domingo, 10 de janeiro de 2010


Impossível resistir ao impulso, depois de ler, de partilhar com todos os costeletas!
Onde seria que eu tomei conhecimento de uma história parecida com esta?
Vou tentar lembrar-me.
António Palmeiro

O SONHO DOS RATOS

( Nova velha fábula)


Era uma vez um “bando” de ratos que vivia num buraco do assoalho de uma casa velha.
Havia ratos de todos os tipos: - grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, do campo e da cidade. Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados num sonho comum.
- Um queijo enorme, amarelo, com um aroma delicioso, bem perto dos seus narizes.
Comer o queijo seria a suprema felicidade…
Bem perto é modo de dizer. Na verdade o queijo estava muito longe, porque entre ele e os ratos estava um gato…
O gato era malvado, tinha dentes afiados e nunca dormia. Por vezes fingia dormir.
Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e … era uma vez um ratinho!
Os ratos odiavam o gato. Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam.
O ódio a um inimigo comum que os tornava cúmplices de um mesmo desejo: - queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cão…
Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar.
Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem) e chegaram mesmo a escrever livros com a critica filosófica dos gatos.
Diziam que um dia os gatos seriam abolidos e que todos seriam iguais “quando se estabelecer a ditadura dos ratos” diziam “então todos seremos felizes”…
- O queijo é grande e bastante para todos, dizia um.
- Socializaremos o queijo, dizia outro.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções. Era comovente tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam…
Nos seus sonhos comiam o queijo.
E, quanto mais comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados; não diminuem, crescem sempre.
E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando:
- “Ao queijo já!” …
Sem que ninguém pudesse explicar como, o facto é que, ao acordarem numa bela manhã, o gato tinha desaparecido.
O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastava dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente em redor, aquilo podia ser uma armadilha do gato. Mas não era.
O gato tinha desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria.
Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. Foi então que a transformação aconteceu.
Bastou a primeira dentada.
Compreenderam, de repente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados;
Quando comidos, em vez de crescer diminuem.
Assim, quanto maior o número de ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um.
Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos.
Olhavam . cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo tinham comido. E os olhares enfureceram-se, arreganharam os dentes, esqueceram-se do gato. Eram seus próprios inimigos.
A luta começou:
Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E acto contínuo, começaram a lutar entre si. Alguns ameaçaram mandar chamar o gato, alegando que só assim a ordem seria estabelecida.
O projecto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”.
Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando …
Os ratinhos magros e fracos dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.
O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo, pareciam mesmo o gato, o olhar malvado, os dentes à mostra.
Os ratos magros não conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora.
RATO = GATO
Os ratos fortes tornavam-se cada vez mais fortes. Diziam mentiras para enganar os outros ratos.
Os ratos fracos acreditavam nas mentiras por ignorância ou por medo. Por medo muitos ratos fracos defendiam os ratos fortes, na esperança de ganhar alguma migalha de queijo.
Os ratos fortes criaram impostos. Precisavam de dinheiro para poder ficar mais fortes e assim poder cuidar do resto do queijo.
Precisavam de mais impostos, porque só assim poderiam cuidar da saúde dos ratos mais fracos.
Todo rato que fica dono do queijo transforma-se em gato.
Não é por acaso que os nomes são tão parecidos.

Autor: Rubem Alves (escritor)

“Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro…”

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

UMA VIAGEM DIFERENTE





Ao ler o artigo da Autoria do colega António Palmeiro com o Título de :

“ Conselhos de um nordestino para um 2010 bem pai d’égua.. . “


Trouxe a recordação de uma curta Permanência em Pombal , onde precisamente se fala assim !

Não a cidade Portuguesa pertencente ao Distrito de Leiria , fundada por Gualdim Pais , gran Mestre da Ordem de templários , que mandou construir o seu Castelo, e lhe deu Foral no ano de 1174
Mas um Município Brasileiro do Estado da Paraíba , com área pouco maior , e uma População num percentual em cerca de 60 % comparativamente com a cidade Portuguesa !


Foi ao longo dos rios que floresceram as primeiras civilizações do mundo, dando um novo rumo à história da humanidade, por sua vez chamadas de civilizações fluviais.

E o fator decisivo da colonização de Pombal foi o Rio Piancó.
A penetração no sertão paraibano deu-se por fins agrícolas e pastoris.
Precisamente no final do século XVII, por volta de 1696, o bandeirante Teodósio De Oliveira Lêdo, depois de muitos combates com os nativos, atingiu o local onde estão os marcos de fundação do Arraial de Piranhas, à margem direita do rio Piancó.
O sertão, até então inexplorado era ocupado pelas tribos da família Cariri – os PEGAS e PANATIS.

A cidade recebeu três denominações.
A primeira Arraial de Piranhas (1696);
a Segunda povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso (1719) e por carta régia de 22 de julho de 1766 foi elevada a categoria de vila, com o nome de Pombal. Homenagem ao primeiro Ministro do rei de Portugal D. José I, o Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo).
Elevada a categoria de vida deu-se a instalação oficial a 4 de maio de 1772.

Fica na região Nordeste do Brasil , precisamente no estado da Paraíba , cuja Capital a uma distância de cerca de 370 Km. É a terceira cidade mais antiga do Brasil, João Pessoa possui uma história de quatrocentos e quinze anos, bem guardada nos seus monumentos e preservada no verde, que é uma de suas características mais fortes e que lhe rendeu o título de segunda cidade mais verde do mundo, atrás, apenas, de Paris

Com uma População pouco Superior aos 600 mil habitantes , ostenta um Título da cidade onde o sol nasce primeiro no Brasil ? o que nem sempre acontece devido ao Movimento de translação do Planeta !
É um estado com um Litoral Belíssimo , no entanto é o menos conhecido do Nordeste .
Quando cheguei ao Brasil fazia uma confusão com os nomes da Paraíba , Paraná e Paraguai etc. !
Só mais tarde é que comecei a identificar os Nordestinos pelas suas actividades nas cidades Mineiras em que os Paraibanos apareciam vendendo redes de descanso , enquanto por exemplo os Cearenses formavam comunidades no comércio em roupas e objectos , já do Paraguai apareciam os Produtos contrabandeados por exemplo cigarros das mesmas marcas existentes no Brasil .

De destacar entre os Nordestinos em grande percentual as características Físicas derivadas da misturas de Raças a ser notada pelo aspecto da cabeça ! o que fácilmente se pode observar com mais freqüência entre os Peões ( trabalhadores ) de obras que migram para as grandes cidades .

Voltando a Pombal uma pequena cidade onde praticamente as pessoas se conhecem e, naturalmente a torna um destino seguro e até barato se tivesse mais facilidade de acesso e outros atractivos . Com sua cultura própria em que na alimentação entra de forma constante a carne Seca , além da de bode e naturalmente que não existe a maioria dos produtos a que temos acesso nos hipermercados em que estamos habituados .
Enquanto nos Estados do Sul o Cavalo abunda nos campos , Na região de Pombal são numerosos os Jegues ( burros )!
Próximo da linha do Equador a diferença entre os dias e as noites nunca chega a ultrapassar a diferença de duas horas, contando-se o tempo em duas estações anuais , não sendo utilizado a mudança de horários de Inverno e Verão !

Cumprimentos Costeletas
António da Encarnação

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LÍNGUA... MATERNA

Minha língua materna é portuguesa
E é por excelência soberana;
CAMÕES a enalteceu... lhe deu beleza
Ao escrever a "Heróica... Lusitana" !
E por ser valiosa e com rigor,
Sublimou a nobreza do seu Povo
Que no mundo alcançou real valor ...
Mas foi adulterada... e eu reprovo
A forma como está a ser tratada
Sofrendo de "pobreza"... e quem se importa!?
A língua que era rica, bem falada,
"ANDA AGORA A PEDIR DE PORTA EM PORTA"!

O idioma firme, em meu país,
Referenciava, estilo e argumento
E o gosto p 'la leitura era a motriz,
Em Obras de Escritores ... com talento:
- Guerra Junqueiro, Eça de Queirós;
Garret e Herculano... e na memória
João de Deus, que dera a meus avós
A luz da "aprendizagem obrigatória"...
Araujo Correia e o Pessoa
Fizeram da palavra algo divino!...
Por isso, em meu ouvido, ainda soa
"A LINGUA QUE APRENDI EM PEQUENINO"!

Maria Romana
2º Prémio - Peso da Régua - 1999

FALANDO DE...

FARO - A nossa cidade


Faro, primitivamente denominado Ossónoba, terá surgido por volta do século VIII a.C., durante a colonização fenícia do Mediterrâneo Ocidental. Tinha então um carácter de entreposto comercial, integrado num vasto sistema mercantilista baseado na troca de produtos agrícolas, pescado e minérios, situação que se manteve nos períodos grego e cartaginês.
A cidade de Santa Maria de Faaron é tomada, no ano de 1249, pelas tropas de D. Afonso III, que lhe viria a conceder duas cartas de Foral. A primeira, em 1266 e a segunda, destinada aos Mouros residentes, em 1269.
Não se sabe ao certo se a conquista de Faaron teve um carácter violento ou negociado. Há no entanto notícias de que são executadas obras de reparação no castelo e em alguns panos arruinados da muralha.
A situação dos terrenos em que assenta a actual cidade de Faro era então diferente. O nível médio das águas do mar encontrava-se dois a três metros acima do actual, originando uma linha de costa muito recortada e inundável.
A configuração deste território era resultante de um sistema de colinas ou morros (o da Sé, o dos Artistas, Santo António do Alto e o conjunto de colinas que vão de São Pedro ao Alto Rodes, designadas por Alto da Caganita, Alto da Atalaia e Alto da Esperança), separados por canais ou ribeiras e sujeitos, com as marés, à subida e descida das águas do mar.
Dos canais, destacamos uma linha de água principal que corria desde a actual Ribeira das Lavadeiras, percorrendo a Estrada de São Luís até ao Lethes, daqui para a Praça Alexandre Herculano onde formava um lago - Alagoa - bifurcando, junto ao palácio Belmarço, para contornar o morro da Sé por ambos os lados.


Muralhas de Faro

Os portugueses vão estabelecer a sua cidade na Vila-a-Dentro, cuja estrutura mantém os seus aspectos fundamentais, apesar de uma simplificação no traçado das vias secundárias, à semelhança de outros aglomerados urbanos da época.
Sobre a Porta da Vila surge a Capela de Nossa Senhora de Entrambalas Águas, mais tarde de Nossa Senhora do Ó, quem sabe se no local onde anteriormente fora colocada a imagem de Santa Maria.
No sítio da actual implantação do edifício da Câmara Municipal de Faro, foram construídas as Casas da Câmara, edificação em forma de "L", com escadaria exterior.

Extramuros

Processa-se uma considerável expansão do tecido edificado motivada pela criação dos bairros da Mouraria e da Judiaria, situados, respectivamente, a norte e sul da Rua de Santo António. A Mouraria ocupava a área definida pelo quarteirão que integrava o cinema Santo António, constituindo uma importante zona de hortas. A Judiaria, situada a sul, confinava com a Alagoa e continha ainda no século XIX duas sinagogas.
Ao cimo da Rua de Santo António do Alto, no local da Praça da Liberdade, ficavam as Alcassarias, principal mercado da cidade, explorado por essas duas comunidades.
A Ribeira, bairro muito ligado às actividades da pesca e da construção naval, desenvolveu-se no sentido nascente, e continha provavelmente uma igreja.
A principal artéria comercial e industrial era a Rua da Sapataria, actuais Ruas 1º de Dezembro e Tenente Valadim. A actividade portuária desenvolvia-se no local onde hoje se encontra a doca e a Praça D. Francisco Gomes, dispondo de um cais acostável, junto às muralhas da Vila-a-Dentro.
O sistema defensivo de Faro era completado com duas torres de atalaia - o Alto da Atalaia, situado no cimo da actual Rua da Boavista e Santo António do Alto, no local onde ainda hoje existe uma torre.
No final deste período os arrabaldes integram-se na orgânica da cidade, deixando de constituir áreas marginais. Inicia-se um processo de estruturação global com base na articulação de vários elementos da composição urbana, como os eixos viários, as massas edificadas e os condicionamentos naturais - hortas e canais.
No dia 7 de Setembro de 1540, a vila de Faro é elevada a cidade pelo foral de D. João III, e em 1577 a sede do Bispado, até então em Silves, é transferida para ali por decisão de D. Sebastião.
IN Vikipédia
RC.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

cantinho dos marafados

25 Anos de Casados
Um casal estava a ver televisão, à noite. Diz o marido: -
Posso saber porque é que tu estás chateada desde que eu cheguei? E, irritada, a mulher responde:
- Hoje fazemos 25 anos de casados e estamos aqui, sentados à frente desta televisão...
- Ora bolas! Eu estava tão atarefado que me esqueci completamente!
Perdoa-me, minha querida. Vai pôr o teu melhor vestido de noite, que vamos sair! Vais ter uma noite inesquecível!
- Ah..., amooooor, eu sabia que tu não eras um monstro insensível.

À entrada do restaurante, o gerente, todo solícito:
- Prepare a mesa do senhor Gonçalves.
Diz a mulher:
-Parece que eles te conhecem bem por aqui, querido.
- Ah é!... Acho que já cá vim para almoçar com alguns clientes. Eles acabam de jantar e o marido propõe de irem a uma boite. À entrada há uma fila enorme. O marido diz à mulher que vai tratar do assunto e dirige-se ao porteiro:
- Oi meu..., como tás matulão???
E o porteiro:
- Está tudo bem, Sr. Gonçalves. Pode entrar!

Dentro da boite, o dono vem falar com eles:
- Boa noite, Sr. Gonçalves!
E diz, logo em seguida:
- Toca a vagar de imediato a mesa do senhor Gonçalves!
A mulher, desconfiada:
- Tu vens sempre aqui?
- Ah, não! O dono é um cliente da firma...
Uma vez na mesa, a empregada vem e diz:
- O mesmo de sempre, Sr. Gonçalves?
Nesse instante, uma mulher que terminava um strip-tease em cima do palco grita:
- E a cuequinha..., é para quem???
A boite, em peso, grita:
- Gonçalves..., Gonçalves..., Gonçalves...
A esposa, furiosa, sai da boite, e o marido vai atrás..., e ambos entram num táxi. O marido tentando apaziguar as coisas:
- Querida, não vamos estragar esta noite maravilhosa, com certeza eles confundiram-me com outro Gonçalves...
- Mas tu estás a pensar que eu sou alguma idiota? Canalha! Não me toque mais! eu sou mesmo uma otária... Nisso, o motorista de táxi vira-se e diz:
- Ó Gonçalves..., queres que eu ponha a magana pra fora do carro?
António Palmeiro

FALANDO DE...

CULTURA
Nestes últimos anos, uma nova forma de estudos sobre a pessoa humana, teve grande desenvolvimento. Essa nova forma se propõe descobrir quem é o ser humano não através do estudo de sua estrutura física ou das suas faculdades espirituais, mas mediante o exame de seus produtos culturais, ou seja, do meio cultural em que a pessoa vive.
Da cultura foram dadas e podem-se dar várias definições. Na enciclopédia filosófica são apresentadas duas: Uma para a cultura considerada do ponto de vista objetivo. Desse ponto de vista subjetivo, a cultura é o exercício das faculdades espirituais, mediante o qual elas são colocadas em condições de dar os frutos mais abundantes e melhores que sua constituição natural permita. Nesse sentido, cultura equivale ao conceito platônico da Paidéia, ou seja, EDUCAÇÃO.
Do ponto de vista objetivo, a cultura são frutos adquiridos pelo ser humano mediante o exercício das suas faculdades, sejam espirituais ou orgânicas. Esse segundo significado é muito mais comum do que o primeiro e é nesse sentido que o artigo quer trabalhar.
A Cultura é a forma da sociedade, é um ajuntamento de indivíduos mantidos juntos por necessidades do momento; por outro lado, quanto mais forte é uma cultura tanto mais completamente enforma a sociedade e transforma os diversos materiais humanos, dos quais é composta. A cultura, portanto, é uma série de atributos e produtos das sociedades humanas, e então do gênero humano, que são extra-somáticos e transmissíveis por meio de mecanismos diferentes da hereditariedade biológica. É um conjunto de significados e valores que fazem um modo comum de vida de um grupo, pelo que existem tantas culturas quanto são os conjuntos desses significados e valores.
A Cultura é então, um fenômeno complexo e a melhor maneira para entendê-la é a de fixar suas principais características que são: origem, forma e finalidade.
Origem = a cultura é humana, social e laboriosa. Humana enquanto produto de Deus. Ela é uma realização humana, é obra da mente e das mãos das pessoas, não é o resultado de apenas um ser humano, mas de todo o grupo. É uma hereditariedade social que o homem recebe e transmite. Não surge e nem é transmitida mecanicamente, automaticamente, instintivamente, mas a partir de uma caminhada histórica.
Forma = a cultura é sensível, dinâmica, múltipla e criativa. Ela é sensível quando as manifestações culturais revestem-se de aspectos que são perceptíveis pelos sentidos. A música, a arte, a religião, a filosofia, etc. Ela é dinâmica quando é contínua e transformadora.
Finalidade = a sua glorificação, o seu auge, o seu objetivo, a sua meta final.
Na escola onde eu trabalho, quando os alunos ficaram sabendo que eu dominava uma língua estrangeira, logo disseram: “- o tio Acácio também é cultura”. Imediatamente respondi a eles: “- Um povo que não tem cultura, torna-se um povo sem estrutura. Importar cultura não significa que seja um ato cultural. Falar uma língua estrangeira ainda não é cultura. Cultura é mais do que isso. É preservação dos costumes, da fé, dos desejos, das aspirações, do modo de ser, de manifestar e de viver de um povo.
É isso!


"IN Acácio"
RC.

AGENDA

NOTÍCIAS

Desporto

Grande Prémio dos Reis disputa-se no sábado em Faro
A 40ª edição do Grande Prémio dos Reis em atletismo disputa-se no sábado, dia 9, a partir das 16h00, na cidade de Faro, numa organização da Associação de Atletismo do Algarve.

Charolas

Foi no 1º dia deste ano que, mantendo a tradição, se realizou o XXIII Festival de Charolas da Casa do Povo da Conceição de Faro, o qual contou com a participação da Charola do Grupo Etnográfico de Quelfes, Charola do Grupo Desportivo dos Machados, Charola da Banda Musical de Tavira, Charola Ossónoba de Estói e Charola Juventude Bordeirense.

É de salientar que, o Grupo de Charolas da Casa do Povo da Conceição de Faro, foi fundado em 1981/82 pelo grupo cultural e desportivo da Casa do Povo da Conceição de Faro, e tem desde então e até hoje, como director, João Manuel Ministro, um verdadeiro entusiasta desta tradição popular que continua a deliciar os mais idosos e a propagar a tradição aos mais novos.

Refira-se por último que João Manuel Ministro é acompanhado por António Estêvão no Clarinete, Carlos Bispo, Luís José Isidoro e José Barriga nas Castanholas, elementos que sempre contribuíram para manter a tradição.

Faro a Andar

É uma iniciativa da Junta de Freguesia da Sé com o intuito de incentivar os municipes farenses a caminhar promovendo ao mesmo tempo estilos de vida mais saudáveis.
Irá realizar-se no próximo dia 17 de Janeiro pelas 10h00, e pelas 10h30 uma caminhada em Estoi-Percurso Pedestre do Malhão.
O ponto de partida e de chegada será no Largo da Liberdade (Igreja Matriz) pelas 10H00.
As inscrições estarão abertas até quatro dias antes da realização da caminhada são gratuitas mas obrigatórias.
Participe!!!

Rogério Coelho

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cantinho da História




VULTOS IGNORADOS DA NOSSA HISTÓRIA


CARAMURU

Descobri Caramuru em toda a sua grandeza ao ler “O Fundador”, a história fascinante de Tomé de Sousa, o primeiro governador do Brasil, da autoria de Aydano Roriz.
Li , reli e tenho a certeza que voltarei a ler.
Tratando-se de um autor contemporâneo, que não é português, surpreendeu-me o rigor e o conhecimento demonstrados, relativamente a episódios menos divulgados “fora de portas”, da História de Portugal.
Mas para quem ainda não conhece vamos apresentar Caramuru:
- Diogo Álvares Correia, nascido em Viana do Castelo, por volta de 1475, fidalgo da Casa Real; o barco francês em que viajava para São Vicente, naufragou próximo do Rio Vermelho, na baia de Todos os Santos. Todos os companheiros de viagem foram mortos pelos índios tupinambás, Diogo Álvares consegue sobreviver e passa a viver com os índios de quem recebe a alcunha de Caramuru que significa “moreia”
Este homem torna-se numa lenda e aqui surge a primeira questão:
- Porque teria sido ele o único a quem os índios pouparam a vida?
- A versão mais consistente seria a de que para afugentar os índios ele teria usado o mosquetão, disparando um tiro para o ar que matou uma gaivota. Baseado nesta versão existe quem defenda a existência de outros significados para “Caramuru”, a saber:
- Pau que cospe fogo
- Homem trovão da morte barulhenta
O que se sabe é que ele foi muito bem recebido pelos gentios.
O morubixaba Taparica, deu-lhe uma das filhas chamada Paraguaçu, irmã da lendária índia Moema, citada no poema de Frei Santa Rita Durão.
Ao longo de quarenta anos manteve contactos com navios europeus que aportavam à Bahía . As boas relações comerciais com os normandos levaram-no entre 1526-1528 a visitar a França, onde a mulher foi batizada em Saint-Malo, passando a chamar-se, Catarina Álvares Paraguaçu (Catherine du Brésil) em homenagem a Catherine des Granches, esposa de Jacques Cartier, que foi sua madrinha.
Recebeu durante o governo do donatário da capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, importante sesmaria e sempre foi um mediador entre os colonos e os índios, não conseguindo no entanto evitar o incidente de Itaparica onde Pereira Coutinho perdeu a vida.
Conhecedor dos costumes nativos, Caramuru utilizou esse conhecimento para facilitar os contactos entre os primeiros missionários e administradores, com os gentios.
Era bastante conhecido na Corte e em 1548, D. João III com a intenção de instituir o Governo Geral, recomendou-lhe que criasse condições para que a expedição inicial fosse bem recebida. Este facto revela bem a importância que havia alcançado perante o Rei.
Não estava sendo fácil para os reis de Portugal fazer valer a posse das terras encontradas do outro lado do Atlântico em 1500. Com a abertura do caminho marítimo para a India, eram poucos os súbditos da Casa de Avis que se dispunham a trocar o fascínio da riqueza fácil no Oriente pelo desbravamento dos trópicos selvagens.
El-Rei, coloca a questão num Conselho Real e apesar de alguns conselheiros se manifestarem entediados com o tema, insiste e obtém a informação, através de António de Ataíde, Conde de Castanheira, de um infiltrado na Sociedade parisiense, de que os franceses estariam preparando uma nova investida contra o Brasil.
O pau brasil e a sua utilização, despertavam a cobiça dos povos do norte da Europa, as riquezas extraídas pelos espanhóis onde se incluía a exploração do Rio da Prata, a venda de escravos levados de África, causavam algum incómodo na Corte Portuguesa, cujos cofres se encontravam vazios.
O Conde de Castanheira convence o rei Piedoso a investir forte no Brasil e a enviar um fidalgo seu parente, com poderes para revolucionar a anarquia que por lá reinava.
Acerta na escolha, nomeia e envia para a terra Brasil, como seu primeiro governador, Tomé de Sousa, fundador da cidade de São Salvador da Bahia.
Tomé de Sousa irá contar com a colaboração e protecção de Caramuru , será para o governador de uma lealdade inexcedível e foi sem dúvida o maior pilar da governação de um homem sempre fiel ao seu Rei e às ordens que dele recebera.
Caramuru, um herói quase desconhecido.
Voltarei ao tema para falar sobre Tomé de Sousa, pau Brasil, cana de açúcar e acima de tudo dos gentios.

António Viegas Palmeiro

domingo, 3 de janeiro de 2010

AGRADECIMENTO

Faltando-me inspiração e competência para retribuir da mesma forma, venho agradecer do coração a poesia que a amiga e colega costeleta, Maria José Fraquesa, teve a gentileza de me dedicar. Jamais esquecerei o seu gesto de amizade.
Sem a citada inspiração e competência que referi, tive que pedir ajuda ao “Poetinha” Vinicius de Moraes e a seguir transcrevo a escolha que fiz do seu imenso acervo em verso e em prosa.

António Viegas Palmeiro


DE QUE MAIS PRECISA UM HOMEM???

Libelo

- De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar – e um barco
com o nome da amiga, e uma linha e um anzol para pescar?
E enquanto pescando, enquanto esperando de que mais precisa um homem
senão de suas mãos, uma pró caniço, outra para o queixo, que é para ele se
poder perder no infinito, e uma garrafa de cachaça para puxar tristeza, e
um pouco de pensamento para pensar até se perder no infinito …

- De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra – um pedaço
bem verde de terra – e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta
e um modesto pomar, e um jardim – que um jardim é importante – carregado
de flor de cheirar?

- E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem,
senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de um violão
quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque para puxar mistério,
que casa sem mistério não tem valor morar …

- De que mais precisa um homem senão de um amigo para ele gostar, um amigo
bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar – basta olhar – um desses
que desmereça um pouco da amizade, de um amigo para paz e para briga, de
paz e de bar?

- E enquanto passeando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem
senão de sua mãos, para apertar as mãos do amigo depois das ausências,
e para bater nas costas do amigo, e para discutir com o amigo e para servir
bebida à vontade ao amigo?

- De que mais precisa um homem senão de uma mulher para ele amar, uma
mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E
enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem
senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino
o carrega em sua onda sem rumo?

- Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher – as
únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo
amigo …

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

AGENDA

Efemérides

Janeiro - 1 - 2010 - Sexta feira

* Dia Mundial da Paz

Rogério Coelho

LANÇAMENTO DE LIVRO



Ao João Brito de Sousa

Ocorreu no dia 10 do passado mês de Dezembro, no Fórum Romeu Correia em Almada, o lançamento do livro SONETOS IMPERFEITOS da autoria do Costeleta João Brito de Sousa
Não podendo corresponder ao convite para estar presente, que o autor, gentilmente me endereçou, quero desta forma agradecer-lhe a e contribuir para que no futuro, quando a história deste fórum for feita o facto seja lembrado.
Jaime Reis

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Ao meu amigo António Palmeiro

MENSAGEM RENASCIDA

A mensagem renascida,
é mensagem de Jesus ...
que nos dá alento e vida,
na Amizade se conduz!

Assim, digo no meu verso
Natal um astro de luz...
Nele vejo um universo
Que a todos nós seduz!

E nesse imenso luzeiro,
em que eu ando envolvida ...
Nele me dou por inteiro,
no meu amor sem medida!

E amo assim a Poesia
que me dá um grande alento,
promovendo dia a dia ...
A Poesia em Movimento

Do Brasil a Portugal,
eu saúdo todos vós!
Vamos cantar no Natal,
com a força que há em nós.

É corrente universal,
que nos leva ao Mundo Inteiro.
É um elo fraternal,
dum coração verdadeiro!

Maria José Fraqueza