terça-feira, 22 de setembro de 2015

FALANDO DE



Pedro Julião

   Filho do médico Julião Rebelo e de Teresa Gil, baptizado Pedro Julião, foi filósofo,   matemático, teólogo, médico e, por fim, papa João XXI. Fez os seus estudos iniciais na escola da catedral lisboeta, seguindo depois para Paris muito jovem, frequentando a Faculdade das Artes parisiense e tomando contacto com as novas correntes da Escolástica. Outros historiadores sugerem que a formação inicial de Pedro Julião terá também passado pela Universidade de Montpellier, onde estudou Medicina e Teologia, dedicando especial atenção a palestras sobre dialética, lógica e sobretudo a física e a metafísica de Aristóteles. Conforme a interpretação de alguns manuscritos, poderá ter estado também em Salerno ou na Sicília, onde prosseguiu os estudos médicos. Em breve, a sua fama ecoava pelos círculos da Santa Sé, levando a que o papa Gregório X o chamasse para se tornar seu médico privado. Mais tarde, nomeou-o cardeal-bispo de Túsculo.
   Sabe-se que foi professor de Medicina na Universidade de Siena, entre 1245 e 1250, onde escreveu algumas obras principais, de entre as quais se destacam as Summulae logicales, o manual de referência sobre lógica aristotélica durante mais de trezentos anos nas universidades europeias. Tendo aderido à filosofia escolástica, Pedro Julião teria sido o primeiro comentador português da obra De animalibus, de Aristóteles.
   Em 1272, Pedro Julião foi nomeado arcebispo da secular cidade de Braga e de toda a sua área de influência, sucedendo a D. Martinho Geraldes. Após a morte do papa Adriano V a 18 de Agosto de 1276, Pedro Hispano foi eleito papa no conclave de 13 de Setembro, sendo coroado no dia 20 de Setembro de 1276, com o nome de João XXI. Enquanto sumo pontífice tentou fazer reintegrar os cristãos dissidentes do Oriente na Igreja Romana.
   Foi, igualmente, um diplomata activo, mediando os conflitos entre Filipe de França e Afonso de Castela, e procurou solucionar os litígios entre o português D. Afonso III e a Santa Sé. Mandou o bispo de Paris fazer uma inquirição sobre as eventuais  «doutrinas erróneas»  que se difundiam na Universidade local, na sequência da qual Estêvão Tempier fez abusivamente, em 1277, a célebre condenação de duzentas e dezanove proposições.
   João XXI faleceu a 20 de Maio de 1277, após ter ficado gravemente ferido num desastre na Catedral de Viterbo, cujas obras acompanhava, não sobrevivendo aos ferimentos sofridos na derrocada dos aposentos em que se encontrava. Ficou por dizer, pois, a sua última palavra sobre os acontecimentos parisienses. O prelado jaz ali sepultado, junto de outras figuras eclesiásticas, até aos dias de hoje.
Papa João XXI
Pesquisa de
Roger

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

EFEMÉRIDE PARA HOJE
DIA 21

   A 21 de Setembro de 1761, é morto, na fogueira, durante um Auto-de-fé no Rossio, a praça mais importante de Lisboa, o padre jesuíta Gabriel Malagrida.

OOOoOOO


A Carlos Simões, 

o apoio e reconhecimento devidos!


     O maior espólio alfarrabista do Sul do País, obra de um homem de reconhecidos predicados em prol da cultura do Algarve, de que tem sido nas últimas décadas um dos mais dedicados servidores, como é o caso de Carlos Simões.
     Farense por opção e total adesão a quanta importa a esta capital sulina, viu pelo município de Faro reconhecida a sua excepcional acção, com a “Medalha de Ouro” da Cidade, como o viu fechado, por razões a que não é alheia a actual situação económica que se vive, o seu templo – arquivo das mais procuradas obras e documentos, ali na Rua do Alportel.
    Homem simples, afável, culto, dedicado e fraterno, prossegue, porque a vida a outro tanto obriga e porque ele vice o seu mister com sentido de servir, “mais os outros do que a si”.
    E é vê-lo no seu afã, no seu empenho, no divulgar e estender a cultura na improvisada “universidade”, enquanto “ventos e marés o permitirem”, à Pontinha (capital cívica da capital algarvia), no quotidiano das suas bancas desmontáveis.
    Nesta hora, aqui e agora, importa que as entidades públicas (Câmara Municipal de Faro, Delegação Regional da Cultura, Região de Turismo do Algarve, etc, etc) despertem e unam esforços para que o livreiro – alfarrabista de um espólio a que todos nos importa e importa e serve a região, do amante da cultura, ao investigador e o universitário, conheça o apoio que lhe é fundamental, como de “pão para a boca se tratasse” e assim efectivamente acontece.
      Há décadas a Região de Turismo do Algarve, então presidida pelo douto altense Dr. Luís Filipe Madeira, instituiu a favor de conhecidas personalidades (escritores, historiadores, pintores e gravadores), gente do saber e da arte do Algarve, ajudas, quais “bolsas de reconhecimento e gratidão”, face a situações financeiras menos desejadas.
       Porque não haver coragem de, no querer daquelas entidades, se proceder de igual forma?
    Contributo para a acção em favor do que Carlos Simões representa trouxe-o, com a sua conhecida frontalidade o jornalista Dr. Carlos Albino, num passo primeiro e significativo.
        A Carlos Simões o apoio e o reconhecimento que lhe são devidos!
João Leal


domingo, 20 de setembro de 2015

EFEMÉRIDE

PARA HOJE, DIA 20 DE SETEMBRO

A 20 de Setembro de 1276, o médico, professor e matemático português Pedro Julião, também conhecido por Pedro Hispano, é coroado papa, tomando o nome de João XXI.

Pedro Julião

CANTINHO DOS MARAFADOS


PARA DISPOR BEM...

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe: 
- Oh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa.
Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada. 

E o ladrão, confuso, diz:
"- Dotô, eu levo ou deixo os pato?"

NOTA:- Rui Barbosa de Oliveira, Brasileiro 1849, S. Salvador
Pesquisa de
Roger

quinta-feira, 17 de setembro de 2015


MINI-DRAMA

NO BECO DA AMOREIRA

           Ao entrar na “tasca”, pelo fim da tarde, Alfredo apercebeu-se do brusco saltar de assunto entre o Zé barbeiro e o Chico da Gertrudes, depois do olhar sibilino, inquiridor mas fugidio, com que ambos e o proprietário o miraram. Sinal de que andava no ar coisa menos boa a seu respeito e susceptível de induzir “lábia” prolongada ou acesa discussão. Mas fez-se desentendido, saiu, foi à consulta, comprou os comprimidos na farmácia e regressou à “tasca”.
É agora que vai pôr tudo em pratos limpos. A consciência não a tem muito em sossego, nunca a tem, mas desta vez cheira-lhe a mais uma das tramoias que as alcoviteiras do beco se entretêm a montar e a dar-lhes corda.
“A Flor do Roxo" está deserta. Nem o Zé, nem o Chico, ou quaisquer outros dos frequentadores. Melhor assim. O Maurício está na jogada, porventura até mais que aqueles dois, e o “papo-a-sós” com ele não terá muito por onde descarrilar. Senta-se ao balcão e pede um “medronhito”.
- Então que disse o doutor? Não tens nada de ruim pois não?  Pergunta aquele.
- Não. Por aí não há azar. E já comecei a tomar os comprimidos.
            - Mas ó Maurício não disfarces... Não penses que há bocado, lá por estar à pressa, não reparei no jeito como tu, o Chico e o Zé olhavam para mim. E também percebi que eles embrulharam a conversa quando eu entrei. Tem paciência, mas vais ter de abrir o jogo. Há aí qualquer “marosca” que me “tão” a esconder.
              Maurício inclina-se e responde-lhe fitando-o:
         - Olha “pá”, se tu ainda não sabes, não sou eu que te vou contar. Não gosto de me meter nesses enredos. Pergunta
a eles, se quiseres.
- Bem me pareceu que anda bicho no mato... E vocês “correm o fecho”, não é? “Porra”! Que grandes compinchas me saíram.
- Não fiques assim, Alfredo. Não leves a mal. Sabes bem que “badalar” certas coisas para um amigo, ainda mais se está doente, é sempre um enrolo do caraças. Só te digo isto: que anda bicho, anda. Mas não é no mato.
         - Ó “pá”: não me venhas com charadas,  adverte Al-fredo.
         Engole o resto do medronho, pousa o copo e, com um ar sério, a rondar a ameaça, insiste:
        - Eu já te disse que não tenho nada de mau. E se és mesmo meu amigo, não te feches em copas. Também não há-de ser uma coisa do outro mundo. “Tá’se” mesmo a ver que é mais uma das bocas do costume. Já “tou” habituado. Vá lá, “abre o saco”.
           - Sabes uma coisa? Se calhar já “piei” de mais. Mas se queres apanhar o bicho, não precisas nem de ir longe nem de procurar muito.
       - Maurício, duma vez por todas, deixa-te de “bitates pá”, ou temos o “caldo entornado”.
       - Calma aí… Desde quando é que tu és homem p’ra não te aguentares com uma má notícia?
       - Ó “pá”, isso agora não interessa. E se é mesmo um sarilho do “catano”, eu vou sempre acabar por saber, ou não vou?
       - Pois, com certeza, o que muito me admira é como ainda não soubestes...
       - Mas ó Maurício, “eh pá”, ainda me fazes “saltar a tampa”. Custa-te assim tanto abrires a “matraca”? Ao menos dá-me aí um “lamiré”!
           - É o que tenho “tado” a fazer. Não percebestes?, esclarece aquele num tom quase de escárnio.
           - Não! Mas então vá, continua.
            - Tudo bem. Mas prepara-te, segura-te.
- Já “tou” preparado. Anda lá...
- Olha, se te puseres à “coca”, é mesmo na tua casa que vais ver entrar o bicho.
- O quê? Espera aí, responde-lhe Alfredo sobres-saltado. Estica a cabeça para o amigo, sonda-o bem no fundo dos olhos e pergunta-lhe:
-  Queres dizer que a minha Júlia?
- Querias saber... Pois é isso mesmo. Nem se fala doutra coisa.
- Não me digas... Mas não, não acredito. Só pode ser mentira. Mais uma boca porca daquelas velhas “cuscas”, Não acredito!
- Fazes mal… Não falta muito começam a chamar-te corno manso.
            - A mim? Nããão! Se isso fosse verdade, também havia de saber-se quem é o “gajo”. Ou não?
            -  Mas sabe-se. É aquele papo-seco do banco-  “Na tou” a ver...
            -  Ó “pá”: o “gajo” que está hospedado na Ofélia...
          - O Rodrigues? Não pode ser! Não conheces bem a minha Júlia, “pá”. Se ela quisesse pôr-me os cornos nunca era com um “lingrinhas” daqueles, um escanzelado que até mete nojo. Ninguém me convence dessa.
- Então não te convenças. Mas olha, também não precisas de espreme-la nem de te pores à coca. Eu é que não me lembrei logo, mas ou tu tens andado muito distraído ou “tás” a ficar surdo.
-  Que é que queres dizer com isso?
-  Então a tua vizinha, a Etelvina, não tem um papagaio?
-  Tem. Mas que é que o pássaro tem a ver com o assunto?
-  O que é que tem? Parece que só tu é que ainda não o ouvistes, mas volta e meia  lá  “tá”  ele:
-  “Ó Rodrigues, veste-te! O Alfrede tá chegar”!
           - Eh “pá”!... Nunca ouvi, não, assevera Alfredo de olhos esbugalhados. E num ligeiro balancear da cabeça para diante, como que a sublinhar cada palavra, conclui:
            -  Mas assim o caso já muda de figura...
            -  Agora tens é de ter calma, “pá”. Vê lá o que vais fazer – aconselha Maurício.
            -  Tu vais ver. Dá-me aí outro medronho!
            -  Vou ver o quê?
            -  Vou dar cabo do “sacana”!
           - “Porra”! Não devia ter-te dito nada, recrimina-se o taberneiro acabando de encher-lhe o copo, e acrescenta:
            -  Tem calma “pá”! Não te metas em trabalhos!
-  Quero lá saber de trabalhos! Já disse: Eu mato o “gajo”! Não passa desta noite.
Emborca o medronho e sai desaustinado.

                                                                           §
Júlia adormeceu e despertou sozinha, mas sem sobressalto ou estranheza. Quando o Alfredo não vem jantar, já se sabe. Meteu­-se com os bêbados do Chico e do Zé e só vai aparecer à hora do almoço. Emboneca-se e desce para as compras.
Pela certa, ferve mexerico na mercearia da Gertrudes. Quando ali se juntam a Ofélia fadista, a velha Etelvina, a mulher do Maurício e mais alguma, nunca falha. Só que desta vez parece ser diferente. Em ­nenhuma se vê o sorrisinho cúmplice, o olhar “pulando o ombro”, o ciciar das palavras. Mal acabou de entrar, todas se calaram muito sérias. Júlia tem um mau pressentimento e pergunta para o grupo:
-  O que foi?.. Aconteceu alguma coisa?
            -  Não se esteja a fazer de novas, que a culpa é toda sua, sabe bem, reponde-lhe a Ofélia.
-  A culpa é minha? Culpa de quê?
- Ah não sabe? Coitadinha... Não se arme em parva,   escarnece a mulher do tasqueiro olhando-a de viés.
-  É  tão esperta para certas coisas...
-  Vocês é que devem “tar” parvas. Não sei do que é que “tão” a  falar!
- Não sabe? Então não foi o seu Alfredo que esganou o pobrezinho?, retalha a fadista com desdém, as mãos nos quadris, e acrescenta: 
- A si é que ele devia ter esganado, sua “puta”!
          - “Puta” é você! Sua fadista de “merda”. Eu não sei, não vi nada, nem me digam mais nada! Sou “muita” mulher e sei respeitar o meu homem!
Tolhida de espanto, afogueada de raiva, olhos chispando, adivinha-se que Ofélia vai atirar-se a Júlia.
A velha Etelvina vem suster o iminente engalfinhar das duas.
Mas rompendo em soluços, Ofélia grita:


           - Ai não sabes? Então porque é que foi, que ele, me matou o papagaio?

NOTA: - Uma história de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, factos e lugares é pura coincidência.


CRÓNICA DE UM "COSTELETA" DIRECTIVO
   
ENCONTROS E REENCONTROS


   A Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira, levou a efeito no dia 13 de Junho do corrente ano, mais um almoço convívio no Hotel D. Pedro Golf em Vila Moura. O mesmo foi seguido da Assembleia Geral, finalizando com um convívio  dançante.
   Durante a recepção e o almoço, foi um matar de saudades e, rever alguns "costeletas dos anos 50/60/70. Poderei dizer-vos, que uma grande maioria dos anos 50/60, muito mais "usados" do que eu, mas, acima de tudo costeletas como eu, cruzamos-nos algumas vezes nas ruas da nossa cidade de Faro, para não dizer em algumas localidades do nosso Algarve. Encontrar neste grupo alguns "costeletas" que passaram pelos bancos da nossa Escola como alunos e, mais tarde nossos mestres é uma alegria enorme e, peço-vos desculpa de citar dois ou três sem menosprezar os restantes, pois não será por falta de educação ou respeito para com os restantes. Aqui vos menciono como, já referi: Manuel Silo da Graça Caetano, Manuel Inocêncio da Costa e Libertário dos Santos Viegas.
   Por outro lado, e, voltando aos anos 60/70, onde marcaram presença um número razoável de costeletas, foi bom rever também esses costeletas, com os quais mantenho um contacto mais directo no dia a dia, assim como nas redes sociais e, neste "pacote" grupo, permitam-me que mencione aqui alguns deles: Joaquim Eduardo Gonçalves Teixeira (desde o tempo da Mocidade Portuguesa), Henrique Brito Figueira (desde o tempo do Rotary Clube de Faro e actualmente nas redes sociais), Joaquim António Ramalho ( da Mutualidade Popular de Far), Carlos Pedro Gordinho (da Comissão do Circulo Cultural do Algarve e das redes sociais),  a nossa querida Presidente Isabel Maria Lopes Roberto Coelho conhecimento de longa data. 
   Para além do encontro e reencontro com os nossos "costeletas", também foi bom rever alguns que frequentaram a Escola Primária de Mar e Guerra e, que mais tarde, depois de concluídos os estudos do ensino primário ingressaram na nossa Escola Tomás Cabreira ou, melhor dizendo,  Ex. Escola Industrial e Comercial de Faro.
   Sou a dizer-vos que a  minha missão é de muita responsabilidade, não só por fazer parte da actual Direcção da Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira como, fazer parte da realização dos convívios dos Electrões, ou seja, antigos alunos do Curso de Formação Montador Electricista da Escola Industrial e Comercial de Faro. Digo e afirmo, responsabilidade, por tentar canalizar o convívio dos Electrões e, de outros convívios existentes de ex. alunos como tenho conhecimento através das rede sociais.
   Termino esta minha pequena intervenção com um grande abraço de um "costeleta",

   Florêncio Pereira Vargues  


quarta-feira, 16 de setembro de 2015


“Ti, Roseta, um fazedor de sonhos”

O recente anúncio, pelo Município, da reabertura da Travessa das Freiras, no largo do castelo, situada entre as oficinas da Câmara e a antiga Fábrica da cerveja, em plena “Vila-a-Dentro”, encerrada há mais de um século, para além de proporcionar mais um elemento da redescoberta daquela zona onde nasceu Faro, trouxe-nos à memória uma figura da nossa infância.
Referimo-nos ao “Ti Rosa”, que morava, no Largo Afonso II, junto ao Convento de Nossa Senhora da Assunção e era um verdadeiro artista, povoando-nos a mente de sonhos e projectos.
De corpo franzino, se a memória não nos trai, elevado grau de falta de visão pelo que usava uns óculos de fortes lentes, de trato afável e compreensível, governava a vida e encontrava a resposta para as exigências quotidianas de quem tinha família a sustentar e não era, tal como nós, possuidor nem de mundos nem de fundos, em afazeres múltiplos, desde a venda de castanhas assadas, quando era o tempo próprio (Outono/Inverno) ao fabrico em madeira de bonecos, que vendia nas feiras. Eram então, ao invés do que hoje acontece, duas: a de Santa Iria em Outubro, no Largo de São Francisco, em convivência com a sua modesta casa e a do Carmo, em Julho, nos terrenos anexos ao templo evocativo do mesmo nome, que hoje já se não realiza… e pena e prejuízo para a cidade o é.
Era com os carrinhos em miniatura (automóveis, carros de tracção muar com bestas e tudo, camiões, carros para bonecas, etc), as gaivotas a bater asas, as fundas, os ciclistas, os equilibristas nas escadas… tudo um mundo maravilhosos reproduzido na madeira recortada e pintada com cores que ele próprio concebia a partir das anilinas de vivas cores.
Ligado como filho, moço da nossa geração, o Roseta, que outro nome lhe não soubemos, à cívica causa dos Bombeiros, pai Roseta, fazia-nos sonhar com os seus bonecos, que nos chegavam, ociosamente e como um precioso tesouro, às nossas mãos e de tantas centenas de outras crianças farenses, pelas ofertas de “feiras” ou pelos tostões que íamos juntando para as comprar.
Um homem singular, um outro Chaplin, não de luzes e sombras, mas à sua escala e arte, de brinquedos que então nos faziam sonhar e criar universos de anseios e de histórias.
Sabe bem recordar o ti Roseta, de há setenta anos atrás…
P.S. – Para aqueles, poucos sei-o bem, leitores amigos, que ainda têm a santa paciência de ler estes escritos, o porquê da opção, em maioria, de memórias e lembranças, que vez de reivindicações ou apontar de necessidades. É os quase oitenta vividos nos dizem que à que aproveitar o que falta para deixar a recordação de um Faro que houve e se houve…


domingo, 13 de setembro de 2015

ALMOÇO ANUAL DOS "ELECTRÕES"


FOTOS DO 4º CONVÍVIO DOS COSTELETAS ELECTRÕES
ANTIGOS ALUNOS DA ESCOLA TOMÁS CABREIRA
















Fotos amavelmente cedidas pelo Costeleta "Electrão" da Direcção FLORÊNCIO VARGUES.

Nota: Clique na foto para aumentar.


sábado, 5 de setembro de 2015

DESCANSO


UMA SEMANA DE FÉRIAS

Depois da operação de cirurgia a que fui submetido, há um mês (1 de Agosto), resolvi fazer uma semana de férias no Norte do país.
Não estranhem, portanto, que o Blogue fique suspenso durante a próxima semana.
A não ser que se arranje possibilidade de contactar a internet.

Roger


NOTÍCIAS DO JOÃO LEAL

JOAQUIM TEIXEIRA «COROADO» NAS FESTAS DO ESPÍRITO SANTO
Em mais uma edição das festividades em honra do Divino Espírito Santo, no dizer de Ruben Santos (presidente da Casa dos Açores no Algarve), «marco único na diáspora açoriana» que foi levada, há séculos, da cidade de Tavira para aquela Região Autónoma e reatada no Algarve em 1996 por aquela entidade, foi um dos distinguidos com a «Coroação», em cerimónia decorrida na Igreja do Carmo, em Faro, o nosso antigo presidente Joaquim Eduardo Gonçalves Teixeira, sócio honorário da associação açoriana. A cerimónia que foi abrilhantada com a participação da Filarmónica União Progresso de Guadalupe (Ilha da Graciosa), assume ainda segundo Ruben Santos «a plena retribuição ao Algarve da dádiva que os primeiros povoadores ofertaram às ilhas dos Açores e que os açorianos de todo o Mundo entenderam assumir o resgate».

sexta-feira, 4 de setembro de 2015


NOTÍCIAS DO JOÃO LEAL

Faro, cidade há 461 anos

Assinala-se na próxima 2ª feira, 7 de setembro, “O “Dia do Município” recordando a histórica e significativa efeméride para as gentes farenses, o 461º aniversário da data, em que em 1554, El-Rei D. João III, cognominado de “O Piedoso”, elevou a então “Vila da Rainha” à sua actual categoria de cidade.
Era o corolário de um acentuado desenvolvimento que, a hoje capital algarvia, vinha a conhecer, o qual viria a prosseguir com a transferência da sede episcopal de Silves e as consequências religiosas, políticas, sociais e cívicas que tal determinava.
Há décadas o “Feriado Municipal” era celebrado a 24 de Junho, “Dia de São João”, como hoje ainda acontece em vários concelhos algarvios (Tavira, Castro Marim e Monchique), face às festividades populares que então aconteciam.
Foi contudo na década de oitenta do século XX e quando era Presidente do Município o assumido “filho de Faro”, professor João Negrão Belo, cuja justiça à meritória acção desenvolvida enquanto autarca ainda está para ser feita, que esta discutível e discutida mudança aconteceu.
Certo é que, com mais de quatrocentos e sessenta anos de ser cidade, a capital sulina necessita, como sôi dizer-se “de pão para a boca”, de retomar a sua marcha de progresso e desenvolvimento, como então aconteceu, com plena dinamização da sua economia e da sua vivência comunitária, debeleando a crise que a assola desde há alguns anos e que se assume como das mais graves que ao cabo de quase oitenta anos aqui vividos, hemos conhecido. A tal propósito e sob o título de “O futuro mora ao lado”, lemos, recentemente, um estudo da autoria de Helena C. Peralta, inserta na revista “Lusíadas” (n.º 2 pags 12/18) que aponta linhas orientadoras que bem desejávamos fossem aplicadas e aplicáveis, na nossa cidade-mãe e onde se refere que: “As cidades do futuro constroem-se hoje. Não sabemos o que amanhã nos reserva, mas sabemos que as cidades, que albergarão mais de 70% da população mundial em 2050, precisam de ser mais sustentáveis, ecológicas, inteligentes e criativas. Neste trabalho que em “Dia da Cidade” sonhamos se concretizasse em Faro refere a abalizada opinião do professor doutor Gonçalo Furtado (docente da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e doutorado pela University College of London) – “as cidades futuro serão aquelas onde os indivíduos se sintam acolhidos e participantes; onde a crescente individualização e abalo da dimensão pública e social seja superada; onde a democraticidade e qualidade de vida que as cidades por excelência devem assegurar aos cidadãos sejam assumidas como valores principais”.
 EXPOSIÇÃO DA COSTELETA MARIA DA CONCEIÇÃO PINTO PIRES EM FARO
Durante todo o mês de Setembro estará presente na Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, em Faro, uma exposição com trabalhos da autoria da veterana «costeleta» Maria da Conceição Pinto Pires intitulada «Cantos e Recantos da Cidade de Faro», constituída com dezenas de trabalhos focando diversos aspectos da capital sulina, grande parte dos quais ilustraram a monumental obra de sua autoria «Estudo Toponímico do Concelho de Faro», editado em 2004 e com prefácio da autoria do antigo professor da nossa Escola, Dr. Teodomiro Neto.
A sessão inaugural teve a intervenção de dois nossos colegas, o declamador Joaquim Teixeira, que foi dedicado Presidente da nossa Associação e é o Presidente da União de Freguesias Sé / São Pedro e do jornalista João Leal.Com 82 anos de idade a «costeleta» Maria da Conceição Pinto Pires nasceu em Lagos e Relvas («Alface»)
- Estoi, é uma figura marcante da vida algarvia e de Olhão, onde reside há mais de seis décadas e onde desempenhou funções autárquicas ao longo de 25 anos. Esta exposição constituiu o acto primeiro das comemorações do «Dia de Faro», no recordar da elevação a cidade pelo Rei D. João III em 7 de Setembro de 1554.



A sereia e a búzia

Num dos mais aprazíveis recantos da capital sulina, junto à doca, na sua vertente próxima do Jardim Manuel Bívar, onde nos tempos idos o poeta Alberto Marques da Silva, se deliciava, de cravo ao peito e bengala encastoada a admirar, ao cair do dia, o “pôr do sol”, nessa “bebedeira inebriante de cores e formas”, situam-se duas referências escultóricas de assinalado mérito e grande significado.
Trata-se de um reprodução, em tamanho quase natural de uma sereia, postada nas escadarias – auditório que ali foram erguidas, fazendo-nos lembrar, a sua homóloga universalmente famosa erigida à entrada do porto de Copenhague, a capital dinamarquesa e na lembrança do conto desse génio da literatura infantil que foi Hans Cristian Andersen, bem como de uma búzia, em grandes dimensões, numa referência ao apreciado marisco da Ria Formosa.
No primeiro caso desconhecemos de quem partiu a iniciativa desta peça de arte, cm uma rara postura e atractabilidade, na simbiose existente de sedução, encanto e poesia. Mas quanto à búzia, que foi colocada na parte do passeio marginal, uma placa refere-a como da decisão havida, em boa hora, da Associação dos Comerciantes da Baixa de Faro.
Talvez que uma grande parte da população farense ou mesmo visitantes desconheçam estas obras de arte, que tal se tratam e bem merecedoras de uma visita atenta, mas merecedoras de uma visita local.
São coisas que valorizam a cidade, que lhe dão identidade, beleza, património em estilo maior.
Anotamos porém que se de dias as suas singelezas as tornam um pouco conhecidas, à noite menos notadas se tornam, mesmo nestas noites estivais em que o passeio convida para ir até à beira-doca. Por isso e daqui o apelamos ao município a necessária colocação de focos luminosos que, sem quebrar as singelas e artísticas belezas das duas peças, a sereia e a búzia, lhe deêm a relativização de uma presença assinalada e instigadora de uma visita.
João Leal

quinta-feira, 3 de setembro de 2015




A “TAMPA”

Foi no princípio do Verão que a conheci sem ficar a conhecer… Mas vou contar o que se passou.
A esplanada junto à costa com vista para o mar do Sul estava repleta. Ninguém mostrava desejo de abandonar o local até porque a sombra era confortável. Notei que uma mesa estava ocupada por apenas uma jovem. Aproximei-me e dirigi-lhe a palavra:
- Desculpe a intromissão mas como não há lugares vagos poderei sentar-me na sua mesa para tomar um café?
Os dados estavam lançados, poderia ser uma companhia agradável, mas ela não respondeu. “Que pena pensei”. Alguns segundos depois, sem deixar de olhar o horizonte, fez um gesto com a mão indicando a cadeira vazia. Compreendi, agradeci e sentei-me. Olhei para o empregado que entretanto aparecera e solicitei um café.
Durante meio minuto observei-a de esguelha notando que devia estar pelos trinta e poucos, bem proporcionada, beleza normal, morena, cabelos negros caídos sobre os ombros, sem ser do tipo sexy que a blusa e as calças de ganga não lhe proporcionavam, atraente, mas com um semblante bastante sério.
Fiquei admirando a misteriosa calma que aparentava sem que se dignasse olhar-me, mantendo o olhar em apreciação do pôr de Sol que submergia ao longe sobre o oceano.
Não me contive e dirigi-lhe a palavra:
- Parece-me muito sozinha, perguntei através da pequena distancia que a mesa nos separava.
- Também você. Respondeu, não de imediato, sem deixar de manter a observação no Sol que desaparecia no horizonte.
- Pelo ar  sério que apresenta gostaria de lhe per-guntar se tem algum problema, pois teria imenso gosto em ajudar, perguntei.
- Oh!, não se incomode, nada de importante. Apetece-me apreciar a natureza e a beleza do por de Sol, sonhar acordada.
- Isso quer dizer que a minha presença está a interromper o seu sonho?
Levou um certo tempo a responder. Não quis interromper o seu pensamento e aguardei. E a resposta veio com voz calma e baixa:
- A minha resposta é afirmativa e que o facto de repartirmos esta mesa me deixou de certa forma inconformada com a companhia. Acho que me precipitei em alterar o meu repouso intelectual.
- Acha que sou uma péssima companhia?
E a resposta veio rápida:
- Não o conheço, não poderei ter uma opinião formada. Respondeu sem deixar de fixar o poente.
- Isso quer dizer que estou a interferir com a sua postura?
- Admiro e agradeço a sua compreensão.
Tomei o café, que entretanto arrefecera, coloquei a moeda no pires, levantei-me e desejei-lhe um bom resto de tarde, e saí da esplanada sem que ela respondesse, fizesse um gesto ou deixasse de olhar o horizonte. Durante todo este tempo nem um olhar me dirigiu.
Antigamente, naqueles tempos, quando íamos aos bailaricos e a moça respondia que não queria dançar, os amigos diziam-nos:
“Apanhaste uma tampa”.
E Foi de facto o que apanhei desta vez…

UMA GRANDE TAMPA!

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