sexta-feira, 29 de setembro de 2017

VERBALIZAÇÃO

Por ser interessante, tomamos a liberdade de publicar este texto. Espero que gostem!
Roger


     Já “pleonasmaste” hoje?

Todos os portugueses (ou quase todos) sofrem de “pleonasmite”, uma doença congénita para a qual não se conhecem nem vacinas nem antibióticos. Não tem cura, mas também não mata. Mas, quando não é controlada, chateia (e bastante) quem convive com o paciente.
O sintoma desta doença é a verbalização de pleonasmos (ou redundâncias) que, com o objectivo de reforçar uma ideia, acabam por lhe conferir um sentido quase sempre patético.
Definição confusa? Aqui vão quatro exemplos óbvios: “Subir para cima”“descer para baixo” “entrar para dentro” e “sair para fora”.
Já se reconhece como paciente de pleonasmite? Ou ainda está em fase de negação? Olhe que há muita gente que leva uma vida a pleonasmar sem se aperceber que pleonasma a toda a hora.
Vai dizer-me que nunca “recordou o passado”? Ou que nunca está atento aos “pequenos detalhes”? E que nunca partiu uma laranja em“metades iguais”? Ou que nunca deu os “sentidos pêsames” à “viúva do falecido”?
Atenção que o que estou a dizer não é apenas a minha “opinião pessoal”. Baseio-me em “factos reais” para lhe dar este “aviso prévio” de que esta“doença má” atinge “todos sem excepção”.
O contágio da pleonasmite ocorre em qualquer lado. Na rua, há lojas que o aliciam com“ofertas gratuitas”. E agências de viagens que anunciam férias em“cidades do mundo”. No local de trabalho, o seu chefe pede-lhe um“acabamento final”naquele projeto. Tudo para evitar “surpresas inesperadas” por parte do cliente. E quando tem uma discussão mais acesa com a sua cara metade, diga lá que às vezes não tem vontade de“gritar alto”: “Cala a boca!”?
O que vale é que depois fazem as pazes e vão ao cinema ver aquele filme que  “estreia pela primeira vez” em Portugal.
E se pensa que por estar fechado em casa ficará a salvo da pleonasmite, tenho más notícias para si. Porque a televisão é, de “certeza absoluta”, a “principal protagonista” da propagação deste vírus.
Logo à noite, experimente ligar o telejornal e  “verá com os seus próprios olhos” a pleonasmite em direto no pequeno ecrã. Um jornalista vai dizer que a floresta “arde em chamas”. Um treinador de futebol queixar-se-á dos  “elos de ligação”entre a defesa e o ataque. Um “governante”dirá que gere bem o  “erário público”. Um ministro anunciará o reforço das “relações bilaterais entre dois países”. E um qualquer  “político da nação” vai pedir um  “consenso geral” para sairmos juntos desta crise.
E por falar em crise! Quer apostar que a próxima manifestação vai juntar uma “multidão de pessoas”?
Ao contrário de outras doenças, a pleonasmite não causa “dores desconfortáveis” nem “hemorragias de sangue”. E por isso podemos“viver a vida”com um “sorriso nos lábios”. Porque um Angolano a pleonasmar, está nas suas sete quintas. Ou, em termos mais técnicos, no seu “habitat natural”.
Mas como lhe disse no início, o descontrolo da pleonasmite pode ser chato para os que o rodeiam e nocivo para a sua reputação. Os outros podem vê-lo como um redundante que só diz banalidades. Por isso, tente cortar aqui e ali um e outro pleonasmo. Vai ver que não custa nada. E “já agora” siga o meu conselho: não “adie para depois” e comece ainda hoje a “encarar de frente” a pleonasmite!
Ou então esqueça este texto. Porque afinal de contas eu posso estar só “maluco da cabeça”.

 Autor desconhecido

NOTA DA REDACÇÃO: - "PLEONASMO" - O que é supérfluo, desnecessário .


PARABÉNS A VOCÊ

OUTUBRO                          ANIVERSÁRIOS


02 - Hélder Sobral Silva Mendonça. 03 -  Florentino Gomes Cavaco. 05 - Manuel Madeira Guerreiro; Vitor Manuel Carlos dos Santos. 06 - Irene Dinorah Coelho Lopes; Fernando Guerreiro Farias. 08 - Clarisse Maria Cabrita; Zélia Maria Cristino Cabrita; José Gonçalves Charneca Júnior; Maria Eduarda Aleixo Mrtins Vargues. 10 - Manuel Francisco Sousa Belchior. 11 - José Correia Xavier Basto; Joaquim Eduardo Gonçalves Teixeira. 12 - Maria da Paz Lopes Santos. 13 - José Manuel d'Assunção Brucho. 15 - Maria de Lourdes Pinto Machado Matos. 16 - Elza Maria Encarnação Soares Horta; Francisco Xavier da Silva St. Aubyn; Florentina Rosa Santos de Brito. 17 – Luciano Augusto Ventura. 18 - João Maximiano Portada Faustino. 22 - Rogério Sousa Coelho. 26 - Jacinta Rosa Cançado Coelho Ramos (Mimi); Maria Graciete C. Sebarrinha. 27 - Daniel Manuel Guerreiro Mendonça; Maria Fernanda Guerreiro Mariano Silva; Eduardo Pedro Soares. 28 –Maria Clotilde Conceição Claro. 29 - Gisela Conceição Maria Marques.. 30 - José Feliciano Sousa Matias. 

TUDO BOM PARA TODOS


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

UM "COSTELETA" QUE PARTIU


FALECEU O COSTELETA HORÁCIO CAVADO GUERREIRO


Causou o mais profundo pesar o falecimento, ocorrido no Hospital das Gambelas, em Faro, do sempre saudoso «costeleta» Horácio Cavaco Guerreiro, destacada figura do turismo português, que, para além de ter sido o Presidente da Região de Turismo do Algarve que mais anos desempenhou estas elevadas funções, com dedicação, prestígio e notoriedade foi também durante vários anos empenhado Diretor da Escola de Hotelaria do Algarve (Faro e Portimão). Contava 78 anos de idade e era natural de Montes Novos (Loulé), aldeia situada em plena Serra do Caldeirão, casado com a sra. D. Maria da Graça Brito Cavaco Correia, a quem apresentamos a expressão das mais sentidas condolências em nome de todos os antigos Alunos Escola Tomás Cabreira. Frequentou a nossa Escola ( quer na Rua do Município como nas atuais instalações), no Curso Geral do Comércio na década de 50 do século XX e fez parte da mediática «Turma do 2° 4ª». Prestável, generoso, solidário, o Horácio, que há muitos anos sofria de grave enfermidade, era um verdadeiro e autêntico amigo de todos para todos. Frequentou. Pelas suas qualidades e méritos diversos cursos em reputada universidades estrangeiras e lecionou em vários países. Cumpriu o serviço militar na Guiné - Bissau. Era detentor de muitos louvores e distinções. Foi Presidente da Federação Ibérica dos Skals Clubes. O seu funeral efetuou-se da Igreja de São Luís em Faro para o Cemitério de São Brás de Alportel. Na memória do Horácio Cavaco Guerreiro, uma amizade quase 70 anos, a saudade de sempre!

João Leal

INFORMANDO



«FARO, TEMPOS IDOS»


Publicou a Câmara Municipal de Faro o 39º volume dos «Anais do Município de Faro», que contem uma vasta e variada colaboração, Da mesma, da autoria do autor destas linhas fez editar em separata o trabalho «Faro, Tempos Idos», que recorda figuras típicas e factos da capital algarvia, de modo próprio das décadas cinquenta ( quando frequentávamos a Escola Tomás Cabreira e fazem parte, portanto, do universo das nossas memórias), Uma obra para se ler com uma lágrima a surgir na saudosa recordação.

João Leal

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

INFORMANDO


O Costeleta Jorge Tavares enviou-nos este artigo, publicado "IN NOTÌCIAS DE S.BRAZ", que gostosamente publicamos.



NOTA DA REDACÇÃO - Editámos o melhor que pudemos em "foto"

sábado, 23 de setembro de 2017

INFORMANDO


«O MANO» 

UM LIVRO DO COSTELETA AURÉLIO MADEIRA 

Essa nunca desmentida «vitalidade, solidariedade e fraternidade», que é lema da nossa Associação, ofertar o livro da autoria dessa mediática figura da Escola Tomás Cabreira, que é o Aurélio Madeira, num gesto que nos sensibilizou até às lágrimas e constitui uma narrativa dramática, em três atos e cinco quadros, intitulado «O Mano». Aurélio Madeira foi, naqueles anos sessenta do século passado figura maior do teatro amador, nessa academia que eram mestres o engenheiro e o doutor Campos Coroa, o José e o Emílio. Trata-se de uma obra de grande profundidade refletindo alguns dos muitos problemas que enfrenta a sociedade contemporânea, com o seus vícios e virtudes, o seu quê de policial e de humanismo. O autor, nasceu e cresceu em Faro, foi aluno da Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira, onde concluiu o Curso Geral de Comércio e enveredou pela carreira de funcionário bancário, onde reside, está aposentado e exerceu quase toda a vida profissional. Desde os treze anos que se dedicou, com grande arte e vocação à atividade teatral, havendo-se iniciado nas récitas escolares, ingressando no Teatro de Amadores de Faro (TAF) de depois atingindo o auge da carreira no Grupo de Teatro do Círculo Cultural do Algarve onde conquistou, em Lisboa, os prémios nacionais «João Rosa» (melhor interpretação Masculina de Teatro Amador) e, a quando das comemorações do V Centenário de Gil Vicente (1965) o «lº Prémio Gil Vicente) pela inesquecível interpretação de 1º Diabo da «Trilogia das Barcas», acolitado por esse outro inesquecível costeleta, que foi o saudoso Miguel Tinoco. No Cidade Pombalina prosseguiu as suas atividades cénicas, com múltiplas realizações, numa vida vertical que muito nos honra a todos os costeletas. Parabéns, «grande» Aurêlíõ, por esta obra «O Mano»!

João Leal

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

INFORMANDO


NO CENTENÁRIO DE «OS HANGARES 


Os Hangares é um aglomerado marítimo - ilhéu que se situa na Ilha da Culatra e que em fins de Agosto completou o 1 º centenário da sua existência. Deve o seu nome à instalação de uma base durante a I Guerra Mundial para apoio aos hidroaviões e a recente realização, com assinalado êxito do pela 2ª vez consecutiva do «Sun Set», organizado pelo Rotary Clube de Faro que ali fez escala, trouxe-nos à memória os passeios anuais que a Escola ali fazia, a bordo do «Isabel Maria» ou do «Gavião», num dia preenchido com passeio pela Ria Formosa, banhoca, almoço e bailação. Por «Os Hangares», no seu centenário, também fazem parte da história centenária da Escola Tomás Cabreira!

João Leal

COMENTANDO A INFORMAÇÃO DE JOÃO LEAL SOBRE ALBERTO ROCHA



Alberto Rocha e seus filhos
 
A minha amizade com o Alberto dos Santos Rocha teve o seu inicio  nos anos cinquenta.
Sem receio de me enganar direi que a sua existência tem no mínimo 65 anos.
Depois dos tempos de escola, fui acompanhando o Alberto Rocha, sem muita regularidade, embora soubesse que assumiu  continuar e desenvolver o lagar de azeite que havia herdado, localizado em Santa Catarina da Fonte de Bispo, e a instalação duma Cerâmica,  fabricando artesanalmente ladrilhos, telhas e outros, e que são os referência de qualidade.
Reconheço toda a verdade existente no texto que o  João Leal em boa hora resolveu deixar testemunho do nosso blogue.
Permito-me – esperando a compreensão do João – que lembremos que uma empresa individual de média dimensão, raramente se desenvolve com objectivos futuros de longo ou médio prazo, se não tiver  continuadores no seio da família. O Alberto Rocha, felizmente tem nos seus descendentes esses continuadores, particularmente o seu filho  Renato Rocha,  no lagar e sua filha Elisabete Rocha, na cerâmica.
Proliferam os exemplos diários de empresários individuais, que criaram ao longo da vida, mercê do seu trabalho, empresas de sucesso,  que por cansaço e carência da necessária vitalidade própria do avançar da idade, morreram...porque lhe faltaram sucessores capazes de continuar.
O Alberto Rocha e família podem considerar-se  paradigmas de sucesso.

Jorge Tavares

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

INFORMANDO




ALBERTO ROCHA, SEMPRE NA VANGUARDA



O nosso muito estimado colega Alberto Rocha, um «100% nas actividades da nossa Associação» é um dos grandes senhores do azeite e da cerâmica, ultra-famosos produtos algarvios que se exportam para quase todo o mundo e para onde tem levado, com grande prestígio e excelência de qualidade, o nome do Algarve. Há dias tivemos o grato ensejo de apreciar um bem elaborado documentário no «Barlavento» num programa da Internet intitulado «Santa Catarina - o Património Vivo do Algarve» todos os produtos que se fabricam naquela típica aldeia do concelho de Tavira. Nele se referia que: «São materiais de construção artesanal únicos no mundo, produzidos pelas mãos de mestres algarvios, que se conjugam em harmonia com o design e a arquitectura contemporânea, ladrilhos, tijolos e telhas feitos com barro cozido usados desde há séculos nas casas algarvios». Parabéns, Alberto, por mais este merecido elogio.

João Leal

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

HORACIO CAVACO PARTIU

Jorge Tavares comenta.

Horácio Guerreiro Cavaco partiu...escreveu o Rogério no blogue.
É verdade, e também uma realidade. Esta triste noticia um dia eleger-nos-á  como actor principal.
Que dizer do Horácio. Fomos colegas desde a Serpa Pinto. Acompanhamos no estudo  e nas horas de diversão.
Vivi de perto o infortúnio da sua vida familiar a montante, e a maneira como ultrapassou.
Profissionalmente seguimos caminhos diferentes, embora sempre que nos encontrávamos vivíamos momentos de satisfação e de lembranças.
Soube do inicio da sua doença, e várias vezes o via andar pela cidade num combate que se tornou inglório. A doença venceu. 
Em determinado momento tentei obter o seu curriculum para que constasse no nosso blogue. Não foi possível. A Graça ( companheira ) já não tinha forma temporal para tratar desse assunto.
Espero que se torne publico o invejável curriculum do Horácio Guerreiro Cavaco, por ser merecidíssimo.
A minha ultima mensagem para o Cavaco ( era assim que o tratava ), é a garantia que um dia todos nos havemos de juntar e quiçá criar uma nova Associação de Costeletas.

Jorge Tavares

sábado, 16 de setembro de 2017

QUANDO ALGUÉM PARTE



HORÁCIO CAVACO GUERREIRO
Partiu

O corpo encontra-se na Igreja de S. Luís em Faro.  O funeral efectua-se amanhã (Domingo) dia 17, pelas 10 horas para S. Brás de Alportel.

À viúva , filhas e amigos apresentamos o nosso profundo desgosto

DESCANSA EM PAZ HORÁCIO

A Presidente
Isabel Coelho

NOTA DA REDAÇÃO: Horacio Cavaco, Costeleta e sócio da nossa Associação, foi Presidente da Região de Turismo do Algarve de 1986 a 1997. A Presidente da nossa Associação esteve presente na Igreja de S.  Luís e acompanhou o corpo em câmara ardente.
Roger

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

CIRCULO DE LEITURA

Um texto de 
Manuel Inocêncio da Costa

O PROFESSOR DE JAPONÊS
Continuação
CAPÍTULO III

E foi assim que Joaquim começou a exercer a sua tarefa, então como professor de japonês. Joaquim durante os anos em que trabalhara na fábrica, tinha estudado a língua nipónica, que já dominava muito razoavelmente. Posteriormente depois de sair da fábrica, continuara esse estudo. Chegara até à fazer uma viajem ao Japão, onde durante meses se inscreveu numa escola de japonês, melhorando os conhecimentos do idioma e cultura japonesa, que muito admirava.
Na Escola Universal conheceu muita gente. Desde logo os professores. Havia-os de várias nacionalidades. Anne p. e., natural de Nantes, lecionava francês, havia alguns anos, não obstante ainda não ter trinta anos. Era muito vivaz, desembaraçada, descontraída e um pouco atiradiça. Joaquim ainda não tinha quarenta anos; era magro, tinha cabelos pretos e uma forte compleição atlética. Anne gostava de se meter com ele, e, muitas vezes fazia-lhe perguntas esquisitas e afirmações inesperadas. Como de uma vez, em que num intervalo entre duas aulas, de repente, lhe perguntou: " Joaquim, que pensa daquelas religiões, em que um homem, pode, legalmente, ter várias mulheres?." "Joaquim respondeu que isso era um assunto dos praticantes de tais religiões" - mas ela acrescentou "pessoalmente acho isso muito bem". Ele não respondeu. nem comentou. Mas, a partir daí, nunca mais foi retomado ou levantado tal assunto. E, com o tempo, Anne conheceu a família do Joaquim, tornando-se bons amigos. Anne era uma exímia tocadora de violino, entusiasmou as filhas dele, a aprenderem a tocar tal instrumento, ensinando-as a tocar, de tal modo que a certa altura, na sua casa, mais parecia que constantemente se ouviam os sons maravilhosos dum concerto, fosse o "Mendelsohn violino in E minor, Op.64", ou "As quatro estações" de Vivaldi.
Tudo isto tinha Joaquim guardado na sua mente.
A chuva caia agora em tempestade, e, cada vez mais forte. Estava completamente encharcado. Andara às voltas pela cidade, durante horas, e, caso curioso, estava agora, novamente, junto à sua casa. O cair da chuva soava-lhe como uma música. E, fosse a chuva, fosse música, pareceu-lhe ouvir as notas dum qualquer trecho musical de Mozart ou de Bach, para violino.

Talvez Anne e as suas filhas estivessem a tocar.

FINAL DO TEXTO

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

CIRCULO DE LEITURA

Um texto de
Manuel Inocêncio da Costa

O PROFESSOR DE JAPONÊS

Continuação
CAPÍTULO II



Mas era muito novo, para não fazer nada. Então começou a pensar o que é que poderia fazer? E como entretanto fora estudando, poderia talvez muito facilmente arranjar um trabalho. Assim pensava. Uma profissão que pudesse desempenhar, mas que o não absorvesse o tempo todo. Aliás teria mesmo que encontrar tal trabalho. De contrário, o pecúlio amealhado, depressa acabaria, se não fosse alimentado, com verbas novas que fossem entrando. É que ele não desconhecia as exigências de qualquer sociedade moderna. Quanto a gastos e á frente de tudo, estavam as verbas que qualquer Estado exige de cada cidadão. E essas verbas, têm mesmo muitos nomes, e, todas elas formam uma corrente, qual rio caudaloso, que é alimentado através de milhões de fiozinhos de água, com que cada cidadão concorre, para que a enchurrada seja grande. E esse poder, chamado Estado; é como que um animal, com uma fome danada. A sua especialidade é pensar cada dia e cada noite, como aliviar cada cidadão, de grande parte dos seus bens. A toda essa maneira de sacar, chamam-se impostos. E estes existem para todos os gostos, mesmo que seja a contra gosto - o que acontece quase sempre. São imperativos. Mas além esses gastos, existem muitos outros necessários.
Nesses tempos em que andava a pensar encontrar uma nova ocupação, um belo dia, quando deambulava numa das suas grandes caminhadas, pelo grande e frondoso parque da cidade, cruzou-se com um conhecido, que não conhecia muito bem, mas que sabia, que era gerente de uma escola de línguas, e se chamava Eusébio, que ao vê-lo o cumprimentou dizendo:
"Boa tarde como está? Que famosa tarde está hoje. Costuma vir para aqui, dar alimento às pernas? 
"Sim, é verdade. Regularmente venho até aqui. Este parque é realmente um lugar priveligeado. São estes canteiros de flores e esta relva sempre bem tratados. E esta fragrância a cravos, rosas e mesmo a flores selvagens e que nos entra pelas narinas adentro; são estas árvores, algumas delas talvez centenárias, é este grande lago, que dele faz parte, e onde podemos ver uma grande diversidade de aves, sim na verdade sinto-me muito bem aqui.
" Mas parece-me, pelo seu semblante algo preocupado. Será que algo o preocupa? Ou é mera impressão minha? Ainda acrescentou o Eusébio.
" Felizmente, nada de grave me preocupa, disse o Joaquim. Vinha apenas a pensar em arranjar uma ocupação, onde pudesse ocupar parte do meu tempo, porque não sei se sabe, saí da fábrica de pão.
curioso. E que coincidência. Como julgo que sabe, sou o gerente da Escola de Línguas Universal. E, neste momento, a Escola debate-se com um problema. São muitos alunos que se querem inscrever em japonês. Mas só temos um professor de japonês. E, só esse, não tem possibilidade de dar aulas a tantos alunos. Ora, sei que o senhor sabe japonês. Estaria eventualmente interessado, num lugar de professor dessa língua na nossa Escola? A nossa Escola tem grande renome. O horário são três horas por dia, cinco dias por semana. Pagamos muito bem aos nossos professores, quer de japonês, de russo, de inglês de chinês ou de alemão.
"Em principio aceito. Teremos todavia que analisar tudo o que deve constar do contrato, desde o horário ao ordenado, a férias.
"Então, caso possa, vá amanhã pelas 10 horas à nossa Escola. Se nos entendermos, como penso que acontecerá, assinaremos o contrato.

Continua no Capítulo III