitando o que Manuel Cajuda fez na 'rota' sulcando 'mares', por vezes alterosos : "ensinou a todos a sermos melhores".
(Des) treinando, percebido que está o permanente desafio do óbvio no jogo, situemo-nos na liderança, onde Manuel Cajuda se inspirou : "A liderança é uma forma de pensar, uma forma de agir e, muito importante, uma forma de comunicar" - made in Sir Alex Ferguson -, e, da 'massa' de que é feito, sabendo estabelecer um feed back entre o emissor e o recetor : "Sempre acreditei que a melhor forma de liderar uma equipa é através da paixão e da empatia. Se os jogadores sentirem que o treinador é apenas um chefe distante, que dita regras sem compreender a realidade do grupo, nunca vão dar o seu melhor. Mas se perceberem que há uma relação de confiança e respeito, vão entregar-se ao trabalho com dedicação".
Sendo genuíno, autêntico, Manuel Cajuda sustenta a sua tese : "Nunca fui um treinador que se colocasse num pedestal, distante do grupo. Sempre me vi como parte da equipa. A verdadeira liderança não se exerce no topo de uma pirâmide, mas sim no centro de um círculo. O treinador não está acima da equipa, mas sim ao lado dos seus jogadores, ao mesmo nível, partilhando desafios, decisões e responsabilidades", rematando, não com 'o pé mais à mão', antes com a clarividência de quem sabe diferenciar o 'vão por ali' do 'sigam-me' : "Liderar é ser parte do grupo, sem perder a capacidade de tomar decisões difíceis e assumir riscos. E estar ao mesmo nível não significa que não haja disciplina. Pelo contrário. Mas a disciplina é mais eficaz quando aplicada com bom senso".
Refere o 'escritor' do livro Tiago Guadalupe, : "Entre memórias, reflexões e aprendizagens, Cajuda partilha a sua visão de um futebol simples, humano e apaixonante, onde treinar é, tantas vezes, desaprender, desmontar e reconstruir".
Manuel Cajuda, que treinou desde Portugal até às longínquas Egipto, Dubai, Tailândia e China, tem revelado grande resiliência e capacidade de adaptação, como se constata, pertencendo a uma raça de 'costeleta' com garra, determinação e espírito de camaradagem, diríamos mesmo de solidariedade para com os seus pares, não sendo de estranhar a adoção de uma célebre ideia-pensamento de Charles Darwin : "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta à mudanças".
Ninguém vence sozinho
Por último, a fechar este time out, as 'coisas' da vida, e de coração aberto : "No futebol, como na vida, aprendi que o verdadeiro sucesso não está apenas nas habilidades individuais, mas na capacidade de transformar talentos isolados em algo maior do que a soma das partes". E, uma vez mais, crente : "Sempre acreditei que o futebol é muito mais do que um jogo. É uma história contada a várias vozes, um palco onde cada ator tem o seu papel, mas onde o sucesso do enredo depende da harmonia do conjunto". Para nos deliciar, com todo o sentido : "Aprendi isso da forma mais honesta : com erros, desilusões e, acima de tudo, com a humildade de perceber que ninguém vence sozinho.
E, qual cereja no topo do bolo, corporizando que, de facto, "não há remates à baliza, há pessoas que rematam à baliza" - made in Manuel Sérgio -.
Ter estado com Manuel Cajuda
Pela nossa parte, que acompanhámos e convivemos com Manuel Cajuda, partilhando os mesmos balneários, durante mais de cinco épocas consecutivas, em três cubes diferentes : Olhanense, Portimonense e Louletano, dizer que foi, por tudo e em tudo, um enorme privilégio ter feito parte das equipas técnicas lideradas pelo 'Ti Manel' - refere-o José Mourinho -, cimentando uma amizade, um respeito e uma admiração recíprocas, que nos leva a que, ainda hoje, no dia a dia, comunguemos de duas sublimes (!) ideias-pensamento de dois grandes mestres - porque sábios ! -. Um, mestre Manuel Sérgio ; "Só se sabe aquilo que se vive". O outro, António Damásio : "Antes de chegar ao saber é preciso percorrer o ser e o sentir".
Na oportunidade e porque já a vivenciarmos a Quadra Natalícia, a todos e a todas, um Feliz Natal e um Bom Ano Novo, com alegria, boas realizações e amor.