terça-feira, 16 de novembro de 2010

poesia

O ESPELHO DA AMIZADE

Sublime ... o sentimento da amizade,
O elo do amor e da ternura;
A força estimulante que perdura,
Em toda a sintonia da verdade!

Amizade é o espelho da bondade,
Em que a alma reflecte a luz mais pura,
Retrata o altruísmo, com doçura,
Imagem que revela dignidade! 
                 
Quem dá sua amizade tem nobreza.
A clara erudição de tal grandeza,
Envolve o bem-fazer, e a transparência!

Amizade é, pois, força imanente,
Que flui da nossa essência e dá semente,
- A dádiva real, por excelência!...

Maria Romana

OUTROS AUTORES

A GALINHA (excerto)

Um conto de Vergilio Ferreira

Minha mãe e minha tia foram à feira. Minha mãe com o meu pai e minha tia com o meu tio. Mas todos juntos. Na camioneta da carreira. Na feira compraram muitas coisas e a certa altura minha mãe viu uma galinha e disse:
- Olha que galinha engraçada.
E comprou-a também. Estava agachada como se a pôr ovos ou a chocá-los. Era castanha nas asas, menos castanha para o pescoço, e a crista e o bico tinham a cor de um bico e de uma crista. Nas costas levara um corte a toda a volta para se formar uma tampa e meterem coisas dentro, porque era uma galinha de barro. Minha tia, que se tinha afastado, veio ver, estava a minha mãe a pagar depois de discutir. E perguntou quanto custava. A mulher disse que vinte mil réis, minha tia começou aos berros, que aquilo só se o fosse roubar, e a mulher vendeu-lhe uma outra igual por sete mil e quinhentos. Minha mãe aí não se conformou, porque tinha regateado mas só conseguira baixar para doze e duzentos. A mulher disse:
- Foi por ser a última, minha senhora.
Minha tia confrontou as duas galinhas, que eram iguais, achando que a de minha mãe era diferente.
- Só se foi por ser mais cara - disse minha mãe com a ironia que pôde.
Minha tia aqui voltou a erguer a voz. Não se via que era diferente? Não se via que tinha o bico mais perfeito? E o rabo?
- Isto é lá rabo que se compare?
E tais coisas disse e tantas, com gente já a chegar-se, que minha mãe pôs fim ao sermão, por não gostar de trovoadas :
- Mas se gostas mais desta, leva-a, mulher.
Foi o que ela quis ouvir. Trocou logo as galinhas, mas ainda disse:
- Mas sempre te digo que a minha é de mais dura, basta bater-lhe assim (bateu) para se ver que é mais forte.
- Então fica com ela outra vez - disse minha mãe.
- Não, não. Trafulhices, não. Está trocada, está trocada.
Meu tio estava a assistir mas não dizia nada, porque minha tia dizia tudo por ele e, se dissesse alguma coisa de sua invenção, minha tia engolia-o. Meu pai também estava a assistir, mas também não dizia nada, por entender que aquilo era assunto de mulheres. Acabadas as compras, minha mãe voltou logo com o meu pai na carroça do António Capador que tinha ido vender um porco. Mas a minha tia ficava ainda com o meu tio, porque precisavam de ir visitar a D. Aurélia, que era uma pessoa importante e merecia por isso uma visita para se ser também um pouco importante. E como ficavam e só voltavam na camioneta da carreira, a minha tia pediu a minha mãe que lhe trouxesse a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se podia partir. De modo que disse:
- Tu podias levar-me a galinha, para não andar com ela o dia inteiro num braçado, que até se pode partir.
Minha mãe trouxe, pois, as duas galinhas na carroça do António Capador, e a minha tia ficou. E quando à tarde ela voltou da feira, foi logo buscar a sua. Minha mãe já a tinha ali, embrulhada e tudo como minha tia a deixara, e deu-lha. Mas minha tia olhou a galinha de minha mãe, que já estava exposta no aparador, e, ao dar meia volta, quando se ia embora, não resistiu:
- Tu trocaste mas foi as galinhas.
Disse isto de costas, mas com firmeza, como quem se atira de cabeça. E minha mãe pasmou, de mãos erguidas ao céu:
- Louvado e adorado seja o Santíssimo Nome de Jesus! Então eu toquei lá na galinha! Então a galinha não está ainda conforme tu ma entregaste! Então tu não vês ainda o papel dobrado? Então não estarás a ver o nó do fio?
Estavam só as duas e puderam desabafar.
- Trocaste, trocaste. Mas fica lá com a galinha, que não fico mais pobre por isso.
Minha mãe, cheia de compreensão cristã e de horror às trovoadas, ainda pensou em destrocar tudo outra vez. Mas aquilo já ia tão para além do que Cristo previra, que bateu o pé:
- Pois fico com ela, não a quisesses trocar. Só tens gosto naquilo que é dos outros.
E daqui para a frente, disseram tudo. Minha tia saiu num vendaval, desceu as escadas ainda aos berros, de modo que minha mãe teve ainda de vir à janela dizer mais coisas. Minha tia foi indo pela rua adiante, sempre aos gritos, e de vez em quando parava, voltando-se para trás para dizer uma ou outra coisa em especial a minha mãe, que estava à janela e lhe ia também respondendo como podia. Até que a rua acabou e minha mãe fechou a janela. E aí começou o meu pai, quando lá longe minha tia lhe passou ao pé e meu pai lhe perguntou o que havia e ela lhe disse o que havia, chamando mentirosa a minha mãe. Meu pai então disse:
- Mentirosa é você.
E começou a apresentar-lhe os factos comprovativos do que afirmara e que já tinha decerto enaipados de outras ocasiões, porque não se engasgava:
- Mentirosa é você e sempre o foi. Já quando você contou a história do Corneta, andou a dizer que
- Mentiroso é você, como sua mulher. Uma vez na padaria a sua mulher disse que
E daí foram recuando no tempo à procura das mentiras um do outro. Estavam já chegando à infância, quando apareceu o meu tio. Minha tia passou-lhe a palavra e começou ele. Mas como a coisa agora era entre homens, meu tio cerrou os punhos e disse:
- Eu mato-o, eu mato-o.
Meu pai, que já devia estar cansado, ficou quieto, à espera que ele o matasse, e como ficou quieto, meu tio recuou uns passos, tapou os olhos com um braço e disse outra vez:
- Foge da minha vista que eu mato-te.
Entretanto olhou em volta à espera que o segurassem. E quando calculou que tudo estava a postos para o segurarem, ergueu outra vez os punhos e avançou para o meu pai. Finalmente seguraram-no, e meu tio estrebuchou a querer libertar-se para matar o meu pai. Mas lá o foram arrastando, enquanto o meu tio se voltava ainda para trás, escabujando de raiva e de ameaça.

IN Vergílio Ferreira, Contos, (1979)
Colocado por Rogério Coelho

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A INOCÊNCIA DOS LOUCOS



Se não formos injustos seremos um inocente
Mas responsável perante nós e o semelhante
Inocência é a saúde da alma; alegria da mente
Mas a inocência dos loucos quem a garante ?...

O louco acredita em tudo que lhe vem á cabeça
E três quartos das loucuras são mesmo tolices
Saber onde acaba a inocência e a loucura começa
Eis a questão de saber onde colocar as burrices.

Inocência dos loucos, bom tema para estudar
Fizeste bem ó Montinho no teu texto colocar
Um assunto que teve diferentes interpretações

Uns disseram, é contra ti; outros disseram não.
E eu, não percebendo, entendi na minha razão
Ter a inocência dos loucos correctas intenções

João Brito Sousa


Obra da autoria de Rosa Trindade e Dulce Bulha e ilustrações dos alunos do curso Cientifico – Humanístico de Artes Visuais dos 11º e 12º anos da Escola Secundária de Tomás Cabreira.
QUANDO ALGUÉM PARTE
Informamos que o funeral do

José Manuel Pontes Gonçalves

se realiza 4ª feira dia 17
pelas 14h30
na Capela do cemitério de Montechoro
"Deus protege os inocentes, as crianças e os loucos, e, tomara, os poetas, para que esses possam sempre perceber e comentar tal facto"


A INOCÊNCIA DOS LOUCOS


Com exceção dos inocentes, das crianças e dos loucos, subentenda-se aqui os "bons loucos", é difícil encontrar alguém assim como ele, o meu amigo Sousa. Só não sei exatamente em qual dessas categorias ele seria inserido com mais acerto. Seria na categoria dos inocentes? Talvez, apesar de ter mais de sessenta e cinco, como todo o homem maduro, avò de dois netos. Dono dessa inocência que faz a pessoa cantar para os netos dormirem, para os netos acordarem "ligados", e na impossibilidade de poder cantar para os filhos e netos dos outros dormirem e acordarem. Ele sabe aquele tipo de paz, de quando a gente fecha a cortina e não importa se o que bate na vidraça é o vento, a chuva ou o sol? É desse tipo, a inocência da qual me refiro. Tudo está bem de qualquer jeito, porque o mundo do inocente transborda mesmo é no coração.
Falando em bater no vidro, lembrei-me de que justamente com o Sousa aconteceu o seguinte: num trânsito de cidade -- pra não dizer infernal -- lá estava ele, dirigindo, com as crianças devidamente no banco de trás, enquanto no banco do passageiro, viajava a sua carteira. Obviamente, tratando-se do avò, eles cantarolavam alguma música junto com o rádio.
Eis que no semáforo vermelho, dois motoqueiros, um de cada lado do carro, param. O do lado do motorista, bate no vidro e o Sousa olha, achando um pouco estranho aquele homem, naquele calor, com aquela roupa toda e mais o capacete fechado. Não consegue entender o que ele diz. Também, com aquele capacete e o volume da música no rádio! Ele parece agitado e abre um pouco mais o vidro, sugerindo com um gesto para ele abrir o capacete. Ele levanta a viseira, e assim o percebe realmente irritado mas não entende o que diz. Então ele comenta: - Ta um grande calor? Ele insiste, apontando para o outro lado. Ele olha e nota que o outro vidro está meio abaixado e responde sorrindo: - O vidro está aberto! Obrigada moço! E começa a fechar os vidros, percebendo nesse momento que existe mais um motoqueiro, do outro lado do carro. O sinal abre e então os dois motoqueiros saem lado a lado, conversando. O neto de apenas sete anos lhe diz: - Avô, você não percebeu que ele te queria assaltar! - Imagina filho, não era nada disso, ele estava avisando que o vidro estava aberto!
Dias depois ele sabe pelo jornal: existem duplas de motoqueiros atacando naquele semáforo. Roubando os motoristas, principalmente mulheres e pessoas idosas, das quais eles "pedem" as bolsas e carteiras.
Mas será que ele se encaixaria mais na categoria criança? Talvez, já que brinca e conta histórias para crianças como se fosse uma delas!
Por fim, seria louco este meu amigo? Talvez... porque manter a inocência nos dias atuais, só de loucos!

Montinho
(Subscrevendo o pedido de JB “Não abandonem o Blogue!)
NA RUA DIREITA
Por João Brito Sousa

Era na rua Direita na Costa da Caparica, na que vai para a praia, que, no primeiro café à esquerda, se juntavam o Dr. Ventinho e mais uns quantos, formando uma espécie de tertúlia e digo espécie, porquanto apenas o Ventinho era possuidor de uma bagagem invulgar. Os outros nem por isso. Mas sabiam ouvir, uma particularidade interessante e cada vez menos usual. E que conta muito.
Ventinho desempenhara na vila a sua profissão de médico, era muito conceituado, um homem daqueles a que se pode chamar um homem bom. Mas era sobretudo um homem da cultura, patriótico quanto baste, conhecedor dos princípios e valores por que se deve reger a sociedade, um estilo eticamente correcto, acompanhava-o sempre um sorriso, os seus bons dias dados à população transmitiam uma corrente de grande harmonia social, o que levava as pessoas a terem pelo facultativo uma grande dose de amizade.
Era ainda poeta e fazia sonetos profundos. E conseguia sonhar escrevendo os seus poemas. Sobretudo poemas de amor e com muito amor. Era, não parecendo, um apaixonado da vida, apesar de possuir um ar melancólico. E, tal como Saramago, sabia que hoje estamos e amanhã podemos não estar.
A boa relação entre o Dr. Ventinho e os pescadores, respectivos familiares ou outros, começava no consultório do médico, onde, com uma paciência infinita, se inteirava dos males da clientela, jovem ou adulta. A simpatia de Ventinho era natural, tudo espontâneo, de tal modo que quando se soube do seu falecimento, toda a vila chorou, porque tinha morrido um homem bom.
Certa vez que entrei no acima citado café, o grupo estava reunido e falava de História Universal, assunto que o Dr. Ventinho adorava abordar. Além de História, Ventinho adorava também Literatura e falava dos autores clássicos com a propósito e sabedoria Prosa ou poesia, tanto fazia, pois a vida para Ventinho era estudar. Mas isto tudo depois da Medicina, que ele exercia com uma devoção enorme, quase paixão.
Eu conhecia Ventinho desde uma vez que precisei dos seus serviços. Ficámos bons conhecidos, quase amigos e cumprimentava-o sempre, quando me cruzava com ele na rua que ia dar á praia. Ventinho, que usava chapéu, um palhinhas no Verão e um de feltro lá pelos Invernos, balbuciava bons dias ou boas tardes e levava as mãos ao alto do cocuruto, simulando tirar o chapéu. Era um cavalheiro.
Quando entrei no café cumprimentei os presentes, especialmente Ventinho,, que era o único que eu conhecia e recebi dele a respectiva contrapartida. Ia com um amigo e sentámo-nos numa mesa ao lado, e às tantas diz-me o meu amigo.
- Conheces o sujeito que está a falar?

jbritosousa@sapo.pt

domingo, 14 de novembro de 2010

NÂO ABANDONEM O BLOGUE


Esta chamada de atenção no blogue costeleta, para não abandonarem o blogue, fez algum distúrbio no baú dos meus conceitos quando li o apelo “poético” do JB.
Paciência, João, o mundo não vai acabar amanhã, e se acabar, teremos vivido inutilmente.
Se tu, João, que és escritor bem reconhecido e bem publicado, dizes isto, a quantos eu terei vivido e lido até então para o dizer?
Convém explicar que o apelo deste amigo está ligado ao poema que ele publicou aqui no blogue.
Pois bem, ele está certo. Depois, diz o dito popular que durante a vida todos devem plantar uma árvore, escrever um livro e… Ele já fez isso tudo. A árvore cresceu, o livro (vários) até editados foram. A árvore, por certo, já espalhou muitas sementes e deve ter uma prole significativa. Os livros, perguntando aos passeantes deste blogue quem os não leu? E… fica no pensamento dos curiosos em que podemos incluir este “apelo”
Será que houve algum vazio neste blogue? Quase todos os dias vejo, com satisfação, publicada uma nova crónica
Diz, meu caro amigo, conterrâneo e escritor, que adivinhão tu não és (que eu saiba) nem sensitivo para descodificar caraminholas numa tela fria de computador, no outro lado afastado neste Portugal, entre Faro e o Porto mas centralizado na Internet?
Caraminhola de quem age, conscientemente, como se o mundo fosse uma incógnita e que se satisfaz na plenitude dos seus direitos em subscrever com pseudónimo os seus textos neste blogue, mas que, também, se satisfaz com muita admiração verificando o teu contributo “desinteressado” mas interessado na continuidade e existência deste órgão de informação Costeleta; um “ponto de encontro” como escreve o Ferreira Borges.
E o “Mingau” não abandonou o Blogue Costeleta apesar de várias “injustiças”.
“Ainda havemos de viver todos até à morte”
E, como escrevia o Zé Elias Moreno:
A-LÁ-Bi! A-LÁ-BÁ!...
Um abraço e inté.

Alfredo Mingau


FIGURAS DA CIDADE

ALMEIDA CARRAPATO, Dr


Júlio Felipe de Almeida Carrapato, foi uma figura de grande prestígio na cidade de Faro. Impunha-se ao passar, pela forma irrepreensível como vestia, pela sua altivez, talvez resultado da sua competência profissional.

Advogado e publicista, foi dos autores que em Portugal mais se debruçaram sobre o poder local e regionalização, entendendo que esta última matéria, se deveria materializar pela devolução ou transferência de poderes a efectuar pelo poder central..

Homem possuidor de vasta cultura e de uma inteligência clara e actuante, desempenhou dos mais altos cargos públicos na cidade e no Distrito.

Nasceu em Faro em 1919 e foi aí que cresceu e estudou, tendo sido na sua cidade natal, que concluiu o curso dos liceus de 1931/ 38 como aluno de quadro de honra.

Homem do jornalismo e da ciência política, colaborou na revista Pensamento, no Diabo, Sol Nascente e República. Em 1942, publicou o seu primeiro livro, a que deu o título de "Aurora e Crepúsculo de Uma Idade", altura em que cursava Direito na Universidade de Lisboa.

Uma vez licenciado e em condições de exercer a actividade profissional iniciou-se como assessor de José de Sousa Cachola, advogado com escritório no Largo de S. Pedro, ocupando esse mesmo espaço por conta própria, após falecimento do patrono.

Além do Direito e outras matérias, interessou-se igualmente pela poesia, estudando Camões em profundidade, também Bocage e Antero de Quental. Diz que Camões foi um mestre, mas nem por isso deixou de ter mestres. A todos compreendeu e como génio que foi, a todos se excedeu.

Este é o carácter dos génios; o facto de aprenderem não os diminui, mas o de ultrapassarem os que lhes ensinaram, caracterizam-nos.

Júlio Carrapato, um senhor.

Retirado de Obras (Quase) Completas de J.C.



jbritosousa@sapo.pt

sábado, 13 de novembro de 2010


GRISÉUS & Cª.


Década de 40 do Século XX, anos da minha infância em que eu e o Povo desconhecia o que eram produtos Biológicos? quando na generalidade eram de consumo regular porque a adubação química se iniciará mais tarde em outras plantações a caminho da Agricultura Industrial.

Os legumes que tínhamos disponíveis os mais saborosos na Região eram “Os griséus“ que apareciam pouco antes da Páscoa em que nesse dia era o Prato Principal, e considerados das melhores iguarias e ainda na atualidade são prato de muitos restaurantes acompanhado com ovos e de outras formas culinárias.

A maioria da gente nova moradores na cidade poucos sabem de que legume se trata, possivelmente até alguns são capazes de conhecer o nome cientifico de Psium sativum L. da Família Fabacear.
E toda a gente os conhece por Ervilha.

Estávamos na época de segunda guerra mundial e no interior de alguns concelhos do Algarve a denominada ervilha era precisamente outro legume com aparência semelhante ao Tremoço de acordo com informações orais sobre o que era quem, já que na cidade de Faro os griséus era mesmo as Ervilhas.

Me deram a explicação do que aquilo que comia em casa denominado por Ervilha era chamado de Chicho ou Xixo que deixei de ver há mais de 60 anos e na net não encontro qualquer referência desse produto!
Suponho que sendo planta de maior rusticidade e produtividade agravado com o racionamento que decorria nesses anos de produtos alimentares, foi uma alternativa no meio rural onde até se falava que se fazia pão com farinha de alfarroba (nunca vi) e também não existia energia elétrica suporte que na atualidade leva a equipamentos domésticos que faz com que muitos falem mesmo que há menos de cinqüenta anos a maioria do Povo vivia na idade da Pedra.

Falar de Ervilha agora é um produto que se encontra na forma congelada todo o ano a preço acessível ao contrário de antigamente que só era consumido na época própria, assim como a maioria das frutas e legumes que temos disponíveis hoje, sendo a laranja denominado um Fruto que aparecia fora de época em que a colheita era no Inverno e o consumo era apetitoso no tempo de calor.
Saudações Costeletas
António Encarnação










CANTINHO DOS MARAFADOS

GAIVOTA  DO LESTE
Do Montinho - (QUE NÃO ABANDONOU)


Era uma vez uma rapariga vinda de um país de leste, que casou com um moçoilo português, vivendo os dois em Faro.
A pobre rapariga não sabia falar português, nem mesmo algumas palavras, mas lá se ia entendendo com o marido, que até era um bom Costeleta.
O pior era quando tinha que ir às compras...
Um dia foi ao talho para comprar pés de porco.
Não sabendo como os pedir não teve outro remédio senão descalçar-se, mostrar os pés e roncar ao mesmo tempo.
Lá conseguiu levar os pés de porco para casa.
No dia seguinte foi comprar peito de galinha. Mais uma vez as coisas não correram lá muito bem e teve que desabotoar a camisa e mostrar o peito enquanto cacarejava.
Lá conseguiu levar os peitos de galinha para casa.
No terceiro dia pretendia comprar umas grandes salsichas, e, como não conseguia explicar por si própria, resolveu levar o seu marido consigo....
Estão a imaginar a cena que se seguiu, não é?
É óbvio que não aconteceu nada.
O marido disse em bom portuguès: "quero 4 salsichas frescas"

Hummmm... Um abraço ao JB.









ABANDONAR?

Jamais...Jamais...
(prononciation française...svp)


Abandonar?...o que é isso?
Toquem chocalhos e trombetas,
entremos já de serviço:
Salvemos os Costeletas.

Fugir?...daqui ninguém ousa,
nem a toque de varapau.
Ao pé do Brito de Sousa,
Já está o Alfredo Mingau.

Fez-se silêncio profundo
à tua volta?...que importa?
Há momentos neste mundo
que só o silêncio conforta.

Anda tudo noutra onda,
cada qual em seu cantinho.
Não há promessa que esconda,
o que aí vem a caminho.

Olhamos em nosso redor,
Ninguém nos trás confiança,
promessa de mundo melhor...
uma palavra de esperança.

Mas dentro do nosso lar,
ou da nossa Associação,
podemos sempre encontrar
Alívio p'ro coração.

Hoje ao ler O COSTELETA
estava lá afinal...
proveniente da caneta;
do Caetano e do Leal.

Gostei do Editorial;
de acordo sr Presidente:
Quando a coisa estiver mal,
vamos torná-la decente.

Meus parabéns ao Norberto
que do LIVRO do Franklin,
fez um texto...LIVRO ABERTO
com princípio, meio e fim.

Lá vinha anunciada,
a nossa Festa de Natal.
E devidamente agrafada,
a minha quota anual.

Façamos deste Natal,
Um NATAL de VERDADE.
Levantemos o moral,
Mostremos VITALIDADE:

VÁ...Tooodos:

Alabi...Alabá...
Alabi...Bumm...BAAAAAAAAaaaaaaaa
Escola...Escola...Escola...
UrrAAAaaaa...UrrAAAaaaa...UrrAAAaaaaaa
(Repetir o grito de guerra, as X que forem necessárias)

Gde abraço

J. Elias Moreno