Um a um todos vão desaparecendo, para não mais
voltarem. São os familiares e os amigos, verdadeiras pedras angulares, que os quase noventa anos de vida nos proporcionaram, felizmente, em abundância. Mas dói, dói...há uma saudade profunda que marca a lembrança de cada um numa lembrança que permanece sempre e a todo o instante.
Desta feita foi o Casimiro de Brito, um dos vultos maiores da poesia portuguesa contemporânea. Aconteceu, por razões naturais, como a estimada filha informou, em Braga, onde se encontrava desde alguns anos, após longo período de residência em Lisboa. Éramos amigos desde os 10 anos quando o Casimiro Cavaco Correia de Brito veio da sua Loulé natal para ingressarmos na novel Escola Preparatória Elementar de Serpa Pinto. Veio com os pais, alugaram um rés-do-chão, paredes meias com o «humilhadero» do Senhor Aflitos, paredes meias com a Ermida da Senhora de ao Pé da Cruz. Revelou-se bem cedo como um «moço de valor». Concluído o Curso Geral do Comércio enveredou pela carreira bancária, onde atingiu um dos mais altos postos de uma instituição bancária já desaparecida. Entretanto e ainda em Faro era o ingresso nas vidas literária e jornalística, fundando os «Cadernos do Meio Dia («O grito claro», a sua primeira obra) e criando este mesmo espaço em «Jornal do Algarve» e «Postal de Faro», na «Voz de Loulé», bem como neste semanário da sua terra natal, a página literária «Prisma», havendo a quando da sua emigração, nos deixado estes espaços. Não vamos falar do que foi a intensa vida literária de Casimiro de Brito, com cerca de 50 livros publicados, lições e conferências por todo o mundo, dirigismo associativo, prémios e condecorações (Prémio Léopold Sengor, Grande Prémio Mundial de Haikus - de que era um dos maiores «experts», Poesia do PEN Clube, Comendador da Ordem do Infante, Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Loulé, etc.).
Morreu em Braga, onde foi sepultado no Cemitério de Montes Claros, longe deste seu Algarve, que amava até à exaustão.
Deixou-nos o Casimiro de Brito, «costeleta» honrado e cuja memória muito nos toca!
Crónicas de Faro por
João Manjua Leal
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