domingo, 11 de janeiro de 2026

  Crónica de Faro
  João Leal

   Salve-se o Lethes!
Foi o primeiro estabelecimento aberto pelos Jesuítas no Algarve. Ainda hoje muita gente apela a zona de «Horta do 
Colégio». por ter sido ali que funcionou o Colégio de maia elevado grau de escolaridade existente no Sul, seguindo-se o Colégio São Camilo Lelis, em Portimão. A extinção das Ordens Religiosas (1834) levou a que o benemérito Justino Cúmano o adquirisse em haste pública transformando-o no Teatro Lethes, em relação o mítico rio, do mesmo nome e face ao conturbado período de lutas que se vivia em Portugal, na sequência das lutas entre apoiantes de D. Pedro e D. Miguel. «Monet oblectando» como se lê na sua fachada era o objectivo daquele benemérito ao instituir o que é hoje um dos «teatros históricos europeus. Significa também o imóvel um dos valores maiores do património construído da capital algarvia. Ora a recente tempestade «Célia» que tantos e avultados estragos causou no Sul do País causou estragos de elevada monta naquela sala por onde se exibiram grande companhias internacionais, a par dos sempre recordados artistas locais (João Veríssimo, Féria Pavão e outros) ou do período de ouro do Grupo de Teatro Lethes (sob a direcção do sempre lembrado dr. Emílio Campos Coroa). Em 1958 foi o imóvel adquirido pelo benemérito farense Eng. Coronel Manuel Aboim Ascensão Sande Lemos que o ofertou à Cruz Vermelha Portuguesa que nele instalou a sua Delegação Regional. Tal provocou o despejo do histórico Spot Lisboa e Faro (hoje Sport Faro e Benfica) e as suas ecléticas actividades. Ceroto é que o Teatro Lethes, nos últimos anos com uma regular acção cénica por via da corajosa criação pelo encenador Luís Avilez da companhia profissional «ACTA». Caro é que há cerca de 150 anos o espaço não recebe intervenções conjunturais o que «ajudou» a «Célia» a provocar os avultados estragos, de modo próprio na zona do palco. É preciso, é urgente, é básico salvar o Teatro Lethes. Impõem-no um dever a que outorgamos de nacional. A Secretaria de Estado da Cultura. a Cruz Vermelha Portuguesa, a Câmara Municipal de Faro, a CCDRA e outras entidades têm que juntar esforços para salvar o Lethes. E já!

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