sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

MENSAGEM NATALICIA

Maria José Fraqueza

Mais um Natal acontece ...
Sempre igual ao que passou!
 Mais uma esperança fenece,
Mais uma ave sem vôo!

Tal como uma andorinha
O Natal vai e regressa!
Para cada criancinha ...
Existe sempre a promessa!

Mas quando pára este mundo,
Nesta louca correria
Quando o mal é mais profundo
E a promessa mais vazia!

E veio Jesus à Terra
Ensinar a Humildade!
E jamais parou a Guerra,
E nunca existe Igualdade!

Todos reclamam direitos,
Sem cumprir o seu dever!
Quando há homens perfeitos,
Desde o nascer ao morrer?

A luta pelo poder...
Torna o homem desigual!
E jamais pode entender
A mensagem de Natal!

Ver tamanha perfeição
Naquela pobre choupana
Não entra no coração,
Perante a maldade humana!

Se neste mundo em redor
Todos unissem as mãos
Só reinaria o Amor
E seriam bons cristãos!

Ser cristão, amar Jesus,
Em Cristo, a melhor lição
Um Natal cheio de luz,
Havia em cada Nação!

Deixem que os inocentes,
Vivam um Natal mais puro!
Para que em todos continentes
Tenham um melhor futuro!

ACIDENTE - "Apagão"

INFORMAÇÃO

Caros Costeletas

Um acidente ocorrido hoje, com o computador da Associação, fez com que apagasse quaisque mensagens e/ou comentários que possam ter enviado a partir das 22 horas do dia 9 do corrente mês, até às 18 horas de hoje, dia 10.
Com as necessárias desculpas e, para que possa publicar o que foi apagado neste período de tempo, agradeço o seu reenvio.
Cumprimentos Costeletas

Rogério Coelho

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

SE POR MIM PASSARES
Manuel Inocêncio da Costa


Se por mim passares,
Não me deites olhares,
Para me seduzir:
Tu sabes que me encanta,
O teu sorrir.

Passa-me ao lado,
E não pares,
Para não me enlevares,
E, eu, não soçobrar;

Eu, não te posso amar!
Então, assim deve ser;
Se tal seria asneira,
Para quê sofrer?

IN VENTOS DO SUL - Inocêncio da Costa
HOJE, QUINTA

A TERTULIA TODOS BEM

Por João Brito Sousa


Durante a semana esperei que o "Portalegre" telefonasse e nada. Voltamos à leitaria e não tocamos mais no assunto. O Artur chegou e pediu o seu drink com gelo e água tónica, que ia bebendo aos golinhos. E diz a ele, quando estiveres doente, não vai são médico; é um Old Parr às quatro da tarde e já está. Artur vinha de pessoal da elite, o avô tinha sido um velho republicano seguidor de Afonso Costa e era um apaixonado pelos ideias da Revolução Francesa .que se batera pelo liberalismo e esteve ao lado das causas que julgava justas..

Entretanto chegaram o Tomás Marques e o Pedro. O Artur que embirrava com atrasos. Disse-lhes.

- Éhi, rapaziada, como é? atrasos não.

- Sabes, encontrámos o Chico Costa da nossa turma no terceiro ano, o que era guarda redes da nossa equipa de andebol, lembram-se.

- O Chico, aquele que dizia a toda a gente que namorava com a Lita, mas era mentira, perguntou o Artur.

- Sim, esse. Falou-me com saudade da Escola, daquele jogo com os serralheiros, quando o Vicente, que jogava pela equipa da Escola, saltou na área embalado, rematou coma bola a bater um pouco antes do risco e eu fui buscá-la, diz ele. E recordou o António José de S. Braz que gostava de olhar as pernas das moças. Diz que qualquer dia vem cá.

- Ou a gente vai a S. Braz ver o Toino Zé, disse o Artur.

- Ok, está explicado o atraso, disse eu. Temas para hoje, quem preparou?

- Eu o cábula, disse o Pedro.

- Sobre quê, perguntou o Artur

- Acerca dos franceses, disse Pedro

- A França, a minha segunda Pátria, disse o Artur. Aquela cena do Maurice Chevalier, em frente à Torre Eifel, dizendo-lhe - tu est ma frere, comoveu-me, sabem. Vive la France, disse ainda.

- Pedro, queremos ouvir falar dos franceses em Portugal nos fins do século XVIII, disse eu. Tens a palavra.

E numa improvisação brilhante Pedro disse.

- Os franceses em Portugal, num certo sentido, foram protegidos e graças a isso, alguns comerciantes franceses ligaram-se a empresas mais importantes estabelecidas em Portugal, entre as quais se contam os mercadores de livros, actividade essa que muito contribuiu, para a difusão em Portugal, das correntes do pensamento europeu.

- Mas esses livros entravam aqui facilmente, perguntou o Artur.

- Para a semana Artur, falas tu disso, ok. Hoje o tempo acabou

- Sim senhor, disse Artur.

 
jbirtosousa@sapo.pt

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

PARA SORRIR... DE VEZ EM QUANDO

Joãozinho na explicação de inglês


Klicar para aumentar. Podem utilizar o método explicado no TEMA INTERNET/COMPUTADOR: CTRL+roda do rato.
Roger

OUTROS TEMPOS......

Foi o primeiro e único.....

Não deviam ser todos assim?????

Era oriundo de famílias aristocráticas e descendente de flamengos.
O pai deixou de lhe pagar os estudos e deserdou-o.
Trabalhou, dando lições de inglês para poder continuar o curso.
Formou-se em Direito.
Foi advogado, professor, escritor, político e deputado.
Foi também vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
Foi reitor da Universidade de Coimbra.
Foi Procurador-Geral da República.
Passou cinquenta anos da sua vida a defender de uma sociedade mais justa.
Com 71 anos foi eleito Presidente da República.
Disse na tomada de posse: "Estou aqui para servir o país. Seria incapaz de alguma vez me servir dele..."
Recusou viver no Palácio de Belém, tendo escolhido uma modesta casa anexa a este.
Pagou a renda da residência oficial e todo mobiliário do seu bolso.
Recusou ajudas de custo, prescindiu do dinheiro para transportes, não quis secretário, nem protocolo e nem sequer Conselho de Estado.
Foi aconselhado a comprar um automóvel para as deslocações, mas fez questão de o pagar também do seu bolso.

Este SENHOR era MANUEL ARRIAGA.

Foi o 1º PRESIDENTE......
da REPÚBLICA PORTUGUESA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Cadê os outros???????????????????????

E OS DE AGORA ?






terça-feira, 7 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

CONVÍVIO NATALÍCIO

ALMOÇO DE NATAL
COSTELETA

já no próximo dia 11 (Sábado) - 13h00 horas
Na Quinta da Senhora-Menina

ALMOÇO DANÇANTE



Dois pratos quentes:
Bacalhau Espiritual
Carne de porco à Alentejana
Saladas - Fruta - Doces - vinho - água - café
Buffêt
INSCREVE-TE
Tragam uma prenda - recebem outra
Os teus amigos também os podes trazer
20 € por pak

Telemóvel: - 919029068 - Isabel Coelho

100 ANOS DE REPÚBLICA
Por João Brito Sousa


A propósito da apresentação da obra, 100 Anos de República - 100 Personalidades, da autoria do Prof. António Rosa Mendes e do jornalista escritor Neto Gomes, no Salão Nobre do Governo Civil, com a presença de altas individualidades da região, ocorre - me dizer que:

No dia 5 de Outubro de 1910 - uma quarta feira - as comunicações telegráficas entre Faro e Lisboa ficaram interrompidas, donde ignorar-se na capital algarvia o que realmente ocorria na capital do País.

A cidade não deixou porém de fervilhar de boatos. Os mais curiosos acudiram à estação dos comboios, na esperança de obter notícias frescas por algum passageiro. Em vão, contudo.

O que mas lograram saber foi que a partir de Vendas Novas, a circulação ferroviária estava cortada, pelo que os comboios que chegavam a Faro eram provenientes de Beja.

Era já noite quando, enfim, se ficou a conhecer com alguma segurança a proclamação da República em Lisboa. Muito povo acudiu então à Pr, de D. Francisco Gomes, a Praça de Faro, como era mais designada (hoje também Jardim Manuel Bívat)

À frente dos manifestantes, segundo o articulista do Província do Algarve, encontrava-se "o entusiasta republicano" operário João Henrique, brandindo um a bandeira vermelha e verde que intentou arvorar na fachada do Edifício do Governo Civil, sito na extremidade sul da praça, incrustado na muralha e contíguo ao magnífico Arco da Vila, erguido nos inícios do século XIX, segundo projectos do arquitecto italiano FABRI.


(de Roteiros Republicanos)


jbritosousa@sapo.pt

domingo, 5 de dezembro de 2010

OUTROS AUTORES

A Virgem dos Lábios de Mel
José de Alencar


Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.
O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava–lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Iracema saiu do banho: o aljôfar d’água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.
A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá (planta), as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturbasse.
Diante dela e todo a contemplá–la está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem–lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido.
De primeiro ímpeto, a mão lesta caiu sobre a cruz da espada; mas logo sorriu. O moço guerreiro aprendeu na religião de sua mãe, onde a mulher é símbolo de ternura e amor. Sofreu mais d’alma que da ferida.
O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara.
A mão que rápida ferira, estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava. Depois Iracema quebrou a flecha homicida: deu a haste ao desconhecido, guardando consigo a ponta farpada.
O guerreiro falou:
– Quebras comigo a flecha da paz?
– Quem te ensinou, guerreiro branco, a linguagem de meus irmãos? Donde vieste a estas matas, que nunca viram outro guerreiro como tu?
– Venho de bem longe, filha das florestas. Venho das terras que teus irmãos já possuíram, e hoje têm os meus.
– Bem–vindo seja o estrangeiro aos campos dos tabajaras, senhores das aldeias, e à cabana de Araquém, pai de Iracema.

IN José de Alencar - Iracema


Pesquisa e colocação de Rogério Coelho
Nota: - Com este texto, termino a minha pesquisa para o tema "Outros Autores". Aguardo que outros queiram dar continuidade ao Tema.
Um abraço

sábado, 4 de dezembro de 2010

OUTROS AUTORES

A Senhora
Eça de Queiroz

No ano de 1474, por toda a Cristandade tão abundante em mercês divinas, reinando em Castela el-rei Henrique IV, veio habitar na cidade de Segóvia, onde herdara moradias e uma horta, um cavaleiro moço, de muito limpa linhagem e gentil parecer, que se chamava D. Rui de Cardenas.
Essa casa, que lhe legara seu tio, arcediago e mestre em cânones, ficava ao lado e na sombra silenciosa da igreja de Nossa Senhora do Pilar; e, em frente, para além do adro, onde cantavam as três bicas de um chafariz antigo, era o escuro e gradeado palácio de D. Alonso de Lara, fidalgo de grande riqueza, que já na madureza da sua idade, desposara uma menina falada em Castela pela sua alvura, cabelos cor de sol claro, e colo de garça real.
D. Rui tivera justamente por madrinha, ao nascer, Nossa Senhora do Pilar, de quem sempre se conservou devoto e fiel servidor; ainda que, sendo de sangue bravo e alegre, amava as armas, a caça, os saraus bem galanteados, e mesmo por vezes uma noite ruidosa de taverna com dados e pichéis de vinho.
Visitava todas as manhãs a sua divina madrinha e de lhe pedia, em três Ave-Marias, a bênção e a graça.
Ao escurecer, mesmo depois de alguma rija correria por campo e monte com lebréus ou falcão, ainda voltava à Igreja para, à saudação de Vésperas, murmurar docemente uma Salve-Rainha.
E todos os domingos comprava no adro, a uma ramalheteira mourisca, algum ramo de junquilhos, ou cravos, ou rosas singelas, que espalhava, com ternura e cuidado galante, em frente ao altar da Senhora.
A esta venerada igreja do Pilar vinha também cada domingo D. Leonor, a formosa mulher do senhor de Lara, acompanhada por uma aia carrancuda e por dois possantes lacaios que a ladeavam e guardavam como torres. Tão ciumento era o senhor D. Alonso que, só por lho haver severamente ordenado o seu confessor, e com medo de ofender a Senhora, ficava espreitando sofregamente os passos e a demora.
Todos os lentos dias passava D. Leonor no encerro do gradeado solar de granito negro, não tendo, para se recrear e respirar, mesmo nas calmas do Estio, mais que um fundo de jardim verde-negro, cercado de tão altos muros, que apenas se avistava, emergindo deles, aqui, além, alguma ponta de triste cipreste. Mas essa curta visita a Nossa Senhora do Pilar bastou para que D. Rui se enamorasse dela tresloucadamente, na manhã em que a viu ante o altar, numa réstia de sol, com seus cabelos de ouro, olhos pendidos sobre o livro de Horas, o rosário entre os dedos finos, e branca, de uma brancura de lírio, mais branca entre os negros cetins à volta do seu corpo cheio de graças, sobre as lajes da capela, velhas lajes de sepulturas.
Quando depois dum momento de enleio se ajoelhou, foi menos para a Virgem do Pilar, sua divina Madrinha, do que para aquela aparição mortal, de quem não sabia o nome nem a vida, e só que por ela daria vida e nome, se ela se rendesse por tão incerto preço. Balbuciando, com uma prece ingrata, as três Ave-Marias com que cada manhã saudava Maria, apanhou o seu sombreiro, desceu levemente a nave sonora e no portal se quebrou, esperando por ela entre os mendigos lazarentos que se catavam ao sol. Mas, quando ao cabo de um tempo, em que D. Rui sentiu no coração um desusado bater de ansiedade e medo, a senhora D. Leonor passou e se deteve, molhando os dedos na pia de mármore de água benta, os seus olhos, sob o véu descido, não se ergueram para ele, ou tímidos ou desatentos.
Com a aia de olhos muito abertos colada aos vestidos, entre os dois lacaios, como entre duas torres, atravessou vagarosamente o adro, pedra por pedra, gozando decerto, como encarcerada, o desafogado ar e o livre sol que o inundavam. E foi espanto para D. Rui quando ela penetrou na sombria arcada, de grossos pilares, sobre que assentava o palácio, e desapareceu por uma esguia porta recoberta de ferragens.
Era, pois, essa a tão falada D. Leonor, a linda e nobre senhora de Lara...
Então começaram sete arrastados dias, que ele gastou sentado a um poial da sua janela, considerando aquela negra porta recoberta de ferragens como se fosse a do Paraíso, e por ela devesse sair um anjo para lhe anunciar a Bem-Aventurança. Até que chegou o vagaroso domingo: e passando ele no adro, à hora de Prima, ao repicar dos sinos, com um molho de cravos amarelos para a sua divina Madrinha, cruzou D. Leonor, que saía de entre os pilares da escura arcada, branca, doce e pensativa, como uma lua de entre nuvens. Os cravos quase lhe caíram naquele gostoso alvoroço em que o peito lhe arfou mais que um mar, e a alma toda lhe fugiu em tumulto através do olhar com que a devorava. E ela ergueu também os olhos para D. Rui, mas uns olhos repousados, uns olhos serenos, em que não luzia curiosidade, nem mesmo consciência de se estarem trocando com outros, tão acesos e enegrecidos pelo desejo.
O moço cavaleiro não entrou na igreja, com piedoso receio de não prestar à sua Madrinha divina a atenção, que decerto lhe roubaria toda aquela que era só humana, mas dona já do seu coração, e nele divinizada.
Esperou sofregamente à porta, entre os mendigos, secando os cravos com o ardor das mãos trêmulas, pensando quanto era demorado o rosário que ela rezava. Ainda D. Leonor descia a nave, já ele sentia dentro da alma o doce rugir das sedas fortes que ela arrastava nas lajes. A branca senhora passou – e o mesmo distraído olhar, desatento e calmo, que espalhou pelos mendigos e pelo adro, o deixou escorregar sobre ele, ou porque não compreendesse aquele moço que de repente se tornara tão pálido, ou porque não o diferenciava ainda das coisas e das formas indiferentes.
D. Rui abalou, com um fundo suspiro; e, no seu quarto, pôs devotamente ante a imagem da Virgem as flores que não oferecera, na igreja, ao seu altar. Toda a sua vida se tornou então um longo queixume por sentir tão fria e desumana aquela mulher, única entre as mulheres, que prendera e tornara sério o seu coração ligeiro e errante. Numa esperança, a que antevia bem o desengano, começou a rondar os muros altos do jardim – ou embuçado numa capa, com o ombro contra uma esquina, lentas horas se quedava contemplando as grades das gelosias, negras e grossas como as dum cárcere.
Os muros não se fendiam, das grades não saía sequer um rasto de luz prometedora. Toda o solar era como um jazigo onde jazia uma insensível, e por trás das frias pedras havia ainda um frio peito. Para se desafogar compôs, com piedoso cuidado, em noites veladas sobre o pergaminho, trovas gementes que o não desafogavam. Diante do altar da Senhora do Pilar, sobre as mesmas lajes onde a vira ajoelhada, pousava ele os joelhos, e ficava, sem palavras de oração, num cismar amargo e doce, esperando que o seu coração serenasse e se consolasse, sob a influência d'Aquela que tudo consola e serena. Mas sempre se erguia mais desditoso e tendo apenas a sensação de quanto eram frias e rígidas as pedras sobre que ajoelhara. O mundo todo só lhe parecia conter rigidez e frieza.
Outras claras manhãs de domingo encontrou D. Leonor; e sempre os olhos dela permaneciam descuidados e como esquecidos, ou quando se cruzavam com os seus era tão singelamente, tão limpos de toda a emoção, que D. Rui os preferiria ofendidos e faiscando de ira, ou soberbamente desviados com soberbo desdém. Decerto D. Leonor já conhecia: – mas, assim, conhecia também a ramalheteira mourisca agachada diante do seu cesto ä beira da fonte; ou os pobres que se catavam ao sol diante do portal da Senhora.
Nem D. Rui já podia pensar que ela fosse desumana e fria. Era apenas soberanamente remota, como uma estrela que nas alturas gira e refulge, sem saber que, em baixo, num mundo que ela não distingue, olhos que ela não suspeita a contemplam, a adoram e lhe entregam o governo da sua ventura e sorte.
Então D. Rui pensou:
– Ela não quer, eu não posso: foi um sonho que findou, e Nossa Senhora a ambos nos tenha na sua graça!
E como era cavaleiro muito discreto, desde que a reconheceu assim inabalável na sua indiferença, não procurou, nem sequer ergueu mais os olhos para as grades das suas janelas, e até nem penetrava na igreja de Nossa Senhora quando casualmente, do portal, a avistava ajoelhada, com a sua cabeça tão cheia de graça e de ouro, pendida sobre o Livro de Horas...

IN Eça De Queiroz – O Defunto

Colocado por Rogério Coelho

TEMA INTERNET/COMPUTADOR

Para quem ainda desconhece
VEJA MELHOR AS PÁGINAS DA INTERNET

Algumas páginas da internet apresentam um tamanho de letra tão pequena que... não se consegue ler.
Não ha problema, todos os programas de navegação actuais permitem ampliar ou reduzir gradualmente o tamanho do texto de qualquer página, fazendo o seguinte:
- caso o seu rato possua a "roda" de deslizamento, mantenha a tecla CTRL premida e, ao mesmo tempo, faça rodar  a roda para cima (ampliar) e para baixo (reduzir).
- Se o seu rato não possue a roda, prima ao mesmo tempo, as teclas CTRL - + (mais) para ampliar ou as teclas CTRL - - (menos) para reduzir.
Já utilizo este sistema há muito tempo. Dá resultado.

Rogério Coelho