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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

OS 120 ANOS DA ESCOLA TOMÁS CABREIRA


A Brochura "TOMÁS CABREIRA", uma edição da Escola
Autor: Professor Henrique Freitas Vieira

A Mesa de Honra

Henrique Freitas Vieira, Licenciado em História, Professor da Escola Secundária Tomás Cabreira fez, o lançamento da sua "Brochura", "TOMÁS CABREIRA", sobre a vida e obra do insigne algarvio.


O evento foi efectuado no auditório da Escola no dia 4 de Dezembro pelas 21 horas. Este lançamento insere-se nas comemorações dos 120 anos da Escola.


A Mesa de Honra era composta pelo autor Henrique Vieira, pelo Presidente do Conselho Executivo Dr. Domingos Grilo e pelo Costeleta e Jornalista João Leal, representando a Associação dos Antigos Alunos.


Pela Direcção da Associação estava presente na assistência a Vice-Presidente Isabel Coelho,


Depois das palavras de conveniência proferidas pelos 3 membros da Mesa de Honra, o Professor Henrique Vieira assinou autógrafos.


Tomás António da Guarda Cabreira é o "Patrono" da nossa Escola.




(Fotos da mesa de Honra e do livro)




Rogério Coelho

sábado, 13 de setembro de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA

Apresentamos 3 vídeos da exposição.

Colocado por Rogério Coelho

120 ANOS COSTELETAS

120 ANOS DE HISTÓRIA COSTELETA
por João Brito Sousa

A comemoração foi ontem, de tarde e à noite. e eu estive presente. Organização perfeita, à “costeleta”. Parabéns à rapaziada..

O s momentos altos das comemorações, foram quando,

1 – Se procedeu à entrega dos prémios aos melhores, revelando o grandioso trabalho realizado quer pelo corpo docente quer pelos alunos, tal foram as brilhantes notas obtidas e o enorme número de alunos que as obtiveram. .

2 – O enorme João Leal empunhou a batuta e foi por ali fora recordando.. recordando... recordando... os feitos da brilhante Geração de Oiro da Escola, num discurso a tempo controlado, onde, por falta dele, não se trouxeram à estampa os nomes de Rafael Correia, Marcelino Viegas e Maria José Fraqueza

3 – O Comandante Mário Zambujal arrasou numa palestra esteticamente correcta e de momentos muito belos.

Parabéns ao João e ao Mário a quem proponho a comenda de costeletas de mérito

4 – O meu encontro com o Filipe Viera a quem deixei um abraço.

5 – Momentos altos foram as palavras das entidades oficiais presentes


6 – O PIOR MOMENTO FOI O CONHECIMENTO DA PERDA DO GRANDE COSTELETA MANUEL FAUSTINO MADEIRA


7 – Momento alto foi a noite enquanto se jantou e confraternizou

8 – O óptimo jantar servido

9 – A boa música do Luciano e esposa e do rapaz que tocou a solo

10 –A presença das inconfundíveis manas MAIAS, da incansável ISABEL COELHO, da amiga e pintora MIMI, as presenças da IVETE, da MARIA JOSÉ ROCHETA e de muitas mais colegas.

11 – Momento alto foi a presença do sempre inconfundível ALBERO TRINDADE

12 - Do novo discurso do JOÃO LEAL e das entidades oficias presentes.

13 – Momento alto foi quando eu dancei com a Rosário

14 – MOMENTOS ALTOS FORAM TODOS, AFINAL

15 – Momento alto foi a abertura do baile com o Mestre Mendonça e a Ivete. Espectacular. Parabéns a ambos.
COMEMORAÇÕES


Estivemos todos lá, professores e estudantes
E de uma forma fraterna, amiga e honrada
Provámos a todos que nada será como dantes
E onde estiver um costeleta está uma mão suada.

Porque é aqui nesta Escola que se trabalha e vive
E aqui que o conhecimento se adquire intensamente
É aqui que os professores ensinam e o aluno convive
É aqui nesta Escola que qualquer aluno se faz gente.

Somos todos irmãs os que nesta Escola a frequentámos
E daqui direi que todos uns dos outros nos lembrámos
Acreditando que nós temos boas e grandes condições

Para elevar bem alto o nome da cidade e da cidadania
Caros amigos.. vida é curta e já se passou mais um dia
Que é um dia diferente; e dia delas, das comemorações

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

OS 120 ANOS DA ESCOLA TOMÁS CABREIRA

Última hora

Informamos todos os interessados que a sessão solene marcada para o Teatro Lettes, foi transferida para o Conservatório Maria Campina, à mesma hora.

Rogério Coelho

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

JANTAR DA ESCOLA EM 12 SETEMBRO

ATENÇÃO

O prazo para inscrição no jantar da escola em comemoração dos 120 anos da sua criação, foi alargado podendo ainda, todos os que desejem, inscrever-se.
Basta que se dirijam à Escola e façam a inscrição, e adquiram o respectivo bilhete, na reprografia.
O jantar é no dia 12 de Setembro no AlgarCatering - Senhora Menina.

domingo, 27 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSSA ESCOLA (Final)

PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (XIII)



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Anunciámos, no apontamento anterior, a futura grande reforma do Ensino Técnico, de 1948.
Entrada da EscolaNa realidade, a grande transformação ocorreria em 1947, com a promulgação da respectiva Lei de Bases (Lei 2 025 - D. G. Nº 139, de 19 de Junho). Aí se previa as categorias das diversas escolas, designa-das como técnicas elementares, industriais, co-merciais e industriais e comerciais.
Mas, 1948 é, efectivamente, o ano da sua implementação, com a publicação dos decretos 37 028 e 37 029 (D. G. nº 198, de 25 de Agosto), este último promulgando o Estatuto do Ensino Profissional Industrial e Comercial.
Uma nova fase se inicia na vida da Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira que, embora continuando a funcionar nas velhas instalações e prosseguindo os cursos do Dec. 20 420, de 1931, assiste à abertura da Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, cujos alunos, com o Ciclo Preparatório concluído, receberá a partir de 1950.
Terá esta Escola Sérpa Pinto uma duração efémera: o tempo necessário para a conclusão das obras de adaptação do antigo edifício do Liceu, obras aliás já previstas no atrás citado Dec. 37 028 .
Refira-se, como mera curiosidade, que a cedência deste edifício pela Direcção Geral do Ensino liceal à Direcção Geral do Ensino Técnico Profissional foi formalizada por protocolo celebrado em 26 de Julho de 1948, em que outorgaram, como representantes daquelas Direcções Gerais, respecti-vamente, os Drs. José Ascenso (Reitor do Liceu) e Fernando Carvalho Lima (Director da Escola) ~ o Sr. Mário Afonso, Chefe da Secção de Finanças, em representação da Fazenda Nacional.
Com as obras concluídas, o ano lectivo de 1.952/1.953 marca o início de uma nova etapa na vida da Escola. No remodelado edifício, passam a funcionar o Ciclo Preparatório e os Cursos Gerais (agora equivalentes ao 5º ano Liceal). Serpa Pinto e Tomás Cabreira são remetidos. para o anonimato. O "novo"




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estabelecimento de ensino denominar-se-á Escola Industrial e Comercial de Faro. Só muitos anos mais tarde, já em 1973, a Escola conhecerá novas valências de formação, passando a leccionar os recém-criados Cursos Complementares do Ensino Técnico, equivalentes ao (então) 7º ano dos Liceus.
Com a extinção dos ensinos liceal e técnico profissional, ocorrida após o 25 de Abril de 1974, a Escola readquire o nome do seu antigo patrono, passando, pela Portaria nQ 608/79, de 22 de Novembro, a designar-se, tal como ainda se designa, ESCOLA SECUNDÁRIA DE TOMÁS CABREIRA, EM FARO.


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Terminamos, assim, esta resumida série de apontamentos com que pretendemos satisfazer a curiosidade de muitos colegas que nos formulavam as mais diversas perguntas sobre a vida da nossa Escola.
Fizemo-lo com muito entusiasmo. Um entusiasmo com que, de algum modo, procurámos superar a nossa falta de preparação para trabalhos desta índole. Que nos perdoem os leitores d' «o Costeleta" qualquer inexactidão ou referência menos explícita.

Franklin Marques

sexta-feira, 25 de julho de 2008

OS 120 AN0S DA NOSSA ESCOLA (continuação)



PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (XII)

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o apontamento anterior deixou-nos no ano de 1930, aquele em que a Escola adquiriu a denominação por que tantos de nós a conhecemos: Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira.
Dispensamos, a partir de agora, as consultas de certo modo exaustivas a que temos vindo a proceder, já que a alteração mais significativa na vida da Escola apenas ocorrerá com a grande reforma de 1948, de que falaremos no próximo número.
Até lá, registamos apenas que, no quadro dos cursos ministrados na Tomás Cabreira, definido pelo Decreto nº 18 420, de Junho de 1930, a que anteriormente nos referimos, a alteração mais significativa foi a substituição do Curso de Costura Caseira pelo Curso de Costura e Bordados, ocorrida, a par de outras menos relevantes alterações (composição curricular e carga horária dos cursos), por força de uma nova (mais uma e tão pouco tempo após a anterior!) "organização do ensino técnico profissional' consignada no Decreto nº 20 420, de Outubro de 1931.
Realçamos este diploma legal por ter sido no seu enquadramento que tantos Costeletas, hoje nossos Associados, iniciaram e/ou concluíram os seus cursos. Referimo-nos, obviamente, àqueles que se matricularam na Escola entre 1931 e 1947, em qualquer dos cursos ali ministrados: Serralheiro (5 anos), Carpinteiro (novamente, 5 anos), Costura e Bordados (4 anos) e Comércio (3 anos). (1) ... "
Ora, quem nos lê, e conheça a exiguidade das instalações escolares de então - as do Largo da Sé e da Rua do Município - pensará, certamente, que o funcio-namento de cursos tão diversos apenas seria possível em função de um redu-zido índice de frequência. Nada demais errado.

Conforme pudemos apurar (e confessamos que com grande surpresa), no penúltimo ano de vigência do referido Decreto nº 20 420, (ano lectivo de 1946/47) a Escola era frequentada (pasme-se!!!) por quase ... um milhar de alunos!!! Para sermos mais precisos, exactamente por 954, repartidos pelos cursos diurnos (766) e nocturnos (188).


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Perguntar-se-á como era possível alojar tanta gente em tão reduzido espaço. Talvez por milagres do Dr. Fernando Carvalho Lima (e seus antecessores), talvez pela boa vontade dos professores, talvez pela grande capacidade de adaptação às mais difíceis situações dos alunos da época, habituados como estavam a outras com que se haviam já deparado na vida ...

(1) É de admitir que alguns destes cursos não tenham, de imediato, entrado em funcionamento nos moldes então definidos pois, ainda em 1934, um jornal/ocal inseria um anúncio de matrículas em que era oferecido aos candidatos o Curso de Costura Caseira" e não "Curso de Costura e Bordados". Porquê???
NAQUELE TEMPO
A Indústria fncionava no Largo da Sé – O Comércio na rua do Municipio

Franklin Marques

quinta-feira, 24 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)

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PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (XI)

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Prosseguindo a nossa "caminhada" pelos Diários do Governo, deparámo-nos com um longo deserto em matéria legislativa que, de modo específico, à nossa Escola dissesse respeito.
Com efeito, para além do diploma de 1921 que atribuiu o nome de Tomás Cabreira à Escola Comercial de Faro, de que demos notícia no apontamento anterior, nada mais de relevante encontrámos ao longo da década de 20.
Diga-se, contudo, em abono da verdade, que foi publicada legislação de âmbito geral de muito interesse para os ensinos industrial e comercial, mais propriamente para este úlltimo.
A título de curiosidade, registamos, por exemplo, os decretos de 1924 que estabelecem, um deles "o ensino da educação física nas escolas elementares de ensino industrial e comercial" e outro que "determina que em todas as escolas dependentes do Ministério (Comércio e Comunicações) sejam instalados grupos de escoteiros de Portugal".
São curiosas estas determinações. Quanto à educação física, não imaginamos um espaço para o seu funcionamento nas instalações da Escola, tal como as conhecemos nos anos 40... Quanto ao grupo de escoteiros de Portugal, lembramo-nos de um sediado na Rua Monsenhor Boto (entre "o comércio" e "a indústria"). Teria alguma relação com a determinação legal?.
No que respeita ao ensino comercial, não poderemos deixar de referir uma Lei de 1925, que reestrutura este ensino, aumentando de três para quatro o número de anos de duração do curso e fixando a distribuição das suas 11 disciplinas por cada um dos anos, com indicação das respectivas cargas horárias semanais. Entremos, agora, na década de 30. Logo no seu primeiro ano, com o ensino técnico profissional novamente sob a tutela do Ministério da Instrução Pública, o Decreto nQ 18.420, procede a mais uma organização deste ensino.
Trata·se de um diploma extremamente longo, reunindo algumas centenas de artigos, de que destacamos, por nos interessar directamente, o seguinte:
"Art. 363º - São fundidas as escolas de artes e ofícios de Pedro Nunes e comercial de Tomás Cabreira, de Faro, constituindo uma só escola industrial e comercial."


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A Escola resultante desta fusão passaria a denominar-se, tal como muitos de nós nos recordamos, Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira.
Também a titulo de curiosidade, registe-se que Pedro Nunes não foi esquecido, pois o seu nome foi atribuído à Escola Industrial e Comercial de Águeda. Consideramos este decreto de grande importância para o ensino ministrado na nossa Escola, particularmente o industrial. (Pensamos, até, que, desde a fundação da Escola, em 1888, o ensino industrial aqui ministrado teve sempre um carácter eminentemente prático, havendo mesmo cursos que admitiam a sua frequência por indivíduos analfabetos). Este diploma altera significativamente o panorama anterior, já que os cursos agora introduzidos - serralheiro (5 anos), carpinteiro (4 anos), costura caseira (4 anos), não obstante as suas fortes componentes oficinais, (que chegam a atingir as 24 horas de aulas semanais no 4º ano do curso de carpinteiro), incluem, agora, disciplinas de natureza mais intelectual. Apenas o curso de comércio nos parece retroceder quer em termos de duração (novamente 3 anos) quer na sua composição curricular, que se apresenta reduzida relativamente à definida em 1925

Franklin Marques

quarta-feira, 23 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (Continuação)

PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (X)
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Vimos, no apontamento anterior, que da "divisão" da Escola Industrial e Comercial de. Pedro Nunes resultou a criação, em Faro, dos seguintes estabelecimentos de ensino:
Escola de Carpintaria e Trabalhos Femininos, de Pedro Nunes; Escola Comercial de Faro;
Aula Comercial de Faro.
Relativamente à primeira, inserida na categoria das escolas genericamente designadas por Escolas de Artes e Ofícios, entendêmo-Ia como promotora de um ensino industrial de feição essencialmente prática, tanto mais que as chamadas Escolas Industriais continuaram a existir com currículos muito mais avançados. Como do seu próprio nome se depreende, a Escola Pedro Nunes apenas preparava jovens (e adultos, também) para o desempenho das artes de carpintaria e de trabalhos femininos, aprendizagens que eram complementadas com aulas de desenho aplicável.
Relativamente à sua organização, é de salientar a flexibilidade que lhe era concedida pois, nos termos do Regulamento das Escolas de Artes e Ofícios, «O plano de ensino, sua duração e programas do curso serão variaveis segundo as localidades onde forem estabelecidas a arte ou o ofício a que se destinarem, e constituirão matéria que devera ser essencialmente regulamentada por cada uma delas».
(O sublinhado é nosso, pois parece-nos estar perante uma orientação pedagógica estabelecida nos nossos dias, quando tanto se fala na flexibilização dos currículos, de modo a que a escola se adapte às condições socio-económicas do meio em que se insere).
Todavia, o mesmo não sucedia com a Escola Comercial, cujo curso tinha a duração de três anos, com definição da carga curricular de cada um deles e com programas fixados a nível nacional.
Da Aula Comercial nada encontrámos digno de registo. Teria ela, de facto, funcionado paralelamente à Escola Comercial? Aceitamos essa probabilidade, tendo em consideração que o seu objectivo essencial era «formar caixeiros de balcão». E terminamos o apontamento de hoje trazendo à estampa o diploma legal em que, pela primeira vez (já no ano de 1921), nos aparece o


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nome de Tomás Cabreira, atribuído, como se verá, à até então designada Escola Comercial de Faro.
Aqui fica, reproduzido na íntegra:

«MINISTÉRIO DO COMÉRCIO E COMUNICAÇÕES
Direcção Geral do Ensino Industrial e Comercial
Portaria nQ 2.576

«Tendo em atenção o sentir de todos os intelectuais do Algarve e o que representou o Conselho Escolar da Escola Comercial de Faro para que a essa Escola fôsse dado o nome do insigne economista e ilustre professor algarvio Tomás António da Guarda Cabreira: manda o Govêrno da República Portuguesa pelo Ministro do Comércio e Comunicações, que a Escola Comercial de Faro passe a denominar-se Escola Comercial de Tomás Cabreira.
Paços do Govêrno da República, 17 de Janeiro de 1921. - O Ministro do Comércio e Comunicações, António Joaquim Ferreira da Fonseca.»
Franklin Marques

terça-feira, 22 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)


PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (IX)

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Quando, em 1914, com a criação do curso de comércio, a Escola adquiriu a desig­nação oficial de Escola Industrial e Comercial de Pedro Nunes, pensámos que esta­ria definido um estatuto institucional que o futuro pouco poderia alterar.
E esta suposição viria a consolidar-se quando, dois anos mais tarde, um novo "regulamento da organização do ensino elementar industrial e comercial'. então publicado, em nada alterou as valências atribuídas à Escola, mantendo-lhe a deno­minação e definindo os cursos a ministrar e o respectivo quadro docente.
Eis senão quando, já em 1918, a Secretaria de Estado do Comércio, que entretanto passara a tutelar este tipo de ensino, faz publicar um novo diploma que altera radicalmente o anterior. (*)
E a Escola desagrega-se. Separam-se os cursos de natureza industrial dos orien­tados para a actividade comercial e, em vez de um único, são criados 3 (três!!!) estabelecimentos de ensino, a saber:
- Escola de Artes e Ofícios, de Pedra Nunes;
- Aula Comercial;
- Escola Elementar de Comércio.
Porém, urna rectificação a este diploma, saída cerca de um mês após a sua publi­cação, viria alterar a designação deste último estabelecimento para Escola Comer­cial de Faro mas mantendo, em paralelo, a Aula Comercial.
Interrogamo-nos sobre o efectivo funcionamento desta Aula Comercial, pois não lhe encontrámos qualquer referência em legislação posterior, designadamente no decreto que fixa os quadros de pessoal da "Escola de Artes e Ofícios" (ali referida corno "Escola de Carpintaria e Trabalhos Femininos de Pedro Nunes, de Faro') e da "Escola Comercia! de Faro".

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Pensamos que, com esta "organização", o nível do ensino industrial ministrado em Faro terá sofrido um considerável retrocesso, pois os cursos das escolas de


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artes e ofícios eram de natureza tão elementar que poderiam, até, admitir a matrícula de indivíduos analfabetos.
O próprio quadro docente fixado não permite, aliás, outra inferência, pois era exclu­sivamente composto por um professor de Desenho, um mestre de carpintaria e uma mestra de trabalhos femininos.
Temos, no entanto uma opinião muito favorável quanto ao ensino comercial, a partir daí implementado. O curso das escolas comerciais, com a duração de três anos, comportava já um elenco de disciplinas de indiscutível valia. Se não, vejamos:
1. língua pátria; 2. Língua francesa; 3. Língua inglesa; 4. Aritmética comercial; 5. Elementos de teoria do comércio, de direito comercial e de economia política; 6. Geografia comercial, vias de comunicação e transportes; 7. Escrituração e conta­bilidade comercial; 8. Noções de tecnologia de mercadorias; 9. Trabalhos práticos de Caligrafia, Estenografia e Dactilografia.
Ficamo-nos por este ano de 1919. Como evoluirá a Escola daqui em diante? Procu­raremos responder a esta questão em futuros apontamentos.
(*) Os que se interessam por questões relacionadas com o ensino em Portugal encontrarão, no "RELATÓRIO" que faz parte deste diploma (Decreto nº 5:029) D.G. n" 263 (I Série), de 5 de Dezembro de 1918, um extenso historial da evolução do ensino industrial e comercial.


Franklin Marques

segunda-feira, 21 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)

Mario Lyster Franco
1931


PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (VIII)

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1914! Um ano tragicamente assinalado na Histó­ria da Humanidade - o do início do sangrento conflito que foi a I Guerra Mundial, do qual muitos de nós ainda pudemos ouvir relatos, feitos, por exemplo, pelo saudoso professor de "Noções", José de Sousa Uva Júnior (o Zé da Uva), que fora combatente em França.
Mas 1914 foi um ano particularmente marcante para a nossa Escola, com a criação, na mesma, do "curso elementar de comércio",
Tratava-se de um curso que já funcionava (tanto quanto julgamos saber), pelo menos desde 1891, apenas em duas "escolas elementares de commercio", localizadas uma em Lisboa e outra no Porto, embora posteriormente (talvez a partir de 1901), fosse admitida a possibilidade de funci­onamento, nas·"escolas industriaes", da discipli­na de "noções geraes de commercio, escritura­ção e calculo commercial", disposição de que, aliás, não nos foi dado beneficiar.
1914 é, pois, o ano de um "salto qualitativo" no estatuto da nossa Escola que passa, a partir de então, a designar-se "Escola Industrial e Comercial de Pedro Nunes - em Faro".
A introdução, na Escola, do curso de comércio constituiu, inegavelmente, uma medida muito positiva, mas o seu funcionamento foi de tal modo sujeito a restri­ções de ordem orçamental, que o respectivo Decreto de criação previa já que a maior parte das disciplinas do plano curricular (cinco, num total de seis) poderia ser regida por professores do Liceu locaL.,

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E terminamos o apontamento de hoje com uma nota de curiosidade, talvez grata a muitos de nós.
Diversas cerimónias têm assinalado, neste ano de 2002, o centenário do nasci­mento de Mário Lyster Franco, um farense notável, distinto escritor, jornalista, advogado, presidente da Câmara Municipal e ... professor da nossa Escola.

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E a curiosidade é esta: Talvez pelo facto de seu pai, o pintor Carlos Augusto Lyster Franco, ser, naquele ano de 1914, o Director da Escola, o jovem, então com 12 anos, Mário Augusto Barbosa Lyster Franco foi o primeiro aluno matriculado no curso elementar de comércio recém criado!!!


Franklin Marques

domingo, 20 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)


PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (VII)

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Eis-nos chegados a 1913. A Escola Pedro Nunes conta, agora, um quarto de século de existência.
Como evoluiu, entretanto?
Pensamos que de forma pouco relevante. Com efeito, embora tivesse ganho o estatuto de escola industrial, mantemo-nos convictos de que, até agora, não ministrou qual­quer outro curso senão o de desenho industrial, embora complementado com os trabalhos oficinais de carpintaria e lavores femi-ninos.
E continuamos a basear a nossa convicção no facto de os poucos despachos sobre movimentos de docentes que fomos encontrando se reportarem exclu-sivamente a pro­fessores de desenho, nas três modalidades aqui leccionadas: desenho geral, dese­nho mecânico e desenho ornamental.
Será que a situação irá alterar-se nos próximos tempos?

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Ora, como pudemos constatar, pelos apontamentos anteriores, as escolas de ensino elementar industrial e comercial funcionavam sob tutela do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, o qual, com a implantação da República, em 1910, se passou a designar Ministério do Fomento, em cuja esfera de acção este ensino conti­nuou incluído. E só bastante mais tarde, já nos finais de 1913, é que transitaria para o novo Ministério de Instrução Pública, entretanto criado, e no qual haviam já sido enqua­drados, entre outros, o ensino primário e o ensino liceal.
Registamos uma preocupação imediata do Governo de então, ao fazer publicar um diploma em que pode ler-se:
«Reconhecendo a necessidade de reorganizar, sobre novas bases, o ensino ele­mentar industrial e comercial professado nos estabelecimentos dependentes do Ministério de Instrução Pública: manda o Govêrno da República Portuguesa, pelo Ministro de Instrução pública que uma comissão composta dos seguintes cidadãos ( ... ), proceda à elaboração das referidas bases, indicando quais os melhoramentos urgentes a introduzir nas escolas de desenho industrial, preparatórias, industriais e
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elementares de comércio (...)”.
Que benefícios poderemos esperar desta "necessidade de reorganização", relativa­mente à Escola Industrial Pedro Nunes?
Ê o que procuraremos poder explicar seguidamente. Todavia... não esquecere-mos que, desde 1891, designadamente em 1897, 1901, 1907 e 1912, com idêntica motiva­ção, foram publicados diplomas semelhantes, cujos resultados práticos nunca pude­mos encontrar...


Franklin Marques

sábado, 19 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)




PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA – (VI)
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A Pedro Nunes

Escola (efectivamnente) Industrial? Desde quando?

Estamos nos finais de 1908. Em 13 de Junho deste ano, a Escola Pedro Nunes celebrou o seu 20° aniversário. E nós lá fomos percorrendo as páginas dos Diários do Governo de todos esses 20 anos, em busca de tudo o que pudesse revestir-se de interesse "Para a História da Escola". Pouco poderemos, hoje, acrescentar ao que referimos em notas anteriores.
Com efeito, não encontrámos, até agora, qualquer elemento que nos pudesse garantir que a Escola, embora oficialmente designada "industrial" desde 1891, tivesse ministrado qualquer outro curso que não o de desenho industrial.
Detenhamo-nos no quadro de pessoal docente fixado em 1897, que já aqui reproduzimos.
Para além de um mestre de Carpintaria e de uma mestra de Lavores Femininos, integravam-no três professores, todos eles da área do Desenho:
- Alfredo Carlos Franco de Castro - Desenho Elementar;
- Adolpho Haussmann - Desenho Ornamental e Modelação;
- José Francisco Marques - Desenho Mecânico.
E este quadro docente permaneceria (tanto quanto nos é possível afirmar) até ao ano de 1908 em que, como dissemos, nos situamos, neste momento de buscas. Houve, obviamente, algu­mas alterações de nomes (falecimentos, transferências), mas não detectámos qualquer nomea­ção de professores para as restantes disciplinas do elenco curricular do curso industrial ­profissional aqui criado em 1897: Língua Portuguesa, Aritmética e Geometria e Princípios de Física e Química.
Escola (efectivamente) industrial? Desde quando? Uma dúvida que subsiste. Daí, a razão do subtítulo deste apontamento.

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A título de curiosidade, deixamos aqui alguns casos de mobilidade de docentes, que conse­guimos respigar:
- Em 1904, António Ezequiel Pereira, que exercia em Ponta Delgada, é nomeado para a vaga deixada pelo falecimento de A{fredo Carlos Franco de Castro (O

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primeiro Director da Esco­la);
- Em 1906, a propósito de uma licença concedida a José Francisco Marques, encontramos uma referência à sua condição de Director (Teria sido o segundo?);
- Em 1907, o mesmo professor é transferido para Setúbal, enquanto Carlos Augusto Lyster Franco (que muitos de nós ainda conheceram em plena actividade docente), aprovado em concurso de provas públicas desde 1905, é nomeado para a vaga por ele deixada.
(Teria Lyster Franco sido o terceiro Director da Escola? Cremos que sim. Procuraremos confirmá-lo.)




Franklin Marques

quinta-feira, 17 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)


PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (V)

Resumo dos apontamentos anteriores:
1888 - A Escola é criada como "escola de desenho industrial";
1891 - A Escola é incluída no quadro das "escolas industriaes elementares”;
1897 - A Escola passa a designar-se, apenas, "industrial".

Deixemos para trás o Séc. XIX e os 9 anos de existência da Escola Pedro Nunes, marcados pela publicação de sucessivos diplomas, de um modo geral sob a denomi­nação de «organização (às vezes reorganização) do ensino industrial elementar e commercial”.,

Ora, logo no primeiro ano do Séc. XX (1901), o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, que tutelava as escolas de cariz profissional, particularmente vocacionadas para o aperfeiçoamento de operários, faz publicar,. no Diário do Governo nQ 295, de 30 de Dezembro, um novo diploma, com objectivos em tudo idênticos aos já aqui referi­dos, mas sem qualquer substancial relevância para a Escola Pedro Nunes. Com efei­to, são mantidos os cursos (o de desenho industrial e o profissional) com que a Escola fora, até então, contemplada. E, tal como sucedera em 1897, uma vez mais é estipulado que «o provimento das cadeiras e a installação das officinas que faltarem para completar as indicadas (...) só poderá ter logar á medida que as necessidades do ensino o aconselhem, depois de auctorizada no orçamento da despesa do Estado a respectiva verba».

E, novamente, por força de uma outra disposição deste diploma, são fixadas as disci­plinas que "transitoriamente" funcionariam na Escola Pedro Nunes, as quais, em boa verdade, estavam longe de cobrir toda a componente curricular do curso profissional. A título de curiosidade indicamos, seguidamente, as disciplinas com que os nossos colegas do final do Séc. XIX/princípio do Séc. XX "tinham de se haver', bem como a constituição do

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Quadro Docente da Escola:

Professores :
Alfredo Carlos Franco de Castro
(Director)
Professor efectivo
Disciplina: - Desenho Elementar
Adolpho Haussmann

?
Disciplina: - Desenho ornamental e modelação
José Francisco Marques
Professor auxiliar
Disciplina: - Desenho mecânico

Mestres :
António Caetano dos Reis
Oficinas: -Carpintaria
Laura Gonçalves
Oficinas: -Lavores femininos


Franklin Marques

quarta-feira, 16 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)





PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (IV)

Resumo dos apontamentos anteriores:
1888:.... A Escola é criada, como "escola de desenho industrial", tendo por patrono Pedro Nunes";
1891- A Escola é incluída no quadro das "escolas industriaes elementares",
Situemo-nos, agora, no ano de 1893. Um novo diploma introduz algumas alterações, sem qualquer relevância para a Escola Pedro Nunes, ao decreto de 1891.
Nas buscas efectuadas encontrámos, seguidamente, um decreto de 1897, publicado no Diário do Governo nº 283, do dia seguinte, visando, uma vez mais, a reorganização das "escolas industriaes e de desenho industrial".
Transcrevemos:
Art. 1º As escolas industriaes e de desenho industrial são estabelecimentos de instrucção para operarios e aprendizes de ambos os sexos.
Art. 2º As escolas têem por fim ministrar o ensino do desenho e os conhecimentos theoricos necessarios a operarios e aprendizes, bem como o ensino profissional com­pleto.
Art. 3º As escolas são:
a) De desenho industrial;
b) Industriaes.
Art. 4º Os cursos ministrados nas escolas são:
a) De desenho industrial;
b) Profissional;
c) Industrial.
Art. 5º São Escolas industriaes aquellas onde forem ministrados todos os cursos indi­cados no artigo 4º ou somente o curso profissional ou industrial com o de desenho industrial.
Art. 17º Segundo a classificação dos artigos 5º e 6º, são industriaes ( ... ) as designadas no seguinte quadro:


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Escolas industriaes
Sedes: - Faro
Nomes: - Pedro Nunes
Cursos: - Desenho Industrial = Profissional
Disciplinas I - Desenho elementar
II - Desenho

a) Mecânico

c) Ornamental e Modelação
III - Língua Portuguesa

IV - Aritmética e Geometria
VII - Principios da Phisica e Chimica

Oficinas: - Carpintaria - Serralharia - Marcenaria - Cordoaria e aparelhos de pesca - Lavores Femininos

Art. 18º As disciplinas e officinas que começam a funcionar desde já, são, por escolas, as que constam do quadro anexo a este decreto.
§ 1º Só serão providas as cadeiras e installadas as officinas que faltarem para comple­tar os differentes cursos, mediante auctorização legislativa, á medida que as necessi­dades do ensino o aconselhem e uma vez que seja inscripta no orçamento do estado a verba para esse fim necessaria.»
(Transcrição, na parte que interessa, do quadro referido no Art. 18º):
Pedro Nunes

Disciplinas: I.
II (b) e (c)
Officinas: Carpintaria - Lavores femininos

ooooOooo

E aqui temos um novo enquadramento da Escola Pedro Nunes, que muda a sua ante­rior designação de "industrial elementar" para, simplesmente, "industrial", visto ser abrangida pelo disposto no artº 5º.
Todavia, se compararmos a doutrina do art2 17º (Quadro) com as restrições impostas pelo artº 18Q, será legítimo interrogarmo-nos sobre se teria funcionado na Escola, por força do presente diploma, algum outro curso que não o de desenho industrial. Repare-se no número de disciplinas e de oficinas cujo início de funcionamento é prote­lado.


Franklin Marques

terça-feira, 15 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)

PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (III)

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Antes de mais, queremos deixar aqui registada a nossa falta de formação no campo da investigação documental à qual, certamente, não serão indiferentes eventuais lapsos, omissões e (quem sabe?), até mesmo incorrecções. É, pois, provável que alguma documentação com interesse se nos "escape". Com esta limitação e sem preocupações de ordenação cronológica, propomo-nos, no entanto, continuar a levar aos Costeletas "aquilo" que se nos for deparando.
Nos apontamentos publicados nos dois últimos números d' «o Costeleta», deixámos a certeza (documentada) do início da nossa Escola. 1888 foi, sem qualquer dúvida, o ano da sua criação, sob a designação de escola de desenho industrial Pedro Nunes.
Ora, esta modalidade de ensino - o desenho industrial - terá sido implementada no ano de 1883, como "um nível de ensino nitidamente inferior" ao previsto para as primeiras escolas industriais que, também nesse ano, iniciaram o seu efectivo funcionamento, não obstante terem sido criadas quase 20 anos antes - em 1864.
Depois da portaria e do decreto já aqui publicados, referiremos, hoje, um outro diploma: um decreto do Ministério das Obras Públicas, saído no Diário do Governo n° 227, de 9 de Outubro de 1891. Trata-se de um documento que comporta um extenso Regulamento sobre a "Organisação do ensi­no industrial e commercial", do qual transcrevemos:
“Art. 87º As escolas industriaes são:
a)completas;
b)incompletas; e
c) elementares ............... »
A escola Pedro Nunes aparece-nos incluída nesta terceira categoria, aquela em que se inserem as escolas que professam «unicamente o ramo de ensino de desenho industrial ou este e o officinal technico».
Com esta designação - industrial elementar - não nos parece que se tenha introduzido qualquer relevante alteração ao anterior estatuto da escola.
O que reputamos de maior interesse no presente decreto é o facto de o respectivo articulado nos permitir conhecer a composição curricular do curso (ou cursos?) aqui ministrado, o que, até agora, não tínhamos encontrado em qualquer diploma legal.

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No que se refere ao desenho, ele comportava as seguintes modalidades (disciplinas):
4. Desenho elementar Classe I - preparatória
Classe II - complementar
5. Desenho "architectonico" Classe I - desenho artístico e modelação
Classe Il - desenho "technico"
6. Desenho ornamental Classe I - desenho de ornato e modelação
Classe Il - composição ornamental
Pensamos, com alguma fundamentada convicção, que estas modalidades de desenho industrial esta­vam relacionadas com a indústria de construção naval, tanto mais que, quanto às anteriormente previstas "pequenas officinas", este documento consignava:
«.Art. 95" As escolas em que ficam estabelecidas officinas, privadas ou contratadas, de ensino technico, são as seguintes:
... ... ...
C) Escolas industriaes elementares
... ... ...
17º Pedro Nunes, Faro
a) Carpintaria naval
b) Poliame
Fica-nos, no entanto, a dúvida sobre se estas oficinas já existiriam desde a criação da escola em 1888, ou se tiveram início apenas a partir da publicação do decreto que hoje aqui trouxemos.Para quem, eventualmente, desconheça o termo, informamos que o Dicionário da Porto Editora regista: “Poleame, s.m. conjunto das polés, roldanas, mou-tões, sapatas, andorinhas, etc. que se empregam para passagem dos cabos nauticos (De polé).

Franklin Marques

segunda-feira, 14 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA (continuação)


PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (II)
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Lembrar-se-ão, por certo, que terminámos o anterior apontamento com a afirmação de que a Escola foi "baptizada" mesmo antes do seu "nascimento".
Ê, na verdade, uma situação insólita para a qual não encontramos explicação e que constituiu um grande quebra-cabeças, quando nos propusemos desvendar as "nossas" origens. Se não, vejamos:
Como, também, certamente, estarão recordados, o Decreto que criou, em Faro, uma "escola de desenho industrial" foi assinado pelo Rei D. Luís em 13 de Junho de 1888. Mas a sua publicação só se verificaria no Diário do Governo n° 185, de 16 de Agosto daquele ano. Ora, o primeiro diploma legal que se nos deparou (Diário do Governo n° 93, de 24 de Abri!), quando das buscas que efectuámos na legislação de 1888, foi a seguinte Portaria:
"MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS
PORTARIA
Direcção geral do commercio e industria
2ª Repartição
Industria
Tendo subido á presença de Sua Magestade EI-Rei o offício em que o inspector das escolas industriaes e de desenho industrial da circumscripção do sul propõe que, em homenagem á memoria e ao nome de pessoas que em Portugal iIIustram os annaes das sciencias, artes e industrias, ou a quem estas têem merecido auxilio e protecção, se dê por titulo ás escolas recentemente creadas o nome d'aquelles que mais se têem elevado; n'este instituto: O mesmo augusto senhor ha por bem, conformando-se com a referida proposta, determinar que ás alludidas escolas se dêem os seguintes nomes:
Escola em Peniche «Rainha D. Maria Pia», em Setubal "Princeza D. Amelia», em Leiria «Domingos de Sequeira», em Faro "Pedro Nunes» ..
O que, pelo ministerio das obras publicas, commercio e industria; se communica para os devidos effeitos ao mesmo inspector.
Paço, em 23 de abril de 1888 = Emygdio Julio Navarro.
Para Francisco da Fonseca Benevides, inspector das escolas industriaes e de desenho industrial da circumscripção do suL"
"Escolas recentemente creadas" -- é o que aqui se pode ler. Mas... "creadas" quando e como? Anteriormente, por certo; embora... talvez apenas no espírito
4
do legislador ou nas intenções dos governantes... Comparemos as datas. E, facilmente, verificaremos que a data da assinatura da “certidão" de "baptismo" com o nome de Pedro Nunes (23 de Abril) antecede, em quase dois meses, a data da assinatura da "certidão" de "nascimento" (13 de Junho).
Propomos que os mais curiosos tentem desvendar este enigna. Nós já o fizemos. Mas sem qualquer resultado esclarecedor.

por Franklin Marques

Colocado por Rogério Coelho

domingo, 13 de julho de 2008

OS 120 ANOS DA NOSSA ESCOLA


Para todos os "Costeletas" que não recebem o nosso Jornal "o Costeleta", começamos a inserir no nosso "Blogue", os 13 folhetins publicados no "o Costeleta", da autoria do saudoso Professor Franklin Marques, com o título PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA.

O momento em que a nossa Escola vive, nas comemorações das suas 12 décadas, achamos uma altura própria para revermos este belo trabalho e. ao mesmo tempo, dar a conhecer a todos aqueles "Costeletas" que não são associados.

Rogério Coelho

PARA A HISTÓRIA DA NOSSA ESCOLA (I)
1
Temos a certeza .. Podemos, até, garantir que nenhum de vocês conheceu "nos bancos da escola", o nosso colega Caetano Alberto Boaventura Frasão Alves ...
Pois é. É que ,este "moçe", natural de Lisboa, foi o 1° (leram bem, o primeiro) aluno daquela Casa. Lá está estampado, preto no branco (um.branco muito amarelecido pelo tempo), o seu termo de matrícula lavrado no distante dia 12 de Setembro de 1888!!! E o velho livro não deixa lugar para dúvidas. Na etiqueta (embora muito carcomida pelas traças) ainda é possível ler, com toda a nitidez: "livro de matrícula nº I".
Notem, no entanto, que falamos de primeiro livro. de matrículas da escola de desenho intlustrial “Pedro Nunes” (como então se escrevia), um livro que, numa destas manhãs, juntamente com dois elementos do Conselho Executivo, professores Domingos Grila e Cristiano Costa, fomos "desencantar" na amálgama de velha documentação arquivada em bafienta cave da Escola.
Um achado que, a par de uma outra pista que já possuíamos (ver o «Costeleta» nº 10, de Abril de 1994), nos transmitiu uma quase certeza: a nossa Escola (sim, a nossa, parque a "Pedro Nunes” foi a sua mais remota antecessora) teria funcionado, pela primeira vez, no ano de 1888. Era uma suposição, de algum modo fundamentada, mas que carecia de uma comprovação inequívoca e essa só a poderíamos encontrar na legislação da época.
Procurámos. E encontrámos. A nossa Escola foi criada, por decreto real, em 13 de Junho de 1888. Completará, no próximo dia de Santo António, 113 anos de vida!
Para os mais curiosos aqui fica a transcrição, na íntegra, desse Decreto:
“MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS
. DECRETO '
Usando da auctorisação concedida ao governo pelo decreto, com força de lei, de 20 de dezembro de 1864, e visto o disposto no § unico do decreto de 3 de janeiro de 1844; hei por bem decretar o seguinte:
Artigo 1°. E creado uma escola de desenho industrial em cada uma das seguintes localidades: Bragança, Faro, Figueira da Foz, Leiria, Setubal, Vianna do Castello e Vila Real.
§ unico. Estas escolas terão por fim ministrar o ensino do desenho com applícação á industria ou industrias predominantes na localidade ...
Art. 2°. Cada uma das escolas de que se trata terá um professor provido em harmonia com o que preceitua o § unico do artigo 4° do decreto de 3 de janeiro de 1884.
Art. 3°. Junto de cada uma das referidas escolas serão estabelecidas as pequenas officinas necessarias para o ensino manual dos alumnos.
2

Art. 4°. Será inscripta no orçamento do estado para o anno economico de 1888-1889 a verba necessaria para a dotaçãa e pessoal das escolas creadas por este decreto.
Os ministros e secretarios d'estado dos negocias da fazenda e das obras publicas, commercio e industria, assim a tenham entendido e façam executar. Paço, em 13 de junho de 1888. = REI. = Marianno Cyrillo de Carvalho == Emygdio Julio Navarro”.
Leram bem? Talvez ficassem intrigados por não encontrarem qualquer referência à designação “Pedro Nunes” ... não é verdade?
É que a nossa Escola. logo no seu início, assenta numa situação invulgar: foi "baptizada" antes do "nascimento"... Mas isso é assunto para o próximo "folhetim” !


Franklin Marques


colocado por Rogério Coelho

sábado, 12 de julho de 2008

AS COMEMORAÇÕES DA NOSSA ESCOLA

Com um currículo tão rico, um grande militar e uma carreira académica e política invulgar do seu tempo, injusto seria não falarmos daquele que foi, e ainda é, o Patrono da nossa Escola.
Foi Ministro das Finanças e com cerca de dezassete livros que publicou foi um Algarvio dos que mais se notabilizaram, mas esquecido durante anos. Será que, se lermos a sua obra: “O Algarve Económico”, encontraremos resposta para este silêncio?

Tomás Cabreira foi um regionalista convicto, grande amigo da sua terra, Tavira, defendeu, por escrito, a autonomia administrativa do Algarve. E este facto, por não ser do agrado do então Estado Novo, estará na origem do esquecimento deste grande Algarvio e nosso Patrono.

É nosso dever sensibilizar toda a comunidade, e principalmente todos os Costeletas, para a obra e para a vida do Patrono da nossa Escola. É um dos objectivos que nos propomos, na nossa colaboração com a Escola Secundária de Tomás Cabreira, para as comemorações dos 120 anos da nossa Escola (início do Ensino Artístico em Faro), os 100 anos do edifício e os 90 anos do falecimento do nosso Patrono.
Solicitamos que todos contribuam, com algo escrito, sobre o nosso Patrono para publicarmos neste nosso BLOGUE.

As comemorações serão efectuadas no dia 12 de Setembro próximo, com exposição na Escola das 12 década do ensino técnico em Faro; sessão solene no Teatro Lettes e um jantar convívio na Quinta da Senhora Menina.

Lembramos, a todos os interessados no jantar convívio, que as inscrições serão respeitadas pela ordem de chegada, uma vez que o restaurante tem 400 lugares. No acto da inscrição será entregue um ingresso numerado.

AS COMEMORAÇÕES DA NOSSA ESCOLA

Tomaz António da Guarda Cabreira
(Patrono da nossa Escola)


Com um currículo tão rico, um grande militar e uma carreira académica e política invulgar do seu tempo, injusto seria não falarmos daquele que foi, e ainda é, o Patrono da nossa Escola.
Foi Ministro das Finanças e com cerca de dezassete livros que publicou foi um Algarvio dos que mais se notabilizaram, mas esquecido durante anos. Será que, se lermos a sua obra: “O Algarve Económico”, encontraremos resposta para este silêncio?

Tomaz Cabreira foi um regionalista convicto, grande amigo da sua terra, Tavira, defendeu, por escrito, a autonomia administrativa do Algarve. E este facto, por não ser do agrado do então Estado Novo, estará na origem do esquecimento deste grande Algarvio e nosso Patrono.

É nosso dever sensibilizar toda a comunidade, e principalmente todos os Costeletas, para a obra e para a vida do Patrono da nossa Escola. É um dos objectivos que nos propomos, na nossa colaboração com a Escola Secundária de Tomás Cabreira, para as comemorações dos 120 anos da nossa Escola (início do Ensino Artístico em Faro), os 100 anos do edifício e os 90 anos do falecimento do nosso Patrono.
Solicitamos que todos contribuam, com algo escrito, sobre o nosso Patrono para publicarmos neste nosso BLOGUE.

As comemorações serão efectuadas no dia 12 de Setembro próximo, com exposição na Escola das 12 década do ensino técnico em Faro; sessão solene no Teatro Lettes e um jantar convívio na Quinta da Senhora Menina.

Lembramos, a todos os interessados no jantar convívio, que as inscrições serão respeitadas pela ordem de chegada, uma vez que o restaurante tem 400 lugares. No acto da inscrição será entregue um ingresso numerado.

Rogério Coelho