sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

    CRÓNICA DE FARO
     JOAO LEAL

     MAIS DE «UM MILHÃO» PARA A MINHA RIBEIRA

      Ali nasci e fiquei sempre um «moço da Ribeira». Nasci na Rua Miguel Bombarda, a que vai da Rua Gil Eanes (sempre chamada de «Rua da Parreira) até aos loteamentos da Ria Mar, onde outrora foram as oficinas e outras dependências da C.P.
      Causou-me pois natural júbilo a atribuição pela Câmara Municipal de Faro de uma verba superior ao milhão de euros para obras de «requalificação do bairro ribeirinho». 
        Teve sempre a sua identidade própria, o seu ADN específico a Ribeira, ali à beira - Ria, nela se mirando e num namoro de milénios. Provam-no os vários achados arqueológicos, em nossos dias, havendo muito outro e não menos valioso que prossegue enterrado ou à mercê de obras de construção civil que entretanto se vão realizando. A «Ribeira» de algumas décadas era em vários aspectos bem diferente da actual. Esta verba ora aprovada pela Edilidade vai por certo limpar esta zona citadina dos inestéticos «grafittis» que povoam as suas paredes e dar uma nova e eficiente utilização de vários imóveis públicos que se encontram sem serventia, como é o caso da Alfândega.
       Longe vão os anos em que o «Estica» (pai do José Luís, invisual, pianista e sineiro do Carmo, que percorria toda a cidade no préstimo dos mais diversificados serviços burocráticos) era a fonte de abastecimento dos que iam ou vinham do mar, desde o tratar dos viveiros às artes, hoje proibidas da redinha, do tapa - esteiros ou da merjona às artes de cabotagem até Marrocos e Gibraltar (como esquecer os mestres Rainha, João Tira - a - Força, Caréus, Roques. etc.?), Como longe vão os tempos em que a taberna da D. Maria Benvinda (mais conhecida por «Maria de Almodôvar») era o centro de «animação» da cidade, do Fábrica do Gelo na Travessa da Madalena e onde o moço do nosso tempo o «Espójinho», que outro nome lhe não conhecemos, ou mais acima a «Floresta», curiosa taberna na sua arquitectura ou a oficina de serralheiro do saudoso mestre Zé da  Gordinha ou as vendas e compra de marisco (quase sempre ameijoas) do Marrão, dos irmãos Cabeleiras e do João Custódio, este na Rua da Barqueta. Saudades dessa Ribeira de então onde crescemos, brincámos e nos fizemos gente.
   A verba, o tal mais de «um milhão» está autorizado pelo Município. Que esta verba seja gasta e bem por uma requalificada «Zona do Bairro Ribeirinho», a sempre nossa Ribeira...

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