segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL «LITA». Ou o «senhor Lita», chamamento que era utilizado conforme as circunstâncias. Foi um cidadão farense, tendo nascido e vivido sempre nesta cidade de Santa Maria. Viveu, no seu anonimato sem glórias nem feitos, medalhas ou coroas de louro, mas apenas consumindo o seu quotidiano no viver pacificamente entre o trabalho e o respirar o ar de cada instante. Dedicava-se, desde moço, ele que nascera, como nós, na Ribeira, vencendo todos os estóicos desafios que tal determinava, ao fabrico do pão. Fazia-o num forno então existente na rua do mesmo nome ou seja aquela que liga o Largo da Madalena à Rua Gil Eanes, sempre chamada de Rua da Parreira. Era numa época em que não haviam os muitos locais de venda dos produtos da panificação, como hoje existem. Na manhã seguinte o «Lita» (ou o sr. Lita, conforme as circunstâncias...), após uma noite de intenso e árduo trabalho, lá ia ele com o seu carro de verga forrado, interiormente, por impecável pano branco, para ganhar mais uns «tostões», que a vida era e é difícil, lá ia ele entregar ao domicílio os pães, os papossecos e as carcaças, de porta em porta. Era um prazer, antes das aulas, saborear o pão fresco barrado com margarina ou azeite, que o «Lita» (ou sr. Lita, conforme as circunstâncias apelativas), nos entregava quando o Sol despontara pouco tempo havia. Era ainda um prestável cidadão oferecendo-se sempre para levar um andor nas muitas procissões que em Faro se faziam. O «Lita» (ou o sr. Lita, conforma as circunstâncias...) um cidadão anónimo, como milhares de farenses, que viveu a sua vida com dignidade e serviço.
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
AS HORTAS «URBANAS»
A capital sulina, tal como acontecia com outras localidades algarvias, um conhecimento directo valia esta nossa afirmação, dispunha de amplos espaços agriculturados, que se chamavam de «hortas». A boa qualidade dos terrenos, a relativa abundância de água, extraída em muitos casos com a energia eólica (os moinhos de vento) e o empenho dos cultivadores levava a que grandes terrenos inseridos nos núcleos habitacionais produzissem verdejantes ervas (salsa, coentros e hortelã), assim como deliciosos vegetais (couves, batatas doces e redondas, favas e ervilhas por aqui chamados de griséus).
Á memória vem-nos a horta do Sr. Leal (que passe a semelhança de nomes nada nos unia a não ser a relação produtor / comprador) ali na Praceta Pintor Carlos Lyster Franco, artista e professor. Possuía também uma carvoaria, ao que cremos sendo o carvão vindo de Garvão e de outras localidades do Alentejo dito Baixo. O moço, que o cronista era nesses distantes anos, ia fazer os «mandados» que a Mãe Gertrudes entregue aos labores da costura o mandava.
Ali perto, na vizinha Rua Ventura Coelho fica o «Palácio dos Guerreirinhos», também chamado de «Palácio dos Anões», face à baixa estatura dos seus donos. O vasto logradouro que se estendia em paralelo às Ruas Infante D. Henrique e Sebastião Teles, até ao Palacete do Mateus da Silveira (onde esteve instalado o Hospital Lusíadas), era uma bela horta.
Já fora da zona urbana ficava a mediática Horta dos Três Engenhos, cuja inovação de engenharia hidraúlica permitia a recolha do líquido preciso para a rega dos vastos terrenos que se estendiam até à beira Ria Formosa.
Junto à Igreja do Carmo situava-se a Horta do mesmo nome, cujos amplos espaços foram expropriados para edificação do imóvel destinado aos CTT / Telefones e onde se processava uma notável quantidade de excelentes produtos vegetais.
A rama da batata doce era um «fartote» para os coelhos que então criávamos.
Mas distante, do outro lado da cidade, ficava a Horta do Ferregial, que em1950 começo a ser retalhada, com a construção do imóvel destinado a Comando Distrital da PSP.
Era um regalo o tanque que existia junto a frondosa amoreira. Era como que uma piscina de refrigério após os animados jogos de futebol que se jogavam no «Estádio dos Blocos», onde fora o estaleiro das obras do porto comum de Faro / Olhão.
Havia também a «nobre» Horta do Palácio do Alto, com destaque para frutos exóticos e abundantes flores que o sr. António, a mando da sra. D. Antónia Fialho, ia distribuir pelas Igrejas da Cidade.
De referir os excelentes produtos vegetais produzidos eram nessa manhã conduzidos para a ampla fila de toldas, na Rua Comandante Francisco Manuel até ao interior do extinto mercado municipal (praça como se lhe chamava), onde existiam também vários talhos, inclusive da venda de carne cavalar, consumida durante a II Guerra Mundial.
Lembranças de uma cidade, através da memória das suas hortas, que já não existem,
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
A IRMÃ CARMEN
São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados. Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor. Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!
CRÓNICA DE FARO
JOÃO LEAL
A IRMÃ CARMEN
São desnecessários para quantos estão ligados à pastoral religiosa os elementos biográficos sobre a Irmã Carmen, que durante 34 anos serviu dedicadamente a comunidade farense, em especial a de maiores problemas económicos e que recentemente faleceu em Vitória (Alava) - Espanha, país donde era natural.
Nascida em Pamplona, naquela nação ibérica, há 91 anos, professou como irmã das Carmelitas Missionárias, vindo de Viana do Castelo para Faro, em período particularmente difícil, em 1974, a quando da dita «exemplar descolonização» e quando recebemos cerca de um milhão de retornados. Através da Caritas Diocesana obteve apoios, conseguiu a integração sócio - profissional e foi a «alma boa» para milhares de acolhidos. De destacar o que a Irmã Maria del Carmen Mugueza realizou neste campo estendendo a sua fraterna e cristã acção à Casa de Santa Isabel, onde durante uma década foi Directora Técnica. Esta benemérita Instituição farense conta mais de um século em prol das meninas, dos 3 aos 18 anos, que enfrentam graves problemas de ordem moral e material. Hoje é dedicadamente dirigida por uma equipa presidida pelo Dr. Dinis Caetano, que assim prossegue a louvável acção desenvolvida por seu pai, o sempre saudoso industrial Manuel Silo da Graça Caetano. A acção diligente da Irmã Carmen, como por todos era respeitosa e na generalidade tratada motivaram as merecidas e justas homenagens que lhe foram prestadas pela Casa de Santa Isabel.
Existe outro aspecto que importa realçar na benquista acção da Carmelita Missionária entre nós. Referimo-nos á permanente acção em prol da formação religiosa, a designada «catequese», que realizou em várias paróquias algarvias.
Morreu a Irmã Carmen, que veio até nós para espalhar o bem e dar o seu contributo para uma sociedade melhor. Foram 34 anos de uma doação fraterna, concretizando em cada instante as razões da sua opção religiosa.
Com as nossas saudosas homenagens a lembrança de uma mulher que serviu Faro como poucos de nós!
NA MORTE DO JOÃO FRANCISCO RAMOS
De súbito a notícia chega-nos com todo o fatalismo e o drama que em si mesmo comporta. Morreu o nosso querido Amigo e dedicado Costeleta João Francisco Ramos. O «João de Quarteira» ou «João Fome», como carinhosa e afectivamente era tratado foi nosso Amigo durante mais de setenta anos e colega desde os saudosos tempos da Escola Técnica Elementar Serpa Pinto. Quem Não era Amigo de peito do João?
Viúvo, desde há anos, da sempre saudosa e sempre presente na nossa saudade e na nossa lembrança, dessa exemplar costeleta que foi a «MIMI», e de quem o João foi um esposo exemplar e ultra - dedicado até ao seu último momento.
Morreu o João. O nosso profundo pesar e a sofrida saudade pela perda de um verdadeiro Amigo. Que Deus lhe dê o merecido descanso.
João Leal
CRÓNICAS DO MEU VIVER OLHANENSE OUTRO «CASO FÉHER« DESTA FEITA EM OLHÃO. Causou o mais profundo pesar o falecimento ocorrido em pleno Estádio Municipal de Olhão do valoroso futebolista angolano Nasser Bacum, do Lusitano Ginásio Clube Moncarapachense, Tivemos assim, nesta cidade, a repetição do igualmente dramático ocorrido há anos, em Guimarães , com o internacional húngaro Féher, que envergava a camisola do Benfica. A despeito de todos os esforços, incluindo clínicos, a paragem cardio-respiratória sofrida pelo atleta do Moncarapachense foi fatal e o atleta de 27 anos faleceu em pleno campo. Tratava-se de um jogo da «Taça Algarve», certame organizado pela Associação de Futebol do Algarve e cujo vencedor tem acesso director à 3ª Divisão Nacional. O falecido, que era muito estimado pelos seus adversários, colegas e dirigentes, iniciara-se nas escolas do Sporting e percorrera depois a carreira futebolística em vários clubes dos escalões secundários. Ao lamentarmos tão fatídico acontecimento, numa actividade que é em si mesmo vida e nunca a morte como agora aconteceu com Nasser Bacum, apresentamos a expressão da total solidariedade à Família enlutada e o profundo pesar ao enlutado Lusitano Moncarapachense, um valoroso clube deste Concelho e que tão dignamente o tem representado. João Leal
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