sexta-feira, 6 de maio de 2011

Nota de abertura:
O título deste artigo foi uma inspiração para escrever esta pequena “charla”, com um certo humor leve.
Espero que gostem


CAFÉ E JORNAL

Montinho

Na minha rua não há café da esquina mas, quase ao fim da rua, existe um pequeno café/pastelaria, que nunca frequentei.
Resolvi seguir o exemplo do João Brito de Sousa, que não me leve a mal…
Acompanhado de minha mulher, que gosta de tomar a “bica” todos os dias da manhã, entrámos e sentámo-nos.
- Um café, se faz favor – disse a minha mulher.
- E para o senhor? Perguntou-me a empregada.
- Deixe-me ver – respondi olhando para a empregada, que sorriu docemente, de um modo quase infantil, “Não se importa que eu peça uma coisa diferente?”
- Claro que não, diga à vontade.
- Não estou a pensar em nenhuma iguaria especial.
- Ouve lá – disse a minha mulher, em voz baixa, inclinando-se para mim. “Se não te consegues comportar vou-me embora”.
- Olha querida, respondi no mesmo tom, “pediste um café. Deixa que eu também mande vir o que me apetece”. E para a empregada:
- Queria, para já, o jornal da casa.
- Não temos, não costumamos comprar.
- Bem, então o meu problema é que não me lembro, de repente, do nome daquilo que queria pedir. É assim um líquido escuro…
- É uma bebida alcoólica?
- Não! Não. Se bem me lembro trouxeram-me numa chávena de vidro. E também me lembro que estava bastante quente.
- Receio que não tenhamos.
- Nem posso acreditar, respondi. “Não será possível perguntar aquela sua camarada?”
- Sim, com certeza, disse a menina, e foi ao balcão à pressa.
- Estou a ficar farta do teu comportamento, disse a minha mulher irritada, ela não gosta de dar nas vistas. “Se não acabas com isso vou para casa”.
A empregada aproximou-se sorrindo:
- A dona do café pergunta se a bebida era castanho-clara?
- Não, menina. Era quase preta.
- E onde costuma tomar essa bebida?
- Num café, na baixa da cidade.
- Já receava – riu-se – São cafés de luxo e nós somos um café de segunda classe.
- Espere aí!, disse eu. “Agora me lembro que com a chávena vinha uma colher pequena. E mais uma coisa. No pires, uns pequenos cubos brancos”.
- Cubos? Olhou a empregada para mim, e desatou a rir. “Há cinco anos que estou cá, nunca houve um pedido assim, cubos! Riu-se novamente.
- Não se podia perguntar à dona do café?, perguntei.
A empregada foi, mas à entrada do balcão olhou para trás, pôs a mão na boca e sorriu.
- Só ficas contente quando as pessoas se ocupam de ti?, perguntou-me a minha mulher furiosa.
- Nem pensar, querida. Nem assim fico contente.
- Era melhor dares conta do que estás a fazer, retorquiu.
A empregada voltou. Atrás dela vinha a dona do café. Caveirosa, de óculos, com um livro de um autor desconhecido na mão. Não consegui ver o título.
- Estou a ver o problema. Disse ela com delicadeza.
- Mas, por favor, não faça caso do assunto respondi.
- Nós gostamos de satisfazer os nossos clientes. De que tipo eram os cubos?
- Se bem me lembro, eram brancos e de tamanho pequeno, respondi.
As duas entreolharam-se. A jovem empregada, que agora não se atreveu a rir, só casquinou baixinho. A dona do café, por seu lado, continuava séria. E respondeu
- É muito aborrecido, mas o que posso fazer? – Não temos cubos de nenhum tipo.
- Não é assim tão importante, respondi.
- E também não conheço o líquido de que fala, acrescentou a dona do café.
- Deixe lá. E fiz um gesto de desistir com a mão. E acrescentei:
- E traga-me também um café.
E foi assim a primeira vez que entrei, para tomar a bica e ler o jornal à borla, no café da minha rua. E sai, para comprar o jornal na tabacaria da esquina. Tenho que ir morar para o Porto.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

COMENTÁRIO ALARGADO

ACERCA DA CAÇA,
de Manuel Inocêncio Costa


Caro Manuel.

Recebi o teu ensaio, que agradeço muito e vou dar aqui a minha opiniiao sobre o dito.

Começo por concordar com o mano Roger, quando disse que o livro se lê bem. É verdade.

Quando recebi o livro / ensaio, olhei para a capa e o título não se deu bem comigo, hum …, teria dito para o interior de mim, face a esse título, onde relacionei caça com a ,morte, mas, comecei a ler.

E gostei, porque.

É um trabalho sério, com alguma investigação a sério e, onde, fundamentalente se aprende, como eu aprendi. Sabiam que o feminino de javali é javalina? Eu não sabia e fiquei a saber.

O trabalho do M.I.C. começa com a arrancada da cama do caçador Romualdo, às 4 da manhã, num estilo de romance, de tal forma que estamos a ler e a reviver o ambiente que o M.I.C. descreve e que nós, ou quase todos nós, temos uma ideia de como seja, estando a descrição do ensaio em séria correspondência com a realidade.

Além da boa qualidade, recria-nos com fidelidade o que se passa no terreno, em termos, por exemplo, do jogo caçador / alvo, em que cada um tenta dar o seu melhor para sair vencedor da luta, digamos assim. O que exige treino do caçador, traduzido em milhars de tiros e no treino dos aimais ou aves a abater, que levam a vida inteira a treinar.

A convivência é um ponto alto. Mas o ponto mais alto da obra é a resposta à pergunta: - será o caçador um criminoso / matador ?

Eu penso que a resposta do autor está correcta, quando diz que “ o caçador não mata indiscriminadamente nem por prazer”. Quantas vezes ele se interroga, quando está perante as peças que se estendem num espaço rectangular pertencendo a todos e a cada um, acerca da morte daquelas peças. O problema, não se pode colocar em termos de “eu matei”.

Depois de analisar exaustivamente esse problema da morte, onde o homem tem procedido a autenticos assassinatos, o autor considera a caça como uma actividade desportiva, bastante exigente e dispendiosa e onde as forças se medem na ordem de 50% para cada lado. E nem sempre o caçador ganha.

Um bom trabalho, elaborado com rigor e que educa. Face a isto, recomendo a leitura.

Obrigado Manuel.
João Brito Sousa

quarta-feira, 4 de maio de 2011

NOTÍCIAS DO JORNAL  CARTEIA

Nova avenida para o Verão 2012
03-05-2011
A empreitada que visa o prolongamento da Avenida Sá Carneiro até à Fonte Santa finalmente arrancou. Os trabalhos começaram na terça-feira, 13 de Abril, e devem estar concluídos antes do Verão do próximo do ano, com uma paragem de dois meses em Julho e Agosto.
Ler Mais...
Quarteira fica sem equipa de basquetebol em Cadeira de Rodas
03-05-2011
O Clube de Basket de Quarteira Tubarões anunciou o fim da equipa de basquetebol em Cadeira de Rodas, por terem terminado os apoios financeiros atribuídos pelas autarquias. Recorde-se que a equipa participou nesta época na 1ª Divisão do Campeonato Nacional e chegou às meias-finais da Taça de Portugal.
Ler Mais...
Precisamos de uma revolução
03-05-2011
"O Estado Económico do Algarve" foi o tema do seminário organizado pela Escola Internacional de Almancil, no passado dia 08 de Abril! , no Auditório de Vale do Lobo, que contou com sala cheia. No debate final os estudantes, maioritariamente estrangeiros, colocaram questões mas sobretudo sobre a situação global.

Junta de Freguesia da Sé - Faro

IV Encontro“Famílias, Saúde e Doença”

Exmos. (as) Senhores (as)

A Freguesia da Sé - Faro, vai organizar o IV Encontro sobre “Famílias, Saúde e Doença”, que se irá realizar no dia 07 de Maio de 2011, no Auditório da Biblioteca Municipal de Faro.

Neste sentido, o Presidente da Junta da Sé – Faro tem a honra de convidar V.Exa a participar no evento.

Agradecemos o envio da Ficha de Inscrição até dia 06 de Maio de 2011.

Com os melhores cumprimentos,


O Presidente
Joaquim Eduardo Gonçalves Teixeira




_____________________________________________________________
Com os melhores Cumprimentos
A Organização
Ana Calvário
Patrícia Grelha


A Ficha de Inscrição deverá ser remetida via correio, fax ou e-mail para a Junta de Freguesia da Sé – Faro, até dia 06 de Maio de 2011.







Secretariado: Ilda Barão e Carina Guerreiro


Morada: Rua Reitor Teixeira Guedes, n.º 2, 8000- 423 – Faro


Telefone: (289) 889760 Fax: (289) 889769


Email: geral@jf-se.pt


Ensaio sobre a demagogia

É mau quando se reage. A reação normalmente não traz bons resultados, deixa de
lado a ponderação. E eu estou reagindo a um artigo que vinha ontem no New York
Times, o DN cá do sitio e, a certa altura o articulista perguntava em relação a Obama mais ou menos isto:` poderá um demagogo, uma vez no poder virarestadista?`...e continuava defendendendo que sim. Que uma vez no poder ademagogia dava lugar à realidade. Ora isto vem ao encontro do que diz ou prega o principio da democracia americana que em grosso modo é isto, “para ganhares
prometes o que tens que prometer mas uma vez no poder tens que governar bem”. Isto faz com que um demagogo como Obama tivesse que arrepiar caminho... e emboa hora o está fazendo. Com demagogia enganou até o comité do préimo Nobel.
Lembram-se do que neste lugar escrevi sobre isso.
Mas vamos ao que me parece tem que ver connosco.
Não é só de hoje que o país encontra demagogos. A experiência histórica Portuguesa e durante toda a Republica parece mais uma parada de pavões que um ordeiro formigueiro de atarefados trabalhadores e soldados.
Portanto, os regimes demagógicos são a especialidade Portuguesa,que contrastam
só com ditaduras famosas e que têm nome: a ditadura de João Franco, ministro de D. Carlos, a ditadura de Sidónio Pais, a ditadura de Salazar. Esta experiencia de ditaduras tambem não é só Portuguesa é em geral partilhada poroutros países.
De facto a ditadura não carece de demagogia no discurso porque suprime as oposições sociais e politicas, enquanto a Democracia as cultiva e incentiva. A democracia não representa qualquer ameaça à demagogia, bem ao contrario, incentiva-a.
A mentira, bem trabalhada, e tem que o ser para parecer verdade,torna-se a textura da vida politica e social, demagogos e povo mentem, não há palavra, há apenas promessas vãs e inuteis e um multiplicar de palavras calculadas e marteladas, prejudiciais ao entendimento do que se está a passar.
São tempos baixos, acossados por um primarismo atroz de linguagem, assolados por iniciativas necessáriamente curtas de vista.
É o pantano, na linguagem de um ex primeiro ministro, nem há mar, nem montanha, nem terra firme. E no pantano só prosperam aqueles que pertencem ao núcleo predador das criaturas do pantano: crocodilos, jacarés, lagartos, abutres comedores de cadaveres.
A demagogia nas cidades Gregas saldou-se pelo apagamento das suas culturas, do
seu poder e finalmente do seu nome. Esperemos para ver se acordamos a tempo.
Tomemos esse exemplo. Venhamos sobre terra.
Como sempre, se fôr publicado deixo um abraço para todos... os que concordam e
os que não.

Diogo

terça-feira, 3 de maio de 2011


APRESENTAÇÃO DO LIVRO

ACERCA DA CAÇA



Convidamos todos os Costeletas para apresentação do ensaio ACERCA DA CAÇA que terá lugar na Biblioteca Municipal de Faro, dia 17 de Maio pelas 18 horas.
A apresentação está a cargo do Costeleta João Manjua Leal.

Manuel Inocêncio da Costa


A CABRINHA E O FRIO

Alfredo Mingau


Se alguém não compreender alguma coisa do que está escrito, volte a ler o texto.
Se continuar a não entender, então o defeito está no conto. Não há gente estúpida, só há contos mal escritos.
Geralmente os contos são textos com valor.
E os pequenos contos, como gosto de escrever, têm uma pequena vantagem. É que, enquanto esperamos que o “ovo esteja cozido” ou que o número de telefone que marcámos fique desimpedido, podemos ler o conto. Basta ter o portátil aberto, refiro-me aos textos deste blogue.
Podemos lê-los sentado, de pé, ao vento, à chuva não porque ela é o inimigo número um dos electrónicos.
Portanto, não levantam obstáculos à má disposição e ao nervosismo.
Tudo nos "trinques". Como eu gosto!
E, enquanto esperam que o “ovo esteja cozido”, aqui vai uma pequena história.
O “Moce”, Costeleta dos quatro costados, criou na sua quinta, ali para os lados da meia légua, uma cabrinha de estimação. Com grande paciência e pachorra foi ensinando a cabrinha a executar certas habilidades. Bem domesticada e ensinada, o “Moce” resolveu apresentar a cabrinha na televisão. E se bem pensou melhor o fez. E a cabrinha, sem rede de protecção, deu um espectáculo na televisão equilibrando-se no gargalo de uma garrafa.
Este “Moce” com o passar dos tempos – não tenho conhecimento se a cabrinha fez o último equilíbrio num belo assado no forno – resolveu afastar-se do frio. Adquiriu um apartamento em S. Paulo, no Brasil. No Inverno calor no Brasil, no Verão calor em Quarteira.
E porque o ovo já deve estar cozido, termino esta pequena história.
Acham que é ficção ou precisam de voltar a ler?
Inté!

PS – Fugindo à minha forma e tipo de escrita, gostaria de dedicar este texto ao nosso amigo Costeleta Venâncio de Jejus. Um abraço.

segunda-feira, 2 de maio de 2011


ESTÁ TUDO CHARINGADO

Por João Brito Sousa

Recordando FRANKLIN MARQUES


Acho que o Frank foi um grande costeleta, no sentido em que aproximava as pessoas, os costeletas nomeadamente. Estive com ele no funeral do Xico Zambujal e antes de se ir, falei-lhe ao telefone várias vezes. Já não estava bem nessa altura, mas o sorriso franco estava com ele.

Como esteve sempre.

Só não sei se comprava ou não o jornal ou se o lia à borla, mas o Franklin foi uma pessoa com quem se podia contar, camarada e amigo, com uma grande dose de cultura popular o que só o eleva. Poeta de grandes recursos, amante do folclore algarvio, bom mandador do rancho, o maldito do picanço / onde foi fazer o ninho / na cabeça dum careca / no mais alto cabelinho.

Está tudo charengado, dizia.

Foi professor do ensino primário, colocado incialmente no Montenegro e foi depois professor de caligrafia. Tem um livro de estenografia publicado. E de poemas, também.

Como homem, foi, na minha opinião, um homem sério que levou a vida a brincar a sério. Não serei o mais indicado para falar do Frank, apesar de ter uma muito boa relação com ele. Quando nos encontrávamos, levávamos horas a falar, às vezes, manifestando ele sempre um grande apreço pela cidade e pelas suas figuras mais típicas, como o Marreco engraxador, o Teca, o Caça Brava, a Lozinha e a Hermínia, as Maria Machadão da cidade.

São da sua geração o João Leal, os Molarinhos, o Cléirgo do Passo, os Zambujal, o José António da Luz (fadista) a Maria José Fraqueza, Natércia Pires Correia, a Palmira, a Maria do Carmo Arvela, talvez o Brito da bomba na Falfosa, que pôs a bomba de carnaval na aula do Xênocra, o Zé de Sousa Pinto, o Bastinhos, o João Ramos e a Mimi, o Hernâni e…

Professores desses tempo o Dr. Zé Correia e o Dr. Frreira Matias (o Banana) que fizeram o livro de cálculo comercial.

Uma cena, na escola na Vila a Dentro, numa aula foram uns quantos para a rua.A malta saiu da sala e, havendo por ali um Tribunal, entraram todos no dito. Às tantas, um começou a rir, o Juiz mandou calar o que se ria, riram-se todos e o Juiz mandou evacuar a malta.

Mais ou menos assim

E aquela do exame de inglês do Mário Zambujal. Na página 80 é que era, senhor Dr. Passos. E foi mesmo.

.

Um abraço para todos, Frank incluído.

Porque é um dos nossos. Ainda.

E sempre.

jbritosousa@sapo.pt
LANÇAMENTO DE LIVRO



CONVITE
Convido V. Exa. para apresentação do meu livro “Teatro Popular da Minha Terra” que se realiza no Clube Literário do Porto, no dia 8 de Maio Outubro de 2011, domingo, pelas 18h00.

A Autora
Maria José Fraqueza



POEMAS DE MARIA JOSÉ FRAQUEZA


1º Prémio Absoluto - atribuído pela Accademia Internazionale “Il Convívio” Castiglione di Sicília – Itália – Abril 2011



A PAZ QUE SINTO EM MIM

Eu trago a Paz dentro da alma
Quando sinto o bater do coração
Quando escrevo o poema que me acalma
Quando posso controlar minha emoção!

Eu sinto em mim o grito da revolta
Quando vejo este mundo tão vazio
Eu queria ver Paz à minha volta
Sentir o Sol dourado no estio!

Sinto Paz quando rezo uma oração
Quando entrego minha alma ao Criador
Quando me dou de alma e coração
Aqueles a quem consagro o meu Amor!

Sinto Paz quando meu amor me beija
Quando contemplo o Sol dum novo dia
Quero sentir minha alma benfazeja
Sinto Paz quando escrevo uma Poesia!

A Paz que sinto em mim é de ternura
Na eterna magia dum sorrir...
Dessa Paz que em vão, ando à procura
Que o nosso Mundo tenta destruir!

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Soneto – 1º Prémio – Brasil - 2011
DENTRO DE MIM


Dentro de mim, há um mar infinito
Que me devolve a alma renascida
Em ondas a cantar, soltando o grito
Na barca do amor, rumando à vida.

Com coragem e fé quando medito
Na ânsia de lutar mais desmedida
Meu pobre coração, neste conflito
Soltam-se as ondas em doce batida!

As vagas poderosas, em caudal
Arrastam minhas lágrimas de sal
Em rendilhados sob a branca areia!

Então, surgindo em cânticos de mar
Nesta ânsia louca, a navegar
O poeta cantará uma epopeia!


do correio electrónico

PONTO  DE ENCONTRO
Muito boa tarde,


Sou a Carla e trabalho para uma pessoa, Sr. Heraclides Cabrita da Silva, que de vez em quando fala dos "Costeletas" com muito carinho e saudade. Ele ficou muito feliz por ver que existe este blog e de vez em quando vai vê-lo.

Sei que não tenho nada a ver com vocês e até podem achar que estou a ser intrometida, mas gostaria de saber se havia alguma possibilidade de ter alguns contactos de telemóvel ou emails das pessoas que foram seus amigos nesse tempo..... perguntar não ofende, não é?!


Muito obrigada por todo o tempo despendido.


Cumprimentos
Carla Correia

NR - Quem conhecer o Heraclides, e se o desejar, poderá contactar para:


Roger

domingo, 1 de maio de 2011

LER O JORNAL Á BORLA

Por João Brito Sousa

Em especial, para o ALFREDO MINGAU.

Tenho muita pena de não conhecer o Alfredo. Por muitas razões. Por um lado, porque gosto de conhecer pessoas e por outro, porque achei piada áquela comparação, digamos, entre o ler o jornal á borla e tomar notas no bloco, para depois escrever os textos para o espaço costeleta, entre outras.

A mim, particularmente, interessa-me e agrada-me vir aqui escrever umas coisas, como o estou a fazer agora, porque entendo que fazendo-o, aprendo a ser melhor pessoa, ou seja, estando os meus textos sujeitos a muitos olhares, penso eu, quando houver razão vem crítica e eu tenho continuadamente que aprender a lidar com essas situações. Quero dizer, o estar aqui, educa-me e aqui tenho aprendido a ser humilde.

Dentro deste aspecto, da humildade, tenho a suficiente para reconhecer a subida de popularidade do Alfredo Mingau, com quem estive e continuo a estar contra, quanto à utilizção do pseudónimo. Mas essa “guerra” foi ganha pelo Alfredo e pelo mano Roger. Resta-me a consolação de ter pdido dizer não.

Os meus textos são dos menos comentados no blogue e isso faz com que tenha um certo cuidado na elaboração dos mesmos. Mas não entrei bem aqui, penso eu. Nos jornais para onde escrevo, bato-me com os outros de igual para igual e têm-me chegado alguns comentários favoráveis. Um deles foi do Viegas Palmeiro sobre um texto que escrevi para o “Avezinha”. Que disse que o texto estava bem escrito. Fica aqui o meu agradecimento, se ele o aceitar.

Há um princípio básico que deve ser seguido por quem gosta de falar, como eu, que gosto: é dizer o que pensa. E é isso que eu faço. De cabeça erguida sempre mas sem sobrancerias. Reconhecendo aos outros o direito de discordar.

Todas as manhãs vou ao café, um velho hábito, peço a habitual “bica” e lanço uma olhada pelo local onde costuma estar o jornal. Se ele está lá… eu vou lá e trago-o Às vezes é a senhora que o traz. Portanto, há sintonia nos interesses em cada um de nós; à patroa interessa-lhe que eu continue como cliente permitindo-me a leitura á borla do periódico e eu vou lá, porque posso ler o jarnal… de borla.

Uma coisa que toda ou quase toda a gente faz. O que nem todos fazem é escrever no bloco de notas, como faz o Alfredo.

Que, repito, tenho pena de não o conhecer. Ou se calhar conheço. O mundo é tão pequeno.

Deixo-lhe um abraço.

E aos outros costeletas, outro.

Alabi, alabá, bum, bá, escola, escola, escola.
FÉRIAS EM VILA DE FRADES

de  Lina Vedes

Estamos em Julho de 2007.
Como é possível ter conseguido reter na memória umas férias passadas no Alentejo em 1946/47?
Claro, desse passeio a Vila de Frades, Cuba, existem lacunas, pontos completamente apagados. No entanto, há episódios que permanecem, tão nítidos, que me dão a sensação de terem acontecido ontem. Sei que o passeio foi em tempo de Verão e que na casa para onde fui circulavam pessoas, todas mais velhas do que eu. Não sei porquê e como fui para lá, quanto tempo lá estive, o nome e a cara das pessoas que me receberam, e como regressei.
Tinha 6 ou 7 anos.
Sempre vivi em Faro, que na altura mais parecia uma vila (embora capital), com pequenas habitações, trânsito automóvel quase nulo e todos a conhecerem todos.
Nunca saíra da casa dos pais, e talvez por isso, a absorção de todas as vivências foi integral.
Vila de Frades era um local pacato, tranquilo, totalmente diferente de Faro.
A primeira imagem que guardei, religiosamente, é de uma rua que subia e curvava à esquerda, com casas térreas, alinhadas, muito branquinhas, com grandes chaminés, com postigos nas portas e degraus de acesso.
Lembro as noites sentados em grupo, no sítio onde cozinhavam, debaixo da chaminé, a contar histórias, anedotas, poesias, rezas, a entreter o tempo.
Uma senhora fazia meia, mas interrompia o trabalho lançando aos outros a sua sabedoria e experiência de vida. Como gostava de ouvi-la e como ela conseguia encantar, não só a mim, mas a todos os que a rodeavam. Todos bebíamos as suas palavras, um legado do passado, transmitido ao presente que haveria de se oferecer ao futuro.
Havia noites que não ficávamos em casa, íamos para a rua, com cadeirinhas baixas para nos sentarmos.
O ar que respirávamos era puro, parecia santo. A conversa focava o trabalho, a luta pelo pão, pela sobrevivência, revelava o amor pela terra, pela família, pelos amigos, todo o sofrimento da alma.
Ao longe ouviam-se vozes que mais pareciam o sussurrar do vento. Aos poucos, esses sons, iniciados mansamente, iam crescendo de volume e todos nos quedávamos como que encantados a ouvir, embalados, dando-nos a sensação de colo materno…
Para quê inventar contos de fadas, se nós estávamos ali a ser personagens de uma história de encantar?…
Bastava fechar os olhos, ouvir e voar…
Essas vozes de homens, num canto dolente, com uma sonoridade de palavras que mais pareciam alívio de sofrimentos e cansaços, revelavam o labor do dia-a-dia, o sabor do suor de quem trabalha.
Pelas ruas, vários grupos cantavam. Era a alma do povo que se exprimia de maneira singela e profunda.
Outro facto que me impressionou foi a ida a uma feira em Cuba e assistir a uma tourada.
Os carros de besta sem os animais, que pastavam e descansavam, foram encostados uns aos outros, formando um círculo cerrado. Dentro da arena, improvisada, homens provocavam touros e fugiam deles. Alguns eram apanhados e lançados ao ar e aconteciam situações caricatas. Os carros eram o refúgio dos que fugiam e dos que assistiam ao espectáculo. Ouviam-se palmas, risadas, ais… de tudo um pouco. Todos vibravam e saíam gritos de apoio:
- OLÉ!!
Imaginem o que sentiria uma criança de 6 anos, caída num Alentejo tranquilo, ingénuo, de pessoas que nada possuíam, mas tudo tinham, principalmente a grandeza de alma… Essa criança só tinha instintos; a idade não lhe permitia analisar, nem sequer lembrar-se de interrogar:
- Porque é que isto é assim?
O trajecto Cuba/Vila de Frades foi feito depois de um dia de emoções, numa carroça puxada por um animal levando mulheres, eu e o homem que a conduzia. O caminho era longo, mas tínhamos todo o tempo. O luar cheio impunha-se. Iluminava e aquecia-nos a alma. O carro chiava, dolentemente, deslocando-se sem pressas.
Eu, de olhos bem abertos, olhava à volta a paisagem lunar salpicada de árvores, que se adivinhavam no contraste lua/ sombra. Um cheiro a restolho, misturado com o das uvas por apanhar, mas maduras.
Ouviam-se os grilos, viam-se os pirilampos brilhando como pequenas estrelas.
Que paz!!!!…
A carroça lá ia vencendo o caminho, e as mulheres, para matar o tempo, iniciaram conversas de “lobisomens”, de bruxas, de acontecimentos macabros, de vida para além da morte, que me atormentaram a alma.
Um contraste de paz e medo.
Resolveram cantar e as suas vozes soavam na imensidão da planície e aí, sim, a tranquilidade foi plena.
Deitada no fundo da carroça, dominada pelo encanto do momento, tapada pelo luar, embalada pelas vozes dolentes que sussurravam e pelo baloiçar da carroça que, chiando, avançava, avançava… adormeci.

É tão lindo ver o campo,
Tão lindo!…
Trigueirinha alentejana:
Numa mão levas a foice,
Noutra, canudos de cana.

Com teu trajo à camponesa,
Tão lindo…
Com o teu chapéu ao lado,
Cantando lindas cantigas,
Ceifando,
As espigas do pão sagrado.
(autor desconhecido)