CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
O CARNAVAL....
Há profundas mudanças na vivência comunitária de várias festividades ou tempos que anualmente ocorrem. Veja-se o que se passa, por exemplo, com o Carnaval, animado período que agora e até ao Domingo, dito Gordo, que antecedia a 3ª feira festiva e onde há noite decorria o imperdível «Enterro do Entrudo».
As ruas da baixa farense, que davam acesso aos clubes e sociedades recreativas eram invadidas por milhares de foliões, mascarados ou não e entre os primeiros as «matrafonas» ou à «cow boy», que eram os disfarces mais fáceis de conseguir. Nas noites de 5ª feira, sábado e domingo era ver a gente que se juntava para se meter ou ser «metido» com as mascarinhas que até á meia - noite, limite legal permitido, davam uma alegre animação.
Começáva-se pelo Clube Recreativo 20 de Janeiro, há muitos anos extinto, ali na rua do Alportel, por cima do restaurante Belchior, cujo cheiro ás famosas «iscas fritas» exalava até ao salão de baile, atraindo muitos clientes. Depois era o vir até ao «Sport Lisboa», então nas excelentes instalações do Teatro Lethes. Seguia-se, quase paredes meias o Musical (Sociedade Recreativa Musical Farense), também de há muito encerrado e onde o «Cabo Santos» recenseava quem era sócio e quem não o era. Era um «pulinho» pelo Largo da Mota até ao Clube Popular de Faro, no vulgo «Grémio» ora ocupando reduzida sede socia, da que na altura possuía no Largo do Terreiro do Bispo.Vinha depois o Ginásio Clube, ocupando o mesmo andar do imóvel do Banco Espírito Santo, com uma selectividade própria. Seguia-se a Sociedade Recreativa Artística Farense («os Artistas»), hoje com instalações renovadas. No cimo das escadas directores, gente que nos causa saudades (José da Gordinha, Mestre José Marques, marceneiro Pedro e outros) verificavam o associativismo e o estatuto moral das «mascarinhas». Finalmente era na Rua de Santo António o elítico e selectivo Clube Farense, de filiação apenas permitida á burguesia farense. Havia quem se mascarasse apenas para conhecer aquele recinto.
Mas o Carnaval eram as muitas brincadeiras («é Carnaval ninguém leva a mal», dizia-se e cumpria-se). Hoje quem dá por esta outrora animada época,Veja-se......
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