terça-feira, 18 de agosto de 2009

RECOMENDO


MIGUEL SOUSA TAVARES EM


"NO TEU DESERTO."

MST ao seu melhor estilo. Consegue fazer dum tema banal uma obra prima, uma obra de um humanismo profundo, com esta característica fantástica. É bruto com ternura, zanga-se com delicadeza, estrebucha com harmonia e princípios.

O livro começa com esta frase extraordinária "Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais já náo escreves, porque não te resta nada para dizer"

A escrita de MST é límpida, transparente, actual e elegante. Naquela cena da velha de oitenta anos, ele diz, vous etes la plus belle e a senhora retruca,oh jeune homme, belle est la jeunesse.

Ler MST, é estar perante a literatura arte, que faz pensar, que amacia o coração, que nos encosta à parede e o tempo passa.

As suas zangas com Claudia, são de morte. Ela amua e vai-se embora, vai andar de mota. Volta um dia depois, vai andar com os motards. Às tantas diz-lhe...ou pergunta-lhe... estás zangado....

Entretanto MST fuma um puro. Engana-se na rota e engata o Chefe da Alfândega para entrar porque chegou atrasado ao barco.

Vale a pena.

JORGE AMADO disse, não sou crítico literário mas sei o que é bom e o que é mau. È isso aí. Este MST é mesmo bom.

texto de
JBS

CRÓNICAS DA SEMANA (9)


Ali, com início no Arco da Vila, fica a rua do Municipio. Era lá a nossa Escola!

“FAZER PAREDE”


Alguém, num comentário publicado, falava sobre “dignidade”. Não interessa quem.

A história que hoje vos trago inédita, passou-se nos anos 40. Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira, da rua do Município. O “Chefe da Turma” era o saudoso Júlio Correia, que mais tarde viria a casar com a Costeleta Maria Isabel Leiria. A memória já vai falhando nestes cerca de 60 anos já passados. Mas recordo alguns colegas de turma Albertino Bota, Feliciano Guerreiro de Matos (o saudoso Chatinho), o Bastos, que mais tarde se fixaria no Banco Ultramarino, o César Nobre, creio que no banco Pinto e Soto Mayor, o Otílio Dourado (o “manda chuva” do Rancho Folclórico da Luz de Tavira, com o seu “baile mandado” e que era o Chefe dos Correios) e outros.
Tínhamos um Professor simpático, que não me recordo o nome. O Júlio dizia-lhe: - “Sô Tôr”. se precisar de tratar de algum assunto, a “malta” colabora. E um dia o Professor comunicou ao Júlio que, por motivos pessoais, faltaria a uma aula. Respondeu o Júlio - Não falta nada, porque a turma fará “parede”. E assim foi. Ordem para toda a turma ir para o Largo da Sé jogar com a trapeira. Mas, ficaram alguns de “piquete” no corredor para que a ordem do “Chefe” se cumprisse. Havia alguns “caloiros”, meninos da mamã, que queriam “furar a parede”. Umas caldaças e pontapés no rabo e todos para o largo da Sé. E o Professor, depois do segundo toque, lá foi tratar dos seus assuntos sem falta marcada, agradecendo ao Júlio, e à Turma, a ajuda.
Convém recordar que os Professores eram quase todos provisórios e quando faltavam era-lhes descontado no vencimento...
Naquele tempo fazia-se. Hoje, as faltas colectivas são punidas.
Pode considerar-se a história desta crónica como a antítese da outra do “caracol amarelo”. E, porque, não sendo uma transcrição, é ou não digna de se contar? Ou será que só as nossas “tropelias” é que têm valor como recordação histórica?
E, para terminar esta pequena crónica, deixo aqui uma chamada de atenção: - porque se utiliza Tomás Cabreira com s quando está registado com z?. Tomaz António da Guarda Cabreira.
Gostei de ter contribuído com estas 9 crónicas. Gostei imenso, aliás como todos gostam, dos comentários. Não sei se voltarei… penso colocar a “tampa na esferográfica”. A cidade, a praia, o campo e… chamam por mim. Faço "PAREDE" Um abraço para todos.

Alfredo Mingau - Costeleta dos anos 40
Recebido e colocado por Rogério Coelho

COMENTÁRIOS

Jorge Tavares


O nosso blogue....comentários!

Iniciei a minha colaboração no blogue da AAAETC desprovido de quaisquer idéias pré-concebidas sobre os conteúdos que deviam ou não ser escritos e transcritos.

Posteriormente, e conforme tive ocasião de me manifestar por escrito, sugeri algum cuidado na colocação de textos fracturantes, particularmente sobre política e religião, o que aliás, não é mais do que prevêm os estatutos da AAAETC.

Em face deste meu posicionamento, diversifiquei os meus textos com temas actuais ( economia, impostos ), retratos da vida quotidiana ( empresários de hotelaria), poesia ( transcrição de poemas ), anedotas com algum picante, lembranças da "nossa escola" ( histórias verdadeiras com alunos e professores), lembrei pela primeira vez TODOS os contínuos do nosso tempo, escrevi sobre Faro, recordei a nossa juventude, sempre com uma mensagem para os nossos jovens, comentei textos de outros, quando julguei interessante fazê-lo, enfim, "entreguei-me" ao blogue de coração aberto.

Estes últimos dias foram férteis em comentários diversos: Legítimos e que me dispenso de comentar!

A todos os costeletas e leitores deste blogue quero apenas afirmar que continuarei a escrever, e em cada momento o que minha inspiração ditar, sem constrangimentos, nem preocupações sobre se vão ter comentários ou não.

A propósito do meu último escrito, resta-me acrescentar com tristeza que, no decorrer duma mudança de casa, se extraviou a minha colecção de livros do CAVALEIRO ANDANTE e que, se tal não tem acontecido, já teria por certo voltado a relê-los. Não uma, mas variadas vezes! Sabem? Às vezes gosto de voltar a ser criança!


JORGE TAVARES

costeleta 1950/56
Recebido e colocado por Rogério Coelho

NO FUNDO ... BEM LÁ NO FUNDO


NOTEI...

Afinal ninguém desistiu...
Estão todos cá
E falaram
E ficaram ...

E se alguma lágrima caiu
ninguém viu...

Mas notei
que há uma vontade
de união

os costeletas são assim
são o que são ...

Creio não haver condições
para descrever
a alegria de viver
nas palavras trocadas

entre o Jorge Tavares e o Maurício

A sensibilidade que nós os da 3ª ou da 4ª ...
e o mundo
a quem deveríamos estar atentos

Ó meu caro JORGE , estou feliz por ti
por ver no teu coração
a emoção
de um comentário
de reconhecimento
que vale por mil
ou por um milhão

no fundo

o que interessa é a participação
sim
mas... havendo algém que saiba reconhecer
o nosso trabalho
é bem melhor...
Jorge,
tu tens sido dos melhores
e dos maiores
a defender e a atacar
e a indicar
como é e como se faz

Jorge obrigado
Maurício obrigado
A. Gabadinho obrigado
Romualdo obrigado
Rogerinho Coelho obrigado
Diogo Costa Sousa obrigado
Alfredo Mingau obrigado

A todos obrigado

por parecerem que estão zangados

mas não, estamos enganados

mas...deixem-me retribuir
o abraço que o Mingau me enviou
Mingau aceita o meu abraço
porque eu conheço a vida
sofri
amei e perdi...

honradamente, sim
mas foi assim

a vida
não tem contemplações
é alheia às situações

segue o seu caminho

E a mim apenas me resta
enviar-vos
um grande abraço
que peço que o aceitem
por favor
enquanto eu vos envio
um texto de amor.


O AMOR

É um sentimento nobre que nos auxilia ou nos derrota. O amor é uma atitude expressa numa vontade surgida de um conjunto de circunstâncias que nos fazem obedecer, que nos fazem dizer, que nos fazem comunicar, que nos fazem olhar para dentro e fora de nós. O amor é o resultado de um encantamento pessoal que nos afecta e seduz.

O amor é posse.

Texto de
JBS

A LIBERDADE


LIBERDADE -POEMA DE PAUL ÉLUARD

Nos meus cadernos de aluno
Na minha carteira e nas árvores
Nos areais e na neve
Escrevo o teu nome
Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel cinza
Escrevo o teu nome
Sobre as imagens douradas
Nos estandartes guerreiros
Tal como na coroa dos reis
Escrevo o teu nome
Nas selvas e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome
Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome
Nos meus farrapos de azul
No pântano sol alterado
No lago luar vivente
Escrevo o teu nome
Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome


Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome
Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome
Nas formas resplandecentes
Nos sinos de muitas cores
Sobre a verdade da física
Escrevo o teu nome
Nas veredas bem despertas
Nos caminhos descerrados
Nas praças que se extravasam
Escrevo o teu nome
Na lâmpada que se alumia
Na lâmpada que se apaga
Nas minhas casas unidas
Escrevo o teu nome
No fruto partido em dois
do meu espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome
No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata sem jeito
Escrevo o teu nome
Na soleira desta porta
Nas coisas familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome


Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome
Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome
Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome
Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome
E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear
Liberdade


Texto colocado por

JBS

POSTAL ILUSTRADO



Romualdo Cavaco






FOTOGRAFIA E LEGENDA ENVIADAS PELO ROMUALDO CAVACO




Profs. Desenho Américo Marinho e Celestino (este transferido para Santarém, onde se tornou muito conhecido pelas suas pinturas.


Alunos: 1º. plano: 2 olhanenses cujos nomes não recordo, Celestino Coelho (transferido pª. a Esc.de Silves;


atraz: Fontainhas, um olhannense (o de boina), Ludovico e Romualdo.Pede-se ajuda para o reconhecimento dos restantes.


Recebido e colocado por Rogério Coelho

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

PONTO DE VISTA




UM COMENTÁRIO COM DIREITO A POST


O Gabadinho, costeleta que não conheço mas por quem nutro especial simpatia e consideração, comentou, como se pode ver no texto a seguir, de sua autoria, o facto de alguém ter classificado alguns artigos publicados no blogue como artigos “choradinho” e .... tal e tal.

Fui eu que coloquei os dois textos por me parecerem justos e correctos. De qualquer maneira o autor parece que já explicou isso também num comentário. E senão explicou ele vai abordar o assunto certamente porque o conheço bem.

A razão dos textos serem ou não “choradinho” tem que possuir uma objectividade real, não é porque o senhor Adm. Rogério Coelho e outros gostarem que os artigos deixam de ser choradinho ou não.

A verdade é esta: os artigos do Mingau e do Jorge Tavares, muito bem escritos e que versam recordações, têm até agora zero comentários. Não sei se são choradinho ou não mas até agora não têm comentários o que desmotiva bastante quem escreve, que gosta sempre de saber como o seu trabalho caiu no seio dos outros.

Tenho receio que esta minha conversa vá cair mal em alguns sectores da vida costeleta, “lá está o gajo....”, mas nós que vivemos em democracia temos que saber utilizá-la. Este espaço que, modéstia à parte tenho aguentado, é o local onde nós poderemos aprender a dizer não e a dizer sim, sem arranjar inimizades.

O ª Gabadinho, por mim, sai mais reconhecidamente homem ético do que antes, porque não gostou do que leu e votou aparentemente contra.

Há costeletas que começaram a colaborar e que depois desapareceram, talvez dizendo um “Vão-se lixar”. O problema aqui é o da tolerância e ninguém se deve colocar acima do outro. E depois penso que todos nós somos inexperientes nisto e o “jornal” tem de sair todos os dias.

Não quero deixar de referir que tive aqui divergências com o Jorge Tavares e o Alfredo Mingau mas que forçosamente tinham de terminar num aperto de mão que já dei ao Jorge darei ao Alfredo quando o encontrar.

O blogue precisa de energia e neste momento tem alguns constrangimentos que o impedem de andar para a frente. Penso sinceramente que o modelo deveria ser repensado, porque culturalmente me parece menor, dando prioridades às velhas recordações.

Queria que estes meus comentários fossem vistos à luz dos princípios éticos do direito de emitir uma opinião, deixando eu desde já, a quem não concordar, o direito de o fazer.

Segue-se o comentário do Gabadinho.


“Boa Tarde a Todos,
Faz-se aqui em consciência, creio, uma crítica ao Blogue onde constam alguns artigos classificados com adjectivos tais como: “choradinho”; “historietas de miúdos” e ainda "acriançado". Não concordo que os autores destas críticas sejam “Anónimos devidamente identificados”. Dêem-se opiniões, dando igualmente o nome de quem as propõe. É mais bonito assim!Respeito muito, quem aqui tem procurado dar o seu melhor para alegria de todos, ou pelo menos para aqueles que gostam de recordar tempos passados. Diversifique-se, portanto.Assim, e não esquecendo a narração das nossas histórias enquanto Costeletas, será igualmente benéfica a inclusão de outros temas de diferentes matérias, mas apenas e só versando assuntos de carácter cultural.Cumprimentos para todosAgabadinho”

Texto de
JBS

NOVOS TEMAS

Por se falar em novos temas, porque não o tema "INTERNET"?
Seria uma boa troca de ideias e esclarecimentos. Há muito para aprender. Seria uma boa troca de perguntas com as respostas de quem poderia esclarecer.
Há muito para aprender com este tema.

E, abrindo este tema, para os curiosos, e não só:

- graças a uma parceria entre a NASA e o governo japonês, estão disponíveis na internet mais de um milhão de fotos capturadas por satélites, constituindo o maior mapa topográfico da Terra. Aqui encontramos vulcões, glaciares, etc...
Muito interessante!
Basta escrever http://asterweb.jpl.nasa.gov

Rogério Coelho

O MAURÍCIO, O DCS E EU






ALÓ COMPANHEIRO MAURÍCIO


O que disseste, o DCS e eu dissemos
È mais ou menos o mesmo, penso
Somos filhos da escola e queremos
Que para a honrarmos haja consenso

E não é difícil porque civilização há.
E havendo, está o assunto facilitado
Por isso aí vai um ALABI, ALABÁ
Extensivo aos que tem participado

E para os Maurício Severo e Diogo
É importante referir que o jogo
É bem aberto, sério e pertinente
O que nós queríamos tentar
Era mudar a alma deste lugar
Torná-lo talvez mais eloquente

JBS

domingo, 16 de agosto de 2009

CRÓNICAS DA SEMANA (8)

Igreja da Sé


O Baile de Finalistas


Se tu, “Costeleta e outros” se convencessem da utilidade de colaborar e escrever neste “Blogue”, e trabalhassem no complemento deste “Edifício”, sentiríamos o palpitar nos vossos corações, o mesmo amor à Escola com as histórias que fazem palpitar os nossos.
As histórias que aqui contamos ou transcrevemos, não atestam contra a dignidade de quem quer que seja, pelo contrário, elas poderão servir para os que, presentemente no ensino, tirem as ilações para uma melhor formação do carácter.
Nas histórias “Naquele Tempo” existem casos e patranhas notáveis, verídicas, que julgamos dever publicar, por serem curiosas e atestarem uma certa antiguidade na nossa recordação. Recordar é viver!
E, para complemento desta crónica, fomos escolher o texto escrito pelo saudoso Professor Franklin Marques, no ano da graça de 1995. Reza assim:

«Momento alto da vida escolar, cúmulo não só de um ano lectivo, mas igualmente de um processo de preparação para a vida, era a festa de despedida. Ser finalista significava ter adquirido um estatuto de maturidade e de “sabedoria” que os mais putos respeitavam e invejavam.
Mas a festa dos finalistas não constituía, propriamente, a oportunidade para alívio de um fardo. Era gratificante terminar um curso, sem duvida.
Mas a saudade da escola começava, já ,nesse mesmo dia.
1953 foi o nosso ano de finalista. Fizemos parte do primeiro “contingente” de moços (e moças) diplomados com os Cursos Gerais criados pela reforma de 1948.
Descrever o alvoroço desse dia é tarefa quase impossível. Afinal, a gente contentava-se com tão pouco... Mas a verdade é que o nosso entusiasmo e expectativa eram despropositadamente enormes em relação à simplicidade da festa.
Tudo decorreu, um pouco à semelhança de outras “festas de finalistas”.
Ão fim da tarde, um jantar de confraternização na cantina da Escola. Coisa simples e... “muito em conta”, que a época não era para luxos. Depois, um “Acto de variedades”, no ginásio, com cantigas, música e poesia, tudo ensaiado por esse professor artista que é o Dr. Jorge Ferreira Matias.
E a noite conclui-se com um animado baile, no salão nobre da Câmara Municipal, até então apenas cedida aos moços do Liceu para o seu tradicional baile do 10 de Dezembro. (Onde a malta da Escola não tinha entrada,,,)
O baile dos finalistas!!! Quem o não evoca, hoje, como um dos momentos mais saudosos da passagem pela Escola? E a forma elegante como ele decorria!...
Abria-o uma moça, finalista, já se vê, que para o efeito convidava o Director. E, lá mais para diante, era a “valsa dos finalistas”. Rodopiavam pares. Todos, eles e elas ostentando, na lapela do casaco ou pregada no peito, a fita bi color – azul e vermelha – com a gravação em dourado “FINALISTA”.
Terminava a festa quando a manhã já se fazia anunciar. Era preciso descansar e refazer energias para o outro “baile” que se aproximava – o “baile” dos exames.
Mas, se ser finalista era tão bom, tão bom, que havia sempre quem o quisesse voltar a ser no próximo ano...
Eles lá sabiam porquê...»

Se há quem goste e desgoste daquilo que escrevo, esta transcrição irá, com toda a certeza, ao encontro do quem goste.
Como escrevia o Dr. Domingos Grilo, presentemente Director da Tomás Cabreira, «... se há coisa que não se perde são as recordações e mal de nós quando nem de nós soubermos fazer história.»
Voltarei pela semana. Até lá!

Alfredo Mingau
Recebido e colocado por Rogério Coelho

UM TEXTO... DIÁRIO, SEMANAL, MENSAL... OU DE VEZ EM QUANDO

Jorge Tavares


AS NOSSAS FÉRIAS GRANDES...(capítulo III)


As chamadas férias grandes - que se iniciavam em regra na segunda quinzena de Junho e terminavam com o início das aulas no dia 1 de Outubro - serviam para todos as usufruimos em função das possibilidades de cada família e consequentemente, da escolha do local para as gozarmos. A baixíssima economia doméstica, obrigava a grande maioria dos jovens do nosso tempo a "ficar em casa", e dando largas à imaginação, gozar as melhores férias possíveis.
Para o pessoal do Largo de São Sebastião, o entertenimento passava pelos banhos no Moinho da Terrinha ou na Cava, sendo que para isso, tínhamos de atravessar a linha férrea, à ida e à vinda, e sujeitarmo-nos à fiscalização familiar aos pés, que normalmente evidenciavam a lama da ria e o preto da terra existente entre os rails, e ao posterior raspanate, pelos perigos da zona. O nosso tempo de férias era também repartido pela ajuda aos artífices e comerciantes locais, no seu ofício, almejando uns cobres - bem escasso ao tempo!

Mestre Armando e a sua carpintaria, mestre Bento José Prado e a sua latoaria, mestre Alberto e a sua oficina de reparações de bicicletas, o tanoeiro, cujo nome não recordo, mestre Jaime e a sua oficina de sapateiro, equipada com a "pedra das sedas", o Viegas e o seu armazém de palma, A. Neves Pires e as suas adegas, Bernardino e a sua mercearia e taberna (Jop.Jopinhal), Joaquim Lopes e o seu forno e padaria, José Lopes e o seu armazém de cereais, os Cabeleiras e a sua fabricação de cordas para a armação do atum, etc.

Esta " colaboração", providenciava o ganho duns "cobres", que amealhávamos e eram sempre benvindos.

Igualmente, recolhíamos nos diversos lares, tudo o que fosse de cobre, em especial, cabeças de fogão a petróleo, que vendíamos aos sucateiros, situados na hoje denominada "rua do crime" e que nos valiam mais uns dinheiritos extra.As fábricas de cortiça existentes na Rua e Estrada da Senhora da Saúde - José Bárbara, José Alexandre da Fonseca, Jacinto e Pinto, Lopes - exportavam os fardos de cortiça, via marítima. Para isso, os carros de mula (veículos semoventes), carregavam a cortiça, e transportavam-na até à doca, para serem colocados nas barcaças que aí estavam atracadas. Estas, movidas à vara e à vela, transportavam os fardos à saída da barra de Faro/Olhão, onde um cargueiro fundeado ao largo, recebia a mercadoria. Este trajecto das carros de mula carregados de cortiça, eram também uma fonte de receita para os jovens: As ruas empedradas provocavam trepidação na cortiça fazendo cair bocados, que nós, munidos duma alcofa, recolhíamos subindo as ruas até à fábrica. O produto dessa recolha era "vendido" ao dono, que voltava a enfardá-la e metê-la em redes próprias. Para nós, os tão almejados tostões extra! Voltando ao lazer.... Na hora do calor, após o almoço, lá vinha a obrigação de dormir a folga...por vezes não cumprida, com a discreta fuga pela porta do quintal. A malta reunia-se à sombra das casas, sentados no chão ou na soleira das portas, e cada um contava a melhor história, aprendida com os pais, os avós, ou mesmo inventada.Ao sábado o programa alterava-se a partir das 13.30h. Tínhamos um compromisso com o comboio rápido que chegava à estação de caminho de ferro de Faro às 14.05, vindo de Lisboa, e trazia os jornais e revistas. Com eles vinha o Cavaleiro Andante, o Mosquito, e a almejada leitura do Cisco Kid, do MandraKe, do SittingBull (famoso chefe dos indios Sioux), etc.

É curioso recordar que em meados de Setembro, já evidenciávamos um secreto desejo de que as férias acabassem para voltarmos às aulas e ao convívio dos "nossos".

Os jovens de hoje (nossos netos) que têm, felizmente, muitas outras possibilidades, podem contudo enriquecer os seus conhecimentos ouvindo os mais velhos falar da sua juventude, em particular da enorme capacidade criativa e de tolerância, perante as dificuldades dos seus pais e avós.


JORGE TAVARES

costeleta 1950/56


Recebido e colocado por Rogério Coelho

OPINIÕES







“Vamos ter que falar sobre o "costeletas"...basicamente e' isto:- Ou passa a haver mais consistência, quer dizer, temas mais actuais em vez daquele "choradinho" de historietas de miúdos ou o blogue perde o interesse que já teve!...”

Costeleta devidamente identificado

Sobre o blogue vamos ter que arranjar temas mais actuais de consciência social, temas que despertem interesse se bem que se note uma tendência esquerda na malta da escola o que a' partida corta cerce qualquer outra hipótese de argumento!Temas de historia nacional ou mundial a meu ver seriam bons temas... Depois existem também os colegas que acham que no blog só se deveriam tratar de memórias da escola ......enfim, e' difícil satisfazer a todos....como esta' agora, parece-me muito "acriançado"....
Costeleta devidamente identificado

REFLECTIR


Os assuntos colocados aqui no blogue, nos primeiros tempos, foram de recordações da juventude com o acordo de toda a gente.

Foi giro e aconteceram textos engraçados que entusiasmaram a rapaziada. Por mim foi assim.

Hoje, acho que deveríamos tratar de outros assuntos, que motivassem até um pouco de discussão, para gerar uma certa dinâmica..

Um assunto a tratar poderia ser o centenário da República que se avizinha.

REPUBLICA OU MONARQUIA

Do ponto de vista de liberdade social, eu que não sou especialista, não vejo grandes diferenças entre os dois regimes. A Monarquia tem mais custos, a Casa Real é um adicional ao orçamento.

Este pode ser um tema e temos vários especialistas.

Que tal?

João Brito Sousa