domingo, 8 de fevereiro de 2009

POSTAL ILUSTRADO

RECORDANDO Foto enviada pelo Mauricio Domingues (o 3º a contar da esquerda)

O ESPÍRITO COSTELETA


.
ESPÍRITO COSTELETA

É a seriedade do Alberto Rocha que me liga
E me diz, João põe-te a pau risca isto e isto
E eu agradecidamente vou logo lá de seguida
E ajeito a coisa porque ao Alberto não resisto

A fazer o que ele me pede, com correcção! ..
E é nesta cooperação de atitude correcta...
Que vem da Escola que trazemos no coração
Que está o verdadeiro espírito costeleta...

Aos contínuos, colegas, mestres e professores
Expressemos a nossa gratidão meus senhores
E em nome de todos seja um de nós portador

De uma fita azul e vermelha onde se possa ler
“Costeletas unidos ... aconteça o que acontecer”
Será este o lema, quer seja na alegria ou na dor.

Texto de
João Brito Sousa

COMO FAZER UM POST


(não tenho a Igreja de S. edro vaia da Sé...)


O POST

São 23 horas e 24 minutos. Falta pouco mais de meia hora para a meia noite. O que é eu vou fazer, melhor, escrever.???? Penso e penso. Lembro-me que amanhã é domingo. Talvez recordar o Padre Zé Gomes, o meu padrinho do crisma que faleceu à esquerda antes de chegar as Campinas. Mas não tenho foto, os tipos não gostam mas a verdade é que não tenho as fotografias todas do mundo. Vou ver na net. Não vejo lá nada. Ponho a foto da IGREJA. de FARO.


A IGREJA DE S. PEDRO.

É a Igreja da freguesia lá dos Braciais. Quando falecia alguém era de lá que o Prior tratava dos assuntos. A minha Mãe casou lá de segunda vez e eu fiz lá o Crisma.

O Prior desta Igreja foi o Padre José Gomes da Encarnação que era meu padrinho do Crisma e era ele que casava a malta toda dos Braciais e ia às festas desses casamentos e bebia uns copos com os do campo.

A Igreja situa-se na zona ribeirinha no Largo de S. Pedro. Antes havia uma ermida medieval que tinha sido mandada erigir pelos mareantes que foi totalmente reconstruída nos meados do século XVI..

O novo templo agora reconstruído passou a ser sede da recém criada freguesia de S. Pedro tendo sido entregue `a Ordem Militar de S. Tiago, em troca da cedência da Igreja Matriz de Santa Maria para assento episcopal.

Os efeitos do terramoto de 1755 foram tão graves que originaram profundas modificações arquitectónicas, realçando-se nesta intervenção, o carácter revivalista, próximo dos valores da arquitectura chã dos finais do século XVI.

As novas colunas foram feitas em 1760 imitando as da Igreja da Sé, tendo sido responsável por esta reconstrução o mestre entalhador farense Manuel Francisco Xavier.

De realçar no seu interior significativas manifestações artísticas dos séculos XVII e XVIII, com realce para a Capela Mor e para as Capelas do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da VITÓRIA.

Texto de
João Brito Sousa

PS.- Só depois de ter o post quase feito é que me lembrei que religião, não

sábado, 7 de fevereiro de 2009

INFORMAÇÃO COSTELETA

(O ZÉ GONÇALVES É O 1º DA ESQUERDA AGACHADO)


ARRIBA ZÉ GONÇALVES.

O NOSSO GRITO NÃO CHEGOU AO ZÉ GONÇALVES.

POR INFORMAÇÃO DO COSTELETA ANTÓNIO MANUEL

GAGO MATOS, O MATOS, OS MÉDICOS BAIXARAM O

CORPO DO ZÉ GONÇALVES DO OITAVO ANDAR, ONDE SE

ENCONTRAVA LIGADO À MÁQUINA, PARA O SÉTIMO,

ONDE SE ENCONTRA E TUDO SE ESPERA ...


Texto de
João Brito Sousa

EU GOSTO DE OLHÃO


EU GOSTO DE OLHÃO
por joão brito sousa

Passei lá bons bocados e tenho lá bons amigos.

Comecei a ouvir falar mais de Olhão, quando entrei para a Escola Comercial e Industrial de Faro, em 1952. Talvez por caua dos colegas de turma de Olhão, o Joaquim Cruz, o Zé Bartílio e o Humberto Viegas Gomes, esse do Banco Totta e que foi jogador e treinador de baskett.

Parece que nunca tinha visto uma bola quando cheguei à Escola, mas aprendi rápido, porque entre a rapaziada falava-se muito de futebol. Já não jogavam os violinos todos. Agora era o Martins no lugar do Peyroteo e o Hugo no lugar do Jesus Correia. E o Albano também estava a acabar e já jogava um dos Mendonças, o Fernando.

Em 52, os grandes jogadores do Olhanense eram o Santiago e o Del Duca, jogadores argentinos de grande classe. Diziam-me que o Del Duca era melhor que o Santiago. Del Duca, era o pensador de jogo, camisa dez, jogador tipo Deco, enquanto Santiago mais goleador, tipo Nani.

Grandes jogatanas com o Farense, aquilo era de morte. O Russo dos bigodes ou o senhor Manuel, de Faro e que vendia sorvetes à porta da Escola, levava as algibeiras cheias de pedras... e vamos a eles.

Mas a malta de Faro tinha muito respeito pela equipa do Olhanense, sobretudo pelo Reina. O senhor Manuel dos bigodes é que dizia... o Olhanense não tem nada pá; só tem o Reina. Mas o Reina, sozinho chegava para a equipa do Farense, que nesse tempo alinhava com: Rato, Reina, Ventura e Celestino. Bentinho e Fausto Matos. Brito, Balela, Vinueza, Rialito e Queimado.
Mas no Olhanense eram Reina, Santiago e Delduca e mais oito.
Na década de 40, a Argentina tinha aquele ataque maravilha, uma das mais célebres linhas avançadas da história do futebol; a máquina, como lhe chamavam que era constituída por Juan Carlos Muñoz, José Manuel Moreno, Adolfo Pedernera, Ángel Labruna y Félix Loustau.
Del Duca e Santiago eram os restos disso.
Mas o Reina era nosso... filho de Olhão e um talento do catano para jogar à bola. Era quarto defesa e sabia tudo de bola. Jogava à frente do central e era tudo dele. Jogava em antecipação mas a grande arma do Reina era a leitura do jogo que lhe permitia saber onde é que a bola ia cair. O Reina a jogar à bola, parecia o Germano do Benfica, que, já de pantanas, naquela fina de Berna em 62 ganhou 3/ 2 ao Barcelona.
Grande jogador de futebol, este Reina.... melhor a jogar a bola do que eu a escrever crónicas. Cada um para aquilo que nasce...

João Brito Sousa

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DUAS RECLAMAÇÕES E UMA RESPOSTA


AS RECLAMAÇÕES


1 - SERIA INTERESSANTE ACOMPANHAR ESTES TEXTOS COM UMA FOTO, PERMITINDO AVIVAR A MEMÓRIA AOS COSTELETAS DO SEU TEMPO E APRESENTÁ-LOS AOS COSTELETAS MAIS NOVOS.

jorge tavares


2 - Caro Costeleta.
OS MEUS CUMPRIMENTOS.
Totalmente de acordo com a proposta apresentada pelo Sr Jorge Tavares.Sou de uma geração Costeleta anterior, de 1940 /1950, e a identificação fotográfica iriaajudar a comunicação entre a Família Costeleta.Espero que essa prática seja uma realidade para todos os casos.
Saudações Costeletas
MAURÍCIO SEVERO DOMINGUES

A RESPOSTA


3 – Não aceito nem admito, quer a sugestão do Jorge Tavares nem o total acordo explícito do Maurício. Exijo respeito pelo meu trabalho e quando não servir, out.

Saudações costeletas

DA ESTAÇÃO À BAIXA DE FARO




DA ESTAÇÃO DO CAMINHO DE FERRO AO CORETO

Quem vem da Ventura Coelho, onde eu morava, em direito à estação, vira à esquerda e passa à loja do ZAC, ou o Zacarias , um rapaz angolano, creio eu, que trabalhava aí numa carvoaria, seria? ... o proprietário era português.

Essa loja que eu falo ficava a uma esquina, onde começa ou acaba uma rua que vai dar à sapataria do Professor Renato.

Eu passava lá na carvoaria e olhava para dentro dela e o ZAC estava na sua função Tenho uma pena danada de nunca ter falado com o ZAC. Sei agora que já faleceu e que morou na Senhora da Saúde, casado com uma portuguesa.

Passava a loja do Zac, moravam os Zambujal, o Xico, o Mário, a Lurdes e a Fatinha, que casou com o nosso Inocêncio Costa

Atravessamos toda a Ribeira e chegamos ao Coreto do Seita, mais ou menos onde trabalhava o marreco.

E depois seguiam-se os cafés, Aliança, Marcelino e Atlântico.

O café Aliança é um dos cafés históricos do País. Ao lado do Majestic, do Porto, do Santa Cruz, em Coimbra, da Brasileira do Chiado, em Lisboa, o Café Aliança, em Faro, apressa-se, renovado, a fazer em breve cem anos, importante efeméride, que o classifica no terceiro café mais velho do País e o de maiores tradições culturais na cidade



.Renovado o edifício, um interessante testemunho da arquitectura revivalista, ostenta hoje, na sua parte de restaurante, uma curiosa galeria dos famosos (em fotografia) que por ele passaram e permaneceram. E entre estes está Marguerite Yourcenar, na década de 60, Simone Beauvoir, nos anos 40/45, Fernando Pessoa, quando aqui se reuniu com os seus colegas futuristas algarvios (o pintor Carlos Porfírio e outros), o poeta António Aleixo, que ali ia vender cautelas, Assis Esperança e tantas outras personalidades.


Quem pretenda pode tomar a sua refeição no amplo salão, rodeado de tanta memória viva de outros tempos. Pode aqui tomar o almoço, jantar, pedir o bife à Aliança, o costelão de novilho, deliciar-se com as amêijoas à Bulhão Pato da casa, as conquilhas, camarão salteado ao alho. Se pretende uma refeição mais rápida e brejeira pode conferir a carta de omeletes (de queijo, fiambre, outras), de crepes e de steaks.



Ainda mais fútil, pode decidir-se por uma simples tosta à Aliança. Um gelado à sobremesa pode ser o remate conveniente, ou um típico doce de figo, amêndoa ou alfarroba a acompanhar uma aguardente de medronho. Em plena baixa da cidade de Faro, o Aliança está sempre à mão, no caso com uma lição de história cultural à mistura, a fazer-nos lembrar o tempo em que os cafés eram escolas de vida, neles tinham lugar tertúlias como hoje já não existem.


Texto de JBS e VG/DN

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O COSTELETA ZÉ ALBERTO FIGUEIRA (II)

José Alberto Figueira
















GRANDE COSTELEETA, GRANDE HOMEM E GRANDE AMIGO

texto de Norberto CUNHA


Mas, pouco depois, a vida passou-lhe uma dramática e quase aniquiladora rasteira. Viajando feliz com a família, rumo à cidade e à praia do seu coração para as férias estivais, um espectacular acidente rodoviário sobre todos se abateu, causando-lhe danos físicos irreversíveis e comprometendo, quase liquidando, tantos desejos, sonhos, projectos. O José Alberto, com pouco mais de trinta anos, ficou paraplégico.


Condenado à cadeira de rodas para o resto da existência, recearam os amigos que, como réplica de um sismo, a diminuição física lhe contaminasse o espírito, perturbando-lhe o pensar e transviando-lhe o sentir, cerceando-lhe o prazer de estar vivo, levando-o da conformação à recusa, à desistência da luta. Mas isso só porque nem os mais próximos conheciam bem, em toda a sua real dimensão, apesar das provas que dela já dera, a grande força de espírito que ele possuía e felizmente possui.


Quem não o conhece e circunstancialmente se encontre perto dele, ouvindo-o por escassos minutos que seja, logo se dá conta de um optimismo perante a vida que não deixa lugar à pena de si mesmo, e se surpreende com um bom humor onde não faltam a piada ou anedota oportuna que sempre parece ter na ponta da língua, como se a cadeira onde se senta não tivesse rodas.


Terminado o internamento em Alcoitão, colocou a si mesmo o desafio de enfrentar e superar, a sua pesada, vitalícia e complicada condicionante, convertendo-a num obstáculo relativisável como qualquer outro, transponível em cada dia, pela força de vontade. E com espanto e pessimismo de alguns, mas alegria de outros, começou por recusar a derrota de uma prematura aposentação e regressou ao banco. E neste se conduziu como antes, afirmando-se exclusivamente pelas suas capacidades e empenho, arredando a priori, qualquer possibilidade, maior ou menor, próxima ou remota, de lhe ser concedida, num gesto de comiseração, alguma regalia ou privilégio.


Poucos anos depois, abraçando um projecto de formação e valorização pessoal e profissional mais ambicioso, ingressou no Curso de Direito que, dadas as barreiras arquitectónicas do edifício da Faculdade, nunca frequentou, mas prosseguiu. Socorrendo-se de sebentas e sumários de aulas, enfrentando professores que, com suspeição e alguma má-vontade, nos exames lhe cobravam a sua condição de absentista e autodidacta, atingiu e concluiu o terceiro ano. Só por ter secado então a fonte das sebentas e sumários não obteve a licenciatura. E é pena. Pela certa, ter-se-ia feito um advogado de renome, defensor de causas justas, grandes ou pequenas, indepentemente da bolsa dos seus constituintes.


Todavia, se mais não houvesse, o seu percurso profissional é prova bastante das suas invulgares qualidades humanas e profissionais. Elas o guindaram até ao topo da carreira – o cargo de director, que desempenhou durante os doze últimos anos ao serviço do banco.


O José Alberto Figueira Guerreiro foi, é, enfim, um daqueles, poucos, homens, que, contra dificuldades e o infortúnio, a si mesmo se fizeram.


Para ele, daqui vai, uma vez mais, o meu fraternal abraço. Texto de: recolha de


Norberto Cunha

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

AO COSTELETA JOSÉ ALBERTO FIGUEIRA




Norberto Cunha José ManuelFigueira
Determinação, Coragem e Perseverança·
1 – O CURSO

Durante todo o Curso do Comércio, fomos colegas de carteira. Assim aconteceu porque aquilo que, à partida, não passava de um fortuito e transitório companheirismo cedo se anspôs para outras esferas, transformando-se numa grande, sólida e duradoura amizade. E esta nos tem feito sentar lado a lado em muitos outros momentos e circunstâncias da vida.
Com os seus tenros catorze anos e já funcionário da Junta Autónoma das Estradas, ingressou o José Alberto no curso nocturno, onde desde logo se destacou por uma inteligência viva, acima da média, um sentido de responsabilidade e uma capacidade de trabalho que poucos igualavam. Ano após ano, perseguiu uma bolsa de estudo que os enviesados critérios da época sempre lhe recusaram. E no entanto, ao longo de toda a história da nossa escola, desde os finais do século dezanove (dezanove, digo bem) até aos dias de hoje, ninguém obteve nota final superior à dele.

texto de


NORBRTO CUNHA



AO FIGUEIRA

AO COSTELETA FIGUEIRA

Fiquei entusiasmado ao ouvir
Um grande costeleta e Amigo...
E o velho espírito fez-se sentir
E foi bonito ter estado contigo

Desconhecia esse teu potencial
De bom aluno.. ó caro Figueira
Porque aos grandes foste igual
Fosse desta ou daquela maneira.

Aqui deixo um abraço reconhecido
Por muito na escola teres aprendido
E seres um dos nossos que evoluiu

Na minha perspectiva és um a eleger
E considerado um que pode merecer
Distinção do melhor que da escola saiu



JBS

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

COSTELETA DA VELHA GUARDA


À CONVERSA COM O ALBERTINO BOTA
por João Brito SOUSA

Está um jovem..

Almocei com ele há uns meses atrás e apercebi-me do seu gosto pela vida. É um “costeleta” simpático. Conta histórias do seu tempo com graça. É um homem educado e pareceu-me que sempre se entendeu bem com a vida.

Foi aluno da Escola, ainda no Largo da Sé e recorda esse tempos com saudade.

Este ano espero vê-lo no almoço anual em Vilamoura, em Junho 13.

É do tempo do Mestre Guerreiro e da D. Maria, do Prof. Diamantino Piloto, do Dr. Uva, talvez do Dr. Urbano.

Como colegas de turma teve o Rogério Coelho, o Jorge Arrais e o Manuel Pires Vitória. O Maurício Severo é contemporâneo mas frequentava o Curso industrial.

Profissionalmente teve uma vida ligada aos automóveis.

Ainda está aí para as curvas.


AO ALMOÇO COM O ALBERTINO BOTA




Tive a grata satisfação de estar à mesa ...

Com um dos Botas que só conhecia de ouvido

E o que digo a seguir di-lo com a franqueza

Que diria um homem respeitado e esclarecido...




Não quer dizer que eu o seja mas falar do Bota

E grandes conhecimentos em psicologia.

Porque o Bota tem uma presença onde se nota

A simplicidade, a coerência e a sabedoria



E é isto que evidencio num camarada...

Seja ele de posses ou não; não interessa nada

O que interessa acima de tudo é a honradez...



E pareceu-me que este Bota tem tudo isso

Em dose elevada e deixo aqui o compromisso

De o estudar melhor a próxima vez. .




Aceita um abraço costeleta.

Texto de
João Brito Sousa

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

RECORDANDO COISAS DA JUVENTUDE

Paulo Emilio Pinheiro Maurício Severo Domingues (fotos dos anos 40)


OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES




Decorriam os primeiros anos da década de quarenta e os dias naquele Verão quente de Agosto passavam-se sem que dêssemos por isso.


As noites com uma temperatura morna convidavam a rapaziada, novos e idosos, depois do jantar, como já era hábito da nossa gente, a calcurriar as ruas da Baixa da cidade de Faro, da Pontinha até à rua de Santo António, terminando por fim no Jardim Manuel Bivar.


O Jardim enchia-se de gente que se passeava de um extremo ao outro, na faixa central, conversando e trocando impressões sobe a labuta do dia a dia, em movimentos lentos, sem pressas, já que a temperatura ainda era elevada.


Aos Domingos, na parte da tarde, o Jardim era mais concorrido e a população mais idosa rodeava o vélho Coreto, de pé, à espera dos músicos. A maioria tomava posições nos bancos fronteiros para garantir um pouco de descanso ao vélho "cavername", cansado dos muitos anos de trabalho.


Um funcionário da Câmara Municipal, Jardineiro, abria uma portinhola no exterior do Coreto e, do subterrâneo onde também guardava as suas alfaias, saíam cadeiras metálicas, articuladas, e suportes para as Pautas Musicais, que eram colocados no piso superior, onde a Banda do Regimento de Infantaria nº4 deliciava a população com a execução de música variada, da clássica à popular, que prendia a idosa assistência. Os mais novos pouco interesse manifestavampelos Concertos, preferindo o " Swimg ", a "Rumba" , o "Rock ´Roll " e outras novidades musicais americanas, recentemente importadas e que começaram a impor-se à Juventude. Por volta da meia-noite começava o regresso a casa dos casais mais idosos, já refrescados da brisa marinha e quando a maré vazia deixava o ar impregnado do desagradável odor vindo dos esgotos que existiam junto à únicaInstalação Sanitária existente na Baixa da ciade, próxima da muralha da Doca, onde um largo tubo despejava os resíduos da cidade.


O Jóvens permaneciam nos bancos do Jardim até mais tarde em conversas de namoricos, fantasiando os momentos agradáveis passados na Praia, recordando as "belas Lagostas" que se estendiam no fino areal, morenaças de arregalar o olho, ou relatando episódios do último jogo de futebol entre o Farense e o Olhanense, rivais de sempre, que tinha acabado à pancada, indo até ao apedrejamento do autocarro que transportava os jogadores. Numa dessas noites, já perto das duas horas da madrugada, com o Jardim deserto, estava eu e o PAULO EMÍLIO PASSOS PINHEIRO, companheiro de quáse todas as noites num dos bancos do Jardim, relembrando o último fim de semana na Praia de Faro, quando ele me informou de que o seu "Charuto", que havia desaparecido semanas atrás, se encontrava novamente na Doca, semi-submerso e pintado de outra côr.


A recuperação do barco era coisa para ser feita de imediato! A operação de resgate tinha de ser executada nessa noite, a maré estava em preia-mar e a oportunidade não podia escapar-se! Combinada a operação o PAULO não hesitou um momento, pois contava com o apoio do amigo MAURICIO. Despiu-se nas escadinhas que existiam na muralha da Doca, junto ao Jardim, entregou-me a roupa e lançou-se resolutamente à água nadando em direcção ao pequeno barco que se encontrava submerso. Em movimentos lentos para não despertar a atenção da sentinela da Guarda Fiscal que fiscalizava a Ponte do Caminho de Ferro, foi empur-rando o barco para fora da Doca, em silêncio, de maneira a não ser visto pela sentinela. Era preciso aguardar que o Guarda Fiscal se afastasse da Ponte para sair em segurança.


Acompanhando todo este movimento seguia eu, junto à linha da CP, contornando a Antiga Central Eléctrica e o Mercado do Peixe, até ao Cais da Porta Nova, pronto a alertar o Paulo de qualquer imprevisto. Seguidamente comecei a andar pela linha fora, até ao Apeadeiro de S. Francisco, sempre alerta e com o ouvidoà escuta, pois a escuridão da noite pouco deixava ver. O encontro estava marcado para junto de um Estaleiro Naval que lá existia, onde era mais fácil içar o pequeno barco até à passagem de nível existente na estrada de ligação entre o Largo de S. Francisco e o Cais do Neves Pires


O Estaleiro era o melhor local para içar o barco por ainda lá se encontrarem enterradas no lodo as calhas de madeira que tinham servido para o deslizamento do ultimo navio ali construido, com um canal que se estendia até ao Cais do Neves Pires, onde a profundidade das águas já permitia a navegação.


Preocupado com o não aparecimento do Paulo, já bastante ansioso e farto de esperar, entrei pelo lodo dentro na esperança de ver alguma coisa.


Por fim, na escuridão da noite, ouço o marulhar das águas e um vulto a aparecer na margem, atascado em lodo, a pedir ajuda para puxarmos o barco até à passagem de nível, sitio mais seco e onde iria começar uma nova fase da operação.


Depois de aliviarmos a carga de lodo negro que se pegava aos sapatos e calças , iniciámos a penosa marcha ao longo da linha até à passagem de nível da Horta do Ferregial, esta com guarda permanente, cansadíssimos, mas determinados a levar o "charuto" até à Travessa do Pé da Cruz onde morava o Paulo Emílio.


Eram quatro horas da madrugada quando cheguei a casa. Sorrateiramente entrei em casa, descalçei os sapatos, despi as calças cheias de lodo que fui colocar no quintal para serem lavadas.


Terminou a operação de resgate. A missão foi cumprida como previsto e o charuto voltou a navegar na Ria de Faro até à ilha todos os Domin-gos.


Na tarde desse mesmo dia, satisfeitos com o resultado obtido, festejámos o acontecimento com um cafèzinho no vélho ALIANÇA.




1 de Fevereiro de 2009


Maurício Severo Domingues




Recebido e colocado por Rogério Coelho

O ESPÍRITO COSTELETA




O ESPÍRITO COSTELETA
Ao Professor Américo


O espírito costeleta mantem-se vivo, apesar de haver ainda aí algumas coisinhas que precisam de ser afinadas. Por mim, dou tudo pela Escola Industrial e Comercial de Faro, que me marcou muito.

Pelos professores e pelos amigos que lá fiz e pelo que lá aprendi.

E pelas recordaçõees,

Ainda aqui há dias o Edmundo Fialho, de lá dos confins do CANADÁ me fez recordar aqueles jogos de Hokey Palmadinha, contra a equipa do Vargas, o nosso arquitecto falecido recentemente. Aperta com ele ó Edmundo....

E recordo cenas, como

O João Cuco, que numa bola de saída num jogo de andebol no átrio, após o apito do Prof, mandou a bola para a ALAMEDA. . e o jogo acabou. JOÃO, aparece e conta como era aquilo ... quando entravas na automotora em S.João da Venda

O Edménio Madeira Caetano com a pistola de plástico.... onde é que andas ó Madeira...

O Xavier de Basto, quando quiseres alguma coisa apita....

Eu e o Lindo Macedo numa aula de contabilidade com a Drª Florinda, demos um show de duas horas ...

O Alex cá atrás.....

O Xico Contreiras com os ratos na aula da Drª Florinda ...

O Manuel de Odemira que marcou um golo na própria baliza nos juniores do Farense e às tardes ia buscar a pasteleira do José Aleixo Salvador e passeava-se pela cidade.

O Alfredo Teixeira à porrada, O Zé Filipe e o Nogueira, o António Rodrigues, o Reinaldo Neto, o Zé Pedro Soares, o João dos Santos e outros mais...

O Ferrinho Pedro nas aulas de Contabilidade

O Zé Vitorino, com o seu lançamento Lozinha a Caixa, uma queca vinte escudos, na aula da Drª Celeste, dê cá o papel menino Zé.....

Você aí, ó seu casaco de coiro ó seu coirão do Dr. Uva para o Firmino das Fontainhas, vá para a rua ...

Os bons Alunos, o Carlos Alberto Figueira, o Manuel Zé da Rua do Lá Vai Um PADERNE, o Verdelhão, o Brazinho, o Aníbal, o Romualdo ....

O Manuel Dias, o Ladari, o Zé Gonçalves, o Ribeirinho e o Fantasia dos pintassilgos do 2º ano 4ª turma 1953/54.

Tanta coisa.


O ESPÍRITO COSTELETA

É a seriedade do Alberto Rocha que me liga
E me diz, João põe-te a pau risca isto e isto
E eu agradecidamente vou logo lá de seguida
E ajeito a coisa porque ao Alberto não resisto

A fazer o que ele me pede, com correcção! ..
E é nesta cooperação de atitude correcta...
Que vem da Escola que trazemos no coração
Que está o verdadeiro espírito costeleta...

Aos contínuos, colegas, mestres e professores
Expressemos a nossa gratidão meus senhores
E em nome de todos seja um de nós portador

De uma fita azul e vermelha onde se possa ler
“Costeletas unidos ... aconteça o que acontecer”
Será este o lema, quer seja na alegria ou na dor.


Texto de
João Brito Sousa