sexta-feira, 13 de março de 2026

CRÓNICA DE FAROJOÃO LEAL ADEUS, «MÁRINHO»! Esta é uma crónica triste, tão escura e tão triste quanto o luto e o pesar que me vai na alma. Um escrito que nunca pensara escrever, mas que é de um realismo atroz e pesado. Ao acordar uma voz, como sempre meiga, filial e suave veio dar-me a trágica notícia: «A TV acaba de noticiar a morte do teu amigo Mário Zambujal!». Um desgosto profundo me abalou ante a partida para o Eterno do sempre amigo «Márinho», uma amizade com mais de 8 décadas e que começara expontânea, como todas as que vêm da infância quando ele veio, do seu Alentejo Natal (concelho de Moura) para Faro acompanhando a família já que o saudoso pai, um companheirão mas de uma grande rectidão aqui fora colocado em funções oficiais. Veio morar na zoa na Ribeira, em plena Avenida da República, num prédio de 1º andar hoje substituído por um grande imóvel, quase frente ao Posto Médico da CP (onde existe uma clónica veterinária), quando aquela artéria ainda possuía as verdejantes palmeiras. O «mano Chico» (Francisco Zambujal, um dos maiores caricaturistas portugueses de sempre) viera também com os pais, não nos recordando se a saudosa «Fátinha» já era viva ou não. As escolas Serpa Pinto e Tomás Cabreira foram pontos seguintes de uma íntima convivência, que se prolongaria depois pelos convívios no desaparecido café «A Brasileira» e nas colunas deste semanário onde assinámos, anos a fio, a «Crónica de Faro», a quando da ida do saudoso poeta louletano Casimiro de Brito (um dos nomes maiores da poesia portuguesa dos séculos XX e XXI) para «terras estrangeiras». Mantivemos esta secção, ainda hoje vivente, além do signatário, prestigiados jornalistas, como Encarnação Viegas, Mário Zambujal, dr. Rocheta Cassiano, Carlos Martins e outros. Depois foi a ida do «Márinho» para Lisboa o jornalismo profissional (onde atingiu o lugar de Subdirector do «Diário de Noticias» e a escrita de livros que são verdadeiros «best sellers», com adaptação ao cinema e televisão. Contava 90 anos de idade que completara a 5 de Março e deixa histórias, milhentas histórias por contar, entre as quais a do aparecimento do jornal «O Camarada». Foi a quando de uma suspensão que o sempre bondoso director da Tomaz Cabreira, dr. Fernando Moreira Ferreira aplicara ao falecido camarada na sequência de mais uma diatribice da famosa «2ºano 4ª turma do Curso Geral de Comércio» (de onde já faleceram para além de outros recordados o Franklim, o Clérigo, o Chico Zambujal, o Jacinto e tantos mais). O «Márinho» foi impedido de sair de casa durante a suspensão e o jornal fazia-se com as valiosas gravuras do «Mano Chico» e os escritos eram do suspenso ou enviadas pela malta. Morreu o Mário Zambujal! que luto e que tristeza! A última vez que nos vimos foi num almoço anual dos «costeletas» e onde o saudoso amigo viera com o grupo de Lisboa (Júlio Piloto, Alfredo Pedro, José Félix e outros). Um dia bem triste em que escrevo esta «Crónica». Adeus, «Márinho», até um destes dias, que não o serão por muitos!


ADEUS ESCOLA

Adeus Escola querida
Foste tu a minha infância 
Vives em mim toda a vida
Levo de ti a lembrança!

Levo no peito a saudade 
No coração levo a dor 
Viverei ns eternidade 
Sem esquecer este amor!'

Ai adeus!... Sempre em mim 
Hás-de viver...
Ai adeus!... Jamais te hei-de esquecer!
Adeus, adeus...
Como e triste a despedida 
Adeus, adeus...
Num adeus fico sen vida!

Foi em ti que eu vivi...
Durante parte da vida
Só agora ê que eu senti
O que me custa a partida!

Ai adeus, sempre em mim
Hás-de viver...
Ai adeus j
Jamais te hei-de esquecer

Está ns hora da partida
Adeus escola branquinha
Jamais serás esquecida 
Mesmo quando for velhinha!

Tu minha doce morada
Oh! Quem me dera levar-te
Oh! Minha escola adorada 
Nem sequer posso abraçar-te

Maria José Fraqueza

quinta-feira, 12 de março de 2026

terça-feira, 3 de março de 2026

CRÓNICA DE FARO. JOÃO LEAL. 10 MILHÕES PARA SANEAMENTO A obra ficará enterrada mas importa e é de fundamental cariz para o presente e o futuro de Faro. De há muito que as canalizações de esgotos e do abastecimento de água precisam de remodelação. Rebentam um dia aqui, no outro noutra zona citadina e a quando das enxurradas são múltiplos e não raro os mesmos (Rua de São Luís e quejandos) a sofrerem dramáticas inundações de que os comerciantes ali estabelecidos são as primeiras vítimas. O Município tomou a corajosa decisão de atribuir a vultuosa verba de 10 milhões de euros para renovação daquelas redes. É, como sói dizer-se «uma obra que não dá votos». Mas lá que é necessária ninguém o põe em dúvida. A construção de uma cisterna, de avantajadas proporções e as condutas necessárias são uma das obras projectadas no sentido de evitar, de uma vez por todas como se espera, o acumular dramática das águas pluviais na baixa de São Luís. As constantes interrupções no fornecimento doméstico das águas sê-lo-á contemplada nesta anunciada intervenção autárquica que ao assunto tem votado uma desvelada atenção. Veja-se oque aconteceu com a estação elevatória do Alto Rodes onde foi substituída uma peça que há décadas carecia. Em 1976, o executivo municipal eleito nas primeiras eleições pós - 25 de Abril e presidido pelo estoiense, de saudosa memória, eng. Joaquim Lopes Belchior, tomou decisão similar no que respeita às redes de saneamento básico. São tempos difíceis, quer para os cidadãos - transeuntes como para quem gere o Município. Mas são-no de extrema carência. Que não se arrependa da decisão tomada o Município Farense presidido pelo dr. António Miguel Pina. «É uma obra que não dá votos», mas de que a cidade precisa!

CRÓNICA DE FARO

JOÃO LEA

10 MILHÕES PARA SANEAMENTO

    A obra ficará enterrada mas importa e é de fundamental cariz para o presente e o futuro de Faro. De há muito que as canalizações de esgotos e do abastecimento de água precisam de remodelação. Rebentam um dia aqui, no outro noutra zona citadina e a quando das enxurradas são múltiplos e não raro os mesmos (Rua de São Luís e quejandos) a sofrerem dramáticas inundações de que os comerciantes ali estabelecidos são as primeiras vítimas. 
   O Município tomou a corajosa decisão de atribuir a vultuosa verba de 10 milhões de euros para renovação daquelas redes. É, como sói dizer-se «uma obra que não dá votos». Mas lá que é necessária ninguém o põe em dúvida.
    A construção de uma cisterna, de avantajadas proporções e as condutas necessárias são uma das obras projectadas no sentido de evitar, de uma vez por todas como se espera, o acumular dramática das águas pluviais na baixa de São Luís. 
  As constantes interrupções no fornecimento doméstico das águas sê-lo-á contemplada nesta anunciada intervenção autárquica que ao assunto tem votado uma desvelada atenção. Veja-se oque aconteceu com a estação elevatória do Alto Rodes onde foi substituída uma peça que há décadas carecia.
    Em 1976, o executivo municipal eleito nas primeiras eleições pós - 25 de Abril e presidido pelo estoiense, de saudosa memória, eng. Joaquim Lopes Belchior, tomou decisão similar no que respeita às redes de saneamento básico. São tempos difíceis, quer para os cidadãos - transeuntes como para quem gere o Município. Mas são-no de extrema carência.
  Que não se arrependa da decisão tomada o Município Farense presidido pelo dr. António Miguel Pina. «É uma obra que não dá votos», mas de que a cidade precisa!

segunda-feira, 2 de março de 2026

CRÓNICA DE FAROJOÃO LEALTRADIÇÕES QUE SE PERDEM.... Corolário da própria evolução dos tempos há muitas tradições que evoluem para novas formas ou que se perdem. É este o caso do que acontecia no período quaresma, que ora se vive, com os celebrizados e muito participados «contractos das amêndoas», que eram obrigatórios, há anos, nesta quadra litúrgica e cívica. Em que consistiam os referidos «contractos das amêndoas»? Dois parceiros, normalmente cada um do seu sexo (amigos, namorados, vizinhos ou conhecidos) estabeleciam o contracto entrelaçando os dedos mínimos e afirmado: «Contracto, contracto faremos e Sábado de Aleluia desmancharemos». Sempre que, quotidianamente, um dos parceiros, pela vez primeira nesse dia, via o outro, dizia-lhe de sopetão: «Ajoelha-te!», ao que o parceiro, acedia. Isto até que se chegava ao almejado Sábado de Aleluia (Véspera do Domingo de Páscoa ou da Ressurreição), em que os contratantes procuravam as mais ardilosas formas para serem o primeiro a dizer «Ajoelha-te e paga!». O apanhado tinha que pagar um cartucho ou pacote de amêndoas, então ditas «confeitas» que as havia de excelente qualidade nas já desaparecidas pastelarias do Francisco Manuel (Rua 1º de Dezembro) ou das irmãs Saraiva (Rua de Santo António) ou nas mercearias Aliança, Gago, Machadinho ou do Guerreiro que nessas noites festivas abriam no período noctívago para atender os muitos clientes que desciam à baixa farense. Isto quando o contracto não exigia as famosas, ainda hoje, «amêndoas do Blé Ervilha» (São Brás de Alportel), obrigando assim o «apanhado» a mais uma despesa. Contracto da Amêndoa ou do «Apanha-me" uma tradição quaresmal que se perdeu!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CRÓNICA DE FARO

JOÃO LEAL

COMANDO DA GNR CONTINUA EM FARO

 

      Esta é uma decisão que desde logo se aplaude porque motiva a defesa dos superiores interesses, para além da pertença às mesmas forças partidárias, entre concelhos limítrofes. Foi o caso registado entre os Municípios de Faro e de Loulé no que respeita à transferência do Comando Distrital da Guarda Nacional Republicana (GNR) da capital sulina para a vizinha cidade da «Mãe Soberana», acordado em 2018 entre os Presidentes Autárquicos de então, respectivamente o Dr. Rogério Bacalhau (PSD) e o Eng. Vítor Aleixo (PS). Várias têm sido as opções ou as intenções de reduzirem a capitalidade da Cidade de Santa Maria de Hárun atenuando-lhe a sua função de Cidade Maior e a consequente perda de um título que foi merecidamente outorgado por D. João III, denominado de «O Piedoso».

A função da Ria Formosa foi então de grande prestabilidade já que a maioria dos seus numerosos canais eram então de ampla navegação proporcionando um acentuado movimento ao porto de Faro. Veja-se o que aconteceu com a Santa Sé o poder temporal que ainda mantinha na época ao transferir a Sé até então sediada em Silves para Faro.

Os dois autarcas eleitos no recente acto eleitoral para os Municípios de Faro (Dr. António Pina) e de Loulé (Eng. Telmo Pinto), ambos pelo Partido Socialista, acordaram manter o comando distrital da GNR em Faro, cujas novas instalações vão ser edificadas nos 3,5 hectares existentes no sítio farense dos Braciais, após o beneplácito do Ministério da Administração Interna e do Comando Geral da Corporação militar.

Faro continua pois com a capitalidade no que se refere ao âmbito das funções cometidas à GNR.

 

 


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL «LITA». Ou o «senhor Lita», chamamento que era utilizado conforme as circunstâncias. Foi um cidadão farense, tendo nascido e vivido sempre nesta cidade de Santa Maria. Viveu, no seu anonimato sem glórias nem feitos, medalhas ou coroas de louro, mas apenas consumindo o seu quotidiano no viver pacificamente entre o trabalho e o respirar o ar de cada instante. Dedicava-se, desde moço, ele que nascera, como nós, na Ribeira, vencendo todos os estóicos desafios que tal determinava, ao fabrico do pão. Fazia-o num forno então existente na rua do mesmo nome ou seja aquela que liga o Largo da Madalena à Rua Gil Eanes, sempre chamada de Rua da Parreira. Era numa época em que não haviam os muitos locais de venda dos produtos da panificação, como hoje existem. Na manhã seguinte o «Lita» (ou o sr. Lita, conforme as circunstâncias...), após uma noite de intenso e árduo trabalho, lá ia ele com o seu carro de verga forrado, interiormente, por impecável pano branco, para ganhar mais uns «tostões», que a vida era e é difícil, lá ia ele entregar ao domicílio os pães, os papossecos e as carcaças, de porta em porta. Era um prazer, antes das aulas, saborear o pão fresco barrado com margarina ou azeite, que o «Lita» (ou sr. Lita, conforme as circunstâncias apelativas), nos entregava quando o Sol despontara pouco tempo havia. Era ainda um prestável cidadão oferecendo-se sempre para levar um andor nas muitas procissões que em Faro se faziam. O «Lita» (ou o sr. Lita, conforma as circunstâncias...) um cidadão anónimo, como milhares de farenses, que viveu a sua vida com dignidade e serviço.

CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

AS HORTAS «URBANAS»

A capital sulina, tal como acontecia com outras localidades algarvias, um conhecimento directo valia esta nossa afirmação, dispunha de amplos espaços agriculturados, que se chamavam de «hortas». A boa qualidade dos terrenos, a relativa abundância de água, extraída em muitos casos com a energia eólica (os moinhos de vento) e o empenho dos cultivadores levava a que grandes terrenos inseridos nos núcleos habitacionais produzissem verdejantes ervas (salsa, coentros e hortelã), assim como deliciosos vegetais (couves, batatas doces e redondas, favas e ervilhas por aqui chamados de griséus).
Á memória vem-nos a horta do Sr. Leal (que passe a semelhança de nomes nada nos unia a não ser a relação produtor / comprador) ali na Praceta Pintor Carlos Lyster Franco, artista e professor. Possuía também uma carvoaria, ao que cremos sendo o carvão vindo de Garvão e de outras localidades do Alentejo dito Baixo. O moço, que o cronista era nesses distantes anos, ia fazer os «mandados» que a Mãe Gertrudes entregue aos labores da costura o mandava.
Ali perto, na vizinha Rua Ventura Coelho fica o «Palácio dos Guerreirinhos», também chamado de «Palácio dos Anões», face à baixa estatura dos seus donos. O vasto logradouro que se estendia em paralelo às Ruas Infante D. Henrique e Sebastião Teles, até ao Palacete do Mateus da Silveira (onde esteve instalado o Hospital Lusíadas), era uma bela horta.
Já fora da zona urbana ficava a mediática Horta dos Três Engenhos, cuja inovação de engenharia hidraúlica permitia a recolha do líquido preciso para a rega dos vastos terrenos que se estendiam até à beira Ria Formosa.
Junto à Igreja do Carmo situava-se a Horta do mesmo nome, cujos amplos espaços foram expropriados para edificação do imóvel destinado aos CTT / Telefones e onde se processava uma notável quantidade de excelentes produtos vegetais.
A rama da batata doce era um «fartote» para os coelhos que então criávamos.
Mas distante, do outro lado da cidade, ficava a Horta do Ferregial, que em1950 começo a ser retalhada, com a construção do imóvel destinado a Comando Distrital da PSP.
Era um regalo o tanque que existia junto a frondosa amoreira. Era como que uma piscina de refrigério após os animados jogos de futebol que se jogavam no «Estádio dos Blocos», onde fora o estaleiro das obras do porto comum de Faro / Olhão.
Havia também a «nobre» Horta do Palácio do Alto, com destaque para frutos exóticos e abundantes flores que o sr. António, a mando da sra. D. Antónia Fialho, ia distribuir pelas Igrejas da Cidade.
De referir os excelentes produtos vegetais produzidos eram nessa manhã conduzidos para a ampla fila de toldas, na Rua Comandante Francisco Manuel até ao interior do extinto mercado municipal (praça como se lhe chamava), onde existiam também vários talhos, inclusive da venda de carne cavalar, consumida durante a II Guerra Mundial.
Lembranças de uma cidade, através da memória das suas hortas, que já não existem,
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

A IRMÃ CARMEN

São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados.  Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor.  Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL

A IRMÃ CARMEN

São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados.  Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor.  Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!