Crónica de Faro
João Leal
«Templo a necessitar de obras»
Situa-se no centro cívico de Faro, a dois passos da Pontinha (Praça da Liberdade). No pórtico principal tem a data da fundação (1 640), desconhecendo-se quem foi o autor do projecto. Situa-se no Largo de ao Pé da Cruz (antigo Largo dos Cântaros, por aqui existir uma fonte onde os aguadeiros enchiam os cântaros, que depois distribuíam ao domicílio, situação que se manteve mesmo após a distribuição da água canalizada).
Foi um templo que durante vastas décadas serviu de capela funerária da freguesia da Sé, antes da construção da Igreja Nova de São Luís, com as suas duas capelas fúnebres e da junção da paroquialidade de Sé / São Luís. Ali velámos muitos familiares e amigos ao longo dos anos.
Classificado como «momento de interesse público» esta igreja situada no coração do largo que no anterior mandato autárquico foi alvo de grandes obras de reestruturação (para quando a fonte deitar água em permanência?) era alvo de muitas visitas por fiéis e turistas, que admiravam para além da magnificência do altar - mor apreciavam a série de grandes painéis laterais que narram a criação do mundo.
Foi uma estimada ex - colega, hoje aposentada como eu, que em site informático, revelador do grande interesse que os farenses dedicam aos problemas da nossa cidade, chamou a atenção para o mau estado do imóvel religioso. Assistimos ao que creio ter sido a sua ultima edição, num dia 3 de Maio do final dos anos 40, do século passado, à procissão da Senhora de ao Pé da Cruz. Era capelão o saudoso Cónego Joaquim Jorge de Sousa (natural de Aljezur e provedor e grande impulsionador da Santa Casa da Misericórdia local). Servia como sacristão e residia nos anexos da igreja o «Tio Bartolomeu», pessoa de proveta idade que, calculem, ainda ensinou a «doutrina» a meu saudoso pai. Tempos idos...
O edifício religioso que, nas suas traseiras. tem o «humilladero» ou capela do Senhor dos Aflitos, onde em permanência, dia e noite, ardiam velas e lamparinas em cumprimento de promessas feitas ou preces declaradas. necessita de obras urgentes. Até o rés - do - chão do imóvel. onde no 1º andar funcionou a Junta Diocesana da Acção Católica se encontra tapado com plásticos para encobrir o que se passa no interior.
Ás entidades públicas e religiosas, a quem cumpre a manutenção do templo classificado como de «interesse público» chamamos a atenção para a urgente carência das obras a realizar na Igreja de Nossa Senhora de ao Pé da Cruz!
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