Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 30 de novembro de 2021

QUANDO A POESIA ACONTECE - Elos Clube de Faro

 De: Elos Clube de Faro - Associação Cultural

    "Em defesa da Língua e Cultura Portuguesas"

Estimados Amigos e Companheiros,

Este mês, devido à segunda Quarta-feira do mês ser feriado, a nossa
sessão realizar-se-à no dia 15 de Dezembro.
Assim pelas pelas 17,30, na Biblioteca Municipal de Faro,
"Quando a poesia acontece", sob o tema:

“Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a Humanidade já
estavam escritas.
Só falta uma coisa:
Salvar a Humanidade"

- Almada Negreiros

* Poesia embalada pela voz de Rosinda
com música de Luciano Vargues

Deverão ser cumpridas as normas de segurança, já habituais:

- lotação do espaço e distanciamento físico: número limite
de participantes 40 pessoas;
- obrigatoriedade do uso de máscara durante a sessão;
- higienização das mãos à entrada do auditório.

Espero por vòs.

Cordiais saudações elistas.

Dina Lapa de Campos
Presidente da Direcção do Elos Clube de Faro

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

CRITICA SOCIAL - POEMAS

           OS FAZEDORES DE MISÉRIA

 

Caiu em inaptas mãos a coisa pública;

Repleta de criaturas insignificantes;

Muitos não gerem bem a nossa república;

Pessoas medíocres, impostoras e arrogantes.

Indivíduos que falam, falam, têm muita léria,

Mas daí não advém nada de bom ou novo,

Não passam de meros fazedores de miséria,

Para a ruína levando grande parte do Povo!

Eles devoram, delapidam, a riqueza destroem,

A sociedade definha – isso é bem de ver;

Todos ralham, há muitos que enlouquecem,

O desânimo campeia – é o salve-se quem puder!

As gentes barafustam, mas estão peadas,

Cortaram-lhes as saídas, estão sós na rua!

É muito difícil aguentar estas paradas,

Com tanto roubo, corrupção e falcatruas.

Eles tudo devastam, da noite ao dia;

Gastam, gastam duma maneira perene,

Por mais que embolsem, nada os sacia,

Se pudessem tiravam-nos até a pele!

Que fazer perante tal situação?

Se por eles não morremos de amores?

Então é aproveitar a primeira ocasião,

Para despedir todos os treinadores!

Por tal razão, o ânimo é de manter,

A uma baixa, segue sempre uma alta maré,

A toda a hora a coisa se pode inverter,

Tenhamos garra, coragem e muita fé!


          IN Poesias Deste Tempo

          Manuel Inocêncio da Costa

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

 

NOTA: UM ARRANJO EXECUTADO POR ROGER, COM FOTO, TEXTOS E POEMAS DIGITALIZADOS

 

 

FALANDO DE

VASCO NAVARRO DA GRAÇA MOURA [1942-2014]

 


Além de poeta e romancista, foi ensaísta, tradutor, político e gestor cultural. Foi Secretário de Estado em 1975, Deputado Europeu entre 1999 e 2009. Foi tradutor de clássicos da literatura.

Fazia gala de deixar a esquerda bem pensante em estado de choque perante um imtelectual politicamente incorreto, capaz de defender a pena de morte para certo tipo de crimes ou de criticar a admissão de homossexuais na tropa. A sua poesia alia a sensibilidade lírica a uma linguagem coloquial, combinando o erudito e o vulgar.

                     DO LIVRO: “sonetos Familiares”:

VAI-SE A LASCIVA MÃO

“Vai-se a lasciva mão devagarinho

No biquinho do peito modelando

Como nuns versos conhecidos quando

Uma mulher a meio do caminho

 

Era de vento e nuvens, sombras, vinho,

E sonoras risadas como um bando.

Os dedos lestos vão desenredando

Roupa, cabelos, fitas, desalinho.

 

A noite desce e a nudez define-a

Por contrastes de luz e de negrume

Ponto por ponto, alínea por alínea.

 

Memória e amor e música e ciúme

Transformados nos cachos da glicínia,

Macerando no verão sombra e perfume.”

--------------------

Advogado de profissão, publicou o primeiro livro de poesia, “Modo Mudando” aos 21 anos.

Passou pela direção da RTP e foi nomeado para sucessivos cargos, desde a imprensa nacional ao Centro Cultural de Belém, passando pelas comissões do Centenário de Fernando Pessoa e das Comemorações dos Descobrimentos. Foi um dos proponentes da Expo 98.

Ria dele mesmo e gostava de assumir atitudes politicamente incorretas.

Sedutor, confessava-se um “Admirador do Belo Sexo”

------------------------------------------

DO LIVRO “A PUCHAR AO SENTIMENTO”:

AMAR-TE CORPO A CORPO

 

“Se é esta a doce lei que eu imagino

Do amor que nos impõe o seu ditado,

Amar-te corpo a corpo é o meu fado

E amarrar-me a ti o meu destino

 

Sentir a própria alma em carne viva

Respirar boca a boca e nesse jogo

Atravessar-me em fogo no teu fogo

E alimentá-lo a beijos e saliva

 

Se mais atino quando desatino

Por meus jeitos de amor alvoroçado

É no alto mar revolto e desmaiado

Que entre peripécias loucas me declino,

 

Sendo cada caricia a mais lasciva

A inventar seus rumos afinal

Na pura escuridão, na mais carnal,

Que me cativa a mim e te cativa

 

Entre as línguas, os sorvos, as gargantas,

Doces gemidos, ternas resist

ências

e violências brandas, impaciências,

e tantas mais carícias, tantas, tantas”

-------------------------------------------------------

Vencedor do Prémio Pessoa em 1995, Graça Moura recebeu inúmeras distinções nacionais e estrageiras, com destaque para a Grâ- Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

 Não concordou com o acordo ortográfico de 1990, que considerou “delirante”, tendo publicado o livro ‘Acordo Ortográfico: A perspectiva do Desastre’, em 2008.

domingo, 30 de maio de 2021

 FERNANDO FRIAS VENCEU O

«PRÉMIO DE POESIA TITO OLÍVIO»


                  Organizado pelo Rotary Clube de Faro (RCF) decorreu a 2ª edição do «Concurso Poético Tito Olívio», em homenagem ao decano dos rotários algarvios, poeta e escritor e conhecido interventor na vida pública algarvia, eng. Tito Olívio Henriques. Ora teve lugar, nos claustros do Museu Municipal de Faro, a entrega do prémio ao vencedor, o poeta e jornalista Fernando Fitas, pelo seu livro «Olhar o assombro no êxtase da luz». Foi o eng. Bruno de Azevedo Lage, presidente da União de Freguesias de Faro (Sé / São Pedro) e do RCF, que presidiu à sessão no decurso da qual se distribuiu o livro premiado editado pela editora algarvia ARANDIS, parceira nesta iniciativa. O Júri foi constituído pelas dras. Maria da Graça Lobo e Dulce Baião, em representação respectivamente das Direcções Regionais de Cultura e da Educação e Sérgio Brito (rotário a fundador daquela editora que já publicou obras de mais de 20 algarvios e que tão relevante acção tem desenvolvido em prol da cultura regional. O vencedor, Joaquim FERNANDO Rana FRIAS, nasceu em Campo Maior (Novembro de 1957) e no início da década de 70 radicou-se em Almada, havendo exercido o jornalismo («O Século», «24 Horas», «Tal e Qual», «Notícias de Almada», etc. e na Rádio), a par de uma efectiva intervenção cultural, de modo próprio com a ERA NOVA (cooperativa cultural em que teve como companheiros, entre outros Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Mário Viegas, Francisco Fanhais e Vitorino). Tem dezenas de obras publicadas, a primeira das quais «Canto Amargo» (1978) e é detentor de numerosos prémios nacionais e internacionais de poesia e prosa.  

        O Presidente dos rotários farenses saudou os poetas eng. Tito Olívio e Fernando Fitas. A apresentação da obra distinguida coube ao jornalista João Leal que acentuou o sentido filosófico do livro, sua similitude com o «viver Algarve» (o mar, o sol, a luz, as ilhas, o porto, as redes, os homens...). Nela os ideais naturais fundamentais estão sempre em acentuada presença na visão onírica da vida («sou pois o ancião que da infância trouxe uma flor ainda em cada mão...»).

           Fernando Fitas referiu-se ao sentido da existência poética e das semelhanças entre «Olhar o assombro no êxtase da luz» e o Algarve («...e deixar um poema na espuma das marés»).

           Usaram ainda palavra o Patrono que historiou os «Jogos Florais», apontou a poesia e a música «companheiros dos homens há 900 anos» e afirmou «este prémio é uma luta contra o esquecimento da cultura», Joaquim Teixeira e Glória Marreiros que disseram, com a arte que lhes é peculiar poemas do eng. Tito Olívio.

           Um magnífico final da tarde a vivida nos claustros monásticos de Faro com esta reunião presencial do Rotary Clube de Faro.


                                                                JOÃO LEAL 


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

POEMA DE MANUEL INOCÊNCIO

 "Ah, mas o esforço de um homem tem que exceder o seu limite, 

registando a sua passagem pelo mundo, se não para que serve o céu?"

Filomena Ferreira


ESPERANÇA NO SENHOR 

Qualquer um pode muito prometer

Falando bem alto e com convicção,

Que isto, aquilo e muito mais irá fazer,

Pensem bem nisto,, tenham atenção

Com prazos e tudo especificam até

Que as coisas em breve mudarão para melhor,

Estejam atentos, tenham muita fé,

Haverá leite e mel para todos - nada do pior.

O ouvinte gostaria de em tal acreditar,

Mas está sempre de atrás à defesa,

A ver vamos se ele não está a falar.

E se aparece algo mais em cima da mesa

Tal dava geito em tempos de magreza

O trigo está mirrado, a eira vazia

O gado magro, a horta uma frieza,

As árvores definham- é uma razia

          

         Em tal tempo a promessa aquece

Nas veias o sangue crepita intumescido 

        A esperança em melhores dias reaparece,

         O sujeito sente-se outro --está renascido!       

 Ganhou novo fôlego,, uma nova chama,

O mundo está melhor, o salto profundo

A miséria acaba -o bem estar clama,

Vencerá a justiça,, a fraternidade no mundo

As coisas não mudam,, o tempo passou,

A esperança vacila, o desânimo aparece

A queda é grande,, a promessa não se concretizou,

O fogo da esperança não aquece; 

A promessa foi sombra fugidia,

Que passou célere e rápida se desfez,

Concluindo: vai lutando cada noite e cada dia,

        E espera no Senhor,, uma,, outra e outra vez!

                                  

     IN POESIAS DESTE TEMPO -    Manuel Inocêncio da Costa

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

CÃNDIDO GUERREIRO,


UM DOS MAIORES POETAS ALGARVIOS, NA GÉNESE DA MUTUALIDADE POPULAR (A.M.)


      Várias foram as figuras de destaque na vida algarvia durante as décadas 20 e 30 do século transacto, que acompanharam a iniciativa do Professor António Mendes Madeira ao ter a fraterna ideia da constituição da «Mutualidade dos Funcionários Públicos», criada por Alvará de 10 de Setembro de 1926 e que viria a dar origem à «Mutualidade Popular - Associação Mutualista», com sede em Faro e uma cobertura geográfica de todo o País.

       Entre elas surge o conhecido poeta e dramaturgo Dr. Francisco Xavier Cândido Guerreiro, um dos mais famosos poetas nascidos no Algarve e havido pelo crítico literário do «Diário de Notícias», Dr. João Gaspar Simões, como dos «maiores sonetistas portugueses do século XX».

        Com efeito na primeira Assembleia Geral para eleição dos primeiros corpos gerentes da «Mutualidade Popular» surge o nome de eleito para Vice-Presidente da Mesa daquele órgão associativo do Dr. Cândido Guerreiro, advogado e notário em Loulé e em Faro, a cujas Câmaras Municipais presidiu.

         Natural de Alte (Loulé), onde nasceu a 3 de Dezembro de 1877, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra (1907) e faleceu na capital algarvia a 11 de Abril de 1953.

        Integrou-se, esteticamente, na «Renascença Portuguesa» e foi um poeta pós-simbolista, que escreveu dezena e meia de livros, o primeiro dos quais «Rosas Desfolhadas» (1895) e o último, em publicação póstuma «Sonetos e Outros Poemas» (1972). 

        A mais conhecida obra de Cândido Xavier, assinalado nome da poesia portuguesa e mutualista empenhado, é o «Auto das Rosas de Santa Maria», que foi representado no Promontório de Sagres em 1940 a quando das Comemorações Centenárias.

João Leal


terça-feira, 15 de setembro de 2020

DEODATO PIRES



DEODATO PIRES, 
UM ASSUMIDO «COSTELETA» 

         Foi-o em plenitude tomando os ideais associativos de «vitalidade, solidariedade e fraternidade» de uma forma vivencial e testemunhada no quotidiano e, de modo próprio, a quando dos actos promovido pela nossa Associação. Adquirida a condição de «costeleta» por via do seu longo e firme casamento com uma referência veterana da nossa Escola, a colega D. Maria da Conceição Pinto Pires, sempre Deodato Pires marcou presença nas nossas reuniões. Vinham de Olhão, onde residiam há muitas décadas, custasse o que custasse, porque importava estar, viver e ser «costeleta».
         Foi a 7 de Setembro que o Senhor chamou a Si este nosso dilecto amigo e companheiro que contava 91 anos de idade, era natural da Vila Nova de São Bento (Serpa) e viera «menino e moço» para Olhão, enveredando pela actividade comercial. O seu estabelecimento era, como alguém definiu com grande verdade, localizando-se no típico bairro olhanense da Barreta, «o centro afectivo do Mundo».  Este casal de costeletas agregou cerca de duas centenas de afilhados, parte de um filme que se estendeu pela cidade (Junta de Freguesia, Sporting Olhanense de que era o sócio nº 1 e outros) e pelo Mundo (Elos Clube e jornalismo e cultura). 
            Autor de vários livros de poesia publicados o saudoso extinto foi senhor de uma «vida enormemente vivida» e elevado motivo de orgulho para todos os costeletas.
               Á nossa querida amiga (das grandes que na vida hemos), D. Maria da Conceição Pires, a nossa solidária expressão de profundo pesar.
                                                       JOÃO LEAL

domingo, 23 de agosto de 2020

POESIA FUTURISTA DE MANUEL INOCÊNCIO




ESPERO-TE NA GALÁXIA


Daqui Via Láctea - cheguei!
Isto é estranho e muito frio.
Apenas uma planta lobriguei
Vento furioso faz assobio

Estamos no planeta duma estrela
Planeta imenso-rochoso:
E daqui, longe dela,
Vemos tudo nubloso

O vai-vem chegou atrasado;
O pessoal da base receava;
Uma nave perdeu-se no passado
Morreram todos - não restou nada!

O próximo vai-vem é em Janeiro,
Não te atrazes - marca a viagem.
Roupas quentes sempre primeiro
Traz a Joana e a sua bagagem.

As vacinas são muito importantes
A farmácia da base está vazia
Porém os alimentos são abundantes
Há de tudo até melancia!

Vem preparada parra esquiar
Esquiar é sempre uma alegria,
Não há noite aqui, nem luar
Todo o dia é sempre dia.

Todos na base esquiam
Esquiam e fazem investigação
Há dias encontraram o que queriam,
Encontraram enorme vulcão!

De 50 quilómetros de altura
Mas, porém, adormecido
Abriu-se champanhe com fartura,
Comemos e dançámos com ruído


A vida aqui é asfixiante,
Tanta investigação cansa,
A tua chegada será calmante
Tu és a minha esperança!

A missão termina para o ano
Então regressaremos à Terra
vejo o meu Alentejo plano
Sinto o perfume que encerra.

São rios, campos e gente
Que me habituei a amar
Cá longe rói-nos uma dor pangente
Que custa a cicatrizar!

Aqui a atmosfera é azulada,
A gravidade é forte
A água está sempre gelada,
E para onde fica o Norte?

Não sabemos - tudo é irreal,
Também o nosso sol pouco aparece
A sua luz ilumina mal,
Vem de longe não aquece!

Das estrelas somos pó,
Para a mãe estamos voltando
Mas somos pobres como Jó,
Vamos apenas sonhando!

                     Manuel Inocêncio