quinta-feira, 4 de agosto de 2011

CRÓNICAS MALUCAS


Nos Cuidados Psiquiátricos:

Estão 100 malucos no parque da Instituíção: 99 a saltar e 1 a bater com a cabeça na parede. Chega o médico e diz para os 99:
- O que é que vocês têm?
E os 99 respondem:
- Somos pipocas.
- E aquele que está contra a parede? - pergunta o médico.
- Aquele ficou agarrado ao tacho!!!!!!!

AGabadinho

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Preâmbulo:-Nunca escrevi neste blog, nem em qualquer outro, uma crónica de “maluquice”. Hoje quebro a corrente e aqui vai uma crónica maluca.
NÃO QUEBRE A CORRENTE
Alfredo Mingau

Eu gostaria de saber, quem foi que inventou as famosas correntes de internet!
A maior praga do século XXI!
Essas correntes, só servem pra nos deixar super-nervoso e com a consciência pesada.
Primeiro vemos aquelas mensagens lindas, logo depois, já começa o inferno:
"... lembrei-me de você e resolvi mandar-lhe esta linda mensagem de paz, que lhe trará fortuna e o amor dos seus sonhos, desde que você nos próximos 10 segundos, MANDE PARA 50 AMIGOS DA SUA LISTA!"
O desespero bate, o medo de não conseguir dinheiro, paz e amor, e percebemos que só temos 35 amigos na nossa lista de contactos. Assim, Começamos a adicionar estranhos desesperadamente para completar a lista com 50 amigos.
Logo vem a decepção, quando percebemos que fomos apenas um das 50 pessoas que receberam este e-mail, ou seja, pr’aquele amigo, somos apenas mais um ser humano da lista e nada mais.
O pior são essas correntes que insistem em nos dar um tempo absurdo para enviá-las:
MANDE PRA 55 PESSOAS DA SUA LISTA EM APENAS 2 MINUTOS. Só pode ser brincadeira, dois minutos é o tempo que eu levo só pra abrir a minha lista de contactos, sem contar que o meu windows está com uma lentidão do caraças.
Fora as correntes que vêm junto com uma praga: MANDE PARA 50 PESSOAS EM 5 MINUTOS OU VOCÊ MORRERÁ EM 7 DIAS.
Como disse alguém: "Tô Fu…!"
Por mais que alguém não acredite, quebrar estas correntes, fica a pulga atrás da orelha e a consciência começa a pesar e pensamos, será que a corrente contará com o Domingo? Ou serão 7 dias uteis?
E termino:
Pra não fugir do assunto e não quebrar a corrente, tome atenção, envie este texto, para os seus íntimos amigos Costeletas, nos próximos minutos e exija um comentário no blog e, você verá, algo de bom irá acontecer-lhe nos minutos seguintes, na dúvida não quebre esta corrente!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

CANTINHO DOS REFORMADOS


Máxima do reformado


A minha mulher perguntou-me com sarcasmo:
"Que pensas fazer hoje?"
"Nada."
Diz-me ela:
"Isso foi o que  fizeste ontem"

"Sim, mas ainda não acabei."

Travassos enviou
Rogério colocou                       "Aguenta!!!"


MARAFADOS NO CAFÉ "A BRASILEIRA"


BONS TEMPOS
Novo preço da "Bica"
Clik sobre a foto, clik 2ª vez para aumentar
Conselho de ministros de 29 de Março de 1978 - Notícia no Jornal "A LUTA"

Mauricio enviou
Rogério colocou

CANTINHO DOS MARAFADOS


Boa Tarde Sr. moderador Rogério,

Publique-se no Blogue caso verifique não ferir a moralidade de ninguém!!!
Por mim acho que não.

Cumprimentos
AGabadinho
Comentário resposta: Por mim também acho que não. Não conheço criancinhas que sejam costeletas, talvez o contrário...
Rogério
A seguir à noite de núpcias:


- Ó filho, essa coisa que tens aí é a mesma que usaste ontem à noite?
- É sim, amor!
- Ó pá, gastou-se tanto?????

O MEU AMIGO ANTÓNIO LOUREIRO
Por João Brito Sousa

 
Estive em contacto com o senhor António Loureiro, por acaso, ou melhor, falei com ele, porque me enganei no número de telefone quando tentava ligar a um outro. Liguei e surgiu no outro lado da linha, um cavalheiro bem disposto que me pareceu bastante lúcido, simpático e bastante falador. Tenho quase noventa anos, disse-me ele. E fui renovar a carta de condução hoje. E trouxe-a. Espere um pouco que fala com a minha mulher. E a senhora veio e perguntou-me quem era. Respondi, mas ficou na mesma, penso eu. Já não saio à rua disse-me a senhora. Mas lúcida q.b.
E por isso, numa homenagem à vida, valerá a pena falar deste casal de gente boa a rondar os noventa. Histórias para contar, tem? Nada, disse-me ele. Futebol ? Ia á bola? Grazina e Loulé, lembra-se ? Nada, não gosto de bola. Nasci no distrito de Viseu, estive em Angola e há trinta e cinco anos que estou aqui em Olhão, é mais quente sabe, eu gosto disto. Olhão tem grandes avenidas, bons jardins e boas lojas, tem o mercado, ou praça, vá, que é das melhores do Algarve, tem a festa do marisco e tem um bom Presidente da Câmara que é o Vital. Vital ? perguntei eu. Ah, não, desculpe lá, Engº Leal.
Nestas idades, não é muito fácil encontrar pessoas com este espírito positivo, no sentido de gostar da vida ainda, sabendo-se que o espaço de manobra é reduzido. Há muitos anos, um velho da minha terra, o Ti Manel Simão, disse-me: “já sei que muito tempo não posso durar”
António Loureiro nunca me falou disso. Falou como se nada estivesse para acontecer, sorria até, com um sorriso que me parecia de vencedor. Vendi pipocas á entrada das escolas, ao pé do mercado e em todo o lado. Tinha carrinha para o transporte do material e lá ia. E tenho automóvel também. E ando por aí.
Parecia-me um homem sem idade. O mesmo homem que trazia no bolso um bilhete de identidade que supostamente deveria ser o seu, mas que na verdade contrariava o que o espírito lhe afirmava ser impossível: quase noventa anos! A chamada terceira idade tem destas coisas, gente lúcida ainda, que gosta da vida encarando-a com a suavidade possível.
É interessante ouvir estas pessoas para quem está tudo bem, sem recriminações, nada exigindo da vida quando lhe deram tudo. Os velhos acreditam em tudo, as pessoas de meia idade suspeitam de tudo, os jovens sabem tudo, disse Óscar Wilde. Concordo. Deixo esta história dum velho, bastante elucidativa. Quando foi da colocação da estátua de D. José em cima da base em cimento, as cordas não davam mais e faltavam subir dois centímetros, por aí Perante isto, instalou-se o pânico, passou um velho e disse: Molhem as cordas. E a estátua foi colocada
Não conheço, quer dizer, nunca vi o senhor António Loureiro mas deixo-lhe aqui um abraço e votos de muitos anos de vida, assim como á esposa e a toda a malta nascida por volta dos anos 20. Não estiveram em La Liz mas o Estado Novo nasceu praticamente com eles. E alguns estão para durar. Aguentaram-se, tiveram uma boa relação de amizade e respeito com a vida. Compreenderam-na e amaram-na. Como disse Frost, “um diplomata é aquele que se lembra sempre do aniversário de uma mulher, mas nunca da sua idade “
É assim meu caro António ?
Eu acho.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

ELOS CLUBE DE FARO
Data: Faro, 01-08-2011

De: Elos Clube de Faro - Associação Cultural
"Em defesa da Língua e Cultura Portuguesas"

Pela presente junto tenho o prazer de enviar o Boletim
Informativo "O Padrão" - edição do Elos Clube de Faro
( Junho de 2011).

Com os melhores cumprimentos.

Dina Lapa de Campos
Presidente da Direcção do Elos Clube de Faro
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NR:- Dada a sua extensão não nos é possível publicar no Blog. Teremos todo o gosto em encaminhar a quem nos solicitar por e-mail.
A Direcção

FALTAR À VERDADE

Existem pessoas que afirmam que é mais fácil fazer as pessoas acreditarem numa grande mentira dita muitas vezes, do que numa pequena verdade dita apenas uma vez. Mentira é uma declaração feita por alguém que acredita ou suspeita que ela seja falsa, na expectativa de que os ouvintes ou leitores possam acreditar nela. Portanto uma declaração verdadeira pode ser uma mentira se a pessoa que o diz acredita que ela seja falsa; e histórias de ficção, embora falsas, não são mentiras. Dependendo da maneira como é pronunciada, uma mentira pode ser uma declaração falsa genuína ou uma verdade selectiva, por omissão, ou mesmo a verdade se a intenção é enganar ou causar uma acção que não é do interesse do ouvinte. Mentir é contar uma mentira. Uma pessoa que conta uma mentira, em especial aquela que conta mentiras com frequência, é um “mentiroso”. Mentir é contra os padrões morais de muitas pessoas e é tido como um pecado em muitas religiões.

Mentir de uma maneira que piore um conflito em vez de diminuí-lo, ou que se vise tirar proveito deste conflito, é normalmente considerado como algo antiético.

Faltar à verdade torna-se uma sátira com propósitos humorísticos quando deixa explícita pelos excessos na fala e o tom jocoso que de facto é uma mentira, nestes casos é com frequência tratada como não sendo imoral e é bastante praticada por humoristas, comediantes, escritores e poetas como já tem acontecido por alguns costeletas no nosso blog. A etiqueta é preocupante com as questões da mentira, atribuição da culpa da hipocrisia – coisas que com frequência são menosprezadas na ética mas de grande utilidade na sociedade:

As mentiras podem ser divididas em classes – ofensivas ou mal intencionadas, inofensivas e jocosas, das quais apenas a primeira classe é séria

Há alguns tipos de mentiras que são consideradas aceitáveis, desejáveis, ou mesmo obrigatórias, devido a convenção social. Apontamos apenas estas duas:

- O uso de eufemismos para evitar a menção explícita de algo desagradável;
- Desculpas para evitar ou encerrar um encontro social indesejado.

Achamos que a psicologia evolucionária está preocupada com a teoria da mente que as pessoas empregam para simular a reacção de outra à sua história e determinar se uma mentira será verosímil. O marco mais comummente citado na ascensão disso, o que é conhecido como inteligência maquiavélica, ocorre na idade humana cerca de quatro anos e meio, quando as crianças começam a ser capazes de mentir de maneira convincente. Antes disso, elas parecem ser incapazes de compreender que todo mundo não tem a mesma visão dos eventos que elas têm – e parecem presumir que há apenas um ponto de vista —o seu próprio — que precisa ser integrado a qualquer história. Os linguistas estudam estes assuntos. Para se considerar se foi uma mentira ao serviço de uma boa causa, então foi uma mentira social. Se foi baseada em falhas de informação, então foi um erro honesto. Se estava lá apenas para ênfase, então foi um exagero.
Parece extremamente improvável que a mentira seja algum dia inteiramente eliminada da política ou da diplomacia, da mesma forma que não é possível removê-la da guerra que essas actividades são, em últimas instâncias, criadas para ajudar a impedir de ocorrer.
As mentiras começam cedo. Como já referimos as crianças pequenas aprendem pela experiência que declarar uma inverdade pode evitar punições por más acções, antes de desenvolverem a teoria da mente necessária para entender porque funciona. De maneira complementar, existem aqueles que acreditam que as crianças mentem por insegurança, e por não compreenderem a gravidade dos seus actos escapam da responsabilidade apelando para a mentira.
Polígrafos, máquinas de detecção de mentiras, medem o estresse fisiológico que um entrevistado sente em várias medidas enquanto dá declarações ou responde a perguntas. Afirma-se que picos do estresse indicam comportamento mentiroso. A precisão deste método é amplamente contestada,. No entanto, ele permanece em uso nalguns paises.

No dia 1 de Abril pode tornar-se difícil “faltar à Verdade”; não será necessário usar o polígrafo para encontrar a mentira.

Um arranjo de Alfredo Mingau






DESTAQUES DO BLOG
COSTELETA
NA SEMANA DE 25 A 31 DE JULHO
CRÓNICAS-CONTOS-CHARLAS-POEMAS

Dia 26 de Julho
EU E AS PALAVRAS
Autor:-João Brito de Sousa
Dia 27 de Julho
DIA MUNDIAL DOS AVÓS
Autor Alfredo Mingau
TEMA COMPUTADORES
“Congelar dá resultado”
Dica de Rogério Coelho
Dia 28 de Julho
JOGOS FLORAIS
 NOSSA SENHORA DO CARMO-Fuseta
Lista de premiados
De Maria José Fraqueza
LAVRADOR
Poema de Orlando Augusto da Silva
VIVE-SE O DIA DE HOJE
Autor João Brito de Sousa
Dia 29 de Julho
CANTINHO DOS MARAFADOS
“Posso ir?”
Enviado por  Diogo Sousa
ANIVERSÁRIOS DE ASSOCIADOS
“Mês de Agosto”
Pesquisa de Rogério Coelho
CANTINHO DOS MARAFADOS
“Conversa entre o empregado e o chefe”
Enviado por A.Gabadinho
Dia 30 de Julho
MARAFADOS NO “O SEU CAFÉ”
Enviado por Maurício
A REALIDADE E O SONHO
Um arranjo de Alfredo Mingau
CANTINHO DOS MARAFADOS
“Hoje no Alentejo”
Autor:-António Palmeiro
CANTINHO DOS MARAFADOS
“Casal Marafado em viajem”
Autor:-António Gabadinho

 

sábado, 30 de julho de 2011

CANTINHO DOS MARAFADOS


CASAL MARAFADO EM VIAGEM
O marido pára o automóvel e pede à esposa:
- Ó Maria sai lá do carro e vê se tem algum pneu vazio.
Ela dá a volta ao carro e diz:
- Atrás está um pneu vazio mas é só por baixo, por cima está bom !!!!

António Gabadinho

CANTINHO DOS MARAFADOS



(HOJE NO ALENTEJO)

Este episódio chegou ao meu conhecimento relatado pelo meu amigo Carlos Sousa, dono da herdade das Cumeadas, ali para os lados do Vale de Santiago.
Quero começar por identificar melhor o amigo Carlos. É um homem mais velho do que eu, tipo do lavrador alentejano de antigamente, sério, honesto e respeitado.
Durante muitos anos fui responsável pela contabilidade da herdade e sempre que necessário ia até lá. Para além da parte profissional, era para mim um grande prazer conversar com este homem, digo era, não porque ele tenha passado para outra dimensão, mas porque quem está agora à frente da exploração é o genro, os anos não perdoam.
Sempre havia água fresca da fonte, em várias quartas (a) de barro, em fila numa bancada própria e em vez do copo de vidro, um cucharro (b) de cortiça, a água tem logo outro beber. Se acrescentarmos a simpatia da dona Maria, criada da casa desde os onze anos, já lá vão mais de cinquenta, está preparado o ambiente para uma tarde daquelas em que nem damos pelo tempo passar.
Quando aqui uso o termo “criada da casa” mais não estou fazendo do que utilizando a forma como a dona Maria gosta de ser tratada. Ai de quem se atreva a chamar-lhe empregada doméstica, a gata e a cadela é que são domésticas, eu sou criada da casa e criada na casa. Ela comanda os destinos do monte como se tudo fosse seu. Nem sonha a categoria que consta na folha de salários, até eu corria o risco de ouvir das boas. Apesar de avisada de que um dia podem aparecer os sindicalistas ou organizações que achem que é humilhante o tratamento de criada, ela responde de imediato: - Aqui sem minha autorização ninguém entra e se alguém tentar jogar-me contra os patrões e os meninos vai-lhe acontecer uma desgraça. Nem no tempo das ocupações de terras o conseguiram.
Tudo isto para concluir que de seguida a dona Maria ia pôr a mesa sempre farta e que se alguém recusasse provar algo que ela aconselhasse seria logo convidado a ir dar uma volta ao alpendre porque não estava a fazer nada ali sentado na mesa. O menu era sempre de lamber os “beços”, nunca faltava o presunto curado na chaminé lá do monte, queijinhos de cabra e de ovelha, torresmos feitos lá em casa, as azeitonas adoçadas num dos potes guardados no escuro e um naco de toucinho com uns oito centímetros de altura, curado e salgado numa arca de madeira na cozinha e comido cru. Posso garantir-vos que não faz mal nenhum e é uma delicia.
O vinho feito também na adega do monte era qualquer coisa de divinal e que ninguém ousasse perguntar a graduação. Para quê saber um pormenor sem interesse perante um néctar dos deuses. O pão amassado pela dona Maria era de comer e chorar por mais.
Entusiasmei-me falando da dona Maria, e quase esqueci o objectivo principal desta crónica. Já agora e para completar este capítulo dizer que o marido da dona Maria é o “Manel das ovelhas”, Manuel Francisco, um seu criado, como ele próprio se apresenta, é ele o “moiral” das cerca de quinhentas ovelhas da herdade e aqui começa então a descrição que me foi feita pelo meu amigo Carlos:
- Estava o Manel com as ovelhas do outro lado da ribeira, a pastagem era farta e o gado já estava mais para o descanso, bem guardado pelos dois rafeiros alentejanos,
aproveitando a sombra do sobreiro porque o sol já começava a “acalar” forte.
O equipamento era sempre o mesmo, uma balsa (c) com uma bucha de pão, um naco de toucinho ou de linguiça, uma pinga de vinho. Em dias com as manhãs mais frias levava os safões (d) a pelica (e),o cajado e a espingarda, podia aparecer uma perdiz ou quem sabe uma lebre e a ceia estava garantida.
Naquele dia no silêncio da manhã já avançada, ouviu-se um tiro e a alguns metros do local onde se encontrava o bom do Manel, caíram mortos dois trigueirões (f) nem se levantou do local onde estava, encostado ao sobreiro. Poucos minutos depois chegaram junto dele dois indivíduos que se identificaram como guardas da natureza e trava-se o seguinte diálogo:
- Então o senhor matou os dois trigueirões? Perguntaram!!
- Eu não matei os passarinhos!...
- Insistência de que matou
- Reafirmação com voz calma e pausada: - Eu nã matei os passarinhos.
Estava a discussão no auge quando, chamada pelos tais “verdes” apareceu uma patrulha da GNR.
Conversam com os ditos fiscais e finalmente dirigem-se ao Ti Manel.
- Bom dia Sr. Manuel!
- Diaaaa…
- Então conte lá o que se passou!
- Nã se passou nada! Esses gajos é que apareceram aqui a dizer que eu tinha matado uns trigueirões e eu nã matei passarinhos nenhuns.
Matou, não matei, matou não matei e por aí vai.
O cabo Matias já à beira da reforma, coçava a cabeça e não sabia o que fazer.
Até que o cabo, como se tivesse encontrado a chave do problema diz com alguma euforia:
- Ah! Mas aqui este senhor e apontava um dos “verdes”, diz que o senhor Manuel o ameaçou que lhe dava um tiro!
- Disse que lhe dava um tiro e se ele não desaparecer daqui depressa, dou-lhe mesmo!
O cabo queria resolver rapidamente o problema e cada vez a coisa se complicava
Mais.
- Mas porquê? Porquê essa ameaça tão grave?
Oh, senhor cabo, não é que esse malandro teve o descaramento de me desafiar, para ir com ele para trás daquela moita fazer porcarias dessas que os “homonãoseioquê” fazem, ele tá “pensando qa gente aqui é o quê” maricas?
Tudo piorou, os “verdes” ficaram embaçados, o cabo já não tinha mais cabeça para coçar, o outro guarda, jovem com poucos meses de serviço, não conseguia conter o riso, o ti Manel, calmo como sempre continuava na mesma posição, encostado ao cajado.
O cabo à beira de uma crise de nervos ainda perguntou:
- Então e o outro colega dele ouviu ele fazer-lhe essa proposta?
- Nã senhora ele disse isso, quando o outro foi ao carro deles para chamar vocês.
Porque maioral não anda com B. I. o ti Manel foi identificado por conhecimento e que depois alguém passaria no monte para o identificar formalmente, os verdes saíram de fininho e fiquei sem saber quem ficou com os trigueirões, porque o resto ficou por isto mesmo.
O ti Manel continua na velha calma e cumprindo a rotina de todos os dias, sem ser mais incomodado.

Para quem não conhecer os termos aí vai algumas definições.
a) - Quarta – recipiente de barro em forma de cântaro
b) – Cucharro – objecto em forma de concha usado para beber líquidos
c) – Balsa – Sacola feita em palhinha para transportar o farnel ao ombro, a alsa era um baraço de fio de sisal.
d) – Safões – perneiras só da parte da frente feitas em pele de ovelha
e) - Pelica – tipo de casaco sem mangas e que vai até ao meio da perna, também em pele de ovelha.
f) – Aves que existiam por todo o Alentejo e que hoje estão em extinção, encontram-se só em determinadas regiões e estão protegidas.
g) – Moiral – alentejanês de maioral

António Viegas Palmeiro

A REALIDADE E O SONHO

É sábado, dia de movimento, muito movimento. Julia se prepara, passa a sua maquiagem, arruma o seu cabelo, respira fundo e olha o local calmo que vai lotar em alguns minutos. Já tem fila lá fora, estão esperando o melhor bar-restaurante-dancing da cidade abrir, com música ao vivo; hoje a banda vai tocar anos 60, mas as pessoas mais jovens vêm também.

Por enquanto a crise ainda aqui não entrou

Finalmente, 19 horas, as portas são abertas, as reservas de aniversário já chegaram, as pessoas alegres e animadas escutam a banda de jazz, outras até dançam, enquanto esperam a atração principal, que só começaria a tocar à meia noite.

Julia passa pelas pessoas de todos os tipos, porém ninguém repara nela, ninguém nota sua presença. Julia adorava aquele lugar, ela se sentia bem vendo as pessoas felizes, rindo, dançando ao som da música, e sim, a música, ela a adorava acima de tudo! Ela amava ver os casais apaixonados jantando juntos, alegres, as moças rindo e dançando, algumas pessoas se arrumavam bastante, e Julia ficava admirada!

Toda vez que Julia ia para a cozinha, ficava se imaginando linda, como algumas moças que estavam jantando no bar, com um namorado que a amasse e a levasse a lugares como o que ela trabalhava, para jantarem ao som de boa música ao vivo. Eles iriam dançar e se divertirem juntos…

A imaginação de Julia é interrompida, o prato da mesa 7 está pronto, e lá vai ela, levar o jantar de um grupo de pessoas alegres. Ela está sorrindo quando entrega oprato, mas quase ninguém repara nela. Ela não se importa, e o serviço nunca para. Ela tem outras mesas para servir e outros pedidos para serem entregues. Eassim vai a noite, a banda da meia noite toca os clássicos, todos dançam, até Julia dança um pouquinho também, e lá pelas 3 horas da manhã, é hora de fechar, todos foram embora, restam apenas as mesas, cadeiras e funcionários para arrumar o local.

Julia vai limpando as mesas enquanto sonha acordada, imaginando estar bem vestida se divertindo e dançando com um rapaz – vai sonhando e fazendo o serviço. Chegou a hora de voltar pra casa, agora ela só voltaria à noite, com bastante movimento e casa cheia, como Julia gostava. “Bom…”, pensava Julia, “hora de voltar para casa, voltar para a realidade”, e assim Julia sai, vai para a paragem de autocarro com suas roupas humildes e seus sapatos normais, sem maquiagem e sem cabelo perfeito, apenas uma mulher comum, porém com suas melhores qualidades: não desistir, nem parar de sonhar.

 
Um arranjo de Alfredo Mingau