quinta-feira, 5 de novembro de 2009

DO CORREIO

Enviado por Casimiro de Brito
NO PRÓXIMO DIA 11 DE NOVEMBRO
PELAS 18:30 NO
INSTITUTO CERVANTES DE LISBOA
Rua de Santa Marta, 43-F

terá lugar uma
MESA REDONDA
sob o titulo
POEMAS CRUZADOS
a propósito da apresentação de dois livros de poesia, a saber:

apresentação do livro
EN LA VIA DEL MAESTRO
de CASIMIRO DE BRITO
(Tradução espanhola de Montserrat Gibert).

O livro, editado por uma das mais prestigiadas
editoras de poesia de Espanha, a OLIFANTE,
será apresentado pelo poeta espanhol
ÁNGEL GUINDA.

Apresentação da tradução portuguesa de
TEORIAS DEL ORDEN
do poeta espanhol
JOSÉ MARIA CUMBREÑO
editado pelas
EDIÇÕES SEMPRE-EM-PÉ

AGENDA

Efemérides

Novembro - 5 - Quinta Feira

1605 - Descoberta a conspiração da pólvora, preparada por Guy Fawkes, para fazer explodir oparlamento inglês;
1914 - França e Inglaterra declaram guerra à Turquia;
- Grã-Bretanha anexa Chipre;
1916 - Potências Centrais proclamam o Reino da Polónia;
1940 - Franklin Roosevelt eleito, pela terceira vez, presidente dos EUA;
1996 - Bill Clinton reeleito presidente dos EUA.
Moderdor

1º CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL CASA MUSEU PROFª MARIA JOSÉ FRAQUEZA

(Clik para aumentar)


Prezados Costeletas

Estou enviando uma noticia relativamente ao 1º CONCURSO LITERÁRIO INTERNACIONAL CASA MUSEU PROFª MARIA JOSÉ FRAQUEZA, promovido e realizado pela própria, comemorativo do 1º Aniversário da sua fundação. Após um trabalho exaustivo, devido à enorme concorrência,o júri avaliou os imensos trabalhos vindos de vários paises do mundo. Apraz-me dizer que é com muita satisafação que vejo no quadro de avaliação (que segue em anexo) alguns costeletas premiados e também muitos algarvios entre os demais concorreentes nacionais e estrangeiros.
O cocnurso teve trrês vertentes poéticas - poesia livre - soneto e prosa. A temática geral - Ser Poeta.
Se caso este assunto, merecer a honra da vossa atenção, aqui fica a minha informação.
Com as minhas cordiais saudações, fazendo votos para que o blogue prossiga em prolda amizade que nos une.

Maria José Fraqueza

PS. O aniversário da casa e a sessão cultural de entrega de prémios está marcada para dia 15 de Novembro. Está programada (para quem estiver interessado) para o dia 15 de Novembro uma visita à Casa Museu, pelas 11 horas. Ainda aguardo a visita de alguns amigos costeletas.
UM TEXTO...DIÁRIO, SEMANAL, MENSAL...OU DE VEZ EM QUANDO


PASSEIOS POR FARO IDO - I


Hoje proponho um passeio pelas ruas de Faro, que nas décadas de cinquenta e sessenta, concentravam a grande maioria das empresas comerciais da época.
Começo na Rua Conselheiro Bívar na confluência com o Praça Ferreira de Almeida, até ao Largo da Madalena. Depois, a Rua Infante D. Henrique até ao início do Largo de Camões ( justamente no Palácio Mateus da Silveira, hoje conhecido como Hospital Privado de Santa Maria):
No início da Rua Conselheiro Bívar, no gaveto direito havia a Singer e do lado esquerdo, o Café Coelho (pai do costeleta Virgílio Coelho). Na continuidade do café existia uma latoaria e de seguida, a filial da empresa H. Vaultier, onde trabalhou durante muitos anos o costeleta Tinoco ( cunhado do Paixão Pudim ).
Continuando a subir, a Farmácia Paula, em que era ajudante de farmácia o Silva (Silvinha para os amigos), padrasto do costeleta R. Seromenho. No seguimento deste quarteirão, os armazéns de mercearia do J. A. Costa, no qual trabalharam muitos costeletas - Francisco Bexiga, César Nobre, F. Chumbinho, Adelino Amaro e António, Jorge Tavares, e também, o filho do próprio dono, o Fernando Costa.
No primeiro andar destes armazéns existia o único notário da cidade, tabelião, como se chamava à época. Subindo um pouco mais, paramos agora à entrada da travessa que dá acesso à Rua da Alfândega, onde pedia esmola o Bagdad (cidadão farense e residente nos Moinhos da Grelha), dada a incapacidade física resultante dum acidente de comboio, que o deixou sem pernas.
Volto agora ao início da rua, para fazer o percurso pelo lado contrário:
Contíguo à Singer era o estabelecimento do José da Rosária, mecânico e alugador de bicicletas a pedal. De seguida, a entrada dum edifício apalaçado, pertencente à família Justino Cúmano.
Continuamos com alguns armazéns da empresa J.A. Costa e terminamos este quarteirão, com o estabelecimento de mercearias e cereais do José Patrocínio, a quem nós, os mais jovens, apelidávamos de Zé Católico, atendendo à sua fortíssima religiosidade.
A travessa que se seguia dava acesso a dois importantes restaurantes, conhecidíssimos e à época muito frequentados: O Joaquim das Iscas e o Manuel da Adega dos Arcos.
Retornando ao outro lado da rua, e logo após a travessa onde o Bagdad pedia esmola, estava o estabelecimento de mercearias do António Guerreiro, especialmente frequentado pelos montanheiros - assim denominados por serem oriundos das hortas que rodeavam a cidade.
No primeiro andar desta mercearia estava instalado o Grémio dos Cereais, cujo responsável era um alentejano de nome Mora Féria, e onde era escriturário o Pedro (vulgarmente chamado por Pedro do Grémio). Continuando, encontramos o local onde o Madeira fabricava os sorvetes que o Coelhinho e outros, vendiam pela cidade - lembram-se do famoso "mola abaixo"??.
Mais adiante, os escritórios da empresa Marques, Vaz Velho & Caiado, os despachantes oficiais mais importantes de Setúbal ao Algarve: Era seu principal responsável administrativo o J. Rosário, também ele costeleta. O sapateiro que se seguia no quarteirão, foi uma vítima dos nossos abusos: Encostados à janela que estava sempre aberta, iniciava-se a lenga-lenga "Sapateiro remendeiro, come tripas de carneiro, bem lavadas, mal lavadas, lá vai tudo às colheradas..." e a resposta não se fazia esperar. Lá vinha uma forma em madeira, um sapato ou uma bota!
No primeiro andar, por cima do sapateiro, havia o único médico pediatra da cidade: O Dr. Rogério Peres, que de certeza medicou muitos costeletas e suas famílias.
Mesmo percurso, outro lado da rua:
No seguimento da travessa, vinha o estabelecimento de mercearias do A. Viegas, que se distinguia dos seus pares por usar uma bata comprida e de côr cinzenta, típica da actividade. Seguia-se a loja do alfaiate mudo ( tio dos costeletas Vitor e António Sabino) e o estabelecimento de barbearia do Sr. Virgílio, pai do bife Arnaldo Luzia da Silva, que morreu em acidente de aviação. No primeiro andar, por cima do alfaiate, o médico dentista Cardoso de Oliveira, que também deve ter assistido a muitos dos nossos. Seguia-se o stand de automóveis Citroën, onde trabalharam os costeletas Jorge Primitivo, Francisco Pinheiro, J. Francisco Moreira, Jorge Tavares, Fontainhas, de entre outros. Continuando rua acima, aparecia-nos a Farmácia Pontes Sequeira, o esbelecimento do José Panasqueira Gago, produtor e distribuidor de lexívia e a Agência de Viagens do Arcanjo Viegas. Este agente de viagens, onde trabalhou muito tempo o costeleta Vitor Sabino, era casado com a "famosa" professora primária Pessanha Viegas, de que todos certamente nos recordamos, pelo melhor e pelo pior.
No primeiro andar deste estabelecimento funcionou a Associação de Futebol de Faro, e o Aero Clube de Faro.
Continuando o percurso, encontrávamos os escritórios dos importadores e comerciantes de palma, oriunda de Marrocos, que embora sendo Louletanos estavam estabelecidos em Faro, pelo facto das descargas de palma serem feitas no cais do Neves Pires ou na doca, conforme o calado dos barcos.
Por ora, terminamos esta parte do passeio no Edifício da Junta dos Portos de Sotavento do Algarve, entidade pública com a qual relaciono o Celestino Rebeca, pai do costeleta Rebeca e também o Sena, igualmente costeleta dos antigos.
Descansemos uns dias, para continuar a subir a Rua Conselheiro Bívar, passar o Largo da Madalena e seguir pela Rua Infante D. Henrique.

Jorge Tavares
costeleta 1950/56

terça-feira, 3 de novembro de 2009

UMA FOTO DO PALÁCIO LÃ, QUEM ARRANJA

O PALÁCIO LÃ.

É património cultural da cidade de FARO.
Da Família Lã, existem ainda certamente alguns descendentes,
nomeadamente na Fuzeta, onde se radicou um dos braços familiares com
negócios semelhantes ao de Faro, isto é, de armazenista para
abastecimento do comércio retalhista.
Gostaria muito de possuir uma foto do velho Palácio Lã, que conheci
muito bem, porque passava junto aos seus portões todos os dias quando
subia a Avenida 5 de Outubro.
Aliás acordei numa madrugada de Sábado com o barulho dos buldozers a
arrasarem literalmente o edifício, juntamente com o pouco que restava
dos antigos jardins.
Só não tive a coragem de apanhar os milhares de azulejos que jaziam
sobre o passeio da avenida e que nessa tarde forem carregados a esmo
pelo antiquário que ainda hoje subsiste junto às "portas do Mar" em
Faro.
Os sucateiros levaram os portões e as estatuetas do jardim. Naquele
fim-de-semana, de cujo mês já não me recordo, a cidade clamava contra
tão monstruoso atentado ao património local.
Lembro-me que nesse dia fui à matiné do Cinema Stº António e não se
falava doutra coisa. Acho que nessa altura a Câmara nada fez para
impedir a sua demolição, limitando-se a registar a ocorrência.
Quem tem uma foto do palácio, que me possa arranjar?
Grato.

JCVM

Ps- O texto que está acima é da autoria do Prof. Doutor Vilhena
Mesquita e foi retirado dum comentário do blogue,
http://algarvehistoriacultura.blogspot.com

Recolha de
JBS

DO CORREIO




Correio do Brasil

Imaginem eu a perseguir-te António Palmeiro ? digamos no Bom Sentido , quem sabe se um dia nos iremos encontrar assim como ao amigo João Brito de Sousa e compartilhar um bom Wisky !
Te agradeço o complemento do termo Bóia fria , podia ter escrito Trabalhador Rural mas as palavras ás vezes nos surgem e daí a ter utilizado . Em Caxambu utilizam muito o termo de “rango “ representa vamos ao almoço !

E já que aqui estou , vou falar sobre a cidade !
Cheguei a Caxambu em 1985 , pela mão de um veterinário que conheci no Rio de Janeiro “ Dr. Tarcíso “ uma cidade muito acolhedora e muito visitada pelo adeptos das águas , boa estrutura Hoteleira onde o visitante encontra tudo o que precisa para a estadia . E uma população bem calorosa !

Naturalmente me mostraram o Parque das águas , onde me falaram das qualidades de cada uma das 12 Fontes , mas o Veterinário desfez logo o misticismo me falando que a Princesa tinha problemas de Anemia e o Ferro das Águas curou sua Suposta infertilidade !

Esta é a visão moderna porque na época o sentimento ( 1868 ) era diferente , e levou a que em reconhecimento se Construísse a Igreja de Santa Isabel da Hungria , ficando na actualidade o Misticismo para a cidade de São Tomé das Letras a cerca de 20 Km.!

Na época em que lá morei a cidade era um feudo dos Donos dos Hotéis , e difícil de ser penetrada por actividades que oferecessem concorrência , daí a população falar que a cidade estava estagnada em comparação a São Lourenço , bem mais desenvolvida .

Há quase 03 anos visitei de novo e vi que Caxambu evoluiu bastante, , mais que a Rival São Lourenço embora as estradas continuem como antes “bem mal “, me recordo que na cidade existia um único tractor e a lavoura era por arados e vacas , ao falar nesse caso com um fazendeiro me falou meu pai fazia assim e antes o pai dele etc. tinham feito da mesma forma enfim para o empreendedor o conselho era ir para Baependi a pouco mais de 5 Km ou outra cidade, e deixassem Caxambu como estava .

Conheço o Jardim Satélite mais por visita ao shopping , é uma das Partes Nobres e nova da cidade , moro na Vila industrial jardim Maracanã , depois do Jardim Ismênia e antes do Tesouro , parte Leste da Cidade .

São José neste últimos 20 anos mais que duplicou sua população e a actual crise se pode falar que não está afectando muito a economia .
Saudações Costeletas.
António Encarnação

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

DO CORREIO








Casimiro de Brito
Rua Emb. Martins Janeira, 15-6º.Esqº. 1750-097 Lisboa Portugal

Subject: DIVULGAÇÃO: MESA REDONDA "POEMAS CRUZADOS" no Instituto Cervantes


No próximo dia 11 de Novembro, pelas 18H30, no Instituto Cervantes de Lisboa (Rua de Santa Marta, 43-F)
terá lugar uma MESA REDONDA sob o título POEMAS CRUZADOS
a propósito da apresentação de dois livros de poesia bilingues:
EN LA VIA DEL MAESTRO de CASIMIRO DE BRITO
(tradução espanhola de Montserrat Gibert, editado pela OLIFANTE),
que será apresentado pelo poeta espanhol ÁNGEL GUINDA.
TEORIAS DEL ORDEN de JOSÉ MARIA CUMBREÑO
editado pelas EDIÇÕES SEMPRE-EM-PÉ.
A apresentação será feita por Ruy Ventura, que traduziu para português o original castelhano.
Estarão também presentes os autores Casimiro de Brito e José Maria Cumbreño.
A sessão é organizada pelas Edições Sempre-em-Pé e pelo Instituto Cervantes de Lisboa.
Estes conteúdos são da responsabilidade de quem os enviou originalmente para serem divulgados pelo porosidade etérea.
Se desejar sair da mailing-list do porosidade etérea reenvie este e-mail e coloque no “Subject”: Remover
http://porosidade-eterea.blogspot.com

DIVERSOS

Para: João Brito Sousa

- Quero agradecer os teus comentários e dizer-te que estou ponderando a possibilidade de escrever a crónica sugerida. Eu percebi a provocação, perfeitamente natural e aceitável entre o mestre e o aprendiz.
Um abraço costeleta
António Palmeiro

Para: António Encarnação

- O que escreves-te, em minha opinião, reflete a realidade. Quero parabenizar-te por isso.
Na verdade, o Brasil, um país de dimensões continentais, apresenta diversas realidades.
Se me permites, gostaria, só para ajudar o entendimento, de explicar o que é um "boia fria" a que fazes referência e que provavelmente, muitos dos nossos colegas não sabem o que é.
A história que conheço é esta:
O termo "bóia fria" é muito usado para definir um trabalhador menos qualificado. Ex. : um carregador, um cortador de cana, ou qualquer outro que tenha que se deslocar, ou seja sair de casa de manhã e só regressar à noite, tendo que almoçar fora. Como é sabido o brasileiro chama de bóia à comida.
- O que é o almoço? Passa a: O que é a bóia? Hoje vou a tua casa filar.te o almoço, ou seja, hoje vou a tua casa filar-te a bóia.
Então os trabalhadores atrás referidos levavam de manhã quando saíam de casa uma marmita, já com a refeição confecionada, que obviamente quando fosse consumida estaria fria, daí o termo "boia fria".
Inicialmente os "bóias frias" eram só os cortadores de cana e os que transportavam a cana até ao engenho, no entanto a criatividade do brasileiro fez o resto.
Claro que hoje, mesmo qualquer trabalhador menos qualificado, tem meios facultados pelas empresas para aquecer as suas marmitas. Mas o nome ficou!
Quero pedir de novo desculpa mas não resisti a dar esta explicação.
Para terminar pretendo saber o motivo porque me persegues! Sul de Minas, boa opção, Caxambú melhor ainda (todo o circuito das águas é fantástico - Caxambu, São Lourenço, Lambari, Cambuquira, Poços de Caldas). Em Caxambu até a água engravida as mulheres, que o diga a Raínha. Quem conta esta história, contas tu ou conto eu?
Depois continuaste a perseguição em São José dos Campos, só não sabes onde eu morava, mas eu digo, no Jardim Satélite. Incrivel a coincidência com mais de 20 anos de diferença.
Um abraço costeleta
Antonio Palmeiro
A Propósito do Novo livro de Mário Zambujal

- Norberto Cunha

Já está nas bancas o novo livro de Mário Zambujal, «Uma Noite não são Dias», o que, por si só, constitui motivo de satisfação para a família costeleta, particularmente para as centenas de leitores fiéis que por certo o autor tem entre nós. E eu sou um deles. Não fomos companheiros de escola mas de escritório, durante cerca de três anos. E esse convívio, não obstante algum formalismo no relacionamento profissional, hierárquico, como era norma universal naquela altura, deu-me a conhecer o apreciável perfil humano do nosso «bom malandro» e proporcionou-me ainda o repetido prazer de desfrutar «em directo», na primeira fila, do seu jeito e a-propósito no contar de uma anedota; da espontaneidade e da graça do seu comentário ao acontecimento fortuito e intrigante; do fino sentido de humor (o aparte «inocente», a conotação subtil, o trocadilho…) que por vezes introduzia nas reportagens desportivas (uma novidade ao tempo e que ficou sem continuadores). Mais tarde, com a «Crónica dos Bons Malandros» a minha admiração cresceu e consolidou-se. Porém, e com bastante pena, foi em vão que fiquei aguardando, durante não sei quanto, a publicação de novas narrativas suas. É que, caso notável, com aquela «crónica», o Mário não só se revelava um maduro ficcionista, não apenas se reafirmava como prosador exímio e dotado de um estilo inimitável, mas recuperava ainda uma tradição que durante decénios estivera ausente da nossa literatura. Não porque durante todo aquele período se tivesse registado um vazio total de escrita humorística. Não. Circulavam «Os Ridículos», onde, aliás, e se a memória não me trai, ele colaborou, e o teatro de revista enchia as salas do Parque Mayer, e por aí. Mas que eu soubesse ou me lembre, contos, novelas, verdadeira literatura de humor, já não se publicava em Portugal talvez mesmo desde o admirável André Brun, falecido em 1926. Entretanto o tempo passou e, há alguns anos, final e felizmente para prazer de muitos, Zambujal regressou à ficção, e com justificado sucesso tem vindo a preencher a lacuna. Tarda, no entanto, o reconhecimento dos seus méritos de escritor por parte da imprensa especializada e dos meios académicos. È verdade que se há autores cujas obras são sempre bem acolhidas pela comunicação social, pelo público e por alguns sectores da crítica, Zambujal é um deles. Mas, em meu entender, e para além do facto de nenhum outro escritor ombrear com ele na arte que cultiva, a sua escrita é merecedora de uma análise crítica mais ambiciosa do que a contida nessas breves recensões, meras notas de apresentação e de ocasião. Posso estar errado, e se assim for, alguém que me corrija, mas nas publicações especializadas ainda não veio a lume qualquer estudo sério sobre livros do nosso ficcionista; em nenhuma universidade se terão defendido teses sobre os seus processos criativos. Poderão objectar-me alguns que ainda será cedo para tal, ou que a literatura de humor passa ao lado das grandes questões da condição humana e não aborda temas que convidem à reflexão. Por outras palavras, que é uma literatura menor. Não penso assim e creio que o problema é outro. Penso que a «desatenção» daquelas instâncias culturais não é expressão de sobranceria intelectual ou de preconceituosa indiferença, e se deve, sim, por um lado, à inexistência em ambas de um historial de ensaísmo virado para o género literário onde cabe a obra de Zambujal. Por outro, decorrerá dos problemas de ordem teórica com que se confronta o estudo desse mesmo género, problemas que remetem para saberes não inscritos no universo das letras. Vejamos: A grande arte de Mário Zambujal não se confina ao gracejo imediato e fulminante. É também, e sobretudo, a arte de inventar o cómico, o risível; de suscitar o riso e o sorriso através de uma estrutura narrativa, sequências e situações geradas no fio de um discurso claro e fluente, pontuado de surpresas, imprevistos, e donde ininterruptamente transparece a atitude bem-humorada do narrador e que contamina o leitor. Ora, é talvez esta arte de inventar o cómico a que mais refractária se mostra à inteligibilidade do respectivo processo gerativo, criativo, mais rebelde permanece à análise, identificação e conceptualização dos elementos e momentos que supostamente a integram e nela interagem. Daí que (e com pertinência maior relativamente a outras formas de criação do cómico) a escrita de humor nos apareça como um «dom», como algo que se tem (sem se saber de onde nos veio), ou, simplesmente, que se não tem. Não é de todo sem razão que de diz «não tem graça quem quer». Mas o nó do problema situa-se mais a montante. Desde logo, a percepção do cómico (seja este resultante de uma ocorrência natural, ou produção artificial) e a resposta espontânea, múltipla e muito complexa por ele provocado em nós (e por vezes, também nalguns outros primatas) e que é o riso, são ainda, ao que julgo, questões não totalmente esclarecidas pelas ciência e disciplinas humanas, não obstante os contributos da Neurologia, Psicanálise, Filosofia (H. Bergson), entre outros. O riso envolve processos cognitivos, emotivos, motores, enfim, e a arte de desencadeá-lo promana possivelmente de um processo intuitivo específico, de uma especial modalidade de inteligência criadora, que determinadas contingências da experiência e da cultura impedem que se desenvolvam em todos os homens. E assim sendo, não será surpreendente que o estudo da criação do cómico e sua manifestação na obra literária se apresente tão problemático como atrás se disse. Do mesmo passo se achará justificação para o silêncio dos meios literários mais eruditos acerca de Zambujal. Todavia, ainda assim, e torneando o problema teórico que aqui foco, na obra do nosso ficcionista não faltam dimensões a explorar, dimensões susceptíveis e merecedoras de investigação, como o recorte humano e a tipologia das suas personagens e respectivas visões do mundo em função dos ambientes sociais onde se movem; os jogos de linguagem que propulsionam a narrativa; a exploração do suspense como modulador do ritmo e vector do desfecho; etc., etc. Tivesse eu mais tempo e a formação académica indicada para tais pesquisas e, com o maior prazer, delas me ocuparia. Mas não desanimemos. Mais tarde ou mais cedo, talvez quando menos o esperarmos, o Zambujal, que há muito é lido nalgumas escolas do secundário, começará também a ser lido e estudado nas nossas universidades.

domingo, 1 de novembro de 2009

CANTINHO DOS MARAFADOS

O que faz o mau uso da liberdade.

Essa pergunta foi a vencedora num congresso sobre vida sustentável.

"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os nossos filhos... Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro da própria casa e recebe o exemplo dos seus pais, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...

António Palmeiro

CANTINHO DOS MARAFADOS

Vocês sabem para quem foram as ultimas palavras de Jesus Cristo depois de cruxificado?
Para os alentejanos:
- Não façam nada até eu voltar!


António Palmeiro

AGENDA

Efemérides

Novembro – 1 – Domingo

* Feriado – Dia de Todos os Santos
* Dia de Luta Contra o Cancro
1431 – M. em Lisboa o Herói português D. Nuno Álvares Pereira (N. em Cernache do Bonjardim, 1360). Beatificação em 1918;
1509 – Frescos de Miguesl Ângelo no tecto da Capela Sistina, no Vaticano, são exibidos pela primeira vez;
1755 – Sismo em Lisboa (seguido de maremoto e incêndios) provoca cerca de 60 mil mortes e destrói grande parte da cidade;
1993 – Entra em vigor o tratado de Maastricht ou da União Europeia, aprovado em 11.12.1991.
Moderador