domingo, 10 de maio de 2026

Jose Rogerio Guerreiro 

MEMÓRIAS DE ESTUDANTE

O MESTRE CAROLINO

O Mestre Carolino , professor lendário de dactilografia era Mestre nas provocações aos alunos, tinha um comportamento bizarro, que não correspondia a, nenhum estereótipo da época e tinha um ódio visceral aos alunos de Loulé. Contava que alguns anos atrás havia combates entre Louletanos e S. Brasences muito viole tos.

Todos os dias se vangloriava dos seus atributos físicos , mostrando os punhos dizia que ninguém aguarentaria um murro dos dele.

 Creio que era misógino, derivado aos comentários que fazia sobre as raparigas.  

Eu sou louletano e havia outro colega, que sendo Setubalense, vivia em Loulé, onde tinha sido meu vizinho, a minha sorte foi de ter mudado de residência e vir morar para Faro, ele como tinha na caderneta a minha residência em Faro, nunca descobriu a minha origem, enquanto o meu colega Vitorino sofreu as passas do Algarve.  

Na minha turma havia também um aluno de S. Brás do Alportel, o Salomé, que um dia levou umas calças de um tom de azul claro, que ele achava que era uma cor feminina e começou a espreitar por baixo da carteira e com gestos rápidos levantava a cabeça e dizia que debaixo da carteira estava uma mulher e em cima via um homem, dissemos que esse é de S. Brás e ele respondeu " não pode ser em S. Brás não há gente desta".

Nas aulas era intratável, por vezes, as máquinas que eram muito modernas para aquela altura, fechavam as margens automaticamente e não era fácil voltar a pô-las no lugar certo para alguns alunos e ele, em vez de ensinar, dizia para os alunos falarem com a máquina e se a máquina não obedecesse que a atirassem pela janela. 

Em anos anteriores houve um aluno mais maluco do que ele, tinha já a máquina na janela pronto para a atirar para a rua, quando o Mestre Carolino o agarrou e pediu-lhe para não fazer isso, foi um Faísca de Salir, que era irmão de um colega da minha turma. 

Um aluno muito conhecido em Faro, Chico Contreiras tinha uma mota muito ruidosa ia muitas vezes para a porta da Escola que era perto da sala de dactilografia fazer barulho e o Mestre Carolino comentava "aí está o maluco."

No entanto, no final do ano fazia questão de tirar Uma foto com os alunos.

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