sábado, 26 de abril de 2008

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


JOSÉ MANUEL SERÔDIO

COSTELETA de fato azul escuro e camisola de gola alta, branca, no Inverno
Licenciado em Contabilidade pelo ISCAL, onde colaborou na feitura das INSTITUTAS, versos que ridicularizavam os professores. Ao professor de Cálculo Financeiro, que tinha a alcunha de menos dois, parece-me que foi ele fez ele estes versos.

Assim,

Meu caro Prof Gonçalves Pereira
Como tu não tive mais nenhum
Não sei qual vai ser a maneira
Hás-de passar de menos dois a menos um...

Professor de Contabilidade na Escola Comercial e Industrial de SILVES
Empresário na área da prestação de serviços em ALBUFEIRA

Um grande homem e um grande amigo.

Para o "Zé Manel Charrinho" aí vão as saudações costeletas.
Texto de
JOÃO BRITO SOUSA

CONTADO POR UM COSTELETA


O nosso bom amigo ALFREDO PEDRO, tem uma fotografia tirada em GUERREIRO DE RIOS fazendo o pino sobre o dorsal de um burro.

Do outro lado vê-se a Espanha, diz o ALFREDO

Aí lhe mando uma foto de um burro

Falta o pino.

ALFREDO, diz a verdade...
Anda fazias no burro o pino
Com essa tua idade
Como o fizeste em menino?...

Com todo o respeito do mundo, aí vai um abraço para um grande amigo.

Levanto o copo e brindo à saúde do casal.

Saudações Costeletas
Teu amigo
João Brito Sousa

sexta-feira, 25 de abril de 2008

À CONVERSA COM



ALFREDO PEDRO


Saí do Hotel Eva, na perspectiva de encontrar o Marreco engraxador, que me engraxava os sapatos naqueles tempos dos anos 50 por 3 escudos, o que na conversão actual daria aí 1,5 € . Mas qual quê, mal saí do Hotel encontrei o Chupa, então, o que é fazes por aqui, ainda jogas Hóquei em Campo aqui no Largo, que é feito do João Bico, do Quicas, do guarda redes Eduardo, do Zac... dessa malta?... O Chupa não estava aí, não sabia de nada.

Já passava do meio dia, o Marreco já teria dado à sola. Resta-me, pensei, procurar o Acarreta Pauzinhos, o Manuel Ali Bá Bá, o Almirante Fateixa, o Chico Arpanço, O Charlot, o Bacoco carvoeiro, o Bananeiro ambulante e ... o Teca.

Comecei a andar em direcção ao Aliança, enganei-me e, quando dei por mim, estava em frente ao café Batata, a seguir à Tabacaria Dinarte. Os montanheiros que costumavam estar no Batata ainda não tinham chegado e disse cá para mim, vou mas é almoçar à dos DOIS IRMÃOS, é barato, um bife 5 paus.

Estava a passar em frente da barbearia Teodoro quando me aparece saindo do TABU, onde tinha lá ido comprar uma gravata, o costeleta ALFREDO PEDRO. E disse cá para mim, vou mas é ficar com este, este é bom para a palheta.

O ALFREDO PEDRO é amigo de curta data, mas é um homem extraordinário, um amigo, daqueles que ponho as mãos no fogo por ele. Só precisamos de um OLD PARR.

ALFREDO, anda daí. Vamos almoçar. E a entrevista começou logo ali.

Sabes quem encontrei ontem aqui?

Não, disse o Alfredo

O Mário Zambujal.

É pá, há tanto tempo que eu não vejo esse “gajo” e tanto que gostava de o ver. O Mário era o maior. O tipo fazia umas redacções maravilhosas, fazia versos, sempre teve grande jeito para a escrita. O Mário é um bom amigo. Não o vejo à tanto tempo, nem o Franklin, nem o Xico Zambujal, nem o Zé António da Luz, nem os Molarinhos, nem o Zé Clérigo, nem o Zé Félix, não vejo ninguém dessa malta, o Alfredo Cantas Lopes,o António Júdice, o Eduardo Neves, o Jaime Matoso, o José Afonso, o José Dias Lucas, o José Eusébio, o Manoel Inocêncio, o Orlando Seita, o Rogério Neves, o Sérgio Godinho, o Valério Quintas.. eu sei lá...

Querias vê-os todos Alfredo, não era?

Sim... era porreiro.

Quando morreres logo vais estar com eles. Olha, vamos almoçar aqui nos Dois Irmãos. naquela mesa, ok. Então, em Faro a fazer o quê?...

Vim a Faro, nasci aqui, vim ver a cidade. Olha, encontrei no Aliança o Rosa Nunes, lembras-te dele? Ele era o mais ecléctico praticante de desporto de FARO desse tempo. Em futebol, foi dos melhores jogadores do Farense, tendo igualmente representado o Portimonense em época de maré alta desse clube. Foi na época de1948/49 em que, na fase final de apuramento para subida à primeira Divisão Nacional, o Portimonense, parece-me, foi espoliado duma subida automática.

E do Grilo, lembras-te?

Esse, era um excepcional jogador de futebol que jogava descalço e quando foi treinar ao Farense, não conseguia calçar as botas e não ficou. Organizava jogos o dia inteiro com a miudagem da zona onde tinha o quartel-general, que era o Largo Silva Porto, mais conhecido por Alto da CAGANITA. Era vê-lo a toda a hora sair dali a caminho do Espaldão, que era “estádio" mais amplo, com o inseparável boné enfiado até às orelhas e uma bola debaixo do braço, seguido por uma chusma de putos com quem se dava de igual para igual, mesmo quando já contava as suas boas dezenas de anos bem contadas.

Alfredo, o que é para ti a saudade?

Saudade, são as recordações boas da vida, o primeiro beijo a sós, a primeira tampa no baile do Grémio, a primeira vez que senti o que era ter um amigo, os cuidados e preocupações da minha mãe, as primeiras correadas que levei do meu Pai, a primeira cerveja, o primeiro cigarro, o primeiro emprego, o primeiro ordenado, a primeira ida aos Açores... o primeiro OLD PARR, o primeiro relógio, o meu primeiro filho... a primeira vez que te vi, as primeiras coisas da minha vida constituem saudade.

O que é um amigo?

É aquele que não falha. É o que está sempre disponível e que me conhece melhor a mim do que eu me conheço a mim próprio. É o que lê as minhas necessidades no meu olhar. É o que sabe que eu preciso dele. É o que vai tomar um café comigo mesmo quando não lhe apetece. É o que sabe quais as conversas que eu gosto, sabe os filmes que eu gosto, as peças de teatro que eu gosto. Em suma, ser amigo, é aquele que sempre confiou em mim e eu confiei nele.

Pai, Professor e Amigo são iguais.?

Têm uma coisa em comum; todos nos querem bem por igual. Pai e Professor cabem no mesmo palco. O amigo está noutro e só. Porque é outro departamento. O amigo é para todas as ocasiões enquanto o PAI entra em quase todas as ocasiões. A primeira noite que fui a uma boite não fui com o meu Pai; fui com o amigo. O pai e o amigo são ambos diferentes. Ao Pai diz-se algumas coisas.. Ao amigo diz-se tudo. Do professor, apenas recebemos ensinamentos no sentido de nos tornar melhores seres humanos e de nos preparar para a vida.

Vale a pena viver?

Sim, a vida é para se viver. Não tem alternativa nem saída. É olhar em frente.

Recorda uma pessoa que tenhas admirado?

O Dr. Urbano, professor de Contabilidade que me ajudou a entrar para o BNU

Que tal aí?

Foi o meu local de trabalho durante mais de trinta e tal anos...

Vai um OLD PARR?

Contigo, sempre.

E despedimo-nos.

Texto de
João brito Sousa

TEMA PARA DEBATE ENTRE COSTELETAS


QUANTO MAIS SE AMA MAIS FRACO SE É!...

Nas relações amorosas o único sentimento que não funciona é o da piedade. Quando é o caso de que se devesse manifestar, o que surge não é a piedade mas o asco ou a irritação. Eis porque em relação alguma se é tão cruel. Todos os sentimentos têm o seu contraponto. Excluída a piedade, a crueldade não o tem. Por experiência se pode saber quanto se sofre quando não se é amado. Mas isso de nada vale quando se não ama quem nos ama: é- se de pedra e implacável. Decerto, tudo se pode pedir e obter.

Excepto que nos amem, porque nenhum sentir depende da nossa vontade. Mas só no amor se é intolerante e cruel. Porque mostra amor a quem nos não ama rebaixa-nos a um nível de degradação. E a degradação só nos dá lástima e repulsa. A única possibilidade de se ser amado por quem nos não ama é parecer que se não ama. Então não se desce e assim o outro não sobe. E então, porque não sobe, ele tem menos apreço por si, ou seja, mais apreço pelo amante. O jogo do amor é um jogo de forças.

Quanto mais se ama mais fraco se é. E em todas as situações a compaixão tem um limite. Abaixo de um certo grau a compaixão acaba e a repugnância começa. Assim, quanto mais se ama mais se baixa na escala para quem ao amor não corresponde.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 3'

MEU COMENTÁRIO.

Penso que Vergílio Ferreira complica as coisas, torce-as, enrola-as. Conheço alguma coisa da sua obra e da sua escrita e concluo que VF é um autor que, não sendo filósofo, pretende escrever como filósofo.

Cada um de nós tem uma noção do que é ser amado e do que é amar. O problema do amor é a intensidade dele, porque é difícil haver entre dois a mesma intensidade de amor.. .

Dizer que “Quanto mais se ama mais fraco se é..” é proferir uma banalidade e, ao mesmo tempo, estamos a ter uma atitude contrária à que o escritor deve assumir, porquanto se está a ter uma atitude de desvalorização do homem.

O escritor deverá contribuir para formar o carácter do homem e não colocá-lo numa situação de dúvidas....

A questão que estamos a abordar aqui não pertence à literatura mas sim à sexologia .

Dizer que quanto mais se ama mais fraco se é, é um bocado absurdo, pois amar-se cada vez mais sem a respectiva correspondência é um pouco ilógico.

Publicação de
João Brito SOUSA

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


MÁRIO COELHO PROENÇA LEONARDO

Natural de Olhão, frequentou a Escola Comercial e Industrial de Faro e fez aí os seus estudos
Bancário no BPA onde chegou à Gerência e trabalhou com os costeletas Zé Marcelino, Aníbal Pereira e outros..
Foi aluno do Dr. ZECA AFONSO de quem era amigo..
Colega de turma do Bartolo, do Zé Maganão e de outros.
Jornalista no jornal O OLHANENSE de Olhão.
O Mário é um bom amigo.

TEXTO DE
João Brito Sousa

DO CANADÁ PARA OS COSTELETAS


Do RUI COIMBRA, a residir no Canadá, recebi este mail que não resisto a publicar aqui. Ei-lo:

“Um abraco do Canada para o Sr Brito
em primeiro quero pedir desculpa pelos erros que vou ter..Sr brito depois de agosto 2007 tenho visto nos [blogues] dos costeletas ou abracos aos braciais que eu conheco muitas pessoas que voce por vezes fala ...com por exeplo o Sr Silvino Marmota da Mocidade portuguesa em faro ,,.pois eu tambem frequentava a Mocidade portuguesa

nesse tempo ......pois o Sr marmota e meu padrinho do baptismo e a esposa minha madrinha e que sao bem vivos hoje ,,pois moram em faro...pois nao sou [bife nem costeleta] mas estive empregado nos anos 57 a 63 primeiro na mercearia que estava no largo do mercado em faro ,,lado nascente ,,.nessa mercearia estive 4 anos depois fui

para a mercearia do barao no largo da palmeira......pois ao fazer a escola primaria tive a sorte de ter uma GRADE professora na 4 classe que se chamava Natercia Pires Correia ,,,mais ainda,, foi a Dona natercia que pedio ao dono da mercearia trabalho

para mim....conheci bem a Dona natercia como a mae e os avos que moravam no patacao ,,,estive muitas vezes na casa da Dona natercia ...morava na rua actor nascimento fernandes No ,,10 isto foi em 1957 tinha eu 12 anos,,,,,,,claro que conheci o professor Zambujal tambem o mario que trabalhava em frente da mercearia onde eu estava......nessa altura conheci o horacio santos seu irmao como os pais

tambem,,pois moravam a 50 metros do mercado de faro ,entre o mercado e a estrada de olhao a partir da farmacia,,,,,,,meu nome e rui coimbra [tio do victor] sou de mata-lobos andei na escola em Sao-joao-da venda e foi la que a Dona natercia foi minha professora,,,.com certeza que nos anos entre 57 e 63 estariamos juntos varias vezes,,,,porque eu tambem conhecia a Graciete passos;;;;e todas as tabernas do

patacao, incluindo a do Ze manelinho,,........fui para a franca em 63 onde estive dez anos ,estou no canada desde 73 ,hoje reformado estou aprendendo qualquer coisa no computador...vai devagar,,mas vai,,,,,,,sem mais um abraco,,,,,,,,,,rui

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

quinta-feira, 24 de abril de 2008

QUEM NÃO SE LEMBRA DELE?


HERLANDER DOS SANTOS ESTRELA
Licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras ao Quelhas.
Foi um bom aluno e fez o curso com boas notas
Após a licenciatura ingressou no Gabinete de Estudos do Banco Totta & Açores tendo feito toda a carreira profissional na Banca Comercial e chegou a Administrador do BANCO DE PORTUGAL.
Foi Secretário de Estado das Finanças num Governo PS.
Foi um atleta multidisciplinar e correu o Primeiro Passo em Lisboa, prova organizada pelo Mundo Desportivo de há cinquenta anos.
É irmão do costeleta Montarcílio Estrela. e é um grande amigo e um homem de uma grande dimensão humana.
É um grande amigo.

Texto de
J. Brito SOUSA

A ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE FARO



È a minha grande referência.

A minha estadia na Escola (1953/61), sita paredes meias com a Alameda João de Deus, foi precisamente à João de Deus, que em Coimbra., levou dez anos a tirar um curso, cujo duração efectiva era apenas de cinco.

Falar da Escola Comercial e Industrial é falar de grande parte da minha vida, ou de quase toda.

A Esco la Comercial e Industrial é uma saudade.

Começar por onde?

Por relembrar aquela jogada genial do João Cuco, que num jogo treino de andebol, no átrio da Escola, quando o professor de ginástica apitou para iniciar o treino, o João fez este trabalho maravilhoso: agachou-se, apanhou a bola com a mão esquerda, prendeu-a à mão, levantou o tronco, ensaiou o movimento para trás do braço esquerdo com a bola segura e atirou a bola para Alameda João de Deus.

Mais harmonioso movimento de braço e tronco nunca foi visto em lugar nenhum do Universo..

De tal forma que o jogo treino acabou logo ali. Mais beleza para quê?


Ou começar por referenciar, aquela defesa que eu fiz no campeonato inter turmas de andebol, estava eu no 2º quarta do Curso Geral de Comércio, era o keeper e defrontámos a equipa do Vicente, da Industria, parece-me, um que diziam namorava a Lita e era jogador da equipa representativa da Escola nos campeonatos da Mocidade Portuguesa.

Às tantas o Vicente entra na área com a bola controlada e, em salto no ar, mandou a bola de raiva (estávamos zero a zero) para o meu lado direito, próximo do poste, a bater um palmo antes do risco de baliza (os entendidos sabem que é jogada fatal) e eu, keeper anónimo, desconhecido no mundo inteiro, em voo decidido, qual falcão a cortar os ares, evitei que a bola entrasse na baliza.

Simplesmente genial.

Ou começar por referir as cenas de porrada que havia no recreio entre o Nogueira e o Zé Filipe de Olhão, entre o Reinaldo Neto de Estoi e o Zé Pedro Soares da Fuzeta, entre mim e o Rodrigues de Olhão, entre o Alfredo Teixeira e o Guy... ambos de Albufeira, o Ferro e o Salsinha...e outros...

Que lutas entre moços!.....

A Escola no meu tempo também era isto.

Aliás quem tiver dúvidas acerca do que acabo de dizer, é ler o Dr. Daniel Sampaio em “Voltei à Escola”, onde o professor fala de muitas coisas comuns e do Dr. Raimundo, o professor de Geografia a quem a malta chamava o Ratimundo.

Alcunhas aos professores, sim, também fizemos isso, obrigado.

Ao Dr. Rebelo da Silva, de Inglês alcunhamo-lo de ”O Fonética”, pois dizia ele que Inglês só a partir da fonética. Hoje. à distância, direi que era um homem sem qualquer aptência para lidar com jovens rebeldes.

Aliás foi na aula dele, que o Macedo e o Edménio levaram a pistola de plástico, numa brincadeira de ameaça de morte, que deu brado na Escola..

Mais coisas:

Na aula do Dr. Cruz, aula mista de inglês, a lição era Correios e selos de correio, que se colocavam no canto superior direito do envelope... a malta lia ... I put the stamp in the corner…. e o Cruz corrigia…I put the stamp in the cóna,.. não dava mesmo.. risada de morte...

Quando eu dei um track na aula de Física, e ... fazendo-me de espantado... olhei para trás e o Zé Lúcio Beatriz Dias foi para a rua

Quando na aula do Zè Uva, um aluno deixou cair a caneta, e o prof.. disse: você aí, abaixe-se, apanhe a caneta, em frente marche, esquerda volver, alto, abra a janela, estique o braço, abra a mão...
.
Ou quando o Zé Vitorino se dirigia ao Dr. Passos e perguntava-lhe: senhor Doutor, esta palavra lê-se tomorrow ou tomórrow?...

Ou quando o Daniel de Almancil chamou de atletista afanado ao Firmino Cabrita por ter feito o quarto lugar numa prova de atletismo, no Liceu contra o campeão daquele tempo, o Negrão Belo..

Tanta coisa....

João Brito Sousa

OS VENDEDORES E OS COSTELETAS


Os vendedores ambulantes que se instalavam perto da Escola para procederem ao seu negócio, era o Ruço ou Manel dos Bigodes que vendia gelados no Verão e alcagoitas no Inverno O Manel era do FARENSE e doido pela equipa que em termos de Farense /Olhanense ou vice versa, na segunda feira seguinte ao jogo, lá íamos ouvir as histórias contadas pelo Manel sobre as pedradas havidas no campo.
Havia a velhota dos bolos que vendia os pastéis de nata e os bau-baus. De OLHÃO vinha um tipo vender ratos em caramelos e havia ainda o Coelhinho que vendia todo o tipo de guloseimas incluindo os sorvetes.

Texto de
João Brito Sousa

A CASA DOS COSTELETAS


Ou A CASA DA MOCIDADE PORTUGUESA.

A Casa da Mocidade Portuguesa ficava situada mais ou menos ali próximo da Pontinha. Era aí que se distraía a juventude escolar, jogando a laranjinha, o bilhar, o ping -pong e os bonecos. E também aí se desperdiçava muito tempo, inutilmente, e se chumbavam muitos anos.

O Encarregado de manter a ordem na loja era o Sr. Galhoz, que já fazia parte da mobília.. Quem se encostasse à mesa do bilhar já sabia que iria ouvir o grito de ordem do Galhoz, «Desarrima do bilhar» .

Mais tarde como coadjutor veio o senhor Marmota e então outro grito surgiu. Quando íamos jogar os matraquilhos e não estávamos autorizados a introduzir as moedas, para evitar eventuais avarias ou pequenas batotas financeiras éramos nós que gritávamos «Sr.Marmeta, mota!» em vez de «Sr. Marmota, meta »

Publicação de
JOÃO BRITO SOUSA

quarta-feira, 23 de abril de 2008

25 DE ABRIL SEMPRE










Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola vila morena
Terra da fraternidade

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade


Grândola, vila morena foi composta como homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde no dia 17 de Maio de 1964, José Afonso fez uma actuação. É nessa actuação que o cantor conhece o guitarrista Carlos Paredes, ficando impressionado com "o que esse bicho faz da guitarra!" (expressão do próprio José Afonso numa carta aos pais).

José Afonso fica também impressionado com a colectividade: um "local obscuro, quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca com claros objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma grande consciência e maturidade políticas".

Esta canção tornar-se-á famosa ao ser escolhida como senha para a revolução do 25 de Abril Houve duas senhas. A primeira, às 23h, foi a música "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho. Grândola, que foi a segunda, passou no programa "Limite" da Rádio Renascença às 0.20h do dia 25. Foi o sinal para o arranque das tropas mais afastadas de Lisboa e a confirmação de que a revolução ganhava terreno.

Recolha de
João Brito SOUSA

À CONVERSA COM O COSTELETA


MÁRIO ZAMBUJAL

Ainda estou por FARO e gostava de continuar a estar. Faro atrai-me pelo passado doutros tempos. Recordo então aquela cena no Café Aliança, quando fui lá tomar café com o Zé dos Santos, um homem da minha terra de quem sou muito amigo desde as futeboladas no campo dos matos e tojos, onde o Zé jogava descalço.
Entrámos, sentámo-nos e esperámos...
E o empregado nada...
Até que o Zé se chateou, olhou e gritou..... Éih, ó manzurro .,. então como é..

Lembrei-me dos engraxadores, fardados a cotim azul, um comportamento exemplar baseado em pouca conversa e trabalho à altura.

E fui até lá.
Sentei-me e não precisei de chamar manzurro ao empregado. Fui atendido normalmente. Tomei o café e estava aparentemente livre. Olhei em redor na vaga perspectiva de ver por ali o Vieira Calado do Liceu, a Ana Bela Buissel, o Helder Amaro, o Aleixo, o Jaime Reis ou o Guta da Escola. Nada....

Eis senão quando passa o MÁRIO ZAMBUJAL.. Foram duas horas de conversa que deu nisto.

Mário, em Faro a fazer o quê?

A matar saudades, claro. Como diz o Sérgio Godinho, de matar não gosto muito saudades é diferente. Sabes, fiz aqui os estudo secundários, os meus pais e irmãos viveram aqui, foi aqui o meu primeiro posto de trabalho, a minha infância foi aqui, a minha juventude idem e tenho cá grandes amigos. Venho muitas vezes a Faro, vagueio pela cidade e recordo. É um bom exercício, sabes.

E o que é que te lembras dos teus tempos passados aqui?

Recordo de jogar à deserta com os outros no começo da noite. Era um jogo praticado entre dois grupos de rapazes em que os de um grupo tentavam apanhar todos os do outro. Íamos à Rua de Loulé ver o Pai do Sidónio trabalhar na arte de abegão, pois a sua actividade era construir carros de mula e arados. Eu adorava ver o manejo da plaina pelos operários. Às vezes íamos chatear a cabeça ao Acarreta Pauzinhos, que era uma espécie de adjunto para toda a obra de uma das adegas do Largo da Palmeira.. e tanta coisa....

Quem era a malta do teu tempo.

Eu era do célebre 2º ano 4ª turma, portanto era companheiro do Franklin, do Zé António da Luz, do Clérigo do Passo, dos irmãos Molarinho, do meu irmão Xico, do João Manjua Leal, do Casimiro de Brito e de outros mais. ...

Como é que foi a tua oral a inglês com Mr. Passos?

Foi uma cena cómica. Eu embirrava com o Inglês e tinha sido admitido à oral a Inglês com o Dr. Passos. Eu andava por ali a dar as últimas numa lição que eu sabia mais ou menos, quando me aparece o Professor, que ao ver –me naquela aflição, disse-me, então Mário, qual é o problema? E eu, não sei como, ainda arranjei força suficiente para dizer ao Prof...ó Stor, veja bem a minha sorte, gosto tanto desta lição que gostava imenso que ela me saísse. Mas será lá possível?... E o prof sorrindo seguiu para a sala de exames. Depois começaram as orais e às tantas fui chamado e diz o Dr. Passos, ora senhor Mário, abra lá o seu livro na página 85. E Assim me safei..

E despedimo-nos.

Texto de
João Brito Sousa