CRÓNICA DE FARO
João Leal
«CAFÉS HISTÓRICOS» DE FARO
Têm crescido em sintonia com a própria expansão da cidade, capital sulina. Talvez que, nesta evocação dos «cafés históricos farenses», haja a omissão de muitos, até mesmo aquele que frequenta, mas acrescente, por favor.
A memória responsável e a consulta de documentos alusivos, leva-nos á lembrança mais antiga da «Casa Havaneza» que nos referem como um dos pontos «mais» da cidade, no seu tempo. A lembrança leva-nos até á baixa citadina, paredes meias com o Banco de Portugal e situados nos terrenos onde foi construída a filial da Caixa Geral de Depósitos. Ambos prosseguiram a sua actividade, o primeiro na Rua da Marinha e o Café Coelho, mais pastelaria do que «servir bicas e garotos» no canto da Rua Conselheiro Bivar e da Praça D. Francisco Gomes. Propriedade dos pais de um antigo «costeleta», o Virgílio António Coelho, que moravam no Largo do Sol Posto, foi depois estúdio fotográfico e hoje um dos muitos «fast food» que existem na zona. Mas á cabeça aparece como lembrança dominante o Café Aliança, aberto em 1920 pelo excelso empresário José Pedro da Silva, que figurou na série televisiva alemã «Os grandes cafés europeus». Vários estudos e publicações existem sobre a «bolsa algarvia das 4ªs e sábados», sendo de destacar o labor nesta investigação, desenvolvida pelo saudoso historiador messinense, Dr. Teodomiro Neto. Com uma existência algo atribulada nos últimos anos, o «Aliança» prossegue como a catedral dos cafés algarvios. Não queremos nem devemos esquecer o «Café Marítimo», que abria noite fora em especial para atender os pedidos de «um quartilho de medronho» para os pescadores levarem para a faina. Localizava-se paredes meias com o então Mercado Municipal (Rua Cdte. Francisco Manuel), hoje ocupado pela Cruz Lusa - Bombeiros Voluntários. Lembramo-nos do Café Atlântico (sede de uma agência bancária) que ia das Ruas de Santo António à da Marinha, com diversas inovações, entre as quais as da «venda self - service do tabaco». Só que ao fim do dia nem tabaco nem dinheiro...
Ah, e a «Brasileira», ponto de convívio de muitas gerações e de onde surgiram ideais para várias acções em especial para o desporto algarvio.
Uma curta evocação dos muitos cafés que existiram em Faro.