sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AGENDA

Efeméride

Novembro - 20 - Sexta Feira

* Dia Internacional dos Direitos da Criança.

1818 - Simón Bolivar declara a independência da Venezuela;
1923 - N. em Joanesburgo (África do Sul), Nadine Gordimer, Escritora, Nobel da Literatura (1991);
1924 - Autoridades turcas esmagam revolta dos curdos;
1963 - Inaugurado o serviço telefónico automático entre Lisboa e o Porto.

Frase do dia: - É preciso saber olhar para os olhos de uma criança para saber o que vai na alma (Torrente Ballester).

Rogério Coelho

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

FALAR E ESCREVER EM BOM PORTUGUÊS


Falar e Escrever em bom Português!


A língua portuguesa é rica, muito embora essa riqueza lhe confira um enorme grau de complexidade.
Todos os que a utilizam para comunicar, por via oral ou escrita, têm o dever de fazer essa sua transmissão duma forma correcta. Esta obrigação obviamente estará sempre na razão directa do grau académico e conhecimentos adquiridos ao longo da sua vida e associados também à actividade profissional que desempenhar.
Não ficarão isentos deste dever, aqueles que, embora não se enquadrando nos citados anteriormente, tenham alguma preocupação em falar ou escrever bem, bastando que utilizem o seu vocabulário, e não recorram a termos ou expressões que desconheçam ou não dominem.
Vem esta introdução a propósito dum comentário que entendi fazer, em resposta a um outro, no qual se escrevia em determinada parte do texto " ... afinal esqueceu-me dizer-lhe que ....", sugerindo ao autor que escrevesse: " ...afinal esqueci-me dizer-lhe que....". Contrapôs o primeiro comentarista da seguinte forma ( e cito ):
" A palavra esquecer admite três regências:
Esqueci
Esqueci-me
Esqueceu-me
Nas duas primeiras o objecto é directo ou indirecto. Passa a sujeito na terceira.
"afinal esqueceu-me", significa que apagou-se da memória".

Em face desta resposta e porque também gosto de aprender e de me esclarecer, entendi pesquisar o assunto. Para esse fim, utilizei o site "CIBER DÚVIDAS DA LÍNGUA PORTUGUESA", e através duma consulta efectuada por um terceiro, sobre o mesmo tema, li a seguinte resposta, personalizada e dada por um profissional na matéria:

"De acordo com a gramática tradicional, o verbo esquecer-se não é impessoal. No entanto, é muito frequente ouvi-lo conjugado como se tal fosse. É nesse sentido que surgem as expressões do tipo "esqueceu-me" ou " esqueceu-te" ou até mesmo "esqueceu-nos". Do mesmo modo, o verbo "lembrar" apresenta muitas vezes essa característica: "lembra-me que...", etc. Trata-se de uma simplicação gramatical perfeitamente compreensível dentro da língua. No entanto, como referi, não é sancionada pela gramática tradicional.
Maria Celeste Ramilo ::25/06/2003

Reputo este tema de interesse para todos os costeletas ávidos de conhecimento, pelo que gostaria de receber comentários e, quiçá outras questões que envolvam a nossa língua.
Talvez seja o início da Universidade dos Costeletas (2ª. e 3ª. idade )...façamos a experiência!

Jorge Tavares
costeleta 1950/56

AGENDA


Efeméride

Novembro – 19 – Quinta Feira

1897 – Tropas francesas invadem Portugal (primeira invasão napoleónica);
1822 – Fundada a Sociedade Promotora da Indústria Nacional em Portugal:
1844 – Criada, em Póvoa de Santa Iria, a primeira fábrica de adubos químicos em Portugal;
1975 – Assinado o Acordo de Madrid (Espanha cede o Sará Ocidental a Marrocos e à Mauritânea;
1977 – Um Boeing 707 da TAP despenha-se, ao tentar aterrar no aeroporto de Santa Catarina, no Funchal, provocando a morte de 131 pessoas;
2002 – Petroleiro Prestige naufraga ao largo da Galiza (Espanha), derrama 30 mil toneladas das 77 mil de fuelóleo que transporta e afunda-se.

Frase do dia: - Errar é próprio do homem. Persistir no erro é próprio dos loucos. (Cícero)

Rogério Coelho

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

RELEMBRANDO COLEGAS




Nos últimos dias , tenho feito uma Revisão nos Arquivos do Blog !
Encontrei informações sobre muitos colegas e vou falar um pouco sobre alguns !

O Danilo de Pechão o das primeiras motorizadas que apareceram na Escola , era da minha Turma mas foi pessoa que perdi completamente o rastro !

O José Coelho Pinto de Santa Bárbara de Nexe também colega de Turma , o encontrei há cerca de 45 anos nos Restauradores em Lisboa e foi a última vez que falamos .
Há poucos anos falando com o Proprietário do jardim de Plantas no Patacão , depois das bombas , me falou que também tinha sido colega dele mas que também não sabia nada dele !
Tomei conhecimento pelo blog de que foi para a Austrália , me resta lhe desejar tudo de Bom .

Sobre o José de Sousa Epaminondas , suponho que seja o mesmo que conheci e andou nas Escolas de Estoi e Costeleta também .
Se for o mesmo era conhecido pelo José Passarinho suponho que por alcunha do Pai , nasceu e morou antes da Sambada depois do Coiro da Burra , sua mãe de nome Auzenda faleceu ainda era novo , e sei que mais tarde trabalhou na Junta Autônoma de Estradas , suponho que o primeiro emprego .
Me recordo um facto que sucedeu entre nós, brincando enquanto as famílias lavavam roupa na Ribeira perto da casa dele ! o ter empurrado para a fonte e se não fosse a família teria sido mau !
Durante alguns anos me falava que o tinha tentado matar , depois esqueceu , destaco que qualquer um de nós tinha menos de 05 anos de idade !
Depois da Escola onde ele nas oficinas se dedicava nas horas livres como passa tempo á pintura a óleo com outros colegas , perdi o seu rastro .

Por hoje resta o João Manuel Bárbara Nunes em que o amigo João Brito de Sousa pedia pistas . Andei com ele na explicação no professor Ferradeira , e foi há quase 30 anos que fui a casa dele , já que pertencia a familias amigas da minha ex-mulher no Barreiro onde trabalhava como Escriturário .

Saudações Costeletas
António Encarnação

RELEMBRANDO GRANDES FIGURAS ALGARVIAS



JOÃO LÚCIO

De Alfredo Mingau

Introdução

Várias vezes visitei o Parque de Campismo dos Bancários, em Marim, Concelho de Olhão, e várias vezes, todos os meses, a Associação dos Antigos Alunos da Escola Tomás Cabreira, juntava em convívio no restaurante do parque, todos os associados que desejassem confraternizar. E eu estive sempre presente naquelas reuniões comestíveis/convívio de Costeletas. E, olhando para fora do muro de arame do parque, via aquela casa, diferente de qualquer outra, ali implantada do lado nascente. Informei-me e disseram-me ser o “Palácio de João Lúcio.
Esta moradia construída em 1916 a que chamam o “Chalé de Marim” e que, tal como eu o fiz, qualquer pessoa o pode visitar por ter sido transformado em “ecoteca”. De arquitectura “simbolista”, existe um outro na Quinta da Regaleira, em Sintra.
O edifício tem três pisos de forma quadrangular sem frente nem traseira. Quatro escadarias, orientadas nos quatro pontos cardeais, marcam as entradas para o centro da habitação. A do Norte tem a forma de peixe, a do Sul guitarra; a de Nascente violino e a do Poente serpente.
O Norte simboliza a água; o Sul o fogo; o Nascente o ar e o Poente a Terra.
Cada sala interior tem a sua simbologia expressa em adornos e num poema. É a “Casa de João Lúcio”. O Poeta pouco tempo desfrutou da casa que concebeu para morar e inspirar-se na sua obra.
O Poeta

Natural de Olhão, onde nasceu a 4 de Julho de 1880. Sempre revelou uma grande inspiração pelas artes e poesia. Com 12 anos publicou os seus primeiros versos no periódico “O Olhanense”. Contrariou a vontade do pai que desejou que o filho estudasse Agronomia, decidindo-se cursar Direito em Coimbra.
Em Coimbra criou um periódico estudantil “Ecos da Academia”, tendo terminado os seus estudos em 1902 escrevendo a peça “Até que Enfim”.
Abriu um escritório em Olhão tornando-se um dos melhores advogados algarvios. Bom orador foi eleito deputado franquista em 1906 e foi Presidente da Câmara de Olhão. Depois da implantação da República em 1910, voltou a ser deputado pela monarquia, de quem era um grande conservador.
Considerado um poeta naturalista era um sonhador romântico.
Depois do acidente trágico que vitimou o seu filho varão, resolveu construir a casa descrita na introdução, para se refugiar em isolamento espiritual, naquele local da sua Quinta de Marim, que se dizia rico em lendas de mouras encantadas.
Entre as suas obras podemos apreciar: “O Meu Algarve”, “Nas Asas do Sonho”, “Espalhando Fantasmas”, “Impressões de viagem” e “Vento de Levante”.
João Lúcio faleceu em Olhão, em 1918, com 38 anos, vítima da “gripe pneumónica”
Efemérides

Novembro – 18 – Quarta-feira

1783 – Criada a lotaria nacional em Portugal;
1830 – Congresso Nacional belga decreta a independência;
1903 – Assinado o acordo, entre EUA e Panamá, que concede aos norte americanos o direito de construção do Canal do Panamá;
1983 – Conselho de Segurança das Nações Unidas condena o estabelecimento da autoproclamada República Cipriota-Turca, considerando nula a sua criação.

Frase do dia: - Não há solidão mais triste do que um homem sem amigos. Sem eles o mundo é um deserto. (Francis Bacon)

Rogério Coelho

terça-feira, 17 de novembro de 2009

CANTINHO DOS MARAFADOS

O Meu Compadre Chico do Carapetal

Gostava de apresentar hoje a todos, o meu compadre Chico do Carapetal, nascido pelas mãos da Ti Mariana, que aparou todos os moços que nasceram, durante mais de 40 anos.
Nasceu no Monte do Carapetal e por lá se tem mantido até aos dias de hoje. Frequentámos juntos o Posto Escolar de Vale de Lobo até à 4ª Classe, depois seguimos caminhos diferentes, eu fui embora fazer a admissão e depois a escola Tomás Cabreira, o Chico seguiu o trilho das ovelhas do patrão, Obviamente as ovelhas não são as mesmas, mas o rebanho ainda existe, hoje com direito a subsidio.
A amizade continuou e somos compadres, porque baptizei um filho dele.
Depois de todas as voltas da minha vida, voltei à serena planicie e a amizade foi reatada.
Há uns dias atrás, do cimo de um cabeço, que serve de observatório para ver a estrada para o Algarve, eu, o meu compadre, o cão, o cajado e as ovelhas, pastando ainda naquele fim de tarde de sexta-feira, comentei:
- Olha Chico aí vai a crise para o Algarve.
- O que é isso da crise?
- Tu não sabes o que é a crise?
- Quando chego lá no monte, já bem de noite, ouço na televisão falar da crise, mas ainda não percebi patavina.

- O patrão fala em dificuldades, mas todos os fins de semana tem festança lá, com cada carrão, cada um maior que o outro, tudo doutores e engenheiros.

- Bem! Vamos lá então: Blá, blá, blá etc. etc. etc. percebeste Chico?
- Acho que sim, mas diz-me: A crise fica no Algarve? Não, ela volta para Lisboa no Domingo à tarde!
- Vou pensar no que falámos!
No dia seguinte ele aparece com um longo papel rascunhado e pediu-me: Passa lá isto a limpo no teu computador, nessa coisa que vocês usam agora. Antigamente a gente escrevia tudo à mão com aquela caneta de aparo, que se a gente se descuidasse borrava tudo, lembras-te?
Eis o que ele me entregou e que conforme me pediu, passei a limpo:

PLANO PARA SALVAR PORTUGAL DA CRISE

Passo 1:

Trocamos a Madeira e os Açores pela Galiza, mas os espanhóis têm que levar o Emplastro.

Passo 2:
Os galegos são boa onda, não dão chatices e ainda ficamos com o dinheiro gerado pela Zara (é só a 3ª maior empresa de vestuário).

A indústria têxtil portuguesa é revitalizada. A Espanha fica encurralada entre os Bascos e o Emplastro.
Passo 3:
Desesperados, os espanhois tentam devolver o Emplastro. A malta não aceita.

Passo 4:
Oferecem também o Pais Basco. A malta mantem-se firme e não aceita.
Passo 5:
A Catalunha aproveita a confusão para pedir a independência.
Cada vez mais desesperados, os espanhois devolvem-nos a Madeira e os Açores e dão-nos ainda o Pais Basco e a Catalunha.

A contrapartida é termos que ficar com o Emplastro.

A malta arma-se em difícil mas aceita.
Passo 6:
Damos a independência ao País Basco.

A contrapartida é eles ficarem com o Emplastro.

A malta da Eta pensa que pode bem com ele e aceita sem hesitar.

Sem o Emplastro, Portugal torna-se um paraíso e a Catalunha não causa problemas.
Passo 7:
Afinal a Eta não aguenta o Emplastro, e o País Basco pede para se tornar território português. A malta faz-se difícil mas aceita (apesar de estar lá o Emplastro).
Passo 8:
Fazemos um acordo com o Brasil. Eles enviam-nos o lixo e nós mandamos-lhes o Emplastro.
Passo 9:
O Brasil pede para voltar a ser colónia portuguesa. A malta aceita e manda o Emplastro para os Farilhões das Berlengas apesar das gaivotas perderem as penas e as andorinhas do mar deixarem de pôr ovos.

Passo 10:
Com os jogadores brasileiros mais os portugueses Portugal torna-se campeão do mundo de futebol!
Passo 11:
Os espanhóis ficam tão desmoralizados, que nem oferecem resistência quando os mandamos para Marrocos.
Passo 12:
Unificamos finalmente a Península Ibérica sob a bandeira portuguesa.
Passo 13:
A dimensão extraordinária adquirida que une a Península e o Brasil, torna-nos verdadeiros senhores do Atlântico. Colocamos portagens no mar, principalmente para os barcos americanos, que são sujeitos a uma sobretaxa tão elevada que nem o preço do petróleo os salva.
Passo 14:

Economicamente asfixiados eles tentam aterrorizar-nos com o Bin Laden, mas a malta ameaça enviar-lhes o Emplastro e eles rendem-se incondicionalmente. Está ultrapassada a crise!

Facilíssimo, hein ???

-Olha compadre nem vou ler a tua proposta, vou deixar que os meus colegas costeletas façam a necessária análise, mas só queria que me dissesses quem é o Emplastro?
-Afinal pensas que sabes tudo, mas há pessoas que eu conheço e tu não. Diz-me lá como se chama aquele tipo do Porto que fica na fotografia sempre atrás do Pinto da Costa?
Ah é esse?
Claro! Quem querias que fosse?
Vim a saber mais tarde, que não tinha sido ele a escrever o plano, mas sim a filha, gestora de uma loja Zara e casada com um espanhol, contrabandista de café.
Um abraço
Antonio Viegas Palmeiro

POESIA

NAVEGANDO

Tu a quem a vida maltratou ...
Que deste de ti tudo o que podias
Em palavras, em gestos, em carinho
E mendigas a ternura dum afecto
Tu que buscas a amizade sincera
Que encontras a cada passo maldade
Inventa um poema de paz
Que chegue além onde os deuses...
Escutem a Voz dos Poetas
A Voz da Alma, a tua Voz!
Tu que nesta vida não encontraste um oásis
Mas apenas um deserto ...
Faz dele um éden, um mar sagrado
Agarra o leme da tua barca
E navega, navega ... navega
Timoneiro do Amor!

Maria José Fraqueza

CANTINHO DOS MARAFADOS

Num momento de descontração, o grande poeta Carlos Drumond de Andrade escreveu:

"Satânico é meu pensamento a teu respeito e
ardente é o meu desejo de apertar-te em minhas mãos,
numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma e eu estava em minha cama,
quando, sorrateiramente, te aproximaste.
Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu,
sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,
aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos.
Até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós
ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama te esperar....
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força.
Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos.
Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo..
Só assim, livrar-me-ei de ti...... pernilongo Filho da Puta...”


Espero que seja relevada a linguagem menos própria, do final do poema, mas não me senti autorizado a alterar nada, uma vez que foi assim, tal como está, que o autor escreveu.

Um abraço para todos
Antonio Viegas Palmeiro

AGENDA

Efemérides

Novembro - 17 – Terça Feira

* Dia mundial do não fumador.
1717 – Lançada a primeira pedra do Convento de Mafra;
1836 – Criação dos liceus, em Portugal;
1869 – Inaugurado o canal do Suez;
1895 – Fundado, no Brasil, o Clube de Regatas Flamengo;
1941 – Forças holandezas e australianas ocupam Timor Leste;
1975 – Tem início, em França, o primeiro encontro entre as maiores economias do mundo: EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Japão e Itália. No ano seguinte o Canadá entra para o grupo, que passa a ser co nhecido por G7, e, a partir de 1998, com a Rússia, por G8.

A frase do dia: - Quem se irrita com as críticas está a reconhecer que as merece.

Rogério Coelho

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CANTINHO DOS MARAFADOS

Cantinho dos marafados

Ao ler o correio do Brasil e a descrição que o costeleta António Encarnação faz de uma das regiões mais importantes daquele país, essencialmente sobre a paisagem, economia e explosão demográfica do sul de Minas Gerais, região que bem conheço, senti uma vontade irresistível de escrever sobre as pessoas.
Entre as inúmeras personalidades nascidas em Minas Gerais, escolhi falar um pouco daquele que considero um dos três poetas maiores da língua portuguesa, Carlos Drummond de Andrade.
Sou um incondicional admirador da sua obra, com a qual me identifico totalmente, entendo que de nada vale acharmos que em verso ou em prosa, algo é muito bonito, que está muito bem escrito, se não nos identificarmos com o seu conteúdo, se não interiorizarmos o que nos é transmitido pelo autor.
O poeta nasceu em Itabira do Mato Dentro – Minas Gerais, em 31 de Outubro de 1902, faleceu em 17 de Agosto de 1987. Filho de uma família de fazendeiros decadentes, estudou na cidade de Belo Horizonte e posteriormente no Colégio Anchieta em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, tendo sido expulso por “insubordinação mental” (nunca ficou esclarecido o que seria insubordinação mental) começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.
Há anos atrás tive oportunidade de assistir a uma tarde de poesia em que o principal declamador era o grande actor que foi, Mário Viegas. No final confrontei-o com o facto de no espectáculo que apresentava, existirem obras de, para além de poetas portugueses, também dos consagrados brasileiros, Vinicius de Moraes e Manuel Bandeira, mas nada de Carlos D. de Andrade.
Senti algum desconforto na resposta que foi inconclusiva, mas também senti que a descriminação não era o motivo que conduzia a tal ausência, o que me deixou mais tranquilo.
Fui encontrar a resposta algum tempo depois na sua última entrevista, concedida a Geneton Moraes Neto (Dossiê Drummond, ed. Globo, 1994). Dizia então:
“Nenhum poema meu ficou popular. A verdade é essa. Considero popular nas gerações antigas, o “ouvir estrelas”, de Olavo Bilac; o “mal secreto” de Raimundo Correia; “meus oito anos” de Casimiro de Abreu; “ A canção do exílio” de Gonçalves Dias. São dois ou três, nenhum outro fica. Geralmente são poemas pequenos que a memória guarda com mais facilidade. De mim ficaram versos. “ E agora José?” não é verso; é uma frase. “Tinha uma pedra no meu caminho” – e só, não creio que tenha ficado nada mais. Nada houve meu propriamente popular. Em geral as pessoas guardam a imagem do poeta, mas não guardam o verso, até porque a maior parte dos poemas são em verso livre, não são metrificados nem rimados, então é mais difícil guardar.”
Para aqueles que eventualmente não conheçam ou os que queiram recordar aí vai o emblemático :

E agora, José?

E agora, José?
a festa acabou,
a luz acabou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos.
Que ama, protesta?
E agora, José

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu,
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – a agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
Você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde ?

Escrito durante a Segunda guerra mundial, e a ditadura de Getúlio Vargas, José, apesar da dureza, ainda tem o impulso de continuar seguindo. Mesmo sem saber para onde.
Em mais um golpe de asa, José Saramago aproveita o embalo e escreve uma crónica com o mesmo nome, incluída no livro “A bagagem do viajante” . Não vou comentar, só destaco que teve, valha-nos isso, o pudor de referir o nome de Carlos Drummond de Andrade e criar o personagem José Júnior, na aldeia de São Jorge da Beira, localidade também fruto da sua imaginação; Foi bem conseguido e só isso.
Vou concluir por agora, transcrevendo mais um poema do mestre:

Mãos Dadas

Não serei um poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas, nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
A vida presente.

Carlos Drummond de Andrade.

Voltarei oportunamente ao tema, se o moderador achar que vale a publicação e se vocês que tiverem a paciência de me ler, não vaiarem.
Um sorriso e um abraço, para finalizar.

António Viegas Palmeiro

AGENDA

Efemérides

Novembro – 16 – Segunda Feira

* Dia Nacional do Mar

1918 – Proclanada a república na Hungria;
1922 – N. em Azinhaga, no Barreiro, José Saramago, escritor, Nobel da literatura (1998);
1933 – O Presidente Brasileiro Getúlio Vargas assume poderes ditatoriais;
1989 – Portugal preside ao Conselho da Europa, pela primeira vez, em 40 anos da organização.

Frase do dia: - O que sabemos é uma gota de água, o que ignoramos é um oceano (Isaac Newton).

Rogério Coelho