segunda-feira, 2 de março de 2026

CRÓNICA DE FAROJOÃO LEALTRADIÇÕES QUE SE PERDEM.... Corolário da própria evolução dos tempos há muitas tradições que evoluem para novas formas ou que se perdem. É este o caso do que acontecia no período quaresma, que ora se vive, com os celebrizados e muito participados «contractos das amêndoas», que eram obrigatórios, há anos, nesta quadra litúrgica e cívica. Em que consistiam os referidos «contractos das amêndoas»? Dois parceiros, normalmente cada um do seu sexo (amigos, namorados, vizinhos ou conhecidos) estabeleciam o contracto entrelaçando os dedos mínimos e afirmado: «Contracto, contracto faremos e Sábado de Aleluia desmancharemos». Sempre que, quotidianamente, um dos parceiros, pela vez primeira nesse dia, via o outro, dizia-lhe de sopetão: «Ajoelha-te!», ao que o parceiro, acedia. Isto até que se chegava ao almejado Sábado de Aleluia (Véspera do Domingo de Páscoa ou da Ressurreição), em que os contratantes procuravam as mais ardilosas formas para serem o primeiro a dizer «Ajoelha-te e paga!». O apanhado tinha que pagar um cartucho ou pacote de amêndoas, então ditas «confeitas» que as havia de excelente qualidade nas já desaparecidas pastelarias do Francisco Manuel (Rua 1º de Dezembro) ou das irmãs Saraiva (Rua de Santo António) ou nas mercearias Aliança, Gago, Machadinho ou do Guerreiro que nessas noites festivas abriam no período noctívago para atender os muitos clientes que desciam à baixa farense. Isto quando o contracto não exigia as famosas, ainda hoje, «amêndoas do Blé Ervilha» (São Brás de Alportel), obrigando assim o «apanhado» a mais uma despesa. Contracto da Amêndoa ou do «Apanha-me" uma tradição quaresmal que se perdeu!

CRÓNICA DE FARO

JOÃO LEA

10 MILHÕES PARA SANEAMENTO

    A obra ficará enterrada mas importa e é de fundamental cariz para o presente e o futuro de Faro. De há muito que as canalizações de esgotos e do abastecimento de água precisam de remodelação. Rebentam um dia aqui, no outro noutra zona citadina e a quando das enxurradas são múltiplos e não raro os mesmos (Rua de São Luís e quejandos) a sofrerem dramáticas inundações de que os comerciantes ali estabelecidos são as primeiras vítimas. 
   O Município tomou a corajosa decisão de atribuir a vultuosa verba de 10 milhões de euros para renovação daquelas redes. É, como sói dizer-se «uma obra que não dá votos». Mas lá que é necessária ninguém o põe em dúvida.
    A construção de uma cisterna, de avantajadas proporções e as condutas necessárias são uma das obras projectadas no sentido de evitar, de uma vez por todas como se espera, o acumular dramática das águas pluviais na baixa de São Luís. 
  As constantes interrupções no fornecimento doméstico das águas sê-lo-á contemplada nesta anunciada intervenção autárquica que ao assunto tem votado uma desvelada atenção. Veja-se oque aconteceu com a estação elevatória do Alto Rodes onde foi substituída uma peça que há décadas carecia.
    Em 1976, o executivo municipal eleito nas primeiras eleições pós - 25 de Abril e presidido pelo estoiense, de saudosa memória, eng. Joaquim Lopes Belchior, tomou decisão similar no que respeita às redes de saneamento básico. São tempos difíceis, quer para os cidadãos - transeuntes como para quem gere o Município. Mas são-no de extrema carência.
  Que não se arrependa da decisão tomada o Município Farense presidido pelo dr. António Miguel Pina. «É uma obra que não dá votos», mas de que a cidade precisa!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CRÓNICA DE FARO

JOÃO LEAL

COMANDO DA GNR CONTINUA EM FARO

 

      Esta é uma decisão que desde logo se aplaude porque motiva a defesa dos superiores interesses, para além da pertença às mesmas forças partidárias, entre concelhos limítrofes. Foi o caso registado entre os Municípios de Faro e de Loulé no que respeita à transferência do Comando Distrital da Guarda Nacional Republicana (GNR) da capital sulina para a vizinha cidade da «Mãe Soberana», acordado em 2018 entre os Presidentes Autárquicos de então, respectivamente o Dr. Rogério Bacalhau (PSD) e o Eng. Vítor Aleixo (PS). Várias têm sido as opções ou as intenções de reduzirem a capitalidade da Cidade de Santa Maria de Hárun atenuando-lhe a sua função de Cidade Maior e a consequente perda de um título que foi merecidamente outorgado por D. João III, denominado de «O Piedoso».

A função da Ria Formosa foi então de grande prestabilidade já que a maioria dos seus numerosos canais eram então de ampla navegação proporcionando um acentuado movimento ao porto de Faro. Veja-se o que aconteceu com a Santa Sé o poder temporal que ainda mantinha na época ao transferir a Sé até então sediada em Silves para Faro.

Os dois autarcas eleitos no recente acto eleitoral para os Municípios de Faro (Dr. António Pina) e de Loulé (Eng. Telmo Pinto), ambos pelo Partido Socialista, acordaram manter o comando distrital da GNR em Faro, cujas novas instalações vão ser edificadas nos 3,5 hectares existentes no sítio farense dos Braciais, após o beneplácito do Ministério da Administração Interna e do Comando Geral da Corporação militar.

Faro continua pois com a capitalidade no que se refere ao âmbito das funções cometidas à GNR.

 

 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL «LITA». Ou o «senhor Lita», chamamento que era utilizado conforme as circunstâncias. Foi um cidadão farense, tendo nascido e vivido sempre nesta cidade de Santa Maria. Viveu, no seu anonimato sem glórias nem feitos, medalhas ou coroas de louro, mas apenas consumindo o seu quotidiano no viver pacificamente entre o trabalho e o respirar o ar de cada instante. Dedicava-se, desde moço, ele que nascera, como nós, na Ribeira, vencendo todos os estóicos desafios que tal determinava, ao fabrico do pão. Fazia-o num forno então existente na rua do mesmo nome ou seja aquela que liga o Largo da Madalena à Rua Gil Eanes, sempre chamada de Rua da Parreira. Era numa época em que não haviam os muitos locais de venda dos produtos da panificação, como hoje existem. Na manhã seguinte o «Lita» (ou o sr. Lita, conforme as circunstâncias...), após uma noite de intenso e árduo trabalho, lá ia ele com o seu carro de verga forrado, interiormente, por impecável pano branco, para ganhar mais uns «tostões», que a vida era e é difícil, lá ia ele entregar ao domicílio os pães, os papossecos e as carcaças, de porta em porta. Era um prazer, antes das aulas, saborear o pão fresco barrado com margarina ou azeite, que o «Lita» (ou sr. Lita, conforme as circunstâncias apelativas), nos entregava quando o Sol despontara pouco tempo havia. Era ainda um prestável cidadão oferecendo-se sempre para levar um andor nas muitas procissões que em Faro se faziam. O «Lita» (ou o sr. Lita, conforma as circunstâncias...) um cidadão anónimo, como milhares de farenses, que viveu a sua vida com dignidade e serviço.

CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

AS HORTAS «URBANAS»

A capital sulina, tal como acontecia com outras localidades algarvias, um conhecimento directo valia esta nossa afirmação, dispunha de amplos espaços agriculturados, que se chamavam de «hortas». A boa qualidade dos terrenos, a relativa abundância de água, extraída em muitos casos com a energia eólica (os moinhos de vento) e o empenho dos cultivadores levava a que grandes terrenos inseridos nos núcleos habitacionais produzissem verdejantes ervas (salsa, coentros e hortelã), assim como deliciosos vegetais (couves, batatas doces e redondas, favas e ervilhas por aqui chamados de griséus).
Á memória vem-nos a horta do Sr. Leal (que passe a semelhança de nomes nada nos unia a não ser a relação produtor / comprador) ali na Praceta Pintor Carlos Lyster Franco, artista e professor. Possuía também uma carvoaria, ao que cremos sendo o carvão vindo de Garvão e de outras localidades do Alentejo dito Baixo. O moço, que o cronista era nesses distantes anos, ia fazer os «mandados» que a Mãe Gertrudes entregue aos labores da costura o mandava.
Ali perto, na vizinha Rua Ventura Coelho fica o «Palácio dos Guerreirinhos», também chamado de «Palácio dos Anões», face à baixa estatura dos seus donos. O vasto logradouro que se estendia em paralelo às Ruas Infante D. Henrique e Sebastião Teles, até ao Palacete do Mateus da Silveira (onde esteve instalado o Hospital Lusíadas), era uma bela horta.
Já fora da zona urbana ficava a mediática Horta dos Três Engenhos, cuja inovação de engenharia hidraúlica permitia a recolha do líquido preciso para a rega dos vastos terrenos que se estendiam até à beira Ria Formosa.
Junto à Igreja do Carmo situava-se a Horta do mesmo nome, cujos amplos espaços foram expropriados para edificação do imóvel destinado aos CTT / Telefones e onde se processava uma notável quantidade de excelentes produtos vegetais.
A rama da batata doce era um «fartote» para os coelhos que então criávamos.
Mas distante, do outro lado da cidade, ficava a Horta do Ferregial, que em1950 começo a ser retalhada, com a construção do imóvel destinado a Comando Distrital da PSP.
Era um regalo o tanque que existia junto a frondosa amoreira. Era como que uma piscina de refrigério após os animados jogos de futebol que se jogavam no «Estádio dos Blocos», onde fora o estaleiro das obras do porto comum de Faro / Olhão.
Havia também a «nobre» Horta do Palácio do Alto, com destaque para frutos exóticos e abundantes flores que o sr. António, a mando da sra. D. Antónia Fialho, ia distribuir pelas Igrejas da Cidade.
De referir os excelentes produtos vegetais produzidos eram nessa manhã conduzidos para a ampla fila de toldas, na Rua Comandante Francisco Manuel até ao interior do extinto mercado municipal (praça como se lhe chamava), onde existiam também vários talhos, inclusive da venda de carne cavalar, consumida durante a II Guerra Mundial.
Lembranças de uma cidade, através da memória das suas hortas, que já não existem,
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

A IRMÃ CARMEN

São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados.  Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor.  Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

A IRMÃ CARMEN

São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados.  Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor.  Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!
NA MORTE DO JOÃO FRANCISCO RAMOS 
De súbito a notícia chega-nos com todo o fatalismo e o drama que em si mesmo comporta. Morreu o nosso querido Amigo e dedicado Costeleta João Francisco Ramos. O «João de Quarteira» ou «João Fome», como carinhosa e afectivamente era tratado foi nosso Amigo durante mais de setenta anos e colega desde os saudosos tempos da Escola Técnica Elementar Serpa Pinto. Quem Não era Amigo de peito do João? 
Viúvo, desde há anos, da sempre saudosa e sempre presente na nossa saudade e na nossa lembrança, dessa exemplar costeleta que foi a «MIMI», e de quem o João foi um esposo exemplar e ultra - dedicado até ao seu último momento.
Morreu o João.  O nosso profundo pesar e a sofrida saudade pela perda de um verdadeiro Amigo. Que Deus lhe dê o merecido descanso.


                                                João Leal

CRÓNICAS DO MEU VIVER OLHANENSE OUTRO «CASO FÉHER« DESTA FEITA EM OLHÃO. Causou o mais profundo pesar o falecimento ocorrido em pleno Estádio Municipal de Olhão do valoroso futebolista angolano Nasser Bacum, do Lusitano Ginásio Clube Moncarapachense, Tivemos assim, nesta cidade, a repetição do igualmente dramático ocorrido há anos, em Guimarães , com o internacional húngaro Féher, que envergava a camisola do Benfica. A despeito de todos os esforços, incluindo clínicos, a paragem cardio-respiratória sofrida pelo atleta do Moncarapachense foi fatal e o atleta de 27 anos faleceu em pleno campo. Tratava-se de um jogo da «Taça Algarve», certame organizado pela Associação de Futebol do Algarve e cujo vencedor tem acesso director à 3ª Divisão Nacional. O falecido, que era muito estimado pelos seus adversários, colegas e dirigentes, iniciara-se nas escolas do Sporting e percorrera depois a carreira futebolística em vários clubes dos escalões secundários. Ao lamentarmos tão fatídico acontecimento, numa actividade que é em si mesmo vida e nunca a morte como agora aconteceu com Nasser Bacum, apresentamos a expressão da total solidariedade à Família enlutada e o profundo pesar ao enlutado Lusitano Moncarapachense, um valoroso clube deste Concelho e que tão dignamente o tem representado. João Leal

sábado, 31 de janeiro de 2026

Almoço dos costeletas em 1982

Uns quantos Costeletas em 1982, de partida para Almoço de confraternização na  Aldeia do Golfe após visita à sua Exposição na Escola Tomás Cabreira!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

 CRÓNICAS DO MEU VIVER OLHANENSE

OBRAS NO PORTO DE PESCA


   Através da DocaPesca vão realizar-se no porto de pesca de Olhão obras a fim de garantir uma maior segurança a pescadores, viveiristas e mariscadores. Esta cidade sempre viveu do mar e para a actividade marítima, pelo que o porto representa um elemento fundamental. O Município Olhanense já expressou o seu agrado por esta iniciativa daquela entidade, considerando no entanto a verba reduzida face às obras necessárias a realizar.
    É um facto iniludível este de que a deliberação é benvinda, mas que importa considerar todo o conjunto portuário e o ele representa para o Concelho e para o Algarve.
     Olhão viveu os seus tempos auréos quando as pescas da sardinha, do carapau, do atum e de outras espécies piscícolas fizeram despontar de dezenas de fábricas conserveiras e o criar de milhares de postos de trabalho.
     A segurança dos que hoje arrancam do mar a sua riqueza, seja-o na Ria Formosa ou no Mar Atlântico deve constituir uma preocupação constante como este concurso aponta.

                                                  JOÃO LEAL 
  
    CRÓNICA DE FARO
     JOAO LEAL

     MAIS DE «UM MILHÃO» PARA A MINHA RIBEIRA

      Ali nasci e fiquei sempre um «moço da Ribeira». Nasci na Rua Miguel Bombarda, a que vai da Rua Gil Eanes (sempre chamada de «Rua da Parreira) até aos loteamentos da Ria Mar, onde outrora foram as oficinas e outras dependências da C.P.
      Causou-me pois natural júbilo a atribuição pela Câmara Municipal de Faro de uma verba superior ao milhão de euros para obras de «requalificação do bairro ribeirinho». 
        Teve sempre a sua identidade própria, o seu ADN específico a Ribeira, ali à beira - Ria, nela se mirando e num namoro de milénios. Provam-no os vários achados arqueológicos, em nossos dias, havendo muito outro e não menos valioso que prossegue enterrado ou à mercê de obras de construção civil que entretanto se vão realizando. A «Ribeira» de algumas décadas era em vários aspectos bem diferente da actual. Esta verba ora aprovada pela Edilidade vai por certo limpar esta zona citadina dos inestéticos «grafittis» que povoam as suas paredes e dar uma nova e eficiente utilização de vários imóveis públicos que se encontram sem serventia, como é o caso da Alfândega.
       Longe vão os anos em que o «Estica» (pai do José Luís, invisual, pianista e sineiro do Carmo, que percorria toda a cidade no préstimo dos mais diversificados serviços burocráticos) era a fonte de abastecimento dos que iam ou vinham do mar, desde o tratar dos viveiros às artes, hoje proibidas da redinha, do tapa - esteiros ou da merjona às artes de cabotagem até Marrocos e Gibraltar (como esquecer os mestres Rainha, João Tira - a - Força, Caréus, Roques. etc.?), Como longe vão os tempos em que a taberna da D. Maria Benvinda (mais conhecida por «Maria de Almodôvar») era o centro de «animação» da cidade, do Fábrica do Gelo na Travessa da Madalena e onde o moço do nosso tempo o «Espójinho», que outro nome lhe não conhecemos, ou mais acima a «Floresta», curiosa taberna na sua arquitectura ou a oficina de serralheiro do saudoso mestre Zé da  Gordinha ou as vendas e compra de marisco (quase sempre ameijoas) do Marrão, dos irmãos Cabeleiras e do João Custódio, este na Rua da Barqueta. Saudades dessa Ribeira de então onde crescemos, brincámos e nos fizemos gente.
   A verba, o tal mais de «um milhão» está autorizado pelo Município. Que esta verba seja gasta e bem por uma requalificada «Zona do Bairro Ribeirinho», a sempre nossa Ribeira...