domingo, 23 de julho de 2023

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL


SERVIR: UM TESTEMUNHO DE VIDA!


Teresa de Ávila, cujo pensamento preenche todo um tempo e se projecta

pelos séculos disse: «Quem não vive para servir, não serve para viver».

se mediática da santa espanhola adapta-se, na íntegra à saudosa

amiga, que há dias nos deixou e que, por todos, era afectivamente tratada por

«Dona Clô». Estava a dois passos do centenário de vida, toda ela dedicada a

estar à disposição dos outros.

D. Clotilde Inácia, de seu nome autêntico, nascera em São Bartolomeu de

Messines há 99 anos, era viúva e estava de há muito aposentada como auxiliar

administrativa da Câmara Municipal de Faro. Aqui a sua amizade para todos e

com todos revelou-se de uma forma especial criando sucessivas e continuadas

gerações de amigos. Era no «bar da autarquia», a quando dos breves minutos

de descanso, que a D. Clô distribuía nos cafés, nos chás (de bela luísa) e

quejandos que praticava toda a sua fraterna estima.

Foi-o também no Clube Farense, a que prestou dedicadamente relevantes

serviços, mormente na cobrança das entradas e na Ordem Terceira de S.

Francisco, de que era devotada membro, sobretudo na recolha das esmolas

durante as celebrações eucarísticas

Havia sempre na Dona Clotilde um sorriso acolhedor e fraterno que nos

enchia a alma e nos enchia de amizade.

Partiu a D. Clô, uma vida preenchida a servir, num testemunho exemplar de

vida autêntica, sem protagonismos nem os encómios estridentes.

CRÓNICAS DO MEU VIVER OLHANENSE



AQUELA «BANQUINHA»


Era-o mesmo uma «banquinha», recheada de bocas cava a terra,

camarões da ria, santolinhas, caranguejos, burriés, ovas secas de polvo e todo

um mundo de sabores que atraíam meio Algarve aquele bocado de Olhão,

porta de entrada na Barreta.

Situava-se na Praça Patrão Joaquim Lopes, frente ao ícónico edifício da

antiga Alfândega e da «Barra Nova», a típica taberna olhanense que meio País

conhecia.

Junto à «banquinha», uma espécie de caixa de transporte de peixe, em

madeira, um mariscador, cujos traços fisionómicos marcavam, uma vez mais, a

ascendência magrebina de grande parte das «nossas gentes» e que, nos

canais, sapais e águas da fronteiriça Ria Formosa, fizera a sua maré

apanhando estes produtos. A «Barra Nova», onde conhecemos o sempre

saudoso e acolhedor, mais tarde, prestigiado advogado, o dr. João Ladeira,

nunca devia ter desaparecido. Fazia parte da memória de Olhão, tal como os

vizinhos «Portas de Ferro» ou a «Casa Pires».

Depois, lá dentro, eram os reservados ou o balcão corrido e um chão

sempre coberto de serradura para absolver o que não era desejável. Petisco

haviam-no sempre, mas eram os adquiridos na tal «banquinha» que ganhavam

a preferência.

Recordações de uma Olhão, que saudosamente recordamos e já não

existe!

 TURISMO ALGARVIO EM NOTÍCIA


Os CTT editaram dois selos alusivos à «Dieta Mediterrânica», nos valores de

0,80 («Arjamolho») e de 1,15 euros («Doces Algarvios») com uma toragem de 75 mil

exemplares.

Nuno Fazenda, Secretário de Estado do Turismo, presidiu em Monchique à

apresentação do Programa «Roteiro - + Turismo Interno».

A Câmara Municipal de Tavira promove o concurso fotográfico «Turismo

Verde», cujos trabalhos devem ser entregues até 30 de Agosto. A proclamação dos

vencedores (existe um prémio pecuniário de mil euros) será 27 de Setembro (Dia

Mundial do Turismo).

Foi criada pela Flexibus (transportadora alemã de expressos) uma ligação

nocturna entre o Algarve e Lisboa, Coimbra, Porto e Braga. Os 750 klms. serão

percorridos em 8 hora, havendo dois motoristas para garantir uma maior segurança.

A AEHTA (Associação das Empresas de Hotelaria e Turismo do Algarve,

organiza na sua sede em Albufeira, no dia 27 de Julho, uma homenagem ao dr. João

Fernandes, presidente cessante da RTA.

A Região de Turismo do Algarve editou um catálogo relativo ao «Turismo

criativo». Foram definidos 20 locais para um contacto dos turistas com a culinária e

o artesanato algarvios.


JOÃO LEAL

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL


OS «MUPIS» E SUA ACTUALIZAÇÃO


Constituem hoje uma valiosa e popular peça do mobiliário informativo

urbano. Vimo-los não apenas nas ruas e praças, como nos centros comerciais,

aeroportos, gares, etc., em locais onde é grande a concentração humana ou

constante a passagem de pessoas e veículos.

Tem como principais funções o informar ou a promoção comercial.

A palavra trata-se de um acrónimo do original francês significando «material

urbano para informação».

São dotados, em geral, de dupla face, constituídos por um painel urbano

vertical, mais alto do que largo, muitas vezes com iluminação interior, havendo-

os, para além dos estáticos clássicos, também interactivos, digitais, etc.

Os «mupis» foram registados, pela primeira vez em França (1977), por

Jean Claude Decaux, dirigente da conhecida empresa de publicidade, com

presença, um pouco por todo o Mundo, inclusive no Algarve, onde adquiriram a

Centeco, de há muito sem actividade.

Em Faro são vários os painéis existentes e cremos, de acordo com as

condições de autorização do Município, uma das faces (geralmente a virada

para o exterior) destinada a publicidade comercial e a outra utilizada ou cedida

a sua utilização pela Autarquia.

Até aqui tudo correcto e com visível interesse citadino. Só que a face dos

«mupis» utilizada pela Câmara Municipal ou por ela cedida a outros

(normalmente instituições culturais) não é actualizada, de acordo com tempos

desejáveis. Longos são os meses volvidos entre o evento promocionado e o

dia em que nos encontramos.

Um senão a pedir a intervenção de quem de direito, esta dos «atrasados»

neste mobiliário urbano existente na

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL


UM PRÉDIO ICÓNICO

Trata-se de um imóvel, pela sua singular arquitectura, o existente no

gaveto das Ruas do Alportel e da Cruz das Mestras. Singular na verdade atrai

pelas suas linhas e multiplicidade usos que o vai da habitação (1º andar de

«quatro águas) à existência de uma unidade de panificação, a «Padaria do

Largo de São Pedro» e que outrora, quando havia o poço fronteiro, se chamou

de «Padaria Lisbonense». Recordo-me das letras que identificavam o negócio,

artisticamente pintadas, como era uso na época, por esse genial artista, que foi

o pintor Artur Costa. Era o popular e aplaudido «Charlot» que, no Carnaval,

alegrava as ruas de Faro, com a sua impecável imitação do Charles Chaplin.

O conjunto dispõe ainda de alta chaminé, por onde saem os fumos dos

fornos e à entrada um artístico painel de azulejos em honra de São Gonçalo de

Lagos, cujo culto teve um grande dinamizador na pessoa do saudoso Coronel

Eng. Sande Lemos, o benemérito farense, que foi proprietário do imóvel em

referência.

De há tempos a esta parte ostenta o letreiro «Vende-se», o que é um

direito pleno dos seus actuais proprietários, creio que a benemérita e

respeitada Família Aboim Ascensão / Sande Lemos. Até aqui tudo normal não

fora o pouco cuidado aspecto do imóvel, situação aceitável para a situação de

venda em que se encontra.

O nosso receio, apenas e só motivados pela defesa do património

farense, reside no futuro a que se reserva para o imóvel. Será para construir

mais betão, como aconteceu com o seu vizinho do lado.

Dadas as suas características e o que representa para a cidade,

sugere-se a sua aquisição pelo Município, dado que usos não lhe faltam e a

plena preservação da sua arquitectura.

segunda-feira, 10 de julho de 2023

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL


MARCHAS DO CONCELHO


Estão de parabéns, bem merecidos e justificados, o Município de Faro e a

dinâmica Sociedade Recreativa Bordeirense, pelo indiscutível êxito que

constituiu a «Noite das Marchas Populares». Aconteceu esta noite ímpar no

centenário Estádio de São Luís, por amável e colaborante cedência do Sporting

Clube Farense, encontrando-se a bancada central para «nem mais um

alfinete» e outros espaços abertos com muito público, que não regateou

aplausos aos marchantes.

A encerrar as memoráveis exibições dos «nossos», do concelho entenda-

se, representantes da Sociedade Bordeirense (que foi a primeira marcha

algarvia a estar presente em Lisboa (Avenida da Liberdade) numa edição das

«Marchas Lisboetas» e do Patacão (Marcha da Alegria, do Centro Apostólico) e

da de São Brás de Alportel, a aplaudida presença das Marchas de São Vicente

e da Penha de França, vindas da capital.

Valeu a pena assistir a esta festiva noite dos «Santos Populares», mas à

lembrança, neste universo-arquivo que a memória nos dá a cada instante,

recordamos os anos 50 e 60, a quando das «Festas da Cidade», que o sempre

saudoso «Pai Aníbal» (Aníbal da Cruz Guerreiro) organizou na Alameda João

de Deus e que foi o passo primeiro para que haja ainda exista a benemérita

Casa dos Rapazes (Instituto Dom Francisco Gomes).

Do vasto programa, no qual se incluía o jamais repetido «Festival da

Canção de Faro» constava um concurso das marchas populares, que esgotou

por completo aquele renovado espaço da capital sulina.

E é isso que, sem qualquer sombra de crítica aos promotores das «Marchas

em Faro», mas apenas encómios. Que o concurso se repita e que se comece

já (o tempo voa e Junho de 2024 é já ali), a preparar um desfile de marchas

farenses. Imprescindível é a colaboração das várias agremiações. Entre elas

apontamos, na representação dos bairros citadinos, o Vitória (Alto Rodes), Os

Bonjoanenses (Bom João), o Clube Desportivo do Montenegro, o Patacão

(Centro Apostólico), a Sociedade Recreativa Bordeirense (Santa Bárbara de

Nexe), o São Luís (zona da Penha e deste bairro) e muitos outros, que nunca

serão de mais.

Aceitamos, como da maior valia, a presença de marchas lisboetas, mas que

bom seria pôr as gentes de Faro a marchar nos Santos Populares!

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL



«CAPITAL MOTARD DA EUROPA»


A partir de 20 do corrente (5ªfeira) e até Domingo (24) Faro

é, uma vez mais, a capital europeia dos motards, com a

realização da 41ª edição da «Concentração Internacional de

Motos».

Ali, no Ludo, o dinâmico Moto Clube de Faro, a que preside

com dedicação e empenho, essa figura icónica que é o José

Amaro, vai receber cerca de 20 mil participantes na que é uma

das mais cotadas manifestações que, no seu género, se

realizam.

Provenientes de quase todos os países europeus, os

motociclistas vêm também de outras partes do Mundo,

conferindo a esta reunião, um cunho universal.

É um evento não só da maior importância para a capital

sulina, como para todo o Algarve até o País, pelo volume de

receitas envolvidas.

Ao após ano, não obstante as conhecidas dificuldades de

que as limitações do terreno figuram em lugar destacado, os

motards vêm até ao Sul da Europa, para participarem num

evento que, ao fim e ao cabo, a todos nos importa.

Aquele desfile de despedida, na manhã de Domingo,

proporciona uma imagem e lembrança e única e imperdível.

Daqui, desta coluna em que trazemos Faro nas suas

vertentes, há dezenas de anos, saudamos o Moto Clube e todos

os participantes nesta mediática «Concentração Internacional».

CRÓNICA DO MEU VIVER OLHANENSE

 

A ARTE SACRA OLHANENSE


Foram de notável significado as comemorações do 328º

aniversário da criação pelo Bispo do Algarve, D. Simão da

Gama, da freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Olhão.

Foi, então e porque o tinha acontecido a rogo dos

olhanenses, mais uma prova insofismável de que «Olhão se fez

a si mesmo», como o definiu um saudoso professor universitário

algarvio.

Estas celebrações, que tiveram a marcante presença do

Presidente do Município, Dr. António Pina e do Pároco da

Freguesia, Padre Armando Filhó, deixaram marcas que o ficarão

para sempre.

É o caso da apresentação do notável catálogo «Arte Sacra

de Olhão - Inventário do Arquivo da Paróquia de Olhão», fruto de

um notável trabalho de investigação de dedicados funcionários

da Câmara Municipal ligados ao Museu, onde o acto teve lugar.

Por ele e nele se descobre toda uma riqueza existente nesta

«Cidade da Restauração e, por tantos de nós, desconhecida.

Cria uma renovada e prestigiante aureola à freguesia

olhanense, de modo próprio no que ao seu património artístico

importa. O «Inventário do Arquivo Paroquial» abre toda a

viabilidade a quantos se importam pela averiguação histórica

olhanense.

Queremos também destacar a notável noite vivida na

Igreja Matriz, com a presença da merecidamente afamada

Orquestra Filarmónica Portuguesa e de 4 grupos corais, que sob

a regência do erudito músico Padre António Cartagena,

interpretaram a «Cantata a Nossa Senhora da Conceição»,

evocando uma das grandes venerações marianas das gentes de

Olhão.

JOÃO LEAL

 TURISMO DO ALGARVE EM NOTÍCIA

No Morgado do Arge (Portimão), que tem uma extensão de 1

390 hectares vai ser construído um complexo turístico com um

total de 3 238 camas, num investimento de 322 milhões de

euros e a criação de 800 novos postos de trabalho.

Uma parceria «fado /flamenco» decorreu em Alcoutim,

numa iniciativa do município local e do seu homólogo fronteiro

de San Lucar del Guadiana.

Várias são as equipas de futebol, nacionais e estrangeiras,

que escolheram o Algarve para os estágios da pré-temporada.

Entre elas, que efectuarão na nossa Região alguns encontros

contam-se: Benfica, Porto, Sporting, Vitória de Guimarães e os

árabes do Al Nassrr, equipa onde joga o português Cristiano

Ronaldo.

No Consulado de Portugal em Sevilha teve lugar uma

jornada da «dieta mediterrânica», assinalando o 10º aniversário

do seu reconhecimento pela UNESCO. Foi uma iniciativa da

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Algarve, da

Câmara Municipal de Tavira e outras entidades.

Uma viagem de cheiro pelo Algarve é o objectivo do

«Perfume Algarve», constituído por extractos da flor de

laranjeira, da laranja e outros frutos.

Atracou ao porto de Portimão, vindo de Casablanca e com

destino a Lisboa o navio «Seven Seas Voyager», transportando

turistas norte-americanos.


JOÃO LEAL

CRÓNICA DE FARO JOÃO LEAL



OPERAÇÃO: CALCETAR!


Sobram os dedos de uma só mão para referir as ruas de Faro que

apresentem, na sua totalidade, o pavimento dos passeios sem buracos nem

covas.

Superabundam as artérias onde as folhas são constantes e as pedras do

calcetamento se encontram por ali jazidas, aguardando ou o seu

desaparecimento ou a eternidade de uma placidez que não foi para isso que

foram destinadas.

As causas podem ser várias, desde uma deficiente colocação (em muitos

casos basta a água provinda dos ares condicionados para arrancarem as

pedras), o estacionamento indevido dos automóveis, quando não de veículos

pesados sobre os débeis passeios ou quaisquer outras.

Certo, certo é que é um dos aspectos negativos da capital sequiosa,

orgulhosamente orgulhosa e com mais de mil razões para tal, das suas ruas

artisticamente calcetadas à portuguesa, seja-o na Baixa, no Jardim Manuel

Bivar ou no Largo do Carmo. Motivo de nosso legítimo e justificado orgulho, o

que constitui um ponto mais da Cidade de Santa Maria.

Um médico ortopedista, amigo, dizia-me há tempos que uma das causas

por que se vêm em Faro tantas pessoas usando canadianas ou quejandos

deve-se ao facto destes buracos na calçada e acidentes daí provindos.

Já agora e vem, como sói dizer-se, «a talhe de foice», que dizer do estado

dos pavimentos nas Ruas Alexandre Herculano, da Misericórdia e do Município

(será que os edis não passam constantemente por esta na Vila -a - Dento?),

verdadeiros mares ondulados, pela irregularidade dos pisos, quando por elas

transitamos.

Em relação aos buracos nos nossos pavimentos («o maior campo de

golfe da Europa», como alguém os designou) urge, de uma urgência perene,

que o Município empreenda uma correcta, activa e decidida acção de

reparação extensiva a toda a cidade!