sexta-feira, 14 de outubro de 2016

UMA ESTÓRIA DE MARIA ROMANA




“O Lume Ateou a Chama do Amor”


Conta-se que, em tempos idos, na época do romantismo, um rapaz, filho de família tradicional mas, de fracos recursos económicos, apaixonara-se por uma linda moça, logo que a viu, pela primeira vez. Maria Francisca era filha de pais abastados e ele não se atrevia a transmitir-lhe o sentimento que tinha por ela.
Um dia, confidenciando, com José, seu amigo desde a infância, confessou-lhe o que sentia por Maria. Este ao ouvir o seu desabafo, aconselhou-o a mudar o visual, vestir-se com elegância, dizendo que lhe facultaria o que ele precisasse. E, quando ela lhe perguntasse qual o seu modo de vida, dizer-lhe que negociava os produtos que cultivava na propriedade que tinha e, que vivia com os pais, em “Vila Formosa”.
Alberto, era este o seu nome, ficara apreensivo, José aconselhara-o a uma coisa que não seria a melhor ideia pois, tem-se em dizer que, “brincando com o lume”, poderia queimar-se. Seria uma grande aventura se a pusesse em prática. Mas, o tempo passava e nada acontecia. Vendo que não tinha outra alternativa, decidira fazer o que o amigo lhe alvitrara.
Alberto sabia que, na “Aldeia dos Roseirais”, onde a moça vivia, realizavam-se bailes todos os sábados à tarde. Maria Francisca estaria lá, de certeza, e ele teria ocasião de se encontrar com ela. “ Se bem pensou, melhor o fez ”.
E, quando o baile abriu, Alberto dirigiu-se a Maria e, com a delicadeza que lhe era peculiar, convidou-a para dançar. A moça não se fez rogada. Nesse rodopio constante das danças, o moço abrira-lhe o coração, dizendo que havia algum tempo que se sentia atraído por ela, em suma, estava apaixonado. E, no seguimento da declaração, perguntara-lhe se ela aceitava namorar com ele. Maria Francisca hesitou em responder depois, reflectindo no pedido, disse-lhe : - “ Você não me é indiferente mas, eu mal o conheço! “ -. Então, Alberto relatara-lhe o que havia sido combinado e aconselhado pelo José. A partir desse momento, o sonho que sustentava, tornara-se realidade...
O tempo corria veloz e os jovens, cada vez, mais apaixonados. Numa tarde amena de Primavera, Maria e Alberto conversavam animadamente, sentados sob um caramanchão, coberto de rosas trepadeiras. Ela fazia projectos para o futuro. Em dado momento, a rapariga perguntou-lhe quando é que ele a levaria a conhecer os pais, pois a partir daí, seria um passo para o casamento. Alberto fora apanhado de surpresa e, logo não lhe deu resposta. Maria apercebera-se da sua perturbação, perguntando-lhe se estava com algum problema. Ele respondera-lhe que tinha tido apenas, uma repentina dor de cabeça mas, que já estava a acalmar. E, levantando-se despediu-se dela, dizendo que depois combinariam o dia certo para a apresentar à família.
Alberto estava desorientado, não sabia o que fazer, apanhado pelo lume que o envolvia. Como iria sair dessa fogueira que ele mesmo ateara!?
Não podia voltar a vê-la!...
Entretanto, Maria Francisca estranhava a ausência de Alberto e perguntava-se: - “O que teria acontecido? Ele dizia-me que eu era o grande amor da sua vida! Seria fingimento? Não podia acreditar que se tivesse afastado dela, sem lhe dizer a razão! ” –

Por outro lado, Alberto sofria horrivelmente… Decorriam dois meses, desde o dia em que estivera com ela pela ultima vez. Não podia esperar mais tempo, por isso foi novamente falar com José, para lhe dizer o que acontecera.
Quando este o viu, ficou alarmado por ver o estado em que o amigo se encontrava. Tentou serená-lo, dizendo:
- “Não resolves nada, a sofrer dessa maneira. O melhor que tens a fazer é dizer-lhe toda a verdade. Se ela te ama realmente, embora fique furiosa, vai perdoar-te”-.
O moço aceitou o conselho, com alguma apreensão. Passados alguns dias, encheu-se de coragem, vestiu-se com a sua própria roupa, e apresentou-se humildemente à namorada. Maria ao vê-lo quase não o reconhecera, se não fora os seus gestos e a fala. Depois, ela perguntara a causa do seu mau aspecto e porque estivera tanto tempo sem aparecer.
Alberto, calmamente, narrara-lhe a triste estória; mas, se assim procedera, foi com receio de que ela não o quisesse pela sua pobreza e pediu-lhe que o perdoasse.
A rapariga ao ouvir aquele enredo, ficou desorientada, e disse-lhe que não o queria ver nunca mais. Disse-lhe ainda, que ele esteve brincando com o lume.
 Perante o acontecido, o moço não teve palavras para se defender e, consternado, foi-se embora, cheio de amargura...
Alberto ficara psicologicamente afectado, José vendo o amigo a definhar-se, resolvera tomar uma atitude, ir em sua defesa. Contactara Maria para lhe explicar que o único culpado era ele, incitando-o a tal encenação. Por isso, pedia-lhe que não destruísse um amor tão sincero e lhe perdoasse.
Depois do esclarecimento de José e de saber que o Alberto estava muito doente, resolvera encontrar-se com o namorado e dizer-lhe que o amava muito…
Quando os pais de Maria tiveram conhecimento deste desatino, opuseram-se ao enlace, pelo único motivo de Alberto ser pobre.
Os moços estavam sujeitos a sofrer a proibição ao seu amor, mesmo assim, juraram fidelidade um ao outro…
Porém as coisas mudavam de feição, a favor dos dois enamorados.
Alberto tinha um tio no estrangeiro, muito rico, solteiro e sem filhos. Ao ter conhecimento do que se passava com o sobrinho, veio em seu auxílio, para apadrinhar a união e oferecer alguns bens essenciais aos noivos para começarem a vida de casados, sem grandes dificuldades...
Assim terminava este episódio, que fora envolvido pelo lume da paixão, mas a tempo de ser apagado, para dar inicio a um lume mais ardente, o que unia dois corações, pela chama de um grande amor!...

Maria Romana

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CRÓNICAS DUMA PROFESSORA APOSENTADA

As Crónicas da nossa Colaboradora e Escritora

Lina Vedes
    A  Estradinha Funda

Por volta de 1946 alguns farenses começaram a ouvir falar da “estradinha funda”. O auge do falatório estende-se pelos anos de 1950 e 60...
   A estradinha funda era terra de ninguém, estreita e comprida, compreendida entre dois muros altos que limitavam duas quintas - a do Alto e a do Balão.
   Situada atrás do Liceu de Faro e da capela de Santo António, mesmo durante o dia, olhar para ela arrepiava. Era comprida, estreita, nublada, entalada entre paredes caiadas, chão de terra batida repleto de pedregulhos que dificultavam o andamento ágil. As paredes, encardidas pelo tempo, expunham desenhos indecentes, palavras e palavrões, nomes próprios masculinos e femininos dentro de corações mal riscados, frases curtas e emporcalhadas, poemas, quadras soltas... Um manancial comunicativo, impróprio para os olhos de qualquer cidadão comum.
   Não tinha qualquer tipo de atracção, nem de beleza, nem histórico glorioso do passado farense.
   Os residentes em Faro, na altura do apogeu da descoberta, passaram a saber onde se situava a estradinha funda e o que lá se passava. A fama passou a ser maior do que o tamanho da dita.
   O conhecimento do local talvez tivesse começado por visitas ocasionais de pares de apaixonados, que escolheram o sítio para descarregar o seu intenso amor!
   O local não era bonito mas era discreto. Ninguém se lembraria de passar por aquela língua de areia escura e pedregosa. Era o sítio ideal para encontros ilegais e sigilosos.
   Teria sido descoberta por algum casal de amantes que passou palavra a outro e a outro... A procura do recanto amoroso aumentou e o nome “estradinha funda” apareceu do nada!
   Com o decorrer do tempo a fama subiu de tal maneira que os concorrentes ao sossego o tornaram tudo, menos discreto. Espalhavam-se ao longo da estradinha, não se olhavam quando se cruzavam e não se conheciam quando se encontravam em locais da vida social.
   Mas... Há sempre um mas...
   A sociedade daquela época, masculina em absoluto, atribuía à mulher um lugar secundário que elas, submissas, abraçavam. Segundo Freud era o “complexo de castração’ era a educação da época! O pudor dominava-lhes a vida!
   As leis formuladas pelos homens cortavam toda e qualquer exaltação.
   Usando a artimanha de verdadeiros caçadores, muitos homens, conseguiam alcançar “presas desprevenidas” não olhando a meios para atingir os fins.
   Esses tempos redutores empurraram mulheres para a “estradinha funda” e não só, conquistadas pelo macho, iludidas, acreditando no amor que eles diziam ser eterno. 
   A divulgação do que se passava, perto das traseiras da capela do Alto alastrou, dando origem ao aparecimento dos “mirones” aqueles que espreitam a vida alheia.
   A certa altura o número de “espreitas” era superior ao número de pares amorosos que, apanhados em flagrante, fugiam e, segundo consta, muitos restos visíveis de amor interrompido foram encontrados à luz do dia.
   Ao anoitecer uma romaria de mirones dirigia-se para a estradinha funda.
   Velhos já caquécticos, incapazes de amar no presente e sem o terem feito no passado, iam espreitar procurando excitação animalesca.
   Buscavam, igualmente, saber quais as pecadoras que se expunham a tal humilhação para poderem, à mesa do café ou ao balcão de uma tasca, relatar factos vistos, com acrescentos impróprios e indignos.
   Esses velhos e os seus ouvintes pouco aprenderam sobre a vida. Para eles já era tarde, para eles era impensável elevarem-se acima do estado animalesco, Já não conseguiriam dar carácter ou conteúdo humano às suas funções animais...
   Os adolescentes masculinos tornados mirones iam ao local por curiosidade. Inexperientes, pouco ou nada informados sobre sexo, receando o acto sexual, procuravam aprender como agir... Vendo a mulher como objecto de prazer!
   Para eles, ao fim de algum tempo, a curiosidade morreu e a estradinha funda fechou.
   As mentalidades enobreceram. Rapazes e raparigas passaram a encarar a vida com uma perspectiva diferente. A partilha aproximava os casais. A vida em comum modificou-se.
   Mas... Os anos continuaram a exercer a sua influência...
   De cambalhota em cambalhota chegámos a modificações radicais.
   Mulheres que passam a ser caçadoras, homens caçados ou ainda, a troca constante de posição consoante o interesse ocasional.
   Nesta confusão de valores muita gente voltou… e continua, a percorrer caminhos escuros, emparedados e empedrados, uns atrás dos outros, empurrando-se, pisando-se, tentando ultrapassagens ilegais...
   Para esses poderemos perguntar:
   - Onde está o céu azul do dia ou as estrelas brilhantes da noite?
   - Onde fica a linha do horizonte, o murmúrio das águas, o tresmalhar do vento entre a folhagem das árvores?
   - Onde se encontra o vizinho amigo, o irmão, o colega de escola ou de trabalho, o amor, a amizade, a mão amiga estendida ou o abraço fraterno?

Lina Vedes
30 de janeiro de 2o13
Foto da Estradinha Funda (de Lina Vedes)
Lembram-se?
NOTA: Cliquem sobre a foto para aumentar




segunda-feira, 10 de outubro de 2016

POESIA



O Mágico Luar!

Luz Branca e prateada iluminava
A Ninfa adormecida em preamar
E sob o encantamento do luar
A Alga fugidia murmurava!...

Flutuando, a Sereia, então cantava
Um hino muito belo, singular
E a noite parecia enfeitiçar,
Enquanto a lua cheia se ostentava

A Fantástica luz tinha harmonia
E a Estrela Polar terna, sorria,
Com graça e beleza sedutora

Espectáculo raro, inebriante,
Envolto na magia impressionante
Da cena misteriosa e sonhadora!



                                                        Maria Romana

domingo, 9 de outubro de 2016

CRÓNICA DE FARO


Voltaram os “Anais do Município”

Opinião de João Leal

Volvidos 5 anos e no âmbito das ações comemorativas das “Jornadas Europeias do Património” foi apresentado o 38º volume dos “Anais do Município de Faro”, uma referência participada e participativa do viver farense e que assim volvido um lustro de apagamento, ressurgiram para desta feita o terem, conforme voto expresso, a sua continuidade anual, como é norma e objectivo da sua edição.
O ato, com ampla e muito positiva participação, decorreu no auditório da Biblioteca Municipal António Ramos Rosa e com intervenções quer do responsável por esta publicação, o ilustre algarvio mestre da Universidade de Coimbra, professor Dr. Joaquim Romero de Magalhães, da Dra Salomé Horta, responsável pela Biblioteca da Universidade do Algarve e do presidente da Câmara Municipal de Faro, Dr. Rogério Bacalhau.
Criados em 1969, sendo então responsável pela autarquia farense, o sempre lembrado major João Henrique Vieira Branco, teve o seu primeiro diretor e mentor o saudoso Mestre Professor José António Pinheiro e Rosa, então regressado do “exílio lacobrigense a que fora votado”, com uma orientação e conteúdo bem diferentes dos atuais e uma presença reveladora do que foi sempre o seu modo de viver, com a inteligência e valor que lhe eram e são merecidamente votados o seu obreiro nº1. Desses estudos do prof. Pinheiro e Rosa muitos foram depois publicados em separatas e constituem hoje verdadeiras preciosidades bibliográficas.
Ao insigne Mestre sucedeu, já após o 25 de Abril, o conceituado jornalista e investigador, o sociólogo Dr. Libertário dos Santos Viegas, que prosseguiu com saber, vontade e determinação e a publicação periódica dos “Anais do Município de Faro”, funções para as quais seria depois convidado o seu atual diretor, o Prof. Dr. Joaquim Romero Magalhães.
Há 5 anos que, por vicissitudes várias, entre as quais a situação económica difícil que a autarquia conheceu e ora já respira mais afogada, esta obra básica para a história farense contemporânea, não eram editados o seu reaparecimento bem como os testemunhos expressos de continuidade regular, levam-nos a expressar a certeza de que este fim da tarde vivido na Biblioteca António Ramos Rosa, é uma pedra assinalada!

João Leal

sábado, 8 de outubro de 2016

UMA ESTÓRIA DA COSTELETA MARIA ROMANA



“Um Misterioso Iceberg” !...
  

Não sei quantos, mas há muitos, muitos anos, uma frota bacalhoeira, desatracava do cais, da Estação Fluvial de Belém.
Toda a tripulação, era ela, composta por homens experientes, audazes marinheiros, alguns diziam-se de origem mediterrânea...
A despedida era muito triste, para os que partiam e para os que ficavam... Difíceis, eram também, as comunicações naquela época!
Em amplo Oceano Atlântico, os mareantes avistavam, ainda, uma nuvem de lenços brancos a acenar, ao mesmo tempo que, ouviam na imensidade do espaço, o eco que repetia incessante-mente:
- “Boa viagem, Deus vos acompanhe, até à volta!”-
A frota rumava com destino ao Canadá! O tempo que levaria na viagem, dependeria do que pudesse surgir. Os perigos espreitavam a cada instante! As noites pareciam infindáveis... Até que, a certa altura, se aperceberam de que a Terra Nova não estava longe, pelas mudanças bruscas das temperaturas.
- Ventos arrebatados enfunavam as velas e atingiam as proas; surgiam os icebergs, que estavam na fase dos degelos. Ondas alterosas e a bruma, a grande inimiga dos navegantes, dificultando-lhes a visibilidade mas, com a ajuda de Deus, tudo ia sendo ultrapassado...
Numa manhã muito fria, a frota alcançava o termo do percurso...
Agora, o trabalho iria ser árduo. A Pesca do Bacalhau seria, sem sombra de dúvida, uma verdadeira aventura!...
Tudo estava a postos- Descidas as amarras, a frota fundeava ao largo do Oceano; a azáfama a bordo não parava. Arreavam-se os dóris; cada barco, comportava uma equipa de três a quatro homens.
Em seguida, dirigiam-se para os Bancos... Aí preparavam os cercos; anzóis no mar e os insaciáveis bacalhaus induzidos pelo engodo, não se faziam esperar...
O tempo passava, os porões abarrotavam e os incansáveis escaladores não tinham mãos a medir. Seguia-se a salga, depois a secagem. Tudo era feito ao mais ínfimo pormenor!
De vez em quando as actividades piscatórias tinham de ser interrompidas, quando o mar não favorecia, ou pela terrível brisa, frios que os pescadores não conseguiam suportar.
Havia meses que eles mantinham a dura labuta, sujeitos a problemas de vária ordem... Apesar dos contratempos, a safra tinha sido bastante generosa e a faina chegava ao fim.
A Companha preparava-se para a viagem de regresso, mas antes, iria em terra, comprar algumas recordações para familiares e amigos.
Finalmente, o dia aprazado para a partida!
No cais, lá estavam os amigos e alguns camaradas, que ficavam por lá, para lhes desejar boa viagem.
Navegavam, em pleno alto mar, quando ao fim do segundo dia, quase ao escurecer, desencadeava-se uma enorme tempestade! O firmamento e o mar assemelhavam-se a mantos negros; os navios andavam em remoinho e as velas despedaçavam-se, com as fortes rajadas de vento. Relâmpagos fosfóricos cruzavam o espaço, seguidos de estrondosos trovões...
Os pescadores mal diziam a sua sorte e, na maior aflição elevavam ao céu as mãos postas em cruz, numa fervorosa súplica:
- “Senhor, salva-nos! Nossa Senhora dos Navegantes, encaminha-nos para bom porto!”
Estavam na iminência de naufragar!... De repente, como por milagre, um clarão iluminava um rochedo, de grandes proporções, ao mesmo tempo que, uma força oculta, detinha toda a frota, ficando esta, completamente estática. A gigantesca falésia estendia-se às embarcações e nela havia umas reentrâncias, espécie de degraus, formando uma escadaria.
Os Arrais pediam aos seus homens muita coragem pois, iriam subir até ao cimo do monstruoso rochedo...
Assim aconteceu! Alcançado o ponto mais alto, viram com surpresa, uma pequenina ermida na qual se encontrava sobre uma mísula, a Nossa Senhora dos Navegantes, com o Menino Jesus no regaço... Todos ajoelharam e, perante as belas imagens, rezaram, agradecendo as suas vidas.
Agora mais confiantes, acomodavam-se o melhor que lhes era possível e ali esperaram que a procela se afastasse completamente. Aquela luz intensa, também se manteve, como farol, até o vendaval se ausentar.
A aurora despertava, o mar começava a ficar sereno e os homens desceram às embarcações, sem problemas!
De novo a bordo, mas preocupados, verificaram os danos causados pela tempestade e, como não tinham outra alternativa, voltaram ao ponto de partida, para consertarem as três embarcações , da respectiva frota...
Passados alguns dias, a navegação recomeçava, cautelo-samente. À medida que se aproximava do local, onde se encontrava a imponente falésia, que tinha sido porto de abrigo dos pescadores, viram em seu lugar, um majestoso Iceberg. Tudo era tão misterioso!...
Fosse o que fosse, eles tinham sido salvos, graças à Divina Providência, por isso, fizeram uma breve paragem em sinal de agradecimento pelo bem recebido! Nesse preciso momento, surgiam três enormes baleias que se abeiraram da frota, depois colocaram-se, como guias, à frente de cada embarcação... E a viagem decorrera sem qualquer incidente.
Os navios –São Cristóvão, São Pedro e Neptuno atracavam no cais, de terra portuguesa. Enquanto todo o cenário se desenrolava, os robustos animais que os acompanhavam, desapareceram tão misteriosamente, como surgiram. Mas, de uma coisa os pescadores tinham a certeza, a bordo, traziam o fruto do seu trabalho e, ainda, nas suas mentes, a mais insólita estória para contar!...


Maria Romana

VIAGEM E DESCANSO


Meus caros amigos

  Aproveitámos esta última semana para passear e descansar.
  O Blogue ficou inativo.
  Para o efeito escolhemos Espanha, mais propriamente a região da Andaluzia, por Torremolinos, Málaga e Marbella.
  Passeámos pelas várias localidades da região.
  Na Quinta-feira visitámos de manhã a localidade de “Mijas”, terra de burros como dizem (ver foto). E aqui, ao regressar para o autocarro, um alentejano da comitiva faz-me a seguinte pergunta:
  - Sabe porque os alentejanos se levantam muito cedo?
  Com a minha admiração estampada respondi que desconhecia.
  - É para descansarem mais tempo…!!!
  E regressámos ao hotel, em Torremolinos, para almoçar.
  O passeio e o descanso terminaram. Vamos continuar a pôr o Blog em dia.
  Há, porque já temos, material interessante para dar a conhecer colocando a partir de hoje no Blogue.


A "Presidenta" Isabel também quis "burricar" em "Mijas"

  Saúde para todos.

  Roger

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

ANIVERSÁRIO DE ASSOCIADOS COSTELETAS


FAZEM ANOS

OUTUBRO


02 - Hélder Sobral Silva Mendonça. 03 -  Florentino Gomes Cavaco. 05 - Manuel Madeira Guerreiro; Vitor Manuel Carlos dos Santos. 06 - Irene Dinorah Coelho Lopes; Fernando Guerreiro Farias. 08 - Clarisse Maria Cabrita; Zélia Maria Cristino Cabrita; José Gonçalves Charneca Júnior; Maria Eduarda Aleixo Martins Vargues. 10 - Manuel Francisco Sousa Belchior. 11 - José Correia Xavier Basto; Joaquim Eduardo Gonçalves Teixeira. 12 - Maria da Paz Lopes Santos. 13 - José Manuel d'Assunção Brucho. 15 - Maria de Lourdes Pinto Machado Matos. 16 - Elza Maria Encarnação Soares Horta; Francisco Xavier da Silva St. Aubyn; Florentina Rosa Santos de Brito. 17 – Luciano Augusto Ventura. 18 - João Maximiano Portada Faustino. 22 - Rogério Sousa Coelho. 26 - Jacinta Rosa Cançado Coelho Ramos (Mimi); Maria Graciete C. Sebarrinha. 27 - Daniel Manuel Guerreiro Mendonça; Maria Fernanda Guerreiro Mariano Silva; Eduardo Pedro Soares. 28 –Maria Clotilde Conceição Claro. 29 - Gisela Conceição Maria Marques.. 

FELICIDADES A TODOS, COM MUITA SAÚDE


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

CRÓNICAS DUMA PROFESSORA APOSENTADA


AS CRÓNICAS DA NOSSA COLABORADORA E ESCRITORA

Lina Vedes

Aconteceu... 

   Chamava-se Maria João.
   Era linda, uma autêntica boneca, ataviada com harmoniosos vestidos elaborados pela mãe. Grandes saiotes engomados salientavam a roda das saias, laçarotes, rendas e fitas completavam o conjunto que nem a bata liceal, obrigatória, conseguia encobrir.
   Era simpática, com um sorriso permanente a abrir-lhe os lábios e um brilho no olhar revelando um interior bondoso, pacífico e compreensivo.
   Nos intervalos das aulas isolava-se sem o à-vontade necessário para se aproximar das colegas que, em grupo, riam falando sobre sexo ou contando anedotas.  
   Era bem comportada cumprindo, na íntegra, todas as regras de convivência, decoro e boas maneiras, estabelecidas pela sociedade, sabendo dosear a sua aplicação.
   Era aluna exemplar que durante as aulas sabia ouvir as matérias explicadas pelos professores, que a estimavam e elogiavam. As notas finais fazendo jus ao seu empenho não a levavam a distanciar-se como ser superior aos outros.
   Era filha única e prendada, de pais zelosos e preocupadíssimos com a sua “menina’

   Rodeada de múltiplos cuidados tinha explicador particular que ia a casa, ajudá-la na aquisição das matérias. Recebia, igualmente, aulas de piano e a mãe conduzia-a nos segredos culinários e na arte dos bordados.
   Era católica, ia à missa da Sé todos os Domingos e comungava. Saía de casa ladeada pelo pai e pela mãe, vestidos a rigor, com comportamento exemplar a ser seguido por todos.
   Aos Domingos, na parte da tarde, se o tempo estivesse agradável, os pais levavam-na a passear a locais escolhidos por eles, com objectivos definidos. Também a levavam a conferências, colóquios, concertos musicais porque sabiam que a vertente cultural era necessária para uma educação completa.
   Nunca, a Maria João pisou o chão a caminho do Liceu de Faro, porque o pai a levava e a recolhia à entrada e saída das aulas. Era lá colocada e retirada para ser introduzida em casa, a dar continuidade a todos os afazeres que lhe eram impostos. Não havia espaço para conviver, a sua presença junto da vizinhança era nula.
   Os pais viviam para ela, moldavam-lhe o caminho a seguir. Estava talhada para o sucesso.
   Era uma linda menina, bem comportada, bem ornamentada, prendada, habilidosa, inteligente, boa aluna e boa católica. Era uma linda menina que todos os pais desejavam nos anos 40/50/60...
   Andei com ela, na mesma turma, durante quatro anos e muitas vezes me interroguei, olhando-a e vendo-a tão serena, se não sentia vontade de ”quebrar” as amarras. Não gostaria, tal como nós, de correr, falar alto, injuriar ou andar à “porrada” com uma amiga?...
   Chamava-se António e tinha frequentado a Academia Militar.
   Apareceu em Faro em 1960. Era filho de “boas famílias” como se dizia na gíria farense. Tanto o pai como o avô tinham altos cargos no exército português.

   Concluído o curso viera para a capital algarvia como oficial a dar instrução aos recrutas.
   Alto, espadaúdo, bom porte, despertou de imediato, a curiosidade entre as meninas farenses e casadoiras.
   Aliada à boa figura transpirava boa educação. Era fácil encontrá-lo no Aliança, na Gardy, na Brasileira, no cinema ou em qualquer lugar público a agir com cavalheirismo pouco usual na juventude farense.
   Com muito tacto e muita diplomacia respeitava as normas jurídicas impostas, na época, pela autoridade e as normas de cortesia. Junto das senhoras era cerimonioso, dando-lhes todas as prioridades e deferências, sabendo saudá-las e mimá-las delicadamente.
   Era correcto, educado, brioso, digno e responsável.
   O destino juntou-os.
   Aconteceu!
   António foi visitar familiares amigos dos pais de Maria João.
   Encontraram-se, olharam-se e o cupido fez das suas, acertando em cheio no coração desarmado e nada experiente da jovem de
18 anos, com o ano liceal concluído e com entrada garantida na Faculdade de Medicina em Lisboa.
   Ele ao observá-la viu de imediato:
   - É a mulher que meus pais ambicionam para mim!
   Ela ao encará-lo.., não via nada... ficou deslumbrada!!!!!!!!!
   Ele passou, discretamente, a provocar encontros e ela descobriu, dentro de si, algo de diferente e a desejar ter objectivos na sua vida pessoal, sem a indicação paterna.
    Através de terceiros, os interesses comuns dos jovens, foram revelados aos respectivos pais.
    Tudo foi feito como mandava o “figurino’
   António apresenta-se como pretendente à mão de Maria e combinam, desde logo, a visita oficial dos pais dele.
   Um almoço oferecido pelos pais da noiva reúne as duas famílias, surge o anel de noivado recebido com palmas, elogios e lágrimas de felicidade.
   Nesse mesmo dia fica decidido pelos pais:
   - A Maria João iria para Lisboa com a mãe, para um apartamento já adquirido, e licenciar-se-ia em Medicina;
   - O casamento efectuar-se-ia após a conclusão do curso… 1965/66;
   - Casariam em Fátima;
   - Iriam viver para Sintra, numa casa solarenga, pertença dos familiares do noivo;
   - Ele pediria transferência para Lisboa, podendo visitá-la aos fins-de-semana.
   Tudo ficou programado!
   Tão ‘embebidos” e maravilhados estavam um com o outro que não absorveram as imposições “impingidas’ o destino traçado por pais ansiosos na construção da felicidade dos filhos...
   Quando encararam a realidade apercebem-se que lhes resta o mês de Agosto para namorar. Em Setembro a Maria João rumaria a caminho da capital, para um período de adaptação.
   Na cidade de Faro tudo se ouvia, tudo se via e tudo se espalhava de boca em boca...
    Surgem segredinhos, mais adivinhados do que reais. A experiência dos maldizentes como que os empurra para o abismo!
   Vozes afirmam:
   - Ela vai ao Largo de S. Francisco, fala com a sentinela da guarita e segue para o apeadeiro.
   - Ele sai pouco depois e percorre o mesmo trajecto.
   - Será que os pais dela estão a dormir?
   Em meados de Setembro a mãe transporta uma Maria João conformada, aceitando a separação, deixando que o bom senso imperasse e acreditando que a reflexão saberia dominar a paixão.
   Abalou mergulhada em dúvidas, com tristes presságios, com sombrias conjecturas...
   Animou-se quando António lhe aparece, passados poucos meses, com a transferência garantida.
   Finalmente!!!!
   Poderia partilhar com ele o drama que a torturava...
   Durante o reencontro ela olha-lhe, firme, nos olhos...
   Instintivamente sente que estes haviam perdido o brilho inicial e, que as palavras dele não lhe saíam do coração com a firmeza que ela desejava.
   Diplomada em calar a voz do coração, em dissimular desejos e tendo dentro dela uma forte insegurança, conclui de imediato:
   - O António já não me ama.
   Estremece e durante momentos fraqueja, perde a faculdade de andar... e de falar!
   Cala o que deveria contar!
   Em Angola acontecimentos trágicos iriam precipitar a vida deste casal. O Governo do Estado Novo disponibiliza para lá os primeiros contingentes militares (1961). Está declarada a guerra entre as forças armadas portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das Províncias Ultramarinas.
   António parte para a “Guerra de África” para combater os terroristas e defender as províncias portuguesas de África (era assim que se dizia e se ouvia).
    Maria João ficou só... perdida, amedrontada, insegura!!!!!!!!
   Tinha de encontrar um expediente para se subtrair ao drama que a dominava e que se estava tornando insuportável.
   Tinha o cérebro em fogo, o espírito numa revolta, o coração esmagado! Sentia a inutilidade da sua vida, a incapacidade de agradar, apanhada por um doentio complexo de inferioridade e numa depressão profunda... Sufocada vê todas as portas fechadas, não vislumbra uma nesga de salvação!!!
   Em Faro, inesperadamente, um grito de consternação é ouvido:
   - A Maria João matou-se!
   E dias depois:
    - Estava grávida!
    Entre o pesar das notícias uma voz anónima e implacável clama:
    - Como exemplo e modelo da nossa sociedade nunca poderia viver em paz, sendo mãe SOLTEIRA
!

    ACONTECEU!
 
    Lina Vedes


      22 de fevereiro de 2010 

NOTA DA REDAÇÂO: Os nossos agradecimentos por esta "Crónica", com uma história maravilhosa. Obrigado Lina. Fica-nos a dúvida, REAL OU FICÇÃO?
Roger.

POESIA

Da Costeleta Maria Romana, recebemos,  com a maior satisfação publicamos:


Luzes da Vida


Ventre rasgado p´la luz
Essa luz pura, inocente,
Em que ainda se produz,
A luz pouco transparente!...

Através da luz dos olhos,
Focamos a claridade,
Mas nub´lada, com abrolhos,
É a luz da Humanidade!

Sendo a luz do entendimento...
Um fraco potencial,
Caminhando, muito lento,
Esse bem fundamental...

Sublime a luz da humildade
A que destrói a ambição,
Por ser a luz da verdade,
Encaminha a perfeição!

É a luz da nossa mente,
Que comanda a Consciência
Uma luz forte, existente
Que ilumina a inteligência !

Mas a excelsa luz Divina,
A que brilha, sem cessar,
É a luz que nos domina,
A que nos há-de salvar!

Maria Romana

1º prémio – Academia Araucária – Brasil S/P

terça-feira, 27 de setembro de 2016

CRÓNICA DE FARO


Casimiro de Brito, 
o Percursor
Opinião de João Leal

Foi-o em toda a plena acepção do termo e nas mais diversas áreas culturais, sempre com esse denominador comum de uma profunda vivência poética, que o era de inovação, de partilha e de comunidade. Vem isto a propósito da recente homenagem que, no âmbito da edição primeira do “FLIQ” (Festival Literário de Querença) promovido pela dinâmica Fundação Manuel Viegas Guerreiro, ocorreu naquela localidade do interior do concelho de Loulé e em que um dos três dias que o evento comportou, se prestou uma pública homenagem ao poeta, jornalista, ensaísta e ficcionista Casimiro de Brito, natural daquele concelho e que nos anos finais da década de 40 do século XX veio, com os pais, que se estabeleceram ali junto ao “humilladero” do Senhor dos Aflitos, para fazer os estudos na extinta Escola Preparatória Serpa Pinto e, depois na Escola Industrial e Comercial de Tomás Cabreira, onde tirou o Curso Geral do Comércio.
De seu nome completo Casimiro Cavaco Correia de Brito (era um dos louletanos “Cavacos Famosos” – os presidentes Aníbal Cavaco Silva, do Governo e da República; José António Guerreiro Cavaco, da Câmara Municipal de Loulé e da Associação de Futebol do Algarve; Horácio Cavaco Guerreiro, da Região de Turismo do Algarve; do empresário Manuel Guerreiro Cavaco, que me simultâneo frequentaram a segunda daquelas escolas, aquele que é referenciado e premiado como um dos nomes maiores da poesia europeia contemporânea.
Nasceu em Loulé a 14 de Janeiro de 1938 e designámo-lo de “Percursor” porque o foi de modo jornalístico, aqui no “Jornal do Algarve”, com a “Crónica de Faro”, a que viria a suceder, aquando da sua ida para Londres, por uma equipa que incluía, além deste humilde cronista, os consagrados jornalistas Encarnação Viegas e Mário Zambujal e esse nome invulgar da cultura e da medicina que foi o dr. Armando Rocheta Cassiano, como o fora em “A Voz de Loulé”, com a secção “Postal de Faro”. Percursor o foi ainda com as páginas literárias no quinzenário louletano chamado “Prisma”, onde colaboraram, entre outros, Afonso Cautela, António Ramos Rosa, Maria Rosa Colaço, etc. Mas esse sentido de “percursor” foi-o ainda com a criação, juntamente com Ramos Rosa, dos “Cadernos do Meio Dia” e dos “Jograis de Faro”, surgidos estes após a vinda a Faro dos então famosos “Jograis de São Paulo” que, incluía o conhecido artista brasileiro Armando Bógus.
Casimiro de Brito (Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Mérito Municipal de Loulé, Prémio Internacional de Poesia Léopold Senghor – 2002, Embaixador Mundial da Paz ONG – Zurique – 2008, Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores – 1981, Prémio P.E.N. Clube Português de Poesia…) com 56 livros publicados e traduzidos em 26 idiomas, é um homem do “Times”, porque também entrou na equipa de 1957 com este mesmo espaço “Crónica de Faro", mas então com outro grafismo.

Por isso esta homenagem nos honra e honra o “Jornal do Algarve” e a referimos com toda a afetividade de “compagnons de route” desde os já distantes quase 70 anos em que, na cidade de Faro, se fixou!

João Leal
IN J.A.

domingo, 25 de setembro de 2016

INFORMANDO


DIA MUNDIAL DA MÚSICA
EM FARO

O Clube Farense, na rua de Santo António, em Faro, vai comemorar o  Dia Mundial da Música no próximo sábado, dia 1 de Outubro, com um concerto de João Pedro Cunha (violino) e Elena Tesouranova (piano).
Num concerto que marca o retomar das actividades num local emblemático da cidade, os dois músicos vão interpretar vários temas intemporais da música de compositores como Handel, Massenet, Astor Piazzolla e Monti. Entre outros.
O concerto terá início marcado para as 22 horas. Os bilhetes podem ser adquiridos no local do espectáculo


IN C.M.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

QUANDO ALGUÉM PARTE




JOSÉ FELICIANO SOUSA MATIAS
Partiu

O José Matias que Deus chamou a si no dia  20 Setembro, residia em Estói. Ia fazer 80 anos no próximo dia 30 de Outubro. Na lembrança do "Matias", um bom colega, amigo e companheiro de sempre, sentimos o nosso profundo desgosto, a nossa saudade e os pêsames à família enlutada.

DESCANSA EM PAZ MATIAS

A Presidente da Direcção
Isabel Coelho

Nota da Redação: o funeral sairá da Igreja de Estói pelas 15 horas do dia 26, Segunda Feira.