
O registo da transformação de toda uma área delimitada por ruas, jardins ou praças, evidencia-se e acentua-se melhor, quando nos cruzamos com um antigo Bilhete Postal Ilustrado, que um mero acaso nos fez encontrar no fundo de um qualquer baú, descoberto por entre teias de aranha, num escurecido e esconso canto de um velho sótão.
Eles não só historiam a evolução do espaço urbano; aquela rua, aquela janela, porta, ou ainda aquele resistente banco de jardim, mas também nos transportam a um passado, por nós intensamente vivido e que só agora mais amadurecidos, tomamos consciência, que a adolescência e a sua ingenuidade, tornavam imortais, aqueles efémeros momentos.
Essa frustrada imortalidade, faz com que eu os contemple com um comovente encanto.
Que pormenor encerra este postal, que nos conduz a um velho amigo costeleta, que, infelizmente já não se encontra entre nós?
Qual a particularidade que o faz recordar?
Quem era o costeleta?
Jaime Cabrita Reis
ALÓ JAIME,
ResponderEliminarMOCE, BOM DIA.
Viva.
Ora aqui está o que se pode considerar uma contratação de luxo: O JAIME REIS assinou pelos costeletas.
Ès incontestavelmente um dos nossos.
Pelas evocações que escreves, pelo que sabes, pelo amor à camisola costeleta que passaste a envergar desde o momento em que foste ao nosso almoço anual.
A meu convite... mais ou menos.
Num certo sentido tive algma coisa a ver com a tua estada aqui.
Ainda bem que vieste.
Porque eu acho bonito esta aproximação. Unidade sim.
Eu fui ao almoço dos bifes pela tua mão. Quem diria ...
A tua comunicação vem tornar-nos meninos.
Era ali no café Coelho que a minha mãe me comprava um bolo de arroz por um escudo, tinha eu para aí dez anos ....
In illo tempore, saudade, sim.
Quanto ao costeleta que falas será o filho do dono do café?
Aceitam-se outros palpites e comentários.
Um abraço com amizade do
João Brito Sousa
Caro Jaime Reis.
ResponderEliminarOs meus cumprimentos.
É com muita saudade que recordo o
espaço que o postal nos mostra,
especialmente a Leitaria, a depen-
dência da EVA e Sotavento, onde
se faziam os " Despachos" de
pequenas encomendas, se compravam
os bilhetes e, com a sala de espera
ao lado, aí aguardávamos a chegada
das camionetas.
Durante a 2ª Grande Guerra ,não
havendo gasolina,nem gasóleo, era
nesse espaço em frente que os
condutores e cobradores atestavam
as cremonhas de lenha e água antes
das partidas, levando ainda uma
reserva de lenha e água para a
viagem. O "Gáz Pobre" não
permitia grandes velocidades.
No vélho portão, onde os homens
do mar armavam banca, uma tosca
mesa de madeira que se mantinha
todos os dias, compravam-se "bocas"
e camarões pequenos, apanhados na
Ria e nas comportas das salinas .
Depois era ir até à esplanada do
Aliança beber uma cerveja com o
saboroso marisco.
Era uma "estravagãncia" da malta
pouco endinheirada.
Um abraço do MAURICIO S. DOMINGUES
Olá Jaime,
ResponderEliminarComungando tudo o que já foi dito sobre o teu texto, vou tentar advinhar de quem era a pastelaria.
Café Madeira, que mais tarde se dedicou à indústria sorveteira.
O João falou no Café Coelho, pai do costeleta Coelho, ex-Banco Pinto e Sotto Mayor. Esse café começou a sua actividade no quarteirão de casas que antecedeu a Caixa Geral de Depósitos, e posteriormente instalou-se na zona da foto, mas no gaveto, e com entrada tambem para a Rua Conselheiro Bivar.
Não sei se o Manuel Madeira andou na Escola, e o filho porque é muito mais novo do que nós, pertence a outra geração.
Um abraço e confirma
Jorge Tavares.1950/56
Estimado Jorge Tavares,
ResponderEliminarOhi...
Esse costeleta, ex BPSM é mais do teu tempo do que do meu.
Apenas ouvi falar do Vergílio Coelho, não estou a vê-lo, tu certamente sim, deves lembrar-te dele.
Manuel Madeira? Nah... não topo.
Giro, essa coisa do café começar onde era a CGD...
Vai cinco tostões de camarões?...
Ab.
JBS
Jorge, então tudo bem?
ResponderEliminarSaúde da Boa?
Oxalá que sim.
Efectivamente, naquele local, conheci como dizes, o Café Madeira com um dos melhores sorvetes da cidade, pedia meças ao bom gelado da Brasileira.
Igualmente recordo o Café Coelho, pai do Virgílio, costeleta como vós.
Referia-me ao Virgílio e ao café do seu pai.
Abraços
Jaime Reis
Caro Maurício
ResponderEliminarRetribuo os seus cumprimentos.
Fico-lhe grato, por ter completado de forma pormenorizada o que era a vida no espaço que evoquei.
Sinceramente gostei de recordar o termo Leitaria que utiliza no seu comentário.
Reconheço que, por força de algum "crash do meu disco rígido" já aquela expressão tinha sido enviada para a "lixeira".
Um abraço.
Jaime Reis